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O Silêncio do Cristão Sob o Ardor da Vara, por Thomas Brooks

O Silêncio do Cristão Sob o Ardor da Vara, por Thomas Brooks



Sumário

Apresentação.

Quando Ele não demonstra ira!

Todo Inferno que você alguma vez terá!

Então a escória aparece!

Quando Munster estava doente.

O Pai sabe o que é melhor!

Tudo deste lado do Inferno é misericórdia.

Uma concupiscência não mortificada!

Você tem sido por muito tempo uma concentração de ferrugem.

Quando você tenta entronizar a criatura!

Tu és a pessoa que fez isso!

Todo mel nos faria mal

Quanto mais um Cristão é tentado.

Tentações desagradáveis.

Apenas um desconforto.

Nossos sofrimentos presentes.

E você vai murmurar?

Alguma Dalila.

Paulinus Nolanus.

Uma joia mais preciosa do que um mundo!

Um homem elevado no domínio das tentações!

Essas lições!

Nossas aflições estão sendo santificadas.

Se este basilisco não for esmagado no ovo!

Aquele que tem merecido uma morte cruel

Nunca falta a ele uma maçã para uma Eva.

Sua oficina produz constantemente o Inferno.

Pode um verme impedir o golpe do Todo-Poderoso?

Muitas são as aflições do justo.

Foi-me bom ter sido afligido!

O mel e o ferrão!

Tu tens um maior interesse em mim, do que eu tenho em mim mesmo.

Seja qual for o tempo que agrada a Deus, a mim me agrada!

Ponha a mão na boca e fique em silêncio.

A causa meritória de todas as nossas dores e sofrimentos.

Enfermidades, dores, doenças, agonias.

Cada ramo tem uma voz.

Viver pela fé.

Todas as suas angústias e aflições passadas

Um tolo como seu professor

Os mais agudos tratamentos de Deus com você.

O doce mel das ervas amargas.

Porque minha dor é interminável?

Ele ousou cuspir na face do próprio Deus!

Quando Satanás está mais ocupado.

 


 

Apresentação

O Silêncio do Cristão sob o Ardor da Vara surgiu pela primeira vez em 1659. Brooks declarou seu propósito no prefácio:

 

Para que todos os aflitos e os Cristãos em dificuldades possam ter um bálsamo adequado para cada ferida, um remédio adequado à mão contra todas as doenças. Aqui ele pode encontrar argumentos para silenciá-lo, e os meios para acalmá-lo quando estiver na pior situação consigo mesmo.

 

Thomas Brooks (1608-1680) foi um pregador não-conformista que nasceu numa família puritana. Estudou em Cambridge, tornou-se um congregacionalista e serviu como capelão na Guerra Civil Inglesa. Somente após tornar-se convicto de seus princípios congregacionais em 1648 é que se tornou reitor na paróquia de St. Margaret da Igreja da Inglaterra em Londres. Em várias ocasiões pregou perante o Parlamento. Mas foi expulso após o ato de uniformidade em 1662 e manteve-se em Londres como um pregador não-conformista. Ministrou em Londres durante a Grande Peste e o grande incêndio; e em 1672 foi-lhe concedida uma licença para pregar em Lime Street.

Brooks escreveu mais de uma dúzia de livros, que incluem Preciosos Remédios Contra as Ciladas de Satanás, O Silêncio do Cristão Sob o Ardor da Vara e Céu na Terra. Seus escritos são sempre centrados em Cristo, preenchidos com as Escrituras e, geralmente, de caráter devocional. Charles Spurgeon disse uma vez a seus alunos:

 

Thomas Brooks é um sinal de exemplo do uso sábio e rico de santas imaginações... Ele tem pó de ouro. Mesmo nas margens de seus livros há sentenças que excedem em preciosidade bem como indicações de histórias clássicas. Seu estilo é claro e completo; ele nunca excede na ilustração nem perde de vista a sua doutrina. Suas inundações de metáforas não afogam seu significado, mas flutuam sobre sua superfície. Se você nunca leu suas obras eu quase lhe invejo a alegria que terá ao iniciar pela primeira vez...

 

Brooks foi sepultado em Bunhill Fields, Londres.

 


 

O Silêncio do Cristão Sob o Ardor da Vara

 

“Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a todo filho a quem recebe.” (Hebreus 12:6)


Quando Ele não demonstra ira!


Não pode haver uma maior evidência do ódio e da ira de Deus do que Sua recusa em corrigir os homens por seus caminhos pecaminosos e por suas vaidades!

Quando Deus recusa-se a corrigir, resolve destruir! Não há homem tão perto do machado de Deus, tão perto das chamas, tão perto do Inferno, quanto aquele a quem Deus deixa de colocar em grande medida sob sua vara! “Eu repreendo e castigo a todos quanto amo; sê, pois zeloso, e arrepende-te” (Apocalipse 3:19).

Deus mostra-se muito mais furioso quando Ele não demonstra ira!

Quem pode meditar seriamente sobre isso e não ficar em silêncio sob o ardor da vara de Deus?


Todo Inferno que você alguma vez terá!


Considere Cristão, que todas as provas e problemas, calamidades e misérias, cruzes e perdas que você encontrar neste mundo, será o único Inferno que você terá!

Aqui e agora, você tem o seu Inferno. Logo mais, você deverá ter o seu Céu! Sua pior condição é aqui e agora; o melhor ainda está por vir!

Lázaro teve primeiro o seu Inferno, e, por último, o seu Céu; mas o Dives[1] (homem rico) teve primeiro o seu Céu e, por último, o seu Inferno. Aqui você tem todas as suas dores e mais dores, e deverá ter sempre seus estertores! Mas seus anelos, descanso e prazer ainda estão por vir!

Aqui você tem todas as suas amarguras, mas as suas doçuras ainda estão por vir! Aqui você tem as suas tristezas, mas as suas alegrias ainda estão por vir! Aqui você tem todas as suas noites de inverno, mas os seus dias de verão ainda estão por vir! Aqui você tem todos os seus males, porém, suas benesses ainda estão por vir!

A morte porá fim a todos os seus pecados e a todos os seus sofrimentos! A morte será uma entrada para essas alegrias, prazeres e confortos que nunca terão fim!

Quem pode meditar seriamente sobre isso sem que fique em silêncio sob o ardor da vara de Deus?


Então a escória aparece!


Poucos Cristãos veem e compreendem a si mesmos corretamente. Nas provações, Deus revela grande parte da pecaminosidade de um homem a fim de levá-lo à piedade. Quando o fogo é colocado sob a panela, logo aparece a escória. Assim, quando Deus prova uma pobre alma, Oh! Como... a escória do orgulho, a escória da murmuração, a escória da desconfiança, a escória da impaciência, a escória do mundanismo, a escória da carnalidade, a escória da loucura, a escória da obstinação — que se revela no coração da pobre criatura?

Os julgamentos são o espelho de Deus em que Seu povo pode ver suas próprias falhas. Oh! Que frouxidão, que vileza, que miséria, que bacia de imundícia, que abismo de maldade que as provações revelam existir em seus corações! “Eis que te purifiquei, mas não como a prata; eu escolhi-te na fornalha da aflição” (Isaías 48:10).


Quando Munster[2] estava doente


“Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te” (Apocalipse 3:19). “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:6). Todas as aflições que vêm sobre os santos são os frutos do amor divino.

Quando Munster estava doente e seus amigos lhe perguntaram como se sentia, ele apontou para as suas muitas feridas e úlceras e disse: “Essas são pedras preciosas e joias de Deus com as quais Ele golpeia os seus melhores amigos, e para mim são mais preciosas do que todo o ouro e prata do mundo!”.

“Foi-me bom ter sido afligido...” (Salmos 119: 71). No amor, ó Cristão, Deus o aflige! Por isso Lutero clamava “Golpeia, Senhor, golpeia, Senhor! E não poupe!”.


O Pai sabe o que é melhor!


“Pois eles por alguns dias nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade” (Hebreus 12:10).

O que Deus, nosso Pai deseja é o melhor. Quando Ele quer a doença, esta é melhor do que a saúde. Quando Ele quer a fraqueza, esta é melhor do que a força. Quando quer a pobreza, esta é melhor do que a riqueza. Quando quer a repreensão, esta é melhor do que a honra. Quando quer a morte, esta é melhor do que a vida.

Posto que Deus é a própria sabedoria, assim sabe o que é melhor; sendo Ele a própria bondade, não fará nada daquilo que não seja o melhor; portanto, permaneça em silêncio diante do Senhor.


Tudo deste lado do Inferno é misericórdia


Oh! Trabalhe todos os dias para vir a ser mais humilde; mais diminuto e pequeno aos seus próprios olhos. “Quem sou eu”, diz a alma humilde, “senão aquele sobre quem Deus faz repousar Sua misericórdia e de mim a tira, passando sobre cada misericórdia uma sentença de morte? Eu não sou digno da menor misericórdia; eu não mereço uma migalha de misericórdia; eu tenho desprezado cada misericórdia”.

Da soberba vem apenas contenção. É o orgulho que move os homens a contenderem com Deus. Uma alma humilde repousará tranquila aos pés de Deus e se contentará com as necessidades básicas. O homem humilde aprecia bem um jantar de legumes, enquanto um boi cevado é apenas um prato grosseiro ao estômago do homem orgulhoso. Um coração humilde não considera alguém inferior ou pior do que a si mesmo. Um coração humilde olha para as pequenas misericórdias como grandes misericórdias, e para as grandes aflições como pequenas aflições, e para as pequenas aflições como se não fossem aflições, e, portanto, fica mudo e silencioso sob todas elas. Mantenha-se humilde e você ficará em silêncio diante do Senhor.

Lance fora o orgulho, a agitação e a inquietação; assim, um homem humilde manterá a mão sobre sua boca. Tudo deste lado do Inferno é misericórdia, muitas e ricas misericórdias para uma alma humilde; e, portanto, ela permanece muda debaixo da ardente vara.


Uma concupiscência não mortificada!


De nada valerá suas mais fortes resoluções ou propósitos se não tiverem a graça do Espírito o qual pode dominar a concupiscência. Uma alma agitada continuará seu curso, apesar de determinarmos e dizermos que não. Era o sangue do sacrifício e do azeite que, pela lei, purificava o leproso. E por isso entendemos a respeito do sangue de Cristo e da graça do Seu Espírito (Levítico 14:14-16). Foi o tocar das vestes de Cristo que curou a mulher do seu fluxo de sangue.

As suas mais fortes resoluções ou propósitos podem esconder um pecado, mas não podem apagá-lo. Elas podem cobrir um pecado, mas não podem removê-lo. O remendo preto[3] pode cobrir uma ferida, mas não curá-la! Também não são os purgatórios dos papistas, as vigílias, as chibatadas, nem o beijo da estátua de São Francisco ou a lambedura da ferida de leprosos que vão remover a lepra roedora do pecado!

Na força de Cristo e na força do Espírito, empenhe-se profundamente na mortificação de toda espécie de concupiscência! Oh, não abrace, não ceda, mas empenhe-se resolutamente na para destruir toda luxúria! Um vazamento num navio o fará afundar! Uma punhalada certeira é capaz de matar um Golias tanto quanto as vinte e três que mataram César! Uma Dalila pode fazer tão mal a Sansão quanto fizeram todos os filisteus! Uma engrenagem quebrada estraga todo o relógio! Um sangramento numa artéria fará perder todos os sinais vitais! Uma mosca vai estragar todo o pote de unguento! Uma erva amarga vai estragar todo o ensopado! Ao comer o fruto Adão perdeu o paraíso! Uma gota de mel colocou em perigo a vida de Jônatas! Um Acã foi um problema para todo o Israel! Um Jonas suscita uma tempestade e torna-se um fardo pesado demais para o navio inteiro!

Da mesma forma, uma concupiscência não mortificada atraíra fortes tempestades e muitas tormentas na alma! E, portanto, enquanto você tem uma abençoada calma e quietude em seu próprio espírito sob aguda provação, empenhem-se cuidadosamente na obra da mortificação.

Gideão teve setenta filhos e apenas um deles bastardo, apenas um, e ele destruiu todos os seus setenta filhos! Ah, Cristão! Você não sabe o que imensidão de danos uma concupiscência não mortificada pode fazer? Portanto, não deixe nada satisfazê-lo senão apenas a morte de todas as suas concupiscências... [CONTINUA... BAIXE O E-BOOK! = ]

 

[1] Dives: uma palavra latina para “rico” ocorrendo na Vulgata, Lucas 16; comumente tomado como o nome próprio do homem rico na parábola e que é usado genericamente para “homem rico”.

[2] Possivelmente Sebastian Munster (1488-1522) — um estudioso do hebraico e um parceiro do reformador Martinho Lutero. Munster morreu de peste em 1552 e a referência de Brooks possivelmente se relaciona com as feridas e úlceras resultantes da doença de que morreu.

[3] Remendo preto — um pequeno pedaço de seda preta, muitas vezes de forma extravagante, usado no rosto, quer para esconder uma falha ou, mais geralmente, para mostrar a tez por contraste. Na moda, especialmente entre as mulheres nos séculos 17 e 18.
 


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