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O Calvinismo Não é Novo para os Batistas: Graça Espalhada pelas Colônias Americanas | Por Thomas S. Kidd

Os Calvinistas já dominaram a vida da igreja Batista na América.

 

Em uma pesquisa de 1793, o historiador Batista John Asplund estimou que havia 1.032 igrejas Batistas na América. Destas, 956 eram congregações Calvinistas. Eles “Batistas Particulares”, porque eles acreditavam na expiação definitiva (“ou redenção particular”), ou seja, que Cristo morreu para a salvação definitiva dos eleitos. Os “Batistas Gerais”, por outro lado, acreditavam que Cristo morreu indefinitivamente pelos pecados de todos que escolhem Ele, e os que os escolhem são uma pequena fração do todo. Mesmo alguns destes, Asplund observa, aceitavam parte da doutrina Calvinista como a “perseverança na graça” [ou “perseverança dos santos” = é impossível que o verdadeiro crente caia da graça].

 

Como está predominância de Batistas Calvinista surgiu? Tanto Batistas Calvinistas/Particulares quanto Arminianianos/Gerais tem existido nas Colônias Americanas desde 1600. Mas com o grande reavivamento que ouve em 1740, uma profundíssima agitação religiosa e cultural na América colonial, devastou o movimento Batista Geral, e deu origem a um novo tipo de Batistas Calvinistas — os “Separate Baptists” [Batistas Separados].

 

Um Novo Tipo de Calvinista

 

Os Batistas Separados da Nova Inglaterra eram tipicamente pessoas que haviam se convertido durante o grande reavivamento, muitas vezes sob a pregação itinerante de George Whitefield (Calvinista) e de outros evangélicos zelosos. Os Batistas Separatistas eram quase todos unanimemente Calvinistas nas suas convicções, e também os grandes Pastores que lideraram a América ao Grande Reavivamento/Despertamento (como Jonathan Edwards). Os convertidos descobriam que suas próprias igrejas e Pastores não apoiavam este reavivamento, então estes começaram a se reunir em “igrejas separadas”.

 

Mais fazer isso era ilegal. O governo colonial da Nova Inglaterra proibia a criação de congregações não autorizadas, e os Separados começaram a ser perseguidos. Alguns Separados — havia no meio deles as mentalidades evangélicas mais radicais — também reconsideraram a posição dos Congregacionalistas sobre o batismo infantil, chegaram à conclusão de que esta prática carecia de uma justificativa bíblica.

 

Backus: Sem Volta

 

Isaac Backus, o mais influente Pastor Batista do século XVIII na América, ilustrou perfeitamente a jornada que vai do Grande Reavivamento até a conversão dos Batistas Separados.

 

Backus que experimentou sua conversão em 1741, escreveu: “Deus, que fez a luz a brilhar na escuridão, brilhou dentro do meu coração com esta revelação da perfeita glória que satisfez totalmente a lei que eu havia quebrado… Agora meu sofrimento, que era muitíssimo penoso, se foi”. Mas a igreja de Backus em Norwich, Connecticut não permitia evangélicos itinerantes pregarem, e o pastor se recusou a exigir um testemunho de conversão de futuros membros da igreja. Então, Backus e uma dúzia de outros membros iniciaram reuniões em pequenos grupos Separados, à parte da igreja. Apesar de sua falta de um diploma acadêmico, Backus passou a servir como pastor Separado.

 

Backus também passou a ter dúvidas sobe o modo apropriado de Batismo. Ele, como praticamente todas as igrejas das Colônias Americanas, foram batizados quando infantes, mais em 1751, depois de um tempo de oração, jejum e estudos das Escrituras, Backus veio a se convencer que o Batismo era somente para adultos convertidos. Um Ministro Batista visitante rapidamente Batizou Backus por imersão. E milhares de coloniais Americanos que passariam por uma sequência semelhante de conversão e de aceitação dos princípios Batistas.

 

Porque a transição para convicções Batistas aconteceu debaixo do predomínio Calvinista do Grande Reavivamento, Backus e a maioria desses novos Batistas eram Calvinistas também. Somente alguns dos Batistas “Particulares” ou “Regulares” se associaram a Associação Batista da Filadélfia (fundada décadas antes do Grande Reavivamento) que apoiou os avivamentos. Os Batistas Gerais da Nova Inglaterra, desconfiados da cooperação da cooperação interdenominacional, se opuseram ao Reavivamento. Devido a influência dos Batistas do Livre-Arbítrio ou Arminianismo quase foi extinta da América durante cerca de três décadas. Seus números diminuíram e alguns Arminianos se juntaram a congregações Separadas ou a outras congregações de Batistas Calvinistas.

 

Missões Para o Sul

 

Após o surgimento dos Batistas Separados na Nova Inglaterra, imediatamente eles começaram a enviar missionários para outras partes da colônia, mais notavelmente para o Sul. Ao contrário do “Bible Belt”[1] que é hoje, o Sul colonial era a região da América colonial que mais carecia de igrejas.

 

O evangelista Shubal Stearns de Connecticut após experimentar a conversão, veio a envolver-se na Congregação Separatistas, e recebeu o Batismo como um crente quase no mesmo tempo que Backus. Em meados dos anos 1750, Stearns e sua família mudaram para a Carolina do Norte, onde eles fundaram a Igreja Batista Sandy Creek. Este trabalho cresceu como fogaréu sem controle, de poucos membros, a maioria familiares de Stearns, para mais de seiscentos convertidos batizados nos primeiros anos da igreja. E também sem demora plantaram novas congregações na região. Tanto a Igreja Batista Sandy Creek quanto a Associação de Filadélfia, associadas à Associação de Igrejas Batistas de Charleston (Carolina do Sul), decidiram afirmar a doutrina da eleição eterna em suas Confissões de Fé.

 

Um dos Batistas Separados convertido mais intrigante foi o escravo da Carolina do Sul, David George, que foi se tornou o pastor da Igreja Silver Bluff, A primeira igreja Afro-Americana permanente (fundada por volta de 1773). George deixou a Carolina do Sul devido ao exército britânico no início dos anos 1780. Ele ajudou a fundar novas igrejas Batistas em Nova Escócia antes de finalmente ir para a Serra Leoa em 1792, assim ele se tornou um grande defensor do Calvinismo naquele lugar. Uma pesquisa de John Asplund, refletia a mistura racial da Convenção daquele tempo, tendo listado um pequeno número de Nativos Americanos Afro-Americanos – A maioria de igrejas Batistas sob suas próprias categorias serapadas (e não teológicas), mas muitos deles possivelmente eram Calvinistas.

 

Decaída, então Ressurgimento Vigoroso

 

Como foi que o Calvinismo perdeu a sua posição dominante no meio dos Batistas? A Revolução Americana, com sua preocupação com a liberdade, deu nova vida a teologia do “livre-arbítrio” em detrimento do domínio tradicional Calvinista. Mas o Calvinismo continuou ascendente no meio Batista no começo dos anos 1900. À medida que as igrejas Batistas se espalharam pelas fronteiras Americanas, elas levaram a convicção Calvinista consigo. O recém-formada Associação Batista Elkhorn do Kentucky, por exemplo, decidiu em 1785 exigir a subscrição à Confissão de Fé Batista de Filadélfia, que era uma versão levemente acrescentada[2] da Confissão Batista de Londres de 1689.

 

Dentre outros pontos, a associação Elkhorn afirmava que “Por meio do decreto de Deus e para manifestação da Sua glória, alguns homens e anjos são predestinados ou preordenados para a vida eterna por meio de Jesus Cristo, para o louvor de Sua gloriosa graça; outros são deixados a agir em seus pecados para a sua justa condenação, para o louvor da Sua gloriosa justiça” [CFB1689 3:3].

 

Logo após o ano de 1700 muitas igrejas Batistas adotaram uma equilibrada (mais bíblica) forma de Calvinismo, como a exposta pelo Batista Inglês Andrew Fuller. O Calvinismo de Fuller afirmava eleição mais distanciava-se claramente do sentimento hipervalvinista que deprazava o evangelismo e as missões. Uma nova controvérsia sobre Agencias Missionárias em 1820 levou a uma separação entre Batistas missionários e Batistas anti-missionários, ou seja, “Primitivos”. Muitos destes últimos eram hiperCalvinistas, e atacavam as novas associações missionárias paraclesiásticas como intrusas antibíblicas e como algo que prejudicava os interesses da Igreja. Surgiu uma impressão de que os Batistas Primitivos, que sempre foram um pequeno grupo entre os Batista na América, é que eram os verdadeiros defensores do Calvinismo. Missionários Batistas em general adotaram a Confissão de Fé de New Hampshire (1833), que era menos explicitamente Cavinista do que a Confissão de Filadélfia era.

 

Por volta de 1830 o cenário era de enfraquecimento do Calvinismo entre os principais grupos de Batistas. Mais a teologia Arminiana nunca veio a ser dominante entre os Batistas como Calvinismo uma vez foi. Quando grupos como o Ministério Desiring God e o Southern Baptist Theological Seminary [Seminário Teológico Batista do Sul] começaram a revigorar a teologia Calvinista para os Batistas e outros evangélicos no final do século XX, Alguns Batistas Arminianos insistiam que livre-arbítrio e na expiação geral eram a posição “tradicional” dos Batistas sobre essas questões. Uma profunda olhada na História, entrentanto, revela a esmagadora convicção Calvinista dos primeiros Batistas Americanos.

 

[1] O Bible Belt (Cinturão da Bíblia) é uma região dos Estados Unidos onde o Protestantismo faz parte da cultura local. O Bible Belt está localizado na região sudeste dos Estados Unidos, devido às fundações coloniais do Protestantismo; a origem de seu nome deriva da grande importância da Bíblia entre os Protestantes. – N.R.

[2] A diferença essencial entre Confissão de Fé Batista de Filadélfia de 1742 e a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, é a que a Confissão de Filadélfia acrescentou 2 Capítulos ao texto da Confissão de 1689, os quais são: Capítulo XXXI: Sobre a Imposição de Mãos e Capítulo XXIII: Sobre o Canto de Louvores. No mais, a Confissão de Filadélfia copiou o texto integral da Confissão Batista de Londres de 1689. — N.R.

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