Quem Somos

Quem Somos

O objetivo de OEstandarteDeCristo.com é proclamar a Palavra de Deus e o Santo Evangelho de Cristo Jesus, para a glória do Deus das Escrituras Sagradas.

Este site é administrado por William e Camila Rebeca; nós somos Cristãos Batistas Particulares, pecadores salvos pela graça somente, mediante a fé somente, em Cristo somente, conforme a Escritura somente, para a glória de Deus somente. Somos casados e membros da Igreja Batista Reformada em Diadema, em São Paulo, pastoreada por Silas Croce.

Somos os responsáveis pelo gerenciamento e manutenção deste site. Somente nós dois respondemos oficialmente em nome do EC.

Este site é um projeto antigo que existe há anos, mas de forma abstrata; e que começou a tomar forma em 2013. Sempre falamos entre nós que OEstandarteDeCristo.com é uma obra totalmente pela da graça do Deus que “chama as coisas que não são como se já fossem” (Romanos 4:17).

Quanto ao conteúdo deste site, o nosso interesse principal é publicar traduções de textos de autores bíblicos fiéis, para o Português. Que Deus nos ajude.

Estes somos nós e os nossos objetivos.

Agora passaremos ao que cremos. Como já foi dito acima, o site OEstandarteDeCristo.com é de responsabilidade e subsiste nas pessoas de William Teixeira e Camila Almeida. Assim sendo, o EC deriva deles a sua Fé. Este site defende a Fé que eles defendem e combate o que eles combatem. Sentimo-nos muito felizes em poder dar testemunho de nossa Santíssima Fé, sendo inclusive este um dos nossos maiores propósitos quando idealizamos o EC.

Eis no que cremos:

 

Declaração de Fé EC

 

I – AS ESCRITURAS SAGRADAS: As Escrituras do Antigo e do Novo Testamento (Lucas 24:44-48; 2 Timóteo 3:15-17; 2 Pedro 1:21), são a Palavra de Deus, e a única regra autoritativa de todo conhecimento, fé e obediência salvíficos (Isaías 8:20; Lucas 16:29, 31; João 5:39; Atos 17:11; Efésios 2:20; 2 Pedro 1:19-20). Embora a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, a ponto de tornar os homens indesculpáveis; ainda assim, não são suficientes para oferecer aquele conhecimento de Deus e de Sua vontade, que é necessário para a salvação (Romanos 1:19-21, 2:14-15; Salmos 19:1-3); portanto, aprouve ao Senhor, em diversas ocasiões, e de muitas maneiras, revelar-Se, e declarar a Sua vontade para a Sua Igreja (Hebreus 1:1); e, posteriormente, para melhor preservação e propagação da verdade, e para o mais seguro estabelecimento e consolo da Igreja contra a corrupção da carne e da malícia de Satanás e do mundo, concedeu a mesma completamente por escrito; o que faz da Sagrada Escritura indispensável. Aqueles antigos modos de Deus revelar a Sua vontade ao Seu povo agora cessaram (Provérbios 22:19-21; Romanos 15:4; Hebreus 1:1; 2 Pedro 1:19-20). A autoridade das Sagradas Escrituras, razão pela qual devem ser cridas, não depende do testemunho de qualquer homem ou Igreja, mas depende somente de Deus (que é a própria Verdade), o seu Autor; e, portanto, deve ser recebida, porque é a Palavra de Deus (Salmos 18:30; 33:4; 130:5; 119; Efésios 6:17; 2 Timóteo 3:15-17; 2 Pedro 1:19-21; 2 Tessalonicenses 2:13; 1 João 5:9).

Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a Sua própria glória, a salvação do homem, fé e vida, ou é expressamente declarado ou necessariamente contido nas Sagradas Escrituras, ao que nada, em qualquer tempo, deve ser acrescentado, seja por novas revelações do Espírito, ou por tradições humanas (2 Timóteo 3:15-17; Isaías 1:12; Gálatas 1:8-9; Deuteronômio 4:1-2; Apocalipse 22: 18-19). No entanto, nós reconhecemos a iluminação interior do Espírito de Deus como sendo necessária para a compreensão salvífica das coisas reveladas na Palavra (João 6:45; 1 Coríntios 2:9-12). A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura; e, portanto, quando houver uma questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer Escritura (que não é múltiplo, mas único), esse pode ser investigado por meio de outros textos que o expressem mais claramente (Atos 15:15-16; 2 Pedro 1:20-21).

 

II – O DEUS: Há apenas um único Deus vivo e verdadeiro (Deuteronômio 6:4; Isaías 44:6; Jeremias 10:10; 1 Coríntios 8:6; Efésios 4:6; 1 Timóteo 2:5), cuja subsistência é em e de Si mesmo (Êxodo 3:14; Isaías 48:12; Jeremias 10:10), infinito em Seu ser e perfeição; que é o Criador, Preservador e Governador de todas as coisas, tendo em e de Si mesmo todas as perfeições, e sendo infinito em todas elas; e a Ele todas as criaturas devem os mais elevados amor, reverência e obediência (Deuteronômio 6:4-14).

O SENHOR, nosso Deus é um espírito puríssimo (João 4:24), invisível, sem corpo, partes ou paixões, a Quem somente pertence a imortalidade, que habita em luz que nenhum homem pode acessar (1 Timóteo 1:17; Deuteronômio 4:15-16), é imutável (Malaquias 3:6), é imenso (1 Reis 8:27; Jeremias 23:23), eterno (Salmos 90:2), incompreensível, onipotente (Gênesis 17:1), em tudo infinito, santíssimo, sapientíssimo (Isaías 6:3), completamente livre e absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade imutável e justíssima (Salmos 115:3; Isaías 46:10), para a Sua própria glória (Provérbios 16:4; Romanos 11:36). É cheio de amor, gracioso, misericordioso, longânimo, abundante em bondade e verdade, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado; o galardoador dos que O buscam (Êxodo 34:6-7; Hebreus 11:6) e, contudo, justíssimo e terrível em Seus julgamentos (Neemias 9:32-33); odiando todo pecado (Salmos 5:5-6; Provérbios 6:16-19); e que não tem o culpado por inocente (Êxodo 34:7; Naum 1:2-3).

 

III – A TRINDADE: Há três Pessoas na Divindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mateus 28:19; 1 João 5:7), que são iguais em natureza, poder e glória. O Filho (João 10:30; Romanos 9:5; Filipenses 2:6; 1 João 5:20) e o Espírito Santo (Atos 5:3-4; 1 Coríntios 3:16-17; 2 Coríntios 3:17-18) são tão verdadeira e propriamente Deus como o Pai.

Estas três Pessoas Divinas são distinguidas uma da outra por propriedades relativas e peculiares: o caráter distintivo e propriedade relativa da primeira Pessoa é gerar, Deus Pai gerou o Filho de Sua mesma natureza, o qual é a imagem expressa de Sua Pessoa (Salmos 2:7; Hebreus 1:3); e, portanto, é com grande propriedade chamada de o Pai. O caráter distintivo e propriedade relativa da segunda Pessoa é que Ele é gerado, e é chamado de o unigênito do Pai, e, adequadamente, Seu próprio Filho (João 1:14; Romanos 8:3, 32); não um Filho por criação, como os anjos e os homens o são, nem por adoção, como os santos o são, nem por ofício, como os magistrados civis, mas por natureza, por meio da geração eterna do Pai (Salmos 2:7) a partir de Sua natureza Divina, e, portanto, Ele é verdadeiramente chamado o Filho. O caráter distintivo e propriedade relativa da terceira Pessoa se dá por ser soprada pelo Pai e pelo Filho, e proceder de ambos (Jó 33:4; Salmos 33:6; João 15:26; 20:26, 22; Gálatas 4:6), e é muito adequadamente chamada de o Espírito. Estas três Pessoas Divinas distintas, nós professamos reverenciar, servir e adorar como o único Deus verdadeiro (1 João 5:7; Mateus 4:10). A doutrina da Trindade é o fundamento de toda a nossa comunhão com Deus, e confortável dependência dEle (2 Coríntios 13:14).

 

IV OS DECRETOS DE DEUS: Deus decretou em Si mesmo, desde toda a eternidade, pelo mui sábio e santo conselho de Sua própria vontade, ordenou livre e imutavelmente todas as coisas, seja o que for que venha a acontecer (Isaías 46:10; Romanos 9:15, 18; Efésios 1:11; Hebreus 6:17); ainda assim, de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem tem comunhão com algo nisso (Tiago 1:13; 1 João 1:5); nem é violentada a vontade da criatura, nem ainda é eliminada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas (João 19:11; Atos 4:27-28); nas quais demonstra-se a Sua sabedoria em dispor de todas as coisas, e poder e fidelidade em efetuar os Seus decretos (Números 23:19; Efésios 1:3-5).

Embora Deus conheça tudo o que possa ou venha a ocorrer, sobre todas as circunstâncias imagináveis (Atos 15:18); ainda assim, Ele não decretou qualquer coisa porque Ele a previu como futura, ou como aquilo que poderia ocorrer em tais condições (Romanos 9:11, 13, 16, 18). Por meio do decreto de Deus e para manifestação da Sua glória, alguns homens e anjos são predestinados ou preordenados para a vida eterna por meio de Jesus Cristo (1 Timóteo 5:21; Mateus 25:34; Atos 13:48), para o louvor de Sua gloriosa graça (Efésios 1:5-6); outros são deixados a agir em seus pecados para a sua justa condenação, para o louvor da Sua gloriosa justiça (João 10:26; Atos 1:25; Romanos 9:22-23; Judas 4).

 

V – O PACTO DA GRAÇA E O FEDERALISMO DE 1689: Desde a eternidade aprouve a Deus fazer um Pacto de Graça (Gênesis 2:17; Romanos 3:20-21; Gálatas 3:10), no qual Ele oferece livremente aos pecadores a vida e a salvação por meio de Jesus Cristo, exigindo deles a fé nEle, para que eles sejam salvos (Marcos 16:15-16; João 3:16; Romanos 8:3); e prometendo dar a todos os que são ordenados para a vida eterna, o Seu Espírito Santo, para torná-los dispostos e capazes de crer (Ezequiel 36:26-27; Salmos 110:3; João 6:44-45). Esta Aliança é revelada no Evangelho; primeiramente a Adão na promessa de salvação pela semente da mulher (Gênesis 3:15), e depois por etapas sucessivas, até que a sua plena revelação foi manifestada no Novo Testamento (Gálatas 3:16-29; Hebreus 1:1); e é fundada naquela transação da eterna Aliança que houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos, isto é, daqueles que tem verdadeira fé em Jesus Cristo, o Mediador e Fiador desta Aliança Eterna (Efésios 1:3-14; 2 Timóteo 1:9; Tito 1:2; Hebreus 7:22-28, 9:13-28, 12:24). E é somente pela graça deste Pacto que todos da caída posteridade de Adão que já foram salvos obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade, o homem é agora totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles termos em que Adão permanecia em seu estado de inocência (Hebreus 11:6, 13; Romanos 4:1-2 e etc.; Atos 4:12; João 8:56).

 

VI – A ELEIÇÃO E A PREDESTINAÇÃO: Eleição ou predestinação para a vida é a escolha eterna e graciosa de Deus de algumas, não todas, pessoas para a vida eterna (Atos 13:48; Efésios 1:3-6), não por causa de mérito previsto neles, mas de Sua pura misericórdia em Cristo; em consequência desta escolha elas são certamente predestinadas, chamadas, justificadas e glorificadas (Romanos 8:30). A predestinação sobre a qual as Escrituras principalmente tratam, é a que diz respeito aos homens, esta é um decreto imutável de Deus e é composta por duas partes: Eleição e Reprovação; a primeira é uma predestinação para a vida, e a outra para a morte; alguns vasos foram preparados para a honra e outros para a desonra; isso Deus fez para dar a conhecer as riquezas da Sua glória nos vasos de misericórdia, que para a glória já dantes preparou; e querendo mostrar a Sua ira, e dar a conhecer o Seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição (Romanos 9; Judas 4).

Aqueles da humanidade que são predestinados para a vida, Deus, antes da fundação do mundo, de acordo com o Seu propósito eterno e imutável, e o secreto conselho e beneplácito de Sua vontade, os escolheu em Cristo, para a glória eterna, por Sua pura livre graça e amor (Romanos 8:30; Efésios 1:4, 9, 11; 1 Tessalonicenses 5:9; 2 Timóteo 1:9), não por qualquer outra coisa na criatura, nem previsão de fé ou obediência, como condições ou causas que O movessem a isso (Romanos 9:13, 16; Efésios 2:5, 12). Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo propósito eterno e mui livre de Sua vontade, preordenou todos os meios para isso (2 Tessalonicenses 2:13; 1 Pedro 1:2). Portanto, aqueles que são eleitos, estando caídos em Adão, são remidos por Cristo (1 Tessalonicenses 5:9-10; João 17:6), são eficazmente chamados para a fé em Cristo pelo Seu Espírito (Atos 16:14), que opera no tempo devido; são justificados, adotados, santificados (Romanos 8:30; 2 Tessalonicenses 2:13) e preservados pelo Seu poder por meio da fé para a salvação (1 Pedro 1:5). Nem são quaisquer outros redimidos por Cristo, eficazmente chamados, justificados, adotados, santificados e salvos, senão somente os eleitos (Mateus 1:21; João 10:26, 17:9, 6:64).

 

VII – A CRIAÇÃO: No princípio aprouve a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo (Gênesis 1:1-3; Jó 26:13; João 1:2-3; Hebreus 1:2), para a manifestação da glória do Seu eterno poder (Romanos 1:20), sabedoria e bondade, criar ou fazer o mundo, e todas as coisas nele, sejam visíveis ou invisíveis, a partir do nada, no espaço de seis dias normais, e tudo muito bom (Gênesis 1; Colossenses 1:16;).

Após Deus haver feito todas as outras criaturas, Ele criou o homem, macho e fêmea (Gênesis 1:27), com almas racionais e imortais (Gênesis 2:7), e os adequou perfeitamente à vida para Deus, para o que eles foram criados, tendo sido feitos segundo a imagem de Deus, em conhecimento, retidão e verdadeira santidade (Gênesis 1:26; Eclesiastes 7:29); tendo a lei de Deus escrita em seus corações (Romanos 2:14-15), e poder para cumpri-la; e ainda assim, estavam sob a possibilidade de transgressão, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era sujeita à mudança (Gênesis 3:6). Além dessa lei escrita em seus corações, eles receberam a ordem de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:17); de forma que enquanto eles obedeceram a este preceito foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas (Gênesis 1:26, 28).

 

VIII – A PROVIDÊNCIA: Deus, o grande Criador de todas as coisas, em Seu infinito poder e sabedoria, dirige, dispõe e governa todas as criaturas (Jó 38:11; Salmos 135:6; Isaías 46:10-11; Hebreus 1:3), e coisas, desde a maior até a menor (Mateus 10:29-31), por Sua mui sábia e santa providência, para o fim para o qual foram criadas, segundo a Sua infalível presciência, e o livre e imutável conselho de Sua própria vontade, para o louvor da glória de Sua sabedoria, poder, justiça, infinita bondade e misericórdia (Efésios 1:11). Embora em relação à presciência e ao decreto de Deus, a causa primeira, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente (Atos 2:23; Atos 15:18), nada acontece por acaso, ou sem a Sua providência (Provérbios 16:33; Eclesiastes 9:1); contudo, pela mesma providência, Ele ordena que elas aconteçam de acordo com a natureza das causas secundárias, seja necessária, livre ou contingentemente (Gênesis 8:22). Deus, em Sua providência ordinária, faz o uso de meios (Atos 27:31, 44; Isaías 55:10-11), ainda assim, é livre para operar sem (Oséias 1:7), acima (Romanos 4:19-21) e contra eles (Daniel 3:27), como Lhe aprouver.

A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, tanto manifestam-se em Sua providência, na qual Seu conselho determinado se estende mesmo até à primeira Queda, e a todas as outras ações pecaminosas tanto de anjos quanto de homens (Romanos 11:32-34; 2 Samuel 24:1; 1 Crônicas 21:1); e não por meio de mera permissão, os quais Ele também, mui sábia e poderosamente delimita, e de forma variada ordena e governa (2 Reis 19:28; Salmos 76:10) em uma multiforme dispensação, para os Seus próprios santos fins, para Sua glória e bem maior (Gênesis 1:20; Isaías 10:6, 7, 12); ainda assim, de forma que a pecaminosidade desses atos procede da criatura, e não de Deus; que sendo santíssimo e justíssimo, não é, nem pode ser o autor ou aprovador do pecado (Salmos 1:21; 1 João 2:16).

Assim como a providência de Deus, em geral, atinge todas as criaturas, assim também, de uma forma mui especial, Ele cuida de Sua Igreja, e dispõe de todas as coisas para o bem dela (1 Timóteo 4:10; Amós 9:8-9; Isaías 43:3-5) de forma que seja o que for que ocorra com todos os Seus eleitos é por Sua designação, para a Sua glória e para o bem deles (Romanos 8:28).

 

IX – A QUEDA E A DEPRAVAÇÃO DO HOMEM: Deus originalmente criou o homem à Sua imagem e livre do pecado, justo e perfeito; capaz de servi-lO e glorificá-lO (Gênesis 1:26-27; Salmos 8:5; Eclesiastes 7:29); mas, através da tentação de Satanás, nossos primeiros pais, Adão e Eva, transgrediram o mandamento de Deus decaíram de sua retidão original e da comunhão com Deus, e nós neles, e por isso a morte veio sobre todos (Romanos 3:23): todos nos tornamos mortos em pecado (Romanos 5:12) e totalmente corrompidos em todas as faculdades e partes da alma e do corpo (Gênesis 6:5; Salmos 38:3; Isaías 1:6; Jeremias 17:9; Romanos 3:10-19; 7:18; Tito 1:15). A pecaminosidade do estado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta de retidão original e na corrupção de toda a nossa natureza (isto é comumente chamado de pecado original) juntamente com todas as transgressões atuais que procedem dele (Salmos 51:5; Mateus 15:19; Romanos 3:10; 5:19; Efésios 2:1). Desta pecaminosidade não há como se livrar, senão por Cristo, o segundo Adão (João 8:36; Romanos 6:23; 7:24-25; 8:32; 1 Coríntios 15:45, 47; 2 Timóteo 1:10).

 

X – O MEDIADOR, JESUS CRISTO: Aprouve a Deus, em Seu eterno propósito, e de acordo com o Pacto estabelecido entre ambos, escolher e ordenar o Senhor Jesus, Seu Filho unigênito, para ser o Mediador entre Deus e os homens (Isaías 42:1; 1 Pedro 1:19-20), o Profeta (Atos 3:22), Sacerdote (Hebreus 5:5-6) e Rei (Salmos 2:6; Lucas 1:33); a Cabeça e Salvador da Igreja (Efésios 1:22-23), o herdeiro de todas as coisas (Hebreus 1:2), e Juiz do mundo (Atos 17:31); a Quem, desde toda a eternidade, deu um povo para ser Sua semente e para ser por Ele, no tempo, remido, chamado, justificado, santificado e glorificado (Isaías 53:10; João 17:6; Romanos 8:30; 1 Coríntios 1:30).

O Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, o resplendor da glória do Pai, da mesma substância e igual com Aquele que criou o mundo, Quem sustenta e governa todas as coisas que Ele fez, quando chegou a plenitude dos tempos, tomou sobre Si a natureza humana, com todas as propriedades essenciais e fraquezas comuns (João 1:14; Gálatas 4:4), embora sem pecado (Romanos 8:3; Hebreus 2:14, 16, 17; 4:15); foi concebido pelo Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria, o Espírito Santo desceu sobre ela, e o poder do Altíssimo a envolveu; e assim foi feito de uma mulher, da tribo de Judá, da descendência de Abraão e Davi, segundo as Escrituras (Mateus 1:22-23); para que duas naturezas inteiras, perfeitas e distintas, fossem inseparavelmente unidas em uma só Pessoa, sem conversão, composição ou confusão. Esta Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mas um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem (Lucas 1:27, 31, 35; Romanos 9:5; 1 Timóteo 2:5).

Este ofício o Senhor Jesus empreendeu mui voluntariamente (Salmos 40:7-8; João 10:18; Hebreus 10:5-10), para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à Lei (Mateus 3:15; Gálatas 4:4), que Ele cumpriu perfeitamente e suportou o castigo que nos era devido, que nós deveríamos ter recebido e sofrido (Isaías 53:6; 1 Pedro 3:18). Ele foi feito pecado e maldição por nossa causa (Deuteronômio 21:23; 2 Coríntios 5:21; Gálatas 3:13), suportando as mais cruéis aflições em Sua alma e os sofrimentos mais dolorosos em Seu corpo (Lucas 22:44; Mateus 26:37-38; 27:46); foi crucificado e morreu; e ficou em estado de morte, mas não viu a corrupção (Salmos 16:10; Atos 2:27; 13:35-37). No terceiro dia Ele ressuscitou dentre os mortos (João 20:9; Atos 3:15; Romanos 6:9; 1 Coríntios 15:3-4, 20), com o mesmo corpo no qual Ele sofreu (João 20:25, 27); com o qual também Ele subiu ao Céu (Marcos 16:19; Atos 1:9-11), e lá está assentado à destra do Pai, fazendo intercessão (Hebreus 1:3; Romanos 8:34; Hebreus 9:24); e voltará para julgar homens e anjos, no fim do mundo (Romanos 14:9-10; Atos 1:11; 10:42; 2 Pedro 2:4).

 

XI – A EXPIAÇÃO PARTICULAR: Cristo morreu a fim de assegurar infalivelmente a salvação de uma multidão de pessoas que ninguém pode enumerar; não apenas para que, por intermédio da morte de Cristo, pudessem ser salvas, mas sejam seguramente salvas, e de maneira alguma, correm o risco de deixarem de ser salvas. Cristo não morreu por todos os homens, antes a redenção eterna que Cristo obteve pelo derramamento do Seu sangue (Levítico 17:11; Mateus 1:21; 20:28; João 10:11, 15; Romanos 8:30; Apocalipse 5:9) é especial e particular, isto é, foi projetada intencionalmente apenas para os eleitos de Deus, as ovelhas de Cristo, aqueles que foram dados pelo Pai a Ele antes da fundação do mundo, no Pacto da Graça, pois somente estes compartilham as bênçãos especiais e peculiares da mesma (João 17:6-10).

As Escrituras declaram que a expiação realizada por Cristo era tanto substitutiva e propiciatória quanto expiatória (João 1:36; 2 Coríntios 5:21; Hebreus 9:11-14), isso equivale a dizer que Cristo morreu como Substituto daqueles que infalivelmente terão seus pecados expiados e propiciados, e alcançarão a justificação e reconciliação com Deus (Isaías 53:8; Romanos 5:1, 10, 11; 2 Coríntios 5:18-19; Colossenses 1:21-22; Hebreus 9:28; 1 Pedro 3:18; Apocalipse 1:5). Outrossim, Jesus Cristo é tanto a propiciação (sacrifício) quanto o advogado (representante, intercessor) daqueles pelos quais Ele morreu (1 João 2:1-2); e Ele morreu, ressuscitou, intercede e justifica aqueles cujas iniquidades (ou pecados) Ele carregou (Isaías 53:11-12; Romanos 8:33-34). Cristo seguramente ressuscitou dos mortos para justificar aqueles pelos quais Ele morreu (Romanos 4:25). Isto deixa claro que Cristo não pode ter morrido por todos os homens, pois se tivesse, então todos os homens seriam propiciados e justificados — o que, sem dúvida alguma, não acontece (Mateus 25:33-46).

Por vezes, as Sagradas Escrituras descrevem aqueles pelos quais Cristo morreu como “muitos” (Isaías 53:11; Marcos 10:45; Hebreus 2:10). Estes “muitos” são descritos em outros lugares como: as ovelhas de Cristo (João 10:15); os filhos de Deus (João 11:52); os filhos que Deus Lhe deu (João 17:11; Hebreus 2:13); Seus escolhidos (Romanos 8:33); o povo que Ele antes conheceu (Romanos 11:2); Sua igreja (Atos 20:28); aqueles cujos pecados Ele levou (Hebreus 9:28); estas descrições não são verdadeiras com relação a todos os homens individualmente. Logo, Cristo não pretendeu e nem morreu para salvar todo e cada homem de seus pecados, mas somente para salvar Seu próprio povo — pessoas de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas — de seus pecados (Mateus 1:21; Apocalipse 7:9).

Sustentamos firmemente que não há falhas ou incertezas na expiação que Cristo consumou (Isaías 46:10; João 10:11, 14-15; 19:30: “Está consumado!”). Deus não permitirá que este valiosíssimo e preciosíssimo sacrifício Divino falhe no cumprimento daquilo que ele foi projetado para efetuar. Nem uma gota do santo sangue foi derramado em vão; o Senhor Jesus certamente verá o fruto de todo o trabalho da sua alma, e ficará satisfeito (Isaías 53:11). A morte substitutiva, expiatória e propiciatória de Cristo Jesus é tão infinitamente valiosa e perfeitamente eficaz que se Ele houvesse morrido por todos os homens, certamente, todos os homens seriam salvos.

 

XII – O ARBÍTRIO DO HOMEM: O homem foi criado muito bom, e em seu estado de inocência, possuía a liberdade, a inclinação e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus; mas ainda assim, era instável, de forma que ele podia cair deste estado (Gênesis 3:6; Eclesiastes 7:29). O homem, devido sua queda em um estado de pecado, perdeu completamente todo o poder da vontade (do arbítrio) quanto a qualquer bem espiritual e moral que acompanhe a salvação; assim, como um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto em ofensas e pecados (Efésios 2:1-6), não é capaz, por sua própria força, de converter-se ou preparar-se para a conversão (pecado original). O arbítrio, a vontade do homem não é livre, mas, sim, escrava de sua natureza pecaminosa e maligna (Gênesis 6:5; Romanos 1:21; 3:12). O arbítrio do homem não é algo que existe fora do homem e pode libertá-lo, o próprio arbítrio está preso no pecado assim como aquele a quem o arbítrio pertence. Contudo, nenhum poder força o homem a pecar contra a sua vontade, antes os descendentes de Adão são tão maus que sempre desejam e escolhem mal e aquilo que é mau.

A obra da salvação — eleição, predestinação, regeneração, arrependimento, fé, conversão, justificação, adoção, santificação e glorificação — não é um ato eficaz e inicial de um suposto livre-arbítrio e poder do homem, nem do sangue ou da vontade da carne (João 1:13; Romanos 9:16, 8:7), mas em sua totalidade um ato monegístico da onipotente, eficaz e irresistível graça de Deus (Isaías 43:13; Zacarias 4:6; Romanos 8:28-30; Efésios 1:19; Filipenses 2:13; 2 Timóteo 1:9; Tiago 1:18; 1 Pedro 1:3).

 

XIII – O CHAMADO EFICAZ E A REGENERAÇÃO: Aqueles a quem Deus predestinou para a vida, a Ele apraz, em Seu tempo determinado e aceitável, chamar eficazmente (Romanos 8:30, 11:7; Efésios 1:10-11; 2 Tessalonicenses 2:13-14), por Sua Palavra e pelo Seu Espírito, do estado natural de pecado e morte, para a graça e a salvação por meio de Jesus Cristo (Efésios 2:1-6; Colossenses 1:13). Isto Ele faz regenerando-os, iluminando suas mentes de maneira espiritual e salvífica, para que entendam as coisas de Deus (Atos 26:18; Efésios 1:17-18), tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne (Ezequiel 36:26); renovando as suas vontades, predispondo-os para o bem e trazendo-os irresistivelmente para Jesus Cristo (Deuteronômio 30:6; Ezequiel 36:27; João 6:37; Efésios 1:19); no entanto, eles vêm a Cristo mui livremente, sendo para isso dispostos pela Sua graça (Salmos 110:3; Cantares 1:4; João 10:27). Esta é uma obra da livre, especial e soberana graça de Deus somente.

 

XIV – O ARREPENDIMENTO PARA A VIDA E A FÉ SALVÍFICA: Arrependimento para a vida e a fé salvífica são dons gratuitos concedidos aos eleitos, em virtude do Pacto da Graça. O arrependimento para a vida é uma graça salvífica (Zacarias 12:10; Atos 11:18), pelo qual uma pessoa, sendo pelo Espírito Santo feita sensível aos múltiplos males do seu pecado, pela fé em Cristo, humilha-se por aquele com a tristeza segundo Deus, ódio ao pecado e auto-aborrecimento (Ezequiel 36:31; 2 Coríntios 7:11), orando por perdão e pela força da graça, com um propósito e esforço, por suprimentos do Espírito, para andar diante de Deus agradando-Lhe em todas as coisas (Salmos 119:6, 128). A fé é um dom da graça Divina, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação de suas almas, é uma obra de Deus (João 6:29; Filipenses 1:29) e um fruto e obra do Espírito de Cristo em seus corações (Gálatas 5:22; Efésios 2:8), é ordinariamente operada através do ministério da Palavra (Romanos 10:14, 17), e conduz à submissão à autoridade de Deus, em tudo o que é revelado em Sua Palavra a respeito de Cristo e da realidade; assentindo e descansando somente nEle para a justificação e a vida eterna. A fé salvífica é acompanhada por todas as outras graças salvíficas (Gálatas 5:22), e conduz à uma vida de santidade (Romanos 6:1-3; Gálatas 5:6; Efésios 1:3-4).

 

XV – A JUSTIFICAÇÃO: Aqueles a quem Deus predestina graciosamente e chama eficazmente, Ele também livremente justifica (Romanos 3:24; 8:30; 2 Coríntios 5:21), não por meio da infusão de justiça neles, mas por perdoar os seus pecados e por declarar judicialmente e aceitar as suas pessoas como perfeitamente justos (Romanos 4:5-8; Efésios 1:7); não por qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente por causa dos méritos de Cristo (Romanos 5:17-19; 1 Coríntios 1:30-31) não lhes imputando como sua justiça a própria fé, o ato de crer, ou qualquer outra obediência evangélica, mas pela imputação da obediência ativa de Cristo a toda a Lei, e a obediência passiva em Sua morte por Sua completa e única justiça pela fé que é um dom e obra de Deus somente (Isaías 61:10; João 6:29; Efésios 2:8-10; Filipenses 3:8-9). Assim, para a demonstração da Sua justiça, Deus é justo e justificador daquele que tem fé em Jesus Cristo (Romanos 3:26). A justificação é um ato único, sem gradações, eterno e imutável (Salmos 71:16!; Jeremias 23:6).

 

XVI – A ADOÇÃO: A todos quantos são justificados em Seu Filho unigênito, Jesus Cristo, e, por causa dEle, Deus é servido de fazer participantes da graça da adoção (Gálatas 4:4-5; Efésios 1:5), por esta graça eles são recebidos no número dos filhos de Deus (João 1:12; Romanos 8:17) e gozam a liberdade e privilégios de filhos de Deus (2 Coríntios 6:18; Apocalipse 3:12); recebem sobre si o nome de Deus; recebem o Espírito de adoção (Romanos 8:15); têm acesso ao trono da graça com confiança; são habilitados a clamar: “Aba, Pai” (Gálatas 4:6; Efésios 2:18); são tratados com compaixão, protegidos, providos e por Ele corrigidos (Salmos 103:13; Provérbios 14:26; Hebreus 12:6; 1 Pedro 5:7), como por um Pai (Isaías 54:8-9); porém, jamais são lançados fora (Lamentações 3:31), pois estão selados para o dia da redenção (Efésios 4:30). E herdam as promessas, na qualidade de herdeiros da salvação eterna (Hebreus 1:14; 6:12).

 

XVII – A SANTIFICAÇÃO: Cristo amou o Seu povo, a Sua igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela, para a santificar, para a apresentar a Si mesmo a igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (Efésios 5:25-27). Logo, todos aqueles que fazem parte de Seu povo, são unidos a Cristo, eficazmente chamados e regenerados, tendo um novo coração e um novo espírito criados neles, através da virtude da morte e ressurreição de Cristo, são santificados real e pessoalmente (Atos 20:32; 1 Coríntios 6:19-20; Romanos 6:5-6; Hebreus 1:3; 13:12; 1 João 1:7) por meio da mesma virtude, pela Sua Palavra e Espírito que habita neles (João 17:17; Efésios 3:16-19; 1 Tessalonicenses 5:21-23). A santificação se dá no homem todo (1 Tessalonicenses 5:23), ainda que seja imperfeita nesta vida; disto nasce uma guerra contínua e irreconciliável: a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne (Gálatas 5:17; 1 Pedro 2:11).

Ainda que os regenerados tenham resíduos de corrupção, através do suprimento contínuo de força do Espírito santificador de Cristo, a parte regenerada triunfa (Romanos 6:14), o domínio de todo o corpo do pecado é destruído (Romanos 6:14), e as várias concupiscências são cada vez mais enfraquecidas e mortificadas (Gálatas 5:24), e eles mais e mais vivificados e fortalecidos, em todas as graças salvíficas (Colossenses 1:11), para a prática da verdadeira santidade (1 Pedro 1:15; Colossenses 3:12), sem a qual ninguém verá o Senhor (Deuteronômio 14:2; Isaías 35:8; 52:1; 62:12; 2 Coríntios 7:1; Hebreus 12:14).

 

XVIII – AS BOAS OBRAS: Boas obras são somente aquelas que Deus ordenou em Sua Santa Palavra (Miquéias 6:8; Hebreus 13:21), e não as que, sem autoridade dela, são realizadas por homens movidos por um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa intenção (Isaías 29:13; Mateus 15:9). Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira (Tiago 2:18, 22), e por elas os crentes manifestam a sua gratidão, fortalecem a sua confiança, edificam os seus irmãos, adornam a profissão do Evangelho (Salmos 116:12-13; Mateus 5:16; 2 Pedro 1:5-11; 1 João 2:3, 5), fazem calar os adversários e glorificam a Deus (Filipenses 1:11; 1 Timóteo 6:1; 1 Pedro 2:15), de cuja feitura são, criados em Cristo Jesus para isso mesmo (Efésios 2:10), a fim de que, tendo o seu fruto para santificação, eles possam ter por fim a vida eterna (Romanos 6:22). Portanto, as boas obras não são a causa, mas, sim, a evidência da salvação, ou seja, fazemos boas obras não para sermos salvos, mas porque já fomos salvos.

De maneira nenhuma a fé e arrependimentos salvíficos são uma obra humana, ou a salvação pode ser obtida por qualquer suposta fé ou obra humanas. A salvação pertence ao Senhor e é obra do Senhor somente. Por nossas melhores obras não podemos merecer da mão de Deus o perdão de nossos pecados ou a vida eterna, visto ser grande a desproporção que há entre elas e a glória por vir, e a infinita distância que há entre nós e Deus, a Quem não podemos ser úteis por meio delas, nem satisfazê-lO pela dívida dos nossos pecados anteriores; mas quando tivermos feito tudo o que pudermos, temos feito somente o nosso dever, e somos servos inúteis (Lucas 17:10). Se nossas obras são boas elas procedem do Espírito, contudo, à medida que elas são desempenhadas por nós, essas obras vão sendo contaminadas e misturadas com tanta fraqueza e imperfeição, que não podem suportar a severidade do julgamento de Deus (Salmos 43:2; Isaías 64:6). Todavia, desde que os crentes, como pessoas, são aceitos por meio de Cristo, as suas obras também são aceitas nEle (Efésios 1:5; 1 Pedro 1:5), não como se fossem nesta vida totalmente inculpáveis e irrepreensíveis diante de Deus; antes, significa que Ele, olhando para eles em Seu Filho, se agrada de aceitar e recompensar aquilo que é sincero, embora realizado com muitas fraquezas e imperfeições.

 

XIX – A PRESERVAÇÃO DOS SANTOS: Aqueles a quem Deus chamou e aceitou no Amado e santificou pelo Espírito, e receberam o dom da preciosa fé dos Seus eleitos, não podem nem total nem finalmente cair do estado de graça, mas, certamente, serão preservados e perseverarão até o fim (João 10:28-29; Filipenses 1:6; 2 Timóteo 2:19; 1 João 2:19); e embora eles venham a cair por negligência e pela tentação ao pecado e astutas ciladas de Satanás, pelo que entristecem o Espírito, enfraquecem suas graças e consolos, trazem opróbrio sobre a Igreja e julgamentos temporais sobre si mesmos, apesar disso, eles serão renovados novamente (Salmos 89:31-33) para o arrependimento e serão preservados pelo poder de Deus através da fé para a salvação. A obra da salvação é do Senhor do princípio ao fim, logo, Deus certamente glorificará todos os Seus eleitos, aqueles a quem Ele predestinou, chamou e justificou. De cada um do Seu povo eleito pode-se dizer: uma vez salvo, para sempre salvo (João 6:39; Romanos 8:30, 37-39; Filipenses 1:6; 2 Timóteo 1:12; Judas 1:24; 1 Pedro 1:5).

 

XX A LEI DE DEUS: Deus deu a Adão uma lei de obediência universal escrita em seu coração, e um particular preceito de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 1:27; Eclesiastes 7:29), a qual Ele obrigou-o e a toda sua posteridade, para pessoal, inteira, exata e perpétua obediência (Romanos 10:5); prometeu vida sobre o cumprimento, e ameaçou com a morte a violação da mesma; e o dotou com o poder e a capacidade para guardá-la (Gálatas 3:10, 12). A mesma lei que primeiramente foi escrita no coração do homem, continuou a ser uma regra perfeita de justiça após a Queda (Romanos 2:14-15); e foi entregue por Deus no monte Sinai em Dez Mandamentos e escrita em duas tábuas; os quatro primeiros Mandamentos contêm o nosso dever para com Deus, e os outros seis, nosso dever para com o homem (Deuteronômio 10:4).

Além desta lei, comumente chamada de moral, Deus Se agradou em dar ao povo de Israel leis cerimoniais, contendo diversas ordenanças típicas, em parte, de adoração, prefigurando Cristo, Suas graças, ações, sofrimentos e benefícios (Hebreus 10:1; Colossenses 2:17); e, em parte, mantendo e estabelecendo várias instruções de deveres morais (1 Coríntios 5:7). Todas as leis cerimoniais, sendo impostas apenas até o tempo da reformação, são por Jesus Cristo, o Messias e único Legislador, que foi dotado com o poder da parte do Pai para este fim, cumpridas e revogadas (Colossenses 2:14, 16, 17; Efésios 2:14, 16). Para eles, Ele também deu várias leis civis, que expiraram com a nação daquele povo, não obrigando a ninguém em virtude daquela instituição, somente sua equidade geral possui um valor moral (1 Coríntios 9:8-10). A lei moral obriga para sempre a todos, tanto pessoas justificadas como as demais, à obediência da mesma (Romanos 13:8-10; Tiago 2:8, 10-12); e isso não apenas no que diz respeito à matéria nela contida, mas também no que diz respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu (Tiago 2:10-11). Nem o Cristo no Evangelho de forma alguma a ab-roga, mas antes confirma esta obrigação (Mateus 5:17-19; Romanos 3:31).

Embora os verdadeiros crentes não estejam sob a Lei como um pacto de obras, para serem por ela justificados ou condenados (Romanos 6:14; Gálatas 2:16; Romanos 8:1, 10:4); contudo é de grande utilidade para eles, assim como para os outros; em que, como uma regra de vida, informando-os sobre a vontade de Deus e de seu dever, ela dirige e os obriga a andar em conformidade; descobrindo também as contaminações pecaminosas de sua natureza, corações e vidas; assim como, examinando-se desta maneira, eles podem chegar a mais convicção, humilhação por e ódio contra o pecado (Salmos 19:7; Romanos 3:20, 7:7, 24, 25, etc.); juntamente com uma visão mais clara da necessidade que têm de Cristo e da perfeição da Sua obediência (Isaías 42:21; Romanos 10:4). Ela é, semelhantemente útil para os regenerados, para conter as suas corrupções, pois proíbe o pecado, e as suas ameaças servem para mostrar até mesmo o que os seus pecados merecem, e que aflições nesta vida podem esperar por eles, embora libertados da maldição e do rigor intransigente da Lei. Igualmente, as promessas da Lei demonstram a aprovação de Deus à obediência e quais bênçãos os homens podem esperar receber se cumprirem a Lei; embora não lhes sejam devidas pela Lei como um pacto de obras. Assim como um homem faz o bem e evita o mal, porque a Lei anima a um, e desencoraja o outro, não é evidência de que ele esteja debaixo da Lei, e não debaixo da graça (Romanos 6:12-14; 1 Pedro 3:8-13).

Nem são os supracitados usos da Lei contrários à graça do Evangelho, mas harmoniosamente condizem com ele (Gálatas 3:21). O Espírito de Cristo submete e habilita a vontade do homem a fazer voluntária e alegremente o que a vontade de Deus, revelada na Lei, requer que seja feito (Ezequiel 36:27).

 

XXI – SOBRE O EVANGELHO E A EXTENSÃO DE SUA GRAÇA: O Pacto das Obras foi quebrado pelo pecado, e tornou-se inútil para conduzir à vida, então, Deus Se agradou em desvelar a promessa de Cristo, a semente da mulher, como o meio de chamar os eleitos, gerando neles a fé e o arrependimento (Gênesis 3:15). Nesta promessa a essência do Evangelho foi revelada, e é feita eficaz para a conversão e salvação dos pecadores (Apocalipse 13:8). Esta promessa de Cristo, e da salvação por meio dEle, é revelada somente pela Palavra de Deus (Romanos 1:17); nem as obras da criação ou providência, com a luz da natureza, desvelam a Cristo, ou a graça por meio dEle, tanto de uma forma geral ou de uma forma obscura (Romanos 10:14, 15, 17); muito menos os homens destituídos da revelação dEle pela promessa ou Evangelho, devem ser assim habilitados para alcançar a fé salvífica ou arrependimento (Provérbios 29:18; Isaías 25:7; 60:2-3; Romanos 10:17).

A revelação do Evangelho aos pecadores, feita em diversas épocas, e em diversos lugares, com a adição de promessas e preceitos para a obediência nele exigidas, como para as nações e pessoas a quem é concedida, ocorre apenas por causa da vontade soberana e beneplácito de Deus (Salmos 147:20; Atos 16:7), não sendo anexado em virtude de alguma promessa para o devido aprimoramento das habilidades naturais do homem, em virtude da luz comum recebida sem ela, o que ninguém jamais fez ou pode assim fazer (Romanos 1:18-32). E, portanto, em todas as épocas, a pregação do Evangelho tem sido concedida a pessoas e nações, como a extensão ou limitação do mesmo, em grande variedade, de acordo com o conselho da vontade de Deus.

Apesar do Evangelho ser o único meio exterior de revelação de Cristo e da graça salvífica, e é, como tal, para isso abundantemente suficiente; ainda assim, para que os homens que estão mortos em delitos possam nascer de novo, serem vivificados ou regenerados, é necessária uma obra eficaz, invencível do Espírito Santo sobre toda a alma, para produzir neles uma nova vida espiritual (Salmos 110:3; João 16:13; 1 Coríntios 2:14; Efésios 1:19-20), sem a qual nenhum outro meio será suficiente para a sua conversão a Deus (João 6:44; 2 Coríntios 4:4, 6).

 

XXII – A IGREJA: A igreja católica ou universal, que (em relação à obra interior do Espírito e verdade da graça) pode ser chamada invisível, consiste de todo o número dos eleitos, que foram, são ou serão reunidos em um só corpo, sob Cristo, a Cabeça da mesma; ela é a Esposa, o Corpo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos (1 Coríntios 10:17; Efésios 1:10, 22, 23; 5:23, 27, 32; Colossenses 1:18; Hebreus 12:23). Os eleitos pertencem à família e ao Reino de Deus (João 1:12-13; 3:3-5; 1 João 3:1-2). Esta família abrange o número total dos crentes do Novo, como também, os do Velho Testamento, desde primeiro até o último salvo antes da Segunda vinda de Cristo (João 11:51-52). A Igreja como é visível para nós, é uma assembleia de tais crentes (1 Coríntios 1:1; Efésios 1:1), chamados e separados do mundo, pela palavra e Espírito de Deus (Atos 2:37; 10:37; 26:18; Romanos 1:7; 2 Coríntios 6:17; 1 Tessalonicenses 1:9; Apocalipse 18:18), para a profissão visível da fé do Evangelho, sendo batizados nesta fé, e unidos ao Senhor, e uns aos outros, biblicamente, de comum acordo, para a propagação do Evangelho, no exercício prático das Ordenanças comandadas por Cristo, seu Cabeça e Rei (Mateus 18:19; Romanos 10:10; Atos 2:42; 20:21; 1 Pedro 2:5; Apocalipse 15:3!).

Jesus Cristo, pela designação do Pai, tem todo o poder de chamado, instituição, ordenação e governo da igreja conferida a Si de uma forma suprema e soberana (Mateus 28:18-20; Efésios 4:11-12; Colossenses 1:18), e de acordo com isso o Senhor Jesus chama do mundo para Ele mesmo, através do ministério de Sua Palavra, por meio de Seu Espírito, aqueles que são dados a Ele por Seu Pai (João 10:16; 12:32), para que eles possam andar diante dEle em todos os caminhos da obediência, os quais Ele prescreveu em Sua Palavra (Mateus 28:20). Àqueles que assim são chamados, Ele ordena que andem juntos, em comunidades particulares, ou igrejas, para a sua mútua edificação, e para a devida realização do culto público, que Ele requer deles, no mundo (Mateus 18:15-20; 1 Tessalonicenses 2:14; 1 Timóteo 3:15). Todas as pessoas, em todo o mundo, que professam a fé do Evangelho e obediência a Deus por meio de Cristo, de acordo com isso, não arruinando a sua própria profissão por quaisquer erros de subversão do fundamento, ou impureza de conversação, são, e podem ser chamadas de santos visíveis (Atos 11:26; 1 Coríntios 1:2; Efésios 1:1); e dos tais, todas as congregações particulares devem ser constituídas (Salmos 111:1; Atos 2: 41-47; Romanos 1:7; Efésios 1:20-22).

Os membros dessas igrejas são santos por chamamento, manifestando visivelmente e evidenciando (na e pela sua profissão e caminhar) a sua obediência a esse chamado de Cristo (Romanos 1:7; 1 Coríntios 1:2); e voluntariamente consentem em caminhar juntos de acordo com a designação de Cristo, entregando-se a si mesmos ao Senhor, e uns aos outros, pela vontade de Deus em sujeição às ordenanças do Evangelho (Atos 2:41-42, 46; 5:13-14; 2 Coríntios 9:13). Para cada uma dessas igrejas assim reunidas, de acordo com Sua mente declarada em sua Palavra, Ele tem dado todo aquele poder e autoridade, que é em toda forma necessário para a sua realização naquela ordem no culto e disciplina, que Ele instituiu para que eles observem, com ordens e regras para o devido e correto exercício e execução desse poder (Mateus 16:19; 18:17-18; 1 Coríntios 5:4-5; 5:13; 2 Coríntios 2:6-8). A maneira correta de entrar na igreja é pela fé pessoal em Cristo, que é a única verdadeira Porta de entrada para a Sua igreja, portanto, ninguém entra verdadeiramente na igreja por direito de nascimento ou por qualquer outra falsa porta (João 10:7-9). A maneira correta de uma pessoa entrar na igreja é crendo e fazendo profissão pública de sua fé em Jesus e depois se batizando, e não sendo batizada para depois crer. (Atos 2:38, 41; 8:12, etc.).

Uma igreja local, reunida e completamente organizada de acordo com a mente de Cristo, consiste em oficiais e membros; e os oficiais regulares designados por Cristo a serem escolhidos e consagrados pela igreja (assim chamada e congregada), são os bispos (ou anciãos, pastores, presbíteros) e os diáconos (Atos 20:17, 28; 1 Timóteo 3; Filipenses 1:1). Para cada uma dessas igrejas, Jesus Cristo deu a autoridade necessária para administrar a ordem, a disciplina e a adoração que Ele designou (Mateus 18:17; Atos 14:23; 2 Tessalonicenses 3:6, 14, 15). Todos os crentes são ordenados a unirem-se às igrejas locais, quando e onde eles tiverem a oportunidade de assim fazê-lo, assim também todos os que são admitidos aos privilégios de uma igreja estão sob a disciplina e governo desta, de acordo com a regra de Cristo (Mateus 18:15-20; 2 Coríntios 8:5; 1 Tessalonicenses 5:14; 2 Tessalonicenses 3:6, 14, 15).

Cada igreja local é autônoma em relação a quaisquer outras igrejas ou outros (presbitérios, associações, sínodos, concílios e etc.), e principalmente em relação ao Estado em que estão inseridas. Esta autonomia, debaixo de Cristo, das igrejas locais não exclui o fato de que estas mesmas igrejas, quando, pela providência de Deus, são estabelecidas próximas umas das outras, devem aproveitar a oportunidade e benefício disto, mantendo comunhão e cooperação entre si, para a sua paz, crescimento em amor e edificação mútua; e além disto, todos os seus membros, devem orar continuamente pelo bem e prosperidade de todas as igrejas de Cristo (Efésios 6:18; Salmos 122:6; 28:9!).

 

XXIII – O BATISMO: O Batismo é uma Ordenança peculiar da dispensação Evangélica instituída imediatamente pelo próprio Senhor Jesus Cristo, no qual uma pessoa deve ser apropriadamente imersa ou mergulhada em água no Nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, como um sinal de sua comunhão com a morte e a ressurreição de Cristo, da remissão dos pecados, e de sua entrega a Deus, para viver e andar em novidade de vida (Mateus 28:19; Marcos 1:4; 16:16; João 3:23; Atos 22:16; Romanos 6:3-5; Gálatas 3:27; Colossenses 2:12).

O único Batismo que Escrituras Sagradas testificam é aquele no qual a pessoa antes de ser batizada se arrepende de seus pecados e crê (Atos 2:38; 8:37; 19:5; Efésios 4:5), e se entrega para ser batizada de forma voluntária e consciente. Portanto, somos contrários à aspersão de bebês e de qualquer outro que não se conforme às condições acima descritas e prescritas nas Escrituras.

Sendo o Batismo Cristão uma Ordenança peculiar da dispensação Neotestamentária não devemos imaginar que o Batismo seja uma “Circuncisão de Cristo ou Cristã”, pois embora haja muitas semelhanças entre a Circuncisão e o Batismo, a Circuncisão de Moisés, aquela feita por mãos e que esteve vigente no Antigo Testamento encontra sua contraparte, não no Batismo Cristão, mas na “Circuncisão de Cristo” que é “não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne” — ou seja, a regeneração ou novo nascimento — como testificam as Escrituras (Colossenses 2:11). E nem em qualquer sentido o Batismo é o “Selo da Promessa” ou o “Selo do Pacto da Graça” ou de qualquer outra suposta aliança; o único e verdadeiro selo da Nova Aliança é “o Espírito Santo da promessa... no qual estais selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30). O Espírito Santo da promessa é o único que verdadeiramente “sela” o povo de Deus, e não o Batismo, e muito menos a aspersão infantil. Com tal verdadeiro selo todos os verdadeiros crentes foram selados após crerem no Senhor Jesus Cristo, conforme apresentado no Evangelho, como está escrito: “...depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Efésios 1:13). Afirmar que o Batismo é a “Circuncisão de Cristo” ou o “Selo da Promessa do Pacto da Graça”, é algo antibíblico e errado.

 

XXIV – A CEIA DO SENHOR: A Ceia é uma Ordenança peculiar da dispensação Neotestamentária instituída imediatamente pelo próprio Senhor Jesus Cristo na mesma noite em que foi traído, para ser administrada com os elementos exteriores de pão e vinho, e observada permanentemente em Suas igrejas até o fim do mundo; para memória perpétua e figura do sacrifício de Si mesmo em Sua morte. O pão representa o Seu corpo partido, e o vinho o Seu sangue derramado em favor de Seu povo (Mateus 26:26; Lucas 22:17-20; 1 Coríntios 11:20-26).

A Ceia em nenhum sentido é um sacrifício por vivos ou mortos, mas é designada para celebrar e relembrar Seu sacrífico de Cristo, único e perfeito para sempre, o sangue do Novo Testamento, que foi derramado por muitos, para remissão dos pecados (Mateus 26:26-28); para confirmar a fé dos Cristãos; e ser uma afirmação e renovação de seu compromisso e comunhão com Ele e com a Igreja (1 Coríntios 10:16, 17, 21). Somente crentes em Jesus Cristo, que tenham sido batizados, devem ser admitidos à Ceia do Senhor.

Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis desta Ordenança, em seguida, também interiormente pela fé, realmente e de fato, não de maneira carnal e corporalmente, mas espiritualmente, recebem e alimentam-se de Cristo crucificado, e todos os benefícios de Sua morte; o corpo e sangue de Cristo não sendo corporais ou carnais, mas espiritualmente presentes pela fé dos crentes nessa Ordenança, como estão os próprios elementos aos seus sentidos exteriores (1 Coríntios 10:16, 11:23-26).

Sendo a Ceia do Senhor uma Ordenança peculiar da dispensação Evangélica não devemos imaginar que a mesma seja a “Nossa Páscoa”, ou seja, a “Páscoa dos Cristãos”. A Ceia do Senhor não é o cumprimento da Festa da Páscoa. A Festa da Páscoa encontrou seu cumprimento, e foi abolida, no Senhor Jesus Cristo como o Cordeiro de Deus, pois “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (João 1:29; 1 Coríntios 5:7). Cristo é a nossa páscoa, e não a Ceia que Ele instituiu, pois não temos “duas páscoas”, mas somente uma que é Cristo somente, segundo o testemunho das Escrituras. Portanto, a Ceia do Senhor é uma Ordenança distintiva do Novo Testamento que se centraliza na Pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. Afirmar que a Ceia do Senhor seja a contrapartida Neotestamentária da Festa da Páscoa do Antigo Testamento ou que ela seja a “Nossa Páscoa”, a “Páscoa dos Cristãos”, é algo antibíblico e errado.

 

XXV – O CESSACIONISMO: Afirmamos o Sola Scriptura como nossa posição; as Escrituras Sagradas são a única fonte de revelação objetiva, infalível, suficiente e proposicional de Deus para o homem dos dias de hoje. Os antigos modos que Deus usou para revelar a Si mesmo e Sua vontade ao Seu povo incluem profecias, visões, sonhos, teofanias, línguas, interpretações de línguas, revelações escritas, e etc., todas estas coisas, ordinariamente, deixaram de acontecer após a conclusão do que conhecemos como Sagradas Escrituras. Negamos que a iluminação do Espírito Santo em relação à revelação objetiva pode, em qualquer sentido, produzir novas revelações ou que não se conformem com a revelação já dada da verdade definitiva de Deus (João 14:26; 16:13; Atos 22:18-19; Efésios 2:20; 2 Timóteo 3:16). O dom de línguas consistia na capacidade de falar outras línguas, contudo línguas humanas e inteligíveis (Atos 2:8). Os dons extraordinários de operadores de curas e outros dons extraordinários semelhantes como ressuscitar os mortos, cessaram após a morte dos apóstolos e de alguns que conviveram com eles (2 Coríntios 12:12). Não existem verdadeiros apóstolos em nossos dias (Apocalipse 2:2; 21:14).

Deus, se assim Lhe aprouver, pode operar milagres hoje, pois Ele sempre faz e fará o que quer (Salmo 115:3), todavia, o uso de sinais miraculosos para atestar a revelação redentora de Deus cessou na revelação apresentada no Novo Testamento. A norma para os nossos dias é que oremos a Deus pelas nossas necessidades, de nossos irmãos, de Sua igreja de modo geral, e que estudemos a Sua Palavra, que é capaz de nos tornar sábios e perfeitos para toda boa obra, e assim, vivamos por fé e não por vista.

 

XXVI – O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO: Existe uma distinção entre a vida Cristã como um culto constante a Deus (Deuteronômio 6:6-7; Colossenses 3:17), o culto individual (Mateus 6:6), o culto familiar (Jó 1:5) e o culto público solene (Isaías 56:7; Hebreus 10:25). Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a Sua própria glória é expressamente declarado ou necessariamente contido nas Sagradas Escrituras, ao que nada, em qualquer tempo, deve ser acrescentado, seja por novas revelações do Espírito, ou por tradições humanas (Gálatas 1:8-9; 2 Timóteo 3:15-17). Logo, o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo (Jeremias 10:7; Marcos 12:33), e tão limitado por Sua própria vontade revelada, de forma que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível ou qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras (Êxodo 20:4-6). Deus deve ser adorado em todo lugar, em espírito e em verdade (João 4:21-24); tanto no cotidiano de famílias particulares, e em secreto, cada um por si, e muito mais solenemente em assembleias públicas, as quais não devem ser, descuidadas ou deliberadamente negligenciadas ou abandonadas (como é o costume de alguns), quando Deus, pela Sua Palavra ou providência, nos conclama a participar delas (Atos 2:42; Hebreus 10:25). O culto é sempre uma questão sobre o que Deus ordena, nunca uma questão sobre o que Ele não proibiu. O culto é sempre uma questão sobre o que devemos fazer, nunca uma questão sobre o que podemos fazer (Números 26:61; Isaías 1:12).

O culto Cristão deve ser dado a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e somente a Ele (Mateus 4:9-10; 28:19; João 6:23), não a anjos, santos ou a qualquer outra criatura (Romanos 1:25; Colossenses 2:18; Apocalipse 19:10), e desde a Queda, não sem um Mediador (João 14:6); nem na mediação de qualquer outro senão de Cristo (1 Timóteo 2:5). As orações com ações de graças (Salmos 95:1-7, 65:2; João 14:13-14; Romanos 8:26); a leitura das Escrituras (1 Timóteo 4:13), a pregação e a atenção à Palavra de Deus (Lucas 8:18; 2 Timóteo 4:2); o ensino e as advertência mútuas; o louvor em Salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando com graça em nossos corações ao Senhor (Efésios 5:19; Colossenses 3:16); bem como a devida administração do Batismo dos crentes e da Ceia do Senhor, são todas partes do culto a Deus, a serem realizados em obediência a Ele, com entendimento, fé, humildade, reverência, fervor e temor piedoso.

O culto público jamais é uma questão de entretenimento ou um culto segundo a vontade e gosto humanos. Portanto, peças teatrais; danças litúrgicas e coreografias; aplausos; competições; supostos “atos proféticos”; desordens e indecências, e coisas semelhantes, devem ser abolidos assim como também tudo aquilo que não é prescrito na Palavra de Deus.

 

XXVII – O HOMEM, A MULHER E O CASAMENTO: O casamento deve ser entre um homem e uma mulher, jamais entre pessoas do mesmo sexo. Não é lícito ter mais de um cônjuge ao mesmo tempo (Gênesis 2:24; Malaquias 2:15; Mateus 19:5-6). O casamento foi ordenado para o auxílio mútuo entre marido e mulher (Gênesis 2:18), para a propagação da humanidade por uma sucessão legítima (Gênesis 1:28), e para a prevenção da impureza, pois satisfação do desejo sexual é lícita somente no contexto do casamento (1 Coríntios 7:2, 9). O casamento é lícito para todos os tipos de pessoas, desde que possam dar o seu consentimento racional (Hebreus 13:4; 1 Timóteo 4:3). É dever dos Cristãos casarem-se no Senhor (1 Coríntios 7:39), e, portanto, não devem casar-se com infiéis, ou idólatras; nem devem, como aqueles que são piedosos, estar em jugo desigual, casando-se com os que são ímpios em suas vidas, ou defendam heresia condenável (Neemias 13:25-27). Não devem casar-se pessoas entre as quais existam graus de parentesco ou consanguinidade que são proibidos na Palavra de Deus (Levítico 18; Marcos 6:18; 1 Coríntios 5:1). O casamento implica na criação de um vínculo que só se dissolve com a morte de um dos cônjuges (Malaquias 2:16; Mateus 5:32; 19:9; Lucas 16:18; Romanos 7:2-3; 1 Coríntios 7:10, 11, 39; Hebreus 13:4). O casamento existe para magnificar a verdade, o amor, o valor, a beleza e a grandeza de Deus, especialmente a união entre Cristo e a Igreja (Efésios 5:22-33).

 

XXIII – O DIA DO SENHOR: Pelo desígnio de Deus, há uma lei da natureza que, em geral, uma proporção do tempo seja destinada ao culto a Deus; desta forma, em Sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, válido a todos os homens em todas as eras, Deus particularmente nomeou um dia em sete para um descanso, para ser-Lhe santificado (Êxodo 20:8). Desde o início do mundo até a ressurreição de Cristo, foi o último dia da semana; e, a partir da ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, o Domingo, que é chamado de Dia do Senhor (1 Coríntios 16:1-2; Atos 20:7; Apocalipse 1:10), e deve continuar até o fim do mundo como o Sabbath Cristão; sendo abolida a observação do último dia da semana. É apropriado considerar o Dia do Senhor como uma celebração da gloriosa ressurreição de Cristo e da redenção de Seu povo (Salmo 118:22-24 comparado com Atos 4:10-11; Lucas 24:1).

O Sabbath é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações, e ordenado os seus assuntos comuns de antemão, não apenas observam um santo descanso durante todo o dia a partir de suas próprias obras, palavras e pensamentos sobre suas ocupações e recreações mundanas (Isaías 58:13; Neemias 13:15-22); mas também dedicam todo o tempo em exercícios públicos e privados de Seu culto e nos deveres de necessidade e misericórdia (Mateus 12:1-13; Marcos 2:27).

 

XXIX – A LIBERDADE CRISTÃ E A LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA: A liberdade que Cristo comprou para os crentes sob o Evangelho consiste em sua liberdade da culpa do pecado, da ira condenatória de Deus e do rigor e maldição da lei (Gálatas 3:13); também consiste na libertação do presente século mau (Gálatas 1:4), da escravidão de Satanás (Atos 26:18), do domínio do pecado (Romanos 8:3), do mal das aflições (Romanos 8:28), do temor e aguilhão da morte, da vitória da sepultura (1 Coríntios 15:54-57) e da condenação eterna (2 Tessalonicenses 1:10); como também em seu livre acesso a Deus, e em prestar-Lhe obediência não por medo servil (Romanos 8:15), mas por amor filial e mente voluntária (Lucas 1:73-75; 1 João 4:18). Deus é o único Senhor da consciência (Atos 5:29) e a deixou livre de doutrinas e mandamentos humanos que, em qualquer respeito, são contrários à Sua Palavra, ou não contidos nela (Mateus 15:9; Atos 4:19, 29; 1 Coríntios 7:23); de modo que, crer em tais doutrinas, ou obedecer a tais mandamentos, por motivo de consciência (Colossenses 2:20, 22, 23), equivale a trair a verdadeira liberdade de consciência; e requerer de alguém uma fé implícita, uma obediência absoluta e cega, equivale a destruir a liberdade de consciência, e a razão também (1 Coríntios 3:5; 2 Coríntios 1:24).

Aqueles que, sob pretexto de liberdade Cristã, praticam qualquer pecado ou toleram qualquer concupiscência pecaminosa, com isso tanto deturpam o propósito principal da graça do Evangelho para a sua própria destruição (Romanos 6:1-2); como também destroem totalmente a finalidade da liberdade Cristã; a qual é, que sendo libertados das mãos de todos os nossos inimigos, possamos servir ao Senhor, sem temor, em santidade e justiça perante Ele, todos os dias das nossas vidas (Gálatas 5:13; 2 Pedro 2:18, 21).

Devemos nos sujeitar aos magistrados civis que são ordenados por Deus; esta sujeição deve ser prestada por nós no Senhor, em todas as coisas lícitas ordenadas pelas autoridades, não somente por causa do medo da punição, mas também por causa da consciência (Romanos 13:5-7; 1 Pedro 2:17). Devemos suplicar e orar pelos magistrados e por todos os que estão investidos de autoridade, para que, sob seu governo, vivamos uma vida quieta e sossegada, com toda piedade e honestidade (1 Timóteo 2:1-2).

 

XXX – O ESTADO DO HOMEM APÓS A MORTE E A RESSURREIÇÃO: Após a morte, o corpo humano retorna ao pó e vê a corrupção (Gênesis 3:19; Atos 13:36). A alma, porém, não morre nem dorme, porque possui subsistência imortal, retornando imediatamente para Deus, que a deu (Eclesiastes 12:7). As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no Paraíso, onde eles estão com Cristo e veem a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos (Lucas 23:43; 2 Coríntios 5:1, 6, 8; Filipenses 1:23; Hebreus 12:23); e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde permanecem em tormento e trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia (Lucas 16:23-24; 1 Pedro 3:19; Judas 6-7). Além destes dois lugares, destinados às almas separadas de seus corpos, as Escrituras não reconhecem nenhum outro.

No último dia, os que dentre os santos estiverem vivos não dormirão, mas serão transformados (1 Coríntios 15:51-52; 1 Tessalonicenses 4:13-18) e todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos, e não outros (Jó 19:26-27), embora com qualidades diferentes, os quais serão novamente unidos às suas almas para sempre (1 Coríntios 15:42-43). Os corpos dos injustos serão, pelo poder de Cristo, ressuscitados para a desonra; os corpos dos justos, pelo Seu Espírito, para honra e para serem semelhantes ao Seu próprio corpo glorioso (João 5:28-29; Atos 24:15; Filipenses 3:21).

 

XXXI – O JULGAMENTO FINAL: Deus determinou um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo (Atos 17:31; João 5:22, 27), a Quem todo o poder e julgamento é dado pelo Pai. Naquele dia, não só os anjos apóstatas serão julgados (1 Coríntios 6:3; Judas 6); mas também todas as pessoas que viveram sobre a terra devem comparecer perante o tribunal de Cristo, para darem conta de seus pensamentos, palavras e ações; e receberem de acordo com o que eles fizeram no corpo, seja bom ou mau (Eclesiastes 12:14; Mateus 12:36; 25:32-46; Romanos 14:10, 12; 2 Coríntios 5:10).

O propósito de Deus, ao estabelecer esse dia, consiste em manifestar a glória de Sua misericórdia na salvação eterna dos eleitos; e de Sua justiça na eterna condenação dos réprobos, que são perversos e desobedientes (Romanos 9:22-23). Pois, então, os justos irão para a vida eterna e receberão aquela plenitude de gozo e glória, com eterno galardão na presença do Senhor, mas os ímpios, que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho de Jesus Cristo, serão lançados nos tormentos eternos (Mateus 25:21, 34; 2 Timóteo 4:8), e punidos com eterna destruição, a partir da presença do Senhor, e da glória do Seu poder (Mateus 25:46; Marcos 9:48; 2 Tessalonicenses 1:7-10).

Cristo deseja que estejamos bem persuadidos de que haverá um dia de juízo, para que os homens se afastem do pecado (2 Coríntios 5:10-11), e para maior consolação dos piedosos em sua adversidade (2 Tessalonicenses 1:5-7); assim Ele manterá esse dia desconhecido para os homens, para que possam estar livres de toda a segurança carnal, e estar sempre vigilantes, porque não sabemos a que hora o Senhor virá (Marcos 13:35-37; Lucas 12:35-40). Que possamos estar sempre preparados para dizer: Vem, Senhor Jesus, vem depressa (Apocalipse 22:20). Amém.


***
 

* Os artigos listados acima são breves declarações do que cremos ser os puros e fiéis ensinamentos das Escrituras Sagradas. Para saber mais sobre a nossa Fé, leia o documento que cremos ser o mais fiel, preciso e excelente resumo expositivo das Doutrinas Bíblicas, já existente: A Confissão de Fé Batista de Londres de 1677/1689.

 

 

William Teixeira Pedrosa
Camila Rebeca Almeida
EC, 11 de dezembro de 2015.
 

INSCREVA PARA RECEBER
NOSSAS ATUALIZAÇÕES: