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5 Lições Aprendidas a Partir de Décadas de Ministério, por Fred Malone

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1. Você nunca prega bem o suficiente para converter uma única pessoa. Isto é assim a menos que você acredite que a fé é uma habilidade do homem gerada pelas decisões persuasivas do pregador. Mas eu não acredito que a fé salvífica é uma habilidade natural do homem. A fé é uma graça soberana — dádiva de Deus, que vem àqueles que ouvem a Palavra de Cristo (Efésios 2:8-9; Filipenses 1:29). Portanto, eu não devo tentar usar meus dons de oratória ou estratégias não bíblicas para pressionar um ouvinte para o decisionismo. Em vez disso, porque creio que a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Cristo com clareza, eu devo usar toda a minha habilidade para pregar a Palavra de Cristo com clareza e pregar Cristo com sincera unção, mas sempre confiando na obra soberana do Espírito que opera a fé e o novo nascimento.

Isso é o que fez Spurgeon e Lloyd-Jones, grandes pregadores. Eles sabiam que seu chamado era proclamar a Cristo e Ele crucificado; mas também sabiam que somente a plena verdade aplicada pelo Espírito é que podia converter uma única alma. Eles não eram homens de ego. Eles ficaram surpresos com o fato de que Deus os usava como canal de verdade, aplicada pela Espírito, aos corações dos homens. Na pregação não há espaço para o ego, para a vangloria ou para o orgulho. Tal atitude trai o verdadeiro coração do pregador. Pregar é a coisa mais humilhante que o homem pode fazer. É loucura para o incrédulo a menos que Deus o regenere. É humilhante para o pregador o fato dele ele não ter poder para mudar ninguém a menos que Deus decida ter misericórdia através da Sua Palavra e do Seu Espírito operando no coração do pecador. Verdadeiramente a loucura de pregar Cristo dá glória somente a Deus. Você nunca prega bem o suficiente para converter uma única pessoa.

2. Você não pode pregar bem para outros a menos que você pregue primeiro para si mesmo. A pregação de um sermão ou de um ensinamento conclama o pregador a ser honesto consigo mesmo primeiro. Paulo advertiu sobre os vendedores ambulantes, os que lucravam usando a Palavra de Deus e não eram sinceros em seus corações, 2 Coríntios 2:17 diz: “Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade”. Em nossos preparativos, todo pecado que o texto aponta que vai contra a lei de Deus deve ir em primeiro lugar e com sinceridade à consciência e à vida do pregador; toda promessa da graça de Deus deve ser abraçada com humilde alegria como que na presença de Deus.

Uma das coisas mais difíceis que faço a cada semana é sondar meu próprio coração com o texto para revelar meus pecados, falhas remanescentes; meus próprios pensamentos, motivos e palavras pecaminosos e meu próprio fracasso em edificar os outros. No entanto, esse mesmo exercício do texto me aponta para a glória e suficiência do próprio Senhor Jesus Cristo, renovando assim meu zelo por anunciá-lO aos santos e aos pecadores. Esse autoexame à luz da Lei e do Evangelho lhe torna humilde em sua pregação e torna o seu sermão sincero, em vez de falsificado. Isso fala aos santos sobre as coisas que acontecem em seus próprios corações a cada dia. Fala ao incrédulo com a verdadeira unção mostrando que você acredita no que prega. Esse estudo sincero e de coração, com profunda consciência de seu próprio pecado e da graça de Deus, faz você pregar a Cristo, e não a si mesmo. Você não pode pregar a outros a menos que você primeiro pregue a si mesmo.

3. A verdadeira pregação expositiva sempre prega a Cristo. Eu tive que aprender isso com Paulo e Martyn Lloyd-Jones. As epístolas de Paulo foram lidas em sua totalidade às congregações reunidas. Paulo não podia dar incentivos ou ordens sem lembrá-los de Cristo e Ele crucificado como o motivo e poder para viver como um Cristão. Essa plenitude da mensagem deve ser mantida em mente em cada sermão. Hebreus, que é um sermão totalmente completo, é outro exemplo de pregação expositiva de Cristo a partir do Antigo Testamento. Lloyd-Jones deu muita importância ao fato de que fomos comissionados para pregar (anunciar) o Evangelho de Cristo, uma mensagem inteira. Cada texto e sermão é simplesmente o veículo para fazer isso, tanto para os santos como para os pecadores. Toda a Escritura é sobre a vinda, o aparecimento e o retorno do Senhor Jesus Cristo, plenamente Deus e plenamente homem em única uma Pessoa. Portanto, toda Escritura fala dEle — de Sua Lei e de Seu Evangelho de alguma forma. Infelizmente, nem todos concordam com isso.

Eu sou grato que a pregação expositiva tenha recuperado terreno nos últimos 60 anos. No entanto, alguns não entendem que a hermenêutica determina como alguém expõe o texto. Por exemplo, se você tiver apenas uma hermenêutica literal-gramatical-histórica, tenderá a pensar que pregou exponencialmente quando pode ter apenas explicado a gramática, o contexto, o aspecto histórico e o significado básico do texto em seu contexto. Comparar Escritura com Escritura é uma parte nobre dessa hermenêutica, mas há mais a ser feito para uma exposição completa.

4. Nossa hermenêutica determina se pregamos a Cristo. A hermenêutica literal-gramatical-histórica autoconscientemente não inclui “a analogia da fé” e “o escopo da Escritura”, mesmo quando se compara a Escritura com a Escritura. A “analogia da fé” e “escopo da Escritura” é “todo o conselho de Deus” como referido por Paulo (Atos 20:27). Essa é a hermenêutica autoconscientemente reformada que é mais do que a exegese literal-gramatical-histórica e a exposição do texto. A hermenêutica distintiva da fé Reformada é a interpretação gramatical-histórico-teológica do texto. Embora Cristo não seja mencionado especificamente em cada texto, a “analogia da fé” e “escopo da Escritura” são o significado teológico geral da Bíblia aplicado do contexto mais amplo a cada texto. Este último elemento teológico da exegese não é a eisegese (forçar sua leitura sobre o texto) como alguns argumentam. Em vez disso, ele admite que “todo o conselho de Deus” ilumine cada texto que pregamos a Cristo com integridade teológica. Explicar qualquer texto das Escrituras sem usar o contexto mais amplo, que é Cristo revelado ao homem em toda a Bíblia, é confundir a pregação de Cristo aos homens com comentários corriqueiros. A pregação expositiva deve sempre pregar Cristo como o centro da revelação criadora e redentora do Pai para o homem. Você não pode pregar Cristo em todas as Escrituras a menos que você tenha o “conselho de Deus” como a fonte final de sua exegese.

5. A personalidade de um pregador nunca deve dominar a proclamação de Cristo. Há uma tendência nos pregadores de hoje a usar sua personalidade para persuadir os homens. Bons contadores de histórias, comediantes, cantores inventados e roupas legais podem chamar a atenção de alguns ouvintes. Mas nós devemos nos perguntar: “No final da mensagem, eles se lembram do pregador ou do Cristo que ele pregou?”. A moda moderna de pregadores celebridades pode ganhar muita atenção e até mesmo, pela bondade de Deus, realmente salvar os pecadores sempre que Cristo é finalmente pregado. Mas a prioridade dos pastores nas igrejas locais pregando aos santos e aos pecadores nunca deve resultar em esconder Cristo atrás do pregador, mas antes de esconder o pregador atrás de Cristo. A personalidade de um pregador nunca deve dominar a proclamação de Cristo. Em vez disso, a personalidade de um homem deve recuar sob a sombra da cruz para que Cristo seja plenamente visto.

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