Textos

 
1  2  >

O Valor da Pregação Através dos Livros da Bíblia | Tom Hicks

 

Eu acredito que pregadores podem fielmente pregar sermões tópicos e temáticos que expliquem a Bíblia, e eles podem pregar sermões em textos particulares da Escritura sem que preguem através de livros inteiros da Bíblia. Mas aqui estão alguns motivos pelos quais a pregação através de livros inteiros da Bíblia é valiosa.

1. Pregar através dos livros da Bíblia nos força a lidar com tudo que a Bíblia tem a dizer. Algumas passagens da Escritura são difíceis de entender e algumas são difíceis de acreditar. Esse fato as vezes incitam pregadores a pregarem nas passagens fáceis. Mas, se pregarmos cada vez através de livros inteiros, então não temos escolha senão lidar com os textos difíceis, e debater com seus significados e aplicações, mesmo se seus significados e aplicações são difíceis e desconfortáveis para nós.

2. Pregar através de livros inteiros da Bíblia ao mesmo tempo nos previne contra a má interpretação da Bíblia porque nos força a lidar com cada verso da Bíblia no seu próprio contexto. É fácil tirar um versículo de contexto e fazê-lo dizer o que nós queremos que ele diga. Isso até pode acontecer inadivertidamente. Mas é muito mais difícil de interpretar mal a Bíblia se essas palavras e frases são estudadas no contexto da mensagem dos livros no qual elas foram são encontradas.

3. Pregar através de livros inteiros da Bíblia nos mantém longe de “cavalinhos de pau” ou temas favoritos. Seria fácil encontrar umas poucas coisas encorajadoras ou um grupo de distintivos (distintivos Batistas, Calvinismo, Arminianismo, visões sobre o milênio, etc.) na Escritura e restringir nossa pregação a esses itens. Mas se nós estudarmos sempre através dos livros inteiros, então teremos exatamente o equilíbrio de que aquilo que Deus pensa é apropriado, perfeito e enfatizando proporcionalmente o caráter de Deus, o julgamento, a graça, a cruz, o chamado para fé e arrependimento, como viver como cristãos, a igreja, céu e inferno, etc.

4. A pregação fiel através dos livros inteiros da Bíblia é centrada no plano redentor de Deus em Cristo. Quando a pregação expositiva através dos livros da Escritura é feita corretamente, ela revela uma unidade do propósito divino da salvação dos pecadores em Cristo. O pregador expositivo prega não apenas porções da Bíblia, mas a Bíblia inteira em cada sermão. Isso significa que a lei e o evangelho estão sempre presentes. Muitos sermões hoje são cheios de vulgaridades impotentes, os quais dão um conforto não verdadeiro, e de moralismos, que amarram a consciência. Mas, a pregação expositiva dirige o pregador para a toda doutrina e lei fundamentada na pessoa de Jesus Cristo.

5. Pregando através de livros inteiros permite o Espírito Santo, que escreveu a Escritura, estabelecer a agenda todo Domingo. Pregar dessa forma nos permite estudar e aplicar o que Deus falou na ordem na qual Deus o falou. O pregador expositivo não pode vir para o púlpito como um mestre que estabelece a agenda para a igreja a cada domingo. Antes, ele vem com um escravo para a agenda de Deus. Isso é benéfico tanto para o pregador como para a congregação. O papel do pregador não é o de um ch​ef, mas de um garçom, que simplesmente serve a comida que Deus tem preparado para Seu povo.

6. Nós devemos pregar através de livros inteiros a cada vez porque cada palavra da Bíblia é verdade. Se cada palavra não fosse verdade, então podemos selecionar e escolher dentre os textos da Escritura, optando por pregar e estudar o que acreditamos ser verdade, enquanto rejeitamos o resto. Mas, uma vez que cada palavra da Bíblia é verdade e expirada por Deus para nossa santificação, devemos pregar cada palavra da Bíblia.

Veja mais

Hermenêutica: A Prioridade do Novo Testamento | Por Tom Hicks

 

Um aspecto importante da hermenêutica bíblica (a teoria da interpretação bíblica) é o princípio da “prioridade do Novo Testamento”. No início da Idade Média, Agostinho de Hipona (354-430) expressou a prioridade do Novo Testamento com a frase: “O Novo está no Antigo velado; o Antigo está no Novo revelado”. Agostinho quis dizer que o Antigo Testamento contém tipos e figuras sombrios que só são claramente reveladas no Novo Testamento. Em outras palavras, o Novo Testamento explica o Antigo Testamento. Os Reformadores Protestantes e os Puritanos também olharam para o Novo Testamento para governar sua interpretação do Velho. No início do Confessionalismo Batista Particular, Nehemiah Coxe, concordou com o princípio interpretativo Reformado quando escreveu: “...o melhor intérprete do Antigo Testamento é o Espírito Santo nos falando no Novo”.[1]

O princípio interpretativo da prioridade do Novo Testamento é derivado de um exame das próprias Escrituras. Ao ler a Bíblia, percebemos que textos anteriores nunca interpretam explicitamente textos posteriores. Os textos anteriores fornecem o contexto interpretativo para textos posteriores, mas textos anteriores nunca citam textos posteriores e os explicam diretamente. Em vez disso, o que encontramos é que textos posteriores fazem referência explícita a textos anteriores e fornecem explicações sobre eles. Além disso, a parte posterior de qualquer livro sempre deixa clara a parte anterior. Quando você começa a ler um romance, por exemplo, você ainda está conhecendo as personagens, a configuração, o contexto, etc., mas, mais tarde, à medida que a história avança, as coisas que aconteceram no início do livro fazem mais sentido e tomam um novo significado. Mistérios são resolvidos. As conversas anteriores entre personagens ganham novo significado à medida que o romance se desenrola. Partes posteriores da estória têm o principal poder explicativo sobre as partes anteriores.

O princípio hermenêutico da prioridade do Novo Testamento simplesmente reconhece esses fatos. Seguindo o exemplo da Bíblia, os intérpretes devem permitir que uma revelação posterior na Bíblia explique a revelação anterior, ao invés de insistir em suas próprias interpretações sem a inspiração da revelação anterior, sem referência às explicações autoritativas da revelação posterior.

Uma Resposta à Oposição de John MacArthur à Prioridade do Novo Testamento

Sobre e contra a prioridade do Novo Testamento, John MacArthur afirma que fazer “do Novo Testamento a autoridade final sobre o Antigo Testamento nega a perspicuidade do Antigo Testamento como uma revelação perfeita em si mesmo”.[2] Claro, a afirmação de MacArthur é facilmente revertida. Pode-se argumentar que sugerir que o Novo Testamento não é a autoridade final sobre o Antigo Testamento nega a perspicuidade (que significa “clareza”) do Novo Testamento como revelação perfeita em si mesma. Além disso, MacArthur não explica o fato de que o Antigo Testamento ensina que suas próprias profecias podem ser difíceis de entender porque são dadas em enigmas (Números 12:6-8). O Novo Testamento também reconhece que o Antigo Testamento nem sempre é claro. Ele nos diz sobre “mistérios” no Antigo Testamento ainda por serem revelados (Colossenses 1:26). O significado das “sombras” do Antigo Testamento (Hebreus 10:1) e “tipos” (Gálatas 4:24) apenas ficam claros depois que Cristo veio. Os Batistas Históricos entenderam isso. A Confissão de Fé Batista de 1689 1.7 afirma com precisão: “Nem todas as coisas em si mesmas são igualmente claras na Escritura”. Ou seja, nem tudo na Escritura é igualmente claro, contrariando o que diz John MacArthur. Assim, a crítica de MacArthur à prioridade do Novo Testamento não é consistente com o que a Bíblia ensina sobre o caráter “sombrio” do Antigo Testamento.[3]

Prioridade do Novo Testamento: Dispensacionalismo e Pedobatismo

Para ilustrar como esse princípio da prioridade do Novo Testamento afeta a nossa teologia, considere o exemplo de Dispensacionalistas e de Pedobatistas. Tanto Dispensacionalistas como Pedobatistas permitem erroneamente que o Antigo Testamento tenha prioridade sobre o Novo Testamento. Ambos os sistemas de interpretação leem a promessa de uma descendência em Gênesis 17:7 como uma promessa de um grande número de descendentes físicos de Abraão. Em Gênesis 17:7, Deus diz: “E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti”.

Os Dispensacionalistas pensam que Gênesis 17:7 estabelece uma promessa eterna para o Israel nacional, e eles interpretam o Novo Testamento, convencidos que Deus tem planos futuros para o Israel nacional. Os Pedobatistas, por outro lado, pensam que a promessa em Gênesis 17:7 é p Pacto da Graça com Abraão e com todos os seus filhos físicos, o que leva ao batismo de bebês no Novo Testamento e às igrejas intencionalmente mistas contendo em sua membresia crentes e incrédulos.[4]

Se, no entanto, permitimos que o Novo Testamento interprete Gênesis 17:7, então evitaremos o erro cometido pelo Dispensacionalismo e pelo Pedobatismo. Gálatas 3:16 diz: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo”. Note que Gálatas 3:16 nega explicitamente uma descendência plural. A promessa é apenas para um filho e não para muitos. “Não diz: E às descendências” (Gálatas 3:16).

Portanto, à luz do ensinamento claro do Novo Testamento, devemos concluir que tanto Dispensacionalistas como Pedobatistas interpretam mal o Antigo Testamento porque não conseguem permitir que o Novo Testamento tenha prioridade de interpretação. Ambos os sistemas concluem que a promessa à semente de Abraão é uma promessa aos descendentes físicos, e não a Cristo. Este erro leva os Pedobatistas a enfatizar excessivamente uma igreja visível propagada por uma geração natural com sua leitura das Escrituras e leva os Dispensacionalistas a enfatizar excessivamente Israel, quando o Novo Testamento claramente nos ensina a enfatizar Cristo. A promessa da “descendência” é uma promessa a Cristo, não aos homens.[5] Esta não é uma negação de qualquer aspecto coletivo em relação à descendência; em vez disso, reconhece que a semente é Cristo e que, pela união salvífica com Ele, os eleitos também são descendência nEle (Gálatas 3:7, 14, 29). Assim, todas as promessas feitas a Abraão em Gênesis 17: 7 foram feitas a Cristo e a todos os que estão unidos salvificamente a Ele, judeus e gentios. A promessa é, portanto, centrada em Cristo, não centrada no homem, como os Batistas Históricos sempre ensinaram.

Veja mais

O que é um Batista Reformado? | Por Tom Hicks

 

O que é que faz um “Batista Reformado” distinto de outros tipos de Batistas e de outros crentes Reformados? Os Batistas Reformados surgiram da Reforma Inglesa, emergiram das igrejas Independentes Pedobatistas na década de 1640 por algumas razões teológicas muito específicas, e mantiveram um tipo particular de teologia. Aqui estão alguns dos distintivos da identidade teológica das igrejas Batistas Reformadas.

1. O Princípio Regulador do Culto. Este distintivo é colocado em primeiro lugar porque é uma das principais razões da separação entre os Batistas Calvinistas e os Independentes Pedobatistas. Os Batistas Particulares (ou Reformados) vieram do Puritanismo, que procurava reformar a Igreja da Anglicana de acordo com a Palavra de Deus, especialmente a sua adoração. Quando isso se tornou impossível devido à oposição autoritária de William Laud, os Puritanos separaram (ou foram removidos) da Igreja Anglicana. Dentro da ala Independente do separatismo Puritano, alguns deles viam a necessidade de aplicar o princípio regulador do culto ao batismo infantil também, considerando que este era o resultado consistente da mentalidade Puritana comum. Os primeiros Batistas acreditavam que os elementos do culto público estão limitados ao que a Escritura ordena. João 4:23 diz: os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (veja também Mateus 15:9). A “verdade” revelada das Escrituras limita a adoração de Deus ao que está prescrito nas Escrituras. A Segunda Confissão Batista de Londres (CFB1689) 22.1 diz:

 

O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo2 e tão limitado por Sua própria vontade revelada, de forma que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível ou qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras.3

2 Deuteronômio 12:32
3 Êxodo 20:4-6

 

Como a Bíblia não ordena o batismo infantil, os primeiros Batistas acreditavam que o batismo infantil é proibido na adoração pública, e o Batismo dos crentes só deve ser praticado como forma de adoração. Esse princípio regulador do culto limita os elementos do culto público à Palavra pregada e lida, às ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor, à oração, ao canto de Salmos, hinos e cânticos espirituais, e tudo o que a Escritura ordena.

Muitos Batistas hoje abandonaram completamente o princípio regulador do culto em favor do culto orientado ao entretenimento, do consumismo, das preferências individuais, do emocionalismo e do pragmatismo. Esses Batistas abandonaram o próprio princípio que levou ao seu surgimento inicial a partir do pedobatismo. É necessário considerar se uma igreja pode se afastar de uma doutrina necessária para o surgimento dos Batistas em seu contexto inglês e ainda assim se identificar legitimamente como uma igreja “Batista”.


2. Teologia do Pacto. Enquanto as igrejas Pedobatistas Reformadas às vezes insistem que só elas são herdeiras da verdadeira teologia do pacto, os Batistas Reformados históricos afirmaram abandonar a prática do batismo infantil precisamente por causa da teologia bíblica do pacto.

Os Batistas Reformados concordam com os Pedobatistas Reformados que Deus fez um pacto de obras com Adão, que ele quebrou e assim trouxe condenação a toda a raça humana (Romanos 5:18). Eles também dizem que Deus misericordiosamente fez um pacto de graça com Seu povo eleito em Cristo (Romanos 5:18), que é progressivamente revelado no Antigo Testamento e formalmente estabelecido na Nova Aliança na morte de Cristo (Hebreus 9:15-16). A única maneira pela qual alguém foi salvo sob a Antiga Aliança foi em virtude deste pacto de graça em Cristo, de modo que só existe um Evangelho, ou uma promessa salvífica, ao longo de todas as Escrituras.

Os teólogos pactuais Batistas, no entanto, acreditam que são mais consistentes do que seus irmãos Pedobatistas em relação à própria hermenêutica da teologia do pacto quando dão prioridade ao Novo Testamento. De acordo com o Novo Testamento, a promessa do Antigo Testamento de “você e sua descendência foi finalmente consumada em Cristo, a verdadeira descendência (Gálatas 3:16). Os filhos físicos de Abraão eram um tipo de Cristo, mas o próprio Cristo é a realidade. Os descendentes físicos foram incluídos na Antiga Aliança, não porque todos são filhos da promessa, mas porque Deus estava preservando a linhagem da promessa, até que Cristo, a verdadeira descendência, viesse. Agora que Cristo veio, não há mais razão para preservar uma linhagem física. Pelo contrário, somente aqueles que creem em Jesus são filhos de Abraão, são verdadeiros israelitas e são membros da Nova Aliança e da igreja do Senhor Jesus (Gálatas 3:7). Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a “nova aliança” é revelada como uma aliança apenas com os crentes, que tem seus pecados perdoados e que têm a lei de Deus escrita em seus corações (Hebreus 8:10-12).

Os Batistas hoje que aderem ao Dispensacionalismo acreditam que a descendência física de Abraão é o legítimo destinatário das promessas de Deus à semente de Abraão. Mas eles se afastaram de suas raízes Batistas históricas e da visão hermenêutica da unidade orgânica da Bíblia sustentada por seus antepassados. O teólogo Batista James Leo Garrett observa corretamente que o Dispensacionalismo é uma “incursão” na teologia Batista, que só emergiu aproximadamente nos últimos cento e cinquenta anos. Ver James Leo Garrett, The Baptist Theology: A Four-Century Study [A Teologia Batista: Um Estudo de Quatro Séculos] (Macon, GA: Mercer, 2009), pp. 560-570.


3. Calvinismo. Pelo fato de que Batistas Reformados mantiveram a teologia do pacto (federalismo) do século XVII, todos eles eram Calvinistas. Os pactos teológicos da antiga teologia federal sustentavam as primeiras expressões Batistas de sua soteriologia Calvinista. Quando Adão quebrou o pacto das obras, Deus amaldiçoou todos os seres humanos com naturezas totalmente depravadas (Isaías 24:5-6), o que os tornou incapazes e indispostos a virem a Cristo para a salvação.

Veja mais

A Diferença Entre o Verdadeiro Cristão e o Hipócrita, por Tom Hicks

 

Como você pode dizer que você é um crente genuíno ou um falso professo?

Um dos melhores livros que descrevem a verdadeira natureza da conversão é o The Christian’s Great Interest [O Grande Interesse do Cristão], por William Guthrie. Um grande teólogo puritano, John Owen, não só recomendou, mas disse o seguinte sobre o livro, “Penso que o autor [de The Christian’s Great Interest] é um dos maiores teólogos que já escreveu; esse livro é meu Vade-mecum (ou seja, “manual”), e eu o carrego junto ao meu Novo Testamento em Grego, eles estão sempre comigo. Eu já escrevi muitos livros, mas existe mais teologia nesse do que em todos os outros”.

William Guthrie fala sobre a diferença entre o verdadeiro Cristão e o hipócrita. Aqui estão alguns pontos onde o hipócrita pode agir como um Cristão:

1. Um hipócrita pode ser influenciado pelo Evangelho em cada parte de seu ser. Ele pode vir a ter um grande conhecimento da verdade de Deus (Hebreus 6:4). Suas emoções em relação a Cristo podem ser fortes (Mateus 13:20). Ele pode até viver mudanças drásticas em seu homem interior, como o fariseu que orou: “ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, etc.” (Lucas 18:11-12).

2. Um hipócrita pode aparentar-se como um verdadeiro Cristão. Ele pode falar sobre a Lei e o Evangelho (Salmo 50:16), pode abertamente confessar o seu pecado, para sua própria vergonha (1 Samuel 26:21), e pode se humilhar vestindo-se de saco (1 Reis 21:27). Pode considerar seus deveres com cuidado e buscar segui-los com prazer (Isaías 58:2), perseverar em temos difíceis, dar tudo que tem à Deus e aos santos, ou entregar seu corpo para ser queimado (1 Coríntios 13:3).

3. Um hipócrita pode experimentar muito da graça de Deus. Ele pode ter grandes convicções de pecado, como Judas tinha (Mateus 27:3-5). Ele pode temer a Palavra de Deus, como aconteceu com Félix (Atos 24:25), se regozijar em receber a verdade (Mateus 13:20) e ter várias experiências e provar as dádivas pela graça de Deus (Hebreus 6:4).

4. Um hipócrita pode ter características muito similares à graça salvífica do Espírito Santo. Ele pode ter um tipo de fé, como Simão que também “creu” (Atos 8:13), mas provou ser um falso cristão. Ele pode ter um aspecto de arrependimento exterior muito parecido com o arrependimento genuíno (Malaquias 3:14). Ele pode ter um grande e poderoso temor de Deus, como Balaão teve (Números 22:18). Ele pode ter tido algum tipo de esperança (Jó 8:13). O hipócrita pode até ter um pouco de amor, como Herodes teve por João (Marcos 6:26).

5. Um hipócrita pode até ter uma grande e poderosa experiência com Deus. Ele pode ter “provado o dom celestial” e se tornar um “participante do Espírito Santo” e experimentado “as virtudes do século futuro” e ainda assim, não ter uma conversão genuína [Cf. Hebreus 6:4-5].

Então, quais são as marcas de um verdadeiro Cristão? Como é discernida uma conversão genuína de uma falsa conversão? Guthrie nos dá cinco marcas de um verdadeiro Cristão que não é tomado pelo hipócrita.

1. O coração de um verdadeiro Cristão é transformado para sempre. No livro de Jeremias 32:39 o Senhor diz: “E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho, para que me temam todos os dias”. Hipócritas nunca tem a sua natureza transformada. Hipócritas querem Cristo pelos bens que Ele pode lhes dar nesse mundo. Mas o coração de um verdadeiro Cristão tem a satisfação total em Cristo como seu único tesouro nessa vida e na que há de vir.

2. A mudança do verdadeiro Cristão vem de um verdadeiro amor à Cristo. Hipócritas podem ter um exterior limpo para serem vistos por homens, que os confundem facilmente, ou para afastá-los das consequências de seus próprios pecados. Mas o Cristão verdadeiro ama a Cristo e guarda Seus mandamentos por amor ao Seu nome, para servi-lO, para conhecê-lO e para dar glória ao Seu nome (Salmo 119:6).

Veja mais

Os Cinco Pontos do Calvinismo e a Teologia Pactual, por Tom Hicks

 

Nos últimos anos, houve uma recuperação dos Cinco Pontos do Calvinismo entre muitos evangélicos, mas não houve um ressurgimento concomitante da teologia pactual do Puritanismo do século XVII como o rico solo no qual cresce a soteriologia Calvinista. Esse artigo não tentará defender completamente todas as doutrinas mencionadas, mas mostrar a conexão entre o Calvinismo e os pactos teológicos da teologia pactual. O Sínodo de Dort enumerou os Cinco Pontos do Calvinismo, não na sua ordem contemporânea encontrado no acróstico “TULIP”, mas na ordem de “ULTIP”, que é a ordem que usarei aqui.

1. Unconditional Election/Eleição Incondicional. O decreto eterno da eleição incondicional é o fundamento da teologia pactual e da doutrina da salvação. Deus escolhe salvar os pecadores não por causa de qualquer bondade ou condições previstas neles, mas apenas por causa de Sua boa vontade de redimir um povo para Ele mesmo para Lhe trazer glória. Falando de eleição divina incondicional, Paulo escreve: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Romanos 9:16). Não há condições para que Deus escolha os indivíduos para a salvação. A escolha de Deus baseia-se inteiramente em Sua vontade soberana: “Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” (Romanos 9:18).

2. Limited Atonement/Expiação Limitada. A expiação limitada pode ser melhor denominada “redenção particular” ou “expiação definitiva”. Significa que a morte de Cristo é absolutamente eficaz para salvar, que a morte de Cristo comprou cada bênção de vida para Seu povo escolhido, incluindo o novo nascimento, a fé, o arrependimento, a justificação e a adoção. Como também uma vida santa duradoura (Romanos 8:31-39). Hebreus 9:12 nos diz que Cristo realizou a salvação pelo Seu povo: “por seu próprio sangue... havendo efetuado uma eterna redenção”. Observe que o sangue de Cristo “efetua” a redenção. Não apenas torna possível a redenção, mas verdadeiramente efetua, realiza a redenção. Seu sangue assegura a redenção “eterna”, não uma redenção temporária. Assegura a “redenção”. Ou seja, o sangue de Cristo realmente redime e não apenas faz uma provisão para a redenção. Como apenas um número limitado de pessoas é resgatado, devemos concluir que Cristo morreu apenas para salvar o Seu povo escolhido. E isso é de fato o que as Escrituras ensinam. Mateus 1:21 diz: “Ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Em João 10:15, Jesus diz: “Dou a minha vida pelas ovelhas”. Em João 17:9, Jesus diz: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste”. A obra sacerdotal de expiação e de oração de Cristo limita-se apenas aos eleitos.

Então, o que isso tem a ver com a teologia pactual? A teologia pactual vê a “expiação limitada” como enraizada na eterna “pacto de redenção” entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos. Nessa aliança eterna (um aspecto do decreto eterno), o Pai designou o Filho para entrar neste mundo, cumprir a lei de Deus, morrer pelo Seu povo escolhido e ressuscitar dentre os mortos. O Filho concordou em cumprir a vontade do Pai (João 17:4). Um pacto é “um acordo entre duas ou mais pessoas”; portanto, é apropriado ver esse acordo entre o Pai e o Filho do ponto de vista pactual. Com base nesta aliança eterna, ou acordo, entre o Pai e o Filho, o Filho veio ao mundo, guardou a lei de Deus e realizou a redenção dos eleitos no tempo (2 Timóteo 1:9-10). A totalidade de Isaías 53 é sobre a obediência temporal de Cristo a essa aliança eterna de redenção, e Isaías 54:10 explicitamente a chama de “a aliança da minha paz”.

3. Total Depravity/Depravação Total. A expressão depravação total se refere ao fato de que os seres humanos nascem depravados em suas mentes, corações e vontades. Os pecadores não são tão depravados quanto podem ser, mas são verdadeiramente depravados em cada aspecto de suas pessoas. O resultado da depravação total é que nenhuma pessoa natural jamais buscará Deus, abraçará o Evangelho ou fará absolutamente qualquer bem. Romanos 3:10-12 explica a depravação total: “Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis”; semelhantemente, Isaías 64:7 diz: “E já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenhas”. Portanto, nenhum ser humano pode fazer nada por sua própria salvação. Homens naturais estão completamente perdidos e sem esperança em si mesmos. Eles não escolherão Cristo. Eles não virão a Ele.

Veja mais

TEMAS

AUTORES

ARQUIVOS

1  2  >

INSCREVA PARA RECEBER
NOSSAS ATUALIZAÇÕES: