O Nosso Dever Para Com Israel, por R. M. M’Cheyne

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[Este texto foi transcrito a partir de “Memórias e Lembranças”, edição de 1858]

 

“Primeiro do judeu.” (Romanos 1:16)

 

A maioria das pessoas se envergonha do Evangelho de Cristo. O sábio tem vergonha dele, porque ele convoca os homens para crer e não para argumentar; o grande se envergonha dele, porque ele traz todos para um só corpo; os ricos têm vergonha dele, porque ele deve ser obtido sem dinheiro e sem preço; as pessoas alegres se envergonham, porque temem que ele destruirá toda a sua alegria; e assim a boa notícia do glorioso Filho de Deus ter vindo ao mundo como um Fiador para os pecadores perdidos, é desprezada e negligenciada, os homens têm vergonha dele. Quem não tem vergonha dele? Uma pequena companhia, aqueles cujos corações o Espírito de Deus tocou. Eles já foram como o mundo e do mundo, mas Ele lhes despertou para verem o seu pecado e miséria, e que Cristo era um refúgio, e agora eles clamam: ninguém senão Cristo, ninguém senão Cristo! Deus não permita que eu me glorie senão na cruz de Cristo. Ele é precioso para o coração deles, Ele mora ali, Ele está muitas vezes em seus lábios, Ele é louvado em sua família, eles de bom grado O proclamam a todo o mundo. Eles têm sentido em sua própria experiência que o evangelho é o poder de Deus para salvação, primeiro do judeu e também do grego. Queridos amigos, esta é a sua experiência? Vocês já receberam o Evangelho não apenas em palavras, mas em poder? O poder de Deus tem alcançado a sua alma junto com a palavra? Então, esta palavra é sua: Porque não me envergonho do evangelho de Cristo.

 

Desejo chamar sua atenção para uma particularidade disto. Ele se gloria no Evangelho como sendo o poder de Deus para salvação primeiro do judeu, do que eu extraio essa doutrina, a saber, que o Evangelho deve ser pregado primeiro aos judeus.

 

(1) Porque o julgamento começará por eles: “Indignação e ira… primeiramente ao judeu” (Romanos 2:6-10). É um pensamento terrível que o judeu será o primeiro a comparecer perante o tribunal de Deus para ser julgado. Quando o grande trono branco for estabelecido, e assentar-se Aquele de cuja presença os céus e a terra fugirão; quando os mortos, grandes e pequenos, estarão diante de Deus, e os livros serão abertos, e os mortos serão julgados pelas coisas que estão escritas nos livros, não é impressionante pensar que Israel – o pobre cego Israel – será o primeiro a ser julgado por Deus?

Quando o Filho do Homem vier em Sua glória, e todos os anjos com Ele, quando Ele se assentará no trono da Sua glória, e diante dEle serão reunidas todas as nações, e Ele separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos bodes, quando a terrível sentença sair de Seus lábios: apartai-vos malditos, e quando o culpado for lançado de Sua presença para o castigo eterno; não é suficiente para fazer o mais descuidado entre vocês pararem por um momento e considerarem que a indignação e a ira virão primeiro sobre o judeu, que seus rostos serão marcados por uma palidez mais profunda, que seus joelhos baterão com mais intensidade um contra o outro e que seu coração desfalecerá dentro de si mais do que outros?

 

Por que isso? Porque eles tiveram mais luz do que qualquer outro povo. Deus os escolheu do mundo, para serem Suas testemunhas. Cada profeta foi enviado primeiro para eles; cada evangelista e apóstolo teve uma mensagem para eles. O Messias veio para eles. Ele disse: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” [Mateus 15:24]. A Palavra de Deus ainda é dirigida a eles. Eles têm a pura e inalterada Palavra de Deus ao seu alcance; ainda assim pecaram contra toda essa luz, contra todo esse amor. “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” [Mateus 23:37]. Seu cálice da ira será mais pleno do que o de outros homens, seu mar de ira é mais profundo. Em suas próprias faces, vocês podem ler em cada semblante, que a maldição de Deus está sobre eles.

 

Não é esta uma razão, então, pela qual o Evangelho deve ser pregado primeiro ao judeu? Eles estão prestes a perecer, a perecer mais terrivelmente do que os outros homens. A nuvem de indignação e ira que está mesmo agora represada acima do perdido, romperá primeiro sobre a cabeça do culpado, infeliz e incrédulo Israel. E você terá nenhuma das compaixões de Cristo em você, a ponto de correr primeiro para os que estão em tão triste um caso? Em um hospital, o médico corre primeiro para a cama onde se encontra o doente que está mais próximo da morte. Quando um navio está afundando, e os marinheiros corajosos deixam a terra para salvar a tripulação que está naufragando, eles não esticam o braço de ajuda primeiro àqueles que estão prestes a perecer entre as ondas? E não devemos fazer o mesmo por Israel? As ondas de ira de Deus estão prestes a rebentar pela primeira vez mais intensamente sobre eles, não devemos primeiramente buscar trazê-los para a Rocha que é mais alta do que eles? O seu caso é mais desesperador do que o de outros homens, não devemos trazer o bom Médico para eles, o único que pode trazer a saúde e curar? Pois o Evangelho é o poder de Deus para a salvação, primeiro do judeu e também do grego.

 

Eu não posso deixar este assunto sem falar uma palavra para aqueles de vocês que estão em uma situação muito semelhante à de Israel, pois vocês têm a Palavra de Deus em suas mãos, e ainda são incrédulos e não-salvos. Em muitos aspectos, a Escócia pode ser chamada o segundo Israel de Deus. Não existe nenhuma outra terra que tenha o seu Sabath como a Escócia tem, nenhuma outra terra tem mais da Bíblia do que a Escócia, nenhuma outra terra tem o Evangelho tão livremente pregado como o ar que respiramos, fresco como o fluxo das colinas eternas. Oh! então, pensem por um momento, vocês que assentam-se sob a sombra de ministros fiéis, e ainda permanecem indiferentes e não-convertidos, e não são levados a se sentarem sob a sombra de Cristo, pensem em como como sua ira será como a do judeu incrédulo. E considerem, mais uma vez, que a maravilhosa graça de Cristo é pregada primeiramente a vocês. Por mais que os seus pecados sejam como a escarlata e como o carmesim, maior e gratuito é o sangue para lavar-lhes e deixar-lhes brancos como a neve; pois esta permanece a Sua palavra para todos os Seus ministros: comecem em Jerusalém.

 

(2) É como se fosse Deus se preocupasse primeiro com os judeus. A principal glória e alegria de uma alma é ser como Deus. Você se lembra qual era a gloriosa condição em que Adão foi criado. “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” [Gênesis 1:26]. Seu entendimento era claro. Ele viu, em alguma medida, como Deus vê. Sua vontade fluiu no mesmo canal com a vontade de Deus. Suas afeições estavam postas nos mesmos objetos que Deus também amou. Quando o homem caiu, perdemos tudo isso, e nos tornamos filhos do diabo, e deixamos de ser filhos de Deus. Mas quando uma alma perdida é trazida a Cristo, e recebe o Espírito Santo, Ele mortifica o velho homem, e forma nele o novo homem, que é criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade. A nossa verdadeira alegria neste mundo é ser semelhante a Deus. Muitos descansam na alegria de ser perdoado, mas a nossa verdadeira alegria é ser como Ele é. Oh! não descanse, amado, até que seja renovado segundo a Sua imagem, até que você participe da natureza Divina. Anseie pelo dia em que Cristo se manifestará, e seremos como Ele, porque O veremos como Ele é.

 

Agora, o que eu gostaria de insistir neste momento é que devemos ser como Deus, mesmo nas coisas que são peculiares. Devemos ser como Ele na compreensão, na vontade, na santidade e também nas suas afeições peculiares. “Qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” [1 João 4:7-8]. Mas toda a Bíblia mostra que Deus tem um uma afeição peculiar por Israel. Você se lembra quando os judeus estavam no Egito, gravemente oprimidos pelos seus exatores, Deus ouviu o seu clamor, e apareceu a Moisés: “Tenho visto atentamente a aflição do meu povo… e tenho ouvido o seu clamor… porque conheci as suas dores” [Êxodo 3:7].

E, novamente, quando Deus os conduziu através do deserto, Moisés lhes diz por que Ele o fez: “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos” (Deuteronômio 7:7). Estranho, soberano e mui particular amor. Ele os amava, porque Ele os amava. Será que não devemos ser como Deus nesta característica peculiar?

 

Mas você diz que Deus os enviou ao cativeiro. Ora, é verdade Deus os espalhou por todas as terras: “Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro ouro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!” (Lamentações 4:2). Mas o que Deus diz sobre isso? “Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a amada da minha alma na mão de seus inimigos” (Jeremias 12:7). É verdade que Israel está entregue, por um momento, na mão de seus inimigos, mas é tão verdadeiro que eles ainda são os amados da Sua alma. Não deveríamos dar-lhes em nosso coração o mesmo que Deus lhes dá em Seu próprio coração? Devemos nos envergonhar de cultivarmos o mesmo sentimento que o nosso Pai celestial acalenta? Devemos nos envergonhar de sermos diferentes do mundo, e semelhantes a Deus neste amor peculiar para com Israel que está cativo?

 

Mas você diz que Deus os rejeitou. Será que Deus rejeitou o Seu povo, que antes conheceu? De maneira nenhuma! Toda a Bíblia contradiz essa ideia. “Não é Efraim para mim um filho precioso, criança das minhas delícias? Porque depois que falo contra ele, ainda me lembro dele solicitamente; por isso se comovem por ele as minhas entranhas; deveras me compadecerei dele, diz o Senhor” (Jeremias 31:20); “e plantá-los-ei nesta terra firmemente, com todo o meu coração e com toda a minha alma” [Jeremias 32:41]. “Porém Sião diz: Já me desamparou o Senhor, e o meu Senhor se esqueceu de mim. Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti” (Isaías 49:14-15); “E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades” [Romanos 11:26]. Agora, a pergunta simples para cada um de vocês e para a nossa amada Igreja é: não deveríamos compartilhar com Deus a Sua afeição peculiar por Israel? Se estamos cheios do Espírito de Deus, não devemos amar como Ele ama? Não deveria Israel estar gravado sobre as palmas das nossas mãos? Não deveríamos resolver que através da nossa misericórdia eles também alcançarão misericórdia.

 

(3) Porque o seu acesso é peculiar aos judeus. Em quase todos os países que nós temos visitado este fato é bastante notável; na verdade, parece, em muitos lugares, como se a única porta deixada aberta ao missionário Cristão é a porta da pregação aos judeus.

 

Passamos algum tempo na Toscana, o estado mais livre em toda a Itália. Ali vocês não ousam pregar o Evangelho à população Católica Romana. No momento em que você dá um folheto ou uma Bíblia, ele é levado ao sacerdote, e pelo sacerdote ao Governo, e o banimento é o resultado certo e imediato. Mas a porta está aberta para os judeus. Ninguém se preocupa com as suas almas; e, portanto, você pode levar o Evangelho a eles livremente.

 

O mesmo acontece no Egito e na Palestina. Você não ousa pregar o Evangelho aos iludidos seguidores de Maomé; mas você pode ficar de pé no mercado livre e pregar o Evangelho aos judeus, sem impedimento. Nós visitamos todas as cidades na Terra Santa, onde os judeus são encontrados. Em Jerusalém e Hebrom falamos com eles todas as palavras desta vida. Em Sicar discutimos com eles na sinagoga e na feira livre. Em Chaifa, no sopé do Carmelo, nos reunimos com eles na sinagoga. Em Sidom também discorremos livremente sobre Jesus. Em Tiro nós fizemos a primeira visita à sinagoga e à casa do rabino, e, em seguida, eles nos visitaram também; pois, quando havíamos repousado em caravana por causa do calor do meio-dia, chegaram a nós em multidões. A Bíblia Hebraica foi apresentada, e passagem após passagem explicada, ninguém nos fez temer. Em Sarepta, e Tiberíades, e Acre nós gozamos de liberdade. Há plena liberdade na Terra Santa para levar o Evangelho para os judeus.

 

Em Constantinopla, se você fosse pregar para os turcos, como alguns têm tentado, o banimento é a consequência; mas para os judeus você pode levar a mensagem. Em Valáquia e Moldávia a menor tentativa de converter um grego atrairia a vingança imediata do santo Sínodo e do Governo. Mas, em cada cidade, fomos livremente aos judeus, em Bucareste, em Foxany, em Jassy e em muitas outras aldeias remotas da Valáquia, comunicamos a mensagem a Israel sem impedimentos. A porta está aberta. 

 

Na Áustria, onde nenhum missionário de qualquer tipo é permitido, ainda encontramos os judeus dispostos a ouvir. Em suas sinagogas sempre encontramos um santuário aberto para nós; e muitas vezes, quando eles sabiam que poderiam ter nos exposto, eles esconderam que nós tínhamos estado ali.

 

Na Prússia da Polônia, a porta está aberta a quase 100.000 judeus. Você não ousa pregar aos pobres Protestantes Racionalistas. Mesmo na Prússia Protestante isso não seria permitido; mas você pode pregar o Evangelho aos judeus. Pela lei da terra, cada igreja é aberta para um ministro ordenado; e um dos missionários me garantiu que ele sempre pregou para 400 ou 500 judeus e judias de cada vez. Escolas para crianças judias também são permitidas. Visitamos três delas, e ouvimos as crianças ensinadas do caminho da salvação por um Redentor. Há doze anos atrás, os judeus não teriam chegado perto de uma igreja.

 

Se estas coisas são verdade, eu apelo a todos vocês que conhecem esses países a dizerem se é assim ou não, a porta em uma direção está fechada, e a porta para Israel está mui amplamente aberta. Oh! você não acha que Deus está dizendo por Sua providência, bem como através da Sua Palavra: ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel? Você acha que a nossa Igreja, conhecendo essas coisas, será inocente se não obedecer ao chamado? Pois o Evangelho é o poder de Deus para a salvação, primeiro do judeu e também do grego.

 

(4) Porque eles vão dar vida a um mundo morto. Muitas vezes pensei que um viajante reflexivo, passando pelos países deste mundo e observando a raça de Israel, em todas as terras, pode ser levado a imaginar, apenas a partir da luz de sua razão natural, que um povo singular é preservado para um grande propósito no mundo. Há uma aptidão singular no judeu para ser um missionário do mundo. Eles não têm esse apego peculiar à casa e país que nós temos. Eles sentem que são rejeitados em todas as terras. Eles também estão acostumados a cada clima; eles encontram-se em meio a neve da Rússia e sob o sol escaldante de Hindoostan. Eles também são, em alguma medida familiarizados com todas as línguas do mundo, e ainda têm uma língua comum, a língua sagrada, para se comunicar uns com os outros. Todas estas coisas devem, penso eu, sugerir a cada viajante inteligente enquanto ele passa por outras terras. Mas o que diz a Palavra de Deus?

 

“E há de suceder, ó casa de Judá, e casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre os gentios, assim vos salvarei, e sereis uma bênção” (Zacarias 8:13). Até hoje eles são uma maldição entre as nações, por sua incredulidade, por sua avareza; mas o tempo está chegando quando eles serão uma bênção tão grande quanto foram uma maldição.

 

“E o remanescente de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda a filhos de homens” (Miquéias 5:7). Assim como nós temos encontrado, entre as colinas áridas de Judá, que o orvalho da noite caindo silenciosamente deu vida para cada planta, criando a grama para a primavera e as flores para exalar a sua doce fragrância, assim será o Israel convertido quando então eles serão como orvalho sobre um mundo seco e morto.

 

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla das vestes de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” (Zacarias 8:23). Isso nunca foi cumprido; mas como a Palavra de Deus é verdade, isso é verdade. Talvez alguém pode dizer: Se os judeus devem ser os grandes missionários do mundo, vamos enviar missões somente para eles. Temos uma nova luz, vamos chamar de volta os nossos missionários da Índia. Eles estão desperdiçando suas vidas preciosas ali em fazer o que caberia aos judeus. Sofro ao pensar que qualquer amante de Israel deveria até agora perverter a verdade, a ponto de argumentar dessa forma. A Bíblia não diz que devemos pregar somente aos judeus, mas primeiro ao judeu. “Ide e pregai o Evangelho a todas as nações”, disse o Salvador. Vamos obedecer a Sua Palavra como criancinhas. Oh! Senhor apresse nossos amados missionários neste fervor. Oh, Senhor, dê-lhes um bom êxito, e nunca deixe uma dúvida fulminante cruzar suas mentes puras quanto ao seu campo glorioso de trabalho. Tudo pelo que nós suplicamos é que, ao enviar missionários para as nações não nos esqueçamos de começar em Jerusalém. Se Paulo for enviado aos gentios, deixe Pedro ser enviado para as doze tribos que estão dispersas; e não haja um adeus em um canto de seus corações a ser dado a esta causa, não deixem que seja um apêndice em relação às outras obras da nossa Igreja, mas sim que seja escrito na dianteira de seus corações, e sobre a bandeira da nossa amada Igreja, “primeiro do judeu”, e “começando por Jerusalém” [Lucas 24:47].

 

Por último, porque há uma grande recompensa. Bem-aventurado aqueles que te abençoarem; malditos os que te amaldiçoarem. Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam. Sentimos isso em nossas próprias almas. Ao passar de um país para outro, sentimos que havia Alguém diante de nós preparando nosso caminho. Embora tenhamos tido perigos nas águas e perigos no deserto, perigos de doença e perigos entre as nações, de tudo isso o Senhor nos livrou; e se agradar a Deus restaurar os nossos reverenciados companheiros e trazê-los desta missão em paz e segurança para suas famílias ansiosas1, teremos então uma boa razão para dizer que na observância de Seus mandamentos há grande recompensa.

 

Mas as suas almas serão enriquecidas e a nossa Igreja também, se esta causa encontrar o seu lugar certo em suas afeições. Foi bem dito por alguém que tem um lugar especial em suas afeições, e que está agora na Índia, que nossa Igreja não deve apenas ser evangélica, mas também evangelística, se deseja esperar a bênção de Deus. Ela não deve apenas ter a luz, mas dispensá-la também, caso ela deva continuar como um mordomo de Deus. Eu não posso tomar a liberdade de acrescentar a esta declaração notável, contudo digo que não só devemos ser evangelísticos, mas que Deus quer que sejamos evangelísticos. Que não somente dispensemos a luz para todos os lados, mas a dispensemos primeiro para o judeu.

 

 

Então Deus reavivará Sua obra no meio dos anos. Toda a nossa terra será refrescada como Kilsyth tem sido. As teias de aranha da controvérsia serão varridas para fora de nossos santuários, as desarmonias e ciúmes de nossa Igreja serão transformados em harmonia de louvor, e as nossas próprias almas tornar-se-ão como um jardim bem regado.

 

Pregado em 17 de novembro de 1839,

após voltar da Missão para os judeus.

 

 

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[1] Os doutores Black e Keith estavam nesta época ainda detidos no exterior por conta de uma doença.
 

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