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Um Ensaio Sobre o Reino de Cristo, por Abraham Booth

Um Ensaio Sobre o Reino de Cristo, por Abraham Booth








No mês de abril deste ano recebemos a graciosa permissão dos irmãos C.Jay Engel e Brandon Adams para traduzirmos e publicarmos este maravilhoso tratado pela pena mui fiel e habilidosa de Abraham Booth, publicado originalmente em 1783. Louvamos a Deus por nos conceder o privilégio de lermos e agora partilharmos convosco esta meditação tão essencial, instrutiva, doce e consoladora sobre O Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Eis o seu esboço, e a seguir, o belo prefácio do próprio sr. Booth. Que Deus abençoe sua leitura! Que venha sobre nós o Seu reino! Amém!

• Prefácio por Brandon Adams

• Prefácio

• Um Ensaio Sobre O Reino De Cristo

• A Igreja Evangélica É Um Reino, Não Deste Mundo, No Que Diz Respeito À Sua Origem

• O Reino De Cristo Não É Deste Mundo No Que Se Refere Aos Súditos De Seu Justo Governo

• O Reino De Cristo Não É Deste Mundo, No Que Diz Respeito Aos Meios Que Ele Emprega Em Seu Primeiro Estabelecimento E Aqueles Que Ele Designa Em Seu Avanço E Apoio O Reino De Cristo Não É Como Os Impérios Deste Mundo, No Que Diz Respeito Ao Esplendor Exterior

• O Reino De Cristo Não É Deste Mundo, Em Relação Aos Seus Privilégios, Suas Riquezas E Suas Honras

• O Reino De Cristo Não É Como Os Domínios De Príncipes Seculares, Em Relação Aos Seus Limites E Sua Duração
 

 

Prefácio


O Reino de Cristo é um tema de grande importância, pois, de acordo com os pontos de vista que temos deste reino, serão as nossas conclusões sobre vários ramos da conduta religiosa. Se esses pontos de vista são imaginários, estas conclusões serão falsas. Pelo primeiro, a glória de caráter régio do Messias será obscurecida; por esta última, Sua adoração será corrompida. Por outro lado, a verdadeira doutrina a respeito deste santo império não somente pode ser o meio de preservação daqueles males, mas de apresentar-nos com dados para a decisão de muitas disputas entre os professos do Cristianismo. Um conhecimento competente, portanto, de sua natureza e leis, seus emolumentos e honras, está intimamente ligado com o nosso dever e nossa felicidade; conhecimento este que deve ser derivado da Revelação Divina.

Importante, contudo, como o tema manifestamente é, tem sido apenas rara e professa-mente discutido. Esta consideração foi um motivo que conduziu à presente tentativa. Ilustrar a natureza do Reino de nosso Senhor, e inferir as conclusões a partir disso, constituem o propósito deste ensaio.

O autor expressou seus pensamentos com grande liberdade; ainda assim, sem pretender a menor ofensa a qualquer parte dos Cristãos, ou a qualquer pessoa, de cujas noções e práticas ele conscienciosamente difere. No decurso da discussão, ele censura, de fato, em algumas particularidades, com um grau de gravidade; mas então eles lhe apresentam à luz de artifícios políticos, que tanto acusam o domínio de Cristo em Seu próprio reino; ou degradam e corrompem aquela adoração que Ele requer. Agora, em casos deste tipo, o escritor é da opinião de que a lealdade ao Rei Messias, e verdadeira benevolência para com o homem, demandam linguagem de enfática oposição.

Tal é a natureza do império de nosso Senhor, que poucos de Seus súditos leais podem seriamente refletir sobre ele, sem sentirem-se tanto deleitados quanto repreendidos. Deleitados, porque ele é para a honra de seu Mediador, por ser o Soberano de uma monarquia espiritual. Uma característica desse tipo aparentemente se adapta à dignidade de Sua Pessoa, o desígnio de Sua mediação, e as riquezas da Sua graça. Repreendidos, porque eles diariamente encontram uma falta daquela espiritualidade em suas afeições, e daquele espírito celeste, que convêm aos súditos professos de tal reino. Ao meditar sobre as características deste império santo, eles quedam convictos diante de seu Divino soberano monarca, por tanta sensualidade e mentalidade mundana, sobre o que eles sinceramente lamentam, enquanto os sujeitos meramente nominais do Rei Messias, ou professos superficiais do gracioso Evangelho são pouco preocupados com o estado de seus corações, em referência ao Céu; ou no que diz respeito à espiritualidade de sua adoração.

Sendo este o caso de multidões, o autor não estaria muito surpreso, se vários elementos particulares nas páginas a seguir provarem-se repugnantes para o gosto de muitos que professam piedade. Mas os fatos são coisas obstinadas; e as palavras de Jesus Cristo não devem ser explicadas de forma que a consciência descanse em uma falsa paz, ou que o gosto do público seja gratificado. Pois, enquanto pensamos em nosso Sublime Soberano, venha o Teu reino, é a linguagem de cada reto coração posto no alto, que os professos carnais e os devassos do mundo digam o que bem quiserem.

— A. BOOTH
Goodman's Fields, 30 de julho de 1783.