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O Valor da Pregação Através dos Livros da Bíblia | Tom Hicks

 

Eu acredito que pregadores podem fielmente pregar sermões tópicos e temáticos que expliquem a Bíblia, e eles podem pregar sermões em textos particulares da Escritura sem que preguem através de livros inteiros da Bíblia. Mas aqui estão alguns motivos pelos quais a pregação através de livros inteiros da Bíblia é valiosa.

1. Pregar através dos livros da Bíblia nos força a lidar com tudo que a Bíblia tem a dizer. Algumas passagens da Escritura são difíceis de entender e algumas são difíceis de acreditar. Esse fato as vezes incitam pregadores a pregarem nas passagens fáceis. Mas, se pregarmos cada vez através de livros inteiros, então não temos escolha senão lidar com os textos difíceis, e debater com seus significados e aplicações, mesmo se seus significados e aplicações são difíceis e desconfortáveis para nós.

2. Pregar através de livros inteiros da Bíblia ao mesmo tempo nos previne contra a má interpretação da Bíblia porque nos força a lidar com cada verso da Bíblia no seu próprio contexto. É fácil tirar um versículo de contexto e fazê-lo dizer o que nós queremos que ele diga. Isso até pode acontecer inadivertidamente. Mas é muito mais difícil de interpretar mal a Bíblia se essas palavras e frases são estudadas no contexto da mensagem dos livros no qual elas foram são encontradas.

3. Pregar através de livros inteiros da Bíblia nos mantém longe de “cavalinhos de pau” ou temas favoritos. Seria fácil encontrar umas poucas coisas encorajadoras ou um grupo de distintivos (distintivos Batistas, Calvinismo, Arminianismo, visões sobre o milênio, etc.) na Escritura e restringir nossa pregação a esses itens. Mas se nós estudarmos sempre através dos livros inteiros, então teremos exatamente o equilíbrio de que aquilo que Deus pensa é apropriado, perfeito e enfatizando proporcionalmente o caráter de Deus, o julgamento, a graça, a cruz, o chamado para fé e arrependimento, como viver como cristãos, a igreja, céu e inferno, etc.

4. A pregação fiel através dos livros inteiros da Bíblia é centrada no plano redentor de Deus em Cristo. Quando a pregação expositiva através dos livros da Escritura é feita corretamente, ela revela uma unidade do propósito divino da salvação dos pecadores em Cristo. O pregador expositivo prega não apenas porções da Bíblia, mas a Bíblia inteira em cada sermão. Isso significa que a lei e o evangelho estão sempre presentes. Muitos sermões hoje são cheios de vulgaridades impotentes, os quais dão um conforto não verdadeiro, e de moralismos, que amarram a consciência. Mas, a pregação expositiva dirige o pregador para a toda doutrina e lei fundamentada na pessoa de Jesus Cristo.

5. Pregando através de livros inteiros permite o Espírito Santo, que escreveu a Escritura, estabelecer a agenda todo Domingo. Pregar dessa forma nos permite estudar e aplicar o que Deus falou na ordem na qual Deus o falou. O pregador expositivo não pode vir para o púlpito como um mestre que estabelece a agenda para a igreja a cada domingo. Antes, ele vem com um escravo para a agenda de Deus. Isso é benéfico tanto para o pregador como para a congregação. O papel do pregador não é o de um ch​ef, mas de um garçom, que simplesmente serve a comida que Deus tem preparado para Seu povo.

6. Nós devemos pregar através de livros inteiros a cada vez porque cada palavra da Bíblia é verdade. Se cada palavra não fosse verdade, então podemos selecionar e escolher dentre os textos da Escritura, optando por pregar e estudar o que acreditamos ser verdade, enquanto rejeitamos o resto. Mas, uma vez que cada palavra da Bíblia é verdade e expirada por Deus para nossa santificação, devemos pregar cada palavra da Bíblia.

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Falar e Fazer │ Jonathan Edwards │ ❝Citações❞ #2

 

 

A segunda citação da nossa série é do grande Puritano Jonathan Edwards, extraída de seu livro “A Genuína Experiência Espiritual”, publicado em português pela PES, é que é um resumo da sua obra clássica “A Treatise Concerning Religious Affections” [Um Tratado Concernente às Afeições Religiosas]. A citação é a seguinte:

 

❝Tudo o que dizemos será inútil, se não for confirmado pelo que fazemos... Palavras custam pouco. É pela dispendiosa e desinteressada prática cristã que mostramos a autenticidade de nossa fé.❞*

 

A frase supracitada está contida na Parte III: Os sinais que distinguem verdadeiras emoções espirituais. E ponto 14: A prática cristã é, para os outros, o principal sinal da sinceridade de um convertido. Bom, penso que isso já resume bem o contexto em que essa citação está inserida.

 

É um verdadeiro cuidado de todo aquele que quer seguir os ensinamentos bíblicos fugir da tão terrível ‘hipocrisia”, que pode ser definida, meio que parodiando a frase do Edwards, como: “Inutilizar o que dizemos por não o confirmarmos, fazendo”. De fato, errar aqui, isto é, dizer e não fazer, é errar em tudo e simplesmente tornar inútil toda a sua suposta vida crista.

 

Infelizmente, vejo que esse é um problema comum, e é mais sútil do que se pensa. Por exemplo, você ouvir alguém dizer que quer conhecer, buscar e ter comunhão com Deus, mas que ao mesmo tempo não quer ler a Bíblia? Ou talvez você já tenha visto, aquela pessoa que se diz Jesus Cristo é o seu senhor que toda a sua vida pertence a Ele, mas não tempo para adora-lO e servi-lO ao lado seus irmãos no contexto da igreja local?

 

__________
* EDWARDS, Jonathan. A Genuína Experiência Espiritual, ou Experiência Espiritual, Verdadeira ou Falsa. 1ª Ed. [Tradução: Marcia Serra Ribeiro Viana]. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas (PES), 1993. p. 107.

 

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Do Pacto de Obras ao Pacto da Graça | Por Pascal Denault

 

— The Founders Journal • Primavera de 2017 | Nº 108 —


Assim como os seus antecessores pedobatistas fizeram na Confissão de Fé de Westminster (CFW), os Batistas Particularmente afirmaram, na Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 (CFB), um único Pacto da Graça e apenas um povo de Deus desde Gênesis até Apocalipse. Não só os Batistas compartilharam essa convicção da mesma salvação pelo Pacto da Graça em toda a Bíblia, mas eles endossaram totalmente o conceito do Pacto de Obras que foi quebrada por Adão e consumado por Cristo.

No entanto, a CFB não é uma mera cópia do WCF e o capítulo 7 “Sobre a Aliança de Deus” é um testemunho importante da forma como os Batistas Particulares modificaram a compreensão prevalente sobre a teologia federal. Eu escrevo “modificaram” em vez de “rejeitaram” porque, mesmo em relação às alianças, os Batistas Particulares compartilhavam muito do que a WCF ensina. Os parágrafos 1 e 2 do CFB são quase idênticos aos da WCF; a diferença pode ser observada negativamente do que foi deixado de fora (especialmente os parágrafos 5 e 6 da WCF) e positivamente no parágrafo 3 do CFB, que articula distintamente a visão pactual Batista.

Neste artigo, examinaremos primeiro o parágrafo 1 e o Pacto de Obras para preparar o cenário para os parágrafos 2-3 e o Pacto da Graça. O primeiro parágrafo explica o que precisava ser feito pelo homem para receber a vida eterna. Após a Queda, o Pacto da Obras foi substituído pelo Pacto da Graça dado livremente aos crentes porque Cristo cumpriu a lei de obras mencionada no parágrafo 1. Vamos seguir esta progressão.


Como o Homem Pode Merecer a Vida Eterna Diante de Deus?


O objetivo da aliança de Deus é trazer a vida eterna ao homem. A primeira aliança levaria o homem à vida pelas obras. Deus deu a Adão “uma lei justa, que seria para a vida se ele a tivesse guardado” (CFB 6.1). Adão, ao cumprir o Pacto de Obras, ganharia a vida eterna, ou seja, ele teria selado seu vínculo de comunhão com Deus (João 17:3) em justiça por sua obediência em alcançar a incorruptibilidade e a imortalidade (1 Coríntios 15:53-54). Mas uma criatura finita e natural pode realmente merecer a vida eterna diante de um Deus infinito e eterno? O primeiro parágrafo do cap. 7 explica como isso pode acontecer:

 

A distância entre Deus e a criatura é tão grande, que, embora as criaturas racionais Lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam ter alcançado a recompensa da vida, senão por alguma condescendência voluntária da parte de Deus, que Ele Se agrada em expressar por meio de aliança.

 

A distância entre Deus e a criatura também é chamada de distinção Criador/criatura. Essa distinção e distância é tão grande que é impossível para o homem merecer qualquer coisa de Deus. A confissão apoia essa visão da impossibilidade do homem em seu estado natural de merecer qualquer coisa diante de Deus por duas passagens bíblicas: Lucas 17:10 e Jó 35:7-8. Deus não deve nada para o homem e o homem deve tudo a Deus. Mas, através de uma aliança, Deus condescende a recompensar a obediência do homem com a vida eterna. Isso é a que o parágrafo 1 se refere ao lembrar lembrando a Pacto de Obras que foi apresentado no capítulo 6.


O que é o Pacto da Graça?


O Pacto da Graça é o meio pelo qual Deus deu a vida eterna aos homens após a Queda; isso abrange todos os eleitos de todos os tempos. Essa aliança é introduzida pela confissão no parágrafo 2:

 

Ademais, tendo o homem trazido a si mesmo a maldição da lei, por sua Queda, aprouve ao Senhor fazer um Pacto de Graça, no qual Ele oferece livremente aos pecadores a vida e a salvação por meio de Jesus Cristo, exigindo deles a fé nEle, para que eles sejam salvos; e prometendo dar a todos os que são ordenados para a vida eterna, o Seu Espírito Santo, para torná-los dispostos e capazes de crer.

 

O Pacto da Graça é, simplesmente, a salvação somente pela graça, somente pela fé, somente por Cristo. Basicamente, qualquer homem está sob a maldição do Pacto de Obras quebrado em Adão ou sob a benção do Pacto da Graça em Cristo.

Embora as Escrituras não usem a expressão “Pacto da Graça”, a substância dessa aliança particular é encontrada em todos os lugares a partir de Gênesis 3:15, através da história da redenção, até sua consumação no NT. A epístola aos Hebreus atribui diretamente à graça da Nova Aliança (o Pacto da Graça) a salvação daqueles que foram chamados desde a Queda:

 

E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna (Hebreus 9:15).

 

Mesmo que o sacrifício do Pacto da Graça pelo qual todas as bênçãos advêm não tenha sido derramado até muito depois de a promessa ter sido feita, muitos já haviam sido chamados e possuíam pela fé a herança eterna. A eficácia retroativa da Nova Aliança é uma das principais razões pelas quais muitos Batistas Particulares equipararam o Pacto da Graça com a Nova Aliança.


Distinção entre Obras e Graça


Agora que introduzimos brevemente o Pacto de Obras e o Pacto da Graça, é extremamente importante distingui-las para que não confundamos a Lei e o Evangelho. O Pacto de Obras, mesmo que se origine “por alguma condescendência voluntária da parte de Deus” é uma aliança condicional. A natureza dessas duas alianças é tão distinta quanto as obras e a graça o são (Romanos 11:6). A questão não é se os cristãos tenham que obedecer a lei; de fato, aquele quanto uma lei moral, exige a obediência deles (João 15:9-10). A questão é se o Pacto da Graça é condicional ou incondicional. De acordo com a Escritura, essa aliança é inteiramente incondicional: “Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade” (Romanos 4:16).

A fé, que às vezes é chamada de condição, não é meritória; ela não é tanto uma condição como um meio para entrar no Pacto da Graça. A fé não vem do homem, mas de Deus (Efésios 2:8). Toda noção de um Pacto da Graça condicional, quer para entrar ou permanecer na aliança, compromete o Evangelho da livre graça (Gálatas 5:4).

Mesmo que pareça bastante simples distinguir entre o Pacto de Obras em Adão e o Pacto da Graça em Cristo, os princípios envolvidos em suas relações são muitas vezes confundidos. Um motivo dessa confusão vem do modo como o Pacto da Graça às vezes está relacionado com as alianças do Antigo Testamento (Abraâmica, Mosaica e Davídica). Os Reformados, antes dos Batistas Particulares, identificaram essas alianças como administrações do Pacto da Graça. Tendo em vista que a Antiga Aliança, que incluiu Abraão, Moisés e Davi, como pensavam a maioria dos pensadores Reformados, era condicional em sua natureza (Gênesis 18:19; Êxodo 19:5; Deuteronômio 7:12, 27:26; 2 Samuel 7:14). Ao apresentá-la como uma administração do Pacto da Graça, encontramos o risco de cair em graça condicional. É assim que a igreja, ao longo de sua história, muitas vezes misturou graça imerecida com obras meritórias. Os Batistas rejeitaram completamente de sua Confissão a ideia de que o Pacto da Graça foi administrado pelas alianças do A.T. Assim, eles evitam a confusão entre a Lei e o Evangelho.
 

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