Textos

Algumas Implicações Práticas do Calvinismo, por Tom Hicks

A doutrina Calvinista do soberano governo de Deus acima de todas as coisas está longe de ser um ensino abstrato com pouco, se algum, efeito nas vidas de crentes comuns. Em vez disso, o Calvinismo tem muitas implicações práticas. Embora eles não possam seguir automaticamente por simplesmente adotarem a doutrina Calvinista, eles seguem naturalmente quando o Calvinismo é verdadeiramente crido e recebido pelo coração. Essa lista não pretende sugerir que aqueles que não são Calvinistas negam algumas dessas verdades, mas que o Calvinismo certamente as implica.
 

1. O Calvinismo nos dá confiança na suficiência da Bíblia. Deus salva o Seu povo eleito por meio da Palavra de Cristo (1 Coríntios 1:18). Isso significa que os pregadores não precisam usar inovação para persuadir ninguém sobre o Evangelho. A salvação das almas depende do Evangelho, pregado fielmente e aplicado eficazmente por meio do Espírito Santo, não pela criatividade ou habilidade do pregador. Essa implicação é maravilhosamente libertadora para aquele que prega.
 

Se nós pregarmos o Evangelho e as pessoas não crerem na mensagem, então saberemos que não é por causa de algum problema com o Evangelho. É porque Deus salva quem Ele escolhe, pelos meios que Ele designou. A Escritura diz: “Nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios, mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1:23-24).
 

2. O Calvinismo ajuda a acalmar nossas ansiedades. A Bíblia ensina que Deus “faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade” (Efésios 1:11) e “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito” (Romanos 8:28). As pessoas geralmente se sentem ansiosas ou ficam com medo porque elas estão tentando controlar coisas que estão fora de seu controle (Lucas 12:25).
 

Mas a Palavra ensina que Deus faz todas as coisas para o bem daqueles que são escolhidos por Ele, o que significa que não temos nenhuma razão para ficar ansiosos. Podemos confiar que tudo o que viermos a passar é o amor de Deus por nós, não importa o que sentimos ou como as coisas parecem estar. Nós, portanto, podemos silenciar os nossos medos porque Deus governa todas as coisas para o bem do Seu povo.
 

3. O Calvinismo nos ajuda a evitar que tentemos controlar os outros. Se pensarmos que as outras pessoas são capazes de mudar por meio de uma ação do livre-arbítrio, então nós podemos pensar que somos capazes de mudá-las por manipulação ou forçando-as a escolher o que queremos que escolham (3 João 1:9-10)
 

Mas a Bíblia ensina que Deus sozinho governa o coração humano (Provérbios 16:1, 9; 21:1; Jeremias 10:23). Por isso, não devemos tentar controlar os outros. Cristo nos ensina a falar a verdade com amor, manter os outros na responsabilidade da verdade, e os servir como Cristo nos serviu, não importa o que escolherem. Nossa meta não deveria ser controlar as pessoas, mas mostrar a elas o amor de Cristo.
 

4. O Calvinismo nos ensina a amar incondicionalmente. Os não Calvinistas acreditam que o amor salvífico de Deus é condicionado acerca da aceitação do pecador ao Seu amor. Ou seja, eles dizem que Deus somente exercita a salvação para os pecadores, se os pecadores concordarem, primeiramente, em permitir que Ele faça isso. Na visão deles, Deus só ama as pessoas o suficiente para salvá-las efetivamente quando elas O escolhem. Mas de acordo com a Bíblia, o amor de Deus é absolutamente livre e conquista poderosamente os corações do Seu povo eleito. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4:10). Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 João 4:19).
 

Quando acreditamos que Deus nos ama incondicionalmente, podemos aprender pelo Seu exemplo como amar da mesma forma. Não pensaremos no “amor” condicionado ao que os outros fazem ou como eles reagem conosco. Em vez disso, amaremos e serviremos os outros como o próprio Cristo nos ama e nos serve, não importa o que eles façam. “Amados, se Deus te tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (1 João 4:11).
 

5. O Calvinismo nos faz corajosos para obedecer ao Senhor. O Calvinismo nos ensina tanto que Deus é governador sobre todas as coisas, bem como somos responsáveis por obedecê-lO. Ás vezes, as pessoas têm medo que se obedecerem ao Senhor, elas perderão algo ou que outros irão se opor a elas e assim provocarão um grande dano.
 

Mas a Bíblia diz que Deus controla todas as coisas, e isso significa que Ele governa sobre todos os resultados da obediência. Enquanto O obedecemos, Ele certamente irá manter toda a Sua promessa. Enquanto obediência frequentemente irá trazer sofrimento para nossas vidas, aquele sofrimento não pode nos destruir porque Deus, soberanamente, garante isso. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1 João 5:4).
 

6. O Calvinismo sustenta um interesse de coração por missões. A Bíblia nos ensina que Cristo derramou o Seu sangue pelo Seu povo escolhido, garantindo que seremos salvos. Apocalipse 5:9-10 diz: “...com o Teu sangue, compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra”. As missões não podem falhar porque o sangue de Cristo garante o seu sucesso.
 

Os missionários Calvinistas conseguem dizer com Paulo: “Por esta razão tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação, que está em Cristo Jesus, com eterna glória” (2 Timóteo 2:10). Eles vão para uma cidade estrangeira, sabendo que Deus diz, “pois tenho muito povo nesta cidade” (Atos 18:10). O melhor motivo para as missões é que nós podemos fielmente proclamar o Evangelho, sabendo que Deus salvará o Seu povo eleito.
 

7. O Calvinismo promove profunda humildade. Enquanto algumas pessoas que professam o Calvinismo ficam orgulhosas de seu novo entendimento encontrado e estão somente procurando vencer debates teológicos, eles não internalizaram realmente o que proclamam acreditar. O Calvinismo nos ensina que somos profundamente perversos e não podemos fazer nada para salvarmos a nós mesmos. Se confiamos em Jesus, então isso é somente porque Deus nos deu o dom da fé (Filipenses 1:29). Se nos arrependemos de nossos pecados, é porque Deus nos deu o arrependimento.
 

Isso implica que não há lugar para vanglória. João 3:27 diz: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada”. 1 Coríntios 4:7 diz: “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?”. Por isso, aqueles que acreditam verdadeiramente na doutrina Calvinista serão profundamente humildes diante do Senhor e diante de seu próximo.
 

8. O Calvinismo sustenta nossa garantia de salvação. Se, inicialmente, a salvação depende de nosso livre-arbítrio, então isso dá a entender que, por fim, ela também dependerá dele. Em outras palavras, se somos salvos pelo livre-arbítrio em primeiro lugar, então isso só fará sentido se pudermos escolher livremente deixar a salvação.
 

Mas, graças a Deus isso não é assim! A Bíblia ensina que a eleição está unida à preservação dos santos. João 6:39 diz: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de totós os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. Deus deu o Seu povo escolhido para o Filho, e eles estão preservados pelo Seu poder para a ressurreição e vida no último dia. A garantia da salvação é um grande consolo para o povo de Deus.

 

9. O Calvinismo nos conduz à adoração. Teologias não Calvinistas fazem a salvação depender, finalmente, do livre-arbítrio dos seres humanos. Teologias condicionas, de todo modo, não conduzem à adoração. Nós deveríamos louvar a Deus sobre nossas escolhas e nosso próprio esforço? Isso não é adoração.
 

A Bíblia ensina que somente Deus salva. E por isso nós O adoramos. Prostramo-nos com alegria e gratidão, pois não fizemos nada por nossa própria salvação. Deus fez todo o trabalho. O Pai nos escolheu para a salvação na eternidade. O Filho realizou a nossa salvação na cruz. E o Espírito Santo aplica a salvação em nós, nos unindo com Cristo e nos preservando para sempre. Nós estávamos morrendo em nossos próprios pecados, mas Deus graciosa e livremente nos deu a vida. E essa é a razão que temos para adorá-lO e glorificá-lO.
 

Conclusão

 

O Calvinismo não é apenas uma doutrina para ser formalmente aceita e depois usada para vencer debates ou para ser colocada numa prateleira empoeirada. Mas sim, o Calvinismo é abundante em implicações experimentais e práticas. Precisamos pensar profundamente sobre a soberania de Deus que governa sobre todo o universo e o Seu amor eletivo e assim deveríamos pensar e viver de acordo com isso em todos os aspectos de nossas vidas. Que o Senhor nos ajude a viver segundo as doutrinas de Sua grandiosa graça.

 

TEMAS

AUTORES

ARQUIVOS

INSCREVA PARA RECEBER
NOSSAS ATUALIZAÇÕES: