Substituição, por C. H. Spurgeon

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Substituição, Sermão Nº 141–142. Pregado na manhã de Domingo, 19 de julho de 1857. Por C. H. Spurgeon, no Music Hall Surrey Gardens.

“Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5:21)

 

UM LIVRO é a expressão dos pensamentos do escritor. O livro da natureza é uma expressão dos pensamentos de Deus. Temos pensamentos terríveis de Deus nos trovões e relâmpagos, pensamentos do amor de Deus na luz do sol e na brisa amena. Temos abundantes, prudentes, cuidadosos pensamentos de Deus na colheita acenando e no pasto amadurecido. Temos pensamentos brilhantes de Deus nas cenas maravilhosas que são contempladas na montanha e vale. E nós temos os mais doces e agradáveis pensamentos de Deus sobre beleza nas pequenas flores que florescem aos nossos pés. Mas você notará que Deus tem nos dado mais proeminência na natureza para aqueles pensamentos que precisavam ter a preeminência. Ele não nos deu acres amplos repletos com flores, pois elas não eram necessárias em tal abundância. Ele encheu os campos com milho, pois assim as necessidades fundamentais da vida podem ser supridas. Precisávamos mais dos pensamentos de Sua providência. E Ele tem vivificado nossa indústria, de modo que o cuidado providencial de Deus pode ser lido quando cavalgamos ao longo das estradas por todos os lados.

Agora o livro da graça de Deus é como Seu livro da natureza. São Seus pensamentos escritos. Este grande livro, a Bíblia, este volume preciosíssimo, é o coração de Deus feito legível! É o ouro do amor de Deus impresso em folhas de ouro, de modo que com isso os nossos pensamentos podem ser banhados e também poderemos ter pensamentos de ouro, bons e santos a respeito dEle. E você observará que, como na natureza, assim é na graça: o mais necessário é o mais proeminente! Eu vejo na Palavra de Deus uma rica abundância de flores de gloriosa eloquência. Muitas vezes eu acho um Profeta mobilizando suas palavras como exércitos por poder e, como reis, por majestade. Porém, muito mais frequentemente eu li declarações simples das verdades de Deus. Vejo aqui e ali um pensamento brilhante de beleza, mas eu acho campos inteiros de simples doutrina instrutiva que é alimento para a alma. E eu encontro capítulos inteiros cheios de Cristo, que é o Maná Divino com o que a alma se alimenta. Vejo palavras estreladas para fazer as Escrituras brilhantes, pensamentos doces para torná-las exatas, grandes pensamentos para torná-las impressionantes, pensamentos terríveis para torná-la temíveis. Mas pensamentos necessários, pensamentos instrutivos, pensamentos sobre salvação são muito mais frequentes, porque são muito mais necessários. Aqui e ali uma gama de flores, mas largos hectares de milho do Evangelho da graça do Deus vivo!

Você deve desculpar-me, então, se eu muito frequentemente me debruço sobre todo o tema da salvação. Mas no último Sabath eu trouxe um impacto deste trigo na forma da promessa de Cristo, que diz: “Aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”. E então eu procurei mostrar como os homens podem ser salvos. Trago agora outro impacto no mesmo campo e lhes ensinarei a grande filosofia da salvação, o mistério escondido, o grande segredo, a maravilhosa descoberta que é trazida à luz pelo Evangelho: como Deus é justo e justificador de ímpios. Vamos ler o texto novamente e, em seguida, prosseguir de uma vez para considerar o assunto. Eu pretendo fazer hoje, como eu fiz no último Domingo. Serei tão simples como sempre que posso. E eu não tentarei um voo simples da eloquência ou oratória, mesmo que eu seja capaz disso. Mas vamos apenas ir ao longo do chão, para que todas as almas simples sejam capacitadas a entender: “Porque Ele o fez pecado por nós, que não conheceu pecado, para que pudéssemos ser feitos justiça de Deus nele”. Observe a doutrina. O uso dela. O deleite da mesma.

I. Em primeiro lugar, A DOUTRINA. Há três pessoas mencionadas aqui. “Àquele que não conheceu pecado (Deus), o fez (Cristo) pecado por nós (pecadores); para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Antes de conseguirmos entender o plano de salvação, é necessário que nós possamos saber algo sobre as três pessoas e, certamente, a menos que as compreendemos, em alguma medida, a salvação é impossível para nós!

1. Está aqui primeiramente, DEUS. Que cada conheça quem é Deus. Deus é um Ser muito diferente do que alguns de vocês supõem. O Deus do céu e da terra, o Jeová de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Criador e Preservador, o Deus da Sagrada Escritura e o Deus de toda a graça, não é o Deus que alguns homens fazem para si mesmos e adoram. Há homens nesta chamada terra Cristã que adoram um deus que não é mais Deus do que Vênus ou Baco! Um deus criado por seus próprios corações. Um deus não formado de pedra ou madeira, mas formado a partir de seus próprios pensamentos, [feito] de coisas mais vis do que as nações tentaram que fazer um deus!

O Deus da Bíblia tem três grandes atributos e todos estes três estão implícitos no texto. O Deus da Bíblia é um Deus Soberano. Isto é, Ele é um Deus que tem absoluta autoridade e poder absoluto para fazer exatamente o que Lhe agrada. Sobre a cabeça de Deus não há nenhuma lei. Sobre Seus braços não há nenhuma necessidade. Ele não conhece nenhuma regra, senão a Sua própria livre e poderosa vontade. E embora Ele não possa ser injusto e não possa fazer nada, senão o bem, ainda assim Sua natureza é absolutamente livre. A Bondade é a liberdade da natureza de Deus. Deus não deve ser controlado pela vontade do homem, nem pelos desejos de homem, nem pelo destino em que os supersticiosos acreditam. Ele é um Deus fazendo o que Lhe apraz nos exércitos do Céu e no mundo inferior. Ele é um Deus, também, que não dá conta dos Seus assuntos. Ele faz com as Suas criaturas o que Ele escolhe fazer, e faz com eles o que Ele quer. E se algumas delas se ressentem com os Seus atos, Ele diz-lhes: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” [Romanos 9:20-21]. Deus é bom. Mas Deus é Soberano, absoluto, conhecedor. Não há nada ou ninguém que possa controlá-lO. A monarquia deste mundo não é um monarca constitucional e limitado, não é tirânico, mas está absolutamente nas mãos de um Deus plenamente sábio. Mas observe, não está em nenhuma outra mão senão na Sua; nenhum querubim, nenhum serafim pode auxiliar Deus na dispensação de Seu governo:

“Ele não se assenta em um trono precário,

Nem o deixa ser emprestado”.

Ele é o Deus da Predestinação. O Deus cuja vontade soberana é a dobradiça que gira o destino:

“Acorrentado ao seu trono, um volume jaz,

Com todos os destinos dos homens,

Com forma e tamanho de cada anjo,

Desenhado pela pena eterna.

Sua providência desenrola o livro,

E faz os Seus conselhos brilharem,

A abertura de cada folha e cada traço,

Cumpre algum profundo desígnio.”

Este é o Deus da Bíblia. Este é o Deus que adoramos; não um fraco, covarde Deus que é controlado pela vontade dos homens, que não consegue dirigir o barco da providência, mas um Deus imutável, infinito, infalível. Este é o Deus que adoramos. Um Deus tão infinitamente acima de Suas criaturas como o mais alto pensamento pode voar. E ainda mais alto do que isso!

Mas, mais uma vez, o Deus que está aqui mencionado é um Deus de infinita justiça. Que Ele é um Deus Soberano, eu provo a partir das palavras que Ele fez Cristo se tornar pecado. Ele não poderia ter feito isso se não fosse soberano. Ele é um Deus justo, deduzo a partir meu texto, vendo que o caminho da salvação é um grande plano da justiça satisfatória. E nós agora declaramos que o Deus da Sagrada Escritura é um Deus de justiça inflexível. Ele não é o Deus que alguns de vocês adoram. Você adora um deus que pisca o olho para grandes pecados. Você acredita em um Deus que chama os seus crimes de pecadinhos e pequenas faltas. Alguns de vocês adoram um deus que não pune o pecado. Ele é tão fracamente misericordioso e tão impiedosamente fraco que passa pela transgressão e a iniquidade e nunca decreta uma punição. Você acredita em um deus, que, se o homem peca, não exige punição por sua ofensa. Você acha que algumas de suas próprias boas obras irão pacificá-lO. Você pensa que Ele é um tão fraco governante que algumas boas palavras proferidas diante dEle em oração obterão mérito suficiente para reverter a sentença. O seu deus não é Deus! Ele é um tão falso deus como o deus dos gregos, ou da antiga Nínive! O Deus da Bíblia é Aquele que é inflexivelmente severo na justiça e não tem por inocente o culpado! “O Senhor é tardio em irar-se e grande em poder. E não inocentará o culpado” [cf. Êxodo 34:6-7]. O Deus da Bíblia é um Legislador, que, em Seus súditos rebeldes, observa o seu crime e nunca perdoa até que Ele o puna, ou sobre eles, ou sobre o seu Substituto. Ele não é como o deus de alguns apóstatas que acreditam em um deus sem uma expiação, com apenas algum showzinho em cima de uma cruz, o que não era, como dizem, um sofrimento real pelo pecado. O seu Deus, o Deus dos Socinianos, apenas apaga o pecado sem exigir qualquer punição. Ele não é o Deus das Escrituras! O Deus da Bíblia é tão severo como se Ele fosse impiedoso e como se Ele não fosse gracioso! E ainda assim Ele é tão gracioso e misericordioso como se Ele não fosse justo; sim, ainda assim!

E mais um pensamento aqui a respeito de Deus, ou então não podemos estabelecer o nosso discurso sobre uma base segura. O Deus da Bíblia é um Deus de graça; penso que não estou me contradizendo agora. O Deus que é inflexivelmente severo e nunca perdoa o pecado sem punição é ainda um Deus de amor Infinito! Embora como Soberano Ele castigará, ainda, como Deus o Pai, Ele ama conceder a Sua bênção. “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” [Ezequiel 33:11]. Deus é amor, em seu mais alto grau. Ele ser o amor torna-se mais do que o amor. O amor não é Deus, mas Deus é amor! Ele é cheio de graça, Ele é a plenitude da misericórdia, Ele se deleita na misericórdia! Tão alto quanto os céus estão acima da terra, assim são os Seus pensamentos de amor acima de nossos pensamentos de desespero, e Seus caminhos da graça acima de nossas formas de medo. Este Deus, em quem estes três grandes atributos harmonizados — soberania Ilimitada, justiça inflexível e insondável graça — compõem os principais atributos do único Deus do Céu e da terra a Quem os Cristãos adoram! É este Deus diante do qual devemos comparecer. É Ele quem fez de Cristo pecado por nós, embora Ele não conheceu o pecado.

2. Assim, trouxemos a primeira Pessoa à sua frente. A segunda Pessoa do nosso texto é o Filho de Deus, Cristo, que não conheceu pecado. Ele é o Filho de Deus, nascido do Pai antes de todos os mundos, gerado, não criado. Sendo da mesma substância com o Pai, co-igual, co-eterno e co-existente. É o Pai todo-poderoso? Então, é o Filho todo-poderoso. É o Pai Infinito? Então, é o Filho Infinito. Ele é Deus verdadeiro do verdadeiro Deus; tendo uma dignidade não inferior ao Pai, mas sendo igual a Ele em todos os aspectos, Deus sobre todos, bendito para sempre. Também Jesus Cristo é o filho de Maria, um Homem como nós mesmos. Um Homem sujeito a todas as fraquezas da natureza humana, exceto as fraquezas do pecado. Um Homem de sofrimento e de angústia, de dor e de dificuldades, de ansiedade e medo. Um Homem de aflições e dúvidas, de tentação e de julgamento, de fraqueza e morte. Ele é um Homem como nós somos, osso dos nossos ossos e carne da nossa carne. Agora, a Pessoa que queremos apresentar a você é este Ser complexo, Deus e Homem. Não Deus humanizado, não o homem Deificado, mas Deus, puramente, essencialmente Deus. Homem, puramente Homem. Homem não mais do que homem. Deus, e não menos do que Deus, os dois permanecendo juntos em uma união sagrada, o Deus-Homem. Sobre Deus em Cristo, o nosso texto diz que Ele não conheceu o pecado. Não diz que Ele não pecou. Isso nós sabemos, mas o texto diz mais do que isso: Ele não conheceu o pecado. Ele não soube o que era pecado! Ele viu nos outros, mas Ele não sabia disso por experiência. Ele era um perfeito desconhecido quanto a isto. O texto não limita-se a dizer que Ele não levou o pecado em seu coração, mas que Ele não o conheceu. Não era conhecido Seu. Ele era familiarizado à tristeza. Mas Ele não chegou ao conhecimento do pecado. Ele não conheceu o pecado de qualquer tipo; nenhum pecado de pensamento, nenhum pecado de nascimento, nenhum pecado original, nenhuma transgressão real: Cristo jamais cometeu algum pecado de lábios ou de mãos. Ele era puro, perfeito, impecável! Como Sua própria Divindade, sem mancha nem mácula, nem qualquer coisa semelhante, essa Pessoa graciosa é Aquele que é falado no texto! Ele era uma Pessoa totalmente incapaz de cometer qualquer coisa que fosse errada.

Ultimamente tem sido afirmado por alguns maus juízes, que Cristo era capaz de pecar: Acho que Irving foi quem começou tal ideia de que se Cristo não foi capaz de pecar, Ele não poderia ter sido capaz de virtude, “pois”, dizem eles, “se um homem tem de ser necessariamente bom, não há virtude em sua bondade”. Fora com o seu absurdo ridículo! Deus não é necessariamente bom? E quem se atreve a negar que Deus é virtuoso? Não são os espíritos glorificados no Céu necessariamente puros? E ainda não são santos por causa dessa real necessidade? Não são os anjos, agora que eles estão confirmados, necessariamente irrepreensíveis? E deverá alguém ousar negar virtude angélica!? Isto não é verdade! Ela não precisa de liberdade, a fim de criar virtude. Liberdade e virtude geralmente andam juntas. Mas a necessidade e a virtude são tanto irmão e irmã como a liberdade e a virtude. Jesus Cristo não era capaz de pecar. Era tão totalmente impossível que Cristo pecasse, como para o fogo afogar ou para a água queimar. Eu suponho que essas duas coisas podem ser possíveis em algumas circunstâncias peculiares, mas nunca teria sido possível para Cristo ter cometido ou ter sofrido à sombra do cometimento de um pecado! Ele não conheceu isto. Ele não conheceu o pecado.

3. Agora eu tenho que introduzir a terceira pessoa. Nós não vamos longe para ele. A terceira pessoa é o pecador. E onde está ele? Irão voltar seus olhos para dentro de vocês mesmos e olhar para ele, cada um de vocês? Ele não está muito longe de você. Ele tem sido um bêbado, ele cometeu embriaguez e glutonarias e coisas semelhantes a estas, e sabemos que o homem ou mulher que comete essas coisas não tem herança no Reino de Deus. Há um outro, ele tomou o nome de Deus em vão. Ele tem, por vezes, em sua paixão ardente, pedido a Deus para fazer as coisas mais terríveis contra os seus membros e contra a sua alma. Ah, ali está o pecador. Onde ele está? Ouço o homem, com os olhos cheios de lágrimas e com a voz soluçante exclamar: “Senhor, ele está aqui!” Eu acho que eu vejo alguma mulher aqui, no meio de nós, alguns de nós a tem acusado, talvez, e ela permanece sozinha tremendo e não diz uma palavra por si mesma. Oh, que o Mestre possa dizer: “Nem eu te condeno. Vai e não peques mais”. Eu acredito, eu devo crer que em algum lugar entre esses muitos milhares, ouço algum coração palpitante e que este coração, conforme ele bate tão apressadamente, clama: “Pecado, pecado, pecado, ira, ira, ira, como posso obter livramento?” Ah, você é o homem, um nascido rebelde! Nascido no mundo, um pecador, você adicionou à sua culpa natural suas próprias transgressões. Você quebrou os mandamentos de Deus, têm desprezado o amor de Deus, você tem pisado em Sua graça […]. Deus tem lhe feito tremer. Ele fez você confessar sua culpa e sua transgressão. Ouça-me, então, se as suas convicções são obra do Espírito de Deus, você é a pessoa a quem o texto se destina! Quando se diz: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós” — este é você — “para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

Eu apresentei as pessoas e agora eu tenho que apresentar-lhe a cena de uma grande troca que é feita de acordo com o texto. A terceira pessoa a quem nós apresentamos é o prisioneiro no tribunal. Como um pecador, Deus o chamou diante dEle; ele está prestes a ser julgado à plena vida ou a morte. Deus é misericordioso e Ele deseja salvá-lo. Deus é justo e Ele deve puni-lo. O pecador deve ser julgado. Se houver um veredito de culpado trazido contra ele, como é que os dois atributos conflitantes trabalham na mente de Deus? Ele é amoroso, Ele quer salvá-lo. Ele é justo, Ele deve destruí-lo! Como deve ser resolvido este mistério e o enigma pode ser dissolvido? Prisioneiro no tribunal, você pode implorar: “Não culpado?” Ele fica sem palavras. Ou, se ele fala, ele grita: “Eu sou culpado!”

“Você deve banir a minha alma para o inferno,

Sua justa Lei bem aprova isto.”

Então, você vê, se ele se declarou culpado, não há esperança que haja qualquer falha na prova. E mesmo se ele tivesse declarado “não sou culpado”, ainda assim a evidência é mui clara, pois Deus, o Juiz, tem visto o seu pecado e gravou todas as suas iniquidades, de modo que não haveria nenhuma esperança de seu escape. O prisioneiro está certo de ser considerado culpado! Como é que ele pode escapar? Existe uma falha na acusação? Não! É elaborada pela Sabedoria infinita e ditada pela justiça Eterna. E não há nenhuma esperança ali. Conseguirá ele mudar as evidências do rei? Ah, se pudéssemos ser salvos, mudando as evidências do rei, poderíamos, todos nós, nos salvar! Há uma anomalia na nossa lei, que muitas vezes permite que o maior criminoso escape, enquanto o menor criminoso é punido. Se um é covarde é covarde o suficiente por trair seu companheiro, ele pode salvar a si mesmo. Se você olhar para o calendário de Newgate, se algum de vocês tiver paciência suficiente para ler tão vil peça de literatura, você verá que mais de dois assassinos escaparam porque ele mudou a evidência do rei, enquanto o outro foi enforcado.

Você tem se mantido entre seus companheiros. Você disse: “Senhor, eu te agradeço porque não sou como os outros homens. Eu não sou como o adúltero, ou mesmo como que publicano. Bendigo-Te que eu não sou como o meu vizinho que é um roubador, um ladrão e assim por diante”. Você está falando contra o seu próximo. Vocês são pecadores conjuntos e você está dizendo um relato contra ele! Não há esperança para você. A lei de Deus não conhece tal injustiça como um homem fugindo por tornar-se informante sobre os outros! Como então o prisioneiro no tribunal escapa? Existe alguma possibilidade? Oh, como o Céu tem se maravilhado! Como é que as estrelas estão ainda com espanto! E como os anjos pararam as suas canções por um momento, quando, pela primeira vez, Deus mostrou como Ele mesmo é justo e ainda assim gracioso! Ah, eu acho que eu vejo o céu atônito e silêncio nos tribunais de Deus pelo espaço de uma hora, quando o Todo-Poderoso disse: “Pecador, Eu devo e vou castigá-lo por causa do pecado! Mas Eu te amo. O coração do Meu amor anseia por você. Como posso fazê-lo como Admá? Como devo colocá-lo como Zeboim? Minha justiça diz: ‘Puna’, mas Meu amor permanece em minha mão e diz: ‘Poupe, poupe o pecador!’, Ó, pecador, Meu coração concebeu isto: Meu Filho, o Puro e Perfeito, ficará no seu lugar e será o Representante do culpado, e você, o culpado, irá ficar no lugar do meu Filho e será considerado justo!” Isto nos faria saltar sobre nossos pés com espanto se compreendêssemos o maravilhoso mistério da transposição entre Cristo e o pecador! Deixe-me colocar tão claramente que todos possam entender: Cristo era impecável, os pecadores eram vis. Cristo diz: “Meu Pai, trate-Me como se Eu fosse um pecador. Trate o pecador como se ele fosse Eu. Fere-Me com severidade como quiser, pois Eu o suportarei e, assim o coração do Seu amor pode transbordar com graça e ainda Sua justiça ser imaculada, pois o pecador não é pecador agora”. O pecador fica no lugar de Cristo e com as vestes do Salvador, ele é aceito!

Você diz que essa troca é injusta? Você dirá que Deus não deveria ter feito de Seu Filho um Substituto para nós e nos deixar ir? Deixe-me lembrá-lo de que isso foi puramente voluntário por parte de Cristo. Cristo esteve disposto a ficar no nosso lugar. Ele teve que beber o cálice do nosso castigo, mas Ele estava disposto a fazê-lo. E deixe-me dizer-lhe uma coisa ainda mais incontestável: a Substituição de Cristo não foi algo ilegal, porque o Deus Soberano O fez um Substituto! Nós lemos na história de uma certa mulher, cuja ligação com o seu marido era tão grande que a esposa tinha ido para a prisão e trocado as roupas com ele. E enquanto o prisioneiro estava escapando, a mulher permaneceu na prisão. E assim o prisioneiro escapou por uma espécie de substituição ilegal. Nesse caso houve uma clara violação da lei e o prisioneiro fugitivo poderia ter sido perseguido e preso novamente. Mas neste caso, a substituição foi feita pela Autoridade Máxima. O texto diz: Deus “o fez pecado por nós”. E, portanto, Cristo ficou no meu lugar e Ele fez a troca legalmente. Isto aconteceu com a plena determinação e conselho do Deus Todo-poderoso, bem como com o Seu próprio consentimento, que Cristo estivesse no lugar do pecador, como o pecador agora está no lugar de Cristo. O velho Martinho Lutero era um homem que falava uma coisa muito clara e, por vezes, ele falou a verdade de Deus tão claramente que ele a fez parecer muito com uma mentira. Em um de seus sermões, ele disse: “Cristo foi o maior pecador que já viveu”. Agora Cristo nunca foi um pecador, mas ainda assim Martinho estava certo. Ele quis dizer que todos os pecados do povo de Cristo foram retirados deles e colocados sobre a cabeça de Cristo e assim, é como se Cristo aos olhos de Deus tivesse sido o maior pecador de todos os tempos! Ele nunca foi um pecador. Ele nunca conheceu o pecado, mas o bom Martinho, em seu zelo para fazer os homens entenderem o que ocorreu, disse: “Pecador, você se tornou Cristo. Cristo, Tu Te tornaste um Pecador!” Não é bem esta a verdade. O pecador é tratado como se fosse Cristo, e Cristo é tratado como se fosse o pecador. Isso é o que se quer dizer com o texto, Deus “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

Deixe-me apenas dar-lhe dois exemplos disso. O primeiro deve ser tomado a partir do Antigo Testamento. Quando nos tempos antigos, os homens vinham diante de Deus com o pecado, Deus providenciou um sacrifício que seria o tipo de Cristo, na medida em que o sacrifício morria em vez do pecador. A Lei ordena: “Aquele que pecar, esse morrerá”. Quando os homens haviam cometido pecado, eles traziam um boi ou uma ovelha diante do altar. Eles colocavam a mão sobre a cabeça do novilho e reconheciam a sua culpa. E por esse ato a sua culpa era tipicamente removida deles mesmos e transferida ao boi. Então, o pobre boi, que nada tinha feito de errado, era abatido e lançado fora, como oferta pelo pecado. Isso é o que todo pecador deve fazer com Cristo, se ele será salvo. Um pecador, pela fé, vem e coloca a mão na cabeça de Cristo e confessando todos os seus pecados; o seu pecado não é mais seu; ele é colocado sobre Cristo. Cristo está pendurado no madeiro. Ele carrega a cruz e suporta a vergonha. E assim o pecado é todo lançado nas profundezas do mar. Tome outra ilustração. Nós lemos no Novo Testamento, que “a Igreja (isto é, o povo de Deus) é a noiva de Cristo”. Todos nós sabemos que, de acordo com a lei, a mulher pode ter muitas dívidas. Mas tão logo ela é casada, as suas dívidas deixam de ser dela e tornam-se de seu marido ao mesmo tempo. Portanto, se uma mulher está sobrecarregada com a dívida, de modo que ela está diariamente com medo da prisão, deixe-a apenas uma vez levantar e dar a mão a um homem e tornar-se sua esposa e não há ninguém no mundo que possa tocá-la. O marido sendo responsável por tudo, ela diz ao seu credor: “Senhor, eu não te devo nada. Meu marido não te deve nada. Eu incorri na dívida. Mas, na medida em que eu me tornei sua esposa, minhas dívidas são tiradas de mim e tornaram-se dele”. É assim mesmo com o pecador e Cristo. Cristo se casa com o pecador e toma a sua mão e leva a Igreja para ser dEle. Ela está em dívida imensurável à justiça de Deus. Ela deve à vingança de Deus um peso intolerável de ira e de punição. Cristo diz: “Você é minha mulher; Eu escolhi você e pagarei as suas dívidas”. E Ele as pagou e obteve a sua libertação completa. Agora, quem crê em Cristo Jesus tem paz com Deus, porque: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

E agora, terei terminado a explicação do texto, quando eu somente ordenar que você se lembre das consequências desta grande Substituição. Cristo foi feito pecado. Nós somos feitos justiça de Deus. Isso ocorreu no passado, muito mais distante do que a memória dos anjos alcance; foi no passado escuro, antes que os querubins ou serafins tivessem ondulado o éter não trafegado; quando ainda não havia mundos e a criação não tinha um nome, Deus previu o pecado do homem e planejou a sua Redenção. Uma aliança eterna foi formada entre o Pai e o Filho, em que o Filho foi estipulado a sofrer pelos Seus eleitos. E o Pai de Sua parte, pactuou em justificá-los por meio do Filho. Oh, Pacto maravilhoso, tu és a fonte de todos os fluxos da amorosa expiação!

A eternidade passou, o tempo chegou e com ele logo veio a Queda, e depois, quando muitos anos apressaram a Sua vinda, a plenitude dos tempos chegou e Jesus preparou-Se para cumprir o Seu compromisso solene. Ele veio ao mundo e Se fez homem. A partir desse momento, quando Se tornou homem, observe a mudança que foi operada nEle. Antes, Ele havia sido inteiramente feliz. Ele nunca tinha sido miserável, nunca triste. Mas agora, como os efeitos dessa terrível Aliança que Ele fizera com Deus, Seu Pai começa a derramar ira sobre Ele. O quê? Você diz que Deus, na verdade, contou o Seu Filho como sendo ser um pecador? Sim, Ele fez isso. Seu Filho concordou em ser o Substituto, para ficar no lugar dos pecadores. Deus começa com Ele em Seu nascimento. Ele coloca-O numa manjedoura. Se Ele houvesse considerado-O como um homem perfeito, Ele teria fornecido a Ele um trono, mas considerando-O como um pecador, Ele O submete à desgraça e pobreza do começo ao fim! E agora veja-O crescido até a maturidade. Olhe para Ele; dores O perseguiram, tristezas O seguiram. Pare! Dores, por que seguem o Perfeito? Por que perseguem o Imaculado? justiça, por que você não leva essas dores embora? “O puro deverá ser pacífico e o imaculado deve ser feliz”. A resposta vem: “Este Homem é puro em si mesmo, mas Ele se fez impuro, tendo tomado sobre Si Mesmo o pecado do Seu povo”. A culpa é imputada a Ele e a própria imputação de culpa é dor em toda a sua realidade! Finalmente vejo a Morte vindo com mais do que seus horrores habituais. Eu vejo o lúgubre esqueleto com o seu dardo bem afiado. Eu vejo o Inferno atrás dele. Eu observo o sombrio príncipe das Trevas e todos os vingadores subindo de seu lugar de tormento. Eu os vejo todos assediando o Salvador! Percebo sua guerra terrível contra Ele no Jardim. Eu vejo como Ele está lá chafurdando no Seu sangue na temerosa alma-da-morte. Eu O vejo em dor e tristeza, Ele caminha para o tribunal de Pilatos. O vejo escarnecido e cuspido. Eu O contemplo atormentado, maltratado e blasfemado como Substituto. Eu o vejo pregado na Cruz. Vejo a zombaria contínua e a vergonha inabalável. Eu O observo pedindo por água e eu O ouço reclamar do abandono de Deus! Estou atônito! Pode ser justo que um Ser Perfeito sofra assim? Ó, Deus, onde estás para que Tu assim permitas a opressão do Inocente? Tu tens deixado de ser o Rei da justiça, se não, por que Tu não proteges o Perfeito? A resposta vem: “Aquietai-vos. Ele é perfeito em Si mesmo, mas Ele é o Pecador agora, Ele está no lugar do pecador. A culpa do pecador está nEle e, por isso, é certo, é justo, é o que Ele próprio concordou, que Ele deveria ser punido como se Ele fosse um pecador, Ele deveria ser desaprovado, Ele deveria morrer e Ele deveria descer ao Hades amaldiçoado, sem consolo, sem ajuda, sem honra e sem reconhecimento”. Este foi um dos efeitos da grande mudança que Cristo sofreu.

E agora, abordemos o outro lado da questão e eu concluo com a explicação. Qual foi o efeito sobre nós? Você vê o pecador ali chafurdando suas mãos na luxúria, contaminando suas roupas com todo o pecado da carne que sempre tem praticado? Você o ouve amaldiçoando a Deus? Você o observa quebrando toda autoridade que Deus tornou sagrada? Mas você o vê, em um curto momento, buscando seu caminho para o Céu? Ele renunciou a esses pecados! Ele foi convertido e os abandonou! Ele segue no caminho para o céu. justiça, você está dormindo? Esse homem quebrou sua Lei. Ele deve ir para o Céu? Ouça como os demônios vêm subindo do abismo e gritam: “Esse homem merece perecer. Ele pode não ser agora o que ele costumava ser, mas seus pecados passados devem ter vingança”. E ainda assim, lá vai ele com segurança em seu caminho para o céu e vejo-o olhar para trás para todos os demônios que o acusam. Ele clama: “Eis, quem pode colocar qualquer acusação contra os escolhidos de Deus?” E quando alguém pensaria que todo o inferno estaria em pé de guerra e acusando-o, o severo tirano fica parado e os demônios não têm nada a dizer! E eu o vejo virando o rosto para dentro do Céu ao trono de Deus e O ouve clamar: “Quem é que te condena?”. Como que com semblante confiante ele desafia o Juiz! Ó, justiça, onde você está? Este homem tem sido um pecador, um rebelde, por que não o feriste ao pó por sua presunção impertinente em desafiar, assim, a justiça de Deus? “Não”, diz a justiça, “ele tem sido um pecador, mas eu não olho para ele sob esta luz agora. Castiguei a Cristo no lugar dEle, este pecador não é pecador agora, ele é perfeito!” O quê? Perfeito? “Perfeito, porque Cristo foi perfeito e eu olho para ele como se fosse Cristo. Embora em si mesmo, ele é completamente escuro como os portões de Quedar, eu o considero como sendo claro como as cortinas de Salomão! Fiz Cristo pecador e eu puni a Cristo. Eu fiz o pecador como Cristo e o magnifiquei e o exaltei. E eu colocarei uma coroa de ouro puro sobre a sua cabeça e, tal-e-tal, vou dar-lhe um lugar entre os que são santificados, onde ele deverá, de harpa na mão, para sempre louvar o nome do Senhor!” Este é o grande resultado para os pecadores da grande troca. “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).

II. Agora, eu tenho que vir para a conclusão, ao meu segundo ponto, sobre o qual eu serei breve, porém laborioso. Qual é a utilidade dessa doutrina? Vire-se para as Escrituras e você verá. “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus…”; pois, aqui está o nosso grande argumento: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Irmãos e irmãs, estou prestes a falar para vocês. Estou prestes a suplicar e exortar-vos, que o Espírito de Deus me ajude a fazê-lo com toda a sinceridade necessária. Você e eu iremos nos encontrar face a face diante do tribunal do grande juiz e eu serei responsável neste dia de prestar contas por tudo o que eu lhes prego. Não pelo meu estilo ou talento, ou falta de talento, apenas serei responsável por minha fidelidade e zelo nesta questão.

E agora, diante de Deus, peço-lhes fervorosamente que reconciliem-se com Ele! Você está, por natureza, em inimizade com Deus. Você O odeia, você O negligencia, sua inimizade se manifesta de várias maneiras. Rogo-vos, agora que se reconciliem com Deus. Eu poderia suplicar-lhes que se reconciliem, porque seria uma coisa terrível morrer tendo Deus como seu inimigo. Quem dentre nós pode habitar com o fogo consumidor? Quem pode habitar com as labaredas eternas? É uma coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo, porque o nosso Deus é um fogo consumidor. Cuidado, vocês que se esquecem de Deus, para que Ele não vos faça em pedaços e não haja quem vos livre. Rogo-vos, portanto, se reconciliem com Deus!

Eu poderia, por outro lado usar outro argumento e lembrá-los de que aqueles que estão reconciliados com Deus são assim aprovados para serem os herdeiros do Reino dos Céus. Há coroas para os amigos de Deus. Há harpas para os que O amam. Há uma mansão preparada para todos os que buscam a Deus. Portanto, se vocês desejam ser abençoados por toda a eternidade, se reconciliem com Deus! Mas não pedirei isso. Pleitearei a razão do meu texto. Rogo a você, meu ouvinte, reconcilie-se com Deus, porque se você se arrepender, é uma prova de que Cristo estava em seu lugar! Ah, se este argumento não derreter você, não há nada no Céu ou na terra que possa! Se o seu coração não derrete com tal argumento como este, então és mais duro do que a mó inferior, certamente você tem uma alma de pedra e um coração de bronze, se você não se reconciliará com Deus que escreveu isso para o seu encorajamento!

Rogo a você que se reconcilie com Deus, porque nisto há prova de que Deus está amando você! Você acha que Deus é um Deus de ira? Teria Ele dado Seu próprio Filho para ser punido se Ele odiasse você? Pecador, se Deus tivesse alguma coisa, senão pensamentos de amor por você, eu pergunto, será que Ele daria Seu Filho para ser pendurado na Cruz? Não pense que meu Deus é um tirano! Pense nEle não como um Deus irado, destituído de misericórdia. Seu Filho, foi arrancado de Seu seio e entregue para a morrer, esta é a melhor prova de Seu amor! ó, pecador, eu preciso te culpar se você odeia seu inimigo, mas devo te culpar, chamá-lo de louco, se você odeia o seu Amigo! Oh, eu não preciso me maravilhar se você não se reconciliará com alguém que não se reconcilia com você. Mas na medida em que você não vai, por natureza, reconciliar-se com o Deus que deu o Seu próprio Filho para morrer, eu devo me maravilhar com a estupidez em que a sua natureza maligna se precipita sobre você!

Deus é amor, você não se reconciliará com o amor? Deus é graça, você não se reconciliará com a graça? Oh, você é um rebelde profundamente maculado caso você ainda não se reconcilie. Lembre-se, também, pecador, que o caminho está aberto para a sua reconciliação. Você não precisa ser punido. Não, você não deve ser! Se você confessa a si mesmo como sendo um pecador, pelo ensino do Espírito, Deus não te punirá para manter a Sua justiça, esta justiça é suficientemente mantida pela punição de Cristo! Ele diz: “Reconciliai-vos”. A criança foge de seu pai quando ela peca porque teme que seu pai irá puni-lo. Mas quando seu pai queima a vara e, com um sorriso no rosto diz: “Filho, venha aqui”, com certeza deve ser uma criança desamorosa, aquela que não correria para os braços de tal pai! Pecador, você merece a espada, Deus quebrou a espada sobre o joelho da expiação de Cristo e agora Ele diz: “Vinde a Mim”. Você merece infinita, eterna ira e o descontentamento de Deus; Deus tem apagado a ira em relação a todos os crentes e agora Ele diz: “Vinde a mim e sede reconciliados”.

Você me diz que você não é um pecador? Eu não estou pregando para você! Você me diz que você nunca se rebelou contra Deus? Eu advirto que se você não consegue encontrar os seus próprios pecados, Deus vai encontrá-los! Você diz: “Eu não preciso de reconciliação, exceto a que eu mesmo possa fazer!”. Fique avisado que se você rejeita Cristo, rejeita a sua única esperança, pois tudo o que você pode fazer é menos do que nada e vaidade! Eu não estou pregando para você, quando eu disse: “Reconciliai-vos”. Eu estou pregando para você, pobre consciência aflita. Eu estou pregando para você que têm sido um grande pecador e transgressor, você que sente a sua culpa. Para você, adúltero, tremendo agora sob o chicote da convicção. Para você, blasfemo, tremendo agora da cabeça aos pés. Eu prego a você ladrão, cujos olhos estão agora cheios de lágrimas de penitência. Você que sente que o Inferno deve ser a sua parte, a menos que você seja salvo através de Cristo. Eu prego a você que conhece a sua culpa! Eu prego para você e para cada um desses e peço-vos que se reconciliem com Deus, pois Deus está reconciliado com você! Oh, não permita que o seu coração permaneça contra isso.

Eu não consigo argumentar como eu desejo. Ah, se eu pudesse, eu pleitearia com meu coração, com os meus olhos e os meus lábios para que eu pudesse levá-lo para o Salvador! Você não precisa ralhar comigo e chamar isso de um estilo de pregação Arminiana. Eu não me importo com a sua opinião, este estilo é bíblico. “Como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” [2 Coríntios 5:20]. Pobres pecadores contritos de coração, Deus é assim anunciado para vocês esta manhã e oferecido a vocês, ordenando que sejam reconciliados como se Ele estivesse aqui, Ele mesmo, em Sua própria Pessoa. E embora eu seja um mau e fraco por quem Ele fala, Ele fala agora, tanto quanto se fosse pela voz de anjos: “Reconciliai-vos com Deus!”. Venha, amigo, não vire os olhos e a cabeça para longe de mim. Mas dê-me sua mão e empresta-me seu coração, enquanto eu choro sobre sua mão e choro sobre o seu coração e te suplico a não desprezar a sua própria misericórdia, para não seja um suicida para sua própria alma, para não condenar a si mesmo! Agora que Deus tem lhe despertado para sentir que você é um inimigo, peço-te, agora para ser Seu amigo! Lembre-se, se você está agora convicto do pecado, não há punição para você. Meu mestre, Jesus Cristo, foi castigado em seu lugar! Você crê nisso? Você confiará nisto e assim estará em paz com Deus? Se você diz: “Não!”, Então eu gostaria que você soubesse que você lança fora a sua própria misericórdia! Se você disser: “Eu não preciso de reconciliação”, você tem lançado fora a única esperança que você pode ter! Faça isto por sua conta e risco. Eu lavo minhas mãos de seu sangue. Mas, mas, mas, se você conhece a si mesmo como necessitando de um Salvador, se você quer escapar do abismo infernal, se você quer caminhar entre os que são santificados, eu novamente, em nome dAquele que irá condená-lO no último dia se você rejeitar este convite, imploro e suplico que você se reconcilie com Deus! Eu sou seu embaixador. Quando eu tiver terminado este sermão, eu voltarei à coorte.

Pecador, o que você dirá? Devo voltar e dizer ao meu Mestre que você pretende ser Seu inimigo para sempre? Devo voltar e dizer-Lhe: “Eles me ouviram, mas não consideraram”? Eles disseram em seus corações: “Nós iremos lançar fora nossos pecados e nossas loucuras e não serviremos ao seu Deus, nem O temeremos!”? Irei dizer-Lhe tal mensagem como essa? Devo ser conduzido de volta para o Seu palácio, com uma história tão terrível? Rogo-vos, não me enviem de volta, para que não se acenda o furor da ira do meu Mestre e Ele diga:

“Estes que desprezaram Meu descanso prometido,

Não terão parte nele.”

Mas oh! eu não posso voltar à coorte hoje e, de joelhos, dizer ao Monarca: “Há alguns, meu Senhor, que têm sido grandes rebeldes, mas quando eles se viram rebeldes, eles atiraram-se ao pé da cruz e pediram perdão! Eles haviam estranhamente se revoltado, mas os ouvi dizer: ‘Se Ele irá me perdoar, eu me converterei dos meus maus caminhos, se Ele me capacitar!’ Eram transgressores grosseiros e eles confessaram isto. Mas eu os ouvi dizer: ‘Jesus, Seu sangue e justiça são a minha única confiança’”? Embaixador feliz! Voltarei para o meu Mestre com um semblante alegre e Lhe direi que a paz é feita entre muitas almas e o grande Deus! Mas, miserável embaixador, aquele que deve voltar e dizer: “A paz não foi feita”. Como será? O Senhor decide isso! Que muitos corações deem lugar à Onipotente graça e que os inimigos da graça sejam transformados em amigos, que os eleitos de Deus possam ser reunidos e Seu propósito eterno cumprido!

III. E agora, eu encerro observando o DOCE DELEITE que esta doutrina traz para um crente. Cristão pesaroso! Enxugue suas lágrimas! Você está chorando por causa do pecado? Por que você chora? Chore por causa de seu pecado, mas não chore por qualquer medo de punição! Tem o mestre dito que você será condenado? Diga-lhe na cara que ele mente! Ah, pobre crente angustiado, você está lamentando sobre suas próprias corrupções? Olhe para o seu Senhor perfeito e lembre-se: você é completo nEle, você está na Presença de Deus tão perfeito como se você nunca tivesse pecado! Não, mais do que isso, o Senhor nossa justiça colocou uma veste Divina sobre você, para que você tenha mais do que a justiça do homem, você tem a justiça de Deus! Ó, vocês que estão pesarosos em razão do pecado natural e depravação, lembrem-se, nenhum dos seus pecados pode condená-los!

Você aprendeu a odiar o pecado. Mas você aprendeu a saber que o pecado não é seu, ele é colocado sobre a cabeça de Cristo. Venha, tende bom ânimo, você não está em si mesmo, está em Cristo! Sua aceitação não é, em si mesmo, mas no Seu Senhor. Com todo o seu pecado, você é tão aceito hoje como na sua santificação! Está tão aceito por Deus, hoje, com todas as suas iniquidades, como você será quando estiver diante de Seu trono, estando livre de toda corrupção.

Oh, eu suplico a você, lance mão desse pensamento precioso: perfeição em Cristo; pois você é perfeito em Cristo Jesus! Vestido com as vestes do Salvador, você é santo como os santos. Você agora está justificado pela fé. Agora você tem paz com Deus. Tende bom ânimo. Não tenha medo de morrer! Não há nada de terrível na morte para você. Cristo extraiu todo o fel do aguilhão da morte. Não trema por causa do julgamento, o juízo não vai trazer-lhe outra absolvição para adicionar à absolvição já dada em sua causa:

“Corajoso você permanecerá no grande dia,

Pois quem pode colocar alguma coisa sobre você?

Você é totalmente absolvido por Cristo,

Da tremenda culpa do pecado.”

Ah, quando você vier a morrer, você pleiteará com Deus, por que você deve dizer: “Meu Deus, Tu não podes me condenar, pois Tu condenaste a Cristo por mim. Tu puniste a Cristo em meu lugar!” “Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” [Romanos 8:34]. Cristão, se alegre! Não deixe sua cabeça sem óleo e seu rosto sem unguento. “Siga o seu caminho. Coma seu pão com alegria e beba o seu vinho com coração contente, porque Deus aceitou as suas obras”. Faça como Salomão nos convida a fazer: viva feliz todos os dias de sua vida. Pois você foi aceito no Amado, você está perdoado através do sangue e justificado pela justiça de Cristo! O que você tem a temer? Permita sempre estar um sorriso em seu rosto. Deixe seus olhos brilharem de alegria. Viva perto de seu Mestre. Viva nos subúrbios da Cidade Celestial como, aos poucos, quando sua hora chegar você deve obter melhores asas do que os anjos jamais usaram e estar em um lugar maior do que o dos querubins e elevar-se para onde o seu Jesus senta-se; sentar-se-á à Sua direita, assim como Ele venceu e está assentado à direita de Seu Pai! E tudo isso porque o Senhor Deus “que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

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