O Cristianismo é uma Vida de Amor e Não uma Doutrina?

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Os liberais clássicos gostam de dizer que o cristianismo é um estilo vida, não uma doutrina. Você já ouviu alguém afirmar isso? Às vezes, as pessoas dizem que não importa no que você crê. O que importa é que você ame as outras pessoas. O que importa é que você faça o bem no mundo, socorra os oprimidos, cuide dos doentes e dos pobres e ajude os necessitados. Contanto que você esteja cheio de amor e faça o bem no mundo, não importa em quais doutrinas específicas você acredita. Doutrinas causam divisões, conflitos e guerras. Então, deixe as pessoas crerem no que quiserem. O que realmente importa é que todos nós amemos os nossos semelhantes.

Em seu magnífico tratado, Christianity and Liberalism [Cristianismo e Liberalismo], J. Gresham Machen argumenta que essa ideia liberal não é verdadeira. É o oposto do cristianismo bíblico. O cristianismo não começa nos ordenando a amar as outras pessoas. Começa com as grandes doutrinas bíblicas sobre Deus, sobre o homem, Cristo e o Evangelho.

O cristianismo não começa com o mandamento para amarmos a Deus ou os outros. Começa com a doce doutrina do amor de Deus. O cristianismo começa proclamando que Deus é santo, porém nós somos pecadores necessitados de salvação. E Deus amorosamente olhou para esse mundo arruinado e Ele graciosamente enviou o Seu único Filho, Jesus, a esse mundo para morrer pelos pobres pecadores e ressuscitar ao terceiro dia.

Agora, é importante entender que se você crê no Evangelho, certamente amará as outras pessoas. A Bíblia nunca minimiza a importância de amar os outros. Os Dez Mandamentos são sobre como devemos amar a Deus e amar os outros. Jesus deu um exemplo de amor e nos ensinou a amar. Nós devemos pregar que a verdadeira fé em Cristo e o arrependimento do pecado leva a amar a Deus e a amar os outros. Mas aqui está o distintivo cristão que é diferente do liberalismo: Deus nos ordena amar porque Ele nos amou primeiro enviando o Seu Filho Jesus para morrer pelos nossos pecados. Isso é uma doutrina, não uma vida de amor.

Machen prova que, de acordo com a Bíblia, a sã doutrina é mais fundamental para o cristianismo do que o nosso amor pelos outros.

Considere Filipenses 1:15-18. Paulo diz: “Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho. Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”. Essa não é uma passagem interessante? Por um lado, você tem pregadores que pregam o evangelho em amor e sinceridade (v. 16). Por outro, você tem pregadores que pregam o evangelho por motivos ruins e sem amor (v. 17). E o que Paulo diz? Ele diz que é grato pelos dois tipos de pregadores porque ambos pregam a verdadeira doutrina do evangelho. Certamente todos os pregadores devem amar os outros. É muito importante entender isso. Um pregador sem amor é uma contradição. Paulo não está tolerando a pregação sem amor. Mas Paulo diz que se um pregador desamoroso prega o verdadeiro evangelho, ele se alegra que o evangelho seja pregado. Então, de acordo com Paulo, a doutrina ortodoxa tem precedência sobre o amor pelos outros. Paulo está dizendo que você não pode ter cristianismo sem a doutrina ortodoxa do evangelho.

Agora, considere Gálatas 1:6-9. Você se lembra do contexto da carta de Paulo aos gálatas? Alguns falsos mestres haviam se infiltrado nas igrejas da Galácia. Eles estavam ensinando que os cristãos precisavam observar a lei judaica. Eles eram muito específicos em seguir as leis da Antiga Aliança de Deus. É provável que eles fossem exteriormente muito morais em diversos aspectos.

Porém, em Gálatas 1:6-9, Paulo diz:

Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

Assim, Paulo condena os pregadores que pregam um evangelho diferente, mesmo que sejam muito rigorosos sobre a lei do amor. Isso porque, sem a doutrina do evangelho, não pode haver cristianismo algum.

E é isso que os liberais não conseguem entender. Eles acham que nosso amor pelos outros é a essência do cristianismo. Mas, na realidade, o amor salvífico de Deus por Seu povo no Evangelho de Jesus Cristo é a essência do cristianismo.

Machen diz: “Aqui se encontra a diferença mais fundamental entre o liberalismo e o cristianismo: o liberalismo está completamente no modo imperativo, enquanto o cristianismo começa com um indicativo triunfante. O liberalismo apela à vontade do homem, enquanto o cristianismo anuncia, primeiro, um gracioso ato de Deus”.

Título original: Is Christianity a Life of Love, not a Doctrine? • Via Founders.org • Traduzido e publicado com permissão.
Tradução por Camila Rebeca Teixeira • Revisão por William Teixeira