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A Dádiva Que Ninguém Quer, por Paul Washer

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Um sermão muitíssimo importante, que trata da evidência Bíblica de que alguém foi salvo, e passou da morte para a vida, pela fé em Cristo Jesus, o Unigênito Filho de Deus.

Eis alguns trechos:

• Mateus 7, verso 13: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela”. Marcos, Capítulo 1, verso 14-15: “E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do reino de Deus. E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho”.

• Começando aqui com Marcos, penso que o que está ocorrendo aqui é uma repreensão à nossa metodologia de evangelismo moderno. Se fôssemos reescrever isto baseado naquilo que vemos na comunidade evangélica moderna, seria algo assim: Jesus está dizendo, “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Quem gostaria de Me aceitar no seu coração?”. Veem o problema? A linguagem que usamos hoje não é usada no Novo Testamento em lugar nenhum. “Quem gostaria de repetir esta oração comigo? Oh, vejo aquela mão. Venha à frente”. Não vemos nada disso.

• Mas na mensagem do nosso Senhor vemos: “Arrependam-se e creiam”. No apelo apostólico vemos: “Arrependam-se e creiam”. Nas grandes confissões da igreja vemos, “Arrependam-se e creiam”. É só chegarmos a este tempo moderno e não ouvimos nada sobre arrependimento e fé, a menos que esteja redefinido no contexto de receber Jesus, o que significa “Faça esta oração e peça que Ele entre no seu coração, e se você o fez de forma sincera, pode confiar no fato de que nasceu de novo”. Isto é grave, amigos; isto é grave!

• E aqui vem Jesus Cristo a Israel. O Messias chega a Israel. Ele diz, “O tempo está cumprido”. “De tudo o que as Escrituras sempre falaram, Eu sou a sua resposta!”. Esta é a sua resposta: Arrependam-se e creiam no Evangelho”. E você diz, “Mas esse era Cristo”. Mas nós seguimos o Seu exemplo e o Seu ensino. E isto não é único nEle. Vamos ao Dia de Pentecostes e encontramos o mesmo apelo autoritário. Se vocês repararem, no Novo Testamento o apelo vem sob a forma de ordem, uma ordem autoritária: Arrependam-se e creiam! O apelo de hoje não vem numa forma de ordem autoritária. Vem na forma de um pedido. “Você pode, por favor, orar comigo?”. As Escrituras não vêm apenas numa ordem autoritária, mas numa ordem difícil de — como disse o nosso irmão — “Tomar a cruz e seguir-Me”. Hoje, garantimos a conversão: “Isto só tomará cinco minutos do seu tempo”. Depois nos perguntamos o motivo da igreja estar no estado em que está, quando nem sequer tem o Evangelho correto.

• Olhem, olhem para nós! Porque nós andamos correndo por toda a parte olhando de nação a nação; para este lado do país, para o outro lado do país, comprando estes livros ridículos, metodologias, crescimento da igreja, tudo isso, e nem sequer ensinamos o nosso povo sobre Deus! Ou quem é o homem! Ou o Evangelho de Jesus Cristo! Ou como um homem pode ser verdadeiramente salvo! É completamente absurdo! E depois perguntamo-nos porque nós nos arrastamos. É absolutamente patético!

• Mas quando Deus vem ao coração de um homem, o que acontece? Ele vê Deus e à luz disso, vê-se a si mesmo e é quebrantado! Mas não é um arrependimento para morte, embora possa parecer. Não é um arrependimento para desespero, embora crie um desespero nele. Porquê, o que acontece? Na revelação de Deus e nessa revelação do pecado, vem a revelação da salvação de Deus em Jesus Cristo, a graça de Deus. E, então, ele não é deixado em desespero. Não é largado na morte, mas aquele quebrantamento irrompe em regozijo, mas esta alegria representa algo muito importante. Há agora uma transferência. A sua alegria não vem mais da sua própria justiça, das suas próprias obras ou do que ele pensa de si mesmo, a sua alegria vem de quem Deus é e do que Deus fez por ele. Então, a idolatria é esmagada. E depois o que acontece? Bem, teve um dia cheio, então, imagino que vá para a cama. Acorda de manhã e o que ele faz? Tem uma Bíblia. O que acontece? Isto é a vida Cristã. Começa a estudar as Escrituras, começa a conviver com os santos, começa a ouvir a pregação e inicia uma jornada na qual, pouco a pouco vê uma maior revelação de Deus e portanto, uma maior revelação da sua própria necessidade. E, então, o seu arrependimento está aprofundando-se, aprofundando-se e aprofundando-se. E depois, tem uma maior revelação da graça de Deus na face de Cristo e a sua fé aprofunda-se e fortalece-se. E depois, a sua alegria irrompe daí até ao final da sua vida, está mais quebrantado em arrependimento do que quando começou há 60 anos atrás. E contudo, ao mesmo tempo, está mais confiante na sua salvação e cheio de alegria inefável. Deus trabalhou na sua vida para, num certo sentido, aumentar a sua capacidade. A sua capacidade para quê? Estes tolos pregadores da prosperidade…Capacidade para bênçãos e todas estas coisas, nem sabem do que estão falando. Aumenta a sua capacidade de conhecer Deus, aumentar a sua capacidade de se quebrantar perante Ele e ser humilde de espírito, experimentar pobreza de espírito; aumenta a sua capacidade de crer porque Ele lhe mostra mais e mais desta rocha e firme fundamento que temos na Pessoa de Cristo; aumenta a sua capacidade para se alegrar porque já não é ele próprio a fonte de alegria.

• Também, quero que reparem uma coisa no verso 13: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” [Mateus 5:13]. O sal tem certas características ou propriedades; se aquelas características ou propriedades estão perdidas, pode substituí-las com outras coisas, porém não há mais sal. Entendem isso? Da mesma forma, há certas características para o verdadeiro discipulado. Se você perde essas características, pode substitui-las com outras coisas, mas não é verdadeiro discipulado. Quais são as características do verdadeiro discípulo? Com o que o real discípulo de Jesus Cristo parece? Ele é pobre de espírito; chora pelo pecado; é manso; tem fome e sede de justiça; é misericordioso; é limpo de coração no sentido que não tem lealdades divididas; é um pacificador e é marcado pela perseguição. Querem falar de discipulado? Então cresça nisso. Querem falar de verdadeiro discipulado? Então cresça nisso. Quer saber qual é o real centro do discipulado? É isto, e isto não pode ser fingido. Você pode fingir muita coisa, mas isto você não consegue. É onde precisa ser guiado. Quer ser um discípulo radical de Jesus Cristo?

Então vem aqui. Tudo começa aqui. É uma das mais belas imagens do carácter do nosso Senhor. O falso profeta não tem nada disto, mas tem dons. É um bom orador e é dinâmico. E parece haver alguma espécie de poder sobre ele; mas saibam isto: o seu caráter é a chave. Ele produz fruto? Um falso profeta é conhecido por duas coisas, o fruto que ele produz e o “evangelho” que prega, Gálatas, Capítulo 1.

• Permitam-se contar a vocês algo sobre falsos mestres. Vocês pensam que as pessoas são vítimas dos falsos mestres, e num certo sentido isso pode ser verdade, às vezes, mas penso que o assunto dominante nas Escrituras é precisamente o oposto. Os falsos mestres são o julgamento de Deus sobre as pessoas que não querem Deus, mas que em nome da religião pretendem obter tudo que os seus corações carnais desejam. É por isso que um Joel Osteen é levantado. As pessoas que recebem o seu ensino não são vítimas dele. É julgamento de Deus sobre eles, porque querem exatamente o que ele quer, e não é Deus.

• Vamos voltar ao verso 16: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros…?” [Mateus 7:16]. Vejam isto. É quase um absurdo, o que Ele põe diante de nós. É algo, como eu disse, quase absurdo. É como se olhasse para eles e dissessem: “Vamos deixar isto bem claro. As uvas não são apanhadas dos espinheiros, são?”. Podem imaginar a multidão? “Bem, Jesus, sabemos que não é agricultor, é carpinteiro, mas, sim, acertou. Está certo o que disse”. Se alguém vier falar com você com um espinheiro e disser que é uma videira, não acredite. E continua, “…ou figos dos abrolhos?”. “Sim, Jesus, acertou outra vez. É assim”. Se alguém vier e disser, “é uma figueira”, não acredites nele, porque tem espinhos, e isso simplesmente não pode acontecer. É antinatural. E então, Ele diz, “Da mesma forma, você se intitula Meu discípulo, e não dá o fruto de um discípulo. Isso também é antinatural, contra a nova natureza que criei em todos os Meus discípulos”. É absurdo. É completamente absurdo dizer que é discípulo de Jesus Cristo, e não dar o fruto de Jesus Cristo.

• Vamos só parar um pouco. Porque queremos fugir o máximo possível do perfeccionismo. O verdadeiro crente luta com o pecado? Com certeza. Na verdade, a marca do verdadeiro crente é que ele confessa; não apenas confessa o nome de Cristo, mas a sua vida é marcada pela confissão do pecado. Um crente é sensível ao pecado na sua vida. E vai confessar muito mais do que o pecador não-convertido.

• Então, o que quer dizer “fruto”? Estamos falando de um estilo de vida.

• Agora vejam os versos 17-18: Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons”. Entendem o que está dizendo? É por isso que quero que percebam. Vou usar a palavra “ontologia”. Entendam do que estamos falando aqui, a salvação não é uma mera mudança de práticas, nem sequer é começá-las; não é ficar melhor, mais responsável. Não é um “objetivo para o Novo Ano”; não é essa firme convicção de querer ser uma pessoa diferente. Nada disso. A salvação é uma obra sobrenatural de Deus, pela qual alguém realmente se torna uma outra criatura, de fato.

• Ezequiel [veja Capítulo 36] põe as coisas desta forma: o meu coração de pedra — que não pode responder ao estímulo Divino porque odeia a Deus — foi retirado, e um coração de carne, que pode responder ao estímulo foi posto no seu lugar. Foi dado um novo coração, foi uma recriação, uma obra de Deus. O que ele está simplesmente dizendo aqui é que natureza e vontade estão diretamente relacionadas. E como o nosso querido amigo Martinho Lutero, podemos dizer que a vontade é escrava. De quê? Da natureza. A vontade segue a natureza. Tomar decisões de acordo com o que é. O que isto significa é que os homens são radicalmente depravados e pela sua natureza são inimigos de Deus.

• Portanto, a sua vontade é escrava do que eles são, e a sua vontade faz coisas perversas. As pessoas perguntam-me: “Há livre arbítrio?”. Eu digo: “Não vamos sequer responder a isso. Vamos um pouco mais à frente. A questão não é se há livre vontade/arbítrio, a questão é se há boa vontade”. Você é livre para decidir, mas apenas de acordo com a sua natureza, e a sua natureza é má, então o que vai fazer é o mal, a menos que Deus venha e dê um novo coração a você, a menos que Deus o regenere. E é isso que Jesus está ensinando aqui. Vejam o que Ele diz: “Toda a árvore boa produz bons frutos”. Ok? Olhamos para o mundo físico e concordamos; porque quando entramos no mundo espiritual não concordamos?

• Se você for ao melhor pomar do mundo, com as melhores árvores, encontrará algumas maçãs más. Mas pode dizer, “Esta é uma boa árvore”. Porque tem, literalmente, milhares de frutos saudáveis. Da mesma forma é aqui, está falando de um estilo de vida. Veem? A salvação é uma obra de Deus para demonstrar a Sua glória. É por isso que Ele não deixará que se desvaneça. Aquele que começou a boa obra, a terminará (Filipenses 1:6).

• Vamos para o verso 19: “Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo”. Vejam isto. Vejam isto. Vamos pegar o verso e compará-lo com isto: “Eu sei que o Johnny era um fornicador e drogado, e que não ia à igreja há 20 anos. Mas tenho a certeza que foi para o Céu porque me lembro que quando tinha 9 anos pediu a Jesus para entrar no seu coração”.

Mas, aqui diz que toda a árvore que não dá bom fruto, é cortada e lançada no fogo. Veem? Vejam o que fizemos! O Johnny devia ter sido avisado: “Johnny, não corre o risco de perder recompensas. Você está em risco de perder a sua alma no Inferno, Johnny!”.

• Para vocês, jovens, permitam-me dizer uma coisa: há homens, provavelmente aqui também — sei de um que está sentado aqui que aprendeu a ser um “cirurgião” nas Escrituras. Pega as verdades das Escrituras (tal como há outros homens que o fazem), e consegue cortar um coração ao meio. Pode pegar nestas Escrituras, cortar os corações maus e trazer-lhes cura. Mas, um bisturi, na mão de um tolo, matará pessoas. Vai matá-las. Um espírito crítico, uma mentalidade de profeta Messiânico, um desejo de ser radical só porque é radical, de pregar às pessoas para lhes mostrar que estão erradas e nem ficar acordado uma noite para orar pela sua salvação; se é um jovem, provavelmente não deve pregar isto. Pelo menos, por enquanto; e até os seus joelhos estarem muito feios. Porque quando falo isso, estou falando a alguns que são povo de Deus. E estou falando a alguns que não são povo de Deus, mas que serão. Seria algo terrível ser rude e duro com eles sem razão e fora da vontade de Deus, porque quando Ele voltar não queremos ser achados tratando mal os Seus servos (veja Mateus 24:48-49).

• Entendam, estamos vivendo num país em que o Evangelho está perdido. Mas creio que Deus o está recuperando. Creio que sim.

Vamos orar.

 

Pai, venho perante Ti e oro para que uses o que foi dito aqui. Oh, Deus, foi com grande temor. Senhor, fale através de pedras e mulas. Bendito seja o Teu nome, no Nome de Jesus, Amém.

 

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