Conversão, por C. H. Spurgeon

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Conversão, Sermão Nº 45. Pregado na manhã de Domingo, 7 de outubro de 1855. Por C. H. Spurgeon, em New Park Street Chapel, Southwark.

 

“Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tiago 5:19-20)

 

O verdadeiro crente está sempre prazeroso de ouvir tudo o que diz respeito à salvação de sua própria alma. Ele se alegra ao ouvir sobre o Plano da Aliança elaborado para ele desde toda a eternidade, sobre o grande cumprimento na cruz do Calvário, de todas as estipulações do Salvador, da aplicação destas pelo Espírito Santo, sobre a garantia que o crente tem na Pessoa de Cristo e dos dons e graças que acompanham a salvação de todos aqueles que são herdeiros da mesma. Mas tenho certeza que profundamente satisfeitos como estamos quando ouvimos falar de coisas que toquem a nossa própria salvação e libertação do inferno, nós, como pregadores de Deus e como novas criaturas em Cristo, tornando-nos semelhantes a Ele, temos a verdadeira benevolência do espírito e, portanto, estamos sempre muito felizes quando ouvimos, falar ou pensar sobre a salvação dos outros! Ao lado de nossa própria salvação, tenho certeza que, como Cristãos, devemos sempre valorizar a salvação de outras pessoas. Devemos sempre desejar que o que foi tão doce para o nosso próprio paladar possa também ser provado por outros. E, o que tem sido tão inestimavelmente precioso para as nossas próprias almas também possa se tornar a propriedade de todos aqueles a quem Deus se agrade em chamar para a vida eterna. Estou certo de que, amados, agora que estou prestes a pregar sobre a conversão dos ímpios, vocês irão tomar tão profundo interesse nisto como se fosse algo que imediatamente se relaciona às suas próprias almas! Afinal de contas, tais foram alguns de vocês um dia! Vocês eram não-convertidos e ímpios! E se Deus não atentasse para vocês e pusesse o Seu povo para lutar por suas almas, o que teria sido de vocês? Procure então, exercer a caridade e benevolência para com os outros, as quais Deus e o povo de Deus primeiramente exerceram para com vocês.

 

O nosso texto tem nele, em primeiro lugar, um princípio envolvido, que é o de instrumentalidade. “Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma”. Em segundo lugar, aqui há um fato geral declarado: “aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados”. E em terceiro lugar, há uma aplicação particular deste fato consumado: “Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter”, que é o mesmo princípio de quando um pecador é convertido “do erro do seu caminho”.

 

 

I. Primeiro, então, aqui há um grandioso e muito importante princípio envolvido, o de INSTRUMENTALIDADE. Deus se agradou em Sua inescrutável sabedoria e inteligência de operar a conversão de outros por instrumentos. É verdade, em nem todos os casos Ele faz assim, mas esta é a Sua pela qual ele geralmente faz. Instrumentalidade é o plano do universo. Na nova criação quase sempre é a regra invariável de Deus converter por meio de instrumentos. Agora, vamos fazer uma ou duas breves observações sobre este primeiro princípio.

 

Primeiro, então, dizemos que a instrumentalidade não é necessária a Deus. Deus pode, se Ele quiser, converter almas, sem quaisquer instrumentos que seja. O poderoso Criador que escolhe usar a espada, por vezes, pode, se Ele quiser, matar sem ela. Ele que usa o trabalhador, a espátula, e o martelo pode, se assim quiser, construir a casa em um momento! E desde a pedra fundamental até mesmo a última pedra, pode completá-la com as Palavras de Sua própria boca. Nós nunca ouvimos falar de qualquer instrumentalidade usada na conversão de Abraão. Ele vivia em uma terra no meio de idólatras. Ele foi chamado de Ur dos Caldeus e de lá Deus o chamou e o levou para Canaã por uma voz imediata, indubitavelmente do alto, pela própria agência de Deus, sem o emprego de qualquer Profeta. Pois nós não lemos sobre ninguém que pudesse, tanto quanto podemos ver, ter pregado a Abraão e lhe ensinado as verdades de Deus. Então, em tempos mais recentes, temos um poderoso exemplo do poder de Deus na conversão sem força humana. Saulo, em sua jornada em direção a Damasco, sobre o seu cavalo, ardente e cheio de fúria contra os filhos de Deus, está acelerando para convocar homens e mulheres e lançá-los na prisão, para trazê-los presos a Jerusalém. Mas de repente uma voz é ouvida do céu: “Saulo! Saulo! Por que Me persegues?”. E Saulo era um homem novo! Nenhum ministro foi seu pai espiritual, nenhum livro pode pleiteá-lo como seu convertido. Nenhuma voz humana, apenas o ultimato imediato de Jesus Cristo, Ele mesmo, de uma só vez, então e ali, e naquele local, trouxe Saulo ao conhecimento da verdade!

 

Além disso, existem alguns homens que nunca parecem precisar de conversão. Pois temos um exemplo na Escritura de João Batista, de quem se disse: “Ele era cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe”. E eu não sei, mas há alguns que muito cedo na vida têm uma mudança de coração. É certo que todas as crianças, (que indubitavelmente são, cada uma delas, eleitas, para ascender ao Céu), passam por uma mudança de coração, sem instrumentalidade. E assim podem haver algumas a respeito de quem pode ser escrito que, embora nasceram em pecado e foram concebidas em iniquidade, ainda assim foram tão cedo ensinadas a conhecer o Senhor, tão logo levadas ao Seu Nome, que deve ter sido quase sem instrumentalidade em absoluto! Deus pode, se Ele quiser, lançar o instrumento de lado! O poderoso Criador do mundo, que não usou anjos para baterem a grande massa da natureza e moldá-la em um mundo redondo. Ele que, sem martelo ou bigorna formou este mundo glorioso pode, se Ele quiser, falar, e está feito! Ele pode ordenar, e permanecerá firme! Ele não necessita de instrumentos, embora Ele os use.

 

Em segundo lugar, faremos outra observação, que a instrumentalidade é muito honrosa para Deus, e não desonrosa. Alguém poderia pensar que, talvez, à primeira vista, que refletiria mais glória a Deus, se Ele efetuasse todas as conversões, Ele próprio, sem o uso de homens. Mas isso é um grande engano. É tão honroso a Deus converter por meio de Cris-tãos e outros, como seria se Ele devesse efetivá-la sozinho. Suponha que um trabalhador tem o poder e habilidade com as mãos, sozinho, para moldar um certo artigo? Mas você põe em suas mãos as piores ferramentas que você pode encontrar! Você sabe que ele pode fazê-lo bem com as mãos, mas estas ferramentas são tão mal feitas que será o maior impedimento que você as tenha colocado em seu caminho.

 

Bem, agora, eu digo, se um homem com esses instrumentos ruins, ou essas ferramentas pobres, coisas sem ponta, que estão quebradas, que são fracas e frágeis, é capaz de fabricar algum tecido bonito, ele tem mais crédito pela utilização dessas ferramentas do que ele teria tido se houvesse feito isso simplesmente com as mãos! As ferramentas, por isso, longe de serem uma vantagem, foram uma desvantagem para ele. Longe de ser uma ajuda, são, em minha suposição, até mesmo um prejuízo para ele em seu trabalho! É assim com relação à instrumentalidade humana. Longe de sermos de alguma ajuda para Deus, somos todos obstáculos a Ele.

 

O que é um ministro? Ele é constituído por Deus em um meio de salvação, mas é uma coi-sa incrível que alguém tão falho, tão imperfeito, tão pouco hábil, deva ainda ser abençoado por Deus para trazer filhos para o Senhor Jesus! Parece impressionante como se um homem pudesse formar chuva a partir fogo, ou se ele pudesse fabricar alguns vasos de alabastro precioso a partir do refugo do monturo! Deus em Sua misericórdia faz mais do que fazer Cristãos sem meios; Ele utiliza meios maus para fazer bons homens e por isso Ele ainda reflete sobre Si o crédito, pois Seus instrumentos são, todos eles, tais coisas miseráveis! Eles são todos esses vasos de barro que nem sequer possuem a glória do ouro que comportam, como a folha que apresenta a joia, ou como a mancha escura na pintura que faz da luz mais brilhante! E ainda a mancha escura e a folha não são, em si, preciosos ou valiosos. Assim, Deus usa instrumentos para expressar a Sua própria glória e exaltar a Si mesmo.

 

Isso nos leva a outra observação, que, geralmente, Deus utiliza instrumentos. Talvez em um caso entre mil homens é convertido pela agência imediata de Deus; assim, na verdade, são todos em certo sentido. Mas, geralmente, em 99 casos de cem [casos], Deus Se agrada em usar a instrumentalidade de Seus servos ministradores da Sua Palavra, de homens Cristãos ou outros meios para os conduzir ao Salvador. Tenho ouvido falar sobre alguns — eu me lembro deles agora — que foram chamados como Saulo, de uma só vez desde o céu. Podemos lembrar a história do irmão que, na escuridão da noite, foi chamado a conhe-cer o Salvador com o que ele acredita ser uma visão do Céu ou algum efeito em sua imaginação. De um lado, ele viu uma tabuleta preta de sua culpa e sua alma ficou encantada ao ver Cristo lançar uma tabuleta branca por cima. E ele pensou ter ouvido uma voz que disse: “Eu sou Aquele que apago as tuas transgressões por amor de Mim e não Me lembrarei de seus pecados”. Ele foi um homem convertido quase sem nenhuma instrumentalidade. Mas você não encontra como um tal caso, muitas vezes. A maioria das pessoas tem sido convencidas pela conversa piedosa das irmãs, pelo santo exemplo das mães, pelo ministro, pelo professor da escola Dominical, ou pela leitura de sermões ou da Escritura. Não vamos, portanto, acreditar que Deus muitas vezes vai trabalhar sem instrumentos! Não vamos nos sentar em silêncio e dizer: “Deus vai fazer o Seu próprio trabalho”. É bem verdade, Ele o fará. Mas, então, Ele faz o Seu trabalho usando os Seus filhos como instrumentos. Ele não diz para o Cristão, quando ele é convertido: “Sente-se. Eu não tenho nada para você fazer, mas vou fazer tudo sozinho e ter toda a glória”. Não. Ele diz: “Você é um pobre e fraco instrumento. Você não pode fazer nada. Mas eis que eu te fortaleço, e eu farei você trilhar e moer os montes, e tornar os outeiros como a pragana; e por meio disso obterei mais honra através de você ter feito isso do que se eu o fizesse, tendo meu próprio braço forte rebaixado as montanhas e a quebrado em pedaços!”.

 

Agora, outro pensamento: Se Deus acha por bem fazer uso de qualquer um de nós para a conversão dos outros, devemos, então, estar muito certos de que somos, nós mesmos, convertidos. É um pensamento mui solene que Deus faz uso dos homens ímpios como instrumentos para a conversão dos pecadores! E é estranho que alguns dos mais terríveis atos de maldade têm sido o meio da conversão dos homens. Quando Charles II ordenou que o Livro dos Esportes fosse lido nas igrejas, e após o serviço, o clérigo foi obrigado a ler a todas as pessoas para passarem a tarde no que eram chamadas de inofensivas diversões e jogos que não mencionarei aqui; mesmo isto foi feito um meio de conversão!

 

Pois um homem disse consigo: “Eu sempre me diverti, assim, no dia do Senhor. Mas, agora, ao ouvir esta leitura na igreja! Quão perversos temos nos tornado! Como toda a terra deve estar corrompida”. Isto o levou a pensar em sua própria corrupção e o conduziu ao Salvador! Tem havido palavras de procedimento, eu quase disse de demônios, que têm sido um meio de conversão. A graça não é estragada pela bica de madeira podre que atravessa. Deus uma vez fez uma jumenta falar a Balaão, mas isso não prejudicou Suas palavras. Portanto, Ele fala, e não simplesmente por um jumento, o que Ele frequentemente faz, mas por algo pior do que isso! Ele pode encher a boca dos corvos com alimentos para um Elias, e ainda assim o corvo permanece sendo um corvo. Não devemos supor que, porque Deus nos fez úteis, somos, portanto, convertidos!

 

Mas, em seguida, uma outra coisa. Se Deus, em Sua misericórdia não nos torna úteis para a conversão dos pecadores, não devemos, portanto, dizer que com certeza não somos filhos de Deus. Eu acredito que há alguns ministros que tiveram o trabalho penoso de labutar de ano a ano sem ver uma única alma regenerada. No entanto, esses homens foram fiéis à sua incumbência e têm dispensado bem seu ministério. Eu não digo que tais casos ocorrem com frequência, mas eu acredito que eles tenham ocorrido algumas vezes. No entanto, note você, o final de seu ministério tem correspondido, depois de tudo; pois, qual é o fim do ministério do Evangelho? Alguns dirão que é converter os pecadores. Essa é uma finalidade adicional. Outros dirão que é converter os santos. Isso é verdadeiro. Mas a resposta adequada a ser dada é esta: glorificar a Deus! E Deus é glorificado mesmo na condenação dos pecadores! Se eu testemunho a eles a verdade de Deus e eles rejeitam o Seu Evangelho; se eu prego fielmente a Sua verdade e eles a desprezam, meu ministério não é, portanto, nulo. Ele não voltou a Deus vazio, pois mesmo na punição daqueles rebeldes, Ele será glorificado! Mesmo em sua destruição, Ele honrará a Si mesmo. E se Ele não pode obter louvores de suas canções, Ele irá por fim obter a honra de sua condenação e derrota quando Ele os lançar no fogo para sempre! O verdadeiro motivo pelo qual devemos sempre trabalhar é a glória de Deus na conversão de almas, e a edificação do povo de Deus. Porém, nunca devemos perder de vista a grande finalidade. Que Deus seja glorificado! E Ele será, se nós pregarmos a Sua verdade fiel e honestamente. Portanto, no momento, nós devemos buscar pelas almas, se Deus lhes nega a nós, não vamos dizer: “eu não terei outras misericórdias que Ele nos deu”. Em vez disso vamos consolar-nos com o pensamento de que, embora eles não sejam salvos, embora Israel não seja reunido nele, Deus vai glorificar-nos e honrar-nos finalmente!

 

Mais um pensamento sobre este assunto. Deus, usando-nos como instrumentos, nos confere a maior honra que os homens podem receber. Ó, amado, eu não me atrevo a estender-me sobre isso! Os nossos corações deveriam arder ao pensamento disso. Faz-nos sentir triplamente honrados que Deus nos use para converter almas, e é somente a graça de Deus que nos ensina, por outro lado, que é graça, e graça, somente, o que nos torna úteis; que pode manter-nos humildes sob o pensamento de que estamos trazendo almas para o Salvador! É um trabalho que aquele que uma vez entrou, se Deus o abençoou, não pode renunciar! Ele será impaciente. Ele irá longe para ganhar mais almas para Jesus. Ele pensará que é trabalhoso, porém fácil, de modo que, por qualquer meio, ele pode salvar alguns e levar os homens a Jesus. Glória e honra, louvor e poder sejam a Deus que assim honra o Seu povo! Mas quando Ele nos exalta mais, ainda concluiremos com: “Não a nós, não a nós, mas ao Teu nome seja toda a glória para todo o sempre!”

 

 

II. Em segundo lugar, chegamos ao FATO GERAL. “Aquele que converte o pecador do erro do seu caminho salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados”. A mais seleta felicidade que o peito mortal pode conhecer é a felicidade da benevolência de fazermos o bem aos nossos semelhantes. Salvar um corpo da morte é o que nos dá quase o céu na terra! Alguns homens podem se vangloriar de terem enviado muitas almas para o Inferno, que eles atiraram muitos de seus companheiros para fora do mundo. Encontramos, agora e depois, um soldado que pode gloriar-se que em batalha feriu tantos inimigos, que a sua rápida e cruel espada atingiu o coração de muitos de seus inimigos. Mas eu não considero isto glória! Se eu pensasse que havia sido o meio da morte de uma única pessoa, eu acho que dificilmente descansaria durante a noite, porque o espírito inquieto desse desgraçado assassinado me olharia nos meus olhos! Eu me lembraria que o havia matado e, talvez, enviado a sua alma, a barba por fazer e sujo, na Presença de seu Criador. Parece incrível para mim que os homens possam querer ser soldados, eu não digo se isso é certo ou errado, ainda assim, eu pergunto onde conseguem encontrar os homens. Eu não sei como, depois de uma batalha, eles podem lavar as mãos de sangue, enxugar as suas hispadas e guardá-las, e em seguida, deitarem-se ao sono e seus sonhos não serem perturbadores! Eu acho que as lágrimas cairiam quentes e escaldantes em meu rosto durante a noite e os gritos dos moribundos, e os gemidos daqueles que se aproximam da eternidade torturariam os meus ouvidos! Eu não sei como os outros podem suportar isso! Para mim, seria o portal do inferno, se eu pudesse pensar que tinha sido um destruidor de meus semelhantes.

 

Mas que felicidade é ser o instrumento da salvação de corpos da morte! Os monges do Monte St. Bernard certamente devem sentir felicidade quando eles resgatam homens da morte. O cão chega à porta e eles sabem o que significa. Ele descobriu algum pobre viajante cansado que tem permanecido a dormir na neve e está morrendo de frio e exaustão. Levantam-se os monges de seu alegre fogo, com a intenção de agir como o bom Samaritano em relação ao perdido! Por fim, eles o veem! Eles falam com ele, mas ele não responde. Eles tentam descobrir se há respiração em seu corpo e eles acham que ele está morto. Eles o levam, dão-lhe remédios. E apressando a sua pousada, eles o colocam junto ao fogo e o acaloram e aquecem, olhando para o seu rosto com ansiedade gentilmente, tanto quanto a dizer: “Pobre criatura! Você está morto?”. Quando, finalmente, eles percebem algum dos pulmões arfante, que alegria no peito daqueles irmãos, como eles dizem: “Sua vida não está extinta”. Eu acho que se pudesse haver felicidade na terra, seria o privilégio de ajudar a aquecer uma mão deste pobre quase moribundo e ser o meio de trazê-lo de volta à vida! Ou suponhamos um outro caso. A casa está em chamas e nela está uma mulher com seu filho, que não pode, por qualquer meio, escapar. Em vão, ela tenta descer as escadas. As chamas a impedem. Ela perdeu toda a presença de espírito e não sabe como agir. O homem forte vem e diz: “Abram caminho! Abram caminho! Eu preciso salvar essa mulher!”. E refrigerado pelas correntes cordiais da benevolência, ele marcha através do fogo! Embora chamuscado e quase sufocado, ele tateia seu caminho. Ele sobe uma escada, depois outra. E, embora a escada cambaleie, ele toma a mulher em seus braços, leva a criança em seu ombro e vem para baixo! Duplamente gigante, com mais força do que ele jamais possuiu antes, ele colocou sua vida em risco e, talvez, um braço fique incapacitado, ou um membro seja prejudicado, ou um sentido perdido, ou uma lesão irrecuperável seja feita ao seu corpo, no entanto, ele comemora, e diz: “eu salvei vidas da morte!”. A multidão na rua o saúda como um homem que foi o libertador de seus semelhantes, o honram mais do que o monarca que invadiu uma cidade, saqueou uma vila, e assassinou milhares!

 

Mas ah, irmãos e irmãs, o corpo que foi salvo da morte, hoje, pode morrer amanhã! Não é assim com a alma que é salva da morte: ela é salva PARA SEMPRE! Ela encontra-se para além do medo da destruição! E se há alegria no peito de um homem benevolente quando ele salva um corpo da morte, quanto mais bem-aventurado ele deve ser quando é feito o meio, nas mãos de Deus, de salvar “a alma da morte, e esconder uma multidão de pecados”. Suponha que por alguma conversação, vocês sejam feitos meio de libertação de uma alma da morte! Meus amigos, vocês estão aptos a imaginar que todas as conversões, abaixo de Deus, são feitas pelo ministro. Você comete um grande erro! Há muitas conversões realizadas por uma bem simples observação do indivíduo mais humilde. Uma única palavra falada pode ser um melhor meio de conversão do que um sermão inteiro! […].

 

Deus abençoa muitas vezes uma expressão curta incisiva de um amigo, mais do que um longo discurso de um ministro! Houve uma vez, numa aldeia onde tinha havido um reavivamento da religião, um homem que era um infiel deliberado. Apesar de todos os esforços do ministro e muitos Cristãos, ele tinha resistido a todas as tentativas e parecia estar cada vez mais confirmado em seu pecado. Por fim, as pessoas realizaram uma reunião de oração especial para interceder por sua alma. Posteriormente, Deus colocou no coração de um dos anciãos da igreja passar uma noite em oração, em nome do pobre infiel.

 

Na parte da manhã o ancião levantou-se dos joelhos, selou seu cavalo e cavalgou até a oficina do homem. Ele pretendia dizer muitas coisas para ele, mas ele simplesmente foi até ele, tomando-o pela mão e tudo o que ele pôde dizer foi: “Ó, senhor! estou profundamente preocupado com sua salvação! Estou profundamente preocupado com sua salvação! Tenho estado lutando com Deus toda esta noite pela sua salvação!”. Ele não pôde dizer mais nada, o seu coração estava demasiado cheio. Ele, então, montou em seu cavalo e afastou-se. Para baixo foi o martelo do ferreiro e ele imediatamente foi ver sua esposa. Ela disse: “Qual é o problema com você?”. “Problema suficiente”, disse o homem, “Eu fui atacado com um novo argumento neste momento. É o velho B_____. Ele esteve aqui nesta manhã. E ele disse, ‘Eu estou preocupado com a sua salvação’. Porque agora, se ele está preocupado com a minha salvação, é uma coisa estranha que eu não esteja preocupado com isso”. O coração do homem foi claramente capturado por aquele tipo de palavra do ancião. Ele tomou o seu próprio cavalo e cavalgou até a casa do ancião. Quando ele chegou lá, o ancião estava em sua sala de estar, ainda em oração. E eles se ajoelharam juntos. Deus deu-lhe um espírito contrito e um coração quebrantado e trouxe aquele pobre pecador aos pés do Salvador! Houve “uma alma salva da morte, e uma multidão de pecados cobertos”.

 

Novamente, você pode ser o meio de conversão por uma carta que você possa escrever. Muitos de vocês não têm o poder de falar ou dizer muito. Mas quando vocês se sentam sozinhos em seu quarto, vocês são capazes, com a ajuda de Deus, de escrever uma carta a um querido amigo seu. Ah, eu penso que é uma maneira muito doce de se esforçar para ser útil! Acho que nunca senti tanta seriedade pelas almas dos meus semelhantes como quando primeiro amei o Nome do Salvador. E embora eu não pudesse pregar e nunca pensei que eu seria capaz de testemunhar à multidão, eu costumava escrever textos em pequenos pedaços de papel e deixá-los em qualquer lugar, de forma que algumas pobres criaturas pudessem buscá-los e recebê-los como mensagens de misericórdia para suas almas. Lá está o seu irmão. Ele é descuidado e endurecido. Irmã, sente-se e escreva uma carta para ele! Quando ele a receber, ele talvez sorrirá mas ele vai dirá: “Ah, bem! É a carta de Betsy, afinal!”. E isso vai ter algum poder. Eu conheci um cavalheiro cuja irmã querida costumava escrever-lhe muitas vezes a respeito de sua alma. “Eu costumava”, disse ele, “permanecer com minhas costas contra um poste de luz, com um charuto na boca, talvez, às duas horas da manhã, para ler a carta. Eu sempre as leio. E as mantenho comigo”, ele disse, “chorei enchentes de lágrimas depois de ler as cartas de minha irmã. Embora eu ainda continuasse no erro dos meus caminhos, elas sempre me marcavam, elas sempre pareciam como uma mão me puxando para longe do pecado. Uma voz clamando ‘Volte! Volte!’. E, finalmente, uma carta dela, conjuntamente com uma providência solene, foi o meio de quebrar seu coração e ele buscou a salvação através de seu Salvador!”.

 

Outra vez, muitos foram convertidos pelo exemplo de verdadeiros Cristãos. Muitos de vocês sentem que não podem escrever ou pregar, vocês pensam que não podem fazer nada! Bem, há uma coisa que vocês podem fazer pelo seu mestre: vocês podem viver o Cristia-nismo. Eu acho que há mais pessoas que olham para a nova vida em Cristo escrita em vocês do que o farão na antiga vida que está escrita nas Escrituras. Um infiel usará argumentos para refutar a Bíblia, se você os colocar diante dele, mas, se você fizer para os outros como você gostaria que eles fizessem a você. Se você der do seu pão ao pobre e distribuir aos necessitados, vivendo como Jesus, falando palavras de bondade e amor. Se você viver com honestidade e retidão no mundo, ele dirá: “Bem, eu pensei que a Bíblia fosse toda hipocrisia. Mas eu não posso pensar assim agora, pois há o Sr. Fulano-de-tal, veja como ele vive! Eu poderia acreditar na minha infidelidade, se não fosse por ele. A Bíblia certamente tem um efeito sobre a sua vida e, portanto, devo acreditar nela”.

 

E, em seguida, quantas almas podem ser convertidas por que alguns homens têm o privilégio de escrever e imprimir! Há “Dr. Rise de Doddridge e Progresso da Religião”. Embora eu decididamente me oponha a algumas coisas nele, eu gostaria que todo mundo tivesse lido esse livro, tantas foram as conversões que produziu! Eu acho que é mais honorável ter escrito “Salmos e Hinos de Isaac Watts”, do que “Paraíso Perdido de Milton,” e mais a glorioso ter escrito aquele livro de velho Wilcocks: “Uma Gota de Mel”; ou o tratado que Deus tem usado tanto: “Amigo do pecador”, do que todos os livros de Homero! Eu valorizo ??livros pelo bem que podem fazer às almas dos homens. Por mais que eu respeite o gênio do Pope, ou Dryden, ou Burns, dá-me as linhas simples de Cowper que Deus usou para trazer almas para Si. Oh! pensar que podemos escrever e imprimir livros que deverão atingir os corações dos pobres pecadores! No outro dia, minha alma estava muito contente com o convite de uma mulher piedosa para ir vê-la. Ela me disse que tinha estado dez anos em sua cama e não tinha sido capaz de mexer-se com isso. “Durante nove anos”, ela disse, “eu era trevas, cega e irracional. Mas meu marido me trouxe um de seus sermões. Eu o li e Deus o abençoou para a abertura de meus olhos. Ele converteu a minha alma com o sermão. E agora, toda a glória seja a Ele! Eu amo o seu nome! “Todas as manhãs de Sabath”, disse ela, “eu espero por seu sermão. Eu vivo sobre ele durante toda a semana como tutano e gordura para o meu espírito”. “Ah”, pensei, “aqui está algo para alegrar as impressoras e todos nós que trabalhamos neste tão bom trabalho!”. Escreveu-me um bom irmão, esta semana: “Irmão Spurgeon, mantenha a sua coragem. Você é conhecido em multidões de famílias da Inglaterra e você é amado, também. Embora não possamos ouvi-lo, ou vê-lo pessoalmente, mas ao longo de nossas aldeias seus sermões são espalhados. E eu sei de casos de conversão a partir deles, mais do que eu posso te contar”. Outro amigo disse-me um exemplo de um clérigo da Igreja da Inglaterra, um cônego de uma catedral que frequentemente prega meus sermões no Sabath — se na catedral ou não, eu não posso dizer, mas espero que ele o faça. Oh! quem pode dizer, quando estas coisas são impressas, a que corações podem chegar, que bem pode efetuar? As palavras que eu falei, há três semanas, os olhos estão agora lendo, enquanto lágrimas estão jorrando deles enquanto eles leem! “Glória ao Deus Altíssimo!”.

Mas, afinal, a pregação é o meio ordenado para a salvação dos pecadores, e por isso, dez vezes mais são trazidos para o Salvador por ela do que por qualquer outro. Ah, meus amigos, ter sido o meio de salvar almas da morte pela pregação, quanta honra! Há um jovem que não faz muito tempo iniciou sua carreira ministerial. Quando ele entra no púlpito, todo mundo percebe que uma profunda solenidade existe sobre ele, além de seus anos. Sua face é branca e empalidecida por uma solenidade sobrenatural. Seu corpo está gasto por seu trabalho. Estudos constantes e luzes à meia noite têm desgastado sua constituição, mas quando ele fala ele profere palavras maravilhosas que elevam a alma para o Céu! E o velho santo diz: “Bem! Eu nunca fui tão próximo do Céu como quando eu escutei a sua voz!”.

 

Ali vem algum jovem que o escuta e critica seu aspecto. Ele acha que não há tal forma desejável, mas ele escuta. Um pensamento o golpeia, depois outro. Veja aquele homem, ele tem sido moral toda sua vida, mas ele nunca foi renovado. Agora as lágrimas começam a fluir pelo seu rosto. Basta colocar o seu ouvido contra o peito e você vai ouvi-lo gemer, “Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Ah, boa recompensa para uma estrutura a perecer ou uma constituição arruinada! Ou, considere um outro caso. Um homem está pregando a Palavra de Deus. Ele está de pé para entregar a mensagem de seu Mestre e persuade alguma pobre meretriz.

 

Tal caso eu soube não há muito tempo. Uma pobre prostituta determinou que ela tiraria a própria vida em Blackfriars Bridge. Passando por estas portas em um Domingo à noite, ela pensou que iria adentrar, pela última vez, ouvir algo que poderia prepará-la para estar diante de seu Criador. Ela forçou-se para o corredor e não pôde escapar até que eu me levantei do púlpito. O texto era: “Vês tu esta mulher?” [Lucas 7:44]. Eu detive-me sobre Maria Madalena e seus pecados; ela lavando os pés do Salvador com as suas lágrimas e enxugando-os com os cabelos da sua cabeça. Lá estava a mulher, derretida com o pensamento de que ela deveria, portanto, ouvir a si mesma descrita e sua própria vida ilustrada. Oh! pensar em salvar uma pobre prostituta da morte, livrar tal pessoa de descer à sepultura e então, como Deus se agradou, salvar sua alma de descer ao inferno! Isto não valeria dez mil vidas, se nós pudéssemos sacrificá-las todas no altar de Deus? Quando eu pensei neste texto, ontem, eu só consegui chorar ao pensar que Deus quis favorecer-me! Homens e mulheres, como vocês podem gastar melhor seu tempo e riqueza do que na causa do Reden-tor? Em que empreendimento mais santo vocês podem se envolver que neste sagrado empreendimento de salvar almas da morte e cobrir uma multidão de pecados? Esta é uma riqueza que pode levar com vocês: a riqueza que foi adquirida, sob Deus, por ter salvo almas da morte e coberto uma multidão de pecados!

 

[…]

 

III. A APLICAÇÃO eu posso apenas mencionar. Aquele que é o meio de conversão de um pecador, abaixo de Deus, “salva da morte uma alma, e cobre uma multidão de pecados”. Particular atenção deve ser dada aos apóstatas. Pois trazer apóstatas para a Igreja é tão honroso a Deus quanto trazer pecadores. “Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter”. Infelizmente, o pobre apóstata é muitas vezes o mais es-quecido! Um membro da Igreja tem desonrado a sua profissão de fé, a Igreja excomungou-o e ele foi contado como “gentio e publicano”. Sei de homens de boa reputação no ministério do Evangelho, que, há dez anos, caíram em pecado. E isto é lançado em nossos dentes até hoje! Você fala deles? Você está ao mesmo tempo informado: “Por que, há dez anos, eles fizeram isso e aquilo”. Irmãos, Cristãos devem ter vergonha de si mesmos por tomar nota de tais coisas após tanto tempo! verdadeiramente, podemos ser mais cuidados em nossas relações. Mas censurar um irmão caído pelo que ele fez há tanto tempo é contrário ao espírito de João, que foi atrás de Pedro três dias depois de ter negado o seu Mestre com juramentos e maldições! Hoje em dia isto é a moda, se um homem cai, não tenho nada a ver com ele! Os homens dizem: “Ele é um mau sujeito, não iremos atrás dele”. Amados, suponham que ele é o pior; esta não é a razão pela qual vocês devem, mais ainda, ir atrás dele? Suponhamos que ele nunca foi um filho de Deus, suponhamos que ele nunca conheceu a verdade de Deus; não é maior a razão pela qual vocês devem ir atrás dele? Eu não entendo a sua modéstia piegas, seu orgulho excessivo que não o deixará ir atrás do principal dos pecadores! Quanto pior o caso, maior é a razão por que devamos ir.

 

Mas suponha que o homem é um filho de Deus e você o lança fora; lembre-se, ele é seu irmão. Ele é um com Cristo, tanto quanto você é! Ele está justificado, ele tem a mesma justiça que você tem. E se, quando ele pecou, você o desprezou, então você despreza seu Mestre. Acautelai-vos! Você, você mesmo, pode ser tentado e pode cair um dia. Como Davi, você pode andar no terraço de sua casa, sim muito alto, e você poderá ver algo que te levará ao pecado. Então o que você dirá se os irmãos passarem por você com um sorriso de escárnio e o ignorarem? Oh, se nós temos um apóstata ligado à nossa Igreja, vamos tomar um cuidado especial com ele! Não lidemos duramente com ele. Recorde que você teria sido um apóstata, também, se não fosse pela graça de Deus. Eu aconselho, quando você vê os cristãos professos vivendo no pecado, a ser muito retraído quanto a eles. Mas se, depois de um tempo, você vê algum sinal de arrependimento, ou se você não o ver, vá procurar as ovelhas perdidas da casa de Israel. Lembrem-se que, se um de vocês se desviar da verdade e alguém o converter, permita-me lembrá-los, que “aquele que converte o pecador do erro do seu caminho, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados”.

 

“Desviados, que sentem a sua miséria”: Eu irei atrás de vocês em um momento! Pobre desviado, uma vez você foi um Cristão. Você acredita que você era? “Não”, você diz: “Eu acredito que eu enganei a mim mesmo e a outros. Eu não era filho de Deus”. Bem, se você o fez, deixe-me dizer-lhe que, se você reconhecer isto, Deus te perdoará! Suponha que você enganou a Igreja; você não é o primeiro que fez isso. Há alguns membros desta Igreja, eu temo, que o fizeram e não foram descobertos. Eu digo a você, seu caso não está perdido! Esse não é o pecado imperdoável! Alguns que tentaram enganar até os escolhidos de Deus ainda não foram abandonados! E o meu Mestre diz que Ele é capaz de salvar perfeitamente (e você não foi além do extremo) todos os que vêm a Ele! Venha então, aos Seus pés, lance-se em Sua misericórdia. E mesmo que você uma vez tenha entrado no Seu arraial como um espião, Ele não te enforcará por isto, mas estará contente por você como um troféu de misericórdia! Mas se você fosse um filho de Deus eu posso dizer honestamente: “Eu sei que eu O amo e Ele me ama,” eu te digo que Ele ainda te ama! Se você tem ido tão longe, perdido, você é tão Seu filho como sempre! Apesar de você ter fugido de seu Pai, volte, volte! Ele ainda é seu Pai. Não pense que Ele desembainhou a espada para matar você. Não diga: “Ele me expulsará da família”. Ele não o fará! Seu coração anseia por você agora. Meu Pai te ama! Venha, então, aos Seus pés e Ele não lembrará do que você tem feito! O filho pródigo estava indo contar a seu pai todos os seus pecados e pedir-lhe para fazê-lo um dos seus servos contratados, mas o Pai, cerrou os seus lábios. Ele o deixou dizer que ele não era digno de ser chamado seu filho, mas ele não o deixou dizer: “Faça-me como um servo contratado”. Volte e seu Pai o receberá de bom grado! Ele colocou Seus braços em volta de você e te beijará com os beijos de Seu amor! E Ele dirá: “Eu o encontrei, Meu filho que estava perdido. Resgatei esta ovelha que se extraviou”. Meu Pai amou você à parte das obras; Ele justificou você independentemente delas! Você não tem menos mérito, agora, do que você tinha, então! Venha e confie, e acredite nEle!

 

Finalmente, vocês que acreditam não estarem desviados, se vocês não estão salvos, lembrem-se que uma alma é salva da morte e uma multidão de pecados cobertos. Ó, meus amigos, se eu pudesse ser um homem de cem mãos para pegá-los todos, eu amaria que assim fosse. Se qualquer coisa que eu dissesse pudesse ganhar as vossas almas; se pela pregação aqui, a partir de agora até a meia-noite, eu pudesse por qualquer possibilidade cativar alguns de vocês ao amor do Salvador, eu faria isso! Alguns de vocês estão acelerando o seu caminho para o inferno com os olhos vendados! Meus ouvintes, não me enganem, vocês estão indo para o inferno tão rápido quanto o tempo pode carrega-los! Alguns de vocês estão se enganando com o pensamento de que são justos, mas não é assim. Muitos de vocês tiveram avisos solenes e nunca foram movidos por eles. Você admirou a maneira como o aviso foi dado, mas ele, em si, nunca entrou em seu coração.

 

Centenas de estão vocês sem Deus e sem Cristo, estranhos à comunidade de Israel, e eu não posso vos arguir? Este é um sistema religioso sombrio para manter-me em cativeiro e nunca me deixar falar? Ora, pobres corações, vocês conhecem a sua triste condição? Vocês sabem que “Deus está irado com o ímpio todos os dias”? Vocês sabem que “o caminho dos transgressores é duro”? Que “aquele que não crê já está condenado”? Alguma vez foi dito que “aquele que não crê será condenado”? E você pode permanecer na condenação? Meus ouvintes, vocês podem fazer a sua cama no inferno? Vocês poderiam deitar-se na boca do inferno? Vocês pensam que seria uma porção fácil para as vossas almas o ser sacudido em ondas de chamas para sempre, e ser lançado com os demônios no lugar onde a esperança não pode entrar? Vocês podem sorrir agora, mas não sorrirão em breve. Deus me envia como embaixador. Mas se você não me ouvir, Ele não enviará um embaixador, da próxima vez, mas um carrasco! Logo serão cortadas as palavras de misericórdia; a única exortação que você ouvirá será a fria voz maçante da Morte, que dirá: “Venha comigo”. Então, você não estará no lugar onde nós cantaremos louvores a Deus e onde as orações dos justos são diariamente oferecidas. A única música que você ouvirá serão os suspiros dos malditos, os brados de demônios e a gritaria dos atormentados! Oh, que Deus em Sua misericórdia arrebate-os como tições do fogo para que sejam troféus de Sua graça por toda a eternidade! A maneira de ser salvo é “renunciar suas obras e caminhos com pesar”, e correr para Jesus. E se agora você é um pecador de consciência atingida, isto é tudo que eu quero! Se você confessar que você é um pecador, isto é tudo o que Deus requer de você e até isto Ele mesmo lhe dá!

 

Jesus Cristo diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados ??e a oprimidos, e eu vos aliviarei”. Você ouve Suas palavras convidativas? Você se desviará de Seus doces olhares de misericórdia? A Sua cruz não te influencia? Os Seus sofrimentos não têm poder para trazê-lo aos Seus pés? Ah, então o que posso dizer? Apenas o braço do Espírito, que é mais poderoso do que o do homem, pode fazer derreter corações duros e curvar vontades obstinadas até ao chão!

 

Pecadores, se vocês confessarem os seus pecados, nesta manhã, há um Cristo para vocês. Vocês não precisam dizer: “Oh! que eu soubesse onde encontrá-lO”. A Palavra está perto de você, na sua boca e no seu coração. Se você, com seu coração, crer e com a boca confessar o Senhor Jesus, você será salvo, pois, “Aquele que crê e for batizado será salvo, mas aquele que não crê será condenado”.
 

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