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As 4 Fontes Documentais Usadas para Elaborar a CFB1689 | Conhecendo a CFB1689 #2

 


 

A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 (CFB1689) provém principalmente de quatro fontes:
 

1. A Confissão de Fé de Westminster (1646).


Esta confissão é distintamente Puritana, Presbiteriana e Pedobatista, sendo o resultado da sessão da Assembleia de Westminster.

Após um período de conturbação política os magistrados civis e as autoridades eclesiásticas (Puritanos) da Inglaterra resolveram que a Igreja da Inglaterra precisava ser reorganizada, e o Livro de Oração Comum precisava ser profundamente revisado ou mesmo substituído. O Parlamento determinou a convocação de uma assembleia de pastores Puritanos, chamados de “teólogos” com a finalidade de reorganizar a constituição da igreja, litúrgica e doutrinariamente. Essas reuniões são referidas como a Assembleia de Westminster. Em 12 junho de 1643, o Parlamento aprovou uma lei intitulada: “Uma Ordenação dos Lordes e dos Comuns no Parlamento para a convocação de uma Assembleia de Teólogos e outros, para ser consultada pelo Parlamento sobre a definição do Governo e Liturgia da Igreja da Inglaterra, e purificação da Doutrina da referida Igreja da falsas calúnias e interpretações”.

A Assembleia foi composta principalmente de teólogos Puritanos Ingleses. Mais especificamente, ela foi composta de 121 dos mais capazes pastores da Inglaterra, 20 membros da Casa dos Comuns e 10 membros da Casa dos Lordes — além de 4 pastores e 7 presbíteros da Igreja Presbiteriana a Escócia. Os 4 pastores escoceses que participaram da assembleia foram: Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie e Samuel Rutherford.

Os teólogos de Westminster se reuniram pela primeira vez em 1 de julho de 1643. Em 4 de dezembro de 1646, a Confissão de Fé de Westminster (CFW) foi concluída, embora, curiosamente, o Parlamento a tenha enviado de volta com a solicitação de que referências bíblicas a serem indicadas indicando que a “Assembleia deveria anexar as suas notas marginais, para comprovar cada parte disso pela Escritura”. Isso foi completado em 29 de abril de 1647.

Outros documentos produzidos pela Assembleia foram:

• Catecismos Breve e Maior: visavam ensinar a doutrina contida na CFW;

• Diretório do Culto Público: substituiu o Livro de Oração Comum;

• Saltério: uma versão métrica dos Salmos para uso no culto;

• Forma de Governo Eclesiástico: Instituiu a forma de governo presbiteriano em lugar da episcopal, com seus bispos e arcebispos.

A Assembleia se reuniu por 5 anos, 6 meses e 22 dias; foram realizadas 1.163 sessões.

 

2 • A Declaração Savoy de Fé e Ordem (1658).


A Declaração de Savoy (DS) recebe esse nome porque foi redigida em uma conferência no Palácio de Savoy, em Londres. Esta confissão é uma revisão da Confissão de Westminster, a principal revisão foi a doutrina do governo da Igreja e da autonomia da igreja local (Veja o cap. XXVI, da DS, “Sobre a Igreja” — foi produzido um apêndice de 30 parágrafos para esse capítulo, intitulado: “A Instituição das Igrejas, e a Ordem Indicada Nelas por Jesus Cristo”, que posteriormente serviu de modelo para os 15 parágrafos do cap. XXVI da CFB1689).

A conferência no Palácio de Savoy reuniu cerca de 200 delegados de 120 congregações e durou de 29 de setembro até 12 de outubro de 1658. Uma curiosidade é que essa reunião ocorreu 26 dias depois da morte de Oliver Cromwell (25 de abril de 1599 — 3 de setembro de 1658).

A DS é o resultado do trabalho de uma comissão composta pelos Drs. Thomas Goodwin, John Owen, Philip Nye, William Bridge, Joseph Caryl e William Greenhill, que tinham sido membros da Assembleia de Westminster, com exceção de Owen. É dito que John Howe — outro eminente teólogo Puritano e, por um breve tempo, capelão de Oliver Cromwell — teve alguma participação na obra. O destaque desses teólogos é, sem dúvida, John Owen, que foi considerado o principal teólogo dos Congregacionais ingleses e “Príncipe dos Puritanos”. Owen foi capelão de Cromwell e vice-chanceler da Universidade de Oxford.

E para vocês que estão conhecendo confessionalismo Batista, a importância de John Owen em para a formação da teologia confessional Batista é muito grande. Os primeiros Batistas — como por exemplo: Nehemiah Coxe e Benjamin Keach — aprenderam muito com Owen e seu entendimento sobre as alianças de Deus.

As principias modificações que a Declaração de Savoy fez a partir da Confissão de Westminster consistiram em:

REJEIÇÃO:

Os caps. XXX, “Sobre as Censuras Eclesiásticas” e XXXI, “Sobre os Sínodos e Concílios” foram totalmente rejeitados.

REVISÃO:

Os caps. XXIII (DS, XXIV), “Sobre o Magistrado Civil”, XXIV (DS, XXV), “Sobre o Matrimônio e Divórcio” e XXV (DS, XXVI), “Sobre a Igreja”, foram significativamente modificados.

ACRÉSCIMO:

O cap. XX, “Sobre o Evangelho e a Extensão de Sua Graça” foi inserido, e daí a diferença na numeração dos capítulos restantes com relação à CFW.

(Para ver com mais clareza as diferenças veja Uma Comparação Tabular Entre as Três Confissões da Fé Reformada e Puritana: CFW + DFOS + CFB1689)

 

3. A PRIMEIRA CONFISSÃO BATISTA DE LONDRES, 1644.


Durante o século XVII, quando sob perseguição, um grupo de Batistas Particulares publicaram uma Confissão para esclarecer a sua posição doutrinária e para refutar erros com os quais eles tinham sido estigmatizados, dando origem ao que veio a ser conhecido como a Confissão de Fé Batista de Londres de 1644 (CFB1644). Esta Confissão foi subscrita por sete Congregações Batistas Particulares na região de Londres. É provável que tenha, posteriormente, se tornado a posição doutrinária de muitas outras Congregações.

Essa primeira Confissão de Fé originado pelos primeiros Batistas Particulares, era distintamente Calvinista e Batista, e combatia doutrinas cridas pelos Batistas Gerais, como o livre-arbítrio, e doutrinas cridas por alguns Anabatistas Continentais, como por exemplo a rejeição do envolvimento dos Cristãos no ofício civil.

O título logo na página de publicação da Confissão mostra que parte do seu objetivo era mostrar que os Batistas Particulares eram distintos dos Anabatistas: “A confissão de fé das sete congregações ou igrejas de Cristo em Londres, as quais muitas vezes, mas injustamente são chamadas de Anabatistas; publicado para a reivindicação da verdade e para a informação dos ignorantes; e também para refutar as calúnias que são com frequência, tanto no púlpito quanto nas editoras, lançadas injustamente sobre eles”.

Esta confissão foi uma importante fonte usada na Confissão Batista de 1689, o que mostra o apreço que os Batistas de 1689 tinham pela Confissão de 1644. Por outro lado, 5 das 7 igrejas que subscreveram a Confissão de 1644 foram igualmente signatárias da Confissão de 1689, o que mostra que — longe de haver diferenças substanciais entre as duas confissões — havia um clara e consciente unidade teológica entre as duas principais Confissões de Fé Batista (Sobre isso leia: No Substantial Theological Difference between the First and Second London Baptist Confessions).

(Leia A Confissão de Fé Batista de Londres de 1644)

 

4. A obra de William Collins e Neemias Coxe.


William Collins e Neemias Coxe eram presbíteros da igreja Petty France, em Londres. É provável que eles foram responsáveis pela reunião e edição dos três documentos acima citados para produzirem esta Confissão de Fé. A primeira referência existente para a Confissão é encontrada registrada no Livro da Igreja Petty France, em 26 de Agosto de 1677, que afirma: “foi acordado que uma Confissão de fé, com o seu apêndice tendo sido lido e considerado pelos Irmãos, deve ser publicada”.

Quando levamos em conta (1) a capacidade teológica de ambos, Coxe e Collins, (2) o envolvimento deles em outras atividades literárias e (3) o fato de que parece que a Igreja de Petty France estava intimamente consciente da Confissão, chegamos à provável conclusão de que eles foram os seus principais editores.

 

COMPOSIÇÃO


Segundo M. T. Smith, dos 160 parágrafos que compõem a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, 146 são diretamente derivados da Declaração Savoy, 8 são derivadas da Confissão de 1644 e 6 do trabalho editorial de Collins e Coxe.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Primeiramente, observem o fato de que essas fontes deixam clara a origem bíblica, Protestante, Reformada, Puritana e Batista da CFB1689, e portanto, da fé daqueles primeiros Batistas Particulares.

Em segundo lugar, podemos ver que, embora tenham se apossado dessa rica herança teológica dos Pedobatistas Reformados, os Batistas Confessionais de 1689, também deram sua contribuição (Principalmente nas doutrinas da alianças e sua relação com as doutrinas das ordenanças e da igreja de forma geral).

E, por último, quero fazer um apelo aos Batistas de nosso tempo: Que possamos valorizar e nos apossar — não de forma cega, mas de forma consciente, sincera e intencional — da nossa herança confessional e da fé bíblica que está ali fielmente exposta, e proclamá-la para a glória de nosso Deus.

 

Este pequeno volume [CFB1689] não é emitido como uma regra autoritativa, ou código de fé, pelo que vocês devem ser constrangidos, mas como uma ajuda para vocês em controvérsia, uma confirmação na fé, e um meio de edificação na justiça. Aqui os membros mais jovens da nossa igreja terão um corpo de teologia, que servirá como uma pequena bússola, e por meio de provas bíblicas, estarão prontos para dar a razão da esperança que está neles.

Não se envergonhem de sua fé; lembrem-se que este é o antigo Evangelho dos mártires, confessores, reformadores e santos. Acima de tudo, é a verdade de Deus, contra o qual todas as portas do inferno não prevalecerão. Deixem suas vidas adornarem a sua fé, deixem o seu exemplo enfeitar o seu credo. Acima de tudo, vivam em Cristo Jesus, e andem nEle, não crendo em nenhum ensinamento, senão no que é manifestamente aprovado por Ele, e de propriedade do Espírito Santo. Apeguem-se fortemente à Palavra de Deus que está aqui mapeada para vocês.

— C. H. Spurgeon, escreveu estas palavras quando, no início de seu ministério, prefaciou uma re-edição da CFB1689 e a recomendou à sua congregação.

 

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Origem e Significado do Seu Nome | Conhecendo a CFB1689 #1 | In Memorian Erroll Hulse (1931–2017)

 


Este é o primeiro vídeo da série “Conhecendo a Confissão de Fé Batista de 1689”, que visa falar um pouco sobre a história da Confissão de Fé Batista de 1689 (CFB1689).

Hoje falaremos sobre o nome da Confissão. Você sabe qual é o nome original da CFB1689?

A publicação original da Confissão trazia o seguinte título na capa:

 

A CONFESSION OF FAITH put forth by the ELDERS and BRETHREN of many CONGREGATIONS of Christians (baptized upon profession of their faith) in London and the country.

 

Podemos traduzir esse título da seguinte maneira:

 

UMA CONFISSÃO DE FÉ Publicada pelos PRESBÍTEROS e IRMÃOS De muitas CONGREGAÇÕES de Cristãos (batizados sobre a Profissão de sua Fé) em Londres e no País.

 

Seguido a tradição Puritana, o título de capa da Confissão era quase uma “apresentação” da obra. Além do um simples enunciado, os editores se preocupavam em adicionar informações cujo conhecimento eles julgavam ser essenciais para todo aquele que tivesse contato com a obra. Afinal de contas, “você conhece um livro pela capa!

Então, talvez pelo fato do título original ser puritanamente prolixo e por alguns envolvidos na produção da Confissão já haverem publicado uma outra Confissão em anos anteriores,[1] a Confissão passou a ser conhecida como a Segunda Confissão de Fé de Londres de 1689, e é esse o título mais comum que atualmente os falantes de língua inglesa usam para se referirem à Confissão. Mas com o passar do tempo houve uma necessidade de expressar ainda mais claramente a posição confessional da Confissão e então foi inserido o termo “Batista” no título e suprimido o termo “Segunda” e por vezes “Londres”, ficando sobre “A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689”, ou simplesmente “A Confissão de Fé Batista de 1689” (De forma abreviada: CFB1689) este último é o nome que é geralmente adotado aqui no Brasil[2] para se referir à Confissão.

Tendo como referência o título “A Confissão de Fé Batista de 1689”, busquemos entender por partes o que expressão significa:

O que é uma Confissão de Fé?
 

A Confissão não é aquilo em que nossa fé se baseia, mas é somente o instrumento pelo qual declaramos, isto é, confessamos, em que nossa santíssima fé realmente se fundamenta, que é em Cristo Jesus, segundo as Escrituras testificam.

 

O que significa ser “Confessional”?

 

“Significa fazer parte de um segmento do Cristianismo (do mais biblicamente puro e são, acredito) que expressa sua fé (crença) no que seja os fiéis ensinos das Escrituras Sagradas, de maneira escrita, formal, sistemática, consensual e objetiva.

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O Valor da Pregação Através dos Livros da Bíblia | Tom Hicks

 

Eu acredito que pregadores podem fielmente pregar sermões tópicos e temáticos que expliquem a Bíblia, e eles podem pregar sermões em textos particulares da Escritura sem que preguem através de livros inteiros da Bíblia. Mas aqui estão alguns motivos pelos quais a pregação através de livros inteiros da Bíblia é valiosa.

1. Pregar através dos livros da Bíblia nos força a lidar com tudo que a Bíblia tem a dizer. Algumas passagens da Escritura são difíceis de entender e algumas são difíceis de acreditar. Esse fato as vezes incitam pregadores a pregarem nas passagens fáceis. Mas, se pregarmos cada vez através de livros inteiros, então não temos escolha senão lidar com os textos difíceis, e debater com seus significados e aplicações, mesmo se seus significados e aplicações são difíceis e desconfortáveis para nós.

2. Pregar através de livros inteiros da Bíblia ao mesmo tempo nos previne contra a má interpretação da Bíblia porque nos força a lidar com cada verso da Bíblia no seu próprio contexto. É fácil tirar um versículo de contexto e fazê-lo dizer o que nós queremos que ele diga. Isso até pode acontecer inadivertidamente. Mas é muito mais difícil de interpretar mal a Bíblia se essas palavras e frases são estudadas no contexto da mensagem dos livros no qual elas foram são encontradas.

3. Pregar através de livros inteiros da Bíblia nos mantém longe de “cavalinhos de pau” ou temas favoritos. Seria fácil encontrar umas poucas coisas encorajadoras ou um grupo de distintivos (distintivos Batistas, Calvinismo, Arminianismo, visões sobre o milênio, etc.) na Escritura e restringir nossa pregação a esses itens. Mas se nós estudarmos sempre através dos livros inteiros, então teremos exatamente o equilíbrio de que aquilo que Deus pensa é apropriado, perfeito e enfatizando proporcionalmente o caráter de Deus, o julgamento, a graça, a cruz, o chamado para fé e arrependimento, como viver como cristãos, a igreja, céu e inferno, etc.

4. A pregação fiel através dos livros inteiros da Bíblia é centrada no plano redentor de Deus em Cristo. Quando a pregação expositiva através dos livros da Escritura é feita corretamente, ela revela uma unidade do propósito divino da salvação dos pecadores em Cristo. O pregador expositivo prega não apenas porções da Bíblia, mas a Bíblia inteira em cada sermão. Isso significa que a lei e o evangelho estão sempre presentes. Muitos sermões hoje são cheios de vulgaridades impotentes, os quais dão um conforto não verdadeiro, e de moralismos, que amarram a consciência. Mas, a pregação expositiva dirige o pregador para a toda doutrina e lei fundamentada na pessoa de Jesus Cristo.

5. Pregando através de livros inteiros permite o Espírito Santo, que escreveu a Escritura, estabelecer a agenda todo Domingo. Pregar dessa forma nos permite estudar e aplicar o que Deus falou na ordem na qual Deus o falou. O pregador expositivo não pode vir para o púlpito como um mestre que estabelece a agenda para a igreja a cada domingo. Antes, ele vem com um escravo para a agenda de Deus. Isso é benéfico tanto para o pregador como para a congregação. O papel do pregador não é o de um ch​ef, mas de um garçom, que simplesmente serve a comida que Deus tem preparado para Seu povo.

6. Nós devemos pregar através de livros inteiros a cada vez porque cada palavra da Bíblia é verdade. Se cada palavra não fosse verdade, então podemos selecionar e escolher dentre os textos da Escritura, optando por pregar e estudar o que acreditamos ser verdade, enquanto rejeitamos o resto. Mas, uma vez que cada palavra da Bíblia é verdade e expirada por Deus para nossa santificação, devemos pregar cada palavra da Bíblia.

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Definição de Soberania de Deus │ A. W. Pink │ ❝Citações❞ #6

 

 

O que é a soberania de Deus? A citação de hoje traz uma definição por A. W. Pink:

 

❝Soberania de Deus! Que queremos dizer com essa expressão? Queremos afirmar a supremacia de Deus, a realeza de Deus, a divindade de Deus. Dizer que Deus é soberano é declarar que Deus é Deus. Dizer que Deus é soberano é declarar que ele é o Altíssimo, o qual tudo faz segundo sua vontade no exército dos céus e entre os moradores da terra; “Não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35). Dizer que Deus é soberano é declarar que ele é onipotente, possuidor de todo o poder nos céus e na terra, de tal maneira que ninguém pode impedir os seus conselhos, contrariar os seus propósitos ou resistir à sua vontade (SI 115.3). Dizer que Deus é soberano é declarar que ele “governa as nações” (Sl 22.28), estabelecendo reinos, derrubando impérios e determinando o curso das dinastias, segundo o seu agrado. Dizer que Deus é soberano é declarar que ele é o “único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (1 Tm 6.15). Este é o Deus da Bíblia... Negar a soberania de Deus é entrar em um caminho que, se for seguido até a sua conclusão lógica leva ao completo ateísmo.❞

 

Que definição! Quando me deparei pela primeira vez com esse tipo de declaração confesso que meu coração estremeceu, primeiro de assombro e depois de adoração: “Que grande Deus é o Deus da Bíblia e que grande Deus eu tenho!”.

A obra original do A. W. Pink, tem por título "The Sovereignty of God" [A Soberania de Deus]. É estranho para mim que a obra original possui 12 capítulos e 4 apêndices, mas a versão que foi traduzida para o português e preparada pela editora escocesa Banner of Truth conta apenas com 10 capítulos e nenhum apêndice.

Os dois capítulos omitidos são: “A Soberania de Deus na Reprovação” (originalmente cap. 5) e “Dificuldades e Objeções” (originalmente cap. 11).

Os apêndices são:

Apêndice 1 – A Vontade de Deus (https://goo.gl/ALBqoS)
Apêndice 2 – O Caso de Adão (https://goo.gl/ARNwN8)
Apêndice 3 – O Significado “Cosmos” em João 3:16 (https://goo.gl/CUyXiN)
Apêndice 4 – 1 João 2:2 (https://goo.gl/WWi6X3)

Talvez essas omissões se devam ao fato de que, infelizmente, em nossos dias, até mesmo os Reformados que afirmam crer na doutrina bíblica da soberania de Deus na salvação, acabam sendo reticentes quanto a afirmar a “absoluta” soberania de Deus. Embora no meio Reformado seja um consenso que Deus é soberano na salvação, por outro lado quando falamos da soberania de Deus na reprovação, muitos fazem “cara de arminiano” e acabam se ofendendo.

O supralapsarianismo do A.W. Pink acaba assustando muitos Reformados de nossos dias, ainda que esse tenha sido o entendimento comum dos Reformadores, Calvino e Lutero afirmaram a soberania absoluta de Deus tanto na salvação quanto na reprovação; outro Reformador, Jerome Zanchius, até escreveu um livro maravilho intitulado “Predestinação Absoluta”.

Que possamos seguir o conselho do Pink e jamais negar nem minimamente a soberania de Deus para que jamais nos aproximemos do “caminho que, se for seguido até a sua conclusão lógica leva ao completo ateísmo”.

Que não nos envergonhemos da doutrina bíblica da absoluta soberania de Deus, não peçamos desculpas pela verdade de Deus, mas que antes, venhamos a proclamar o Deus soberano e acima de tudo adorá-lO, segundos as Escrituras.

Soli Deo Gloria!

__________
* PINK, A. W. Deus é Soberano. 2ª Ed. [Tradução: Editora Fiel]. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 1997. pp 21-23.

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A Não Ser que Eu Creia Jamais Entenderei │ Anselmo de Cantuária │ ❝Citações❞ #5

 

 

A quinta citação de nossa série é retirado no livro “Conhecendo o Deus Trino”, por Tim Chester (Editora Fiel), contudo, a citação é de outro autor, Anselmo de Cantuária.

Anselmo de Cantuária (1033-1109), foi um monge beneditino, filósofo e arcebispo de Cantuária entre 1093 e 1109. Chamado de fundador do escolasticismo. Ele é mais conhecido por ter criado o argumento ontológico para a existência de Deus.

Mas a sua maior contribuição para a teologia bíblica é a sua visão de que a morte expiatória de Cristo na cruz foi essencialmente uma satisfação do Filho à justiça do Pai, pelos pecados dos homens.

Embora o sue argumento ontológico mostre que Anselmo cria que a razão pode ser usada para provar a existência de Deus; por outro lado, ele também que cria é impossível conhecer o Deus verdadeiro sem que antes creiamos nEle. A citação de hoje deixa isso bem claro:

 

❝Reconheço, ó Senhor, com gratidão, que tu criaste esta tua imagem em mim, para que me lembrando de ti, possa eu pensar em ti, possa amar-te. Mas esta imagem é tão deturpada e desgastada por minhas culpas, é tão obscurecida pela fumaça dos meus pecados, que não pode fazer aquilo que foi feita para fazer, a não ser que tu a renoves e reformes. Não tento, ó Senhor, penetrar tua alteza, pois não posso começar a igualar meu entendimento com ela, mas desejo, em alguma medida, compreender a tua verdade, a qual meu coração crê e ama. Pois não procuro compreender a fim de crer, mas creio a fim de compreender. Nisto também creio: “a não ser que eu creia, jamais entenderei” (Proslogion, 1).❞*

 

A citação acima resume o mote de Anselmo que era “fides quaerens intellectum” (fé em busca de entendimento), que, para ele, significava ”um ativo amor de Deus em busca de um conhecimento mais profundo de Deus”.**

Que possamos aprender com Anselmo, que nossa teologia seja “fé em busca de entendimento” de Deus e para a glória de Deus!

__________
* CANTUÁRIA, Anselmo de. Apud CHESTER, Tim. A Trindade e a Revelação, Cap. 8. In: CHESTER, Tim. Conhecendo o Deus Trino: porque Pai, Filho e Espirito Santo são boas novas. 1ª Ed. [Tradução: Elizabeth Gomes]. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2016. pp 123-124.

** Anselmo de Cantuária. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anselmo_de_Cantu%C3%A1ria - Acesso em: 12 set 2017.

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A Doutrina da Salvação pela Fé Prova que o “Livre-Arbítrio” é Falso │ Martinho Lutero │ ❝Citações❞ #4

 

 

A citação de hoje é de Martinho Lutero, retirada do livro “Nascido Escravo” — que é um resumo da sua obra clássica, “A Escravidão da Vontade” (De Servo Arbitrio) — publicado em português pela Editora Fiel.

Martinho escreveu “A Escravidão da Vontade” em reposta à obra “Sobre o Livre-Arbítrio” (De Libero Arbitrio) do humanista e célebre erudito Católico Erasmo de Roterdã. A seguinte fala de Lutero nos dá uma ideia do porquê Lutero respondeu a Erasmo:

 

“Ora meu bom Erasmo”, ele escreve, “somente tu tens atacado a verdadeira questão, a essência do que se disputa aqui, e não me cansaste com irrelevâncias sobre papado, purgatório, indulgências e tais trivialidades (pois são trivialidades mais do que as questões básicas), com que quase todos antes de ti têm me caçado sem êxito. Tu, e somente tu, tens visto a pergunta sobre a qual tudo o mais se dobra, e tens mirado o ponto essencial; por isso sinceramente te agradeço”.*

 

Lutero respondeu a Erasmo porque julgou que ele foi o único que finalmente atacou “a verdadeira questão”, a “pergunta sobre a qual tudo o mais se dobra” e o “ponto essencial”. Do que Lutero estava falado? Sobre a doutrina bíblica justificação pela fé! Como um homem é salvo? Erasmo rezava: fé mais boas obras humanos feitas segundo o uso do livre-arbítrio; Lutero rugia: O arbítrio do homem não é livre, mas escravo do pecado, por isso se qualquer homem for salvo ele dever ser salvo pela fé e pela fé somente, sem as obras da lei!

Sem mais delongas. A 4ª citação de nossa série é a seguinte:

 

❝A doutrina da salvação pela fé prova que o “livre-arbítrio” é falso... A doutrina da salvação pela fé é completamente contrária a qualquer ideia de “livre-arbítrio”.❞**

 

Essa citação de Martinho Lutero é extraída do Capítulo 1, onde postula o seu Argumento 5 com a sentença: “A doutrina da salvação pela fé prova que o ‘livre-arbítrio’ é falso” (p. 26), e esse quinto argumento é resumido (ou talvez parafraseado) pela frase com a qual é concluído: “A doutrina da salvação pela fé é completamente contrária a qualquer ideia de ‘livre-arbítrio’” (p. 27). Essas duas frases resumem o pensamento de todo o livro e o verdadeiro pensamento da Reforma Protestante! Afastar-se desse pensamento bíblico foi uma tragédia para a Igreja, como hoje em dia claramente se vê.

Lutero e os outros Reformadores com as Escrituras abertas declararam que a fé salvífica é um dom gracioso de Deus, é uma obra de Deus e não do homem (João 6:29; Filipenses 1:29), é um fruto e obra do Espírito de Cristo e não um fruto do livre-arbítrio em cooperação com uma suposta “graça” (Gálatas 5:22; 1 Coríntios 2:9-12). A ideia de salvação pelo livre-arbítrio é completamente oposta ao claro ensinamento bíblico de salvação pela graça somente, mediante a fé somente, e isso não vem do homem ou das obras do homem em qualquer sentido, mas de Deus somente (Efésios 2:1-9; Romanos 6:23).

Quando a Bíblia fala de salvação, ela nunca confunde graça com obras, ela é muito clara em dizer que “se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra” (Romanos 11:6). Em matéria de salvação, se temos 99,99% de graça e 0,01% de obras humanas, simplesmente “a graça já não é graça”. Alguns confundem fé com obras e graça com livre-arbítrio, e o resultado disto é um abismo de incoerência bíblica e autocontradição!

É surpreendente para mim que neste ano de 2017 muitos “Erasmos” estarão comemorando o aniversário da Reforma Protestante, isto é, este ano muitos “protestantes” e “evangélicos” comemorarão a Reforma Protestante, contudo, essas mesmas pessoas, como Erasmo de Roterdã, são firmes opositoras aos ensinos bíblicos de Lutero, e se for examinado mais de perto, será visto que eles concordam mais com a doutrina de livre-arbítrio e de salvação pelas obras dos Papistas do que com Lutero e a doutrina bíblica da justificação pela fé somente!

Que nós possamos retornar à fé das Escrituras Sagradas, e sustentar de forma bíblica e coerente a doutrina bíblica, protestante e reformada da justificação pela fé somente, pela graça somente, em Cristo somente e para a glória de Deus somente!

Sola Scritura! Sola Fide! Sola Gratia! Solus Christus! Soli Deo Gloria!

Se você é um verdadeiro Cristão Bíblico Protestante Reformado... Feliz 500 anos do maior avivamento bíblico da história da Igreja: A Reforma Protestante!

__________
* REEVES, Michael & CHESTER, Tim. Por que a Reforma Ainda é Importante. [Tradução: Elisabeth Gomes]. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2017. p. 78.

** LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. 2ª Ed. [Tradução: Editora Fiel]. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2007. pp 26-27.

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Reflexões

"Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescen-tadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal."
(Mateus 6:33-34)
Sola Scriptura!
"Porque tu acenderás a minha candeia; o SENHOR meu Deus iluminará as minhas trevas. Porque contigo entrei pelo meio duma tropa, com o meu Deus saltei uma muralha. O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam."
(Salmo 18:28-30)
Sola Scriptura!
"Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias... Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a malda-de. Destruirás aqueles que falam a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento."
(Salmos 7:11; 5:5-6)
Sola Scriptura!

A Confissão De Fé Batista de 1689

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