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A Interpretação das Escrituras • Cap. 22 • A. W. Pink

A Interpretação das Escrituras • Cap. 22 • A. W. Pink




Capítulo 22

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30. A regra da menção completa. Nós já tratamos do princípio da primeira menção, e mostramos que a referência inicial sobre um assunto ou a primeira ocorrência de um termo indicado a partir de seu contexto e da maneira em que foi utilizado revela a força de seu significado em todas as referências posteriores. Agora nós trataremos da regra da menção progressiva, à medida em que pode ser visto que o Espírito Santo tem observado um desenvolvimento ordenado no desenrolar de cada aspecto da Verdade; e isto, como é natural, em conexão com a revelação divina: há primeiro a erva, em seguida a espiga e depois que o grão cheio na espiga. Isso pode ser ainda ilustrado por um exemplo simples e bem conhecido, a saber, as três alusões feitas a Nicodemos no Evangelho de João. Em João 3 vemos a condição da meia-noite de sua alma; em 7:50-51, vemos, por assim dizer, o amanhecer do crepúsculo; mas em 19:39-40, a luz do dia tinha totalmente raiado. Agora, esses princípios são aumentados em um terço, pois, como A.T. Pierson apontou em seu livro muito útil The Bible and Spiritual Criticism [A Bíblia e a Crítica Espiritual] (atualmente esgotado), em algum lugar na Bíblia a cada um dos seus temas de destaque é dado uma apresentação completa e sistemática. Em outras palavras, um capítulo inteiro é dedicado a um tratamento exaustivo daquilo que é mais brevemente mencionado em outros lugares. Abaixo, nós mencionamos brevemente alguns exemplos desse fato — selecionados a partir do Dr. Pierson, e complementados por nossas próprias pesquisas.

Êxodo 20 nos dá o Decálogo completo, os Dez Mandamentos da lei moral são indicados de forma clara e ordenada. O Salmo 119 estabelece a extensão da autoridade, a importância e as diversas excelência da Palavra de Deus escrita. Em Isaías 53, temos um quadro completo dos sofrimentos vicários do Salvador. João 17 contém uma descrição completa sobre o assunto da intercessão, revelando a substância das coisas que nosso grande Sumo Sacerdote pede ao Pai por Seu povo. Em Romanos 3:10-20, temos o diagnóstico mais detalhado da condição depravada do homem caído que pode ser encontrado na Bíblia. Em Romanos 5:12-21, a fundação da doutrina da representação federal é grandemente desenvolvida. Em Romanos 7, o conflito entre as “duas naturezas” no crente é descrito como em nenhum outro lugar. Em Romanos 9 a terrível soberania de Deus, na eleição ou reprovação, é tratada mais longamente do que em quaisquer outros lugares. Em 1 Coríntios 15 a ressurreição do corpo do crente é retratada em seu pleno esplendor. Em 2 Coríntios 8 e 9 cada aspecto da doação Cristã e os motivos variados, que devem nos levar a sermos benevolentes são demonstrados. Em Hebreus 2:6-18, encontramos a mais clara e abrangente declaração da realidade da humanidade de nosso Senhor. Em Hebreus 11 temos um esboço maravilhosamente completo da vida de fé. Hebreus 12 nos fornece um extenso tratamento do assunto do castigo divino. Em Tiago 3 temos um resumo do que o resto da Bíblia ensina a respeito da força e malícia da língua. O todo da Epístola de Judas é dedicado ao tema solene de apostasia.

Nesses capítulos temos nos esforçado para colocar diante de nossos leitores quais as regras que temos usado há muito tempo em nosso próprio estudo da Palavra. Elas foram projetadas mais especialmente para os jovens pregadores, nós não poupamos esforços para torná-los tão lúcidos e completos quanto possível, colocando em suas mãos esses princípios de exegese que nos eram de grande proveito. Apesar de não ser uma regra distinta da hermenêutica, algumas observações necessitam ser feitas sobre o assunto de pontuação, porque desde que não existe nenhum dos manuscritos originais, a forma e o modo de dividir o texto é muitas vezes uma questão de interpretação. As primeiras cópias apresentavam um texto corrido, sem capítulos e versos, e menos ainda eles possuíam quaisquer marcações de suas frases e sentenças. Também deve ser salientado que o extenso uso letras maiúsculas em versos como Êxodo 3:14, 27:3; Isaías 26:4; Jeremias 23; Zacarias 14:20 e Apocalipse 17:6, 19:16, originou-se com a Versão Autorizada[1] de 1611, pelo que elas não são encontradas em nenhuma das traduções anteriores. Elas não possuem qualquer autoridade, e foram usadas ​​para indicar o que os tradutores consideraram de particular importância.

O uso de parêntesis é inteiramente uma questão de interpretação, pois não havia nenhum nos originais e poucos nas primeiras cópias Creek. Os tradutores os consideraram necessários em alguns casos, de modo a indicar o sentido de uma passagem por preservar a continuidade do pensamento, como em Romanos 5:13-17, que é incomumente longo. Alguns dos exemplos mais simples e mais conhecidas são Mateus 6:32; Lucas 2:35; João 7:50; Romanos 1:2.[2] Não é para ser pensado que as palavras entre colchetes são de menor importância; às vezes eles são uma amplificação, como em Marcos 5:13; em outros, são explicativas, como em Marcos 5:42; João 4:2. Em vez de possuir apenas uma importância trivial, uma série de frases entre parênteses são de profunda significação. Por exemplo: “Porque eu sei que em mim (isto é, na minha carne,) não habita bem algum” (Romanos 7:18 – trad. lit.), a ausência da palavra de qualificação tinha negado que houvesse qualquer princípio da graça ou santidade nele. Exemplos semelhantes são encontrados em 2 Coríntios 5:7 e 6:2. Por outro lado, alguns são de propriedade duvidosa: nem todos vão considerar que os parênteses encontrados nas seguintes passagens são necessários ou mesmo oportunos: Marcos 2:10; João 1:14, 7:39; 1 Coríntios 9:21; 2 Coríntios 10:4 e Efésios 4:9-10. Abaixo estão três passagens em que esse escritor considera o uso de parênteses é uma verdadeira ajuda para a compreensão delas.

Em nossa opinião é necessária uma tripla mudança na pontuação de 1 Coríntios 15:22-26. Em primeiro lugar, a frase “depois virá o fim” deve ser colocada no final do verso 23 e não no início do verso 24, pois completa a frase, em vez de começar uma nova. Em segundo lugar, a totalidade do verso 25 necessita de ser colocado em parêntesis, para que a sequência do pensamento seja preservada. Em terceiro lugar, as palavras em itálico nos versos 24 e 26 devem ser suprimidas, pois elas são não só desnecessárias, mas enganosas. Pontuada assim, a passagem ficará: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um [literalmente “todos”] por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim”. Como o pecado de Adão resultou não apenas em sua própria morte, mas também na morte de todos os que estavam nele como sua cabeça federal, assim a obediência até a morte de Cristo não só obteve a sua própria ressurreição, mas garante a ressurreição de todos os que estão unidos a ele como sua cabeça federal: a ressurreição em honra e glória — a ressurreição dos maus “para vergonha e desprezo eterno” não se enquadra no escopo desse capítulo. A cláusula, “depois virá o fim” denota não “a cessação de todos os assuntos seculares”, mas significa a conclusão da ressurreição — a conclusão da colheita (João 12:24).

Ao colocar a sua primeira frase no final do verso 23, o que se segue no verso 24 começa uma nova sentença, embora não seja um assunto novo. “Quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, [não em Seu aspecto mediatorial, mas apenas que um dos seus aspectos que diz respeito à supressão de todos os rebeldes contra o Céu] e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. (Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés). Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”. Cristo ressuscitou para reinar: todo o poder no Céu e na Terra foi dado a Ele com o propósito expresso de subjugar e aniquilar todos os inimigos dEle mesmo e de Seu pai, e essa questão da aniquilação da morte na ressurreição gloriosa de todo o Seu povo. O grande objetivo ao longo desse capítulo é mostrar a garantia que a ressurreição de Cristo dá para os Seus remidos — o que era negado por alguns (v. 12). Que esse assunto é continuado depois da passagem que estamos aqui criticamente examinando resulta dos versos 29-32, onde outros argumentos são citados — desde o caso daqueles que são batizados até às próprias experiências de Paulo. Os versos 24-26 são projetados para assegurar aos corações dos crentes que embora muitos inimigos poderosos procurem destruí-los, os seus esforços são totalmente inúteis, pois Cristo triunfará sobre todos eles — a própria morte está sendo aniquilada em sua ressurreição.

A maioria dos comentaristas tiveram dificuldades ao tentar rastrear o curso do argumento do apóstolo em Hebreus 4:1-11. A sua estrutura é realmente muito intrincada, mas não um pouco de luz é lançado sobre ele, se colocarmos os versos 4-10 entre parênteses. A exortação iniciada em 3:12, não é concluída até 4:12, é alcançada: tudo o que intervém consiste em uma exposição e aplicação da passagem que cita o Salmo 95 em 3:7-11. O elo de ligação entre os dois capítulos é encontrado em: “E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” (3:19). Nessas palavras se baseia a admoestação de 4:1-3, que nos convida a levarmos a sério a advertência solene que é dada. A primeira frase do verso 3, quando literalmente apresentada, fica: “Pois nós entramos no descanso, nós que cremos” — a tensão histórica é assim evitada. Não é nem “entraram” nem “entra”, mas uma afirmação abstrata de um fato doutrinário — Somente os crentes entram no repouso de Deus. A segunda metade do 4:3, cita novamente o Salmo 95.

Nos parênteses de 4:4-10, o apóstolo entra em uma discussão sobre o “repouso” que o salmista falou e que ele estava exortando seus leitores a se esforçarem para entrar, dizendo-lhes para tomar cuidado para que não ficasse fora do mesmo. Em primeiro lugar, ele apontou (vv. 4-6) que Davi não se referiu ao próprio descanso de Deus na criação e nem ao repouso do sábado que se seguiu do mesmo. Em segundo lugar, nem era o repouso de Canaã (vv. 7-8) para a qual Josué levou Israel. Em terceiro lugar, era algo então futuro (v. 9), ou seja, o descanso anunciado no Evangelho. Em quarto lugar, no verso 10, há uma notável mudança de número a partir do “nós” no verso 1 e o “nós” do verso 3 com “aquele que entrou no seu repouso”, onde a referência é ao próprio Cristo — Sua entrada sendo tanto a promessa quanto a prova de que o Seu povo também fará o mesmo: “onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós” (6:20). Em 4:11, o apóstolo retorna para a sua principal exortação de 3:13 e 4:1-3. Lá, ele havia dito: “Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás”; aqui ele dá a conhecer como esse “temor” deve ser exercido: não no medo ou dúvida, mas como um respeito reverente às ameaças e às promessas divinas, com um uso diligente dos meios de graça prescritos.

“Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios (primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo); porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hebreus 7:27). Este é outro verso que tem incomodado os comentaristas, mas toda dificuldade é removida inserindo os parênteses acima. Nesse e no verso seguinte, o apóstolo especifica alguns dos aspectos em que nosso Sumo Sacerdote é superior aos sacerdotes da ordem Aarônica. Suas perfeições, descritas no verso 26, isentou-o de todos as fraquezas e imperfeições que pertencem aos sacerdotes levitas, e que os desqualificavam para fazerem uma expiação eficaz a Deus pelo pecado. Em bendito contraste, Cristo foi infinitamente agradável a Deus: Ele é não somente sem transgressão e corrupção pessoal, mas intrinsecamente santo em Si mesmo. Assim, não só não há necessidade dEle oferecer qualquer sacrifício por Si, mas Sua oferta por Seu povo foi de valor infinito e validade eterna. “Porque isto fez ele, uma vez”, anuncia o fato glorioso de sua suficiência absoluta: que isto não requer nenhuma repetição de Sua parte, nem de acréscimo da nossa.

O uso de itálicos é também, em grande parte, uma questão de interpretação. Na literatura comum eles são empregados para dar ênfase, mas em nossas Bíblias estão inseridos pelos tradutores com o objetivo de tornar o sentido mais claro. Às vezes, eles são úteis, outras vezes prejudiciais. No Antigo Testamento, isto é, em certos casos, mais ou menos necessário, pois o hebraico não tem copulativo,[3] mas junta-se o sujeito ao predicado, o que dá uma ênfase de forma abrupta a que a mente dos falantes de português está acostumada, como em: “Desde a planta do pé até a cabeça — não há nele coisa sã... A vossa terra — assolada, as vossas cidades — abrasadas pelo fogo” (Isaías 1:6-7). Na grande maioria dos casos, esse escritor ignora as palavras adicionadas pelos homens, considerando que isto seja a coisa mais reverente a ser feita, bem como a que mais contribui mais diretamente para a obtenção do sentido original. Em alguns casos, os tradutores perderam muito do pensamento real da passagem, como na última frase de Êxodo 2, em que “atentou Deus para a sua condição” deveria ser “atendou Deus para ela”, ou seja, “Sua aliança com Abraão, com Isaque, e com Jacó”, do verso anterior. A última palavra de Daniel 11:32, é demasiado restritiva — fazendo a Sua vontade também está incluído.

Mas é no Novo Testamento que a maioria dos erros ocorrem. Lá encontramos algumas de passagens onde adições desnecessárias foram feitas e em que o significado foi mal compreendido, falsificado pelas palavras acrescentadas pelos tradutores. Em Romanos 8:27, “a vontade de Deus” é também contraída — Sua aliança, Sua Palavra, Sua graça e misericórdia, não devem ser excluídas. O “de outro” em 1 Coríntios 4:7, indevidamente restringe o âmbito de aplicação — a partir do que você era quando não-regenerado não deve ser excluído. “Inspirador” é preferível a “autor” em 1 Coríntios 14:33, pois Deus é o Decretador de todas as coisas (Romanos 11:36), ainda que não o Incitador de confusão. É muito duvidoso que a expressão “a natureza do” seja permitida em Hebreus 2:16, pois não é a encarnação divina que está em vista (que temos no v. 14), mas sim o objetivo e consequência da mesma. A sua palavra de abertura “porque” olha para trás, remotamente, com os versos 9 e 10; imediatamente, para os versos 14 e 15. No verso 16 a razão é dada do porquê Cristo provou a morte por “cada filho”, e por que Ele destruiu (anulou o poder de) o Diabo, a fim de libertar seus cativos, isto é, porque Ele tomou (assumiu) não a causa dos anjos (os caídos), mas tomou a semente escolhida de Abraão — assim uma base é aqui estabelecida para o que é dito no verso 17.

2 Coríntios 6:1, é uma circunstância ainda pior, pois, inserindo as palavras “com ele” um pensamento totalmente estranho ao âmbito do apóstolo é introduzido, e uma base é dada para uma horrível vanglória. Paulo estava se referindo aos esforços conjuntos dos servos de Deus: um planta e outro rega (1 Coríntios 3:5-6). Pois dizer que eles eram “trabalhadores junto com Deus” seria dividir as honras. Se algum acréscimo deve ser feito, esse deve ser algo como “sob” Ele. Os ministros da nova aliança foram companheiros de trabalho, apenas “cooperadores” da alegria (1:24) do povo de Deus. Assim também a pontuação correta (como o grego requer) de 1 Coríntios 3:9, é: “Porque nós somos de Deus: cooperadores no trabalho; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus”. Um outro exemplo deve bastar. O acréscimo “para nos conduzir” em Gálatas 3:24, causa uma grande perda do escopo da passagem, e inculca uma falsa doutrina. O apóstolo não estava ali tratando com o lado experimental das coisas, mas com o lado dispensacional (como os versos do próximo capítulo de abertura demonstrar); não com os perdidos, como tais, mas com o povo de Deus sob a Antiga Aliança. A Lei nunca trouxe um único pecador a Cristo, o Espírito Santo é que faz isso, e embora Ele use a Lei para convencer almas de sua necessidade de Cristo, o Evangelho é o meio que Ele emprega para conduzi-los a Cristo.

Agora uma ou duas breves observações e concluímos. O trabalho do expositor é trazer à tona o significado gramatical e espiritual de cada verso com que ele lida. A fim de fazer isso, ele deve abordá-lo sem viés ou preconceito, e diligentemente estudá-lo. Ele não deve assumir que sabe o seu significado nem aderir às visões doutrinárias dos outros. Nem deve formar suas próprias opiniões a partir de alguns versos isolados, mas cuidadosamente comparar as suas ideias com toda a analogia da fé. Cada verso requer ser examinado criticamente, e cada palavra cuidadosamente ponderada. Assim, ele deverá notar o “é agradável” de Atos 10:35, e não “deve ser”, e “são” (em vez de “serão”) em Hebreus 3:6,14 — tirando a tensão mental nesses versos poderiam inculcar falsa doutrina. Um cuidado minucioso é necessário se quisermos observar o “o Senhor e Salvador” de 2 Pedro 2:20 (não “seu”), e o “nossos” e não “seus” de 1 Coríntios 15:3. Finalmente, não é da competência do intérprete explicar o que Deus não explicou (Deuteronômio 29:29), ou seja, os seus “caminhos” (Romanos 11:33), milagres, etc.

 

[1] Versão Autorizada da Bíblia Versão King James (King James Version - KJV) – N.T.

[2] A partir daqui até a conclusão, como em todo este livro, o autor usa como referência a Versão King James, enquanto nós tradutores usamos a versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel (ACF) que apresenta algumas variações em relação a versão usada por Pink, tanto no uso dos parênteses e itálicos, quando na redação do próprio texto. Por este motivo foi um pouco dificultada a compreensão de alguns detalhes e pontos específicos doravante tratados.

[3] Gramática: Diz-se do verbo que une o sujeito ao nome predicativo do sujeito – N.T.

 


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