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A Excelência do Casamento, por A. W. Pink

“Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará”. (Hebreus 13:4)

 

Assim como Deus uniu os ossos e nervos para o fortalecimento de nossos corpos, assim Ele ordenou a união de homem e mulher em matrimônio para o fortalecimento de suas vidas, pois “melhor é serem dois do que um” (Eclesiastes 4:9). Portanto, quando Deus fez a mulher para o homem, Ele disse: “far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gênesis 2:18), mostrando que o homem é beneficiado por ter uma esposa. Que este realmente não prova ser o caso em todas as situações, em sua maior parte, pelo menos, deve ser atribuído a desvios dos preceitos divinos no que diz respeito ao casamento. Como este é um assunto de tão vital importância, julgamos oportuno apresentar um esboço bem abrangente do ensinamento da Sagrada Escritura sobre ele, especialmente para o proveito dos nossos jovens leitores, embora nós confiamos que seremos habilitados a incluir o que será útil para os mais velhos também.

 

É, talvez, uma observação comum, porém mesmo assim relevante, pois tem sido proferida com muita frequência, que, com a única exceção da conversão pessoal, o casamento é o mais importante de todos os eventos terrenos na vida de um homem ou uma mulher. O casamento forma um elo de união que os une até a morte. O casamento os traz a tais relações íntimas que eles podem adoçar ou amargar a existência um do outro. Isso implica circunstâncias e consequências que não alcançam menos do que as eras sem fim da eternidade. Como é essencial, então, que tenhamos a bênção do Céu sobre um empreendimento tão solene, e ainda assim, tão precioso; e para isso, quão absolutamente necessário é que nós estejamos sujeitos a Deus e à Sua Palavra no casamento. É muito, muito melhor permanecer solteiro até o fim de nossos dias, do que casar sem a bênção de Deus.

 

Os registros da história e os fatos da observação dão abundante testemunho da verdade dessa observação. Mesmo aqueles que não buscam mais do que a felicidade temporal dos indivíduos e o bem-estar da sociedade atual não são insensíveis à grande importância das nossas relações domésticas, cujas afeições mais fortes da natureza sustentam e que consolidam até mesmo os nossos desejos e fraquezas. Nós não podemos formar nenhuma concepção de virtude social ou de felicidade, sim, nenhuma concepção da própria sociedade humana, que não tenha o seu fundamento na família. Não importa quão excelentes sejam a constituição e as leis de um país, ou quão abundantes sejam os seus recursos e prosperidade, não há nenhuma base segura para a ordem pública ou social, bem como virtude privada, até que ela se estabeleça na sábia regulação de suas famílias.


Afinal, uma nação é apenas o agregado de suas famílias, e a menos que haja bons maridos e esposas, pais e mães, filhos e filhas, não há possibilidade de haver bons cidadãos. Portanto, a atual decadência da vida no lar e da disciplina familiar ameaça a estabilidade da nossa nação hoje muito mais severamente do que qualquer hostilidade estrangeira.

 

Mas a visão bíblica dos deveres parentais dos membros de uma família Cristã retrata os efeitos existentes de uma forma mais alarmante, como sendo desonrosos a Deus, desastrosos para a condição espiritual das igrejas e como algo que ergue um obstáculo muito grande no caminho do progresso evangélico. Triste além das palavras é ver que são os próprios cristãos professos os grandes responsáveis pelo rebaixamento dos padrões maritais, pelo descaso geral das relações no lar e o rápido desaparecimento da disciplina familiar.

 

Então, como o casamento é a base da casa ou família, compete ao escritor convocar os seus leitores a uma consideração séria e em oração da vontade revelada de Deus sobre esse tema vital. Embora dificilmente possamos esperar deter a doença terrível que agora corrompe os próprios órgãos vitais da nossa nação, mas se Deus se agradar em abençoar este artigo para algumas pessoas, o nosso trabalho não será em vão. Começaremos ressaltando a excelência do casamento: “Venerado seja entre todos o matrimônio”, diz o nosso texto, e isso é assim, em primeiro lugar, porque o próprio Deus o honrou. Todas as outras ordenações ou instituições (exceto o Sabath) foram nomeadas por Deus por meio de homens ou anjos (Atos 7:35), mas o casamento foi ordenado imediatamente pelo próprio Senhor, nenhum homem ou anjo trouxe a primeira mulher até o seu marido (Gênesis 2:19).


Assim, o casamento teve mais honra divina colocada sobre ele do que todas as outras instituições divinas, pois foi diretamente celebrado pelo próprio Deus. Novamente, esta foi a primeira ordenança que Deus instituiu, sim, a primeira coisa que Ele fez após o homem e a mulher serem criados, e isso enquanto eles ainda estavam em seu estado não-caído. Além disso, o lugar onde o casamento ocorreu mostra a honradez desta instituição: enquanto todas as outras instituições (exceto o Sabath) foram instituídas fora do paraíso, o casamento foi celebrado no próprio Éden — indicando quão felizes são aqueles que casam no Senhor!

 

O auge do ato criativo de Deus foi a criação da mulher. No final de cada dia de criação, é formalmente registrado que Deus viu o que tinha feito era bom (Gênesis 1:31). Mas quando Adão foi criado está registrado explicitamente que Deus viu que não era bom que o homem estivesse só (Gênesis 2:18). Quanto ao homem, o trabalho criativo precisava ser completado, uma vez que, como todos os animais e até mesmo plantas tinham seus pares, não era encontrado para Adão uma auxiliadora adequada — sua parceira e companheira. Deus não considerou que o trabalho do último dia de criação também fosse bom até que esta necessidade fosse suprida. “Esta é a primeira grande lição da Escritura sobre a vida familiar, e ela deve ser bem aprendida... A instituição divina do casamento ensina que o estado ideal do homem e mulher não está na separação, mas na união, de modo que cada um é destinado e capacitado para o outro. O ideal de Deus é esta união, com base em um amor puro e santo, que dure por toda a vida, que exclua toda rivalidade ou outra parceria estranha, e incapaz de separação ou infidelidade, porque é uma união no Senhor, um santo matrimônio de alma e espírito em mútua simpatia e afeição”.

 

Como Deus Pai honrou a instituição do casamento, assim também fez o Filho de Deus. Em primeiro lugar, pelo Seu ser “nascido de mulher” (Gálatas 4:4). Em segundo lugar, por Seus milagres, pois o primeiro sinal sobrenatural que Ele operou foi no casamento de Caná da Galiléia (João 2:8), onde Ele transformou a água em vinho, sugerindo assim que se Cristo está presente no seu casamento (ou seja, se você “casar-se no Senhor”) sua vida será uma alegria ou bênção. Em terceiro lugar, por Suas parábolas, por Ele comparou o reino de Deus a um casamento (Mateus 22:2) e a santidade a uma “veste de núpcias” (Mateus 22:11). Assim também em Seu ensinamento: quando os fariseus tentaram enganá-lO sobre o assunto do divórcio, estabeleceu a sua aprovação sobre a constituição original, acrescentando: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 4-6).

 

A instituição do casamento foi ainda mais honrada pelo Espírito Santo, pois Ele tem usado o casamento como uma figura da união que há entre Cristo e a igreja: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja” (Efésios 5:31-32). A relação que há entre o Redentor e os redimidos é frequentemente comparada àquela que existe entre um homem e mulher casados: Cristo é o “marido” (Isaías 54:5) e a igreja é a “esposa” (Apocalipse 21:9). “Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o Senhor; pois eu vos desposei” (Jeremias 3:14). Assim, cada pessoa da Santíssima Trindade pôs o Seu selo sobre a honorabilidade do casamento. Não há dúvida de que no verdadeiro casamento cada cônjuge ajuda o outro igualmente; e tendo em vista o que foi mencionado acima, qualquer um que ousar sustentar ou ensinar qualquer outra doutrina ou filosofia entra em conflito com o Altíssimo. Isso não estabelece uma regra rígida e fixa que cada homem e mulher é obrigado a se casar: pode haver razões boas e sábias para permanecer sozinho e motivos suficientes para continuar solteiro — físicos e morais, domésticos e sociais.

 

No entanto, uma vida de solteiro deve ser considerada como... excepcional, em vez de ideal. Qualquer ensinamento que leva homens e mulheres a pensarem no vínculo matrimonial como sinal de cativeiro e sacrifício de toda a independência ou a interpretar o ser esposa e a maternidade como escravidão e obstáculo a um destino mais elevado da mulher, qualquer sentimento público que promove o celibato como mais desejável e honrado ou que substitui qualquer outra coisa pelo casamento e lar, não somente viola a ordenança de Deus, mas abre a porta para inomináveis ​​crimes e ameaça aos próprios fundamentos da sociedade.

 

Ora é claro que o casamento deve ter motivos específicos para a sua instituição. Três motivos são dados na Escritura: Em primeiro lugar, para a propagação de filhos. Esta é a sua finalidade óbvia e normal. “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27) — não dois machos ou duas fêmeas, mas um macho e uma fêmea. Para tornar inequivocamente claro o seu propósito, Deus disse: “Frutificai e multiplicai-vos” (1:28). Por esta razão, o casamento é chamado de “matrimônio”, o que significa “qualidade de mãe”, porque resulta em virgens tornando-se mães. Portanto, é desejável que o casamento seja celebrado na juventude, antes do auge da vida ter passado: duas vezes na Bíblia lemos sobre “a mulher da tua mocidade” (Provérbios 5.18; Malaquias 2:15). Nós temos mostrado que a propagação de filhos é o fim “normal” do casamento; ainda assim, existem épocas especiais de “angústia” aguda quando 1 Coríntios 7:29 é válido.

 

Em segundo lugar, o casamento é designado como um preventivo da imoralidade: “Mas, por causa da fornicação, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (1 Coríntios 7:2). Se alguém fosse dispensado, poderia ser suposto que os reis seriam desobrigados por causa da falta de um sucessor para o trono se a sua esposa fosse estéril; ainda assim, o rei é expressamente proibido de ter mais de uma esposa (Deuteronômio 17:17), mostrando que o risco para uma monarquia não é suficiente para cometer o pecado do adultério. Por esta razão, uma prostituta é chamada de “mulher estranha” (Provérbios 2:16) para mostrar que ela deve ser um estranho para nós; e as crianças nascidas fora do casamento são chamadas de “bastardos”, que (nos termos da Lei) foram excluídos da congregação do Senhor (Deuteronômio 23:2).

 

O terceiro propósito do casamento é evitar os inconvenientes da solidão, indicados em “não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18: como se o Senhor dissesse: Esta vida seria enfadonha e miserável para o homem, se nenhuma esposa fosse dada a ele como uma companheira: “ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante” (Eclesiastes 4:10). Alguém disse: “como uma rolinha que perdeu o seu companheiro, como uma perna quando a outra é amputada, como uma asa quando a outra é cortada, assim seria o homem se a mulher não fosse dada a ele”. Portanto, para o companheirismo e conforto mútuos Deus uniu o homem e a mulher para que os cuidados e medos da vida fossem suavizados pela alegria e auxílio um ao outro.

 

A seguir, vamos considerar a escolha de nosso companheiro.

 

Em primeiro lugar, o escolhido para parceiro da nossa vida deve estar fora daqueles graus de parentesco próximo proibidos pela lei divina: Levítico 18:6-17.

 

Em segundo lugar, o Cristão deve se casar com uma Cristã. Desde os primeiros tempos Deus ordenou: “eis que este povo habitará só, e entre as nações não será contado” (Números 23:9). Sua lei a Israel em relação aos cananeus era: “Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos” (Deuteronômio 7:3 e cf. Josué 23:12). Quanto mais, então, Deus deve requerer a separação daqueles que são o Seu povo por um laço espiritual e celestial daqueles que têm apenas uma relação carnal e terrena com Ele. “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos” (2 Coríntios 6:14) é a ordem de trombeta para os Seus santos nesta dispensação. Parceria de qualquer tipo de alguém que nasceu de novo com alguém que se encontra meramente em um estado natural é proibida aqui, como é evidente a partir dos termos utilizados no próximo verso — “companheirismo, comunhão, concórdia, parte, acordo”.

 

Há apenas duas famílias neste mundo: os filhos de Deus e os filhos do diabo (1 João 3:10). Se, então, uma filha de Deus se casa com um filho do maligno, ela se torna uma nora de Satanás! Se um filho de Deus se casa com uma filha de Satanás, ele se torna um genro do Diabo! Por um passo tão infame uma afinidade é formada entre alguém pertencente ao Altíssimo e alguém pertencente ao Seu arqui-inimigo. “Linguagem forte!”, sim, porém não muito forte. Oh, a desonra feita a Cristo por tal união; Ah, a amarga colheita da semeadura. Em todo caso, é o pobre Cristão que sofre. Leia as histórias inspiradas de Sansão, Salomão e Acabe, e veja o que se seguiu às suas alianças profanas em casamento. Assim como pode um atleta, que tendo ligado a si um peso pesado, esperar ganhar uma corrida, semelhantemente um Cristão pode esperar progredir espiritualmente ao se casar com um mundano.

 

Se algum leitor Cristão está inclinado ou espera tornar-se noivo, a primeira questão para ele ou ela refletir cuidadosamente na presença do Senhor é: “Essa união será com um incrédulo?”. Porque, se você estiver realmente consciente e o coração e a alma estão cientes da enorme diferença que Deus, em Sua graça, colocou entre você e aqueles que estão — embora sejam atraentes na carne — ainda em seus pecados, então você não deve ter dificuldade em rejeitar todas as sugestões e propostas de comunhão com os tais. Você é “a justiça de Deus” em Cristo, mas os incrédulos são “injustos”; você é “luz no Senhor”, mas eles são trevas; você foi trazido ao reino de Deus, mas os incrédulos estão sob o poder de Belial; você é um filho da paz, enquanto todos os incrédulos são “filhos da ira” (Efésios 2:3); portanto, “apartai-vos, diz o Senhor, e não toqueis nada imundo; e eu vos receberei” (2 Coríntios 6:17).

 

O perigo de formar essa aliança vem antes do casamento, ou mesmo do compromisso, e nenhum destes pode ser cogitado por qualquer Cristão verdadeiro a menos que a doçura da comunhão com o Senhor tenha sido perdida. As afeições devem primeiro ser retiradas de Cristo, antes que possamos encontrar prazer na intimidade social com aqueles que estão afastados de Deus, e cujos interesses se limitam a este mundo. O filho de Deus que está “guardando o seu coração com toda a diligência” não pode ter alegria em intimidades com os não-regenerados. Infelizmente, quão frequente a busca de aceitação de estreita amizade com os incrédulos é o primeiro passo para desviar-se de Cristo. O caminho para o qual o Cristão é chamado é de fato estreito, mas se ele tentar alargá-lo, ou deixá-lo por um caminho mais amplo, ele estará em oposição à Palavra de Deus, para o próprio dano e perda irreparáveis dele ou dela.

 

Em terceiro lugar, “casar... contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39) vai muito além de proibir que um incrédulo seja um companheiro. Mesmo entre os filhos de Deus há muitos que não seriam adequados um para o outro para tal vínculo. Um rosto bonito é uma atração, mas oh, quão vão é ser guiado por tal trivialidade em um assunto tão sério. Bens terrenos e posição social têm o seu valor aqui, mas quão miserável e degradante é deixá-los controlar um compromisso tão solene. Oh, que vigilância e espírito de oração são necessários para a regulação de nossas afeições! Quem entende perfeitamente o temperamento que será compatível com o meu? Quem será capaz de suportar pacientemente os meus defeitos, ser um corretivo para as minhas inclinações e uma ajuda real para o meu desejo de viver para Cristo neste mundo? Quantos dão um verdadeiro show a princípio, mas acabam miseravelmente. Quem pode me proteger de uma série de males que afligem os incautos, senão Deus meu Pai?

 

“A mulher virtuosa é a coroa do seu marido” (Provérbios 12:4): uma esposa piedosa e competente é a mais valiosa de todas as bênçãos temporais da parte de Deus: ela é o dom especial de Sua graça. “A mulher prudente vem do Senhor” (Provérbios 19:14), e Ele exige que ela deve ser definitiva e diligentemente buscada (veja Gênesis 24:12). Não é suficiente ter a aprovação dos fiéis amigos e pais, valioso e até mesmo necessário como isso (geralmente) é para a nossa felicidade; pois, embora eles estejam preocupados com nosso bem-estar, a sabedoria deles não é suficientemente abrangente. Aquele que designou a ordenança deve ter a preeminência se quisermos ter a Sua bênção sobre esta questão. Agora, a oração não se destina a ser um substituto para o bom desempenho das nossas responsabilidades; sempre somos exigidos de usar a cautela e discrição, e nunca devemos agir rápida e precipitadamente. O nosso melhor julgamento deve regular a nossa emoção: no corpo a cabeça é colocada acima do coração, e não o coração acima da cabeça!

 

“Quem encontra uma (verdadeira) esposa acha o bem, e alcança a benevolência do Senhor” (Provérbios 18:22): “acha” indica a conclusão de uma busca. Para nos dirigir nisso, o Espírito Santo deu duas regras ou qualificações. Em primeiro lugar: a piedade, porque a nossa companheira deve ser como a Esposa de Cristo, pura e santa. Em segundo lugar, adequação: “uma ajudadora que lhe seja idônea” (Gênesis 2:18), mostrando que uma mulher não pode ser uma “ajudadora” a menos que ela seja “idônea”, e para isso ela deve ter muito em comum com o seu companheiro. Se o seu esposo for um trabalhador, seria uma loucura que ele escolhesse uma mulher preguiçosa; se ele for um estudioso, uma mulher sem amor ao conhecimento seria bastante inadequada. O casamento é chamado de “jugo”, e dois não podem se unir se todo o fardo estiver somente sobre um — como seria se alguém fraco e débil fosse o parceiro escolhido.

 

Agora, para o benefício dos nossos leitores mais jovens, destacaremos algumas das evidências pelas quais um companheiro piedoso e adequado pode ser identificado. Em primeiro lugar, a reputação: um bom homem comumente tem um bom nome (Provérbios 22:1), ninguém pode acusá-lo de pecados grosseiros. Em segundo lugar, o semblante: a nossa aparência revela as nossas características, e, portanto, a Escritura fala de “olhares orgulhosos” e “olhares impudentes” — “O aspecto de seu rosto testifica contra eles” (Isaías 3:9). Em terceiro lugar, o discurso: “pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”, “O coração do sábio instrui a sua boca, e aumenta o ensino dos seus lábios” (Provérbios 16:23); “Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua” (Provérbios 31:26). Em quarto lugar, a aparência: uma mulher modesta é conhecida pela modéstia de seu vestuário. Se a roupa for vulgar ou pomposa, o coração é vão. Em quinto lugar, o companheirismo: pássaros do mesmo tipo de penas voam juntos — uma pessoa pode ser conhecida por suas associações.

 

Uma palavra de alerta, talvez, não completamente desnecessária. Não importa o quão cuidadosamente e com oração o parceiro seja escolhido, ele não encontrará o casamento como sendo uma coisa perfeita. Não que Deus não o fez perfeito, mas o homem caiu em pecado e desde então a queda maculou tudo. A maçã pode ser doce, mas há um bicho dentro dela. A rosa não perdeu a sua fragrância, mas espinhos crescem com ela. Querendo ou não, em todos os lugares, nós observamos a ruína trazida pelo pecado. Então, não vamos sonhar com aquelas pessoas sem defeitos que uma fantasia doentia pode imaginar e que podem romancistas retratar. Os homens e as mulheres mais piedosos têm as suas falhas; e embora isso seja fácil de suportar quando há amor verdadeiro, entretanto, eles precisam ser suportados.

 

Algumas breves observações agora sobre a vida comum do lar dos casados. Luz e ajuda serão obtidas aqui se for tido em mente que o casamento retrata a relação entre Cristo e Sua Igreja. Isso, então, envolve três coisas.

 

Primeiro, a atitude e as ações de marido e mulher devem ser reguladas pelo amor, pois esse é o laço essencial entre o Senhor Jesus e Sua Esposa: um amor santo, sacrificial e contínuo que nada pode romper. Não há nada como o amor para fazer as engrenagens da vida doméstica funcionarem sem problemas. O marido sustenta com a sua companheira a mesma relação que o Redentor para com os remidos, e, portanto, a exortação: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja” (Efésios 5:25): com um amor cordial e constante, sempre procurando o seu bem, ministrando às suas necessidades, protegendo-a e suprindo-a, suportando as suas fraquezas e assim: “dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus coerdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações” (1 Pedro 3:7).

 

Em segundo lugar, o papel do marido. “A cabeça da mulher é o homem” (1 Coríntios 11:3); “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja” (Efésios 5:23). A menos que esta nomeação divina seja devidamente obedecida, certamente haverá confusão. A família deve ter um líder, e Deus designou o marido como tal, tornando-o responsável pelo seu correto governo; e séria será a perda se ele fugir de seu dever e colocar as rédeas do governo sobre a sua esposa. Mas isso não significa que a Escritura lhe dá licença para ser um tirano doméstico, tratando a sua esposa como uma serva; o seu domínio deve ser exercido em amor para com aquela que é a sua coerdeira. “Igualmente vós, maridos, coabitai com elas” (1 Pedro 3:7), isto é, busquem a sua companhia depois que o trabalho do dia acabar. Essa ordem divina condena claramente aqueles que deixam as suas esposas e afastam-se do lar com o pretexto de um “chamado de Deus”.

 

Em terceiro lugar, a submissão da mulher. “Esposas sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor” (Efésios 5:22). Há apenas uma exceção a ser feita na aplicação desta regra, ou seja, quando ele ordena aquilo que Deus proíbe ou proíbe aquilo que Deus ordena. “Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos” (1 Pedro 3:5). Infelizmente, quão pouco deste “adorno” espiritual é evidente hoje! “Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto” (1 Pedro 3:6). O que caracteriza as filhas de Sara é a submissão voluntária e amorosa ao marido, por respeito à autoridade de Deus. Onde a mulher se recusa a se submeter ao seu marido, os filhos certamente desafiarão os seus pais — semeia-se o vento, colhe-se tempestades.

 

Nós temos espaço apenas para uma outra questão, a qual é profundamente importante para os jovens maridos atentarem: “Prepara de fora a tua obra, e aparelha-a no campo, e então edifica a tua casa” (Provérbios 24:27). O ponto aqui é que o marido não deve pensar em possuir a sua própria casa antes que ele possa pagar por ela. Como diz Matthew Henry: “Esta é uma regra da providência na gestão dos assuntos domésticos. Devemos preferir as necessidades aos luxos, e não esbanjar o que deve ser gasto para o sustento da família”. Infelizmente, nesta época degenerada tantos jovens casais querem começar de onde seus pais terminaram, e depois sentem que devem imitar seus vizinhos ateus em várias extravagâncias. Nunca entre em dívida ou compre no “sistema de crédito”: “A ninguém devais coisa alguma” (Romanos 13:8)!

 

E agora, uma palavra final sobre o nosso texto. “Venerado seja entre todos o matrimônio”; daqueles que são chamados para isso, nenhuma classe de pessoas é excluída. Isso claramente expõe a mentira do ensino pernicioso de Roma sobre o celibato do clero, como faz também 1 Timóteo, etc. “E o leito sem mácula” não significa apenas fidelidade ao voto matrimonial (1 Tessalonicenses 4:4), mas que o ato conjugal das relações sexuais não seja maculado: em seu estado não-caído Adão e Eva foram ordenados a “multiplicar”; ainda assim a moderação e sobriedade devem estar aqui, como em todas as coisas. Nós não cremos naquilo que é chamado de “controle de natalidade”, mas nós sinceramente exortamos o autocontrole, especialmente por parte do marido, “pois aos devassos e adúlteros, Deus os julgará”. Este é um aviso solene contra a infidelidade: aqueles que vivem e morrem de modo impenitente nestes pecados perecem eternamente (Efésios 5:5).

 

Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!

Solus Christus!
Soli Deo Gloria!

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