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Um Encorajamento para Ministros em Provações | Por Fred Malone

Muitos entram no ministério para conseguir algo fora dele e não para serem responsáveis mensageiros da Palavra de Deus. Alguns entram para conseguir encorajamento, para se sentirem importantes, para se se sentirem uteis a Deus, para resolver problemas, outros entram pelo prestígio ou pelo poder. Bem ou mal, nenhumas dessas são as razões adequadas. Ninguém irá permanecer ao longo do tempo e sob provações.

 

Existem tantos possíveis desencorajamentos no ministério do Evangelho. Não porque as pessoas são más. Pois, francamente, todas são iguais, pecadores salvos pela graça, mas que ainda pecam. Para aqueles que pensam que conseguirão fazer seu povo passar desse ponto, ou que encontrarão uma igreja livre de problemas, eles apenas precisam ler Paulo mais atentamente. Não significa que Satanás é invencível, porque ele está agora mesmo em sua agonizante morte, enquanto ataca a todos os que amam a Cristo e O pregam.

 

O maior desencorajamento para este ministro, e são muitos, está dentro dele mesmo. Especialmente quando se está sob o estresse de provações. Pois, à medida que alguém caminha em Cristo depois de tantos anos, percebe, como Paulo, que ele também é o principal dos pecadores. Ele descobre que se ele não tivesse nenhuma ovelha pecadora, ainda assim, teria um trabalho em período integral para guardar seu próprio coração.

 

Portanto, eu gostaria de encorajar ministros em provações aplicando o encorajamento do Evangelho de Jesus Cristo para nosso próprio coração, pois é no guardar do coração do ministro que começa o cuidado com o coração do nosso povo. É por isso que Paulo disse a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Timóteo 4:16).

 

Existem alguns desencorajamentos únicos que podem fazer parte do ministério do Evangelho, mas existem quatro encorajamentos que têm ajudado a muitos em tempos de aflições.

 

 

I. Primeiro, você vai passar por provações e sofrer até certo ponto. Isso pode não ser muito encorajador para você, mas o é para mim. Nosso Senhor nos diz na entrada do caminho para que não nos desencorajemos quando esse tempo chegar. Mateus 10:5-39 é o manual de evangelismo do Senhor. Nós não vemos isso em tais manuais hoje. Ele disse aos discípulos que não veio trazer a paz, mas a espada. Que eles serão odiados por todos por causa de Seu nome. Que os inimigos dos homens serão os de sua própria casa. Que eles devem substituir o temor dos homens que matam o corpo por um temor ainda maior de Deus que pode destruir ambos, alma e corpo, no inferno. Que esse Pai pode protegê-los dos homens. Toda a estrutura do Novo Testamento, dos ensinos do nosso Senhor passando por 1 Pedro até ao Apocalipse, explica que os Cristãos sofrerão; especialmente os ministros de Deus.

 

Não é comum alguém desfrutar de sofrimento e de martírio. Alguns podem até mesmo buscar crises porque isso os faz se sentirem importantes, fiéis e fortes. Isso é algo egocêntrico e imaturo. 2 Timóteo 2:3, 8-10 e 3:10-12 deixa isso claro. Os fiéis ministros de Deus sofrerão até certo ponto. Haverá aflições. Não importa o quanto você avalie, antecipadamente, o preço, não tem como você entender inteiramente o valor do ministério até que você o experiencie. (Mesmo que você avalie, antecipadamente, o preço do ministério, não tem como entender inteiramente seu valor até que o experiencie).

 

Portanto, não fique surpreso com tais provações. Esse trabalho exclui muitas expectativas de facilidade e conforto, então precisamos aceitar essa probabilidade e nos contentar em ter a Jesus Cristo, se não houver nada mais.

 

Charles Bridges (em sua obra The Christian Ministry [O Ministro Cristão]) lista quatro provações do ministério. Elas vêm da (1) igreja professa, (2) do mundo, (3) do poder de Satanás e (4) de nós mesmos.

 

A. Considere as provações da igreja professa. Cotton Mather relatou a grande porvação de John Eliot (Bridges, Christian Ministry, p. 12):

 

Ele olhou para a conduta da igreja como algo assistido por tantas dificuldades, tentações e humilhações que nada além do chamado do Filho de Deus poderia encoraja-lo a ser suscetível a isso. Ele viu que carne e sangue não achariam algo muito agradável serem obrigados a supervisionar um grupo de pessoas que, pelo seu próprio juramento solene, deveria ser listado entre os voluntários do Senhor Jesus Cristo; que não seria algo fácil alimentar as almas dessas pessoas, e das crianças, e dos vizinhos, os quais devem ser trazidos para o mesmo rebanho que o dele; suportar suas maneiras com toda a paciência, ensina-los sem se deixar desencorajar por suas fraquezas; e por olhar e orar por eles; valorizando-os muito, como o rebanho o qual Deus comprou com Seu próprio sangue; apesar de todas as suas falhas; e em tudo examinar as regras das Escrituras para o fundamento de qualquer coisa que deve ser feita; e se lembrar do dia do julgamento em que deveremos prestar contas de tudo o que tem sido feito. Aqui está apresentada a opinião dele (como o grande John Owen a expressa) que, apesar de toda a expressão dada a qualquer igreja pela magistratura pública, enquanto estivermos neste mundo, os que cumprirem fielmente seus deveres como ministros do Evangelho precisam estar preparados para o sofrimento; bem como terem uma noção dessas coisas desde quando ele deu a si mesmo para o sagrado ministério.

 

A resposta de Bridges à opinião de Eliot foi: “Exceto que percebamos uma alta estimativa da igreja, a influência constrangedora do amor do Salvador e o sustento da graça do Todo-Poderoso, o que existe que possa nos preservar de afundarmos em desânimo?”.

 

O pior dos sofrimentos de Paulo pelo Evangelho foi: “Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase?” (2 Coríntios 11:27-29).

 

Bridges dizia que os ministros são colocados para a queda e elevação de muitos em Israel (Isaías 6:9-10; Lucas 2:34): “O triste fardo do ministério é que para alguns somos o cheiro de vida para a vida, para outros cheiro de morte para a morte (2 Coríntios 2:15-16). Quem é suficiente para estas coisas? O piedoso John Brown disse:

 

Desde que fui ordenado, eu não sei com que frequência tem sido pesado para o meu coração pensar o quanto das Escrituras tem sido cumprido em meu ministério. Frequentemente tenho um ansioso desejo de ser removido pela morte do que me tornar uma praga para minha pobre congregação. No entanto, muitas vezes tenho me perguntado, e considerado esse desejo como minha loucura, e implorado ao Senhor para que me tornasse bem-sucedido em meu trabalho e que se isso não fosse para a gloria dEle, me removesse por meio da morte (Bridges, p. 13).

 

Às vezes, as provações do ministro são pessoais, mas são com mais frequência ministeriais.

 

B. Segundo, existem dificuldades com o mundo. Isso não inclui apenas a oposição e o ridículo do mundo, mas também sua cortesia exterior, o que é pior. De acordo com 1 Coríntios 1, o mundo normalmente nos considera loucos e insensatos. No entanto é mais difícil ver e confrontar os sorrisos do mundo, correndo o risco de sofremos oposição. Devo criar ondas ou não quando as coisas estão correndo de maneira tão suave? Contudo, nosso Senhor disse que Seus discípulos não são maiores do que Seu mestre sofredor.

 

C. Terceiro, existem dificuldades resultantes das inquietas e sutis atividades do tentador. Ele sempre ataca a igreja, mas especialmente a mente e o caráter do ministro. Calvino disse que o ministério “não é um exercício fácil e indulgente, mas uma difícil e severa guerra, em que Satanás está exercendo todo o seu poder contra nós e movendo todas as pedras para nossa perturbação”. Não devemos esquecer que a primeira estratégia de Satanás era atacar ao Bom Pastor no deserto antes que Ele fosse atrás de Sua ovelha perdida. Com certeza a estratégia dele é atacar e desencorajar os sub-pastores do Senhor em seus pontos mais fracos com as mais fortes tentações. Não temos visto muitos caírem? Vigie e ore!

 

D. Mas, em quarto lugar, talvez as maiores dificuldades derivem sua origem e poder de nós mesmos. O amor natural pela facilidade, a falta de autonegação, a falsa ternura quando hesitamos ao declarar verdades desagradáveis, tudo isso interfere. Devemos labutar quando nossos corações estão em um estado de frieza. Oposições podem revelar um espírito egoísta, orgulhoso, furioso e arrogante que é pior do que qualquer coisa que nossa oposição faça. A popularidade tende a revirar e encorajar a vã autoconfiança, enquanto a falta de popularidade promove a impaciência ou o desânimo. O ministro, de algum modo, sofrerá.

 

Como podemos lidar com tantas provações? Aqui está como: Esses desencorajamentos se tornam fonte de encorajamento, porque somos lançados sobre nossas fraquezas até que a fé encontre ajuda no seio do Filho de Deus. Devemos parar de esperar que as pessoas respondam adequadamente, fazendo delas nossos deuses da vida e da morte. Viver e morrer pelo comportamento do nosso povo, é idolatria. Paulo disse: “Segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (2 Coríntios 4:1). O conforto da misericórdia de Deus que foi recebido foi a única motivação duradoura que eu já encontrei no labor e nas provações.

 

Pastores frequentemente me perguntam: “Onde posso obter forças para enfrentar todas estas dificuldades?”. A resposta é encontrada em três grandes verdades:

 

(1) Lembre-se de Jesus Cristo e o que Ele fez por você. Quando você fizer tanto quanto Ele, você pode parar. (2) Você não merece nada melhor, mesmo se estiver teologicamente correto. (3) Se você tem a Cristo, isso é mais do que suficiente. Paulo entendeu o papel do sofrimento no ministério em 2 Coríntios 4:7-12:

 

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida.

 

Saber de antemão que, de certa maneira, sofreremos é encorajador.

 

 

II. O segundo encorajamento para o ministério é este: vale a pena. Vale a pena, não tanto pelo sucesso que vemos, mas porque Lucas 10:20 nos diz que a graça é melhor. Depois de os discípulos relataram os brilhantes sucessos de seus ministérios de evangelismo e cura, o nosso Senhor disse: “Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus”. A graça recebida, do começo ao fim, é nossa contínua esperança e firmeza. No entanto, existem outros encorajamentos subsidiários que o fazem valer a pena.

 

A. Primeiro, isso vale a pena por causa dos frutos espirituais e permanentes do nosso ministério, mesmo que únicos. Cotton Mather descreve a atitude do Arcebispo Williams (Bridges, Christian Ministry, p. 19):

 

Eu vou lembrar-lhe, diz Contton Mather, que um dos maiores personagens (um Arcebispo e um Lorde Protetor) na nação Inglesa (Arcebispo Williams) uma vez pronunciou esse memorável discurso: “Eu passei por muitos lugares de honra e confio em ambos, na igreja e no estado, mais do que qualquer um [colega] de minha ordem na Inglaterra, há 70 anos; mas ao assegurar que, pela minha pregação, converti uma alma para Deus, aqui eu deveria ter mais conforto do que em todas as honras e funções que me foram concedidas”. Você está entrando em um trabalho que vai lhe manter continuamente em um caminho de satisfação incomparável; e eu espero… Que a salvação, o esclarecimento ou a edificação a qualquer momento de uma alma seja uma alegria maior do que se todas as riquezas de Ofir lhe fossem dadas.

 

Lucas 15:10 registra a alegria de um pastor sobre um pecador que se arrependeu. Nós trabalhamos por aquele único pecador até que Ele no-lo dê. Reputamos a preciosidade de uma alma mais do que o valor de todos os confortos na vida. Na terra, nosso Senhor, foi atrás daquele um e ainda o faz… Um por um. Assim como nós devemos fazer. Se vivemos nossa vida toda gastando e sendo gastos por uma alma, terá valido a pena. Esse é um grande incentivo durante as temporadas de pequenas colheitas.

 

B. Vale a pena por causa das afetuosas simpatias de um povo amado. Isso também é uma fonte subordinada de conforto e encorajamento. Eles sabem que temos paixões semelhantes e oram por nós. Que benção é ver a gentileza fluir para você, não por sua causa, mas porque você foi um simples instrumento nas mãos do nosso Grande Médico. O povo de Deus, aqueles que nasceram de novo, são grandes amantes de Seus ministros. Nem todos os Cristãos tem o sabor desse privilégio.

 

C. Vale a pena por suas vantagens especiais do cultivo da piedade pessoal. Faz bem para nossas almas, sermos dados aos estudos das coisas do Céu e de Cristo. A Oração, a Escritura, a meditação e o ensinar, todas estas coisas nos levam para Deus em vez de nos afastar, como acontece com algumas empregos. Não devemos nos entregar ao profissionalismo estéril, mas ao próprio Cristo e à Sua palavras. John Bunyan disse: “Eu preguei o que eu realmente sentia”. Mas você deve sentir primeiro. Deus dá o alto privilégio a seus ministros de permanecerem na Palavra, para que outros possam colher os benefícios por si mesmos.

 

D. Finalmente, vale a pena pelas promessas de nosso querido Senhor. Quem pode estimar o valor da promessa para aqueles que cumprirão a Grande Comissão: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. Esse é um enorme conforto para os ministros do Evangelho. Vale a pena servir ao Cristo ressurreto. Apesar dos tempos de dificuldade e de desencorajamento, essa grande verdade me permite, na maioria das vezes, dizer juntamente com Thomas Scott (Bridges, Christian Ministry, p.23):

 

Mesmo com todos os meus desencorajamentos e desânimos pecaminosos; em meus melhores momentos, não consigo pensar em um trabalho que valha mais a pena comparado a esse. Se eu tivesse mil vidas, gostaria de gastá-las de bom grado nisso. E quantos filhos eu tivesse, os dedicaria a isso com prazer.

 

 

II. O terceiro grande encorajamento para os ministros é este: Um dia isso acabará. Um dia o descanso virá. Eu não quero dizer “acabar” num sentido negativo; pelo menos não hoje. Eu quero dizer “acabar” no sentido mais positivo; “descanso” é em seu sentido mais glorioso. Pedro conforta a todos os crentes ao escrever que os sofrimentos e dificuldade de viver como Cristãos nessa vida um dia acabarão no melhor sentido:

 

Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis... E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havemos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça (1 Pedro 4:12-13, 5:10).

 

O que é o descanso para os Cristãos? É a verdade que o próprio Deus secará cada lágrima dos nossos olhos. Nós devemos ser como Ele porque O vejamos como Ele é.

 

Há um antigo hino que as vezes me incomodou. Um dos trechos é assim: “Cristo se cingirá e nos servirá com doce maná”.  Essa parte me incomoda. Eu frequentemente penso em estar no limite da grande multidão do Céu, ganhando o precioso vislumbre do Cordeiro em Seu trono. Isso seria o suficiente. Mas quanto a Ele descer do Seu trono, cingir Sua gloriosa cintura com uma toalha e me servir novamente como na última ceia, isso é muito para eu suportar. Com certeza, eu pensei, o hino está errado. Mas, Lucas 12:37 me olha no rosto:

 

Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá.

 

Eu sei que isso é uma parábola. Mas eis aí está. De alguma maneira o Rei dos Reis humilhará a Si próprio mais uma vez e lavará nossos pés enquanto nos acolhe em Sua casa celestial, em Sua própria ceia de casamento. Eu quero dizer: “Não! Não! Isso é muita graça! Eu não posso aceitar isso!”. Ele simplesmente responde: “Você deve, ou então você não pode ter parte comigo”. Quando Paulo disse: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”, ele já experimentou pessoalmente a presença de Seu Mestre de uma maneira que nós podemos apenas esperar um dia experimentar. Mas uma coisa nós, ministros cansados, fatigados, enfermos do pecado e sobrecarregados, precisamos lembrar: Paulo sabia do que estava falando. Um dia o descanso virá. Um dia isso acabará. Isso me encoraja a prosseguir e trabalhar em meio à tristeza e escuridão de um mundo assolado pelo pecado e de uma igreja comprometida pelo pecado. Isso vai valer a pena enquanto nos apoiamos sobre o suave travesseiro do peito do nosso Mestre e sentimos Seu caloroso abraço.

 

 

IV. O quarto encorajamento para os ministros é: um ministério fiel sempre será bem-sucedido e sempre glorificará a Deus. Nossas igrejas hoje tendem a medir o sucesso no ministério pelas estatísticas de batismos e relatórios de orçamentos. E nós também queremos ver o Evangelho ser efetivo na vida dos outros. Mas o nosso Senhor disse que os graus dos frutos e sucessos variam: “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”. Cada ministro fiel é sempre bem-sucedido aos olhos do nosso Senhor.

 

Há pelo menos duas maneiras que o nosso ministério sempre glorificará com sucesso a Deus. Primeiro, pela revelação dEle mesmo aos homens no Evangelho. E segundo pela salvação dos homens condenados.

 

A. Primeiro, Deus é glorificado na proclamação do Evangelho. Somos chamados para “anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz...” [1 Pedro 2:9]. Dr. J. I. Packer diz (Evangelism and the Sovereignty of God [Evagelismo e a Soberania de Deus]p.75):

 

Glorificamos a Deus pela evangelização, não apenas porque evangelizar é um ato de obediência, mas, também, porque no evangelismo dizemos ao mundo as grandes coisas que Deus tem feito para a salvação dos pecadores. Deus é glorificado quando Suas graciosas obras são conhecidas. O salmista nos exorta a revelar Sua salvação de dia em dia. Declarar a Sua glória entre os pagãos e as Suas maravilhas entre todas as pessoas. Para um Cristão falar aos não-convertidos sobre o Senhor Jesus Cristo e o Seu poder salvador é estar, no ato em si, honrando e glorificando a Deus.

 

Irmãos, é isso que está em suas mentes enquanto pregam o Evangelho? Ou o que está em suas mentes são sonhos de sucesso? Exaltar a glória de Deus, Sua santidade, Sua soberania, Sua justiça, e a Sua misericórdia, na face de Jesus Cristo, é o sucesso! Devemos pensar que falhamos em sermos um ministro fiel quando pecadores dão as costas à proclamação de Cristo. Pois a glória de Deus tem sido declarada entre as nações. Ministros fiéis sempre glorificam a Deus. Esse é um grande encorajamento.

 

B. Segundo, Deus é glorificado em um ministro fiel, quer pecadores sejam salvos ou futuramente condenados. Paulo expressa isso dessa maneira:

 

E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus (2 Coríntios 2:14-17).

 

Quer os homens atendem ou rejeitem o Evangelho, o ministro fiel é aceito por Deus como bom perfume (veja Mateus 11:16-30). Um ministro fiel sempre é bem-sucedido porque sempre glorifica a Deus. Este é um enorme encorajamento.

 

C. Quais são algumas implicações da verdade de que Deus será glorificado em um ministro fiel?

 

1. Isso deve nos estimular a humildade. Deus não teve que salvar qualquer um de nós para glorificar a Si mesmo. Ele poderia glorificar a Si próprio apenas com a nossa condenação. Isso deve silenciar as murmurações e reclamações contra a vontade de Deus em nossas vidas e o nosso orgulho para com outros que são ignorantes e incrédulos. Tal visão humilha os ministros de Deus em relação aos outros e incentiva uma adoração cheia de gratidão ao nosso Deus de graça e de glória.

 

2. Isso deve nos encorajar à autonegação e ao contentamento. Vivemos para glorificar a Deus, não para nossa própria reputação e vontade. Esse é o objetivo? “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” [1 Coríntios 6:20]. Quando acreditamos nisso, aprenderemos como negar a nós mesmos em nossas relações com nossas esposas assim como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. Vamos parar de reclamar sobre trabalharmos tão duro e recebermos tão pouco respeito. Vamos parar de nos entregar à raiva e à amargura. Não nos importaremos com nossa reputação ou com oportunidades limitadas e sofrimentos injustos. Em vez disso, nos regozijaremos contentemente porque nossos nomes estarão escritos no céu, alimentando nossa abnegação para com Deus e os homens. Buscar a glória de Deus irá acabar com a autopiedade e o descontentamento com a nossa situação, assim como a inveja e os ciúmes dos dons e das oportunidades de outras pessoas.

 

Há Alguém que sofreu grandemente no ministério. Sofreu em Sua reputação, foi maltratado fisicamente, foi rejeitado e sofreu grande vergonha. No entanto com um coração amoroso e contente por causa da glória e da vontade de Seu Pai, mesmo passando por sofrimento, Ele curvou Seu abnegado coração no jardim e disse: “Seja feita a tua vontade”. A glória de Deus em nosso ministério trás autonegação e grande contentamento.

 

3. Isso deveria nos encorajar a ter paciência com os outros. Se a oposição e a rejeição vierem, a única diferença entre eles e nós é a bondade de Deus para conosco. “Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?” [2 Coríntios 4:7]. Quando a glória de Deus está operando em nossos corações, você tem grande paciência com os outros e grande dependência de que o poder de Deus opere nos corações deles.

 

4. Nos encoraja a sermos firmes. Deus será glorificado de um jeito ou de outro, com cada esforço que exercemos para trazer os homens para Cristo, mesmo que eles rejeitem o que lhes oferecemos no nome de Deus. Paulo foi a Corinto em fraqueza, temor e grande tremor [1 Coríntios 2:3], mas não com um discurso astuto para obter melhores resultados. Ele não recorreu a truques e invenções não-bíblicas ou métodos criados por homens. Mas pregava em demonstração de poder do Espírito. Como isso aconteceu? De onde veio a coragem? Paulo sabia que: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1 Coríntios 1:18). Ele entendeu que Deus glorifica a Si mesmo pela loucura de homens fracos pregando a Cristo e este crucificado: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens... Para que nenhuma carne se glorie perante Ele” [1 Coríntios 1:25-31].

 

Nós não devemos temer nossa inaptidão, nossas fraquezas, nossas falta de habilidades e nossas inseguranças enquanto levamos o Evangelho aos homens. Não temos que recorrer a métodos desesperados e não-bíblicos para aumentar nossos resultados ou silenciar a oposição. Podemos ser corajosos ao declarar: “Cristo e este crucificado” porque Deus escolheu glorificar a Si mesmo, mesmo em nossas fraquezas através da loucura da pregação para salvar o Seu povo de seus pecados.

 

Deus é glorificado em um ministro fiel. Esse é o verdadeiro objetivo e encorajamento o qual deve arder em nossos corações e em nossas mentes. É por isso que o nosso Senhor orou: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” [João 17:4].

 

 

Conclusão

 

Existem diversos encorajamentos para os ministros do Evangelho. Você sofrerá, de certo modo, provações. Isso valerá a pena. Elas acabarão. E Deus será glorificado em um ministro fiel.

 

No calor da provação, manter o coração do ministro na graça de Deus que é grandemente necessária para prover encorajamento. Paulo disse: “Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos...” [2 Coríntios 4:1]. É na compreensão de que essa misericórdia recebida capacita o coração do ministro a crer fielmente que as palavras do Senhor são cumpridas a cada dia: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” [João 14:15].

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