Eleição Particular, por C. H. Spurgeon

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Eleição Particular, Sermão Nº 123. Pregado na manhã de Sabath, 22 de março de 1858. Por C. H. Spurgeon, no Music Hall, Royal Surrey Gardens.

 

“Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2 Pedro 1:10-11 — ARA)

 

É extremamente desejável que nas horas de adoração e na Casa de Oração nossas mentes estejam, tanto quanto possível, despojadas de todo pensamento mundano. Embora os negócios da semana lutarão muito naturalmente conosco para atentar contra o Sabath, é o nosso negócio guardar o Dia do Senhor da intrusão de nossas preocupações mundanas, como guardaríamos um oásis da erupção esmagadora da areia. Tenho sentido, no entanto, que hoje devemos estar rodeados por circunstâncias de dificuldade peculiar no esforço para trazer nossas mentes para questões espirituais, pois de todos os tempos, talvez, os tempos eleitorais sejam os piores. Quão importantes, nas mentes da maioria dos homens, são as questões políticas que, muito naturalmente, após a pressa da semana, combinadas com a prossecução envolvente das eleições, estamos aptos a trazer os mesmos pensamentos e os mesmos sentimentos para a Casa de Oração e especular, talvez, mesmo no local de culto, se um conservador ou um liberal retornará para o nosso município. Ou se para a cidade de Londres não deverá ser devolvido Lord John Russell, Barão de Rothschild ou o Sr. Currie. Eu pensei, esta manhã: “Bem, é inútil minha tentativa de parar este grande trem em seu progresso! As pessoas só agora estão indo em um ritmo expresso sobre estas questões. Acho que será sábio e, em vez de me se esforçar para virá-los em cima da linha, eu vou virar os pontos de sinalização, de modo que eles ainda possam continuar as suas atividades com a mesma rapidez de sempre, mas em uma nova direção! Deverá ser a mesma linha. Eles ainda devem estar viajando seriamente para a eleição, mas, talvez, eu possa ter alguma habilidade para virar os pontos para que eles tenham a possibilidade de considerar a eleição de uma forma bastante diferente!”.

 

Quando o Sr. Whitefield foi uma vez solicitado a usar sua influência em uma eleição geral, ele respondeu ao seu senhorio que lhe solicitou que ele sabia muito pouco sobre eleições gerais, mas que, se o seu senhorio tomasse o seu conselho, ele faria sua própria “vocação e eleição firme”, o que foi uma observação muito adequada. Eu não iria, no entanto, dizer a quaisquer pessoas aqui presentes, para desprezarem o privilégio que vocês têm como cidadãos. Longe esteja de mim fazê-lo! Quando nós nos tornamos Cristãos, nós não deixamos de sermos Ingleses! Quando nós nos tornamos professantes da religião, nós não cessamos de ter os direitos e privilégios que a cidadania nos tem concedido. Sempre teremos a oportunidade de usar o direito de votar, usemo-lo como que diante do Deus Todo-Poderoso, sabendo que por todas as coisas, seremos levados a prestar contas e para que entre os demais seja visto que confiamos nisto. E lembremo-nos de que somos os nossos próprios governantes, em grande parte, e que, se na próxima eleição escolhermos governadores errados, não teremos ninguém para culpar além de nós mesmos; porém de forma errada podemos agir depois, a menos que exercitemos toda a prudência e a oração ao Deus Todo-Poderoso para dirigir nossos corações a uma escolha certa neste assunto. Que Deus assim nos ajude e que o resultado seja para a Sua Glória, embora esse resultado possa ser inesperado para qualquer um de nós!

 

Tendo dito tanta coisa, deixe-me, então, voltar aos pontos e trazê-los para uma reflexão sobre a sua própria vocação particular e eleição, ordenando-lhes, nas palavras do Apóstolo: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Temos aqui, em primeiro lugar, dois pontos fundamentais na religião: “Vocação e eleição”; temos aqui, em segundo lugar, um bom conselho: “confirmar a vossa vocação e eleição”, ou melhor, assegurar-nos de que somos vocacionados e eleitos. E, em seguida, em terceiro lugar, temos algumas razões dadas pelas quais devemos usar esta diligência para ter a certeza de nossa eleição, porque, por um lado, devemos assim ser conservados de cair e, por outro lado, vamos ter “amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.

 

 

I. Em primeiro lugar, então, estão as DUAS QUESTÕES IMPORTANTES NA RELIGIÃO, as duas secretas para o mundo, apenas para serem entendidas por aqueles que foram vivificados pela graça Divina: “Vocação e eleição”.

 

Pela palavra “vocação”, nas Escrituras, entendemos duas coisas: uma, o chamado geral, que na pregação do Evangelho é dado a toda criatura debaixo do céu. O segundo chamado (o qual aqui se tem em mente) é o chamado especial, o que chamamos de chamado eficaz, através do qual Deus secretamente, no uso de meios, pelo poder irresistível do Espírito Santo, chama dentre a humanidade um determinado número dos que Ele tinha antes eleito. Ele os chama de seus pecados, para os tornar justos, desde a sua morte em delitos e pecados para tornarem-se homens de vida espiritual e de seus interesses mundanos para se tornarem amantes de Jesus Cristo. Os dois chamados diferem muito. Como Bunyan muito belamente coloca: “Por Sua chamada comum, Ele não dá nada. Por sua chamada especial, Ele sempre tem algo para dar. Ele também tem uma voz chocante para eles que estão sob Sua asa e Ele tem um clamor para dar o alarme quando vê o inimigo vir”. O que temos que obter como absolutamente necessário para nossa salvação é uma vocação especial, feita em nós — não aos nossos ouvidos, mas aos nossos corações — e não para o nosso mero entendimento carnal, mas para o homem interior, pelo poder do Espírito. E então a outra coisa importante é a eleição. Como sem vocação não há salvação, assim, sem eleição não há vocação! A Sagrada Escritura nos ensina que Deus nos escolheu desde o princípio, para que sejamos salvos para a santificação através de Jesus Cristo. Diz-nos que todos os que são ordenados para a vida eterna, crerão; e que sua crença é o efeito de serem ordenados para a vida eterna, desde antes de todos os mundos! Por mais que isso possa ser contestado, pois frequentemente é, primeiro você deve negar a autenticidade e Inspiração plena das Escrituras Sagradas antes que você possa legítima e verdadeiramente negar isso. E uma vez que, sem dúvida, eu tenho muitos aqui que são membros da Igreja Episcopal, permita-me dizer-lhes o que eu tenho dito muitas vezes anteriormente: “Vocês, de todos os homens, são os mais inconsistentes no mundo a menos que vocês acreditem na Doutrina de Eleição, pois se ela não é ensinada nas Escrituras, não existe esta coisa de uma certeza absoluta, que é ensinada em seus artigos”. Nada pode ser mais fortemente expresso, nada mais definitivamente estabelecido que a Doutrina da Predestinação no Livro de Oração Comum. Embora nos seja dito o que já sabemos, que a Doutrina é um alto mistério e só deve ser cuidadosamente manipulada por homens que são iluminados.

 

No entanto, sem dúvida, é a Doutrina da Escritura que aqueles que são salvos são salvos porque Deus os escolheu para serem salvos e são chamados como o efeito de da primeira escolha de Deus! Se algum de vocês contesta isto, eu estou sobre a autoridade das Sagradas Escrituras. Sim, e se fosse necessário recorrer à tradição, que tenho a certeza que não é, e nenhum Cristão jamais faria isso, então eu o conduziria sobre essa questão. Para que eu possa traçar esta Doutrina através dos lábios de uma sucessão de homens santos, a partir deste momento presente até os dias de Calvino. De lá para Agostinho e de lá para Paulo, ele mesmo, e até mesmo para os lábios do Senhor Jesus Cristo! A Doutrina é, sem dúvida ensinada nas Escrituras e não fossem os homens orgulhosos demais para se humilhar a ela, seria universalmente crida e recebida como sendo não outra senão a Verdade manifesta de Deus! Ora, senhores, vocês não acreditam que Deus ama Seus filhos? E vocês não sabem que Deus é imutável? Portanto, se Ele os ama, agora, Ele deve sempre os amar! Você não acredita que se os homens são salvos, é Deus quem os salva? E se assim for, você pode ver qualquer dificuldade em admitir que, porque Ele os salva, deve ter havido um propósito para salvá-los, um propósito que existia antes de todos os mundos? Será que vocês não me concedem isso? Se vocês não vão, eu tenho que deixá-los com as Escrituras, elas mesmas. E se elas não os convencerem sobre esta questão, então eu devo deixá-los não convencidos! Será perguntado, no entanto, por que está “vocação” aqui colocada antes de “eleição”, visto que a eleição é eterna e a vocação acontece no tempo? Eu respondo, porque vocação é a primeira para nós. A primeira coisa que você e eu podemos conhecer é a nossa vocação; não podemos dizer se estamos eleitos até que sintamos que somos chamados! Devemos, antes de tudo, provar a nossa vocação, e, em seguida, nossa eleição é certamente firmada. “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” [Romanos 8:30]. A vocação vem em primeiro lugar em nossa apreensão. Somos pelo Espírito de Deus chamados a partir de nosso mau estado, regenerados e transformados em novas criaturas, e, em seguida, olhando para trás, vemos a nós mesmos como sendo mais seguramente eleitos porque fomos chamados!

 

Aqui, então, eu penso ter exposto o texto. Há duas coisas que você e eu devemos provar para saber se estamos seguros de nós mesmos: se somos chamados e se somos eleitos. E ó, queridos amigos, este é um assunto sobre o qual você e eu deveríamos estar muito ansiosos, pois considere que coisa honrosa é ser eleito! Neste mundo julga-se uma coisa poderosa ser eleito para a Casa do Parlamento. Mas quanto mais honroso é ser eleito para a vida eterna? Ser eleito para a “igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus”. Ser eleito para ser um companheiro dos anjos, para ser um dos favoritos do Deus vivo, para habitar com o Altíssimo entre os mais belos dos filhos da luz, mais próximo do Trono eterno! A eleição neste mundo é apenas uma coisa de curta duração, mas a eleição de Deus é eterna. Que um homem seja eleito para uma cadeira na Câmara, sete anos deve ser o período mais longo que ele pode manter a sua eleição. Mas se você e eu somos eleitos de acordo com o Propósito Divino, vamos manter nossos assentos quando a estrela da manhã cessar de brilhar! Quando o sol tiver escurecido pela idade e quando as colinas eternas se prostrarão de fraqueza, se somos escolhidos de Deus e preciosos, então somos escolhidos para sempre, pois Deus não muda nos objetos da Sua eleição! Aqueles a quem Ele ordenou, Ele ordenou para a vida eterna: “Jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” [João 10:28].

 

Vale a pena sabermos se nós mesmos somos eleitos, pois nada neste mundo pode fazer um homem mais feliz ou mais valente do que o conhecimento de sua eleição. “Não obstante”, disse Cristo aos Apóstolos, “alegrai-vos, não porque… e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” [Lucas 10:20], este é o consolo mais doce, o mel que cai com as gotas mais preciosas de todos, o conhecimento de sermos escolhidos por Deus! E isto, também, amados, faz um homem valente. Quando um homem pela diligência tenha atingido a garantia de sua eleição, você não pode torná-lo um covarde. Você nunca pode fazê-lo chorar, [nem] “sair”, mesmo na batalha mais pesada. Ele detém o padrão firme e corta seus inimigos com a espada da Verdade de Deus. “Não fui eu ordenado por Deus para ser o porta-estandarte desta Verdade? Eu devo, eu vou apoiá-la, apesar de todos vocês”, ele diz a todos os inimigos! “Eu não sou um rei escolhido? Inundações de água podem lavar a unção sagrada da brilhante fronte de um rei? Não, nunca! E se Deus me escolheu para ser um rei e um sacerdote diante dEle para todo o sempre, aconteça o que acontecer ou venha o que vier — os dentes do leão, a fornalha ardente, a lança, a tortura, a estaca — todas essas coisas são menos do que nada, sabendo que eu sou escolhido de Deus para a salvação!”.

 

Tem-se dito que a Doutrina da Eleição naturalmente faz os homens fracos. É uma mentira! Pode parecer assim, em teoria, mas na prática sempre tem sido encontrado ser o inverso. Os homens que acreditaram na predestinação e se mantêm firmes e seguros por ela sempre fizeram as obras mais valentes. Há um ponto em que esta é semelhante até com a fé de Maomé, as obras que eram feitas por ele foram feitas principalmente a partir de uma firme confiança de que Deus lhe havia ordenado o seu trabalho. Nunca teria Cromwell impulsionado seus inimigos para sua frente se não tivesse sido na força severa desta onipotente verdade. Escassamente será encontrado um homem forte o suficiente para fazer grandes e valorosos feitos a menos que, confiante no Deus da providência, ele olhe para os acontecimentos da vida como sendo guiados por Deus! Ele então se entrega à firme predestinação de Deus, para ser preservado pela corrente de Sua vontade, contrário a todas as vontades e todos os desejos do mundo! “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”.

 

 

II. Venham, então, aqui ao segundo ponto: UM BOM CONSELHO. “Fazer firme a vossa vocação e eleição”. Não para Deus, pois elas são certas para Ele; façam com que elas sejam seguras para vocês mesmos! Assegurem-se delas. Estejam plenamente satisfeitos com elas. Em muitos de nossos lugares dissidentes de culto, muitíssimo incentivo é feito para que duvidem. Uma pessoa vem perante o pastor e diz: “Ó, senhor, eu estou com muito medo que eu não estou convertido. Eu tremo que eu não seja um filho de Deus. Oh! eu temo que eu não sou um dos eleitos do Senhor”. O pastor estenderá as mãos para ele e dirá: “Querido irmão, você está certo, desde que você possa duvidar”. Agora, eu defendo que isto é totalmente errado! A Escritura nunca diz: “Aquele que dúvida será salvo”, mas, “aquele que crê”. Pode ser verdade que o homem está em bom estado. Pode ser verdade que ele precisa de um pouco de conforto. Mas as dúvidas não são coisas boas, nem deveríamos encorajá-lo em suas dúvidas; nosso negócio é para o encorajar para longe de suas dúvidas e, pela graça de Deus, para instá-lo a “fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição”, não duvidar, mas para ter certeza disso! Ah, eu ouvi alguns céticos hipócritas dizerem: “Oh, eu tive tais dúvidas se eu sou do Senhor”, e eu pensei comigo mesmo: “Então tenho muitas grandes dúvidas a seu respeito”. Tenho ouvido alguns dizerem que tremem assim porque eles têm medo que não sejam do povo de Deus e os companheiros preguiçosos se sentam nos bancos no Domingo e apenas ouvem o sermão, nunca pensando em serem diligentes! Eles nunca fazem bem, talvez sejam inconsistentes em suas vidas e, depois, falem sobre duvidar. É bem certo que eles deveriam duvidar; é bom que duvidem e se não duvidassem, poderíamos começar a duvidar por eles! Homens ociosos não têm direito a segurança. A Escritura diz: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”.

 

Plena segurança é uma excelente aquisição. É proveitoso para um homem estar certo nesta vida e absolutamente seguro de sua própria vocação e eleição. Mas como ele pode ter certeza? Agora, muitos de nossos ouvintes mais ignorantes imaginam que a única maneira que eles têm de assegurarem-se de sua eleição é por alguma revelação, um sonho e algum mistério! Tenho gozado de muitas fartas risadas à custa de algumas pessoas que confiaram em suas visões! Realmente, se você tivesse passado entre tantos tons de ignorantes Cristãos professos como eu, e tivesse que resolver muitas dúvidas e medos, você estaria tão infinitamente enjoado de sonhos e visões que você diria, tão logo que uma pessoa começasse a falar sobre eles, “agora, apenas segure sua língua!”. “Senhor”, disse uma mulher, “eu vi luzes azuis na sala da frente, quando eu estava em oração e eu pensei que eu vi o Salvador no canto e disse para mim mesma que eu estou salva”. [O Sr. Spurgeon aqui narrava uma notável história de uma pobre mulher que teve uma ilusão singular]. E ainda há dezenas de milhares de pessoas em todas as partes do país e membros, também, de entidades Cristãs, que não têm melhores fundamentos de sua crença de que eles são chamados e eleitos, do que uma visão igualmente ridícula, ou a audição igualmente absurda de uma voz!

 

Uma jovem veio até mim há algum tempo. Ela queria se unir à Igreja e quando lhe perguntei como ela sabia ser convertida, ela disse que estava em baixo na parte inferior do jardim e ela pensou ter ouvido uma voz e ela pensou ter visto algo nas nuvens que diziam para ela tal-e-tal. “Bem”, eu disse a ela, “essa coisa pode ter sido o meio de fazer o bem para você, mas se você colocar qualquer confiança nisso, isto acabará com você”. Um sonho, sim, e uma visão muitas vezes podem levar os homens a Cristo. Tenho conhecido muitas pessoas que foram trazidas a Ele por eles, além de uma dúvida, embora tenha sido misterioso para mim como ocorreu. Mas quando os homens expressam isso como uma prova de sua conversão, é um erro; você pode ter 50 mil sonhos e 50.000 visões e você pode ser um tolo por tudo isso, e de todos ser o maior pecador por tê-los visto! Não há melhor evidência para se ter do que tudo isso: “procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”.

 

“Como, então”, diz alguém, “devo confirmar minha vocação e eleição?”. Desta maneira: se você quer sair de um estado de dúvida, saia de um estado de ociosidade. Se você quer sair de um estado de tremor, saia de um estado de mornidão indiferente, pois tibieza, e dúvida, e preguiça, e tremor muito naturalmente andam de mãos dadas! Se você quiser desfrutar da eminente graça da plena certeza de fé sob a influência e assistência do Bendito Espírito, faça o que a Escritura diz a você: “Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”. Em que você será diligente? Note como a Escritura nos deu uma lista. Seja diligente em sua fé. Tome cuidado que a sua fé seja do tipo correto, que não seja um credo, mas uma crença; que não seja uma mera crença da doutrina, mas um recebimento da Doutrina em seu coração e a iluminação prática da Doutrina em sua alma! Tome cuidado que a sua fé resulte da necessidade, que você creia em Cristo, porque não há nada mais para se acreditar. Cuide para que esta fé seja simples, pendurada sozinha em Cristo, sem qualquer outra dependência, senão em Jesus Cristo e nEle crucificado. E quando você tiver sido diligente sobre isso, empregue diligência ao lado de sua coragem.

 

Trabalhe para obter virtude. Suplique a Deus que Ele lhe conceda o rosto de um leão, que você nunca tenha medo de qualquer inimigo, por mais que ele possa zombar ou ameaçá-lo, mas que você possa, com a consciência reta, ir em frente, corajosamente confiando em Deus e tendo, com a ajuda do Espírito Santo, conseguido isto, estude bem as Escrituras e obtenha conhecimento. Pois um conhecimento da doutrina tende muito a confirmar a fé. Tente entender a Palavra de Deus. Obtenha uma ideia sensata, espiritual dela. Obtenha, se puder, uma Teologia Sistemática além da Bíblia de Deus. Junte as Doutrinas. Obtenha conhecimento real, teológico, fundado sobre a Palavra infalível. Obtenha um conhecimento da ciência que é mais desprezada, mas que é a mais necessária de todas, a ciência de Cristo e dEle crucificado e das grandes Doutrinas da Graça.

 

E quando você tiver feito isso, “adicione à sua temperança conhecimento”. Tome cuidado como o seu corpo, seja temperado ali. Tome cuidado com a sua alma, seja temperado aqui. Não se embriague com orgulho. Não se exalte com a autoconfiança. Seja temperado. Não seja cruel com os seus amigos, nem amargo com os seus inimigos. Obtenha a temperança dos lábios, a temperança da vida, a temperança do coração, a temperança do pensamento. Não seja apaixonado, não se deixe levar por qualquer vento de doutrina. Obtenha temperança e, em seguida, adicione a isto, pelo Espírito Santo de Deus, a paciência. Peça-Lhe para dar-lhe a paciência que resiste às aflições, que, quando for provada, sairá como o ouro. Estabeleça-se com paciência, para que você não murmure em suas enfermidades, para que você não amaldiçoe a Deus em suas perdas, nem fique deprimido em suas aflições. Ore sem cessar, até que o Espírito Santo tenha lhe encorajado com paciência a perseverar até o fim!

 

E quando você tiver isso, obtenha a piedade. Piedade é algo mais do que religião. A maioria dos homens religiosos podem ser os homens mais ímpios e às vezes um homem de Deus pode parecer irreligioso. Deixe-me explicar este aparente paradoxo. Um homem realmente religioso é um homem que suspira por sacramentos, frequenta igrejas e capelas e é aparentemente bom, mas não vai mais longe. Um homem piedoso é um homem que não olha muito para a veste como para a pessoa, ele não olha para a forma exterior, mas a graça interior e espiritual. Ele é um homem piedoso, bem como atento à religião. Alguns homens, no entanto, são piedosos e, em grande medida, desprezam a forma. Eles podem ser piedosos sem nenhum grau de religião. Mas um homem não pode ser integralmente justo sem ser piedoso, no verdadeiro significado de cada uma dessas palavras, embora não no sentido vulgar geral delas.

 

Adicione à sua paciência um olhar para Deus. Viva diante de Sua vista, habite perto dEle! Busque por comunhão com Ele e você terá piedade. E depois disso, adicione amor fraternal. Seja amoroso em relação a todos os membros da Igreja de Cristo. Tenha um amor por todos os santos de todas as denominações. E, em seguida, adicione a isso caridade, que abra os braços para todos os homens e os ame. E quando você tiver tudo isso, então você conhecerá a sua vocação e eleição! E apenas na proporção em que vocês praticarem essas regras celestiais de vida, desta forma celestial, vocês virão a saber que são vocacionados e que vocês são eleitos. Mas por nenhum outro meio vocês podem alcançar este conhecimento a não ser pelo testemunho do Espírito, testemunhando com o vosso espírito que vocês são nascidos de Deus e então, testemunhando em vossa consciência que vocês não são o que vocês eram, mas são um novo homem ou mulher em Cristo Jesus e são, portanto, chamados e eleitos.

 

Um homem ali diz que ele é eleito. Ele se embriaga. Sim, você é eleito pelo Diabo, senhor. Essa é a sua única eleição. Outro homem diz: “Bendito seja Deus, eu não me importo com evidências [nem] um pouquinho. Eu não sou tão legalista como você é!” Não, eu ouso dizer que você não é. Mas você não tem nenhum grande motivo para bendizer a Deus sobre isso, pois, meu caro amigo, se você não tem aquelas evidências de um novo nascimento, olhe por si mesmo, “de Deus não se zomba, o que o homem semear, isso também ceifará”. “Bem”, diz o outro, “mas eu acho a Doutrina da Eleição uma Doutrina muito licenciosa”. Pense nisto o tempo que quiser, mas, por favor, testemunhe sobre como eu a tenho pregado hoje, não há nada de licencioso nela! Muito provavelmente você é licencioso e gostaria de tornar a Doutrina licenciosa, se você acreditou nela. Mas “para o puro todas as coisas são puras”. Aquele que recebe a Verdade de Deus em seu coração não costuma pervertê-la e desviar-se para maus caminhos.

Ninguém, repito, ninguém tem o direito de acreditar ser um eleito de Deus a menos que ele tenha sido regenerado por Deus! Nenhum homem tem o direito de acreditar ser alguém que foi vocacionado a menos que a sua vida esteja, em grande parte, de acordo com a sua vocação e ele ande dignamente de acordo com sua vocação! Fora com uma eleição que lhe permite viver em pecado! Fora com ela! Fora com ela! Isso nunca foi o desígnio da Palavra de Deus e nunca foi a Doutrina dos Calvinistas também! Ainda que tenhamos sido enganados e nossos ensinamentos pervertidos, nós sempre estivemos mantidos de pé por isto: estas boas obras, apesar de não adquirirem nenhum grau de mérito para a salvação, no entanto, são evidências necessárias para a salvação! E a menos que elas ocorram nos homens, a alma ainda está morta, sem vocação e não regenerada. Quanto mais você vive para Cristo, mais você O imitará. Quanto mais sua vida se conforma a Ele e mais simplesmente você se pendura sobre Ele pela fé, o mais seguro você estará de sua eleição em Cristo e da sua vocação, pelo Seu Espírito Santo. Que o Santo de Israel conceda a doce garantia da graça proporcionando-lhe “sinais para o bem” nas graças que Ele permite que você manifeste!

 

 

III. E agora, concluirei, dando-lhes A JUSTIFICATIVA DO APÓSTOLO sobre o motivo pelo que você deve confirmar a sua vocação e eleição.

 

Eu coloco um dos meus próprios para começar. É porque, como eu disse, isto fará você muito feliz. Os homens que duvidam de sua vocação e eleição não podem estar cheios de alegria. Os santos mais felizes são aqueles que conhecem e acreditam nisto. Você sabe que os nossos amigos dizem que este é um imenso deserto e você sabe a minha resposta para eles é que eles mesmos fazem todo o barulho. Não seria muito uivante se eles olhassem para cima um pouco mais e olhassem para baixo um pouco menos, pois pela fé eles iriam fazê-lo florescer como a rosa e dar a ela a excelência e glória do Carmelo e Sarom! Mas, eles uivam tanto porque eles não creem. Nossa felicidade e nossa fé são, em grande medida, proporcionais. Elas são gêmeas siamesas para o Cristão. Elas devem florescer ou decair juntas:

 

“Quando eu posso dizer que o meu Deus é meu,

Então posso a todas as minhas mágoas renunciar!

Posso percorrer o mundo debaixo dos meus pés,

E tudo o que a terra chama bom ou excelente.”

 

Mas ah,

 

“Quando prevalecem dúvidas sombrias,

Tenho medo de chamá-lO de meu,

Os fluxos de consolo parecem falhar,

E todas as minhas esperanças declinam.”

 

Só a fé pode fazer um Cristão ter uma vida feliz. Mas agora, pelas razões de Pedro. Primeiro, “porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum”. “Talvez”, diz alguém: “em atenção à eleição podemos esquecer nossa caminhada diária e, como o velho filósofo que olhou para as estrelas, podemos andar e cair em uma vala!”. “Não, não”, diz Pedro, “se você cuidar da sua vocação e eleição, você não tropeçará, mas com os olhos lá em cima, à procura de sua vocação e eleição, Deus cuidará de seus pés e você nunca cairá!” Não é muito notável que, em muitas igrejas e capelas, você não ouve muitas vezes um sermão sobre o dia de hoje? É sempre sobre a velha eternidade, ou então sobre o milênio; ou sobre o que Deus fez antes que o homem foi feito, ou então sobre o que Deus fará quando todos estiverem mortos e enterrados. É uma pena que eles não nos dizem algo sobre o que devemos fazer hoje, agora, em nossa caminhada diária e conversação! Pedro remove essa dificuldade. Ele diz: “Este ponto é um ponto de vista prático, pois você só pode responder à sua eleição por si mesmo, tomando cuidado com sua prática. E enquanto você está tão cuidando de sua prática e assegurando-se de sua eleição, você está fazendo o melhor possível para se preservar de cair”. E não é desejável que um verdadeiro Cristão seja preservado de cair? Observe a diferença entre cair e sair do caminho. O verdadeiro crente nunca pode cair e perecer caído, mas ele pode cair e ferir-se. Ele não deverá cair e quebrar o pescoço. Porém uma perna quebrada é ruim o suficiente, [mesmo] sem o pescoço quebrado. “Ainda que caia, não ficará prostrado” [Salmos 37:24]. Mas isso não é razão pela qual ele deva correr contra uma pedra! Seu desejo é que a cada dia ele possa crescer em santidade, que de hora em hora, ele possa ser mais completamente renovado até ser conformado à imagem de Cristo, que ele possa entrar em eterna bem-aventurança! Se, então, você cuidar de sua vocação e eleição, você está fazendo a melhor coisa do mundo para evitar que você caia, pois ao fazê-lo você nunca cairá.

 

E agora, o outro motivo e então terei quase concluído. “Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Uma “ampla entrada” por vezes tem sido ilustrado desta maneira: Você vê o navio acolá? Depois de uma longa viagem, ele se aproximava do porto, mas está muito danificado, as velas estão rasgadas em tiras e ele está em uma condição tão desamparada que não pode chegar ao porto, um rebocador a vapor está puxando-o com a maior dificuldade possível. Isso é justamente como o que está sendo “dificilmente salvo”. Mas você vê que outro navio? Ele fez uma viagem próspera e agora, carregado até a beira da água, com as velas todas levantadas com as lonas brancas preenchidas pelo vento, ele atraca no porto alegre e nobremente. Essa é uma “ampla entrada”! E se você e eu somos ajudados pelo Espírito de Deus para acrescentar à nossa fé, virtude e assim por diante, teremos, no final, “amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.

Há um homem que é Cristão. Mas, infelizmente, há muitas inconsistências em sua vida pelas quais ele tem que lamentar. Ele está ali, morrendo em sua cama. O pensamento de sua vida passada corre sobre ele. Ele clama: “Ó Senhor, tem piedade de mim, pecador”, e a oração é atendida. Sua fé está em Cristo e ele será salvo. Mas, oh, ele tem dores na sua cama: “Ah se eu tivesse servido melhor o meu Deus! E estes meus filhos, se eu os tivesse criado melhor, na disciplina e na admoestação do Senhor!”. “Estou salvo”, diz ele, “mas, infeliz, muito infeliz! Embora seja uma grande salvação, não posso apreciá-la ainda. Estou morrendo em tristeza, e nuvens, e escuridão. Eu confio, eu espero ser reunido aos meus pais, mas eu não tenho obras que me sigam, ou muito poucas, de fato, pois embora eu esteja salvo, eu estou somente salvo, salvo ‘como pelo fogo’”. Aqui está outro. Ele, também, está morrendo. Pergunte a ele em quem a sua dependência está, ele lhe diz: “Eu não descanso em nenhum outro lugar senão em Jesus”. Mas observe como ele olha para trás para sua vida passada. “Em tal lugar”, ele diz, “eu preguei o Evangelho e Deus me ajudou”. E, embora sem orgulho sobre si, ele não vai elogiar-se pelo que ele fez; ainda assim, ele levanta as mãos para o céu e bendiz a Deus que, durante uma vida longa ele tem sido capaz de manter as suas vestes brancas. Que ele serviu o seu Mestre. E agora, como um pé de milho totalmente maduro, ele está prestes a ser recolhido ao celeiro de seu Mestre. Ouça-o! Não é sua frágil língua presa em tremor, mas “Vitória! Vitória! Vitória!”, é o seu grito de morte, ele fecha os olhos e morre como um guerreiro em sua glória. Essa é a “ampla entrada”. Agora, o homem que “com diligência cada vez maior, [procura] confirmar a sua vocação e eleição”, deve assegurar para si “uma ampla entrada no reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo”.

 

Que imagem terrível é sugerida nestas palavras do Apóstolo, “salvos como pelo fogo”! Deixe-me tentar apresentá-la a você. O homem chegou à borda do Jordão. O tempo chegou para ele morrer. Ele é um crente, apenas um crente. Mas sua vida não foi o que ele poderia desejar. Nem tudo o que ele agora deseja que ela fosse. E agora a severa morte vem até ele, e ele tem que dar o seu primeiro passo rumo ao Jordão. Julgue seu horror quando as chamas cercam seus pés! Ele pisa na areia quente das correntes. Ele dá o próximo passo. Seu cabelo está bem próximo do fim. Embora seus olhos estejam fixos no céu, do outro lado da costa, o rosto ainda está marcado com horror. Ele dá mais um passo e ele é todo banhado no fogo. Outro passo e até seus próprios lombos estão em chamas, “salvo, assim como pelo fogo”. Uma mão forte lhe agarra e lhe arrasta para frente através da corrente. Mas quão terrível deve ser a morte, mesmo do Cristão, quando ele é salvo “como pelo fogo”! Lá na beira do rio, atônito, ele olha para trás e vê as chamas líquidas através do qual ele foi chamado a andar como consequência de sua indiferença nesta vida. Salvo ele está, graças a Deus! E seu Céu será grande, e sua coroa será dourada, e sua harpa será doce, e seus hinos serão eternos e sua felicidade imperecível, mas o seu momento moribundo, o último artigo da morte, foi obscurecido pelo pecado. E ele foi salvo “como pelo fogo”!

 

Observe o outro homem. Ele também tem que morrer. Ele frequentemente temia a morte. Ele mergulha o primeiro pé no Jordão. Enquanto seu corpo treme, seus fracos pulsos se encerram e até mesmo seus olhos estão quase fechados. Seus lábios mal podem falar, mas ele ainda diz: “Jesus, Tu estás comigo, estás comigo, passando pela corrente”; ele dá mais um passo e as águas começam agora a refrescá-lo. Ele mergulha sua mão e prova a corrente e diz para aqueles que estão o assistindo em lágrimas, que morrer é abençoado. “A corrente é doce”, diz ele, “não é amargo, é uma bênção morrer!”. Então, ele dá mais um passo e quando ele está bem próximo de ser submergido no córrego e perder a visão, diz ele:

 

“E quando você ouvir a corda do meu olho quebrar,

Como é doce o meu rolar dos minutos,

Uma palidez mortal em minha face,

Mas glória em minha alma!”

 

Essa é a “ampla entrada” do homem que corajosamente serviu o seu Deus, que, pela graça Divina, teve um caminho sem nuvens e sereno, que, por diligência, tem “feito firme a sua vocação e eleição” e, portanto, como uma recompensa, não de dívida, mas da Graça, entrou Céu com mais altas honras e com maior facilidade do que outros igualmente salvos, mas não salvos de forma tão esplêndida!

 

Apenas mais um pensamento. Diz-se que a entrada deve ser “ministrada para nós”. Isso me dá uma doce sugestão que, acho, foi colocada por Doddridge. Cristo abrirá as portas do céu, mas o trem celeste das virtudes — as obras que nos seguem — subirão conosco e ministrarão uma entrada para nós. Às vezes penso que se Deus me permitir viver e morrer para o bem dessas congregações, de modo que muitos deles sejam salvos, quão doce será entrar no céu e quando eu for para lá, ter uma entrada ministrada a mim não por Cristo, sozinho, mas por alguns de vocês a quem eu tenho ministrado! Alguém deve me encontrar no portão e dizer: “Ministro, você causou a minha salvação!”. E outra e outro e outro virão todos a exclamar o mesmo! Quando Whitefield entrou no Céu, aquele servo altamente honrado do Senhor, eu acho que posso ver os anfitriões correndo para o portão ao seu encontro! Existem milhares de lá que foram trazidos a Deus por ele! Oh! como eles escancararam os portões! E como eles louvam a Deus que ele tenha sido o meio de trazê-los para o Céu! E como a eles ministram uma entrada abundante! Haverá alguns de vocês, talvez, no Céu, com coroas sem estrelas, pois que vocês nunca fizeram bem aos seus semelhantes. Você nunca foi o meio de salvar almas, você terá coroas sem estrelas. Mas “os que a muitos ensinam a justiça”, “vocês são estrelas, sempre e eternamente”. E uma entrada será abundantemente ministrada a eles. Eu quero obter uma coroa pesada no céu, não para usar, mas para ter todo o presente mais caro para dar a Cristo! E você deve desejar o mesmo, que você possa ter todas as maiores honras e assim ter mais para lançar aos Seus pés, com: “Não a nós, mas ao Teu Nome, ó, Cristo, seja a glória”. “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”.

 

E agora, para concluir. Há alguns de vocês com os quais este texto não tem nada a fazer. Você não pode “fazer firme a sua vocação e eleição”, pois você não foi vocacionado! E você não tem o direito de acreditar que você é eleito, se você nunca foi chamado. Para alguns de vocês, deixe-me dizer, não perguntem se vocês estão eleitos, em primeiro lugar, mas perguntem se vocês são chamados. E vão para a Casa de Deus e dobrem os joelhos em oração. E que Deus, em Sua infinita misericórdia, os chamem! E observem isto, se algum de vocês pode dizer:

 

“Nada em minhas mãos eu trago,

Simplesmente a Tua Cruz me agarro.”

 

Se algum de vocês, renunciando à sua autojustiça, agora puder vir a Cristo e tomá-lO para ser o seu Tudo-em-Todos, você é chamado, você é eleito! “Fazei firme a sua vocação e eleição”, e siga o seu caminho regozijando! Que Deus o abençoe. E ao Pai, Filho e Espírito Santo, seja a glória para sempre! Amém.
 

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