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Eleição Incondicional - Uma Exposição da TULIP - C. H. Spurgeon

Eleição Incondicional - Uma Exposição da TULIP - C. H. Spurgeon







Sermão Nº 41-42. Pregado na manhã de Sabath, 2 de setembro de 1855, por C H. Spurgeon. Em New Park Street Chapel, Southwark.

“Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2 Tessalonicenses 2:13-14)


Se não houvesse outro texto na Palavra Sagrada, exceto este único, eu acho que todos nós deveríamos ser obrigados a receber e reconhecer a veracidade da grande e gloriosa doutrina da antiga escolha de Deus de Sua família. Mas parece haver um preconceito inveterado na mente humana contra esta doutrina, e embora a maioria das outras doutrinas venha a ser recebida por Cristãos professos, algumas com cautela, outras com prazer, esta parece ser mais frequentemente ignorada e rejeitada. Em muitos dos nossos púlpitos seria considerado um pecado e alta traição pregar um sermão sobre a eleição porque eles não poderiam fazer o que eles chamam de um discurso “prático”.

Eu acredito que eles se desviaram da verdade. Tudo o que Deus revelou, Ele o fez para um propósito. Não há nada na Bíblia que não possa, sob a influência do Espírito de Deus, ser transformado em um discurso prático, pois “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil” para alguns fins de utilidade espiritual. É verdade, ela não pode ser transformada em um discurso do livre-arbítrio — o qual bem conhecemos — mas pode ser transformada em um discurso prático sobre a livre graça. E a prática da livre graça é a melhor prática quando as verdadeiras doutrinas do amor imutável de Deus são pregadas aos corações dos santos e pecadores. Agora, eu confio que nesta manhã alguns de vocês que estão assustados com o próprio som dessa palavra dirão “eu vou dar-lhe uma audiência justa. Deixarei de lado meus preconceitos, eu apenas ouvirei o que este homem tem a dizer”.

Não feche seus ouvidos e diga imediatamente: “É alta doutrina”. Quem o autorizou a chamá-la de alta ou baixa? Por que você deve opor-se à doutrina de Deus? Lembre-se do que aconteceu com as crianças que encontraram falhas no Profeta de Deus e exclamaram: “Sobe, calvo; sobe, calvo”. Não diga nada contra as doutrinas de Deus, para que nunca ocorra que algum animal vil saia da floresta e o devore também. Há outras desgraças ao lado do aberto julgamento do Céu — tome cuidado para que elas não caiam sobre sua cabeça. Deixe de lado seus preconceitos, ouça com calma, escute imparcialmente, ouça o que a Escritura diz.

E quando você receber a verdade, se aprouver a Deus revelar e manifestar a verdade à sua alma, não tenha vergonha de confessá-la. Confessar que você estava errado ontem é apenas reconhecer que você é um pouco mais sábio hoje. Em vez de ser uma reflexão sobre si mesmo, é uma honra para o seu julgamento e mostra que você está crescendo no conhecimento da verdade de Deus. Não tenha vergonha de aprender e de deixar de lado suas antigas doutrinas e pontos de vista. Porém, assuma o que você pode ver mais claramente estar na Palavra de Deus. E se você não a vê estar aqui na Bíblia — seja o que for que eu diga, ou quaisquer autoridades a que eu possa me referir — eu imploro a você que, assim como ama a sua alma, o rejeite. E se deste púlpito você já ouviu coisas contrárias a esta Santa Palavra, lembre-se que a Bíblia deve ser ter a primazia e o ministro de Deus deve estar debaixo dela.

Nós não ficaremos acima da Bíblia para pregar, devemos pregar com a Bíblia acima de nossas cabeças. Depois de tudo o que temos pregado, estamos bem conscientes de que o monte da verdade é maior do que os nossos olhos podem discernir, nuvens e escuridão estão ao redor de seu cume e não podemos discernir seu topo. No entanto, vamos tentar pregá-la tão bem quanto pudermos. Mas desde que somos mortais e sujeitos a errar, exerça o seu julgamento, “mas provai se os espíritos são de Deus” [1 João 4:1], e se em meio à madura sobre seus joelhos dobrados você for levado a ignorar a eleição — algo que eu considero ser totalmente impossível — então a rejeite; não a ouça ser pregada, mas creia e confesse o que você considera ser a Palavra de Deus. Eu não posso dizer mais do que isso a título de introdução.

Agora, primeiramente, falarei um pouco sobre a veracidade dessa doutrina: “Por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação”. Em segundo lugar, tentarei provar que esta eleição é absoluta: “Deus elegeu desde o princípio para a salvação”, não devido a santificação, mas “em santificação do Espírito, e fé da verdade”. Em terceiro lugar, esta eleição é eterna, porque o texto diz: “Deus elegeu desde o princípio”. Em quarto lugar, é pessoal: “Por vos ter Deus elegido”.

Depois, vamos olhar para os efeitos da doutrina; vejamos o que ela produz. E, por último, se Deus nos permitir, vamos buscar olhar para as suas tendências e ver se ela é realmente uma doutrina terrível e licenciosa. Iremos até a flor e como verdadeiras abelhas, veremos se existe algum mel nela, se qualquer bem pode vir dela, ou se o que nela há é puro mal.


I. Em primeiro lugar, devo tentar provar que a doutrina é verdadeira. E permita-me começar com um argumentum ad hominen. Eu falarei com vocês de acordo com as suas diferentes posições e circunstâncias. Há alguns de vocês que pertencem à Igreja da Inglaterra e estou feliz em ver tantos de vocês aqui. Embora agora e depois eu certamente direi algumas coisas muito duras sobre a Igreja e o Estado, mas eu amo a antiga Igreja, pois ela tem em sua comunhão muitos ministros piedosos e santos eminentes. Agora eu sei que vocês são grandes crentes no que os Artigos declaram ser a sã doutrina. Vou dar-lhes uma amostra do que eles afirmam sobre a eleição, de modo que se vocês acreditam neles, vocês não podem evitar aceitar a eleição. Lerei uma parte do 17º Artigo sobre a predestinação e eleição: “Predestinação para a vida é o propósito eterno de Deus, no qual (antes da fundação do mundo) Ele continuamente decretou pelos Seus conselhos, secretos para nós, libertar da maldição e condenação aqueles a quem Ele escolheu em Cristo a partir da humanidade e trazê-los por meio de Cristo à salvação eterna, como vasos de honra. Portanto, os que são dotados de um tão excelente benefício de Deus são chamados segundo o propósito de Deus pelo Seu Espírito que opera no tempo devido; eles através da graça obedecem ao chamado; são justificados gratuitamente; eles são feitos filhos de Deus por adoção; eles são feitos semelhantes à imagem de Seu Filho unigênito Jesus Cristo; eles andam religiosamente em boas obras e, finalmente, pela misericórdia de Deus, alcançam a bem-aventurança eterna”.

Agora, eu acho que qualquer membro da Igreja Anglicana, se ele é um crente sincero e honesto na Igreja Mãe, deve ser um profundo crente na doutrina da eleição. É verdade, se ele se voltar a determinadas outras partes do Livro de Oração, ele encontrará coisas contrárias às doutrinas da livre graça e totalmente desvinculadas do ensino bíblico. Mas se ele olhar para os Artigos, ele verá que Deus escolheu Seu povo para a vida eterna. Entretanto, eu não sou tão desesperadamente apaixonado por este livro como você pode ser; e eu usei apenas este Artigo para mostrar-lhe que, se você pertence ao Estabelecimento da Inglaterra você, pelo menos, não deveria fazer nenhuma objeção a essa doutrina da predestinação.

Outra autoridade humana pela qual gostaria de confirmar a doutrina da eleição é o velho Credo Valdense. Se você ler o Credo dos antigos Valdenses, emanando deles em meio ao ardor da perseguição, você verá que aqueles renomados mestres e confessores da fé Cristã mui firmemente receberam e abraçaram essa doutrina como sendo uma parte da verdade de Deus. Eu copiei de um livro antigo um dos artigos de sua fé: “Que Deus salva da corrupção e perdição aqueles a quem Ele escolheu desde a fundação do mundo, não devido a qualquer disposição, fé ou santidade que antes viu neles, mas a partir de Sua pura misericórdia em Cristo Jesus, Seu Filho, passando por todo o restante de acordo com a razão irrepreensível de Sua própria vontade e justiça”. Não é nenhuma novidade, então, que eu não esteja pregando nenhuma doutrina nova. Eu amo proclamar essas fortes doutrinas antigas que se chamam pelo apelido Calvinismo, mas que são certa e realmente a verdade revelada de Deus, como é em Cristo Jesus. Através desta verdade eu faço uma peregrinação até o passado e enquanto eu sigo, eu vejo pai após pai, confessor após confessor, mártir após mártir levantando-se para apertar a minha mão. Se eu fosse um Pelagiano, ou um crente na doutrina do livre-arbítrio, eu deveria ter que caminhar por séculos sozinho. Aqui e ali, um herege sem nenhuma característica muito honrosa se levantaria e me chamaria de irmão. Mas, considerando que este é o padrão de minha fé, eu verei a terra dos povos antigos com os meus irmãos e irmãs; vejo multidões que confessam o mesmo que eu confesso e reconhecem que esta é a religião da própria Igreja de Deus.

Eu também lhes concedo um trecho da antiga Confissão Batista. Nós somos Batistas nesta congregação, a maior parte de nós pelo menos, e nós gostamos de considerar o que os nossos próprios antepassados escreveram. Cerca de duzentos anos atrás os Batistas se reuniram e publicaram os seus artigos de fé para pôr fim a certos relatos contra a sua ortodoxia, os quais haviam se espalhado pelo mundo. Viro-me para este antigo livro, que acabei de publicar, a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, e eu encontro o seguinte no terceiro Capítulo: “Por meio do decreto de Deus e para manifestação da Sua glória, alguns homens e anjos são predestinados ou preordenados para a vida eterna por meio de Jesus Cristo, para o louvor de Sua gloriosa graça; outros são deixados a agir em seus pecados para a sua justa condenação, para o louvor da Sua gloriosa justiça. Esses anjos e homens, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; e o seu número é tão certo e definido, que não pode ser aumentado ou diminuído. Aqueles da humanidade que são predestinados para a vida, Deus, antes da fundação do mundo, de acordo com o Seu propósito eterno e imutável, e o secreto conselho e beneplácito de Sua vontade, os escolheu em Cristo, para a glória eterna, por Sua pura livre graça e amor, não por qualquer outra coisa na criatura, como condições ou causas que O movessem a isso”.

Quanto a estas autoridades humanas, eu não me importo que alguém ataque qualquer uma destas três. Não me importa o que eles dizem a favor ou contra essa doutrina. Eu só os usei como uma espécie de confirmação para a sua fé, para mostrar-lhes que enquanto eu possa ser blasfemado como um herege e como um hiper-Calvinista, no final das contas eu sou apoiado pela antiguidade. Todo o passado fica do meu lado. Eu não ligo para o presente. Dê-me o passado e eu espero pelo futuro. Que o presente se mostre hostil a mim, eu não me importo. Que uma série de Igrejas de Londres tenha deixado as grandes doutrinas fundamentais de Deus, não importa. Se um punhado de nós ficarmos sozinhos sustentando firmemente a soberania do nosso Deus, se nós formos cercados por inimigos, sim, e até mesmo por nossos próprios irmãos e irmãs que deveriam ser nossos amigos e ajudantes, não importa; se pudermos apenas contar com o passado: o nobre exército de mártires, a gloriosa hoste de confessores. Eles são nossos amigos. Eles são as testemunhas da verdade e eles estão conosco. Com estes por nós, não diremos que estamos sozinhos, mas podemos exclamar: “Eis que Deus reservou para Si sete mil que não dobraram os joelhos a Baal”. Mas o melhor de tudo é que Deus está conosco!

A grande verdade de Deus é sempre a Bíblia e somente a Bíblia. Meus ouvintes, vocês não creem em qualquer outro livro além da Bíblia, não é? Se eu pudesse provar isso a partir de todos os livros da Cristandade, se eu voltasse à Biblioteca de Alexandria e o provasse a partir de lá, nem por isso vocês creriam mais. Porém, vocês certamente crerão no que está na Palavra de Deus. Eu escolhi alguns textos para ler para vocês. Gosto de dar-lhes uma completa série de textos quando eu temo que desconfiarão de uma verdade de modo que vocês possam ser estar aptos a duvidar, se vocês em verdade, não crerem. Apenas permitam-me citar uma lista de passagens onde o povo de Deus é chamado de eleitos. É claro que se as pessoas são chamadas eleitos, deve haver eleição. Se Jesus Cristo e Seus apóstolos estavam acostumados a chamar os crentes pelo título de eleitos, devemos certamente acreditar que eles de fato assim o eram, caso contrário, o termo nada significaria. Jesus Cristo diz: “E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias... Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos... “E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu” (Marcos 13:20, 22, 27). “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?” (Lucas 18:7) Juntamente com muitas outras passagens que podem ser citadas, nas quais tanto a palavra “eleitos”, ou “escolhidos”, ou “predestinados”, ou “ordenados”, é mencionada; ou a expressão “as minhas ovelhas”, ou alguma designação semelhante, mostrando que o povo de Cristo se distingue do restante da humanidade. Mas, vocês têm concordâncias e não vou incomodá-los com muitos textos. Ao longo das Epístolas, os santos são constantemente chamados de “os eleitos”. Em Colossenses encontramos Paulo dizendo: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia...” (Colossenses 3:12). Quando ele escreve a Tito, ele chama a si mesmo “Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus...”. Pedro diz: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”. Então, se vocês forem a João, descobrirão que ele aprecia muito a palavra. Ele diz: “O ancião à senhora eleita” [2 João 1:1]. E ele fala de “tua irmã, a eleita” [v. 13]. E sabemos onde está escrito: “A vossa co-eleita em babilônia” [1 Pedro 5].

Eles não tinham vergonha da palavra naqueles dias. Eles não tinham medo de falar sobre isso. Hoje em dia a palavra foi revestida com diversidades de significado e as pessoas têm mutilado e estragado a doutrina, de modo que eles fizeram dela uma verdadeira doutrina de demônios. Eu confesso que muitos que se dizem crentes nela têm se desviado para o Antinomianismo. Mas não obstante isso, por que eu deveria ter vergonha dela, se os homens a distorcem? Nós amamos a verdade de Deus quando ela está sendo torturada, bem como quando ela está andando livremente. Se ali estivesse um mártir a quem nos amamos antes dele chegar na máquina de torturas, nós o amaríamos ainda mais depois que este esteve estendido ali.

Quando a verdade de Deus está presa à máquina de tortura, nós não a chamamos de falsidade. Nós amamos não vê-la ali, mas a amamos mesmo quando ela está presa para ser torturada, porque podemos discernir quais de suas proporções adequadas teriam sido se não fossem distorcidas e torturadas pela crueldade e invenções dos homens. Se você ler muitas das Epístolas dos pais antigos, os encontrará sempre escrevendo para o povo de Deus como “eleitos”. De fato, o termo de uso comum entre muitas das Igrejas pelos Cristãos primitivos, para se referirem uns aos outros, era “eleitos”. Eles amiúde usariam o termo uns para com os outros mostrando que era geralmente crido que o povo de Deus era manifestamente “eleito”.

Mas agora vamos aos versos que provarão positivamente a doutrina. Abram as suas Bíblias e voltem-se para João 15:16 e lá verão que Jesus Cristo escolheu o Seu povo, pois Ele diz: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda” (João 15:16). Então, no verso 19: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia”. Então, no capítulo 17, versos 8 e 9: “Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste. Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus”.

Vá para Atos 13:48: “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna”. Eles podem tentar distorcer esta passagem se eles quiserem, mas ela diz: “ordenados para a vida eterna”, no original tão claramente quanto é possível. E não nos preocupamos com todos os diferentes comentários sobre a mesma. Vocês quase não precisam ser lembrados de Romanos 8, porque eu confio que todos vocês estão bem familiarizados com esse capítulo e o compreendem a esta altura. Nos versos 29 e seguintes, ele diz: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?”.

Além disso, seria necessário repetir a totalidade do capítulo 9 de Romanos. Enquanto este capítulo permanecer na Bíblia, nenhum homem será capaz de provar o Arminianismo. Enquanto estiver escrito ali, nem as distorções mais grosseiras desta passagem jamais serão capazes de eliminar a doutrina da eleição das Escrituras. Leiamos versos como estes: “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor”. Depois, leia os versos 22 e 23: “E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição. Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou”.

Depois, vá para Romanos 11:7: “Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos”. No verso 5 do mesmo capítulo nós lemos: “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça”. Vocês todos, sem dúvida lembram da passagem em 1 Coríntios 1:26-29: “Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele”.

Novamente, lembrem-se da passagem em 1 Tessalonicenses 5:9: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”, e, então você tem o meu texto, que eu penso ser o suficiente. Mas, se vocês precisarem de mais, podem encontrá-los em seu tempo livre se nós não tivermos afastado muitas de suas suspeitas quanto à doutrina não ser verdadeira. Parece-me, meus amigos, que esta quantidade esmagadora de testemunho das Escrituras deve fazer cambalear aqueles que se atrevem a rir desta doutrina. Que diremos daqueles que tantas vezes a desprezaram e negaram o seu caráter Divino? Que diremos a todos aqueles que criticaram a sua justiça e se atreveram a desafiar a Deus e chamá-lO de um tirano Todo-Poderoso, quando eles ouviram falar de Sua eleição de muitos para a vida eterna? Você pode, ó Rejeitador, eliminar esta doutrina da Bíblia? Você pode pegar o canivete de Jeoiaquim e cortá-la, extirpando-a da Palavra de Deus?... [CONTINUA... BAIXE O E-BOOK]