A Vida e o Ministério de George Whitefield: Vivendo e Pregando Como de Deus Fosse Real (Porque Ele É), por John Piper

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[Desiring God • Conferência para Pastores 2009 • 3 de fevereiro]

 

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Sumário

 

Falando Mais do que Dormindo.

Pregando, Pregando e Pregando.

Falando a Milhares

Um Sermão Mal Interrompido.

Um Fenômeno na História da Igreja.

A Primeira Celebridade da América.

A Pregação Era Tudo.

Poder Natural e Poder Espiritual

Seu Efeito Sobre Edwards e Wilberforce.

Seus Dons de Oratória Nata.

“O Ator Consumado”?

Por Que Ele Estava Atuando?

A Diferença Entre os Atores

Atuando à Serviço da Realidade.

Whitefield Nasce de Novo.

Lutando Contra o Orgulho. Confessando a Tolice

Fazendo as Coisas Reais Serem Reais

Sem Atuar no Sentido Teatral

A Preciosidade das “Doutrinas da Graça”

Abraçando o Fundamento Calvinista

A Ligação Entre Eleição e Perseverança

Proclamando o Evangelho Com Todas Suas Força

Oferecendo Jesus Livremente a Toda Alma

A Proeminência da Justificação

A Glória da Obediência Imputada Por Jesus

Implacavelmente Dedicado às Boas Obras

A Figura Contraditória

Senhores de Escravos

O Ardente Evangelista dos Escravos

Semeando as Sementes da Igualdade

Um Pecador Adequado Para Pregar a Graça Livre

 


 

 

Os fatos sobre a pregação de George Whitefield como evangelista itinerante do século 18 são quase inacreditáveis. Esses fatos podem realmente ser verdade? A julgar pelos vários atestados de seus contemporâneos — e pelo comum acordo dos biógrafos simpáticos e antipáticos — eles parecem ser.

 

Desde seu primeiro sermão ao ar livre em 17 de fevereiro de 1739, com a idade de 24 anos, aos mineiros de carvão de Kingswood, perto de Bristol, Inglaterra, até sua morte 30 anos mais tarde em 30 de setembro de 1770, em Newburyport, Massachusetts (onde ele está enterrado), sua vida foi quase de pregação diária. As estimativas apontam que ele falou cerca de 1.000 vezes a cada ano por 30 anos. Que incluíram pelo menos 18 mil sermões e 12.000 palestras e exortações.[1]

 

Falando Mais do que Dormindo

 

O ritmo diário que ele manteve por 30 anos fez com que, em muitas semanas, ele estivesse falando mais do que dormindo. Henry Venn, pároco de Huddersfield, que conhecia bem Whitefield, expressou espanto para todos nós, quando escreveu:

 

Quem imaginaria que seria possível para uma pessoa falar no compasso de uma única semana (o que aconteceu por anos), em geral, 40 horas, e em muitas outras, sessenta, e assim, aos milhares; e após este trabalho, em vez de descansar, estava oferecendo orações e intercessões, com hinos e cânticos espirituais, como tinha por costume, em cada casa para a qual era convidado.[2]

 

Certifique-se de que você entendeu bem. Em muitas semanas ele estava realmente falando (não se preparando para pregar, o que praticamente ela não tinha tempo para fazer) por 60 horas (60, não 16). Isso dá quase seis horas por dia, em sete dias na semana, nas semanas mais tranquilas e mais de oito horas por dia, em sete dias por semana, nas semanas mais pesadas.

 

Pregando, Pregando e Pregando

 

Eu não encontrei referências em toda a minha leitura para o que hoje chamaríamos de férias ou dias de folga. Quando ele achava que precisava de recuperação, ele falava de uma viagem oceânica para a América. Ele cruzou o Atlântico 13 vezes em sua vida — um número ímpar (não muito comum) porque ele morreu e foi sepultado aqui, não na Inglaterra. As viagens através do Atlântico levavam 8-10 semanas cada. E mesmo assim, ele pregou praticamente todos os dias a bordo do navio.[3] O ritmo era diferente e assim ele era capaz de ler, escrever e descansar.[4]

 

Mas em terra, o ritmo de pregação era incessante. Dois anos antes de morrer com a idade de 55 anos, ele escreveu em uma carta: “Eu amo o revigorante ar livre”. E no ano seguinte, ele disse: “É bom percorrer as estradas e trilhas. Pregação do campo. Pregação no campo para sempre!”.[5] Dia após dia, em toda a sua vida, ele passou por toda parte pregando, pregando e pregando.

 

Falando a Milhares

 

E tenha em mente que a maioria dessas mensagens foram ditas em reuniões de milhares de pessoas — geralmente com dificuldades por vento e barulhos. Por exemplo, no outono de 1740, por mais de um mês, ele pregou quase todos os dias na Nova Inglaterra para multidões de até 8.000 pessoas. Isso ocorreu quando a população de Boston, a maior cidade na região, não era muito maior que isso.[6]

 

Ele relata que na Filadélfia, naquele mesmo ano, na quarta-feira, 6 de abril, ele pregou na Society Hill (um grande bairro) duas vezes na parte da manhã para cerca de 6.000 pessoas e, à noite, para aproximadamente 8.000. Na quinta-feira, ele falou para “mais de dez mil” e foi relatado que, em um destes eventos, as palavras “Ele abriu a Sua boca e ensinou-lhes dizendo” foram distintamente ouvidas no ponto de Gloucester, a uma distância de duas milhas por cima da água, descendo o rio Delaware[7] [Você vê o porquê eu digo que essas coisas estão perto do inacreditável?]. Houveram vezes onde as multidões atingiram 20.000 ou mais.[8] Isso significava que o esforço físico para projetar a voz para tantas pessoas, por tanto tempo, em cada sermão, por tantas vezes por semana, durante trinta anos, só podia ter sido herculana.

 

Um Sermão Mal Interrompido

 

Adicione a tudo isso o fato de que ele estava viajando continuamente, em um tempo onde deslocava-se apenas a cavalo, carruagem ou navio. Ele atravessou o comprimento e a largura da Inglaterra repetidamente. Ele viajou regularmente e falou em todo País de Gales. Ele visitou a Irlanda duas vezes, onde ele quase foi morto por uma agressão, a partir do qual ele carregou uma cicatriz em sua testa pelo o resto de sua vida.[9] Ele viajou 14 vezes para a Escócia e veio para a América 7 vezes, parando uma vez em Bermuda por 11 semanas — somente para pregar, não descansar. Ele pregou em praticamente todas as grandes cidades na costa leste da América. Michael Haykin nos lembra: “O que é tão notável sobre tudo isso é que Whitefield viveu em uma época em que viajar para uma cidade a 20 milhas de distância era um empreendimento significativo”.[10]

 

J. C. Ryle resumiu a vida de Whitefield assim:

 

Os fatos sobre a história de Whitefield são quase que inteiramente em um único aspecto. Um ano era exatamente igual ao outro e tentar segui-lo seria apenas repetir seu caminho sobre o mesmo chão. De 1739 até o ano de sua morte, 1770, um período de 31 anos, a sua vida foi um emprego invariável. Ele foi eminentemente um homem de uma só coisa e, esta coisa, sempre foram os assuntos do seu Mestre. De domingo pela manhã até as noites dos sábados, de 1º de janeiro a 31 de dezembro, com exceção quando se afastava por doença, ele estava quase que incessantemente pregando sobre Cristo e indo pelo mundo chamando os homens a arrepender-se e virem a Cristo para serem salvos.[11]

 

Outro biógrafo do século 19, disse: “Pode-se dizer que toda a sua vida foi destinada à entrega de um único sermão contínuo, ou, bem pouco interrompido”.[12]

 

Um Fenômeno na História da Igreja

 

Ele era um fenômeno não apenas em sua época, mas em toda a história dos em 2.000 anos de pregação Cristã. Não houve nada como a combinação da frequência de pregação, extensão geográfica, alcance de ouvintes, efeito de prender a atenção e poder de conversão. Ryle está certo: “Nenhum pregador jamais manteve domínio sobre seus ouvintes com tanta inteireza como ele fez por 34 anos. Sua popularidade nunca declinou”.[13]

 

Seu contemporâneo Augustus Toplady (1740-1778) referiu-se a ele como “o apóstolo do Império Inglês”.[14] Ele foi o “mais popular pregador do século XVIII da Anglo-América e foi, verdadeiramente, o primeiro reavivalista de massa”.[15] Ele foi “a primeira celebridade religiosa da colônia americana”.[16] Passou oito anos de sua vida ​​na América. Ele amava o estilo americano. Ele tinha sangue mais americano do que inglês.

 

A Primeira Celebridade da América

 

Harry Stout ressalta: “Enquanto as tensões entre a Inglaterra e a América cresceram, Whitefield viu que ele deveria fazer uma escolha. Wesley iria permanecer leal à Inglaterra, mas Whitefield não pôde. Suas divergências institucionais e a sua identificação pessoal com as colônias foram mais fortes do que sua lealdade à coroa”.[17]

 

As estimativas são de que 80% de toda a população das colônias americanas (isto foi antes da TV ou rádio) ouviram Whitefield pelo menos uma vez. Stout mostra que o impacto da Whitefield sobre a América foi tal, que ele justamente pode ser denominado como sendo o primeiro herói cultural da América. Antes de Whitefield, não houve nenhuma pessoa ou evento conhecido entre as colônias. Na verdade, antes de Whitefield, é duvidoso que qualquer outro nome, além das realezas, fosse conhecido igualmente de Boston a Charleston. Mas por volta de 1750 praticamente todos os americanos amavam e admiravam Whitefield e o viram como seu champeão.[18]

 

William Cooper, que morreu quando Whitefield tinha 29 anos, já o chamava de “o fenômeno da era”.[19]

 

A Pregação Era Tudo

 

Isso tudo foi o efeito do pregador mais focado, mais envolvente orador, de voz impetuosa, desde a devocional ao evangelismo diário, que a história já conheceu. A pregação significava tudo. Acho que a maioria de seus biógrafos concordam (citando Stout) que Whitefield demonstrou indiferença pela sua vida pessoal, o corpo e o espírito. O momento da pregação dominava tudo e continuava a fazê-lo depois, pois de fato não havia mais nada pelo qual ele vivia. O homem íntimo e o homem familiar há muito haviam deixado de existir. Na cena final, havia apenas Whitefield em seu púlpito.[20]

 

Poder Natural e Poder Espiritual

 

A que se deve esse fenômeno? Qual foi a chave para o seu poder? Em um nível, seu poder foi o poder natural da eloquência e em outro foi o poder espiritual de Deus para converter os pecadores e transformar comunidades.

 

Não há nenhuma razão para duvidar de que ele foi o instrumento de Deus na salvação de milhares. J. C. Ryle disse:

 

Eu creio que o bem direto que ele fez para as almas imortais foi enorme. Eu vou além — eu acredito que é incalculável. Testemunhas com credibilidade na Inglaterra, Escócia e América têm colocado no registro sua convicção de que ele foi o meio para conversão de milhares de pessoas.[21]

 

Whitefield foi o principal instrumento internacional de Deus no primeiro Grande Reavivamento. Ninguém mais no século 18 foi ungido como ele na América, Inglaterra, País de Gales, Escócia ou Irlanda. Essa pregação não foi um fogo de palha. Coisas profundas e duradouras aconteceram.

 

Seu Efeito Sobre Edwards e Wilberforce

 

Em fevereiro de 1740, Jonathan Edwards enviou um convite para Whitefield, na Geórgia, pedindo-lhe para que pregasse em sua igreja. Em 19 de outubro, Whitefield registrou em seu diário: “Preguei esta manhã e o bom Sr. Edwards chorou durante todo o tempo de meu ofício. As pessoas foram igualmente afetadas”.[22] Edwards informou que o efeito do ministério de Whitefield era mais do que momentâneo — “Em cerca de um mês, houve uma grande mudança na cidade”.[23]

 

O impacto de Whitefield, dos Wesleys e do Grande Reavivamento na Inglaterra mudaram a face da nação. William Wilberforce, que liderou a luta contra o tráfico de escravos na Inglaterra, tinha 11 anos quando Whitefield morreu. O pai de Wilberforce tinha morrido quando ele tinha 9 anos e ele passou a viver por um tempo com seus tios William e Hanna Wilberforce. Este casal tinha uma boa amizade com George Whitefield.[24]

 

Este foi o ar evangélico que Wilberforce respirou antes mesmo de ele ser convertido. E depois de sua conversão, a visão de Whitefield do Evangelho foi a verdade e a dinâmica espiritual que impulsionam a batalha ao longo da vida de Wilberforce contra o tráfico de escravos. Este é apenas um pequeno vislumbre do impacto duradouro de Whitefield e do despertar que ele proporcionou.

 

Então eu não tenho dúvida de que Henry Venn estava certo quando disse: “[Whitefield], não muito depois de ter aberto sua boca como pregador, Deus ordenou uma bênção extraordinária sobre sua palavra”.[25] Então, nesta altura, a explicação do impacto fenomenal de Whitefield foi a excepcional unção de Deus em sua vida.

 

Seus Dons de Oratória Nata

 

Mas por outro lado, Whitefield manteve presas as pessoas que não acreditavam em uma única palavra doutrinária que ele disse. Em outras palavras, nós temos que concordar sobre os dons de oratória naturais que ele tinha. Como devemos pensar sobre estes em relação à eficácia dele? Benjamin Franklin, que amava e admirava Whitefield[26] — e que rejeitou totalmente a sua teologia — disse:

 

Cada sotaque, cada ênfase, cada modulação da voz, era tão perfeitamente bem pronunciada e bem colocada, que sem estar interessado no assunto, não se poderia deixar de deleitar-se com o discurso: um prazer bem parecido com o que é sentido em uma excelente peça musical.[27]

 

Praticamente todos concordam com Sarah Edwards quando ela escreveu a seu irmão sobre a pregação de Whitefield.

 

Ele é um orador nato. Você já deve ter ouvido falar de sua voz profunda e tonificada, porém clara e melodiosa. É uma música perfeita para se ouvir sozinha!… Você se lembra que David Hume dizia valer a pena ir 20 milhas para ouvi-lo falar; e Garrick [um ator que invejava estes dons de Whitefield] disse: “Ele podia conduzir os homens às lágrimas… na pronuncia da palavra Mesopotâmia”. É verdadeiramente maravilhoso ver a magia que esse pregador muitas vezes espalha sobre os ouvintes proclamando as verdades mais simples da Biblia.[28]

 

E então ela levantou a questão que tem causado tanta controvérsia em torno de Whitefield nos seus últimos 15 anos. Ela diz:

 

Uma pessoa preconceituosa, eu sei, pode até dizer que isso tudo é artifício teatral e exibição, mas ninguém que o tenha visto e conhecido vai pensar assim. Ele é um homem muito devoto e piedoso e seu único objetivo parece ser o de atingir e influenciar os homens da melhor maneira. Ele fala com o coração. Tudo sai com amor e ele derrama uma torrente de eloquência que é quase irresistível.[29]

 

Harry Stout, professor de história na Universidade de Yale, não estava tão certo sobre a pureza das motivações de Whitefield como Sarah Edwards estava. Sua biografia The Divine Dramatist: George Whitfield and the Rise of Modern Evangelicalism é a peça mais bem sustentada de cinismo histórico que eu já li. Nas primeiras 100 páginas deste livro, eu escrevi a palavra cínico na margem 70 vezes.

 

“O Ator Consumado”?

 

Mas o desafio precisa ser enfrentado. E eu acho que se nós olharmos atentos, o que encontramos é algo mais profundo do que Stout encontrou. Stout alega que Whitefield nunca deixou para trás seu amor pela atuação e sua habilidade como um ator que foi destaque em sua juventude antes de sua conversão. Assim, ele diz que a chave para compreendê-lo é “o amálgama de pregação e da atuação”.[30] Whitefield era “o ator consumado”.[31] “A fama que ele buscava era… ser um ator comandando no centro do palco”.[32] “Whitefield não se contentou em falar simplesmente sobre o novo nascimento. Ele teve que vendê-lo com todo o artifício dramático de um vendedor ambulante”.[33] “Lágrimas derramaram-se de Whitefield… gesto psicológico”.[34] “Whitefield se tornou um ator-pregador, ao invés de um erudito-pregador”.[35]

 

E, claro, esta última afirmação é verdadeira, de certo modo. Ele era um ator-pregador em oposição a um erudito-pregador. Ele não era um Jonathan Edwards. Ele pregava totalmente sem notas[36] e seu púlpito móvel estava mais para uma pequena taboa do que para um púlpito tradicional.[37] Ao contrário da maioria dos pregadores em sua época, ele era cheio de ação quando pregava. Cornelius Winter, jovem assistente de Whitefield em anos posteriores, disse:

 

Eu quase nunca o vi ele pronunciar um sermão sem chorar. Às vezes ele chorava muito, soluçando alto e apaixonadamente, e era frequentemente tão intenso, que, por alguns segundos, você suspeitava que ele nunca poderia se recuperar; e quando o fazia, naturalmente era necessário algum tempo para se recompor.[38]

 

E outro contemporâneo da Escócia, John Gillies, relatou como Whitefield movia-se com “tanta veemência em sua estrutura corporal” que seu público realmente compartilhava da sua exaustão e “sentia uma apreensão momentânea pela sua vida”.[39]

 

Portanto, em certo sentido, eu não tenho dúvida de que Whitefield estava “atuando” enquanto ele pregava. Isto é, que ele estava tomando parte dos personagens do drama de seu sermão e despejando toda a sua energia em fazer com realidade. Como quando ele assume o papel de Adão no Jardim e diz a Deus: “Se tu não tivesses me dado esta mulher, eu não tinha pecado contra Ti, pelo que Tu podes agradecer a Ti mesmo pela minha transgressão”.[40]

 

Por Que Ele Estava Atuando?

 

Mas a questão é: Por que Whitefield “atuava”? Por que ele era tão cheio de ação e drama? Estava ele, como Stout afirma: “exercendo um comércio religioso”?[41] Desejando “fama espiritual”?[42] Buscando “respeito e poder”?[43] Impulsionado pelo “egoísmo”?[44] Inserindo “performances”[45] e “integrando o discurso religioso à linguagem de consumo emergente”?[46]

 

Acho que a resposta mais penetrante vem de algo que o próprio Whitefield disse sobre atuar em um sermão, em Londres. Na verdade, eu acho que é a chave para compreender o poder de sua pregação — de todas as pregações. James Lockington estava presente neste sermão e registrou em escrita. A fala é de Whitefield:

 

Eu vou lhe contar uma história. O Arcebispo de Canterbury, no ano de 1675, era conhecido do Sr. Butterton, o [ator]. Um dia, o Arcebispo disse a Butterton: “Por favor, diga-me Sr. Butterton, qual é a razão pela qual vocês, atores do palco, conseguem afetar suas plateias falando de coisas imaginárias, como se fossem reais, enquanto nós da igreja, que falamos das coisas reais, temos nossas congregações apenas ouvindo-as como se fossem imaginárias?”. “A razão do porquê, Meu Senhor”, diz Butterton, “é muito simples. Nós, atores do palco, falamos de coisas imaginárias como se fossem reais e você no púlpito falam de coisas reais como se fossem imaginárias”.

 

“Portanto”, acrescentou Whitefield, “eu vou berrar [gritar bem alto]. Eu não vou ser um pregador da boca de veludo”.[47]

 

Isto significa que existem três maneiras de falar. Primeiro, você pode falar de um mundo imaginário irreal como se fosse real — isto é o que os atores fazem em uma peça. Em segundo lugar, você pode falar sobre um mundo real como se fosse irreal — que é o que os pastores frios e indiferentes fazem quando pregam sobre coisas gloriosas de uma forma que demonstra que eles não estão tão aterrorizados e maravilhados pelas coisas que falam. E o terceiro é: Você pode falar sobre um mundo espiritual real como se fosse maravilhosa, terrível e magnificamente real (porque, na verdade, é).

 

A Diferença Entre os Atores

 

Então, se você perguntar a Whitefield: “Por que você prega desta forma?”, ele diria: “Eu creio que o que eu leio na Bíblia é real”. Então, me aventurarei nesta afirmação: George Whitefield não é um ator reprimido, conduzido por um amor egoísta pela atenção. Pelo contrário, ele é conscientemente comprometido em se diferenciar dos atores, porque ele conheceu algo que é realmente verdadeiro.

 

Ele atuava com toda a sua força não porque isso demandava grandiosos truques e charadas para convencer as pessoas do irreal, mas porque ele havia conhecido algo mais real do que atores dos palcos de Londres já haviam visto. Para ele, as verdades do Evangelho eram tão reais — tão maravilhosa, terrível e magnificamente reais — que ele não podia e não iria pregar como se elas fossem coisas irreais ou meramente interessantes.

 

Atuando à Serviço da Realidade

 

Não era uma atuação reprimida. Nem foi atuação livre. Ele não estava atuando a serviço da imaginação. Ele estava atuando a serviço da realidade. Não era tomar o irreal como se fosse real. Foi tomar a super-realidade dessa verdade de forma impressionantemente pura e incrivelmente real. Não foi atuação. Foi uma re-apresentação — replicação — apaixonada da realidade. Não foi um potente microscópio usando todo seu poder para fazer o que é pequeno parecer algo impressionantemente grande. Este foi um telescópio desesperadamente inadequado, investindo todo o seu poder para oferecer uma pequena sensação da majestade do que muitos pregadores viam como sendo cansativo e irreal.

 

Não há desacordo de que Deus usa vasos naturais para demonstrar sua realidade sobrenatural. E não há desacordo de que George Whitefield era um vaso estupendamente natural. Ele era focado, afável, eloquente, inteligente, compreensivo, honesto, determinado, aventureiro e tinha uma voz como a de uma trombeta, que podia ser ouvida por milhares ao ar livre — e, por vezes, a uma distância de duas milhas. Tudo isso, atrevo-me a dizer, seria parte dos dons naturais de Whitefield, mesmo se ele nunca tivesse nascido de novo.

 

Whitefield Nasce de Novo

 

Mas algo aconteceu que fez com que todos esses dons naturais de Whitefield fossem subordinados a uma outra realidade. Isso fez com que tudo isso operasse em outra dimensão — para glória de Cristo na salvação dos pecadores. Era a primavera de 1735. Ele tinha 20 anos. Ele fazia parte do Clube Santo em Oxford com John e Charles Wesley e a busca a Deus era totalmente disciplinada.

 

Eu sempre escolhia o pior tipo de comida… Eu jejuava duas vezes por semana. Minha aparência era desprezível… Eu usava luvas de lã, roupa remendada e sapatos sujos… Eu constantemente andava nas manhãs frias até que parte de uma das minhas mãos estivesse escura… Eu mal podia arrastar-me para o andar de cima. Era obrigado a informar o meu tutor… que me enviava imediatamente para um médico.[48]

 

Ele deu uma pausa na escola e então chegou às suas mãos uma cópia do livro do Puritano Henry Scougal, The Life of God in the Soul of Man [A Vida de Deus na Alma do Homem]. Aqui está descrito o que aconteceu, em suas próprias palavras:

 

Devo prestar testemunho ao meu velho amigo, Sr. Charles Wesley, que colocou um livro em minhas mãos chamado, The Life of God in the Soul of Man, pelo qual Deus me mostrou que eu devo nascer de novo ou ser condenado. Eu sei o lugar: pode ser supersticioso, talvez, mas sempre que eu vou para Oxford, não posso deixar de correr para o lugar onde Jesus Cristo, primeiro se revelou para mim e me deu o novo nascimento. [Scougal] diz: um homem pode ir à igreja, fazer suas orações, receber o sacramento e, ainda assim, meus irmãos, não ser um Cristão. Assim como meu coração se exaltou, da mesma forma se compungiu. Como um pobre homem que tem medo de olhar em seu caderno de contas, temeroso por descobrir-se falido. Devo eu queimar este livro? Devo jogá-lo para longe? Devo pô-lo de lado ou devo abri-lo e examinar? Eu assim o fiz, e, segurando o livro na minha mão, dirigi-me ao Deus do céu e da terra: Senhor, se eu não sou um Cristão, se eu não sou realmente, pelo amor de Jesus Cristo, me mostre o que o Cristianismo é, para que eu não seja condenado no fim. Eu li um pouco mais e a fraude foi descoberta. Oh, diz o autor, os que sabem alguma coisa sobre a religião, sabem que é uma união vital com o Filho de Deus, Cristo habitando no coração. Oh, que forma divinalmente quebrantadora de vida cobriu minha pobre alma… Oh! Que alegria — alegria indescritível – me encheu, e com grande glória, minha alma foi preenchida.[49]

 

O poder, a profundidade e a realidade sobrenatural da mudança de Whitefield foi algo que Harry Stout não retratou suficientemente. O que aconteceu lá foi que a Whitefield foi dada a habilidade sobrenatural de ver o que era real. Sua mente foi aberta à nova realidade. Eis aqui a maneira de descrevê-la:

 

Acima de tudo, a minha mente agora está mais aberta e expandida. Eu comecei a ler as Sagradas Escrituras sobre os meus joelhos, deixando de lado todos os outros livros e orando, se possível, cada linha e palavra. Isto foi, de fato, como comida e bebida para minha alma. Eu diariamente recebia frescor de vida, luz e poder das alturas. Eu obtive mais conhecimento da verdade pela leitura do Livro de Deus em um mês do que eu jamais poderia ter adquirido de todos os escritos dos homens.[50]

 

Isto significa que a atuação de Whitefield — sua pregação apaixonada, energizada e inteiramente vinda da alma — foi o fruto de seu novo nascimento, porque o seu novo nascimento deu-lhe olhos para ver “vida, luz e poder das alturas”. Ele viu os fatos gloriosos do Evangelho como sendo reais. Maravilhosa, terrível e magnificamente reais. E é por isso que ele clama: “Eu não vou ser um pregador da boca de veludo”.

 

Nenhuma de suas habilidades naturais desapareceram. Todos eles foram feitas cativas à obediência a Cristo (2 Coríntios 10:5). “Que meu nome seja esquecido, que eu seja colocado sob os pés de todos os homens, se Jesus assim for glorificado”.[51]

 

Lutando Contra o Orgulho. Confessando a Tolice

 

Claro que ele lutou contra o orgulho. Quem não luta contra o orgulho — orgulho porque somos alguém ou orgulho porque queremos ser alguém. Mas o que o registro mostra é que ele lutou braviamente essa luta, declarando morte, uma a uma, em todas as vezes que era atraído pela vaidade do louvor humano. “É difícil”, disse ele, “atravessar o fogo ardente da popularidade e da exaltação pelos aplausos”.[52]

 

“Elogios”, escreveu ele a um amigo, “ou até mesmo o insinuar de admiração, são um veneno para uma mente viciada em orgulho. Um prego não afunda tanto quanto quando este é banhado em óleo… Ore por mim, caro senhor, e cure as feridas que você fez. Somente a Deus a glória. Aos pecadores nada, exceto a vergonha e o embaraço”.[53]

 

Ele confessou publicamente as tolices e os erros que cometeu em seus primeiros anos.[54] Ele confessou a um amigo em 1741: “Nossos pensamentos mais santos são manchados pelo pecado e necessitam da reparação expiadora do Mediador”.[55] Ele lançou-se sobre a graça gratuita que ele pregava de forma tão poderosa:

 

Eu não sou nada, eu não tenho nada e eu não posso fazer nada sem Deus. O que embora eu ainda posso fazer, o faço como um sepulcro que parece ser um pouco mais bonito depois de polido. Mas, no entanto, internamente estou cheio de orgulho, amor a mim mesmo e todo tipo de corrupção. Mas, mesmo assim, pela graça de Deus, eu sou o que sou, e se é do agrado de Deus me fazer um instrumento para fazer que é bom, mesmo de forma mínima, então que não seja a mim, mas a Ele, toda a glória.[56]

 

Fazendo as Coisas Reais Serem Reais

 

Então, Whitefield teve uma nova natureza. Ele havia nascido de novo. E esta nova natureza lhe permitiu ver o que era real. Whitefield sabia em sua alma: Eu nunca irei falar do que é real como se fosse imaginário. Eu não serei um pregador da boca de veludo. Ele não abandonou a atuação. Ele desmascararia os atores em sua pregação, porque estes sim, se tornaram atores para fazer as coisas imaginárias parecerem reais, mas ele era um pregador-ator para fazer com que as coisas reais transparecessem o que elas realmente eram.

 

Ele não pausava a sua pregação para ter um pouco de drama adicionado — como alguns pregadores fazem hoje, parecendo um pouco com um esquete, um pouco com clipe de um filme — porque isso teria feito ele perder todo o objetivo. Pregar foi a peça. A pregação era o drama. A realidade do Evangelho o consumiu e isto se tornou sua testemunha. A pregação tornou-se em si a ativa palavra de Deus. Era Deus falando. A realidade não estava simplesmente sendo mostrada. A realidade estava acontecendo.

 

Sem Atuar no Sentido Teatral

 

No fim, isto significa que a “atuação” de Whitefield não era atuação no sentido teatral da palavra. Se uma mulher tem um papel em um filme, e por exemplo, ela é mãe de uma criança que está em uma casa em chamas e, assim que as câmeras focam nela, ela começa a gritar para os bombeiros e apontar para a janela no segundo andar, todos nós diremos que ela está atuando. Mas se uma casa está pegando fogo no seu bairro e você vê uma mãe gritando para os bombeiros e apontando para a janela do segundo andar, ninguém dirá que ela está atuando. Por que não se parecem elas ser exatamente a mesma?

 

É porque realmente há uma criança lá em cima com o fogo. Esta mulher é realmente a mãe da criança. Há um perigo real e a criança poderia morrer. Tudo é real. E era dessa mesma forma para Whitefield. O novo nascimento tinha aberto os olhos para o que era real e para a magnitude do que era real: Deus, a criação, a humanidade, o pecado, Satanás, a justiça Divina e Sua ira, Céu, Inferno, encarnação, as perfeições de Cristo, a Sua morte, expiação, redenção, propiciação, ressurreição, o Espírito Santo, a graça salvífica, o perdão, a justificação, a reconciliação com Deus, a paz, a santificação, o amor, a segunda vinda de Cristo, os novos Céus e a nova Terra, a alegria eterna… Estes eram reais. Esmagadoramente reais para ele. Ele havia nascido de novo. Ele tinha olhos para ver.

 

Quando ele advertiu sobre ira e convocava as pessoas para escaparem para e exaltarem a Cristo, ele não estava atuando. Ele estava incorporando tais formas de emoções e de ações que correspondiam com essas realidades. Isso o que a pregação faz. É uma busca por exaltar a Cristo, descrever o pecado, oferecer a salvação e persuadir os pecadores com emoções, palavras e ações que representem o peso de tais realidades.

 

Se você ver essas realidades com os olhos do seu coração, se você sentir o peso delas, você vai saber que esse tipo de pregação não é encenada. A casa está em chamas. Há pessoas presas no segundo andar. Nós as amamos. E há uma maneira de escapar.

 

A Preciosidade das “Doutrinas da Graça”

 

Vamos ser mais específicos. O que George Whitefield via como sendo real? Ao contrário de muitas pregações de hoje, a pregação do reavivamento do século 18 — incluindo as pregações evangelísticas de Whitefield e Wesley — fora doutrinariamente específicas e não vagas. Quando você lê os sermões de Whitefield, você fica pasmo do quão incrivelmente doutrinários eles eram.

 

O que Whitefield viu em alguns meses após a sua conversão, foi a preciosidade e o poder das “doutrinas da graça”.[57] O que era real para ele era o clássico Evangelho Calvinista. “Do começo ao fim”, Stout diz, “ele era um Calvinista que acreditava que Deus o escolheu para a salvação e não o inverso”.[58] J. I. Packer observa que “Whitefield era inteiramente livre de ventos de doutrina”.[59]

 

Abraçando o Fundamento Calvinista

 

Seu guia enquanto ele lia a Bíblia nos dias de sua formação não foi João Calvino, mas Matthew Henry.[60] “Eu adotei a estrutura Calvinista”, disse ele, “não por causa de Calvino, mas Jesus Cristo conduziu-me a isso”.[61] De fato, ele escreveu a João Wesley, em 1740: “Eu nunca li nada que Calvino escreveu”.[62]

 

Ele acreditava que essas verdades bíblicas — que às vezes ele chamava de “as doutrinas da Reforma” — fizeram o máximo para “rebaixar o homem e exaltar o Senhor Jesus… Todas as outras deixam o livre-arbítrio para homem, e fazem dele, pelo menos em parte, um salvador para si mesmo”.[63] E não só despreza a obra do Salvador; isso fazia com que a nossa posição em Cristo fosse insegura.

 

A Ligação Entre Eleição e Perseverança

 

O que Whitefield viu como sendo real com seus novos olhos foi o elo entre a eleição e a perseverança. Deus o havia escolhido incondicionalmente, e Deus, portanto, mantê-lo-ia intacto. Esta foi a sua firme rocha, um fogo em seus ossos e o poder de sua obediência. Ele escreveu em 1739, na Philadelphia:

 

Oh! Que excelência na doutrina da eleição, da perseverança final dos santos, para aqueles que estão verdadeiramente selados pelo Espírito da promessa! Estou convencido de que, até que um homem venha a acreditar e sentir essas verdades importantes, ele não pode libertar-se de si mesmo; mas quando se convence disto, assegurado pela aplicação delas em seu próprio coração, então ele caminhará pela fé na verdade, não em si mesmo, mas no Filho de Deus, que morreu e se entregou por ele. Amor, não medo, o constrangerão à obediência.[64]

 

E um ano depois ele escreveu a John Wesley: “A doutrina da eleição e a perseverança final daqueles que estão verdadeiramente em Cristo, fez-me, se é que isso é possível, dez mil vezes mais convicto do que quando eu te vi pela última vez”.[65] Ele amou a segurança que ele tinha nas mãos poderosas de Deus. “Certamente eu estou seguro, porque colocou-me em Seu braço todo-poderoso. Embora eu possa cair, eu não serei lançado fora. O Espírito do Senhor Jesus vai me segurar e me susterá”.[66]

 

Proclamando o Evangelho Com Todas Suas Força

 

E ele não só desfrutava tranquilamente destas realidades em si mesmo; ele as pregou com toda a força em seus esforços evangelísticos. Ele disse para Wesley: “Eu devo pregar o Evangelho de Cristo e agora, eu não posso fazer isso sem falar da eleição”.[67] Em seu sermão baseado em 1 Coríntios 1:30, chamado “Cristo: a sabedoria, a justiça, a santificação e a redenção do Cristão”, ele exulta na doutrina (lembre-se que ele está elevando a sua voz a milhares):

 

Da minha parte, eu não posso ver como a verdadeira humildade de espírito pode ser alcançada sem este conhecimento [a doutrina da eleição]; e embora eu não diga que todo aquele que nega a eleição é mau, eu ainda direi, como aquele meigo cantor, Sr. Trail, que é um grande mal sinal: tal pessoa, quem quer que seja, creio que não pode conhecer verdadeiramente a si mesmo; porque, se negarmos a eleição, nós creditamos, pelo menos em parte, a glória a nós mesmos; mas a nossa redenção é tão ordenada, que nenhuma carne pode se gloriar na presença Divina; e é por isso que o orgulho do homem se opõe a essa doutrina, porque, de acordo com esta doutrina e nenhuma outra, “aquele que se gloria, glorie-se somente no Senhor”.

 

Mas o que direi eu? Eleição é um mistério que brilha com tal brilho resplandecente, que, fazer uso das palavras de alguém que tenha bebido profundamente do amor eletivo, deslumbrará os olhos fracos até mesmo de alguns dos filhos de Deus; não obstante, embora eles não saibam disto, todas as bênçãos que receberam, todos os privilégios que eles têm ou irão desfrutar através de Jesus Cristo, fluem do amor eterno de Deus Pai.[68]

 

Oferecendo Jesus Livremente a Toda Alma

 

E Whitefield lembra a Wesley — e a nós — em uma carta de 1741: “Embora eu esteja firmado na eleição particular, eu ofereço Jesus livremente a cada alma individualmente”.[69] De fato, Whitefield não esconde sua compreensão da expiação definitiva ou graça irresistível, assim como ele convoca os homens a virem a Cristo. Em um sermão em João 10:27-28 chamado: “O Bom Pastor”, ele fala claramente do sentido particular em que Cristo morreu pelos seus.

 

Se você pertence a Jesus Cristo, Ele está falando de você; pois ele diz: “Eu conheço as minhas ovelhas”. “Eu as conheço”; o que isso significa? Significa que sabe o seu número, Ele sabe os seus nomes, Ele conhece cada um por quem Ele morreu; e se estivesse faltando um só por quem Cristo morreu, Deus o Pai iria mandá-lO para baixo novamente do Céu, para buscá-lo.[70]

 

E então ele constrói o seu apelo apaixonado com base na graça soberana e irresistível:

 

Ó venha! Venha! Veja o que é ter a vida eterna; não recuse; apresse-se, pecador, apresse-se! Pode o grande, o Bom Pastor, tomar suas almas. Oh! Se você nunca ouviu a Sua voz antes, Deus permite que você possa ouvi-la agora… Oh venha! Venha! Venha para o Senhor Jesus Cristo; nEle, deixo-vos… Amém.[71]

 

A Proeminência da Justificação

 

Entre as Doutrinas da Reforma que preenchiam seus grandes sermões evangelísticos, o mais proeminente era o da doutrina da justificação. Seu sermão de assinatura, se houvesse um, poderia ser: “O Senhor é a Nossa Justiça”, baseado em Jeremias 23:6. Ele nunca elevou a justificação ao ponto de excluir a regeneração e a santificação. Na verdade, ele foi explícito em seus esforços para mantê-los em equilíbrio:

 

Não devemos separar o que Deus colocou em conjunto; temos de manter o meio termo entre os dois extremos; não devemos insistir tanto por um lado sobre estar sem Cristo, de forma a excluir o estar com Cristo, como prova de estarmos nEle e como uma preparação para a felicidade futura; nem, por outro lado, defender a justificação inerente ou a santificação contínua em nós, ao ponto de excluir a justificação vinda de Jesus Cristo sem nosso agir.[72]

 

A Glória da Obediência Imputada Por Jesus

 

Mas, ó quão zeloso ele é, de novo e de novo, em buscar o abrigo das particularidades desta doutrina pelas massas, especialmente, a imputação da obediência de Cristo. Ele lamentou em um sermão:

 

Eu temo que eles entendam a justificação em um sentido mínimo, da mesma forma que, há alguns anos, eu visualizava, de maneira a atribuir a ela, não mais do que a remissão dos pecados; mas não significa apenas a remissão dos pecados passados, mas também um direito federal a todas as boas coisas que estão por vir… Assim como a obediência de Cristo é imputada aos crentes, assim também, a perseverança na obediência deve ser imputada a eles.[73]

 

Nunca haverá maiores nem fluirão mais absurdos na negação de alguma doutrina, que na negação da doutrina da justificação imputada por Cristo.[74]

 

O mundo diz que, pelo fato de nós pregarmos a fé, negamos as boas obras; esta é a objeção habitual contra a doutrina da justificação imputada. Mas é uma calúnia, uma calúnia descarada.[75]

 

Implacavelmente Dedicado às Boas Obras

 

E, de fato, foi uma calúnia para a vida de George Whitefield. Whitefield foi implacável em sua devoção às boas ações e em seus cuidados para com os pobres — constantemente levantando fundos para orfanatos e outros ministérios de misericórdia.[76] Benjamin Franklin, que foi uma das amizades mais saudáveis que Whitefield já teve, apesar de suas enormes diferenças religiosas, disse: “a integridade, o desapego e o zelo incansável na perseguição das boas obras [de Whitefield], eu nunca vi igual; eu nunca vi excedentes”.[77]

 

Em outras palavras, a crença apaixonada de Whitefield na imputação da justificação de Cristo não impediu a busca da prática da justiça e do amor. Isto apenas lhe fortificou. Esta conexão entre doutrina e deveres práticos de amor foi um dos segredos do poder de Whitefield. As massas acreditavam, e acreditavam com razão, que ele praticava o que pregava. O novo nascimento e justificação pela fé formaram uma boa pessoa.

 

A Figura Contraditória

 

Mas isso tudo não faz uma pessoa perfeita. Não fez Whitefield ser perfeito. De fato, um dos efeitos da leitura história e biografias em particular, é a pertinente descoberta de contradições e paradoxos do pecado e da justificação nas pessoas mais santas.

 

Whitefield não é uma exceção e ele vai ser mais justamente honrado se formos honestos sobre sua cegueira, bem como a sua doutrina de fidelidade e bondade. A cegueira mais gritante de sua vida — e haviam outras — foi seu apoio à escravidão dos negros americanos.

 

Senhores de Escravos

 

Antes do domínio sobre escravos na Geórgia ser legalizado, Whitefield defendeu a legalização, com vista em tornar a construção do seu orfanato mais acessível.[78] Em 1748, ele escreveu para os administradores de Bethesda, o nome de seu orfanato e moradia:

 

Sendo os negros legalizados, eu devo agora ter o suficiente para dar suporte a um grande número de órfãos, sem gastar cerca de metade do montante que tem sido gasto… A Geórgia nunca pode ou vai ser uma província próspera sem que os negros [sic] sejam permitidos… Estou tão disposto como sempre a fazer tudo o que puder para a Geórgia e para o orfanato se o uso limitado de negros for aprovado ou alguns funcionários contratados serão demitidos. Se não, eu não posso prometer que vou sustentar famílias grandes ou cultivarei plantações de tamanhos consideráveis.[79]

 

Em 1752, a Geórgia tornou-se uma colônia real. A escravidão foi agora legalizada e Whitefield se juntou às fileiras dos proprietários de escravos que ele havia denunciado em seus anos anteriores.[80]

 

O Ardente Evangelista dos Escravos

 

Isso em si não era incomum. A maioria dos donos de escravos eram Cristãos professos. Mas no caso de Whitefield, as coisas eram mais complexas. Ele não se encaixa no molde de rico, do fazendeiro sulista. Quase todos eles oponham-se a evangelizar e educar os escravos. Eles sabiam intuitivamente que a educação tenderia para a igualdade, o que prejudicaria todo o sistema. O evangelismo implicava que os escravos podiam se tornarem filhos de Deus, o que significaria que eles seriam irmãos e irmãs dos proprietários, o que também poria em caos todo o sistema. Por isso, a aparente tolerância no Novo Testamento da escravidão é, de fato, uma subversão muito poderosa da instituição.

 

Ironicamente, Whitefield trouxe o Cristianismo para a comunidade de escravos na Geórgia, mais do que todo mundo.[81] Whitefield escreveu cartas para jornais defendendo a evangelização dos escravos e argumentando que negar-lhes isto, significava negar que eles tinham almas (o que muitos negavam). Harry Stout observa: “Na verdade, as cartas representam a primeira declaração jornalística sobre o tema da escravidão. Como tal, elas marcaram um precedente de implicações impressionantes, além de qualquer coisa que Whitefield poderia ter imaginado”.[82]

 

Whitefield disse que estava disposto a enfrentar o “chicote” dos plantadores do sul se eles desaprovassem a pregação do novo nascimento para os escravos.[83] Ele relata um de seus esforços habituais entre os escravos na Carolina do Norte, em sua segunda viagem à América:

 

Eu fui, como de costume… entre os negros pertencentes à casa. Um homem estava doente na cama e dois de seus filhos oraram, muito bem, duas orações, depois de mim. Isto me convence cada vez mais de que as crianças negras, se cedo forem apresentadas à disciplina e admoestação do Senhor, farão tão grande proficiência quanto qualquer uma entre as crianças das pessoas brancas. Eu não desanimo no fato de que, se Deus poupar minha vida, verei uma escola de jovens negros que cantam as virtudes dAquele que os fez, em um salmo de ação de graças. Senhor, Tu colocou em meu coração um bom projeto para educá-los; eu não duvido que Tu me habilitará a realizar isto e trazer bons resultados.[84]

 

Gary B. Nash data “o advento do Cristianismo negro”, em Filadélfia, na primeira viagem de pregação de Whitefield. Ele estima que cerca de 1.000 escravos ouviram os sermões de Whitefield, na Filadélfia. O que eles ouviram foi que eles tinham almas tão certamente como os brancos tinham. O trabalho de Whitefield para os escravos na Filadélfia foi tão eficaz, que o mestre de dança mais conhecido de Filadélfia, Robert Bolton, renunciou à sua antiga vocação e voltou sua escola para o atendimento aos negros. “Até o final do verão, mais de 50 ‘negros estudiosos’ haviam chegado à escola”.[85]

 

Semeando as Sementes da Igualdade

 

Da Geórgia a Carolina do Norte até a Filadélfia, Whitefield lançou as sementes da igualdade através da sinceridade do seu evangelismo e educação — mesmo estando cego à contradição de compra e venda de escravos.

 

Whitefield terminou seu mais famoso sermão: “O Senhor é a Nossa Justiça” com este apelo aos negros na multidão:

 

Aqui, então, concluo; mas eu não posso esquecer dos pobres negros — não, eu não posso. Jesus Cristo morreu por eles, assim como pelos outros. Eu os menciono por último, não porque eu desprezo as vossas almas, mas porque quero que, o que eu tenho a dizer, faça uma impressão mais profunda sobre os vossos corações. Oh, que vocês buscassem ao Senhor para que Ele seja a vossa justificação! Quem sabe Ele pode ser encontrado por você. Porque em Jesus Cristo não há macho nem fêmea, nem escravo nem livre; até mesmo vocês podem ser filhos de Deus, se vocês crerem em Jesus… Jesus Cristo é o mesmo agora como era ontem e vai lavá-los em Seu próprio sangue. Vão para casa, em seguida, faça deste texto da Palavra assunto de uma oração e roguem ao Senhor para Ele seja a sua justificação. Desta forma somente. Vem, Senhor Jesus, vem depressa sobre todas as nossas almas! Amém. Senhor Jesus, Amém e amém!

 

Esse tipo de pregação enfureceu muitos proprietários de escravos. Alguns refletem se houve um choque na própria alma de Whitefield, porque ele realmente percebeu até onde tal evangelismo radical levaria. Ele veio a público com censuras aos proprietários de escravos e palavras publicadas como estas: “Deus tem uma briga com vocês” por tratarem os escravos “como se fossem brutos”. Se esses escravos se levantasse em rebelião, “todos os bons homens devem reconhecer que o julgamento seria justo”.[86]

 

Isto foi incendiário. Mas era muito cedo no curso da história. Aparentemente Whitefield não percebeu as implicações do que ele estava dizendo. O que ficou claro foi que a população escrava amava Whitefield. Mesmo com todas as suas imperfeições e cegueira para a contradição entre defender a escravidão e contrapor os escravistas, quando ele morreu, foram os negros que expressaram o pesar na América.[87] Maior do que qualquer outra figura do século XVIII, Whitefield estabeleceu a fé Cristã na comunidade de escravos. Mesmo com suas falhas, eles foram profundamente agradecidos por isso.[88]

 

Um Pecador Adequado Para Pregar a Graça Livre

 

Assim, o maior pregador do século 18, talvez na história da Igreja Cristã, era uma figura contraditória. Haviam, como ele mesmo confessou tão abertamente, pecados que ainda permaneceram. E isso é o que nós encontramos em cada alma humana na terra — exceto uma. À qual as nossas vidas são destinadas a apontar. Sua perfeita obediência, não a nossa, é o fundamento da nossa aceitação para com Deus. Se, em seguida, o nosso pecado, bem como a nossa justificação, pode conduzir as pessoas para longe de nós e direcioná-las Cristo, regozijemo-nos sempre, mesmo que nos arrependamos de nossas atitudes.

 

“Eu não conheço nenhuma outra razão”, disse Whitefield, “pela qual Jesus colocou-me no ministério, que não seja por eu ser o maior dos pecadores e, portanto, mais apto a pregar a graça livre a um mundo que jaz no maligno”.[89]

 


[1] Michael A. G. Haykin, editor, The Revived Puritan: The Spirituality of George Whitefield [O Puritano Ressucitado: A Espiritualidade de George Whitefield] (Dundas, Ontario: Joshua Press, 2000), p. 32-33. Arnold Dallimore, George Whitefield: The Life and Times of the Great Evangelist of the Eighteenth-Century Revival [George Whitefield: A Vida e O Tempo do Grande Evangelista do Reavivamento no Século 18] Vol. 2, (Westchester, Illinois: Cornerstone Books, 1979), p. 522.

[2] J. I. Packer, “The Spirit with the Word: The Reformational Revivalism of George Whitefield,” [“O Espírito com a Palavra: O Reavivamento Reformista de George Whitefield”], em: Honouring the People of God, The Collected Shorter Writings of J. I. Packer, [Honrando o Povo de Deus, As Escritos Curtos Selecionados de J. I. Packer] Vol. 4 (Carlisle, Inglaterra: Paternoster Press, 1999), p. 40.

[3] Harry S. Stout, The Divine Dramatist: George Whitfield and the Rise of Modern Evangelicalism [O Dramaticista Divino: George Whitfield e a Ascensão do Evangelicalismo Moderno] (Grand Rapids: Eerdmans, 1991), p. 59.

[4] Dallimore, Whitefield, II, p. 284.

[5] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 30.

[6] Mark Noll, The Old Religion in a New World: The History of North American Christianity [A Antiga Religião em um Novo Mundo: A História do Cristianismo Norte-americano] (Grand Rapids: Eerdmans, 2002), p. 52.

[7] Dallimore, Whitefield, Vol. 1 (Edinburgh: Banner of Truth, 1970), p. 480.

[8] Haykin, ed., Revived Puritan, pp. 31-32.

[9] Stout, Divine Dramatist, p. 209.

[10] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 33.

[11] Select Sermons of George Whitefield With an Account of his Life by J. C. Ryle [Sermões Selecionados de George Whitefield Com Partes de Sua Vida por J. C. Ryle] (Edinburgh: Banner of Truth, 1958 with Ryle’s Life written in 1873), pp. 21–22.

[12] Dallimore, Whitefield, II, p. 522.

[13] Select Sermons, p. 32.

[14] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 23.

[15] Stout, Divine Dramatist, p. xiii.

[16] Ibid., p. 92.

[17] Ibid., p. 261.

[18] Harry Stout, “Heavenly Comet,” Christian History, [Cometa Celestial, História Cristã] 38 (1993), p. 13-14.

[19] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 23.

[20] Stout, Divine Dramatist, pp. 276-277.

[21] Select Sermons, p. 28.

[22] Dallimore, Whitefield, I, p. 538.

[23] Stout, Divine Dramatist, p. 126.

[24] John Pollock, Wilberforce. (Londres: Constable and Compnay, 1977), pp 4-5.

[25] Select Sermons, p. 29.

[26] comentário de Franklin em uma carta sobre Whitefield foi: “Ele é um bom homem e eu o amo”. Stout, Divine Dramatist, p. 233.

[27] Stout, Divine Dramatist, p. 204.

[28] Haykin, ed., Revived Puritan, pp. 35-37.

[29] Ibid.

[30] Stout, Divine Dramatist, p. xviii.

[31] Ibid., p. 42.

[32] Ibid., p. xxi.

[33] Ibid., p. 40.

[34] Ibid., p. 41.

[35] Ibid., p. xix.

[36] Dallimore, Whitefield, II, p. 225.

[37] Ver uma imagem emo Dallimore, Whitefield, II, entre as páginas 303-304, e ver uma foto de um exemplo de sua pregação em Haykin, ed., Revived Puritan, p. 96.

[38] Stout, Divine Dramatist, p. 41. Winter também disse: “O meu conhecimento íntimo dele admite minha absorção da acusação de simulação.” Eric Carlsson, revisão de Stout, Divine Dramatist em TrinJ, No. 2, Fall, 93, p. 241.

[39] Stout, Divine Dramatist, p. 141.

[40] Select Sermons, p. 165. O sermão é “Caminhando com Deus”.

[41] Stout, Divine Dramatist, p. xvii.

[42] Ibid., p. 21.

[43] Ibid., p. 36.

[44] Ibid., p. 55.

[45] Ibid., p. 71.

[46] Ibid., p. xviii.

[47] Ibid., pp. 239-240.

[48] Ibid., pp. 25-26.

[49] De um sermão em 1769. Haykin, ed., Revived Puritan, pp. 25-26.

[50] Select Sermons, p. 15.

[51] Carlsson, revisão de Stout, Divine Dramatist em TrinJ, No. 2, Fall, 93, p. 244.

[52] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 68.

[53] Ibid., p. 83.

[54] Dallimore, Whitefield, II, pp., 168, 241.

[55] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 50.

[56] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 103.

[57] Ele usou o termo livremente para a plenitude da Reforma, o ensino Calvinista sobre a salvação pela graça soberana. Escrita em 20 de fevereiro de 1741, a Anne Dutton, ele se refere a sua estadia na Geórgia e diz: “Minha família na Geórgia foi, infelizmente abalada, mas agora, bendito seja Deus, isso já foi resolvido e espero que seja estabelecida nas doutrinas da graça”. Haykin, ed., Revived Puritan, p. 127. Em sua segunda viagem à América, ele criticou muitos pastores dizendo: “Muitos ministros estão tão tristemente degenerados e desconformes aos seus ancestrais piedosos, que a retidão das doutrinas da graça, especialmente as da total suficiência de Jesus, são raramente ou muito pouco mencionadas”. Stout, Divine Dramatist, p. 97.

[58] Stout, Divine Dramatist, p. XXIII.

[59] Packer, “The Spirit with the Word”, p. 56.

[60] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 26.

[61] Packer, “The Spirit with the Word”, p. 47.

[62] Dallimore, Whitefield, I, p. 574.

[63] Haykin, ed., Revived Puritan, p. 76.

[64] Ibid., pp. 71-72.

[65] Ibid., p. 113.

[66] Ibid., p. 76.

[67] Dallimore, Whitefield, II, p. 41.

[68] Haykin, ed., Revived Puritan, pp. 97-98.

[69] Ibid., p. 145.

[70] Select Sermons, p. 193.

[71] Ibid., p. 199. Veja p. 112 para uma outra ilustração de como ele apela às pessoas, mesmo enquanto chamava a atenção para o fato de que elas não poderiam mudar a si mesmas.

[72] Ibid., p. 106.

[73] Ibid., p. 107.

[74] Ibid., p. 129.

[75] Ibid., p. 189.

[76] “[Whitefield] era doutrinariamente puro em sua insistência de que a salvação vinha apenas através da graça de Deus, mas ele foi, no entanto, [sic] profundamente envolvido no trabalho de caridade, e em sua passagem de um ano pela América foi para arrecadar dinheiro para um orfanato na Geórgia. Ele levantou mais dinheiro do que qualquer outro clérigo de seu tempo para entidades filantrópicas, que incluiu as escolas, bibliotecas e asilos em toda a Europa e na América “Walter Isaacson, Benjamin Franklin: An American Life [Benjamin Franklin: Uma Vida Americana] (Nova York: Simon & Schuster, 2003), 110.

[77] Carlsson, Review de Stout, Divine Dramatist em TrinJ, No. 2, Fall, 93, p. 245.

[78] “Whitefield passou muito de seu tempo no Sul promovendo ativamente a legalização da escravidão na Geórgia”. Stout, Divine Dramatist, p. 198.

[79] Stout, Divine Dramatist, p. 199.

[80] “Não havia mais a necessidade da plantação em Carolina do Sul. Todos os recursos foram transferidos para Bethesda, incluindo uma força de escravos, pela qual, Whitefield regozijou-se, 'Nada parece ser mais desejável que uma boa supervisão para instruir os negros na venda e plantio.'”Stout, Divine Dramatist, p. 218.

[81] Stout, Divine Dramatist, p. 101.

[82] Ibid., p. 123.

[83] Ibid., p. 100.

[84] Ibid., p. 101.

[85] Ibid., pp. 107–108.

[86] Ibid., pp. 101–102.

[87] Ibid., p. 284.

[88] Uma garota negra de 17 anos, servente em Boston, por nome Phyllis Wheatley, escreveu uma de suas elegias mais famosas:

 

Salde o feliz santo em teu trono imortal!

A ti queixas de erros são desconhecidos:

Não ouvimos mais a música da tua língua,

Teus auditórios cessaram de ajuntar-se.

Tuas lições de fluíram de sotaques inigualáveis!

Enquanto em cada seio brilhou a emulsão;

Tu, em linhagens de eloquência refinada

Inflamaste a alma e cativaste a mente.

Infelizes nós, o Sol poente deplora:

Que uma vez foi esplêndido, mas não brilha mais;

Ele deixa a terra para a altura imensurável do céu:

E mundos desconhecidos, o recebem longe de nossa vista;

As asas de Whitefield, com rápida travessia de seu caminho,

E iça velas para Sião, através dos vastos mares do dia. (Stout, Divine Dramatist, p. 284)

[89] Haykin, editor, Revived Puritan, pp. 157-158.

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