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Os Credos são Adequados para Batistas que Creem na Bíblia?, por Thomas Nettles

O esforço para extrair benefício positivo de confissões parece tão estranho para alguns hoje que dificilmente pode ser distinguido da palavra assustadora “credalismo”. Embora existam distinções históricas e práticos válidas entre o uso de declarações de fé como um credo e a sua utilização como uma confissão, estas distinções dificilmente se aplicam à fobia comum dos nossos dias tanto de “credos” quanto de confissões.

 

Objeções de Alguns Batistas aos Credos

 

O casamento dos Batistas com a teologia confessional tem sido levado muitas vezes ao tribunal de divórcio. Agora Batistas ferozes e rigorosos estão alegando ter sido ofendidos tão completamente que uma separação total é necessária para a sobrevivência. Outros afirmam que o casamento nunca aconteceu. O historiador Batista Thomas Armitage expressou claramente uma forma de pensar sobre credos.

 

Este livro chamado a Bíblia é dado por inspiração de Deus e é a única regra de fé e prática cristã. A consequência disso é que não temos credos, nem catecismos e nem decretos que nos unem por sua autoridade. Cremos que um credo não vale nada, a menos que seja fundamentado pela autoridade bíblica, e se o credo é fundado sobre a Palavra de Deus, não vejo por que não devamos descansar sobre essa Palavra que sustenta o credo; nós preferimos voltar diretamente para a própria fundação e descansar lá somente. Se ela é capaz de nos sustentar, não precisamos de mais nada, e se não for, então não podemos descansar sobre um credo que nos fundamente quando esta crença não tem fundamento para si mesma.[1]

 

O prefácio de Baptist Faith and Message [Fé e Mensagem Batista], de 1963, afirma que seus escritores agem segundo o princípio de uma “aversão Batista por todos os credos, exceto a Bíblia”. E, é claro, há a questão exclamatória de John Leland: “Por que essa Virgem Maria entre as almas dos homens e as escrituras?”, seguida de uma declaração que contém uma outra suspeita quanto às confissões: “Confissões de fé, muitas vezes, não demandam nenhuma outra busca pela verdade”.[2] A união dos Batistas Independentes e Regulares em Virginia foi prejudicada brevemente porque os Independentes “temiam que uma confissão pudesse usurpar um poder tirânico sobre a consciência”.[3] Além disso, a prática Anglicana da concessão de confirmação baseada na memorização do catecismo do Livro de Oração tendeu a fazer do “credalismo” um sinônimo eficaz para o cristianismo nominal.[4]

 

Em resumo, quatro objeções ao uso sério de confissões ou credos têm surgido historicamente e continuam a surgir hoje. Em primeiro lugar, no espírito de Thomas Armitage, muitos sinceramente exortam em oposição às confissões devido ao princípio do Sola Scriptura. Em segundo lugar, alguns argumentam que o uso de confissões dará uma falsa confiança de que a verdade da Escritura se esgota na confissão e, assim, inibe o verdadeiro crescimento no conhecimento das Escrituras. Uma pessoa sentirá que o conhecimento da confissão é suficiente e, consequentemente, irá afastar-se da dinâmica da viva Palavra de Deus. Em terceiro lugar, uma confissão pode ser usada como forma de reprimir a busca genuína pela verdade, oferecer respostas artificiais a perguntas e ameaçar aqueles que estão em uma fase de inquérito, tiranizando, assim, a tenra consciência de crentes. Em quarto lugar, a aceitação mental das doutrinas da confissão serviu muitas vezes como um substituto para a verdadeira conversão e levou à uma ortodoxia morta.

 

Objeções Consideradas em Geral

 

A administração de nossa herança espiritual exige que essas quatro áreas de preocupação sejam abordadas com sinceridade e seriedade, pois elas não têm surgido em um vácuo. Qualquer uso de confissões que, de fato, usurpam o lugar da Escritura deve ser rejeitado, ou pelo menos corrigido, e isso imediatamente. Além disso, nenhum lugar deve ser dado a uma confissão para que ela sirva como uma síntese exaustiva da verdade bíblica. Sempre devemos confessar: “Deus ainda tem mais luz para revelar através de Sua santíssima Palavra”. Nem o ideal confessional deve ser autorizado para tiranizar a consciência de qualquer pessoa. Um uso sensível e equilibrado para a instrução e disciplina não precisa frustrar o inquérito sério ou reprimir a consciência de ninguém. Finalmente, quaisquer efeitos deletérios que o confessionalismo teria sobre a compreensão da verdadeira natureza da fé salvífica ou da necessidade absoluta do novo nascimento devem ser muito lamentados e escrupulosamente evitados. Alguns dos que estão convencidos do poder e clareza do Evangelho apontam para manifestações históricas, como prova dessas tendências no uso de confissões. Elas devem demonstrar que o que eles temem é mais o fruto do não-confessionalismo do que do confessionalismo.

 

Em segundo lugar, alegamos que os Batistas sempre reconheceram e evitaram esses perigos. Desde que estes são abusos, eles não devem ser considerados inerentemente essenciais à verdadeira força das confissões. A maioria deles surgem a partir do uso de confissões numa situação de establishmentarian.[5] A união entre a Igreja e Estado traz muito mais males à igreja do que apenas o abuso de confissões. O abuso das Escrituras, o abuso da lei, o abuso do estado, o abuso da igreja e o abuso do sistema penal todos resultam de establishmentarian. No entanto, o abuso não exige a eliminação de qualquer dessas instituições, mas exige sua purificação do constrangimento pecaminoso da união igreja/estado. Esta realidade histórica explica a anedota de John Leland: “Às vezes, é dito que os hereges são sempre avessos às confissões de fé. Eu gostaria de poder dizer o mesmo a respeito dos tiranos”.[6]

 

A terceira observação geral sobre estas objeções aponta para a tendência que temos de investir poder em qualquer auxílio de estudo ou figura de autoridade. O desenvolvimento da doutrina da infalibilidade papal mostra o quão longe este abuso chegar. Em uma escala mais reduzida, porém de acordo com o mesmo princípio, pode-se observar professores de Escola Dominical colocando uma maior confiança na palavra dos professores que são responsáveis pelas lições do trimestre do que na clareza da Palavra de Deus. Porém, nenhum desses abusos significa que devemos evitar a submissão bíblica a um ministro que é apto a ensinar ou que devemos rejeitar a ajuda de comentários para a compreensão das Escrituras.

 

Objeções Examinadas em Particular

 

Contra o Sola Scriptura?

 

Agora, precisamos perguntar: “O uso consciente de uma Confissão de Fé usurpa o lugar legítimo da Escritura na fé e prática de alguém?”. Se a confissão for como os artigos do Concílio de Trento, teríamos de dizer: “Sim”. O Concílio de Trento coloca a tradição não escrita ao lado da Escritura como uma autoridade e afirma que somente a igreja (o Papa) tem o direito de interpretar as Escrituras. Mas as Confissões Protestantes têm quase sempre apresentado e defendido a autoridade única da Escritura e têm resistido às tentativas de estabelecer doutrinas em qualquer sentido, exceto por autoridade bíblica. Citações bíblicas e provas escriturísticas incentivam o leitor a examinar as afirmações da confissão à luz dos textos bíblicos.

 

Além disso, o contexto histórico dessas confissões nos lembra que seus subscritores, acima de todos os homens, não tinham nenhum desejo de produzir algo que pudesse esconder a Palavra de Deus dos olhos das pessoas. Por exemplo, uma leitura da Confissão das Igrejas Reformadas da França mostra esta submissa consideração aos limites estabelecidos pela Escritura regulando a composição da Confissão. Depois de afirmar a doutrina da Trindade como “decidida por concílios antigos”, a Confissão continua, “nós recebemos e concordamos com tudo que neles foi resolvido, como sendo extraído a partir das Sagradas Escrituras, no que unicamente a nossa fé deve ser fundamentada, pois não existe nenhuma outra testemunha adequada e competente para decidir o que é a majestade de Deus, senão o próprio Deus”. As duas naturezas de Cristo demandam a nossa aprovação porque “temos o Antigo e o Novo Testamentos como única regra de nossa fé, por isso, recebemos tudo o que está de acordo com eles”. As orações aos mortos são rejeitadas porque rebaixam a morte de Cristo e “resolvemos ser suficiente afirmá-lo, pela pura doutrina da Sagrada Escritura, a qual não faz qualquer menção disso”. O culto a Deus deve ser feito de forma simples, pois não estamos autorizados a “seguir o que pode ter sido concebido no cérebro de outros homens, mas nos limitamos simplesmente à pureza das Escrituras”. Seguir as tradições humanas produz tal perversidade da doutrina e prática “que estamos muito determinados a não ultrapassarmos os limites da Escritura”. A época da Reforma produziu muitas confissões; isso também indica um compromisso profundo, puro e apaixonado pela autoridade única das Escrituras.

 

A objeção às confissões, com base em sua tendência a substituir a Escritura me parece ser uma quimera. Isso combina perigos fictícios com as piores características de uma comunhão cristã que confessadamente não opera com base no Sola Scriptura. Na realidade, a história demonstra que aqueles que valorizam suas confissões também dão a mais intensa atenção à Escritura e têm o maior respeito pela pureza e consistência de suas doutrinas. A perda de confiança na infalibilidade e consistência da Bíblia produz naturalmente uma atitude cética em relação às confissões de fé.

 

Um exemplo radical dessa tendência pode ser visto na convicção de Edward Farley, que devemos “nos recusar a fazer de qualquer coisa humana e histórica um absoluto atemporal, estando acima do fluxo dos contextos e situações”. E qual exemplo ele nos oferece daquilo que é “humano e histórico?” “Alguém se recusa a dar esta caraterística de atemporal e incondicional a uma denominação, às próprias confissões, à própria herança e até mesmo para a própria Escritura”. Posteriormente, Farley nos informa que “Deus pode estar operando salvificamente através das comunidades de outras crenças religiosas, que o budismo, o hinduísmo, o judaísmo e religiões nativas americanas são crenças verdadeiras e que porque elas o são, nós podemos aprender com elas, mesmo tanto quanto elas poderiam aprender conosco”.[7]

 

Se Farley é a voz profética para o anticonfessionalismo, devemos ver claramente que a sua força motriz é a perda de qualquer crença no conhecimento humano de absolutos. Não somente a confissão deve cair, a Sagrada Escritura deve cair, e eventualmente, qualquer exigência da singularidade da redenção por Cristo crucificado deve ser chamada de arrogante e intolerante. Parece-me que a mentalidade do não-confessionalismo é muito mais perigosa e destrutiva do que a do confessionalismo jamais foi.

 

Conhecimento Exaustivo Assumido?

 

“Confissões de fé, muitas vezes, não demandam nenhuma outra busca pela verdade”. Eu sempre desejei poder perguntar a John Leland pessoalmente o que ele quis dizer com isso. Ele poderia dizer, como já indicado acima, que alguns tratam uma confissão de fé como uma amostra exaustiva da verdade bíblica. Ou talvez ele intencione dizer que a verdade nesta forma “pré-digerida” incentiva uma confiança preguiçosa ou artificial que as pessoas temem transgredir, em ambos os casos isso desencoraja as tentativas sérias de estudo bíblico e exclui a compreensão de argumentos bíblicos de outros. Quando os Batistas foram perseguidos na Virgínia e em Massachusetts, eles eram frequentemente perseguidos com base em violações dos Trinta e Nove Artigos da Igreja Anglicana ou da Declaração de Savoy adotada pelos Congregacionais e não receberam um julgamento justo caso em que poderiam fazer uma defesa de seus princípios bíblicos. Este tipo de confessionalismo acrítico e antibíblico poderia facilmente estar por trás das críticas de Leland.

 

Apesar de ser sensível a este abuso, devemos, contudo, afirmar que as vantagens superam em muito esse possível uso lamentável das confissões. Em sua busca pela verdade, Thomas Scott ao examinar os Trinta e Nove Artigos foi desafiado a uma busca incessante da Escritura que o levou das heresias clássicas do Socinianismo e Arianismo para a doutrina ortodoxa sobre Cristo. Eventualmente, os ensinamentos da Reforma sobre a justificação pela fé e as doutrinas da graça se tornaram uma parte integrante da sua teologia.[8] Nenhuma defesa eloquente do princípio do Sola Scriptura e do poder expansivo de estudo bíblico pode ser afirmada mais do que a de Scott.[9] No entanto, isso não envolveu qualquer difamação das confissões, mas exemplificou o benefício positivo delas.

 

Em vez de dificultar a compreensão da verdade por parte de alguém, as confissões e credos são projetados para expandi-la. As confissões, enquanto surgem do entrosamento entre palavra e a experiência, previnem o leitor de interpretações destrutivas da Escritura e lhe ensinam as verdades vitais, as quais ele deve examinar segundo as Escrituras.

 

Violação da Consciência?

 

A terceira objeção, a alegação de que as confissões tiranizam a consciência, sofre de uma mistura acrítica da teoria política e eclesiologia. J. P. Boyce se refere a esta tendência em Three Changes in Theological Institutions [Três Mudanças em Instituições Teológicas]. Ele observou que outras denominações acham que os Batistas não têm usado credos porque o princípio da liberdade de consciência “proibiu a imposição de sanções civis sobre aqueles que têm divergido de nós”. Na verdade, muitos Batistas aceitam esta opinião e deturpam a prática Batista. Boyce diz: “É suficiente dizer que temos simplesmente sustentado que as sanções civis não são os meios de punir os membros da igreja de Cristo que cometem alguma ofensa”, e: “As ideias que temos sustentado sobre a natureza espiritual do reino de Cristo têm desenvolvido o princípio da liberdade de consciência e nos impedem de infligir punição corporal ou a sujeição a qualquer sanção civil”. Nós, igualmente, devemos reconhecer que a espiritualidade da igreja demanda de nós a “necessidade de excluir aqueles que abandonaram a simplicidade que há em Cristo”.[10]

 

A queixa de que os credos constituem uma violação aos direitos da consciência foi uma das peculiaridades de Alexander Campbell. A lógica disso foi rejeitada por Robert Semple, da Virgínia, que chamou esse ponto de vista, entre outros, de “contrário ao dos Batistas em geral”. Um dos pontos de discordância listado pelas associações Batistas que excomungaram os seguidores de Campbell foi a alegação destes de “que nenhum credo é necessário para a Igreja, exceto as Escrituras como elas estão”.[11] Os Batistas certamente não estavam negando a suficiência das Escrituras e nem a necessidade de liberdade de consciência, mas viram claramente que não há inconsistência entre essas convicções e o uso de um “credo”.

 

Uma confissão usada corretamente é uma ajuda pedagógica maravilhosa para todos os crentes. A subscrição a ela não precisa ser imediata, mas pode vir gradualmente. Alguns podem ser muito jovens na fé para compreender suas conexões e importância. Ninguém, no entanto, deve opor-se à confissão. Se depois de estudo maduro e completo uma pessoa concluir que ele não subscreve a confissão, ela deve determinar se o assunto é adiaforístico[12] para si ou uma questão de consciência. Se é questão de consciência, ele pode sair sem que qualquer um busque forçá-lo a fazer o contrário. Desta forma, a sua consciência não é tiranizada e a unidade da igreja não é violada. Uma postura confessional para uma igreja não implica nem em divisão e nem tirania. Em vez disso, ela honra, informa e protege a consciência de todos e auxilia na produção da unidade.

 

Regeneração Confessional?

 

A identificação da ortodoxia confessional com o verdadeiro Cristianismo é, talvez, o perigo mais sutil e historicamente demonstrável do Cristianismo confessional. O período do confessionalismo Luterano no século XVII produziu lutas e contendas na teologia alemã, mas pouca piedade observável. Philip Jacob Spener lamentou esta condição e falou de pregadores que “tendo aprendido alguma coisa da letra das Escrituras, compreenderam e concordaram com a doutrina verdadeira, e, inclusive, sabiam como pregar a outros”, mas não eram pessoalmente familiarizados com a “verdadeira luz celeste e a vida de fé”.[13] Spener afirmava as Confissões Luteranas e declarou a sua teologia em termos confessionais. Ele começou os principais erros do movimento Pietista, no entanto, estes foram desenvolvidos a partir do entusiasmo não-confessional de seus seguidores.

 

O Congregacionalismo da Nova Inglaterra murchou sob o uso errado da ortodoxia confessional. Este abuso tornou-se institucionalizado no Pacto do Meio-termo de 1662 [Halfway Covenant of 1662]. Quando os Batistas independentes surgiram do movimento Congregacional New Light [Nova Luz] no Primeiro Grande Avivamento, eles tinham um medo legítimo do abuso das confissões. Este temor por um tempo impediu a união dos Batistas Independentes com os Batistas Regulares. Os independentes expressaram resistência a “serem obrigados e dificultados pelos artigos e Confissões”. Eventualmente, a união ocorreu com base em confissões de fé comum.

 

No entanto, a aceitação de confissões, não significa incentivar a perda de uma teologia sobre a conversão. Quem eram mais insistentes sobre o novo nascimento em sua pregação do que George Whitefield e Jonathan Edwards? Ambos eram confessionais. Ninguém jamais produziu uma obra teológica mais experimental e de apelo à conversão do que Edwards, em: “A Divine and Supernatural Light, Immediately imparted to the Soul by the Spirit of God, Shown to be both a Scriptural and Rational Doctrine” [Uma Luz Divina e Sobrenatural, imediatamente comunicada à Alma pelo Espírito de Deus, Demonstrada ser tanto uma Doutrina Bíblica quanto Racional]. Ao falar sobre a soberana e imediata obra de Deus na regeneração, Edwards conclui: “Sim, o menor vislumbre da glória de Deus na face de Cristo eleva e enobrece mais a alma do que todo o conhecimento daqueles que têm a maior compreensão especulativa sobre a teologia, mas que não possuem a graça”.[14]

 

Edwards destaca a distinção entre conhecimento especulativo e a verdadeira graça de forma brilhante em seu sermão “True Grace Distinguished from the Experience of Devils” [A Verdadeira Graça Distinguida da Experiência dos Demônios], onde ele diz que “nenhum grau de conhecimento especulativo da religião é qualquer sinal seguro da verdadeira piedade”. E, novamente: “O diabo é ortodoxo em sua fé; ele crê no verdadeiro padrão doutrinário; ele não é deísta, sociniano, ariano, pelagiano ou antinomiano; os artigos de sua fé são todos sãos, e neles ele está completamente firmado”.[15] Estes fatos em si, no entanto, não tornam o Cristianismo confessional mais perigoso do que o Deísmo, Socinianismo ou Arianismo o tornam seguro. A questão é que o novo nascimento é essencial em qualquer caso, e nada, mesmo outras coisas dadas por Deus, pode substituí-lo.

 

Conclusão

 

Nenhuma das objeções à teologia confessional são consistentes. Ou elas são feitas contra abusos ou surgem de um ceticismo latente, ou, muitas vezes, evidente. Os abusos devem ser evitados e o ceticismo deve ser confrontado. As confissões têm uma contribuição positiva e edificante na vida da Igreja e do Cristão individual.

 

 


[1] Thomas Armitage, “Baptist Faith and Practice” [Fé e Prática Batista], em C. A. Jenkyns, Ed. Baptist Doctrines [Doutrinas Batistas] (Chancy R. Barns: St. Louis, 1882), p. 34.

[2] Citado em The Unfettered Word [O Mundo Liberto], ed. Robison James (Waco: Word Books, 1987), p. 139. Esta obra é citada no prefácio de um artigo intitulado “Creedalism, Confessionalism, and the Baptist Faith and Message” [Credalismo, Confessionalismo e a Fé e Mensagem Batista]. Eu escrevi para este livro. O editor procura apresentar um exemplo das “inclinações não confessionais de Batistas do Sul”. Algumas dessas preocupações são abordadas neste artigo. Com a permissão do editor, Robison B. James, espero publicar uma versão ligeiramente editada desse artigo na próxima edição de The Founders Journal.

[3] Robert A. Baker, A Baptist Sourcebook [Um Manual Batista] (Nashville: Broadman Press, 1966), p. 22.

[4] O Livro de Oração Comum afirma:

Tão logo filhos cheguem à uma idade em que se tornem capazes, e possam recitar em sua língua nativa o Credo, a Oração do Senhor e os Dez Mandamentos; e também possam responder às outras questões desse breve Catecismo; eles serão levados ao Bispo. E cada um terá um padrinho ou uma madrinha, como um testemunho da sua confirmação.

[5] *Termo que denota o princípio de uma igreja ser reconhecido oficialmente como uma instituição nacional (Nota de tradução).

[6] [5] James, p. 139.

[7] Edward Farley, “The Modernist Element in Protestantism” [O Elemento Modernista no Protestantismo], em Theology Today [Teologia Hoje] XLVII. no. 2, pp. 141, 143. Farley é professor de Teologia da Vanderbilt University Divinity School. Duas das principais questões do artigo de Farley são a “revisibilidade de confissões” e a “abordagem histórica” da Escritura. Ele gostaria de ver muitos mais temas modernistas inseridos nas confissões presbiterianas e parece modestamente concordar com a Confissão de 1967 por causa de seu reconhecimento de que as Escrituras permanecem “não obstante as palavras de homens” e são condicionadas pela linguagem, formas de pensamento e estilos literários das diferentes culturas e circunstâncias históricas. É óbvio que ele reconhece que o forte confessionalismo tende a retardar o progresso dos conceitos relativistas em relação à Escritura.

[8] Veja Thomas Scott, The Force of Truth [A Força da Verdade]. A edição que tenho usado também contém os seus sermões “Growth in Grace” [Crescimento em Graça] “Repentance” [Arrependimento] e “Election and Perseverance” [Eleição e Perseverança] (Halifax: William Milner, 1844). pp 7-98. O livro foi publicado pela primeira vez em 1779. No prefácio à nona edição publicada em 1812, Scott escreveu: “[o autor] está mais do que nunca mui plenamente confirmado em seu julgamento sobre a doutrina contida neste”. O relato de Scott sobre a interação entre a sua leitura da literatura evangélica, sua contemplação do credo da igreja e seu estudo bíblico pessoal formam um dos estudos mais interessantes de peregrinação teológica com o qual estou familiarizado. Ele confessa que a doutrina da Trindade, que fala de pessoas co-iguais na unidade da Divindade não estava em nenhuma parte de seu credo e que ele tinha “disputado com os artigos da igreja estabelecida sobre esta doutrina” (p. 53). O testemunho universal dos credos, no entanto, além da leitura de literatura contemporânea o constrangeram à análise cuidadosa e intensa meditação sobre as Escrituras, o que acabou levando-o a adotar a doutrina de uma “Trindade na Unidade”. Da mesma forma, a sua luta em relação às doutrinas da graça envolveu a mesma dinâmica. Scott lembra:

Até agora, eu tinha intencionalmente preterido e negligenciado, ou me esforçado para conceber alguma outra compreensão sobre todas as partes da Escritura que falam diretamente disso, mas agora eu comecei a considerar, meditar e orar a respeito; e eu logo descobri que não poderia sustentar as minhas antigas interpretações. Elas ensinaram a predestinação, eleição e perseverança final, apesar de toda a minha luta e exposição. Também me ocorreu que essas doutrinas, apesar de agora se encontrarem em declínio, foram universalmente cridas e confirmadas por nossos veneráveis reformadores; foram admitidas no início da reforma pelos credos, catecismos ou artigos de cada uma das igrejas protestantes; que os nossos artigos e homilias expressamente as sustentam; e, por conseguinte, que um grande número de homens sábios e sóbrios... por meio de deliberação madura, concordaram... que elas eram verdadeiros... úteis, [e]... necessários artigos de fé (p. 60).

[9] Ibid., pp. 80-86. Em um ponto Scott diz: “Nós também somos muito propensos, ao nos beneficiarmos do trabalho de críticos e expositores, a renunciar implicitamente à orientação deles e imaginar que temos a prova suficiente de nossas doutrinas, se pudermos produzir a chancela de algum grande nome que as tenha recebido e afirmado, sem examinar cuidadosamente se elas são corretas ou erradas; mas isso é prestar honra à interpretação humana, a qual é devida apenas ao Livro de Deus, sobre o qual os comentários são feitos”.

[10] J. P. Boyce, “Three Changes in Theological Institutions” [Três Mudanças em Instituições Teológicas], em Timothy George, ed. James Petigru Boyce: Selected Writings [James Petigru Boyce: Obras Selecionadas] (Nashville: Broadman Press, 1989) pp. 55, 56.

[11] Baker, Sourcebook [Manual], p. 78.

[12] Adiaforístico: refere-se às coisas que são moralmente indiferentes (Nota de tradução).

[13] Philip Jacob Spener, Pia Desideria (Philadelphia: Fortress Press, 1964) trad. Theodore G. Tappert, p. 46.

[14] Jonathan Edwards, “A Divine and Supernatural Light” [Uma Luz Divina e Sobrenatural], em The Works of Jonathan Edwards [As Obras de Jonathan Edwards], 2:17. Itálicos meus.

[15] Edwards, p. 43.

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