O Aliancismo é uma Teologia da Substituição? Israel Foi Substituído pela Igreja?

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Esse texto foi adaptado a partir do livro Os Distintivos da Teologia Batista Pactual (Adquira este livro nos formatos eBook/Amazon & Físico)

Primeiro, notemos a harmonia entre a teologia aliancista da Confissão de Fé de Westminster e a Confissão de Fé Batista de 1689… Enfatizamos que ambos os grupos viam uma única Igreja e um único povo eleito em ambos os Testamentos. Assim, não existe dualidade entre Israel e a Igreja, como há no Dispensacionalismo, nem há uma substituição de Israel pela Igreja. A Igreja existiu desde o começo do Pacto da Graça; a diferença entre as igrejas do Antigo Testamento e as igrejas do Novo Testamento consistia na extensão das nações às quais o Pacto da Graça foi anunciado, e não na identidade da Igreja sendo diferente de um Testamento para outro.

Seria impossível exagerar quanto à importância desse ponto a fim de evitar o fracasso tantas vezes frequente do diálogo entre Reformados e Dispensacionalistas. Os Dispensacionalistas acusaram os Reformados de criarem uma teologia da substituição ao dar à Igreja o lugar que deveria pertencer a Israel permanentemente. Na verdade, historicamente, os Reformados não ensinaram que a Igreja substituiu Israel, mas que os pagãos se juntaram a Israel no Pacto da Graça no momento em que a Nova Aliança substituiu a Antiga Aliança. Assim, as promessas de uma aliança perpétua entre Israel e Deus não apenas se mantiveram, mas foram cumpridas e estendidas aos pagãos. Portanto, não se trata de um povo substituindo outro povo, mas sim de uma aliança substituindo outra aliança, uma vez que as promessas reveladas pelo Pacto da Graça em Gênesis 3:15 foram cumpridas, quando a Antiga Aliança se findou e um grande grupo de judeus e não judeus entraram na Nova Aliança. Deve-se rejeitar a oposição entre Israel e a Igreja e enfatizar o escopo do Pacto da Graça no Antigo Testamento (Israel) e o escopo do Pacto da Graça no Novo Testamento (todas as nações). Os gentios não substituem Israel, mas são acrescentados como herdeiros das bênçãos de Israel. A oposição encontrada no Novo Testamento é entre a Antiga e a Nova Alianças, não entre Israel e a Igreja, que é, na verdade, uma oposição artificial criada pelo Dispensacionalismo.

Pensamos que os Presbiterianos tiveram um trabalho duro tentando demonstrar que o Dispensacionalismo usa a descontinuidade, ou oposição entre os Testamentos, erroneamente, uma vez que sua teologia simplesmente se confunde quanto a essa oposição, negando, assim, pelo menos do ponto de vista Dispensacionalista, as afirmações bíblicas desta descontinuidade (Romanos 6:14; 2 Coríntios 3; João 1:17; Hebreus 10:9). Quanto à abordagem Batista, ela permite uma afirmação vigorosa da continuidade do Pacto da Graça e, consequentemente, a continuidade de uma única Igreja em ambos os Testamentos, ao mesmo tempo que afirma, de acordo com a Bíblia e os Dispensacionalistas, a descontinuidade entre a Antiga e a Nova Alianças.

Os Dispensacionalistas, por sua vez, destacam a descontinuidade entre os Testamentos a ponto de separar Israel da Igreja e dar a Israel o status de povo de Deus, fora da Nova Aliança, abolindo ao mesmo tempo a Antiga Aliança (a Aliança com Israel). Eles, então, encontram-se em um impasse teológico: por um lado, afirmam o fim do sistema da Antiga Aliança durante a era da Igreja; por outro, eles devem manter a validade permanente desse sistema a fim de justificar a continuidade da existência de Israel como povo de Deus. Essa contradição é a principal ambiguidade do Dispensacionalismo: o fim do Antigo Testamento simultâneo à sua manutenção. A solução deles consiste em separar Israel da Igreja e colocar temporariamente Israel de lado no período da Igreja preservando, porém, seu status inicial. Isso nos parece uma construção artificial que não leva em conta a abolição definitiva da Antiga Aliança sem as promessas feitas acerca da abolição de Israel. Essas promessas foram cumpridas, sem o conhecimento da maioria dos judeus, em Jesus Cristo na Nova Aliança e, tendo elas inicialmente se referido a Israel, não lhe diziam respeito exclusivamente, mas se estendem a todas as nações. Somente o entendimento Batista parece trazer uma solução que leva em consideração a continuidade e a descontinuidade bíblica.

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