Isto é o Dedo de Deus!

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J.C. Ryle nos mostra como pensar sobre a peste bovina que ocorreu em seus dias:

Isto é o Dedo de Deus!

Isso foi o que J.C. Ryle escreveu durante a Grande Peste Bovina[1] que ocorreu na Inglaterra, de 1865 a 1867:

Observe as palavras que formam o título deste livreto e as considere bem. Elas foram proferidas por homens pagãos há mais de três mil anos. Elas saíram dos lábios dos magos egípcios quando uma das famosas pragas atingiu a terra do Egito. “Então disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus” (Êxodo 8:19). Seria bom se todos os ingleses fossem tão sábios quanto aqueles egípcios!

Há um mal entre nós que exige uma atenção séria de nossa parte. Isso chegou ao nosso conhecimento, quer gostemos ou não. Pois ela segurou a nação pela garganta e terá que ser ouvida. Esse mal de que estou falando é a PESTE BOVINA.

Essa é uma calamidade difícil. Milhares de gados já morreram. Miríades parecem prestes a morrer. A perda da riqueza nacional e o prejuízo de interesses privados são temíveis. É tão ruim como se o ouro e a prata tivessem sido arrancados de nós e lançados ao mar. Muitas propriedades estão devastadas e já não podem ser restauradas.

Essa é uma calamidade generalizada. Dificilmente existe um lugar na Inglaterra que não esteja sofrendo. Não existe uma família que, mais cedo ou mais tarde, não sofrerá devido a ela. A carne na mesa do rico e o queijo na casa do camponês, o leite e a manteiga que constituem uma parte tão importante de nossa alimentação serão todos afetados pela praga. Ela atingirá todos os lares e todas as pessoas.

Essa é uma calamidade perturbadora. Nenhum medicamento, remédio ou tratamento parece ter efeito sobre essa praga. Após todas as descobertas da ciência, depois de tudo o que já foi escrito por doutores, a habilidade do homem está completamente frustrada. Até nossos estadistas e governantes parecem estar no limite de suas esperanças. Devido a toda a sabedoria acumulada do século XIX, nós não encontramos nenhum inimigo que nos derrotasse por completo. Porém, agora a maldição do desespero pode ser vista pela terra.

Agora, desejo falar da peste bovina como ministro de Cristo. Desejo chamar a atenção para algumas coisas que — em meio às ansiedades provocadas pela crise agora se abateu sobre nós — parecem provavelmente esquecidas. Que os membros do Parlamento vejam a peste bovina do ponto de vista político. Que os médicos e os cientistas proponham as suas teorias de prevenção e cura. Eu apenas peço permissão para oferecer alguns pensamentos sobre o assunto como alguém que crê na Bíblia e como um cristão.

1. Vamos considerar, em primeiro lugar, DE ONDE vem a peste bovina?

Eu respondo, sem hesitar: Ela vem de Deus! Aquele que ordena todas as coisas no céu e na terra; Aquele por cuja providência sábia tudo é governado, e sem o Qual nada pode acontecer — Ele é quem enviou esse flagelo sobre nós! Isto é o dedo de Deus!

Não gastarei tempo provando esse ponto. A quem pede provas para todo o teor da Palavra de Deus, peço que observe como Deus é sempre mencionado como governador e soberano sobre todas as coisas aqui em baixo, da menor à maior.

Quem enviou o dilúvio ao mundo nos dias de Noé (Gênesis 6:17)? Foi Deus!

Quem enviou a fome nos dias de José (Gênesis 41:25)? Foi Deus!

Quem enviou as pragas ao Egito, e especialmente a mortandade no gado (Êxodo 7:5, 9:3)? Foi Deus!

Quem enviou doenças aos filisteus, quando a arca estava entre eles (1 Samuel 5:7, 6:3-7)? Foi Deus!

Quem enviou a peste nos dias de Davi (2 Samuel 24:15)? Foi Deus!

Quem enviou a fome nos dias de Eliseu (2 Reis 8:1)? Foi Deus!

Quem enviou o vento violento e a tempestade nos dias de Jonas (Jonas 1:4)? Foi Deus!

Considero simplesmente desperdício de tempo insistir muito nesse ponto. Não consigo entender como alguém pode ser chamado de crente na Bíblia se nega a providência de Deus sobre o Seu mundo. De minha parte, acredito profundamente que Deus não mudou. Acredito que agora Ele está governando todas as coisas na terra tanto quanto nos dias do Antigo Testamento. Acredito que guerras, fomes, pragas, pestes bovinas, são todos Seus instrumentos de Seu governo neste mundo. E, portanto, quando vejo um flagelo como a peste bovina, não tenho dúvidas quanto à mão que o envia. “Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” (Amós 3:6). Isto é o dedo de Deus

Alguém pode dar uma explicação melhor para a peste bovina? Se puder, deixe-o falar com um homem e nos dizer porque isso aconteceu. Dizer que se originou em outra terra; que não é uma praga nova, mas antiga; que causou grandes danos nos dias passados — tudo isso é se desviar da questão. Peço que digam por que isso aconteceu agora? Como e de que maneira o surto pode ter ocorrido neste momento específico? Que causas possíveis podem ter sido designadas para que ela não tenha ocorrido há centenas de anos? Eu acredito que essas perguntas não podem ser respondidas. Acredito que a única causa pela qual finalmente podemos chegar a uma resposta satisfatória, a saber: Isto é o dedo de Deus!

Alguém considera minha afirmação absurda e irracional? Não tenho dúvida de que muitos a consideram. Suspeito que muitos pensam que Deus nunca interfere nos assuntos deste mundo, e que pestilências e pragas do gado são apenas o resultado de certas leis naturais que sempre produzem determinados efeitos. Tenho pena do homem que pensa assim.

Ele é um ateu? Ele acredita que esse mundo maravilhosamente projetado foi feito por acaso e não teve um criador? Se for assim, ele é uma pessoa muito crédula.

Mas se tal pessoa acredita que Deus criou o mundo, onde — eu pergunto — está o absurdo de crer que Deus governa o mundo? Se ela admite que Deus formou o universo, por que não admitir Deus o administra? Fora daqui com esse ceticismo moderno! É ofensivo e revoltante para o senso comum. Aqueles que excluem o Criador de Sua própria criação não devem ser ouvidos. Aquele que criou o mundo no princípio pelo dedo da sabedoria criadora nunca deixará de governar o mundo pelo dedo de Sua providência, até que Cristo volte. Essa peste bovina é o dedo de Deus!

Alguém alega que Deus é amoroso demais para nos enviar um flagelo como esse e que é errado supor que algo de mau possa vir da parte dEle? Tenho pena do homem que argumenta dessa maneira. Ele tem filhos? Ele nunca os corrige? Se ele é um homem sábio e sensato, não tenho dúvida de que sim. Mas então ele os odeia pelo fato de que os castiga? Ele não mostra um grande amor ao discipliná-los quando cometem erros? E nosso Pai Celestial não deve fazer o mesmo? Sim, certamente! Deus não nos odeia. Ele é um Deus de misericórdia e amor e, portanto, mantém a humanidade sob Seu governo providencial. Existe amor até mesmo nesse flagelo que agora está sobre nós. A peste bovina é o dedo de um Deus sábio e amoroso!

2. Vamos considerar, em segundo lugar, POR QUE a peste bovina veio sobre nós?

Eu respondo a essa pergunta sem hesitar. Ela veio sobre nós por causa dos nossos pecados nacionais. Deus tem uma controvérsia com a Inglaterra, devido a haver muitas coisas entre nós que são desagradáveis ​​aos Seus olhos. Ele, de bom grado, quer nos despertar para um senso das nossas iniquidades. Essa peste bovina é uma mensagem do céu.

Os pecados individuais de homens e mulheres muitas vezes não são punidos enquanto eles vivem; mas isso ocorre porque ainda existe um dia de julgamento. Naquele dia, “cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12). Porém, para as nações pode não haver dia de juízo no futuro. Os pecados das nações são punidos no tempo. Pecados e corrupções específicas em uma nação exigem punições específicas. Eu acredito que essa peste bovina é um castigo nacional e específico na Inglaterra por causa de nossos pecados nacionais específicos.

O ensino da Bíblia a esse respeito é claro, enfático e inconfundível. Qualquer um que duvide, leia o que Deus diz sobre a Babilônia, Tiro, Egito, Damasco, Moabe, Edom, Amom e Nínive (Isaías 13:1, 15:1, 17:1, 19:1; Jeremias 46:2, 48:1, 49:1-7, 50:1; Naum 3:1). Que leiam textos como estes:

“Eis que os olhos do Senhor DEUS estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra” (Amós 9:8). “Multiplica as nações e as faz perecer; dispersa as nações, e de novo as reconduz” (Jó 12:23).

Estudem capítulos como Daniel 4 e 5. E certamente, se um homem crê na Bíblia, essas passagens devem fazê-lo pensar. O Deus da Bíblia ainda é o mesmo. Ele jamais muda.

Alguém pergunta quais são os PECADOS NACIONAIS ESPECÍFICOS da Inglaterra? Mencionarei alguns que aos meus olhos se destacam neste país atualmente. Posso estar completamente errado. Apenas julgo como alguém que observa atentamente e identifica os sinais dos tempos.

(1.) O primeiro pecado nacional que citarei é a cobiça. O que intenciono com isso é o amor excessivo ao dinheiro e o desejo de ser rico neste mundo. É certo que nunca houve uma busca por riquezas como nos dias atuais. Ganhar dinheiro e morrer rico parece ser a maior virtude e a maior sabedoria. No entanto, Deus disse que a “avareza é idolatria!” (Colossenses 3:5) e que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Timóteo 6:10).

(2.) O segundo pecado nacional que citarei é a luxúria e o amor ao prazer. Com certeza, nunca houve um tempo em que as pessoas buscassem com tanta avidez por prazer, diversão e gratificação dos seus sentidos. Muitos são “mais amigos dos deleites do que amigos de Deus” (2 Timóteo 3:4).

(3.) O terceiro pecado nacional que citarei é a negligência quanto ao dia do Senhor. Esse dia abençoado está rapidamente se tornando em muitos lugares um dia para passeios e entretenimento, e não o dia de Deus. No entanto, a profanação do sabbath foi especialmente um dos pecados que provocaram os julgamentos de Deus sobre os judeus: “…profanaram grandemente os meus sabbaths” (Ezequiel 20:13; Neemias 13:18).

(4.) O quarto pecado nacional que citarei é a embriaguez. A quantidade de bebida inebriante consumida todos os anos na Inglaterra é algo assustador. O número de cervejarias, fábricas de gim e bares em nossas grandes cidades é uma prova constante de que somos um povo sem temperança. Todos os domingos à noite, há mais pessoas em bares do que nas igrejas e capelas. Somos piores nesse aspecto do que a França ou a Itália. No entanto, Deus disse: “Os bêbados… não herdarão o reino de Deus” (1 Coríntios 6:10).

(5.) O quinto pecado nacional que citarei é a imoralidade: “Não adulterarás” (Êxodo 20:14). Na cidade e no campo, entre ricos e pobres, o senso de pureza entre os jovens está no ponto mais baixo. No entanto, Deus disse: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus…” (Efésios 5:6).

(6.) O sexto pecado nacional que citarei é uma tendência crescente a olhar de modo favorável para a Igreja Católica Romana. A própria igreja que queimou os nossos mártires há trezentos anos, reteve a Bíblia de nosso povo, tirou as nossas liberdades, e até hoje coloca a virgem Maria praticamente no lugar de Cristo – é favorecida e tratado com condescendência por milhares! Parece que estamos sendo atidos por uma cegueira em nosso discernimento. A linha entre tolerância e favorecimento parece estar apagada. O grande desejo de muitos é “voltar ao Egito!”.

(7.) O último pecado nacional que citarei é a crescente disposição ao ceticismo e à infidelidade. Pouco a pouco, homens em posições eminentes estão deixando de honrar a Deus. Ano após ano, a Bíblia é mais abertamente contestada e a sua autoridade, atacada. Crer na Bíblia já foi uma marca de um cristão. Nos dias atuais, um ministro inglês ousa se chamar cristão, e ainda assim se orgulhar de pensar que grande parte da Bíblia não é verdadeira. Estou convencido de que nada é tão ofensivo a Deus quanto desonrar a Sua Palavra escrita.

Eu acredito firmemente que essas coisas estão provocando a Deus contra a Inglaterra. Elas são uma ofensa ao Rei dos reis, pela qual Ele está nos punindo hoje. E a vara que Ele está usando é a peste bovina! O dedo de Deus, creio, está apontando para os nossos sete grandes pecados nacionais.

Dizer que não somos tão ruins quanto algumas nações e que os pecados que eu citei são muito mais abundantes em outros países do que na Inglaterra, não serve como argumento de modo algum. Nós tivemos mais privilégios do que outros países e, portanto, Deus pode, com justiça, requerer mais de nós. “A qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”(Lucas 12:48). “De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniquidades” (Amós 3:2).

Eu poderia facilmente falar mais sobre os pontos que mencionei. Mas propositadamente me abstenho de fazê-lo. Estou ansioso para tornar este livreto o menor possível. Para isso, me contento em fornecer pouco mais do que sementes de pensamento, que espero que possam germinar e frutificar em muitas mentes. Resta apenas oferecer algumas conclusões práticas.

III. O que a peste bovina convoca todos a fazer?

Ao responder a essa pergunta, o leitor entenderá claramente que escrevo apenas como um ministro cristão. Que os políticos façam as melhores leis que puderem para atender à atual situação de emergência. Que os médicos usem todos os meios possíveis para refrear a peste e pacientemente tentem todos os remédios. Que os agricultores não negligenciem nada que possa estar disponível para impedir o contágio, diminuir o risco de infecção e acabar com a praga, quando ela surgir. Porém, o meu ponto de vista é o da Bíblia. À luz desse Livro, faço a minha pergunta final: O que todos nós devemos fazer?

Por um lado, consideremos os nossos caminhos. Essa é uma época de pressa, agitação, inquietação e rapidez. Ferrovias e telégrafos mantêm todos em um estado de excitação doentia. Agora — quando a mão de Deus está estendida contra nós — certamente seria bom que sentássemos e pensássemos um pouco. Não estamos vivendo uma vida muito agitada? Não seria bom se houvesse mais leitura da Bíblia, mais adoração no domingo, mais esforço calmo e tranquilo para servir a Deus e honrá-lO? Feliz é aquele homem, e feliz é aquela nação, que começa a pensar!

Por outro lado, vamos todos nos humilhar diante de Deus e reconhecer a Sua mão. Infelizmente, somos uma nação orgulhosa e presunçosa! Somos aptos a pensar que nós, ingleses, somos as pessoas mais sábias, mais excelentes, mais ricas e mais corajosas do mundo. Estamos tristemente cegos para as nossas muitas falhas e pecados. Certamente, quando a mão de Deus está tão claramente estendida contra nós, é hora de abandonar esse espírito orgulhoso. Se há algo que Deus odeia, é a soberba!

Está escrito:

“A soberba e a arrogância… eu odeio.” (Provérbios 8:13)

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” (Provérbios 16:18)

“Eis que eu sou contra ti, ó soberbo.” (Jeremias 50:31)

“Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade…” (Ezequiel 16:49)

“Pode humilhar aos que andam na soberba.” (Daniel 4:37)

“E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Mateus 23:12)

Por outro lado, cada um de nós deve se esforçar individualmente para romper com os nossos próprios pecados recorrentes e corrigir os nossos caminhos. É fácil encontrar falhas no governo e culpar os outros quando estamos com problemas. O melhor caminho é olhar para dentro de nós mesmos e tentar fazer nossa própria parte para melhorar as coisas. Os pecados de uma nação são constituídos pelos pecados de um grande número de indivíduos. Ora, se todo indivíduo tentar mudar a sua própria vida e fazer melhor, toda a nação logo melhorará. A cidade logo fica limpa quando cada homem cuida de sua própria porta.

Por outro lado, cada um de nós deve usar qualquer influência que temos para refrear o pecado nos outros. O poder que pais, patrões, patroas e empregadores têm a esse respeito é muito grande. Se todos se esforçassem para controlar a quebra do sabbath, o excesso de entretenimento, de ociosidade, de embriaguez e de imoralidade – isso seria um ganho imenso para a condição geral da nação. Nunca devemos esquecer que a influência sobre os outros é um talento sobre o qual um dia prestaremos contas. Receio que há milhares de pais e empregadores que enterram completamente esse talento. Eles permitem que os que estão sob sua autoridade cometam pecados e, como Eli, nunca os reprovam. Está escrito: “Fazendo-se os seus filhos execráveis, não os repreendeu” (1 Samuel 3:13).

Por outro lado, sejamos cada um de nós mais dispostos a fazer algo de bom no mundo. É um fato triste que o aumento de doações para fins de caridade na Inglaterra nos últimos tempos não tem proporção alguma com o aumento da riqueza. O comércio e os negócios do país provavelmente dobraram nos últimos vinte e cinco anos. No entanto, a renda da maioria de nossas grandes sociedades religiosas está quase parada. Se os ingleses não se lembrarem de que o seu ouro e sua prata são apenas um empréstimo concedido por Deus e que, portanto, devem ser usados ​​para Ele — eles não deverão se surpreender se Deus os lembrar disso por visitações como a peste bovina. A mão que dá riquezas a uma nação é a mesma mão que pode tirá-las!

Por último, mas não menos importante, resolvamos oferecer uma oração especial a Deus pela remoção do juízo que agora temos sobre nós. Seja o que for que façamos, devemos orar. A Palavra de Deus nos encoraja a isso:

“As vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus.” (Filipenses 4:6)

“Está alguém entre vós aflito? Ore.” (Tiago 5:13)

“Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo; e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:13-14)

A presença de nosso Senhor Jesus Cristo no céu, à destra de Deus, nos convida a isso. Aquele que morreu pelos pecadores na cruz está sentado ali para ser o Advogado e Amigo dos pecadores. Ele pode ser tocado com o senso de nossas enfermidades e conhece as provações da nossa condição terrena.

Os exemplos das Escrituras nos justificam quando a isso. Os homens de Nínive se humilharam e clamaram fortemente a Deus, e Deus ouviu o seu clamor: “E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e TAMBÉM MUITOS ANIMAIS?” (Jonas 4:11). O caráter do próprio Deus faz com que nõa orar seja algo insensato: “Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens” (Lamentações 3:33). Ele é o Senhor Deus, “misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade” (Êxodo 34:6). “Invoca-me”, diz Ele, “no dia da angústia, e eu te livrarei” (Salmo 50:15).

Oremos:

“Deus todo-poderoso, que ordena todas as coisas no céu e na terra, e em cuja mão está a vida dos homens e dos animais, tem piedade de nós, pecadores miseráveis que agora são visitados com essa grande doença e mortalidade entre nosso gado. Nós não temos nada a dizer por nós mesmos. Confessamos humildemente que merecemos o Teu castigo por causa de nossos muitos pecados nacionais. Mas poupe-nos, bom Senhor, de acordo com as Suas muitas misericórdias. Não nos trate segundo os nossos pecados. Livra-nos dessa praga dolorosa e restaure a saúde do nosso gado. Acima de tudo, desperta entre nós o verdadeiro arrependimento e aumente a verdadeira religião na terra. Pedimos tudo em nome e através da mediação de Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem, conTigo e com o Espírito Santo, seja toda honra e glória. Amém”.

 

Fonte:  GraceGems.org

[1] Peste bovina é uma doença viral infecciosa gravíssima que afetava principalmente o rebanho bovino. (Nota de tradução.)

Título original: This is the Finger of God – J.C. Ryle on the Plague • Tradução: Camila Teixeira • Revisão: William Teixeira