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As 4 Fontes Documentais Usadas para Elaborar a CFB1689 | Conhecendo a CFB1689 #2


A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 (CFB1689) provém principalmente de quatro fontes:

 

1. A Confissão de Fé de Westminster (1646).

 

Esta confissão é distintamente Puritana, Presbiteriana e Pedobatista, sendo o resultado da sessão da Assembleia de Westminster.

 

Após um período de conturbação política os magistrados civis e as autoridades eclesiásticas (Puritanos) da Inglaterra resolveram que a Igreja da Inglaterra precisava ser reorganizada, e o Livro de Oração Comum precisava ser profundamente revisado ou mesmo substituído. O Parlamento determinou a convocação de uma assembleia de pastores Puritanos, chamados de “teólogos” com a finalidade de reorganizar a constituição da igreja, litúrgica e doutrinariamente. Essas reuniões são referidas como a Assembleia de Westminster. Em 12 junho de 1643, o Parlamento aprovou uma lei intitulada: “Uma Ordenação dos Lordes e dos Comuns no Parlamento para a convocação de uma Assembleia de Teólogos e outros, para ser consultada pelo Parlamento sobre a definição do Governo e Liturgia da Igreja da Inglaterra, e purificação da Doutrina da referida Igreja da falsas calúnias e interpretações”.

 

A Assembleia foi composta principalmente de teólogos Puritanos Ingleses. Mais especificamente, ela foi composta de 121 dos mais capazes pastores da Inglaterra, 20 membros da Casa dos Comuns e 10 membros da Casa dos Lordes — além de 4 pastores e 7 presbíteros da Igreja Presbiteriana a Escócia. Os 4 pastores escoceses que participaram da assembleia foram: Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie e Samuel Rutherford.

 

Os teólogos de Westminster se reuniram pela primeira vez em 1 de julho de 1643. Em 4 de dezembro de 1646, a Confissão de Fé de Westminster (CFW) foi concluída, embora, curiosamente, o Parlamento a tenha enviado de volta com a solicitação de que referências bíblicas a serem indicadas indicando que a “Assembleia deveria anexar as suas notas marginais, para comprovar cada parte disso pela Escritura”. Isso foi completado em 29 de abril de 1647.

 

Outros documentos produzidos pela Assembleia foram:

 

• Catecismos Breve e Maior: visavam ensinar a doutrina contida na CFW;

• Diretório do Culto Público: substituiu o Livro de Oração Comum;

• Saltério: uma versão métrica dos Salmos para uso no culto;

• Forma de Governo Eclesiástico: Instituiu a forma de governo presbiteriano em lugar da episcopal, com seus bispos e arcebispos.

 

A Assembleia se reuniu por 5 anos, 6 meses e 22 dias; foram realizadas 1.163 sessões.

 

2 • A Declaração Savoy de Fé e Ordem (1658).

 

A Declaração de Savoy (DS) recebe esse nome porque foi redigida em uma conferência no Palácio de Savoy, em Londres. Esta confissão é uma revisão da Confissão de Westminster, a principal revisão foi a doutrina do governo da Igreja e da autonomia da igreja local (Veja o cap. XXVI, da DS, “Sobre a Igreja” — foi produzido um apêndice de 30 parágrafos para esse capítulo, intitulado: “A Instituição das Igrejas, e a Ordem Indicada Nelas por Jesus Cristo”, que posteriormente serviu de modelo para os 15 parágrafos do cap. XXVI da CFB1689).

 

A conferência no Palácio de Savoy reuniu cerca de 200 delegados de 120 congregações e durou de 29 de setembro até 12 de outubro de 1658. Uma curiosidade é que essa reunião ocorreu 26 dias depois da morte de Oliver Cromwell (25 de abril de 1599 — 3 de setembro de 1658).

 

A DS é o resultado do trabalho de uma comissão composta pelos Drs. Thomas Goodwin, John Owen, Philip Nye, William Bridge, Joseph Caryl e William Greenhill, que tinham sido membros da Assembleia de Westminster, com exceção de Owen. É dito que John Howe — outro eminente teólogo Puritano e, por um breve tempo, capelão de Oliver Cromwell — teve alguma participação na obra. O destaque desses teólogos é, sem dúvida, John Owen, que foi considerado o principal teólogo dos Congregacionais ingleses e “Príncipe dos Puritanos”. Owen foi capelão de Cromwell e vice-chanceler da Universidade de Oxford.

 

E para vocês que estão conhecendo confessionalismo Batista, a importância de John Owen em para a formação da teologia confessional Batista é muito grande. Os primeiros Batistas — como por exemplo: Nehemiah Coxe e Benjamin Keach — aprenderam muito com Owen e seu entendimento sobre as alianças de Deus.

 

As principias modificações que a Declaração de Savoy fez a partir da Confissão de Westminster consistiram em:

REJEIÇÃO:

 

Os caps. XXX, “Sobre as Censuras Eclesiásticas” e XXXI, “Sobre os Sínodos e Concílios” foram totalmente rejeitados.

 

REVISÃO:

 

Os caps. XXIII (DS, XXIV), “Sobre o Magistrado Civil”, XXIV (DS, XXV), “Sobre o Matrimônio e Divórcio” e XXV (DS, XXVI), “Sobre a Igreja”, foram significativamente modificados.

 

ACRÉSCIMO:

 

O cap. XX, “Sobre o Evangelho e a Extensão de Sua Graça” foi inserido, e daí a diferença na numeração dos capítulos restantes com relação à CFW.

 

(Para ver com mais clareza as diferenças veja Uma Comparação Tabular Entre as Três Confissões da Fé Reformada e Puritana: CFW + DFOS + CFB1689)

 

3. A PRIMEIRA CONFISSÃO BATISTA DE LONDRES, 1644.

 

Durante o século XVII, quando sob perseguição, um grupo de Batistas Particulares publicaram uma Confissão para esclarecer a sua posição doutrinária e para refutar erros com os quais eles tinham sido estigmatizados, dando origem ao que veio a ser conhecido como a Confissão de Fé Batista de Londres de 1644 (CFB1644). Esta Confissão foi subscrita por sete Congregações Batistas Particulares na região de Londres. É provável que tenha, posteriormente, se tornado a posição doutrinária de muitas outras Congregações.

 

Essa primeira Confissão de Fé originado pelos primeiros Batistas Particulares, era distintamente Calvinista e Batista, e combatia doutrinas cridas pelos Batistas Gerais, como o livre-arbítrio, e doutrinas cridas por alguns Anabatistas Continentais, como por exemplo a rejeição do envolvimento dos Cristãos no ofício civil.

 

O título logo na página de publicação da Confissão mostra que parte do seu objetivo era mostrar que os Batistas Particulares eram distintos dos Anabatistas: “A confissão de fé das sete congregações ou igrejas de Cristo em Londres, as quais muitas vezes, mas injustamente são chamadas de Anabatistas; publicado para a reivindicação da verdade e para a informação dos ignorantes; e também para refutar as calúnias que são com frequência, tanto no púlpito quanto nas editoras, lançadas injustamente sobre eles”.

 

Esta confissão foi uma importante fonte usada na Confissão Batista de 1689, o que mostra o apreço que os Batistas de 1689 tinham pela Confissão de 1644. Por outro lado, 5 das 7 igrejas que subscreveram a Confissão de 1644 foram igualmente signatárias da Confissão de 1689, o que mostra que — longe de haver diferenças substanciais entre as duas confissões — havia um clara e consciente unidade teológica entre as duas principais Confissões de Fé Batista (Sobre isso leia: No Substantial Theological Difference between the First and Second London Baptist Confessions).

 

(Leia A Confissão de Fé Batista de Londres de 1644)

 

4. A obra de William Collins e Neemias Coxe.

 

William Collins e Neemias Coxe eram presbíteros da igreja Petty France, em Londres. É provável que eles foram responsáveis pela reunião e edição dos três documentos acima citados para produzirem esta Confissão de Fé. A primeira referência existente para a Confissão é encontrada registrada no Livro da Igreja Petty France, em 26 de Agosto de 1677, que afirma: “foi acordado que uma Confissão de fé, com o seu apêndice tendo sido lido e considerado pelos Irmãos, deve ser publicada”.

 

Quando levamos em conta (1) a capacidade teológica de ambos, Coxe e Collins, (2) o envolvimento deles em outras atividades literárias e (3) o fato de que parece que a Igreja de Petty France estava intimamente consciente da Confissão, chegamos à provável conclusão de que eles foram os seus principais editores.

 

COMPOSIÇÃO

 

Segundo M. T. Smith, dos 160 parágrafos que compõem a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, 146 são diretamente derivados da Declaração Savoy, 8 são derivadas da Confissão de 1644 e 6 do trabalho editorial de Collins e Coxe.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Primeiramente, observem o fato de que essas fontes deixam clara a origem bíblica, Protestante, Reformada, Puritana e Batista da CFB1689, e portanto, da fé daqueles primeiros Batistas Particulares.

 

Em segundo lugar, podemos ver que, embora tenham se apossado dessa rica herança teológica dos Pedobatistas Reformados, os Batistas Confessionais de 1689, também deram sua contribuição (Principalmente nas doutrinas da alianças e sua relação com as doutrinas das ordenanças e da igreja de forma geral).

 

E, por último, quero fazer um apelo aos Batistas de nosso tempo: Que possamos valorizar e nos apossar — não de forma cega, mas de forma consciente, sincera e intencional — da nossa herança confessional e da fé bíblica que está ali fielmente exposta, e proclamá-la para a glória de nosso Deus.

 

Este pequeno volume [CFB1689] não é emitido como uma regra autoritativa, ou código de fé, pelo que vocês devem ser constrangidos, mas como uma ajuda para vocês em controvérsia, uma confirmação na fé, e um meio de edificação na justiça. Aqui os membros mais jovens da nossa igreja terão um corpo de teologia, que servirá como uma pequena bússola, e por meio de provas bíblicas, estarão prontos para dar a razão da esperança que está neles.

Não se envergonhem de sua fé; lembrem-se que este é o antigo Evangelho dos mártires, confessores, reformadores e santos. Acima de tudo, é a verdade de Deus, contra o qual todas as portas do inferno não prevalecerão. Deixem suas vidas adornarem a sua fé, deixem o seu exemplo enfeitar o seu credo. Acima de tudo, vivam em Cristo Jesus, e andem nEle, não crendo em nenhum ensinamento, senão no que é manifestamente aprovado por Ele, e de propriedade do Espírito Santo. Apeguem-se fortemente à Palavra de Deus que está aqui mapeada para vocês.

— C. H. Spurgeon, escreveu estas palavras quando, no início de seu ministério, prefaciou uma re-edição da CFB1689 e a recomendou à sua congregação.

 

 

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ALGUMAS FONTES ONLINE CONSULTADAS:

 

MARLBE, Gary. Um Comentário da Confissão de Fé Batista de 1689: Introdução e Capítulo 1, As Sagradas Escrituras, 2016. Disponível em: <http://oestandartedecristo.com/texto/455/um-comentario-da-confissao-de-fe-batista-de-1689-por-gary-marble-introducao-e-capitulo-1-as-sagradas-escrituras>. Acesso em: 05 fev. 2018.

 

MENEZES, Raneire. Apontamentos da história da Assembleia de Westminster. Disponível em: < http://monergismo.com/raniere/apontamentos-da-historia-da-assembleia-de-westminster/>. Acesso em: 30 jan. 2018.

 

RENIHAN, James. As Origens da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, 2006. Disponível em: < http://oestandartedecristo.com/texto/368/as-origens-da-confissao-de-fe-batista-de-londres-de-1689> Acesso em: 29 jan. 2018. (Texto em inglês: https://www.ccel.org/ccel/anonymous/bcf.iv.iii.html)

 

SMITH, M. T. 1677/89 London Baptist Confession of Faith, 2006. Disponível em: < https://www.ccel.org/ccel/anonymous/bcf> Acesso em: 02 fev. 2018.

 

SMITH, M. T. Fontes Documentais da Confissão de Fé Batista de 1689, 2015. Disponível em: <http://oestandartedecristo.com/texto/370/fontes-documentais-da-confissao-de-fe-batista-de-1689> Acesso em: 01 fev. 2018. (Texto em inglês: https://www.ccel.org/ccel/anonymous/bcf.iii.iv.html)

 

TOKASHIKI, Ewerton B. Os membros da Assembleia de Westminster, 2013. Disponível em: <http://doutrinacalvinista.blogspot.com.br/2013/02/os-membros-da-assembleia-de-westminster.html>. Acesso em: 04 fev. 2018.

 

UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil). A Declaração de Savoy de Fé e Ordem. Disponível em: <http://uiecb.com.br/a-declaracao-de-savoy-de-fe-e-ordem/>. Acesso em: 03 jan. 2018.

 

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