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Uma Palavra aos Pais, por A. W. Pink

Uma Palavra aos Pais, por A. W. Pink




“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.

E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:1-4).

“...mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez. Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos; para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos; para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos” (Salmos 78:4-7).


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Uma das características mais tristes e trágicas de nossa “civilização” do século XX é a terrível prevalência da desobediência por parte dos filhos em relação aos seus pais durante os dias da infância, e sua falta de reverência e respeito quando crescem. Isto é evidenciado de muitas maneiras, infelizmente, mesmo nas famílias de Cristãos professos. Em suas extensas viagens durante os últimos trinta anos, este escritor tem peregrinado em um grande número de casas. A piedade e a beleza de algumas delas permanecem memórias tão marcantes e perfumadas, mas outras delas deixaram as impressões mais dolorosas. Crianças que são obstinadas ou mimadas não apenas conduzem a si mesmas em perpétua infelicidade, mas infligem desconforto a todos os que entram em contato com elas e prenunciam coisas más para os dias vindouros.

Na grande maioria dos casos, as crianças não devem ser tão rigorosamente culpadas quanto os pais. A falha em honrar pai e mãe, onde quer que seja encontrada, é, em grande medida devida aos pais se afastarem do padrão bíblico. Hoje em dia o pai considera que cumpriu as suas obrigações, fornecendo alimento e vestuário para os seus filhos, e agindo ocasionalmente como uma espécie de policial moral. Mui frequentemente a mãe se contenta em ser uma trabalhadora doméstica, tornando-se escrava de seus filhos, em vez de treiná-los para serem úteis, realizando muitas tarefas que as suas filhas deveriam fazer, mas em vez disso dão-lhes liberdade para a frivolidade.

A consequência disso foi que a casa, que deveria ser — por sua ordem, sua santidade e seu reino de amor — um pequeno paraíso na terra, degenerou-se em “uma estação de abastecimento para o dia e um lugar de hospedagem à noite”, como alguém laconicamente expressou. Antes de delinear os deveres dos pais em relação aos filhos, permita que seja ressaltado que eles não podem disciplinar devidamente os seus filhos a menos que eles tenham primeiro aprendido a governarem a si mesmos. Como eles podem esperar subjugar a vontade própria em seus pequeninos e verificar o surgimento de um temperamento irritado, se suas próprias paixões são permitidas reinar livremente? O caráter dos pais deve ser em um grau muito elevado reproduzido em sua prole: “E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem...” (Gênesis 5:3). Os pais devem — ele mesmo ou ela mesma — estarem em sujeição a Deus, se eles é que eles querem licitamente esperar obediência de seus pequeninos. Este princípio é aplicado nas Escrituras repetidamente: “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo?” (Romanos 2:21). Sobre o bispo ou pastor está escrito que ele deve governar “bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?)” (1 Timóteo 3:4-5). E se um homem ou mulher não sabem como governar seu próprio espírito (Provérbios 25:28), como eles cuidarão de sua prole.

Deus confiou aos pais um mui solene, e ainda assim, um mui precioso privilégio. Não é demais dizer que em suas mãos estão depositadas a esperança e bênção, ou então a maldição e praga da próxima geração. As suas famílias são os berçários tanto da Igreja e do Estado, e de acordo com o cultivo deles agora, tal será a sua futura fecundidade. Como com oração e cuidado eles devem cumprir o que lhes está confiado. Em verdade, Deus exigirá uma prestação de contas dos filhos das mãos dos pais, pois eles são Seus, e apenas emprestados ao cuidado e manutenção deles. A tarefa atribuída a vocês não é fácil, especialmente nestes dias superlativamente maus. No entanto, se com confiança e sinceridade buscarem, a graça de Deus será encontrada suficiente aqui, como em outros casos. As Escrituras nos fornecem regras para agir, com promessas a serem apropriadas e, nós podemos acrescentar, com alertas temerosos para que não tratemos a questão com ânimo leve.


Instruam seus filhos


Nós temos espaço para mencionar apenas quatro das principais competências delegadas aos pais. Em primeiro lugar, instruam seus filhos. “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Deuteronômio 6:6-7). Este trabalho é muitíssimo importante ser colocado em relação aos outros: pais, e não professores de Escola Dominical, são Divinamente obrigados a educar os seus pequeninos. E isso não deve ser uma coisa ocasional ou esporádica, mas algo em que se deve ter constante atenção. O caráter glorioso de Deus, as exigências de Sua santa lei, a excessiva malignidade do pecado, o maravilhoso dom de Seu Filho, e a terrível condenação que é a certa porção de todos os que O desprezam e rejeitam, devem ser estabelecidos repetidamente diante das mentes dos pequeninos. “Eles são jovens demais para entender essas coisas”, este é o argumento do Diabo para impedir vocês de cumprirem o seu dever.

“E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). Deve-se notar que os “pais” são aqui especificamente intencionados, e isto por duas razões: porque eles são os chefes das famílias e o seu governo é especialmente comissionado a eles, e porque eles são propensos a transferir esse dever para as suas esposas. Esta instrução deve ser dada aos filhos pela leitura das Sagradas Escrituras e exposição daquelas coisas adequadas para a sua idade. Isto deve ser seguido por catequizá-los. Um contínuo discurso feito a um jovem não é nem de perto tão eficaz, quanto quando é diversificado por perguntas e respostas. Se eles sabem que serão questionados sobre o que você lê, eles ouvirão mais atentamente: a formulação de respostas ensina-os a pensar por si mesmos. Tal método também é encontrado para fazer a memória mais retentiva, pois, responder a perguntas concretas fixa ideias mais específicas em mente. Observe quantas vezes Cristo fez perguntas aos discípulos.


Sejam Um Bom Exemplo


Em segundo lugar, boas instruções devem ser acompanhadas de bom exemplo. Aquele ensino que emana apenas dos lábios não é de todo provável de sem implantado mais profundamente do que nos ouvidos. As crianças são particularmente rápidas para detectar inconsistências, e desprezam a hipocrisia. É neste ponto que os pais precisam estar mais diante de Deus, diariamente, suplicando-Lhe aquela graça que eles necessitam tão intensamente, e que somente Ele pode fornecer. Que cuidados eles precisam tomar para que não digam ou façam qualquer coisa diante de seus filhos que tenderia a corromper as suas mentes ou ser má consequência para eles seguirem! Como eles precisam estar constantemente em guarda contra qualquer coisa que possa torná-los desprezíveis aos olhos daqueles que devem respeitá-los e reverenciá-los!

O pai não deve apenas instruir seus filhos nos caminhos de santidade, mas ele mesmo deve andar diante deles naqueles caminhos, e demonstrar por sua prática e comportamento que coisa agradável e proveitosa é ser regulado pela lei Divina. Em um lar Cristão o objetivo supremo deve ser a piedade familiar — a honra de Deus em todos os momentos — todo o mais sendo subordinado a isso. Na questão da vida familiar, nem marido nem esposa podem passar para o outro toda a responsabilidade do caráter religioso do lar. A mãe é certamente necessária para complementar os esforços do pai, pois, as crianças fruem muito mais da companhia dela, do que da dele. Se há uma tendência nos pais a serem demasiadamente rigorosos e severos, as mães são propensas a serem demasiadamente frouxas e brandas, e elas precisam estar muito vigilantes contra qualquer coisa que poderia enfraquecer a autoridade do marido; quando ele proibir algo, ela não deve dar o seu consentimento a isso. É impressionante notar que a exortação de Efésios 6:4 é precedida por “enchei-vos do Espírito” (5:18), enquanto que a exortação paralela, em Colossenses 3:21, é precedida por “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente” (v. 16), o que mostra que os pais não podem exercer as suas funções, a menos que eles estejam cheios do Espírito e da Palavra.


Disciplinem Seus Filhos


Em terceiro lugar, a instrução e o exemplo devem ser executados pela correção e disciplina. Isto significa, em primeiro lugar, o exercício da autoridade — o devido reino da lei. Sobre o pai dos crentes, Deus disse: “Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gênesis 18:19). Reflitam com cuidado sobre isso, pais Cristãos. Abraão fez mais do que oferecer um bom conselho: ele impôs a lei e a ordem em sua casa. As regras que ele administrou tinham por seu propósito a guarda do “caminho do Senhor” — o que foi reto aos Seus olhos. E este dever foi realizado pelo patriarca, a fim de que a bênção de Deus pudesse repousar sobre a sua família. Nenhuma família pode ser devidamente administrada sem leis domésticas, que incluam recompensa e punição, e estes são especialmente importantes na infância, quando o caráter moral ainda é sem forma e os motivos morais não são entendidos ou apreciados. As regras devem ser simples, claras, razoáveis e flexíveis como os Dez Mandamentos — algumas grandes regras morais, em vez de um grande número de restrições insignificantes. Uma forma de desnecessariamente provocar os filhos à ira é lhes embaraçar com mil restrições insignificantes e regulamentos minuciosos que são arbitrários, devido a um pai que é um perfeccionista.

É de importância vital para o bem futuro da criança que ele ou ela deva ser trazido à sujeição em tenra idade: uma criança não treinada significa um adulto sem lei — nossas prisões estão lotadas com aqueles que foram autorizados a seguirem o seu próprio caminho durante a sua juventude. A menor ofensa de uma criança contra os governantes da casa não deve passar sem a devida correção, pois, se ela encontrar clemência em uma direção em relação a uma ofensa, ela esperará o mesmo em relação a outras e, em seguida, a desobediência se tornará mais frequente, até que o pai não tenha controle, exceto o de força bruta. O ensino da Escritura é muito claro sobre este ponto. “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” (Provérbios 22:15, e veja 23:13-14). Por isso, Deus disse: “O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga” (Provérbios 13:24). E, novamente, “Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não deixes que o teu ânimo se exalte até o matar” (Provérbios 19:18). Não permita que uma ternura insensata os paralise; certamente Deus ama os Seus filhos com uma afeição paternal mais profunda do que vocês possam amar os seus, ainda assim, Ele diz: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo” (Apocalipse 3:19, e veja Hebreus 12:6). “A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe” (Provérbios 29:15).

Tal gravidade deve ser utilizada em seus primeiros anos, antes da idade e obstinação terem endurecido a criança contra o temor e a dor da correção. Poupe a vara, e você estraga a criança; não a use sobre ela, e você traz uma vara sobre as suas próprias costas. Dificilmente deve-se precisar sinalizar que as Escrituras acima estão longe de inculcar que um reinado de terror deve marcar a vida do lar. As crianças podem ser governadas e punidas de tal forma que elas não percam o seu respeito e afeição por seus pais. Cuidem para que não azedem o seu temperamento por exigências exageradas, ou provoquem a ira deles por feri-los para expressar a sua raiva. O pai deve punir uma criança desobediente não porque ele está com raiva, mas porque o pai está certo, porque Deus exige isso, e o bem-estar da criança o exige. Nunca faça uma ameaça que você não tem intenção de executar, nem uma promessa que você não pretende cumprir. Lembre-se que seus filhos estarem bem informados é bom, mas que eles possam ser bem controlados é melhor.

Preste muita atenção para as influências inconscientes do ambiente da criança. Examinem para tornar o lar atrativo; não através da produção de bens materiais e mundanos, mas por ideais nobres, inculcando um espírito de altruísmo, por meio do companheirismo cordial e feliz. Separem os pequeninos das más associações. Observem com cuidado os periódicos e livros que entram em sua casa, as visitas ocasionais que se sentam à mesa e as companhias que seus filhos têm. Os pais descuidados deixam que as pessoas tenham livre acesso aos seus filhos, os quais minam a sua autoridade, derrubam os seus ideais e semeiam sementes de frivolidade e de iniquidade antes que eles estejam cientes. Nunca deixem o seu filho passar uma noite entre estranhos. Assim, treinem as suas meninas para que elas sejam membros úteis e proveitosos em sua geração, e seus meninos para que eles sejam diligentes e autossustentáveis.


Orem Por Seus Filhos


Em quarto lugar, o último e mais importante dever, relativo tanto ao bem temporal e espiritual dos seus filhos, é a súplica ardente a Deus por eles. Sem isso todo o restante será ineficaz. Os meios são inúteis, a menos que o Senhor os abençoe. O Trono da Graça deve ser sinceramente implorado para que os seus esforços em trazer os seus filhos para Deus possam ser coroados de êxito. É verdade, deve haver uma humilde submissão à Sua vontade soberana, um prostrar-se diante da verdade da eleição. Por outro lado, é o privilégio da fé o lançar mão das promessas Divinas e lembrar que a súplica de um justo pode muito em seus efeitos. Sobre o santo Jó está registrado quanto aos seus filhos e filhas, que ele “se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles” (1:5). Um clima de oração deve permear o lar e ser respirado por todos que compartilham dele.

 


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