Textos

O Princípio Regulador do Culto é uma Doutrina Bíblica, por Jeff Robinson

Em meu artigo anterior, eu argumentei que o princípio regulador do culto é uma doutrina Batista. Mas qualquer Batista digno fará a pergunta mais importante: Essa é uma doutrina bíblica?

 

Quero argumentar que essa é verdadeiramente uma doutrina bíblica e fazer uma breve defesa bíblica. Como eu procurei mostrar da última vez, as confissões Batistas a têm articulado e muitas pessoas notáveis da tradição Batista já a afirmaram zelosamente.

 

Certamente, não há um único texto que pode ser buscado ​​que diga: “Você só deve usar no culto público os elementos ensinados por preceito ou exemplo da Escritura”. Mas se você tomar o testemunho geral da Escritura a respeito de como Deus quer ser adorado, eu creio que um fundamento forte é estabelecido.

 

Tais passagens incluem:

 

• Os Primeiros Quatro Mandamentos encontrados em Êxodo 20:3-4, 7-8. Todos lidam, em grande parte, com o culto. Isso nos informa que o culto a Deus é uma questão primordial, que Deus lida com isso seriamente. Portanto, devemos tratá-lo com o máximo cuidado. Não deve haver lugar para culto irreverente ou descuidado entre o povo de Deus.

 

• Os detalhes dados por Deus na construção dos móveis e vestes de culto em Êxodo 25-30. Em Êxodo 30:33,38, Deus promete a pena de morte para o mau uso do óleo de unção e do incenso. A partir disso, transparece que Deus é meticuloso na forma como Ele deve ser adorado.

 

• O alerta aos israelitas em Deuteronômio 12:30-32 para não formarem as suas ideias sobre o culto a partir do mundo ao seu redor, mas apenas a partir da revelação de Deus. Este comando é relevante para a igreja hoje por muitas razões óbvias. É certamente assombrosa a carência de apelo aos perdidos e que a igreja que negligencia a Grande Comissão está desobedecendo a ordem clara das Escrituras. Mas, devemos lembrar do sábio: com aquilo que você os ganha, é para o quê você os ganha.[1] O mesmo princípio aplica-se ao culto.

 

• A morte de Nadabe e Abiú, em Levítico 10:1-3. Deus os feriu mortalmente por oferecerem “fogo estranho” ao Senhor. Isso ilustra a seriedade com que Deus lida com o culto de Si mesmo.

 

• A desobediência de Saul em oferecer os sacrifícios que Samuel deveria ter oferecido em 1 Samuel 10:8 e 13:8-13.

 

• A morte de Uzá por tocar a Arca da Aliança, em 2 Samuel 6: 3-8. Alguém pode fazer uma objeção a esse texto, dizendo: “Mas o motivo de Uzá era puro. Deus deveria ter feito outra coisa”. Certamente, o motivo de Úza pode ser assumida a ser puro de evitar que a Arca caísse de uma carroça, mas Deus o feriu por sua irreverência. Isso parece ir contra o argumento de alguns líderes de louvor contemporâneas que dizem que a atitude de um adorador, e não como ele adora, importa para Deus. Sem dúvida, a nossa atitude e postura diante de Deus são vitais, mas Deus exige a ser adorado em espírito, bem como em verdade (João 4:24).

 

• A lepra do rei Uzias por oferecer incenso em 2 Crônicas 26:18-21. Quando somente os sacerdotes eram autorizados a oferecer incenso por decreto divino. O culto errado de Uzias provocou o julgamento imediato de Deus.

 

• O pecado do rei Acaz por substituir o altar de culto em 2 Reis 16:10-16. Deus não ordenou que ele fizesse isso.

 

• A rejeição de Jesus do culto dos fariseus em Marcos 7:6-7. Cristo disse que eles adoravam em vão, porque as suas doutrinas de culto eram preceitos de homens.

 

Uma série de perguntas muitas vezes surge quando se discute essa doutrina hoje: Isso significa que só podemos usar estilos musicais tradicionais? Isso desqualifica o uso de instrumentos musicais? Isso não é colocar uma camisa de força na adoração?

 

Com certeza, essas são perguntas excelentes, mas acho que elas perdem de vista a essência do princípio regulador do culto. O princípio regulador apenas expressa a verdade importante de que Deus é perfeito e sabe melhor como Ele deve ser adorado. Uma vez que isso é verdadeiro, Ele o revelou a nós, nas Escrituras, o modo como deve ser adorado. Penso que a melhor pergunta seja a seguinte: De que outra forma poderíamos saber a melhor maneira de servir a Deus, do que confiando em sua própria Palavra revelada? Eu acho que Hebreus 12:28 fica no centro da questão, chamando a Deus de um fogo consumidor, que deve ser adorado “em reverência e temor”.

 

Assim, o princípio regulador pode ser melhor visto como os marcos que Deus graciosamente estabeleceu como limites para o culto que é centrado nEle mesmo. Assim, não é limitante, mas agradável. As histórias de Uzá, Uzias e de outros no Antigo Testamento (e Ananias e Safira no Novo Testamento) certamente atestam a natureza amorosa da revelação de Deus sobre esta questão central.

 

Há uma liberdade significativa aqui no que diz respeito a questões como estilo, instrumentos, dentre outros. Os Batistas Particulares e outros Puritanos do período pós-Reforma se referiram a estas realidades como as circunstâncias de culto: o tempo de reunião no Dia do Senhor, se teriam ou não escola dominical como parte da vida da igreja, etc. Eles distinguiram as circunstâncias, que devem ser regidas pela sabedoria santificada e a luz da natureza, dos elementos de culto, os quais a Escritura regula. Os dois são frequentemente confundidos hoje quando o princípio regulador é discutido.

 

Assim, o princípio regulador guarda os santos de Deus de se desviarem para longe da verdade e de mergulharem no que os Puritanos chamavam de pecado da “culto da vontade”. O princípio regulador faz tal pergunta como: “A nossa adoração é centrada em Deus?”, “As letras de nossas músicas ensinam fielmente as verdades da Escritura?”, “Será que nosso foco de adoração é Deus e não nós mesmos?”, “Todos os elementos contidos no nosso culto de adoração são fundamentados na Palavra de Deus?” e “Será que nós buscamos glorificar a Deus?”.

 

Se os Batistas e outros evangélicos recuperassem esta verdade bíblica e a praticassem conscientemente, cuidadosamente, com alegria, de modo cativante e com diligência uma grande paz viria àquelas batalhas terríveis dentro de nossas igrejas que têm sido (infelizmente) chamadas de “guerras sobre o culto”?

 

 

[1] Ou seja, se a igreja ganha uma alma com um procedimento não-bíblico, ela também a ganhará para que ele desempenhe um procedimento não-bíblico – N.T.
 

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