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3º Mandamento • Os Dez Mandamentos, por C. Van Til

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1. Observações

Para a correta compreensão do Terceiro Mandamento é necessário, antes de tudo, compreender o que as Escrituras, em geral, querem dizer com um “nome”. Chegamos a pensar em nomes como marcas convenientes usadas para fins de identificação. Mas isso é na melhor das hipóteses um uso subordinado de um nome. No “reino dos céus” cada nome é uma expressão significativa da essência dos vários membros. Podemos até mesmo ampliar esta ideia. Em um teísmo bíblico cada membro pode ter um significado porque a adesão a um sistema teísta implica relação com Deus. Por outro lado, em “sistemas” antiteístas nenhum nome pode ter mais do que uma marca de identificação, uma vez que não existe um sistema no qual podemos ser membros. Mesmo a marca de identificação é uma importação teísta, já que em um nativo antiteísmo não há nada, senão pluralidades alheias entre si, em que ninguém pode significar nada para ninguém.

Agora, uma vez que através da redenção o teísmo é restaurado esperamos achar que haverá alguma indicação do significado de nomes. O “nome” de Cristo restaura o centro da unidade. Ele re-liga o homem a Deus, que é o centro e a fonte de toda a predicação significativa. Assim, o homem está habilitado a ter um nome real novamente.

Novamente, uma vez que na dispensação do Antigo Testamento temos uma expressão mais exterior do princípio da redenção do que no Novo Testamento, esperamos que nomes do Antigo Testamento sejam mudados mais frequentemente à medida que eles são postos em relação com a promessa do que acontece no Novo Testamento. Especialmente àqueles que ocupam um lugar de importância estratégica no processo da redenção serão dados nomes que se encaixam à sua posição. Tais nomes podem ser dados no momento em que os destinatários são elevados para uma posição mais elevada na nação redimida, como no caso de Jacó, que é mudado para Israel. Outrossim, o nome pode ser dado quando pela primeira vez alguém recebe formalmente uma posição de importância como quando Abrão e Sarai são mudados para Abraão e Sara. Novamente tal nome pode ser dado de acordo com a direção de Deus no nascimento ou mesmo antes do nascimento, como foi o caso do nome que estava acima de todo nome.

Não é de admirar, então, que o “nome” seja de grande importância. Os apóstolos fizeram milagres em nome de Jesus, e batizaram os homens em nome do Triuno Deus.

Mas se este for o caso, o nome de Jesus ou o nome de Deus deve ser mais do que “a minha ideia sobre Deus”. Assim vemos que nas Escrituras Deus diz ao Seu povo o que o Seu nome é e como Ele quer que eles o usem. O nome Yahwéh não é dado a Deus pelo povo, mas por Deus para Si mesmo.

O nome de Deus representa Sua personalidade. Isso significa algo diferente para o Seu povo do que para aqueles que não são o Seu povo. O nome de João por exemplo pode significar muito para sua esposa enquanto que para um estranho pode significar pouco ou nada. Então, o povo de Deus conhece o nome Yahwéh, porque eles são conhecidos, ou seja, amados por Ele. Deus revelou Seu propósito gracioso para o Seu povo em Seu nome. Yahwéh significa aquele que será fiel para consumar Suas promessas de redenção para os Seus próprios. Assim, quando Deus em Cristo Se revelou a você, e você recebeu a plena posse desta revelação, você expressa tudo isso, invocando por seu Deus numa relação de aliança, Yahwéh.

Não é de admirar, então, que o nome do Senhor torne-se um ponto de discórdia em um mundo de pecado. Os homens vão trabalhar por sua honra ou buscarão arrastá-lo na lama. Mesmo ser “neutro” é impossível e pecaminoso, uma vez que explicita o escárnio de um coração altivo contra o Deus gracioso e Seu amor condescendente pelo qual Ele Se revelou ao pecador. Não há, pois não pode haver, por exemplo, um conhecimento imparcial que investigará as reivindicações da revelação especial de Deus nas Escrituras que não seja mais ou menos do que a explicação do nome de Yahwéh.

2. O que é Comandado

A. Seus Povo Deve Conhecer Esse Nome ou Revelação

Se o nome Yahwéh significa a revelação do gracioso poder salvífico de Deus para com Seu povo, segue-se que o Seu povo deve buscar conhecer a plenitude da revelação na medida em que pode compreendê-la. Todos os homens têm alguma revelação de Deus dentro deles, a voz da consciência, um anseio por algo acima deles, um medo dos seus pecados serem descobertos. Mas o crente teve as escamas de escuridão que estavam sobre seus olhos, por causa do pecado, removidas pelo Espírito Santo. Assim sendo, ele pode ver o verdadeiro caráter da revelação geral e mais particularmente a revelação especial que veio a ele. No entanto, há muito progresso a ser feito. Pois, muitos dos que entraram em contato salvífico com Jesus enquanto Ele estava na terra demoraram muito tempo antes que eles pudessem conhecer mais e mais a profundidade da redenção graciosa que haviam recebido…
 

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