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Fundamento Bíblico Para Credos, Confissões e Declarações de Fé, por Jon English Lee

Existe um argumento bíblico para a existência e uso de credos, confissões e declarações de fé pela Igreja? Ou seja, por que uma igreja tem autoridade para exigir de seus membros a subscrição de um documento derivado da Bíblia? Para responder a essa pergunta destacarei vários pressupostos subjacentes e as implicações do Novo Testamento que se referem aos falsos mestres e o uso adequado da doutrina.

 

• A autoridade das Escrituras não é o que os falsos mestres muitas vezes negam.

 

Nas epístolas pastorais de Paulo não vemos quaisquer falsos mestres que debatem com Paulo sobre a autoridade das Escrituras. Em vez disso, a autoridade das Escrituras é assumida por ambas as partes. No entanto, Paulo deixa claro que por confessarem interpretações inválidas, esses falsos mestres se desviaram da fé da Bíblia (por exemplo, 1 Timóteo 1:19-20; 4:1-3; 2 Timóteo 2:15-18).

 

• Paulo assume que existem falsas interpretações das Escrituras.

 

Relacionado com o ponto anterior, Paulo assume que há interpretações válidas e inválidas da Escritura. Nós devemos buscar “manejar bem” a Bíblia (2 Timóteo 2:15), e evitar conduzir pessoas a “mais impiedade” por perverter a Escritura de uma forma antibíblica (2 Timóteo 2:16). Existem maneiras certas e erradas de ler a Escritura, o que é uma reivindicação que muitos pós-modernos sensíveis achariam ser desagradável.

 

• Confissões ajudam a esclarecer a verdade bíblica afirmando e negando a validade de várias interpretações das Escrituras.

 

As confissões ajudam as igrejas a ensinarem os seus membros a identificar e evitar essas interpretações inválidas sobre as quais Paulo advertiu seus leitores. Por exemplo, Paulo exorta a igreja em Tessalônica: “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Tessalonicenses 2:15). Paulo deu-lhes uma estrutura interpretativa teológica e um corpo de doutrina sob a forma de sua tradição escrita e falada.

 

Os falsos mestres são astutos e ardilosos; eles usarão a linguagem bíblica de formas criativas para minarem a própria verdade que eles dizem defender. As confissões admitem a sabedoria coletiva da igreja ao longo da história sendo usada para edificar os santos com a verdade bíblica, para expor o falso ensino e para proteger contra a heresia.

 

• Confessar a fé com um resumo da doutrina bíblica segue o exemplo bíblico.

 

Várias passagens das Escrituras nos oferecem exemplos de resumos confessionais da igreja primitiva que foram criados para esclarecer interpretações válidas e inválidas da verdade bíblica. Como D. Matthew Allen escreve:

 

Em 1 Coríntios 15:3-5, Paulo declarou: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze”. Em 1 Timóteo 3:16, ele escreveu: “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória”. Estas são declarações de credos iniciais. Fragmentados de credos também são encontrados em Filipenses 2:6-11, 1 Pedro 3:18 e 1 João 2:22, 5:1, entre outras passagens. O autor de Hebreus nos instrui a “reter firmemente a nossa confissão” e “a confissão da nossa esperança” (Hebreus 4:14, 10:23; 3:1).

 

Assim, vemos que ter uma confissão de fé ajuda a esclarecer quais interpretações das Escrituras são válidas e inválidas com base no conjunto de sabedoria encontrado na história da igreja. Ter credos e confissões também segue vários exemplos que encontramos nas Escrituras. As confissões capacitam as congregações para catequizarem-se e, ao mesmo tempo, fornecem uma apologética contra os falsos ensinamentos.

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