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A Interpretação das Escrituras • Cap. 10 • A. W. Pink

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Capítulo 10

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É de primeira importância que o expositor tenha sempre em mente que não somente a substância e os sentimentos expressos nas Sagradas Escrituras são de origem divina, mas que todo o seu conteúdo é verbalmente inspirado. Suas próprias afirmações dão considerável ênfase sobre esse fato. Disse o santo Jó: “as palavras da sua boca guardei mais do que a minha porção” (23:12); ele não apenas venerava a Palavra de Deus em sua totalidade, mas altamente valorizava cada sílaba nela. “As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes” (Salmos 12:6). Acreditamos que essa é mais do que uma declaração geral sobre a preciosidade, pureza e permanência do que sai da boca do Senhor, pois deve ser devidamente notado que as afirmações divinas não são simplesmente comparadas à prata refinada numa fornalha, mas em “fornalha de barro”. Embora o Espírito Santo tenha usado o vernáculo da terra, contudo, Ele expurgou aquilo que usou de toda escória humana, dando a alguns de seus termos uma força totalmente diferente da sua origem humana, conferindo-lhes um maior significado e aplicando tudo com perfeição espiritual, como a expressão “purificada sete vezes” expressa. Assim, “toda a palavra de Deus é pura” (Provérbios 30:5).

O Senhor Jesus pôs repetidamente ênfase a esse aspecto da Verdade. Ao dar a conhecer aos Seus discípulos os requisitos fundamentais da recepção de suas respostas em oração, Ele disse: “Se vós estiverdes em mim [mantiverem um espírito de constante dependência e permanecerem em comunhão com Ele], e as minhas palavras permanecerem em vós [formando os seus pensamentos e regulando os seus desejos], pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7), pois em tais casos eles pediriam apenas o que seria para a glória de Deus e para seu próprio bem real. Novamente, Ele declarou: “As palavras que eu vos digo são espírito e vida” (João 6:63). A Palavra de Deus, então, é composta de palavras, e cada uma delas é selecionada pela sabedoria divina e posicionada com precisão infalível. Portanto, cabe a nós não pouparmos esforços na busca de conhecermos o significado exato de cada um dos seus termos, e mais diligentemente verificar a ordem exata em que eles são colocados, pois a correta compreensão de uma passagem se dá primeiramente por nossa obtenção de uma compreensão correta de sua linguagem. Isso deveria ser tão óbvio a ponto de não ser preciso nenhum argumento, mas é surpreendente o quão frequentemente esse princípio fundamental é ignorado e violado.

Antes de afirmar várias outras regras que devem orientar o expositor, aquelas que particularmente se relacionam mais diretamente com a interpretação de palavras e frases, vamos mencionar vários alertas que precisam ser observados. Em primeiro lugar, não assuma desde o início que tudo é simples e inteligível para você, pois muitas vezes as palavras da Escritura são usadas em um sentido diferente e mais elevado do que na linguagem comum. Assim, não é suficiente se familiarizar com o seu significado segundo consta no dicionário, antes temos de saber como eles são usados pelo Espírito Santo. Por exemplo, “esperança” significa muito mais na Palavra de Deus do que nos lábios dos homens. Em segundo lugar, não conclua que você chegou ao significado de um termo, por seu sentido ser bastante óbvio em uma ou duas passagens, pois você não está em uma posição para delimitar uma definição até ter avaliado cada ocorrência do mesmo. Isso exige muito trabalho e paciência, mas tal é necessário se quisermos ser preservados de ideias errôneas. Em terceiro lugar, não conclua que qualquer termo empregado pelo Espírito tem uma significação uniforme, pois esse está longe de ser o caso. A força dessas advertências será feita mais evidente nos parágrafos seguintes.

13. A limitação das declarações gerais. Informações gerais devem, muitas vezes, ser limitadas, tanto em si mesmas quanto em sua aplicação. Muitos exemplos desse princípio ocorrem no livro de Provérbios, e, obviamente, pois um provérbio ou ditado é um princípio geral expresso de uma forma breve, uma verdade moral estabelecida em linguagem condensada e universal. Assim: “Decerto sofrerá severamente aquele que fica por fiador do estranho, mas o que evita a fiança estará seguro” (11:15) anuncia a regra geral, ainda assim, existem exceções na questão. “A coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais” (17:6), no entanto, isso está longe de acontecer em todos os casos. “Aquele que encontra uma esposa, acha o bem, e alcança a benevolência do Senhor” (18:22), como muitos homens — o escritor inclusive — já descobriram, todavia, a experiência de não poucos tem sido o contrário. “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” (22:15), mas Deus reserva a Si mesmo o direito soberano de fazer esse bem a quem Lhe agrada, onde Ele não abençoa esse meio, a criança é endurecida em sua perversidade. “Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto” (22:29), embora, às vezes, os mais diligentes se encontram com pouco sucesso material.

Informações gerais devem ser qualificadas, quando as interpretarmos comparando-as, em um sentido ilimitado, com outros versos. Um desses casos é a proibição de nosso Senhor: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mateus 7:1), pois se essa afirmação fosse considerada sem qualquer restrição contradiria o Seu preceito: “julgai segundo a reta justiça” (João 7:24); mas quantas vezes esse preceito é lançado contra as cabeças daqueles que realizam um dever Cristão. A capacidade de pesar ou julgar, para formar uma estimativa e opinião, é umas das mais valiosas de nossas faculdades, e o uso correto disso é uma das nossas tarefas mais importantes. É muito necessário que nós tenhamos os nossos sentidos “exercitados para discernir [grego: “julgar completamente”] o bem e o mal” (Hebreus 5:14) se não queremos ser enganados pelas aparências, e levados por cada impostor de lábios bajuladores que encontramos. A menos que formemos um juízo do que é verdadeiro e falso, como podemos receber um e evitar o outro? Somos convidados a “acautelar-nos dos falsos profetas”, mas como podemos fazê-lo a menos que nós julguemos ou cuidadosamente meçamos cada pregador da Palavra de Deus? Somos proibidos de ter comunhão com as obras infrutuosas das trevas, mas isso nos obriga a determinar quais são essas. Cristo não estava aqui proibindo todo o julgamento dos outros, mas estava repreendendo um julgamento importuno ou autoritário; presunçoso, hipócrita, precipitado ou apressado, insustentável, injusto e impiedoso. Muita graça e sabedoria é necessária para que nós apliquemos corretamente essa palavra do nosso Mestre.

Outro exemplo pertinente é encontrado em nosso Senhor: “Não jureis” (Mateus 5:34). Na parte do Sermão do Monte em que essas palavras ocorrem, Cristo estava libertando os mandamentos divinos dos erros dos rabinos e fariseus, e reforçando o seu rigor e espiritualidade. No caso agora diante de nós, os mestres judeus haviam restringido os estatutos mosaicos sobre juramentos à simples proibição de perjúrio, incentivando o hábito de jurar pela criatura e jurar levianamente em uma conversa normal. Nos versos 34-37, nosso Senhor investiu contra essas tradições e práticas corruptas. Ele nunca pretendeu que Seu “não jureis” fosse tomado absolutamente fica claro a partir de Sua proibição que os homens jurassem por alguma criatura, e da Sua repreensão a todos os juramentos em conversas cotidianas. A analogia geral da Escritura revela a necessidade de juramentos em certas ocasiões. Abraão jurou a Abimeleque (Gênesis 21:23-24) e exigiu que o seu servo prestasse juramento (Gênesis 24:8-9); Jacó (Gênesis 31:53) e José (Gênesis 47:31) ambos fizeram um juramento. Paulo confirmou repetidamente seu ensino por solenemente chamar a Deus por testemunha (Romanos 9:1; 2 Coríntios 1:23, etc.). Hebreus 6:16, indica que os juramentos são tanto admissíveis quanto necessários.

Há muitas expressões usadas nas Escrituras indefinidamente em vez de especificamente, e que não devem ser entendidas sem qualificação. Algumas delas são mais ou menos aparentes, outras só podem ser descobertas por uma comparação e estudo de outras passagens que tratam do mesmo assunto. Assim: “…esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão” (Atos 28:28, e cf. 11:18) não significa que cada um deles seria salvo. Da mesma forma: “E a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente a verá” e “que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne” (Isaías 40:5; Atos 2:17) eram simplesmente anúncios que a graça de Deus transbordaria os limites estreitos de Israel segundo a carne. Assim também “o mundo” tem uma variedade de significados e muito raramente é sinónimo de toda a humanidade. Em passagens como João 7:4 e 12:19, apenas uma pequena parte de seus habitantes foram incluídos. Em Lucas 2:1, o mundo profano está em vista; em João 15:18-19, o mundo dos que professavam ser o povo de Deus, pois eram partidos religiosos de Israel que odiavam Cristo. Em João 14:17 e 17:9, os não-eleitos são referidos; compare com “o mundo dos ímpios” (2 Pedro 2:5), enquanto que em João 1:29 e 6:33, a referência é ao mundo dos eleitos de Deus, os que são realmente salvos por Cristo.

Outra palavra que é usada na Bíblia com considerável amplitude é “tudo”, e muito raramente é encontrada sem qualquer limitação. “E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22), obviamente, significa tudo o que pedimos que é segundo a vontade de Deus (1 João 5:14). Quando os apóstolos disseram a Cristo: “Todos te buscam” (Marcos 1:37), que “todos se admiravam” dos Seus milagres (Marcos 5:20) e que “todas as pessoas vieram a ele” no templo (João 8:2), essas expressões estavam longe de significar a soma total dos habitantes da Palestina. Quando Lucas diz aos seus leitores que ele tinha se “informado minuciosamente de tudo desde o princípio” (1:3), e quando somos informados de que Cristo predisse todas as coisas (Marcos 13:23) aos Seus apóstolos, tal linguagem não deve ser tomada absolutamente. Da mesma forma, afirmações como “porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera”, “este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei”, “porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens” (Atos 4:21, 21:28, 22:15), devem ser consideradas relativamente. Consequentemente, à luz desses exemplos, quando ele lida com “Ele morreu por todos” e “deu a si mesmo em resgate por todos” (2 Coríntios 5:15; 1 Timóteo 2:6), o expositor deve determinar a partir de outras Escrituras (como Isaías 53:8; Mateus 1:21; Efésios 5:25) se se intenciona toda a humanidade ou todos os que creem.

O mesmo é verdadeiro sobre a expressão “todo homem” (veja, por exemplo, Marcos 8:25; Lucas 16:16; Romanos 12:3; e compare com 2 Tessalonicenses 3:2; 1 Coríntios 4:5). Assim também o termo “todas as coisas”. Nem a passagem: “e eis que tudo vos será limpo” (Lucas 11:41), nem “todas as coisas me são lícitas” (1 Coríntios 6:12) pode ser tomada pelo valor literal, ou muitas Escrituras seriam desmentidas. “Fiz-me tudo para todos” (1 Coríntios 9:22), essa passagem deve ser explicada por aquilo que o precede imediatamente. “Todas as coisas” de Romanos 8:28, tem referência aos “sofrimentos do tempo presente”, e “todas as coisas” de 8:32, significa “todas as coisas que dizem respeito à vida e piedade” (2 Pedro 1:3). Os “tempos da restauração de todas as coisas” (Atos 3:21) é imediatamente modificado pelas palavras que se seguem imediatamente: “as quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio”, e certamente nenhuma delas previu a restauração do Diabo e seus anjos à sua antiga glória. O texto: “Para reconciliar consigo mesmo todas as coisas” (Colossenses 1:20) não deve ser entendido como ensinado expressamente o Universalismo, ou cada passagem afirmando a condenação eterna dos que estão sem Cristo seria desmentida.

14. Afirmações positivas com uma força comparativa. Muitas afirmações nas Escrituras são expressas de forma absoluta, ainda assim elas devem ser entendidas relativamente. Isto é evidente a partir desses exemplos explicados a seguir. “Não ajunteis tesouros na terra” (Mateus 6:19) esse verso é explicado no verso seguinte: “Mas ajuntai tesouros no céu”. “Trabalhai, não pela comida que perece” (João 6:27) não é uma proibição absoluta, como é demonstrado por: “mas pela comida que permanece para a vida eterna”. Da mesma forma: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:4), ou seja, nós devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. “Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega”, deve ser tomado relativamente, porque Deus frequentemente emprega tanto um quanto o outro como instrumentos para fazer essas mesmas coisas: “mas Deus, que dá o crescimento” (1 Coríntios 3:7), isso mostra onde a ênfase deve ser colocada, e Aquele a quem a glória deve ser atribuída. “O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura dos vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” (1 Pedro 3:3-4).

Há, no entanto, numerosos exemplos que não são imediatamente explicadas para nós, mas que a analogia da fé deixa claro. “Falou mais Deus a Moisés, e disse: Eu sou o Senhor. E eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, Yahwéh, não lhes fui perfeitamente conhecido” (Êxodo 6:2-3 – trad. lit.). No entanto, é bastante claro a partir das palavras de Abraão em Gênesis 15:6,8, a partir de seu chamado ao altar “Yahwéh-Jiré” (Gênesis 22:14), e a partir de Gênesis 26:2,24, e das palavras de Deus a Jacó em 28:13, que os patriarcas estavam familiarizados com esse título divino. Mas eles não O conheciam como o Cumpridor de Suas promessas ou Sua real fidelidade pactual; enquanto Moisés e os hebreus agora teriam prova de Sua palavra dita em Gênesis 15:13-14, e seriam trazidos para a terra de Canaã. “Os meus olhos estão continuamente no Senhor” (Salmos 25:15), isto deve ser entendido em harmonia com outras Escrituras que mostram que houve momentos em que os olhos de Davi foram afastados do Senhor, e, como resultado, ele caiu em graves pecados; no entanto, esse era o hábito do seu coração, o teor geral de sua vida espiritual. Veja 1 Reis 15:5, para mais uma demonstração comparativa sobre Davi.

“Sacrifício e oferta não quiseste”, isto é, não quiseste que continuassem por mais tempo, como o que se segue mostra; as sombras dão lugar à substância: “holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste” (Salmos 40:6). Essas últimas palavras devem, obviamente, ser entendidas relativamente, pelo fato de tais ofertas já terem sido requeridas por determinação divina. Mas mesmo a apresentação dos sacrifícios mais caros (o cordeiro, ou um boi) eram inaceitáveis ​​a Deus, a menos que procedessem daqueles que sinceramente desejavam obedecê-lO e servi-lO, como fica claro a partir de tais passagens como Provérbios 21:27 e Isaías 1:11-15. Conformidade comparativa com os preceitos da lei moral era muito mais importante do que a conformidade com a lei cerimonial (veja 1 Samuel 15:22; Salmos 69:30-31; Provérbios 21:3; Oséias 6:6; 1 Coríntios 7:19). Adoração é rejeitada, a menos que seja realizada por amor e gratidão. Semelhantemente devemos entender: “Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios” (Jeremias 7:22), aquelas não foram as primeiras ou principais coisas ordenadas. Não, “mas isto lhes ordenei, dizendo: Ouvi a minha voz”, isto é, a concepção de toda a revelação no Sinai foi inculcar a sujeição prática à vontade de Deus, e o ritual levítico era apenas um meio para esse fim.

Palavras que são usadas para expressar perpetuidade não devem ser estendidas para além da duração conhecida das coisas ditas. Como quando os judeus foram ordenados a manter certas instituições nas suas gerações como sendo ordenanças para sempre (Êxodo 12:24; Números 15:15), isso não significava que deviam fazê-lo por toda a eternidade, mas apenas durante a economia mosaica. Da mesma forma os montes perpétuos e outeiros eternos de Habacuque 3:6, só falava de permanência e estabilidade comparativa, pois a terra ainda seria destruída. “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita” (Mateus 6:3), isto não deve ser considerado absolutamente, caso contrário, qualquer ato de beneficência que viesse ao conhecimento de nossos companheiros seria proibido, e isso seria contrário à analogia da fé. Os Cristãos primitivos nem sempre escondiam as suas doações, como Atos 11:29-30 demonstra. O sigilo em si pode se tornar um manto para a avareza, e sob a pretensão de esconder boas obras nós podemos acumular dinheiro para gastar conosco mesmos. Há momentos em que uma pessoa de destaque pode justamente estimular os seus irmãos por seu próprio espírito de liberalidade. Este preceito divino foi projetado para conter a ambição corrupta de nossos corações pelo louvor dos homens. Cristo quis dizer que devemos realizar atos de caridade o mais discretamente possível, sendo a nossa principal preocupação ter a aprovação de Deus, em vez do aplauso dos nossos semelhantes. Quando uma boa obra foi feita, não devemos fazer questão de mantê-la em nossa mente, e em vez de congratular-nos a nós mesmos por causa dela, devemos prosseguir para outros deveres que ainda temos a fazer.

Não devemos concluir a partir dos termos de Lucas 14:12-13, que é errado que convidemos nossos amigos e parentes para participar da nossa hospitalidade, embora uma comparação seja assim expressa novamente em linguagem positiva; mas, antes, devemos fazer com que os pobres e necessitados não sejam negligenciados ou menosprezado por nós. “Porque a lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (João 1:17). Quantas vezes essas palavras foram mal interpretadas, sim, distorcidas; pois é um erro grave concluir a partir dessas palavras que não havia “graça”, sob a economia Mosaica ou que não haja nenhuma “lei” sob a economia Cristã. O fato é que o contraste não é entre as mensagens de Moisés e Cristo, mas as características de seus ministérios. “Vós não me vereis mais” (João 16:10), disse Cristo aos Seus apóstolos. No entanto, eles O viram! O que, então, Ele quis dizer? Que eles não O veriam novamente em um estado de humilhação, sob a forma de servo, em semelhança da carne do pecado, porque, naquela ocasião o veriam em Seu estado glorificado (compare com “semelhante ao Filho do homem”, Apocalipse 1:13). Atos 1:3, definitivamente, informa-nos que Cristo foi visto dos apóstolos durante quarenta dias depois da ressurreição, e, claro, Ele é agora visto por eles no Céu. Quando o apóstolo declarou: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Coríntios 2:2), ele não quis dizer que Aquele era o seu único tema, mas sim que Cristo era o seu assunto dominante e proeminente. Quando somos exortados: “Não estejais inquietos por coisa alguma” (Filipenses 4:6), nós certamente não devemos entender que os cuidados com o objetivo de agradar a Deus sejam proibidos, ou que não devemos ter profunda preocupação pelos nossos pecados.

Os exemplos acima (muitos outros poderiam ser adicionados) mostram que o cuidado constante é necessário para distinguir entre as declarações positivas e comparativas, e entre palavras com um sentido absoluta e aquelas palavras que possuem um sentido simplesmente relativo.
 

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