Por Que Não Usamos o Sistema de Apelos, por William R. Downing

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ESBOÇO:

INTRODUÇÃO

(1) O Sistema de Apelos Definido e Descrito. (2) Experiência Pessoal. (3) Uma Palavra de Esclarecimento: Pecadores São Convidados a Virem a Cristo, Não Para a Frente.

I. A HISTÓRIA DO SISTEMA DE APELO

Os Primórdios: Os Reavivamentos nas Fronteiras de Kentucky

O Advento de Charles G. Finney e as “Novas Medidas”

II. A NATUREZA ANTIBÍBLICA DO SISTEMA DE APELOS

O Sistema de Apelos: Nenhum Precedente Bíblico

Charles G. Finney e Sua Defesa das “Novas Medidas”

O Batismo e o Banco dos Ansiosos

Billy Graham e Sua Defesa do Sistema de Apelos

Os Efeitos e Legado de Charles G. Finney

Sola Scriptura: A Questão Decisiva

III. A NATUREZA PSICOLÓGICA DO SISTEMA DE APELOS

O Homem Não-Regenerado Não Pode Ir Além Do Nível Psicológico

Regeneração e Conversão

Fé e Regeneração: Salvação Pela Graça Ou Pelas Obras?

IV. O CARÁTER UTILITÁRIO DO SISTEMA DE APELOS

O Sistema de Apelos: Uma Resposta Alegada Para Cada Questão

Agindo Biblicamente

V. A NATUREZA SACRAMENTAL DO SISTEMA DE APELOS

Sacramento e Sacrossanto: O Altar

Igrejas Evangélicas Com Altares?

Público, Local, Propósito, Postura e Performance?

VI. A NATUREZA SACERDOTAL DO SISTEMA DE APELOS

O Que é Sacerdotalismo?

Pregador ou Sacerdote?

Sacerdote ou Psicólogo?

VII. A NATUREZA PREJUDICIAL DO SISTEMA DE APELOS

Doutrina, Prática e Uma Metodologia Antibíblica

Uma Abordagem Híbrida Para Evangelismo

Conversões Espúrias

“As Decisões de Primeira Vez” e a Reconciliação

Uma Segurança Antibíblica

CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA

INTRODUÇÃO

Este artigo aborda o uso do sistema de apelos. Apesar de não duvidarmos da sinceridade e amor sincero por Cristo, pelas almas dos homens e pelo bem do povo de Deus por parte daqueles que utilizam tais métodos, contudo nós amorosamente discordamos deles por causa das Escrituras. Enquanto nós, por bons e necessários motivos bíblicos e doutrinais, repudiamos tal sistema, nós amamos nossos irmãos Cristãos e buscamos a unidade que é descrita no Salmo 133. Que o Senhor use esse artigo para fazer com que os nossos irmãos em Cristo e no ministério reconsiderarem e reavaliem sua metodologia evangelística, caso eles sejam adeptos de tais métodos. Os métodos antibíblicos, a menos que eles sejam totalmente incoerentes, se derivam da tradição antibíblica que por sua vez se deriva de doutrina antibíblica.

O Sistema de Apelos Definido e Descrito

O sistema de apelos, como praticado nos últimos dois séculos, é uma inovação relativamente recente, absolutamente desconhecida por mais de 1800 anos. Esse tempo anterior incluiu as eras dos maiores avivamentos e despertamentos espirituais já testemunhados na História Cristã, quando milhares incontáveis ​​foram convertidos e o clima moral de países e sociedades foram transformadas pelo poder do Evangelho.

Este sistema é inclusivo de várias práticas bem estabelecidas como o “Apelo”, o “Banco dos Ansiosos”, o “Banco dos Contristados”, a “Chamada Para Decisões”1, “Reconciliação”, e a ideia de que os resultados evangelísticos podem ser imediatamente conhecidos com um determinado grau de certeza por movimentos físicos e demonstrações emocionais. Essa ideia de “vir para a frente” ao final do culto público serve a uma finalidade utilitária de ser a resposta adequada para quase qualquer preocupação religiosa. Esta “Religião dos Tempos Antigos” não é tão antiga, e sim um relativamente novo e essencial afastamento da fé bíblica e histórica, que experimentou momentos de grande bênção sem tal por mais de 1800 anos.

Este sistema tornou-se tão arraigado no Cristianismo evangélico moderno que “vir para a frente” durante “o apelo” é muitas vezes considerado como um sinônimo de vir para Cristo.2

Isso resultou no que alguns têm chamado de “regeneração por decisão”.3

Regeneração por decisão não traz os homens para Cristo mais do que a regeneração batismal. Pode ser verdade que alguns sejam convertidos sob tal pregação, mas isso acontece apesar destes falsos métodos utilizados, e não por causa deles. A Bíblia é clara ao declarar que só pelo Espírito de Deus é que os homens podem “nascer de novo”. O verdadeiro arrependimento e fé salvífica vêm como resultado do novo nascimento e nunca são a causa da grande mudança.4

Alguém, porém, pode vir ao “altar” e nunca encontrar a Cristo. Na verdade, esta mesma ação pode vir a ser um obstáculo para a verdadeira conversão. Conversões falsas são numerosas:

Muitas vezes há um retorno ao “altar” em busca de um renovado senso de sentimento religioso. A consequente paz… é confundida com alegria espiritual. O amor-próprio, é claro, conduz a uma gratidão espúria e os faz elogiar isso; e faz com que o coração ame as circunstâncias, os meios e os companheiros de sua deliciosa intoxicação. E agora temos os “ouvintes pedregais” reproduzidos (Mateus 13:20-21). O coração morto, não tendo nenhuma verdadeira vitalidade para gerar emoção espiritual interior, afunda em um frio e triste vazio quando está sozinho; e, portanto, é mais propenso, por um tempo, a almejar um retorno ao local e às circunstâncias onde os dispositivos emocionantes foram aproveitados.5

Eu falharei neste momento sobre como apresentar o Evangelho, se eu levar alguém a pensar que ele pode obter a salvação indo para a igreja, ou para a casa de reunião, ou indo a algum ministro, ou indo para uma sala de inquérito, ou buscando alguma forma de penitência. Não devemos ir a nenhum outro lugar, senão a Jesus. Você, como você está, venha a Cristo como Ele é, e a promessa é que, quando você vir Ele te aliviará…. Você vê que há duas pessoas. Deixe que todos os outros desapareçam, e deixe que aqueles dois sejam deixados sozinho para que tratem juntos dos assuntos celestiais.6

O “apelo” é usado para vários fins. Alguns são chamados para a frente para a salvação, para o Batismo, para “reconciliação”, para algum tipo de serviço religioso ou ministério, ou por algum outro motivo ou preocupação espirituais alegados, como orar por uma pessoa, por uma determinada situação religiosa ou bênção, pela libertação de algum tipo de vício. Mas vir ao “altar à moda antiga” e vir a Cristo por qualquer razão são duas coisas completamente diferentes — e estas nunca devem ser confundidas.

Experiência Pessoal

Este escritor foi criado em um ambiente muito religioso que em seus primeiros dias como um crente professo “foi à frente” por várias razões, tanto antes como depois da sua conversão. Tendo passado por centenas de “apelos” ao longo de muitos anos quando criança, jovem, estudante de Faculdade Bíblica e como pastor, portanto, ele está um pouco qualificado para comentar sobre a natureza antibíblica deste sistema. Uma vez que ele aprendeu sobre o seu caráter antibíblico, sua história de desenvolvimento e testemunhou pessoalmente os danos que este sistema causou, tanto que ele deixou essa atividade e tomou uma posição ativa contra esta prática antibíblica.

Uma Palavra de Esclarecimento: Pecadores São Convidados a Virem a Cristo, Não Para a Frente

Uma palavra de esclarecimento é necessária. Enquanto nos opomos ao Sistema de Apelos, não nos opomos que pecadores sejam convidados a Cristo, sim, e que pecadores sejam instados a virem a Cristo durante a pregação. Nós firmemente declaramos a livre oferta do Evangelho a todo e qualquer homem sem exceção (Mateus 11:28-30; João 3:16; Atos 2:36-39, 17:30-31; 1 Timóteo 2:1-4). A que nós nos opomos é à ideia de que convidar os pecadores para virem para a frente de um edifício da igreja é algo idêntico ou que pode ser confundido com convidá-los a virem a Cristo. Nós concordamos com C. H. Spurgeon, que afirmou:

Oh, que você confiasse no Senhor Jesus!… será que eu lhe ouvi dizer: ‘Vou orar sobre isso?’, é melhor você confiar de uma vez. Ore tanto quanto você quiser depois de haver confiado, mas que bem pode advir de orações incrédulas? ‘Vou falar com um homem piedoso após o culto’. Conjuro-te que primeiro creias em Jesus…. ‘Eu gostaria de ir para a sala de inquérito’. Ouso dizer que sim, mas não estamos dispostos a agradar a superstição popular. Tememos que nestas salas os homens são encorajados a uma confiança fictícia. Pouquíssimos dos supostos convertidos de salas de inquérito acabam bem. Vá para o seu Deus diretamente, até mesmo onde você está agora. Lance-se a Cristo, agora, de uma só vez; sem precisar se mover uma polegada! Em nome de Deus, conjuro-te, creia no Senhor Jesus Cristo…!7

Também nos opomos à prática antibíblica de exortar os crentes a virem para a frente ou ao “altar” para qualquer alegada finalidade ou preocupação espiritual.

I. A HISTÓRIA DO SISTEMA DE APELOS.

Os Primórdios: Os Reavivamentos nas Fronteiras de Kentucky

A ideia de convidar ou pressionar os pecadores ou outros para virem à frente de um edifício da igreja ou a um determinado local por um suposto motivo espiritual é uma inovação relativamente recente na história do Cristianismo. Os primeiros exemplos do que se tornou conhecido como o “Sistema de Apelos” podem ser rastreados até aos Avivamentos da Fronteira de Kentucky da época 1798-1806 e às reuniões campais Metodistas. Por volta de 1793, avivamentos destes irromperam em várias partes dos Estados Unidos e se espalharam ao longo da fronteira ocidental da fronteira Americana. Tal como acontece na maioria dos avivamentos, houveram manifestações físicas, como êxtases, “empurrões”, desmaios, desfalecimentos ou queda. Os Presbiterianos e Batistas, sendo ambos fortemente Calvinistas e mais reverentes, tentaram desencorajar tais extremos emocionais em suas reuniões, mas os Metodistas começaram a promove-los. Estes “desmaios” eram vistos como a obra imediata do Espírito e como aquilo que identificava aqueles que foram “salvos”. Os Metodistas desejavam ter uma contagem imediata de seus “convertidos” por tais meios, visto que estes apoiavam sua teologia Arminiana, especialmente em um contexto onde o Calvinismo era prevalecente8. No caos de tais reuniões, logo foi determinado que as coisas aconteceriam de modo mais ordenado se as pessoas “viessem ao altar” para serem aconselhadas, orassem e fossem contadas. Nas suas reuniões campais nas fronteiras, marcadas por extremos emocionais e que duravam dias, uma determinada parte do terreno era marcada como “o altar” para esta finalidade. Isto parece ter tido sua origem em seus antecedentes Metodista Episcopais, os quais chamavam a frente da parte interior do prédio da igreja de “o altar”, o lugar onde os sacramentos eram ministrados por um sacerdote Episcopal.

Esta foi uma inovação completamente nova. George Whitefield, o Calvinista, John Wesley, o Arminiano, e os primeiros pregadores Metodistas nunca recorreram a tal prática, nem mesmo alguma vez contaram os convertidos. Como evangelistas itinerantes, eles pregaram e deixaram os resultados com Deus. Eles anotaram em seus diários que muitos estavam frequentemente ficavam muito afetados e choravam, caiam sob profunda convicção, e às vezes o emocionalismo irrompia em suas reuniões, mas tais manifestações não eram promovidas nem estimuladas. Nossos antepassados ​​Batistas, alguns dos pregadores mais evangelísticos das Colônias e nos primeiros anos da nossa República, nem conheciam e nem utilizaram o Sistema de Apelos.

O Advento de Charles G. Finney e as “Novas Medidas”

Charles G. Finney, um advogado, tornou-se um evangelista Presbiteriano na década de 1820 quase imediatamente após sua conversão, e aderiu ao “Apelo”, o “Banco dos Ansiosos” e “Banco dos Contristados” dos Metodistas, e combinou estas práticas com a sua doutrina Pelagiana ou “Teologia New Haven9, e estas se tornaram as “Novas Medidas” que desde então cada vez mais caracterizaram o evangelicalismo Americano e sua evangeliza-ção10. Finney não era um Arminiano. Ele era um Pelagiano, e, consequentemente, reduziu seu evangelismo a uma abordagem psicológica11. Para ele e para seus seguidores, a salvação era simplesmente um redirecionamento da vontade, não uma mudança de natureza necessariamente começando com a regeneração12. Isto marcou o início da ideia de pregar para persuadir a vontade ao invés de desafiar a mente com a verdade Divina para alcançar a consciência. A pregação bíblica e inteligente acabou por dar lugar a uma abordagem mais psicológica e emocional. O homem, de acordo com Finney, tinha o poder de mudar seu próprio coração, ou seja, a doutrina Pelagiana do livre-arbítrio. Nas próprias palavras do Sr. Finney:

…Em nossas investigações, doravante, entenda-se, que eu uso regeneração e conversão como termos sinônimos.13

Temos dito que a regeneração é sinônimo, na Bíblia, de novo coração. Mas os pecadores são obrigados a fazerem por si próprios e para si mesmos um novo coração, o que eles não poderiam fazer, se eles não estivem ativos durante esta mudança. Se esta obra é uma obra de Deus, em tal sentido, que Ele deva primeiro regenerar o coração ou a alma antes de qualquer agência do pecador começar, seria absurdo e injusto exigir que ele faça para si mesmo um novo coração…

A regeneração é atribuída ao homem no evangelho, a qual não poderia ser, se o termo fosse designado para expressar somente a agência do Espírito Santo….

…A regeneração, segundo as características atribuídas a ela na Bíblia, deve consistir em uma mudança na atitude da vontade, ou uma mudança em sua última escolha, intenção ou preferência…

…O sujeito é ativo na regeneração… a regeneração consiste no pecador mudar sua última escolha, intenção, preferências…. Claramente o objeto da regeneração deve ser um agente nesta obra.14

O surgimento de Charles G. Finney, e sua doutrina Pelagiana da capacidade humana, e as suas ideias defeituosas a respeito de Deus, do homem, da salvação, da graça, da sociedade e da moralidade, foram em grande parte um reflexo de várias forças que naquele ponto crítico caracterizaram a mentalidade Americana. Havia lutas crescentes com a identidade nacional: O Ceticismo Francês, O Racionalismo Alemão, A Filosofia Hegeliana, “Destino Manifesto”, e florescentes questões sociais e políticas, como a abolição da escravatura, os direitos das mulheres, o Movimento de Temperança.

…O impulso moralista de Finney visionou uma igreja que foi em grande medida uma agência de reforma pessoal e social, e não uma instituição em que eram administrados os meios da graça… que deveriam ser disponibilizados aos crentes que, em seguida, levam o Evangelho ao mundo. No século XIX, o movimento evangélico tornou-se cada vez mais identificado com causas políticas — com a abolição da escravatura, com a legislação do trabalho infantil, com os direitos das mulheres e com a proibição do álcool. Na virada do século, um afluxo de imigrantes Católicos Romanos deixou muitos Protestantes Americanos um pouco inquietos, o secularismo começou a remover os dedos do estabelecimento Protestante de instituições (faculdades, hospitais, organizações de caridade) que eles haviam criado e sustentado. Em um esforço desesperado de recuperar esse poder institucional e a glória da “América Cristã” [este sonho sempre foi poderoso na imaginação, mas, após a desintegração da Nova Inglaterra Puritana, ilusório], os Protestantes da virada do século lançaram campanhas morais para “americanizar” imigrantes, fazer cumprir a instrução moral e promover a “educação do caráter”. Evangelistas forjaram seu evangelho Americano em termos de sua utilidade prática para o indivíduo e a nação.

É por isso que Finney é tão popular. Ele é o ápice na mudança da ortodoxia da Reforma, evidente no Grande Despertamento (sob Edwards e Whitefield) para o Avivalismo Arminiano (na verdade, Pelagiano), evidente a partir do Segundo Grande Despertamento até o presente.15

O Sistema de Apelos, desde então, tornou-se entrincheirado no Evangelicalismo Americano e no Fundamentalismo. Tornou-se, em muitos casos, uma parte tão inerente do evangelismo que muitos acreditam que ninguém pode ser salvo sem ou à parte de uma “chamada ao altar”. Não fazer nenhum “apelo”, agora, é entendido pela maioria como algo não-evangelístico ou mesmo anti-evangelístico! Tem sido a experiência deste autor ser questionado, por vezes, sobre como as pessoas podem ser salvas sem uma “chamada ao altar”. Uma vez um diácono bem-intencionado declarou: “Se você tivesse feito uma chamada ao altar após essa mensagem, eu sei que pessoas teriam sido salvas!”.

II. A NATUREZA ANTIBÍBLICA DO SISTEMA DE APELOS.

O Sistema de Apelos: Nenhum Precedente Bíblico

O Sistema de Apelos não é bíblico. Não há absolutamente nenhum precedente nas Escrituras para esta prática. Ele não somente é sem base bíblica, é antibíblico, pois está baseado em princípios não-bíblicos de falsa doutrina, que decorrem de uma visão defeituosa de Deus, da graça, da salvação e da condição do homem, por natureza; da crença em um lugar sagrado dentro de um prédio da igreja; da ideia de que um ministro tem o direito de legitimamente exigir uma imediata e pública “decisão religiosa” de seus ouvintes, e igualando o movimento físico como uma resposta espiritual a um comando supostamente espiritual. Ninguém que acredita que as Escrituras são a Palavra de Deus escrita deve ter qualquer relação com um sistema tão antibíblico.

Nem nosso Senhor, nem Seus apóstolos jamais recorreram a essa prática. A exortação era feita dentro dos limites da mensagem pregada (Mateus 11:28-30; João 6:28-29, 37; Atos 2:36-41; 17:30-34). Esta prática de exortar os pecadores a Cristo durante a pregação do Evangelho tem sido a prática dos verdadeiros ministros do Evangelho desde os tempos do Novo Testamento. Não podemos aperfeiçoar o ministério de nosso Senhor ou de Seus apóstolos inspirados — não podemos melhorar a evangelização bíblica e não nos atrevemos a modificar o padrão inspirado.

Charles G. Finney e Sua Defesa das “Novas Medidas”

Charles G. Finney nunca pretendeu que suas “Novas Medidas” fossem bíblicas. Ele sabia bem disto. Ele simplesmente baseou suas inovações em Psicologia [Ele denominou a Psicologia como “a filosofia da mente humana”]. Ao tentar justificar o uso do “Banco dos Ansiosos” ou “Banco dos Contristados”, ele afirma: “Qual é a grande objeção? Eu não consigo vê-la. O objetivo do banco dos ansiosos é, sem dúvida filosófico, e de acordo com as leis da mente”16. Escrevendo mais sobre o banco dos ansiosos, ele afirma:

Quando uma pessoa está seriamente perturbada em sua mente, todo mundo sabe que há uma poderosa tendência a esconder isto. Quando uma pessoa está sobrecarregada com um senso de sua condição, se você pode levá-la a dispor-se a confessar isto, se você pode levá-la a romper com as cadeias de orgulho, você ganhou um ponto importante para a sua conversão. Isto está de acordo a filosofia da mente humana.17

Assim, o “apelo” foi usado com o fim de colocar pressão sobre o indivíduo e leva-lo a fazer um compromisso público ou revelar a sua hipocrisia.

…Pregue para… [o pecador], e, no momento, que ele pensar estar disposto a fazer qualquer coisa; que ele pensar estar determinado a servir ao Senhor; apenas leve-o ao teste; chame-o para fazer uma coisa, dar um passo, que deva identificá-lo com o povo de Deus ou matar seu orgulho, para que ele confesse seu orgulho e renuncie ao mesmo; sua ilusão será exposta, e ele se verá como um pecador perdido ainda; considere que, se você não tivesse feito isso, ele poderia ter continuado lisonjeando a si mesmo, engando-se ao imaginar ser um Cristão. Se você diz a ele: “Ali está o banco dos ansiosos, saia e confesse a sua determinação em estar do lado do Senhor”, e se ele não está disposto a fazer uma coisa tão pequena como essa, então ele não está disposto a fazer qualquer outra coisa, e, ali está ele, levado perante a sua própria consciência. Ele descobre o engano do coração humano, e previne com isto um grande número conversões espúrias, mostrando àqueles, que de outra forma poderiam imaginar-se dispostos a fazer qualquer coisa para Cristo, que na verdade eles não estão dispostos a fazer nada.18

O Batismo e o Banco dos Ansiosos

Incapaz de conectar suas “Novas Medidas” à Escritura, ele chegou tão perto quanto podia, não com os apelos para vir a Cristo nas Escrituras, mas com a Ordenança do Batismo.

A Igreja sempre sentiu a necessidade de ter algo do tipo para responder a este propósito. Nos dias dos apóstolos, o Batismo servia para esta finalidade. O Evangelho era pregado às pessoas, e, em seguida, todos aqueles que estavam dispostos a posicionarem do lado de Cristo eram chamados para serem batizados. Ele ocupou o lugar preciso que o Banco dos Ansiosos ocupa agora, como uma manifestação pública de uma determinação de tornar-se um Cristão.19

Billy Graham e Sua Defesa do Sistema de Apelos

O maior defensor moderno do Sistema de Apelos, o evangelista Billy Graham, tem buscado fundamentar o Sistema de Apelos tanto nas Escrituras quanto na Psicologia. Em relação às Escrituras, ele usou passagens como Mateus 10:32 [“Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus”], que dificilmente pode se referir a esta prática20. Sua tentativa de dar uma justificativa bíblica para o Sistema de Apelos carece de qualquer substância ou coerência.

A defesa psicológica é a questão determinante para Billy Graham, como foi com Charles G. Finney. Graham sabia muito bem das implicações psicológicas do “apelo”, e ele e sua equipe citaram vários filósofos e psicólogos para mostrar a necessidade de liberação emocional e demonstração pública para selar a decisão religiosa. Alguns dos nomes mencionados em particular, são William James, William Sargant, George Target e Gordon Allport.

Graham declarou: “Muitos psicólogos diriam que [a chamada ao altar] é psicologicamente consistente. Uma das razões pelas quais os nossos filmes e dramas de televisão geralmente têm um efeito ruim é porque eles agitam grandemente a emoção e não oferecem qualquer proposta prática para a ação”. The Christian [O Cristão], 8 de julho, 1966, p. 24, como citado em Iain Murray, The Invitation System [O Sistema de Apelos], p. 12. Leighton Ford, membro da equipe evangelística de Billy Graham em The Christian Persuader [O Cristão Persuasivo]: “Estou convencido de que dar algum tipo de apelo público para vir a Cristo não é apenas teologicamente correto, mas também emocionalmente consistente. Os homens precisam desta oportunidade para expressão… impressão sem expressão pode levar à depressão”.21

Referindo-se, em geral, a psiquiatras, psicólogos e suas ideias, um dos companheiros de Graham, Curtis Mitchell, comentou:

Um psicólogo de Chicago disse certa vez: “Esta geração precisa converter mais do que qualquer geração na história”.

Um psicólogo britânico famoso disse, recentemente: “Estamos tão psicologicamente preparados para converter, que se a igreja não consegue converter as pessoas, nós psicólogos, vamos ter que fazer isto”. Assim, até mesmo a Psicologia está reconhecendo a necessidade do homem de ser convertido. “A Bíblia ensina que você deve ser convertido para entrar no Céu. O psiquiatra ensina que você deve ser convertido, a fim aproveitar a vida ao máximo”.

…Seja quem for, se um homem vai para a frente, de fato ou em espírito, o resultado é uma mudança. O que acontece? Psicólogos, psiquiatras, teólogos e evangelistas todos têm tentado explicar.22

Os Efeitos e Legado de Charles G. Finney

O advento de Charles G. Finney marca o divisor de águas no Cristianismo Evangélico Americano e sua abordagem ao Evangelismo. Este nunca mais seria o mesmo. Finney ganhou destaque em um momento de verdadeiro avivamento quando dezenas de grandes homens — homens como Isaac Backus, Asahel Nettleton, Archibald Alexander, Edward D. Griffin, Edward Payson — todos Calvinistas na convicção e que possuem uma verdadeira paixão pelo Evangelho e um amor pelas almas dos homens, haviam estado trabalhando com sucesso durante anos e tinha vistos as primícias da gloriosa plenitude do “Segundo Grande Despertamento”. Mas a história foi reescrita, e a verdade foi ocultada das gerações que se sucederam. Com Finney veio o “revivalismo”, e com o “revivalismo” veio divisão e declínio.

…Não pode haver dúvida de que, em 1900, a impressão era quase universal de que Charles Finney tinha introduzido os avivamentos na América do século XIX e que sua utilidade excedia a ponto de que todos os que vieram antes dele haviam feito apenas um pequeno esforço evangelístico diante daquele que merecia uma séria atenção. A crença tem sido repetida tantas vezes que é comumente considerado como um fato inquestionável. Billy Graham, por exemplo, escreve sobre Finney: “Através do seu ministério cheio do Espírito Santo, milhares incontáveis ​​vieram a conhecer a Cristo no século XIX, resultando em um dos grandes períodos de avivamento da história da América”. Outro escritor moderno reivindica: “Quando Charles Finney foi convertido e cheio com o Espírito Santo as igrejas Americanas estavam em um estado doentio. A maioria das igrejas eram ou Hiper-Calvinistas ou Universalistas… a apatia preva-lecia.23

Tais afirmações são histórica e factualmente falsas e enganosas. O advento de Finney não sinalizou o início desses avivamentos, mas, sim, a sua morte.

Sola Scriptura: A Questão Decisiva

Sola Scriptura, ou “Somente a Escritura” sempre foi o padrão e brado do verdadeiro Cristianismo. O fato do Sistema de Apelos não ser bíblico deve resolver a questão de uma vez por todas, mas alguns, mesmo entre aqueles inclinados à Graça Soberana, recorrem a tais meios, por vezes, por causa da tradição religiosa, por causa da pressão religiosa e psicológica dos contemporâneos, por causa da atmosfera emocionalmente tensa de uma dada reunião ou por causa de uma abordagem híbrida para a evangelização e em relação ao compromisso Cristão. Esta acomodação a práticas não-bíblicas e meramente tradicionais deveria humilhar aqueles que gloriam-se de serem bíblicos em todas as coisas!

…O grito da Sola Scriptura é mais frequentemente uma indicação de boas intenções do que um fato. [O Cristianismo evangélico] …está saturado com doutrinas e as práticas que não têm fundamento bíblico. Muitos ensinamentos e hábitos no que diz respeito ao Evangelho são tanto os produtos de invenção humana e da tradição quanto as indulgências de Tetzel. E certas doutrinas em nosso meio são perniciosíssimas.24

III. A NATUREZA PSICOLÓGICA DO SISTEMA DE APELOS.

O Homem Não-Regenerado Não Pode Ir Além Do Nível Psicológico

Por natureza, o homem não regenerado não pode subir acima do nível psicológico. Ele procura fazê-lo, contudo, por suas tentativas de praticar magia, pelo misticismo, pelo uso de drogas, pelo ocultismo ou pelas excitações religiosas. A excitações emocionais religiosas geradas em “avivalismos” convêm mais à Velha Linha do Pentecostalismo ou ao mais moderno Movimento Carismático do que ao Cristianismo Evangélico ou Fundamentalista. Excitações religiosas, no entanto, não fazem parte apenas do Cristianismo, mas de outras religiões também — considere o seguinte: “dervixes fanáticos turcos, hindus-Faquirs ou nossos próprios curandeiros [nativos] indígenas”25. A menos que o Espírito de Deus esteja efetivamente operando no interior do coração, alma ou personalidade — ou seja, em graciosa regeneração, adoção e conversão — tais tentativas de verdadeira espiritualidade provarão ser inúteis. O homem está limitado ao plano psicológico. Ele só pode subir ao plano verdadeiramente espiritual através da obra eficaz do Espírito de Deus — e o Espírito de Deus tem o prazer de agir segundo os termos de Sua Santa Palavra.

Tal como delineado na seção anterior, o Sistema de Apelos é limitado ao nível psicológico. Isso não quer dizer que Deus não pode soberanamente salvar os pecadores sob tal sistema, mas que tais conversões serão apesar de tais inovações religiosas e não-bíblicas, e não por causa delas. Aqueles convertidos sob tais circunstâncias podem permanecer espiritualmente aleijados e biblicamente ignorantes até que sejam conduzidos à influência de um ensino bíblico adequado. Tais convites emocionalmente carregados e psicologicamente manipuladores apenas produzem confusão, da qual Deus não é o autor.

Regeneração e Conversão

A verdadeira conversão é espiritual. É muito mais do que apenas uma questão de vontade do homem ou de uma tentativa de manipula-la através da pregação. A conversão é o resultado da obra eficaz do Espírito de Deus na regeneração. A conversão é a manifestação exterior imediata e espontânea da regeneração ou o “novo nascimento”. A verdadeira natureza da própria regeneração revela sua absoluta necessidade antes que o homem possa crer salvificamente no Senhor Jesus Cristo. A necessidade de regeneração ou novo nascimento se baseia na absoluta impotência espiritual do homem (João 3:3, 5; 1 Coríntios 2:14), no poder de cegar exercido pelo Diabo (Mateus 13:4, 19; 2 Coríntios 4:3-6), no propósito redentor eterno, e no caráter justo e onipotente de Deus. Se qualquer ser humano foi salvo ou libertado do poder reinante do pecado, de sua própria hostilidade inata para com a Deus, do poder ofuscante de Satanás e finalmente liberto do Inferno eterno, isso aconteceu devido ao fato de Deus haver iniciado esta obra de salvação (Isaías 64:6; Mateus 13:3-4, 18-19; Atos 16:14; Romanos 1:18-25; 3:11, 27-21; 8:5-8; 1 Coríntios 2:14; 2 Coríntios 4:3-6; Efésios 2:1-10, 4:17-19; Tito 3:5; 1 João 5:19). Dizer tudo isso é declarar que a salvação é pela graça; dizer qualquer coisa a menos seria uma negação disto.

Há seis realidades espirituais essenciais que compreendem a regeneração ou “novo nascimento”. Se qualquer uma dessas realidades não for verdadeira ou real dentro da personalidade, o indivíduo está ainda não-regenerado. Em primeiro lugar, a concessão da vida Divina (João 3:3, 5; Efésios 2:1, 4-5). A menos que o indivíduo receba um tal princípio de vida espiritual, ele não pode nem mesmo “ver” o reino de Deus, e muito menos entrar nele. Ele pode perceber, saber ou entender muito sobre ele, até mesmo, de modo a ficar sem desculpa, mas sua vontade está inclinada para o pecado e o mal, e seu interior está obscurecido (Romanos 1:18-25; 1 Coríntios 2:14).

Em segundo lugar, o poder reinante do pecado deve ser rompido (Romanos 6:3-14, 17, 18, 20, 22). Todo ser humano, por natureza, é um escravo voluntário do pecado. Este poder é quebrado por Deus em um ato gracioso definitivo, e uma clivagem radical é feita em relação ao poder reinante do pecado na vida. Este aspecto da santificação — santificação definitiva — é coexistente com a regeneração.

Em terceiro lugar, a remoção da natural inimizade do coração contra Deus e a Sua verdade (Romanos 8:7-8; 1 Coríntios 2:14). O homem, por natureza, tem uma aversão inata para com Deus e a Sua verdade. Esta animosidade é removida por um ato soberano de Deus, o qual permite que o pecador se volte salvificamente para Deus no contexto da Sua verdade.

Em quarto lugar, a re-criação da imagem de Deus que o homem possuía no princípio (Efésios 4:22-24; Colossenses 3:1-10). Ambas estas passagens se referem a um ato passado, não a uma petição26. O homem foi criado como o portador da imagem de Deus. Na Queda, esta imagem foi devastada espiritualmente, moralmente e intelectualmente; seus pensamentos tornaram-se fragmentados e dados à futilidade. O corpo físico, com seus apetites e desejos, assumiu uma influência dominante sobre o indivíduo (Romanos 6:6, 11-14; Efésios 4 17-19). Na regeneração da graça, Deus recria Sua imagem novamente como no princípio em justiça, santidade, verdade e conhecimento — uma transformação espiritual, moral e intelectual. Com a mente assim liberta, e uma disposição santa dada à personalidade, o pecador está habilitado a voltar-se livremente para Cristo em fé, tal como apresentado na mensagem do Evangelho.

Em quinto lugar, a remoção da cegueira satânica (2 Coríntios 4:3-6)27. Acima e além de todas as questões da vontade ou coração, aparece o terrível e maligno poder de Satanás, que especificamente cega pecadores para que não vejam a verdade do Evangelho. Ele busca ainda remover qualquer influência do Evangelho sobre os pecadores, que esteja a seu alcance (Mateus 13:3-4, 18-19; Marcos 4:4, 15; Lucas 8:5, 12). Essa influência ofuscante é removida por um ato da graça de Deus.

Em sexto lugar, o dom da fé salvadora (Efésios 2:4-10). A conversão, ou o arrependimento do pecado e a fé no Senhor Jesus Cristo, é inseparável da regeneração. A conversão é a consequência infalível e imediata da obra do Espírito Santo sobre e dentro da personalidade (Atos 16:14). As Escrituras geralmente consideram regeneração e conversão inclusive co-mo uma única coisa. A conversão é, incisivamente fé pessoal no Senhor Jesus e arrependimento do pecado, o que necessária e infalivelmente expressa a obra de Deus dentro da personalidade (Atos 13:12, 48; 14:1; 16:14, 27-34; 17:4, 11, 12, 34; 18:8, 27; 19:18; Romanos 10:9, 10, 13, 17; 1 Coríntios 2:4-5; Efésios 2:4-10).

Fé e Regeneração: Salvação Pela Graça Ou Pelas Obras?

A ideia de que a conversão — arrependimento e fé por parte do homem — é anterior à regeneração, e que a regeneração é simplesmente a resposta Divina para a fé do homem necessariamente traz a conversão até o nível psicológico28. Na verdade, isso traz tudo que diz respeito à salvação até ao nível psicológico. Se o homem, a partir de seu próprio “livre-arbítrio” [a ideia fantasiosa do poder de escolha daquilo que lhe é contrário] pode dirigir a confiança da vontade humana e direcionar a vontade salvífica de Cristo por seu próprio auto esforço, então, a salvação é completamente pelas obras [capacidade humana] e não pela graça. E este não é o “sentimento” religioso predominante de nosso tempo? A salvação pela graça para muitos significa que nós não merecemos a salvação, mas Deus enviou o Senhor Jesus para morrer na cruz pelos pecadores; assim graça continua a ser um princípio exposto, passivo e inativo até ser vivificado pelo alegado livre-arbítrio, pela fé e pelas atividades religiosas do homem.

IV. O CARÁCTER UTILITÁRIO DO SISTEMA DE APELOS.

O Sistema de Apelos: Uma Resposta Alegada Para Cada Questão

O Sistema de Apelos tornou-se tão arraigado para o — tão essencial e necessário — Cristianismo Evangélico Moderno que ele é usado para toda e qualquer condição dentro da experiência religiosa. Os pecadores são emocionalmente instados a “irem à frente” para “o altar” para a salvação. Aqueles que fizeram a sua “decisão” religiosa são convidados a responder ao “apelo” para o Batismo e membresia da igreja. Aqueles que querem juntar-se à igreja são convidados a fazê-lo na “chamada de altar”. Aqueles que querem “re-dedicar” a sua vida a Deus, depois de cair em algum tipo de pecado ou ter algum tipo de culpa ou querem “fazer Jesus Senhor de suas vidas” são convidados a “irem à frente”. Se alguém quer entregar-se a si mesmo para Deus tanto para o serviço Cristão como para o ministério do Evangelho ou o campo missionário, ele “vai à frente” para resolver a questão e torná-la conhecida publicamente. Pessoas que desejam a libertação da adicção, encontrar sentido na vida ou estão buscando manter suas famílias unidas ou encontrar “uma relação significativa com Deus”, estão todos convidados a responder ao “apelo”, onde, às vezes, alguém vai orar com eles. Não há nenhuma confissão pública do pecado. Na verdade, muitas vezes não há confissão do pecado de modo algum, seja em público ou privado. O pecado permanece muitas vezes irrelevante, assim como o arrependimento. Não há nenhuma reconciliação com um irmão ou irmã ofendidos. Nenhuma restituição por erros. O ato de “vir para a frente” por si só resolve o problema de muitas congregações. Há algo de misterioso, eficaz e decisivo em responder ao convite perante uma congregação religiosa. Tanto o indivíduo como a congregação sentem que algo espiritual supostamente ocorreu.

Agindo Biblicamente

O que a igreja deveria e deve fazer sem o Sistema de Apelos? A resposta é: agir bíblica, obediente e responsavelmente. Direcione todo o fervor e paixão para a pregação do Evangelho. Aja publicamente, quando necessário e em particular quando a Escritura e a discrição demandam isto. Infelizmente, muitos podem ir ao “altar” e nunca lidar com o pecado, com relacionamentos ou com a sua própria experiência religiosa de uma forma bíblica.

V. A NATUREZA SACRAMENTAL DO SISTEMA DE APELOS.

Nas duas seções a seguir, não é nossa intenção ser grosseiro, insensível ou irreverente, mas ser sincero e expor o Sistema de Apelos, como uma prática antibíblica, em uma luz tão prática que a sua verdadeira natureza ritualística e antibíblica possa ser vista.

Sacramento e Sacrossanto: O Altar

O termo “sacramento” deriva do latim sacramentam, que significa algo sagrado ou santo29. Algo que é sacrossanto [sacer, “sagrado” e sanctus, “santo”] é uma coisa ou lugar que é muito santo ou sagrado. Algum lugar que é sagrado é designado como muito santo ou sagrado em virtude de seu significado religioso. O altar dos Romanistas e das Igrejas Episcopais está na frente do santuário, ou lugar santo. Este é o lugar onde o sacerdote oficiante dispensa dos sacramentos — ou seja, sacerdotalmente manipula o pão e o vinho e estes supostamente se tornam de alguma forma misteriosa o corpo e o sangue de nosso Senhor. Algo misterioso e espiritual ocorre no “altar”, através do poder do sacerdote.

Os Metodistas avivalistas da fronteira, como já foi descrito na Parte II deste estudo, que remete às suas raízes Episcopais dos Metodistas, designavam um determinado pedaço de terra ou área como “o altar” em suas reuniões campais. Este lugar, por esta designação e terminologia, tornou-se, em princípio, sacrossanto e a ação de vir ao “altar” era, no princípio, sacramental e, assim, espiritual. Aqueles que desejavam fazer um compromisso religioso eram instados a “vir ao altar” como um sinal de que eles eram os objetos de grandes impressões religiosas — e de serem contados como os resultados imediatos das técnicas evangelísticas utilizadas. Realizar este ato religioso logo se tornou sinônimo de um ato salvífico.

Igrejas Evangélicas Com Altares?

Hoje, nas igrejas Evangélicas Protestantes, Fundamentalistas e Batistas à frente do edifício [“santuário”?] torna-se “o altar” durante a utilização do Sistema de Apelos. Tendo o propósito certo, ao vir a um determinado local sob o comando de um líder religioso, de assumir publicamente uma determinada postura [“chegando e ajoelhando-se no altar à moda antiga”] e executar um determinado ritual como orar ou repetir um conjunto de formas de oração e assinar um cartão são equiparados a algo de natureza religiosa e espiritual transformadora e um compromisso espiritual. Como pode ser isso? Isto é realmente uma questão espiritualmente transformadora por causa de ser algo público, por causa do lugar, do propósito, da postura e do desempenho? Muitos acreditam sinceramente que isso seja assim.

Isso demonstra o quão forte uma tradição antibíblica pode tornar-se, e como tal tradição antibíblica pode suplantar a verdade até que a própria verdade seja encarada como erro! Nunca se deve subestimar a força da tradição religiosa. A maneira pela qual alguém é criado na tradição religiosa geralmente determina o que ele considera ser bíblico ou não-bíblico — se, de fato, esta distinção é verdade ou não.

Público, Local, Propósito, Postura e Performance?

Vamos expor o assunto com clareza e visualizar passo a passo o seu verdadeiro caráter: primeiro, o seu caráter público. Há algo constrangedor sobre a realização de um ato religioso diante de uma congregação de pessoas religiosas30. Alguém ou deve acreditar sinceramente que ele está fazendo o seu melhor para obedecer a Deus, em propósito, no lugar, na postura e no desempenho de tal ritual público, ou ele terá um fardo em sua consciência de manter uma aparência de que ele professou publicamente sua emoção religiosa, mesmo que ele não tivesse o senso de uma realidade interior depois que a emoção diminuiu. E se alguém deixou o prédio da igreja durante o “apelo” para estar a sós com Deus para resolver seus problemas urgentes, para chorar e clamar a Deus longe dos olhos humanos (Mateus 6:5-6), ou até mesmo para procurar uma parte ofendida para buscar o perdão ou reconciliação — isso não é aceitável? Sair do edifício e congregação em um momento tão crítico como o apelo público, sem informar ninguém para que saiu, seria considerado pela maioria das pessoas como virar as costas para Deus e até mesmo como extinguir o Espírito. A ignorância a respeito do que tal pessoa saiu para fazer se tornaria em preconceito contra ela.

Em segundo lugar, a questão do local. A frente do edifício é o local onde os homens se encontram com Deus — o “altar”. O pregador diz isso. A congregação acredita nisso. O indivíduo pode acreditar nisto. O comando urgente é para “vir à frente” se alguém quer algo sério com Deus. Nas mentes de muitos, este lugar é sagrado. É o único local onde Deus pode ser encontrado naquele momento em particular. Não responder ao apelo da forma esperada é supostamente estar fora de sintonia tanto com Deus quanto com o homem.

Em terceiro lugar, a questão do propósito. “Vir à frente” é um ato da vontade de receber a Cristo como seu Salvador pessoal31, ou o propósito pode variar para incluir toda uma série de preocupações religiosas: Batismo, membresia da igreja, “reconciliação”, uma chamada para o ministério, um buscar para encontrar um sentido na vida, para a libertação de um vício, para orar por uma determinada situação, etc. Respondendo ao “apelo” alegadamente faz jus ao motivo, o que quer esse motivo possa ser, e faz com que o propósito seja espiritualmente eficaz32. E isso é feito diante de uma congregação. Um passo público foi tomado, um compromisso público foi feito, o que é decisivo. Não responder ao “convite público” é considerado equivalente a recusar teimosamente tanto a Deus quanto a obra de Seu Espírito.

Em quarto lugar, a questão de postura: “Venha agora para a frente e ajoelhe-se diante do altar!”. O que acontece com quem não se ajoelhar, mas simplesmente ir para a frente? Será que vir e não ajoelhar é aceitável? Parece que o trabalho não foi ainda totalmente feito e que a pessoa não estava preparada e suficiente “quebrantada” [broken down], para usar a terminologia de Finney.

Um avivamento vai diminuir e parar, a menos que os Cristãos sejam frequentemente re-convertidos. Quero com isto dizer, que os Cristãos, a fim de manter no espírito do avivamento, comumente precisam ser frequentemente concedidos, e humilhados e quebrantados diante de Deus, e “re-convertidos”. Isso é algo que muitos não entendem, quando falamos de um Cristão sendo re-convertidos. Mas o fato é que, em um avivamento, o coração do Cristão é susceptível a ir endurecendo, e perder o seu gosto requintado pelas coisas Divinas; sua unção e prevalência em oração se abate, e então ele deve ser convertido novamente. É impossível mantê-lo em tal estado em que ele não prejudique a obra, a menos que ele passe por esse processo a cada poucos dias.33

Não deve ser dito que tal pessoa atendeu ao propósito e orou até que ela se ajoelhe no “altar”, diante da congregação, de uma forma aceitável?

Em quinto lugar, a questão de desempenho: Repetir uma oração? O Espírito de Deus não levaria o indivíduo a clamar, como fez o pobre publicano: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” [Lucas 18:13]? Não foi este o anúncio da conversão de Saulo a Ananias, “…eis que ele está orando”? (Atos 9:11). Assinar um cartão? Isto é tão antibíblico quanto a genuflexão, não é?34. Isto pode ser alegadamente necessário para uma sinalização da pessoa e de seu propósito em vir à frente, mas não tem eficácia espiritual. No entanto, panfletos e outros cartões de compromisso, muitas vezes têm uma linha para que se possa fazer uma assinatura e com isso selar sua decisão religiosa escrevendo seu nome você mesmo, como um meio de se comprometer com Cristo, por qualquer motivo religioso dado.

Agora, vamos considerar o reverso destas coisas, a fim de visualizar a força de uma tradição tão antibíblica. E se, por uma questão de argumento, o pregador ou evangelista pedisse às pessoas, para não vir para a frente, mas para ir para a parte de trás do edifício [“santuário”?], se de forma verdadeiramente séria em relação ao estado de suas almas ou qualquer outra questão religiosa séria, fosse pedido às pessoas que não se ajoelhassem, mas que se sentassem no chão e colocassem as mãos sobre suas cabeças e permanecessem ali orando em silêncio ou cantarolando um hino em voz baixa? A congregação não pensaria que o pregador estava completamente errado ou que tinha perdido o bom senso? Todos não se oporiam imediatamente a esta alegada confusão? Isso seria algo inteiramente novo, diferente, inovador, pragmático — e não pareceria algo intrinsecamente errado aos olhos da congregação? Seria uma ruptura radical com uma prática que foi longamente aceita e que havia assumido o lugar de ser essencial. As pessoas simplesmente não respondem, indo na direção “errada” para longe de uma visão pública, para um lugar diferente do “altar”, ou assumindo a postura “errada” ou não fazendo sua própria oração!

Será que realmente poderiam ser excluídas qualquer das seguintes questões do sistema de Apelos: a questão de ser público, de ir para o lugar adequado, ter um propósito declarado, exigir uma certa postura e a realização de um determinado ritual? Não são todas estas questões algo sacramental? O lugar onde essas práticas não-bíblicas são realizadas é verdadeiramente sacrossanto? Nenhum destes — o público, local, propósito, postura ou desempenho — pode ser justificado a partir da Escritura. Este Sistema não é completamente antibíblico, e, portanto, enganoso e perigoso? Este Sistema não é um sistema psicológico e emocional, em vez de espiritual? Quem não gostaria de levantar-se contra uma prática tão decididamente antibíblica? Apenas alguns, infelizmente, e estes têm muitas vezes sido severamente criticados como sendo não-cooperantes e não-evangelísticos.

VI. A NATUREZA SACERDOTAL DO SISTEMA DE APELOS.

O Que é Sacerdotalismo?

O termo “sacerdotal” deriva do latim sacerdos, um sacerdote. “Sacerdotal”, então, refere-se a um sistema religioso que funciona através de uma obra sacerdotal. O Cristianismo Evangélico e Fundamentalista, sendo centralizado no Evangelho, não tem nada a ver com qualquer tipo de altar em que os sacramentos são dispensados ​​ou com um sacerdócio terreno. O sacerdote fica entre Deus e os homens. E este próprio pensamento é repugnante para Cristãos Evangélicos. Mas isso é realmente assim? Evangélicos e Fundamentalistas não têm, na realidade, seu próprio sacramentalismo e sacerdotalismo? Nós já vimos a natureza contraditória e não-bíblica do Sistema de Apelos, que é sacramental, em princípio. Mas, agora, qual é a natureza sacerdotal deste sistema?35

O pregador pregou uma mensagem vibrante. A excitação religiosa está altíssima. As emoções da congregação estão profundamente agitadas. Tanto o pregador quanto as pessoas antecipam a “chamada ao altar”. Ambos acreditam no Sistema de Apelos. Isso é alegada e tradicionalmente o correto a se fazer neste momento crítico. Tudo em toda a programação religiosa leva àquele momento — não para a pregação —, mas para este momento de crise espiritual. Aqueles que participaram de tais programações e aceitaram a tradição antibíblica do Sistema de Apelos são psicológica e emocionalmente orientados a fazerem qualquer ação em resposta ao apelo do ministro para “vir à frente”, por qualquer variedade de motivos, ou para orar fervorosamente com aquele que fez o apelo.

Pregador ou Sacerdote?

Qual é o exato papel do ministro que está à frente, no “altar”? O seu papel não é sacerdotal? Ele permaneceu exatamente perante esta congregação como um homem de Deus, poderosamente declarando a verdade Divina. Todos os olhos estão focados nele e todos os ouvidos são preenchidos com sua voz de comando. As emoções estão muito afloradas. Será que ele não estava entre a congregação e Deus, assim como Arão? Será que ele, por assim dizer, não se tornou o mediador vocal entre Deus e os pecadores? Ele declara que se alguém quer ou precisa vir à frente, por qualquer razão, que Deus vai se encontrar com ele ou ela lá no “altar”. Ele se levanta, por assim dizer, como fizeram os profetas do Antigo Testamento, ou os apóstolos do Novo Testamento. Seu comando ou insistência em meio a uma atmosfera emocionalmente carregada torna-se a mensagem de Deus nas mentes das pessoas, assim como foi na pregação. Não responder, o pregador declara, é recusar a Deus, extinguir o Seu Espírito e rejeitar a Sua graça e oferta de salvação — ou qualquer outra coisa que possa ser uma questão espiritual séria. Tanto o ministro quanto o povo têm a voz do ministro e a voz de Deus como se fossem a mesma coisa, não é? Isso não foi verdadeiro durante a pregação? Ele não declarou a Palavra de Deus fielmente com a alegada unção do Espírito Santo? Será que o Espírito de Deus deixou este homem quando o sermão terminou? Não pode ser! Certamente ele é cheio do Espírito quando ele declara, comanda e pede às pessoas para responder à “chamada ao altar”. Ele está no “altar”, como o único homem a quem os pecadores devem ouvir e obedecer à medida que ele dá instruções relativas à salvação e compromisso espiritual. Vox sacerdotis, vox Dei, “A voz do sacerdote é a voz de Deus”. A natureza sacerdotal do Sistema de Apelos é inevitável caso alguém creia que existe absolutamente alguma realidade espiritual ali.36

Sacerdote ou Psicólogo?

Há uma outra abordagem para o papel do ministro no âmbito do Sistema de Apelos. Considerando que este sistema não é bíblico, nem espiritual, mas inteiramente pragmático e meramente psicológico, o ministro não faz mais o papel de um psicólogo do que de um sacerdote? A presença e a voz do homem estão comandando e exigindo. Ele acaba de concluir um poderoso sermão cheio de emocionalismo. A música ou o canto aumenta a antecipação. A atmosfera está emocionalmente carregada. O ministro é o foco da congregação. Ele é o homem de Deus. Sua palavra é tão determinante como quando ele estava pregando. Ele está em seu poder e prerrogativa para convidar, demandar, exortar ou suplicar e dirigir. Ele tem, neste momento, algo como um tremendo poder e influência sobre aqueles que estão reunidos diante dele, caso eles também acreditem no Sistema de Apelos.

Embora não se possa duvidar da seriedade e completa sinceridade do pregador e das pessoas reunidas, para aqueles que não acreditam neste sistema antibíblico, pragmático, ele é visto como um desvio da Escritura e, portanto, apartado de qualquer autoridade dada por Deus. Tudo neste momento, após a pregação e exortação dos homens a fugirem para Cristo (Atos 2:40), é simplesmente psicológico e emocional, seja qual for o motivo que possa ser alegado, não importa quão “espiritual” possa parecer. Isto, então, se torna uma questão de uma busca forte, exigente ou apelativa à personalidade visando pressionar a vontade de outros para que obedeçam às suas exigências. É uma competição de vontades, e isso é tudo — uma disputa de vontades impostas por uma alegada habilidade por parte do ministro que preside de discernir os pensamentos e intenções do coração quando ele afirma publicamente que alguns são desonestos, hipócritas ou entristecem o Espírito Santo se eles não conseguem atender ao apelo37! Aqueles no serviço encontram que isso é uma crise espiritual em suas próprias mentes e de acordo com as suas próprias tradições religiosas. Enquanto o ministro é livre para falar, exigir, acusar, intimidar ou persuadir, aqueles que se recusam a responder e aceitar da maneira tradicional devem permanecer em silêncio e serem vistos como reticentes, incoerentes, desonestos e não espirituais, ou mesmo como atrapalhando a ação do Espírito de Deus naquela reunião. Mas, para aqueles, que detêm a verdade bíblica e não este sistema antibíblico, aquilo é simplesmente o uso de pressão e manipulação psicológica que, para alguns, pode até parecer, às vezes, o quase abuso que é feito para com aqueles que são lavados a sentirem-se desonestos ou culpados se eles não responderem.38

VII. A NATUREZA PREJUDICIAL DO SISTEMA DE APELOS.

Doutrina, Prática e Uma Metodologia Antibíblica

Qualquer sistema ou metodologia antibíblica assimilado pelo Cristianismo Bíblico produz muito mal. Ele provoca dano doutrinária porque traz o Cristianismo a uma incoerência ou contradição que é visivelmente antibíblica. Isso necessariamente abre mais e mais o caminho do erro doutrinário para acomodar a prática antibíblica. Tanto a fé [crença] como a prática [experiência Cristã] são afetadas. Isto produz um mal eterno àqueles que são vítimas de uma tal metodologia antibíblica. Conversões falsas são a ruína do Cristianismo Evangélico moderno. Além disso, isso faz um grande dano social à medida que a sociedade testemunha o triste estado do Cristianismo, quando os Cristãos professos apostatam ou levam o nome de nosso Senhor e Suas igrejas ao descrédito39. Quatro questões problemáticas são consideradas em conclusão:

Uma Abordagem Híbrida Para O Evangelismo

Em primeiro lugar, a verdade bíblica da salvação torna-se cada vez mais misturada com o erro. Embora possa ser possível reter a verdade da livre e soberana graça de Deus na salvação segundo as Escrituras, a tendência do Sistema de Apelos é para um sistema Pelagiano que se centra na plenitude da capacidade humana. O livre-arbítrio e a livre graça são totalmente opostos um ao outro. A abordagem híbrida que busca alinhar a livre graça ao Sistema de Apelos deve, inevitavelmente, prejudicar o puro Evangelho da graça de Deus. A mensagem e a metodologia devem coincidir. Até mesmo alguns pregadores da graça soberana, ansiosos por resultados visíveis, tendem em direção a uma “crença-fácil” quando o Sistema de Apelos entra em sua metodologia evangelística. Os resultados de tal evangelismo híbrido têm sido muitas vezes amargamente decepcionantes e, às vezes, trágicos.

Conversões Espúrias

Em segundo lugar, o Sistema de Apelos promove conversões espúrias. Por sua própria natureza, promove a ideia de que os resultados espirituais podem ser conhecidos imediata e infalivelmente. Aqueles sob convicção de pecado ou que fazem uma profissão aberta podem ser pressionados por meio do processo de metodologia evangelística defeituoso a darem uma garantia, quando apenas a curiosidade pode ter sido despertada ou a consciência pode somente ter sido incomodada em relação a algum pecado ou pecados específicos e o agente em tal convicção não é o Espírito de Deus. Nem todas as convicções de consciência, mesmo que possam ser grandes e sérias, são convicções salvíficas que levam o pecador ao arrependimento e à fé no Senhor Jesus (João 8:9; Atos 26:9). A fé salvífica é o dom de Deus (Efésios 2:8-10), bem como o arrependimento salvífico (Atos 11:18). Em verdade, a fé salvífica é um compromisso absoluto e sem reservas para com Jesus Cristo como Senhor e Salvador40. Não há questionamento algum sobre o senhorio de Jesus Cristo na salvação.41

O Sistema de Apelos tem a tendência de promover uma “crença-fácil”. Há uma grande diferença entre a conversão bíblica e o “decisionismo” religioso. A conversão bíblica significa o início de uma vida transformada. É a manifestação imediata e inevitável da graça regeneradora42. Em nossos dias, há muitas conversões espúrias — pessoas que professam a fé em Cristo e até mesmo alguns são adicionados às nossas igrejas sem a manifestação suficiente da graça salvífica43. As Escrituras descrevem e alertam contra tais coisas como aqueles que tem somente uma “fé temporária” (Mateus 13:20-21; Marcos 4:16-17; Lucas 8:13), uma fé que “se encanta com sinais” ou com a verdade, mas logo desaparece (João 2:23-25), uma fé meramente teórica, que é mantida por um tempo por causa de conveniência (João 12:42; Atos 26:27-28) e uma mera fé intelectual (1 Coríntios 15:1-2). Crentes professos são exortados ao autoexame (2 Coríntios 13:5). Mas se o Sistema de Apelos é válido, como seus adeptos alegam, então, todos aqueles nas passagens anteriores devem ser verdadeiramente convertidos! A maioria destes tinha feito algum tipo de “decisão religiosa”! Ninguém deseja promover conversões espúrias. Mas se o Sistema de Apelos é válido, então todos aqueles que respondem devem ser considerados como “salvos”.

“As Decisões de Primeira Vez” e a Reconciliação

Em terceiro lugar, uma vez que estes professam a fé — fizeram uma “decisão de primeira vez” — eles são muitas vezes isolados de outras sondagens evangelísticas da mente e do coração. Eles acreditam que foram “salvos”, e se eles não caírem em breve (Mateus 13:20-21), continuarão em sua profissão de fé vazia, embora “eles não dão fruto com perfeição” (Lucas 8:7, 14). Eles recebem uma segurança antibíblica. Se estes caírem em pecado que se torne conhecido ou tiverem dúvidas quanto ao seu suposto estado espiritual, eles são instados a, mais uma vez “virem à frente” no “apelo” e “reconciliar-se” com Deus44. Ninguém pode ousar sugerir que sua “decisão de primeira vez” foi defeituosa. Afinal de contas, eles tiveram a experiência momentânea e isolada, o tempo e o lugar para provarem que eles são “salvos”. Pois questionar a própria experiência de salvação, alcançada por meio do Sistema de Apelos, seria desacreditar todo o sistema em si. Estes devem ser “salvos”, caso eles manifestem as características de um verdadeiro crente ou não. Se eles fizerem isso e continuarem vivendo em pecado, eles geralmente são convenientemente considerados como “cristãos carnais” que estão “salvos”, embora o seu modo de vida possa revelar-se abertamente pecaminoso. Eles sempre podem “ir à frente” novamente e “re-dedicar” suas vidas ou “tornar Jesus o Senhor de suas vidas”. Assim, eles podem deixar de ser “Cristãos carnais” e passarem a ser “Cristãos espirituais”. Isto pode estar em conformidade com as Escrituras?

A ideia de que os Cristãos podem ser “carnais” ou “espirituais” é uma dicotomia que é antibíblica. Os Coríntios foram chamados de “carnais” (1 Coríntios 3:1-4) porque eles olharam para os seus heróis humanos mais do que para o nosso Senhor. Eles não foram chamados de “carnais”, porque eles estavam vivendo vidas não-convertidas. A afirmação do apóstolo Paulo em Romanos 7:13 como sendo “carnal”, é literalmente “feito de carne” — seu senso de fraqueza, à luz da absolutamente justa e santa Lei de Deus. Romanos 8:1-11, não é um contraste entre os Cristãos “carnais” e “espirituais”, mas sim entre as pessoas, convertidos e não-convertidos. (Deve ser cuidadosamente notado que a seção inteira, Romanos 6:15—8:11, trata da relação do crente com a Lei de Deus. Não há nenhuma divisão em 8:1, e, portanto, Romanos 7:13-25 não termina com uma declaração de derrota, mas, sim, em 8:1-11 com uma declaração de vitória). Também inerente a este sistema é a ideia de que a salvação é somente do castigo eterno. Muitas vezes há pouca ou nenhuma atenção dada à realidade bíblica de que a salvação é, atual, do poder reinante do pecado (Romanos 6:14-18) e, finalmente, do castigo eterno. Esta é também uma negação da união do crente com Cristo e da necessidade de uma vida posteriormente convertida (Romanos 6:2-6; 2 Coríntios 5:14-17).

Uma Segurança Antibíblica

Finalmente, o Sistema de Apelos promove uma segurança antibíblica da salvação. A partir do testemunho do Novo Testamento, podemos afirmar que um grau de segurança é normalmente o ponto culminante da experiência de conversão. Isto está intrinsecamente relacionado com a própria natureza da própria fé salvífica. O pecador crente após haver recebido os dons Divinos da fé e do arrependimento (Efésios 2:4-10; Filipenses 1:29; Atos 11:18, 18:27), através da compreensão da verdade Divina (João 17:17; 1 João 2:20, 27), do testemunho do Espírito de Deus (Romanos 5:5; 8:11-16), e da realização dinâmica da graça Divina na vida (Romanos 6:1-14, 17-18; 8:11-16), possui uma razoável certeza de que ele é uma nova criatura em Cristo Jesus e alegra-se com isto (2 Coríntios 5:17; Romanos 5:1-2). Ele está ciente do amor incondicional de Deus, o qual é constante concedido a Ele pelo Espírito Santo (Romanos 5:5). Essa elementar segurança é:

• Inferencial — Alguém pode inferir a partir de várias Escrituras que ele é salvo — que ele colocou sua fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador (João 3:16, 5:24; Atos 16:31; Romanos 10: 9, 10, 13, 17).

• Evidente — Alguém que carrega as marcas da graça ou apresenta as características de uma vida convertida (Romanos 5:5, 6:1-18, 8:11-16; Gálatas 5:16-18, 22, 23; 1 Tessalonicenses 2:13; Hebreus 12:14; 1 João 2:3-5; 3:3-10, 14).

• Interna ou Imediata — o testemunho do Espírito Santo em relação a realidade da vida espiritual (Romanos 5:5, 8:1-16; 2 Coríntios 3:17-18).45

Nunca nas Escrituras a salvação é baseada em uma isolada e momentânea experiência religiosa [“decisão”], um tempo e um lugar. No entanto, este é o tipo de segurança não-bíblica que é fomentada pelo Sistema de Apelos, e tornou-se comum no Cristianismo Evangélico e Fundamentalista.46

CONCLUSÃO

Este artigo discutiu algumas das principais razões por que não usamos o Sistema de Apelos. Este sistema não é neutro e, deste modo, opcional; é claramente antibíblico, e, portanto, prejudicial. Sua história revela seu verdadeiro caráter psicológico e pragmático, e como ele coloca ambos os lugares e os homens em posições que são bastante contrárias à Palavra de Deus por aqueles que aceitam esse sistema antibíblica. Nós vemos como ele é, em princípio e prática, de natureza sacramental e sacerdotal. Em seu zelo ansioso por resultados imediatos e tangíveis, os ministros podem tornar-se exigentes e até mesmo abusivos em suas apelações. Seus frutos maus são muitas vezes vistos nas vidas daqueles que foram seduzidos por seus erros. Como um sistema, ele reúne em si uma série de outras crenças e práticas não-bíblicas.

Esta é uma dura lição sobre a capacidade da natureza humana religiosa para acomodar o erro através da tradição e substituir a verdade das Escrituras por um sistema pragmático e manifestamente antibíblico. Apesar de não duvidar da sinceridade, seriedade, zelo e amor pelas almas por parte daqueles que usam este sistema, temos de sustentar, tanto quanto é humanamente possível, pela graça de Deus, o princípio da Sola Scriptura. As palavras dos profetas Isaías e Jeremias merecem destaque e devem ser cuidadosamente consideradas:

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20).

“Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto?” (Jeremias 5:31).


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NOTAS

[1] Cf. “The Origin of the Call for Decisions” [A Origem das Chamada Para Decisões], Albert B. Dodd, uma reedição do artigo 1847 de Princeton Review. A Banner of Truth Magazine, dezembro de 1963, pp. 9-15.

[2] Billy Graham em uma Cruzada em Londres, 1966: “Não deixe que a distância lhe mantenha afastado de Cristo. É um longo caminho, mas Cristo percorreu todo o caminho para a cruz, porque ele lhe amava. Certamente você pode vir estes poucos passos e dar a sua vida para Ele”. Citado por Iain Murray, The Invitation System [O Sistema de Apelo]. Edimburgo: The Banner of Truth Trust, 1973, p. 5.

“Você me pergunta por que eu estou pedindo para você vir para a frente? Isto é um ato de sua vontade em receber a Cristo como Salvador”, Billy Graham, God in the Garden [Deus no Jardim], um registro de Madison Square Garden Billy Graham Crusade.

[3] Harold J. Ockenga, “Alguns teólogos Reformados… ensinam que a regeneração pelo Espírito Santo precede a conversão. A posição evangélica é que a regeneração está condicionada ao arrependimento, confissão e fé”. Citado por Iain Murray, The Invitation System [O Sistema de Apelo], p. 18.

[4] James E. Adams, Decisional Regeneration [Regeneração Por Decisão]. Canton, GA: Free Grace Publications, 1983, 16 pp.

[5] Robert L. Dabney, Discussions Theological and Evangelical [Discussões Teológicas e Evangélicas]. Edinburgh: Banner of Truth Trust, reimpressão 1967. Vol. I, p. 564.

[6] C. H. Spurgeon, The Metropolitan Tabernacle Pulpit [O Púlpito do Tabernáculo Metropolitano], Pasadena, TX: Pilgrim Publications, Vol. 1882, pp. 649-650.

[7] C. H. Spurgeon, Ibid., 1884, p. 456.

[8] “A Teologia Calvinista era proeminente durante esta época, e ninguém jamais pensava que o Arminianismo algum dia produziria tantos convertidos como a forte pregação Evangélica Calvinista”. Antes de 1800, como Isaac Backus bem sabia, qualquer argumento de que o Arminianismo era mais eficaz na evangelização do que o Calvinismo seria considerado como um absurdo”. Iain Murray, Revival e Revivalism [Avivamento e Avivalismo]. Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1994, p. 188.

[9] A utilização das “Novas Medidas” dividiu os Presbiterianos em “Velha Escola”, ou Calvinistas ortodoxos que mantiveram os Padrões de Westminster, e a “Nova Escola”, ou aqueles que adotaram as “Novas Medidas” e aprovaram o “Taylorismo” ou “Teologia New Haven”, que se baseavam em um sistema semi-Pelagiano, avivalismo, reforma moral e cooperação interdenominacional. Veja W. A. Hoffecker, “New School Theology” [Teologia da Nova Escola], Evangelical Dictionary of Theology [Dicionário Evangélico de Teologia]. Grand Rapids: Baker Book House, 1990. pp. 767-768.

“Teologia New Haven”, “Taylorismo”, ou “The New Divinity” foi o sistema Pelagiano da capacidade humana plenária ensinado na Nova Inglaterra, defendido, refinado e popularizado por Charles G. Finney. Veja W.R. Downing, Palestras sobre o Calvinismo e o Arminianismo. Morgan Hill, CA: P. I. R. S. Publicações. 2000, pp. 288-290, 320, 324-325, 327-333.

[10] Para um breve histórico da “chamada ao altar” e o nascimento do avivalismo, consulte Iain Murray, Revival e Revivalism [Avivamento e Avivalismo], pp. 163-190.

[11] O Arminianismo sustenta que o homem tem uma natureza caída e pecaminosa, e que a vontade do homem é levada pelo Espírito Santo a um determinado lugar onde ele pode escolher ou recusar a mensagem do Evangelho — a graça preveniente. O Pelagianismo sustenta que o homem não tem uma natureza caída e pecaminosa e, portanto, o homem possui uma vontade que é inteiramente livre [uma capacidade plenamente humana] e, portanto, o homem possui o poder de escolher ou recusar o Evangelho. A vontade de cada homem é supostamente tão livre como a de Adão antes da Queda. Esta é uma negação da imputação do pecado de Adão [a imputação imediata do pecado de Adão — o pecado original] e também uma negação da herança da natureza caída de Adão [imputação indireta]. Falando de seu pastor, George W. Gale, Finney declarou sobre convicções Calvinistas de Gale: “…em suma ele sustentou todas essas doutrinas que fluem logicamente do fato de uma natureza pecaminosa em si mesma… Estas doutrinas eu não poderia receber. Eu não pude receber seus pontos de vista sobre o tema da expiação, regeneração, fé, arrependimento, escravidão da vontade, ou qualquer uma das doutrinas semelhantes”. Charles G. Finney, Autobiography [Autobiografia], p. 46.

[12] A ideia de simplesmente redirecionar a vontade foi baseada sobre a ideia Pelagiana de que o comando implica em capacidade. “A doutrina sobre a qual eu insisti, a saber, que a ordem para obedecer a Deus implicava o poder de fazê-lo, criou em alguns lugares uma oposição inicial… as influências do Espírito consistem em ensino, persuasão, convicção e, é claro, uma influência moral; eu fui considerado por muitos como um ensinador de doutrinas novas e estranhas”. Charles G. Finney, Autobiography, p. 157.

[13] Charles Finney, Lectures on Systematic Theology [Estudos em Teologia Sistemática]. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 1971. p. 285. Finney, por vezes, igualou a regeneração com uma influência persuasiva moral sobre a mente, com a santificação e com a conversão. Esta confusão proveio de seus pressupostos Pelagianos e Perfeccionistas. Veja B. B. Warfield, The Works of Benjamin B. Warfield [As Obras de Benjamin B. Warfield], Vol. VIII. Perfeccionismo [Perfeccionismo]. Grand Rapids: Baker Book House, 1981. pp 3–215.

[14] Ibid., pp. 365-371.

[15] Michael Horton, Premise [Premissa], Vol. II, Número 3, 27 de março de 1995.

[16] Finney, Lectures on Revivals of Religion [Estudos Sobre os Avivamentos da Religião]. New York: Fleming H. Revell, n. d., p. 253.

[17] Ibid.

[18] Ibid., pp. 264-265.

[19] Loc. cit.

[20] Iain Murray, The Invitational System [O Sistema de Apelos], pp. 8-9. Mateus 11:28 refere-se ao chamado do Senhor para que os pecadores venham a Ele, e não para “o altar”. Apocalipse 3:20 refere-se ao nosso Senhor buscando companheirismo e comunhão em uma igreja apóstata, e não em pé na porta do coração do pecador buscando entrar para salvá-lo.

[21] Ibid., pp. 11-16.

[22] Curtis Mitchell, Those Who Came Forward [Aqueles Que Vieram Para a Frente]. The World’s Work, Ltd., 1966, p. 22, como citado por Iain Murray, The Invitation System [O Sistema de Apelos], pp. 14-15.

[23] Iain Murray, Revival e Revivalism [Avivamento e Avivalismo], pp. 297-298. O trabalho de Murray faz muito para corrigir esta visão revisionista. O próprio Finney constantemente denunciava os grandes e úteis pregadores Calvinistas de seu tempo em sua pregação, testemunhou de alguns deles que foram expulsos de seus púlpitos, devido à sua influência inflamatória e medidas, e mais tarde promoveu tal ficção em sua Autobiografia.

[24] Walter J. Chantry, Today’s Gospel: Authentic or Synthetic? [O Evangelho De Hoje: Autêntico ou Sintético?]. Londres: Banner of Truth Trust, 1972, p. 12.

[25] Cf. Robert L. Dabney, Op. cit., p. 558-559.

[26] Efésios 4:22-24. O uso da aor. inf. de propósito [ἀποθέσθαι… ἐνδύσασθαι] revela que este é um fato passado, não uma presente exortação. Isso por si só coincide com aor. ptcs em Colossenses 3:9-10 [ἀπεκδυσάμενοι τὸν παλαιὸν ἄνθρωπον… ἐνδυσάμενοι τὸν νέον].

[27] Em 2 Coríntios 4:3-6, as palavras: “…Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz”, referem-se ao ato criador e soberano de Deus em Gênesis 1:3. Há um distinto paralelo entre a Divina obra da criação física e a regeneração espiritual.

[28] Veja a nota de rodapé 3 e as observações de Harold J. Ockenga a respeito da prioridade da fé para a regeneração.

[29] O termo grego é μυστήριον [mysterion], a fonte da nossa palavra “mistério”. Isto implica algo mais do que aquilo que é material — algo misterioso, santo, tendo um poder ou significado sobrenatural.

[30] Veja a Parte II e as citações de Charles Finney e sua defesa das “Novas Medidas”.

[31] Veja a nota de rodapé 2.

[32] “A decisão interna por Cristo é como apoiar um prego em uma tábua. Por outro lado, a declaração pública é como martelar o prego, de modo que não seja facilmente arrancado dali. Impressão sem expressão pode levar à depressão”. Leighton Ford, citado por Iain Murray, Op. cit.

[33] Charles Finney, Lectures on Revivals of Religion [Estudos Sobre os Avivamentos da Religião], p. 281.

[34] Genuflexão é o movimento de fazer o sinal da cruz sobre o peito e a cabeça de acordo com o ritual Católico Romano.

[35] Este escritor tem ouvido muitas vezes tais palavras de comando: “Venha à frente agora. Não demore! Dê a mão para mim e seu coração para Cristo!”. Isso não é algo sacerdotal nas mentes daqueles que irão responder? O pregador e a sua palavra de autoridade não são necessários para esta operação? Tudo depende do fato das pessoas acreditarem ou não neste Sistema antibíblico.

[36] A transição natural do sermão emocionalmente carregado para o apelo é crítica. A pressão emocional deve ser mantida. É o ponto alto — o momento mais crítico — do culto. Por que alguém deveria ouvir ou obedecer aos comandos do pregador uma vez que ele terminou seu sermão? Porque há a crença de que ele continua a ser um homem de Deus que pode comandar com autoridade espiritual, e convidar a vir à frente aqueles que acreditam em tal imperativo espiritual. Que o Sistema de Apelos não é bíblico e que este homem não tem autoridade bíblica para o que ele faz ou então pede não surte nenhum efeito. O sermão e o Sistema de Apelos tornaram-se uma experiência espiritual nas mentes e emoções da congregação.

[37] Como o ministro conhece o coração da pessoa? Será que ele tem discernimento sobrenatural? Ou será que ele só presume conhecer o coração da pessoa? Ele quer possui o dom apostólico da revelação Divina e uma infalibilidade inspirada, ou em seu estado excessivamente zeloso e emocional, ele procura pressionar psicologicamente os seus ouvintes a se renderem à sua vontade? Nós suspeitamos que o que acontece é o último, e não o primeiro. E ele não espera que a congregação concorde com ele em suas afirmações ignorantes, mas ousadas? Esta é certamente uma abordagem sacerdotal.

[38] Este escritor recorda momentos em que o ministro se tornou abusivo para pressionar as pessoas a responderem. Por exemplo: “Ora, eu vim para a frente e recebi a Cristo como meu Salvador pessoal da primeira vez que ouvi o Evangelho! Você é desonesto se você não vir neste momento!”. Este é um exemplo moderado; algumas acusações têm sido claramente pessoais e abusivas. Tal atitude acusativa e presunçosa tem sido muito comum na experiência deste escritor.

[39] Cf. Robert L. Dabney, Op. cit., pp. 557-574, alguém que lidou bem com os perigos e a natureza destrutiva do Sistema de Apelos como visto em seus dias.

[40] A fórmula técnica “para crer nEle”, Cristo [πιστεύων εἰς] como encontramos em João 3:16 e outras passagens importantes, significa um compromisso total e sem reservas com o nosso Senhor. Cf. H. E. Dana e Julius R. Mantey, A Manual Grammar of the Greek New Testament [Um Manual de Gramática do Grego do Novo Testamento]. Nova Iorque: Macmillan, 1957, p. 105.

[41] Cf. Atos 2:36; Romanos 10:9-10; 2 Coríntios 4:5. Nas duas últimas passagens do uso predicativo do duplo acusativo deve ser lido “a Jesus Cristo como Senhor”. Como Deus constituiu o Senhor Jesus Cristo como “Senhor” em sua ressurreição e ascensão, ninguém pode vir a Ele de modo salvífico por ninguém menos do que Ele próprio. Vir para debaixo do Seu senhorio é o começo de uma vida verdadeiramente convertida.

[42] Veja o ponto “Regeneração e Conversão”, deste estudo.

[43] Em Oberlin Evangelist, em 1875, Finney escreveu: “Se eu tivesse meu tempo de volta, eu não pregaria nada, senão santidade. Meus convertidos são uma desgraça para a religião, e se eu tivesse o meu tempo de volta, eu não pregaria nada além de santidade”. Citado por D. M. Lloyd-Jones, Conversions: Psychological and Spiritual [Conversões: Psicológicas e Espirituais]. InterVarsity Press, 1974. p. 31. As inclinações Perfeccionista de Finney o levaram a pensar que mais santificação manteria sua “conversão” justificada, mas a santidade é alheia para aqueles indivíduos que não possuem a graça.

[44] “Reconciliação” [ou Re-dedicação] é outro ritual não-bíblico inerente no Sistema de Apelos. A única “re-dedicação” conhecida nas Escrituras foi a de Zorobabel ao recolocar a fundação do Templo de Salomão (Esdras 3:10-13). Este rito em praticidade parece corresponder aproximadamente ao confessionário Papista em lidar com o pecado e possibilitar um novo começo, exceto que não há necessidade de revelar ou confessar abertamente o pecado. O simples ato de uma “reconciliação” pública geralmente é suficiente.

[45] Uma nota de cautela e explicação pode ser apropriada. O aspecto inferencial de segurança — a abordagem usual e individual na maioria dos círculos Evangélicos — por si só pode ser presunção. O aspecto probatório, por si só, poderia ser mero legalismo, e o aspecto interno ou imediato, por si só, pode tender para um misticismo. Mas tomados em conjunto, formam uma firme base bíblica de segurança de fé.

[46] Quando alguns ficam duvidosos, eles são questionados: “Você não foi sincero quando fez a sua decisão?!”. Claro que foram. Então, eles são exortados a nunca mais duvidar. E se duvidarem, eles são informados com toda a autoridade: “Simplesmente aponte para o tempo, o lugar e a oração, e chame o Diabo de mentiroso!”. Duvidar ou chegar à conclusão de que eles não foram “salvos” quando eles fizeram a sua “decisão” religiosa seria desacreditar todo o Sistema de Apelos. Alguns, no entanto, incluindo este escritor, foram posteriormente convertidos muito depois de terem feito a sua “decisão pela primeira vez”. Estes veem os efeitos perniciosos e conhecem o vazio deste sistema, como é comumente praticado.

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