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A Interpretação das Escrituras • Cap. 7 • A. W. Pink

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Capítulo 7

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Contra as nossas concepções equivocadas de qualquer parte da Sua Verdade, Deus, em Sua graça e sabedoria, plenamente nos supriu ao nos conceder uma grande variedade de termos sinônimos e diferentes modos de expressão. Assim como os nossos variados sentidos, embora não sejam perfeitos, são eficazes para transmitir à nossa mente uma impressão real do mundo exterior por meio de sua operação conjunta, desse modo as comunicações diferentes e complementares de Deus através dos muitos escritores das Escrituras nos permitem rever as nossas primeiras impressões e ampliar nossa visão sobre as coisas divinas, ampliando o horizonte da verdade e nos permitindo obter uma concepção mais adequada da mesma. O que um escritor expressa em linguagem figurativa, outro apresenta em palavras simples. Enquanto um profeta evidencia a bondade e misericórdia de Deus, outro enfatiza a Sua severidade e justiça. Se um evangelista apresenta as perfeições da humanidade de Cristo, outro torna proeminente a Sua Divindade; se um O retrata como o Servo humilde, outro revela-O como o Rei majestoso. Um apóstolo insiste sobre a eficácia da fé, em seguida, outro mostra o valor do amor, enquanto um terceiro lembra-nos que a fé e o amor são apenas palavras vazias, a menos que eles produzem frutos espirituais. Assim, a Escritura exige ser estudada como um todo, e suas partes devem ser comparadas com as outras, se quisermos obter uma compreensão adequada da revelação divina. Muito no Novo Testamento é ininteligível quando separado do Antigo e não poucas coisas nas Epístolas exige os Evangelhos e os Atos para sua elucidação.

Mais especificamente, a importância de comparar Escritura com Escritura aparece na confirmação que é oferecida. Não que elas exijam qualquer tipo de autenticação, pois são a Palavra dAquele que não pode mentir, e devem ser recebidas como tal, por um consentimento sem reservas à sua autoridade divina. Não, antes, a nossa fé nelas devem ser o mais firme e totalmente estabelecida. Como o sistema de dupla entrada na contabilidade fornece uma verificação segura para o auditor, assim, pelas bocas de duas ou três testemunhas a Verdade é estabelecida. Assim, encontramos nosso Senhor empregando esse método em João 5, tornando manifesto a inescusável incredulidade dos judeus em Sua divindade, apelando para as diferentes testemunhas que atestaram o mesmo (vv. 32-39). Assim, Seu apóstolo na sinagoga de Antioquia, ao estabelecer o fato de Sua ressurreição, não se contentou em apenas citar o Salmo 2:7 como prova, mas apelou também ao Salmo 16:10 (Atos 13:33-36). Assim também em suas Epístolas: um exemplo notável disso é encontrado em Romanos 15, onde, depois de afirmar que “Jesus Cristo foi ministro da circuncisão para a verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos pais”, acrescentou, “e para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia”, citando o Salmo 18:49, como prova; porém, uma vez que esse era um ponto controvertido entre os judeus, acrescentou mais uma prova, observe o seu “E mais uma vez” no início de versos 10, 11 e 12. Assim também “por duas coisas imutáveis ​​[a promessa e o juramento de Deus]… tenhamos a firme consolação” (Hebreus 6:18).

As Escrituras necessitam ser comparadas com Escrituras para fins de elucidação. “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se tiver sede, dá-lhe água para beber; porque assim lhe amontoarás brasas sobre a cabeça; e o Senhor to retribuirá” (Provérbios 25:21-22). Os comentaristas são quase igualmente divididos entre duas visões completamente diferentes sobre o que é representado pela expressão figurativa “brasas” sendo amontoadas sobre a cabeça de um inimigo, quando o tratamos o gentilmente; uma parte argumenta que isso significa o agravamento de sua culpa, outros insistem que isso significa a destruição de um espírito de inimizade nele e a conquista de sua boa vontade. Ao comparar cuidadosamente o contexto em que essa passagem é citada em Romanos 12:20, a controvérsia é terminada, pois deixa claro que a última é a verdadeira interpretação, pois o espírito do Evangelho não ordena qualquer ação que garanta a desgraça de um adversário. Ainda assim, um apelo ao Novo Testamento não deve ser necessário a fim de expor o erro da outra explicação, pois tanto a Lei como o Evangelho ordena o amor ao próximo e a bondade para com um inimigo. Como João nos diz em sua primeira epístola, quando buscar nos inculcar a lei do amor, que ele não estava dando um “novo mandamento”, mas um mandamento que eles haviam recebido desde o início; mas que agora era aplicado por meio de um novo exemplo e motivo (2:7-8).

“E não podia fazer ali nenhuma obra maravilhosa; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos” (Marcos 6:5). Alguns Arminianos são tão determinados em negar a onipotência de Deus e a invencibilidade de Sua vontade que eles têm apelado para essa passagem como prova de que o poder do Seu Filho encarnado era limitado, e que havia ocasiões em que os Seus desígnios misericordiosos eram frustrados pelo homem. Mas uma comparação da passagem paralela em Mateus 13:54-58, ao mesmo tempo evidencia a mentira da afirmação de uma tal blasfêmia, pois ali somos informados que “e não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles”. Assim, não foi qualquer limitação em Si mesmo, mas algo neles que O deteve. Em outras palavras, Ele agiu por um senso de adequação à circunstância. A ênfase tanto em Marcos 6:5 quanto em Mateus 13:58 está na palavra “ali”, pois, como mostra o contexto, isso ocorreu em Nazaré, onde Ele foi desprezado. Realizar obras maravilhosas diante daqueles que O viam com desprezo seria, a princípio, lançar pérolas aos porcos; assim como seria inadequado realizar milagres para satisfazer a curiosidade de Herodes (Lucas 23:8); em outros lugares Ele fez muitas obras sobrenaturais. Em Gênesis 19:22, o Senhor não pôde destruir Sodoma até que Ló fugisse dali, enquanto em Jeremias 44:22, Ele “não podia mais suportar” as maldades de Israel; isso foi adequação moral, não incapacidade física.

A comparação é útil também para a finalidade de amplificação. Uma Escritura não somente apoia e ilumina a outra, mas, muitas vezes, uma passagem suplementa e amplia a outra. Um exemplo simples, embora impressionante, é visto no que é conhecido como a Parábola do Semeador, mas que talvez possa ser mais apropriadamente designada de: A Parábola do Grão e dos Solos. A importância profunda desta parábola é intimada a nós pelo Espírito Santo por Ele ter movido Mateus, Marcos e Lucas a registrarem a mesma. Os três relatos contêm algumas variações marcantes, e eles precisam ser cuidadosamente comparados a fim de obtermos o retrato completo estabelecido neles. O seu âmbito é revelado em Lucas 8:18: “Vede, pois, como ouvis”. Não fala do ponto de vista da realização dos conselhos divinos, mas de pôr em prática a responsabilidade humana. Isto é feito inequivocamente claro a partir do que é dito sobre o que foi semeado em boa terra: o frutífero ouvinte da Palavra. Cristo não o descreve como alguém “em quem uma obra da graça divina é operada”, ou “cujo coração havia se tornado receptivo através de operações sobrenaturais do Espírito”, mas sim como aquele que recebeu a Palavra em “um honesto e bom coração”. Verdade, de fato, é que a obra vivificante do Espírito deve ser previamente realizada em qualquer um assim receba a Palavra, de modo a tornar-se frutífero (Atos 16:14), mas esse não é o aspecto particular da verdade que nosso Senhor estava aqui apresentando; em vez disso, Ele estava mostrando que o próprio ouvinte deve buscar a graça de frutificar, se ele deseja dar fruto para a glória de Deus.

O próprio semeador é quase perdido de vista(!). Quase todos os detalhes da parábola tratam dos vários tipos de solo no qual a semente caiu, considerando-os ou improdutivos ou produtivos apenas de alguma frutificação. Nisso, Cristo apresentou a recepção que é dada à pregação da Palavra. Ele comparou o mundo a um campo, que é dividido em quatro partes, de acordo com os seus diferentes tipos de solo. Em Sua interpretação, Ele definiu os diversos solos como representando diferentes tipos de pessoas que ouvem a pregação da Palavra, e solenemente cabe a cada um de nós diligentemente examinarmos a nós mesmos, para que possamos determinar com certeza a que tipo nós pertencemos. Esses quatro tipos — a partir das descrições dadas sobre os solos e das explicações que Cristo forneceu sobre eles — podem ser respectivamente chamados de: o coração duro, o coração raso, o coração dividido e o coração íntegro. No primeiro, a semente não obtém sustentação; no segundo, ela não desenvolve nenhuma raiz; no terceiro, não havia nenhum espaço; no quarto, foi encontrado tudo o que de bom faltou nos ouros três, e, portanto, houve crescimento. Estes mesmos quatro tipos foram encontrados em todas as gerações, entre os que se sentaram sob a pregação da Palavra de Deus, e eles provavelmente existem em cada igreja e assembleia hoje na Terra; não é difícil distingui-los, se medirmos os Cristãos professos por aquilo que o Senhor afirma sobre cada um.

O primeiro solo é o ouvinte “junto ao caminho”, cujo coração é totalmente receptivo, como a estrada é batida e endurecida pelo tráfego do mundo. A semente não penetra em tal solo, e “as aves do céu” a arrebatam. Cristo explicou isso como sendo um retrato de alguém que “não compreende a palavra” (ainda que seja seu dever cuidar de fazê-lo – 1 Coríntios 8:2), e o maligno tira a palavra do seu interior; Lucas 8 acrescenta: “para que não se salvem, crendo”. O segundo é o ouvinte “solo rochoso”, ou seja, aquele solo que possui uma base de rochas, mas uma fina camada de terra por cima. Uma vez que não haverá terra profunda a semente não poderá desenvolver suas raízes, e o sol escaldante a fará definhar. Esta é uma representação do ouvinte superficial, cujas emoções são despertadas, mas que carece de qualquer exame de consciência e convicções profundas. Ele recebe a Palavra com uma “alegria” natural, mas (no relato de Mateus) “chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende”. Estes são os que não têm raiz em si mesmos, e consequentemente (como o relato de Lucas nos informa) “apenas creem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam”. Eles nada têm além de uma fé temporária e evanescente; muito tememos ser esse o caso da grande maioria dos “convertidos” em missões especiais e nas “campanhas evangelísticas”.

O terceiro, ou “solo o espinhoso”, é o ouvinte mais difícil de identificar, mas o Senhor graciosamente forneceu uma ajuda completa quanto a isso, aprofundando os detalhes de Suas explicações sobre o que os “espinhos” significam. Os três relatos dizem-nos que eles simples e naturalmente “cresceram”, o que implica que nenhum esforço foi feito para tratar de removê-los; e todas as três narrativas mostram que eles “sufocaram” a semente ou a Palavra. O registro de Mateus define os espinhos como “os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas”. Marcos acrescenta: “as ambições de outras coisas, entrando”. Enquanto Lucas menciona também “os deleitas da vida”. Assim, somos ensinados que há toda uma variedade de coisas que impedem qualquer fruto que está sendo levado à perfeição; contra cada uma destas coisas nós precisamos estar muito atentos e em oração. O ouvinte “solo bom” é aquele que “entende” a Palavra (Mateus 13:23), pois a menos que o seu sentido seja compreendido, ela de nada nos aproveita; provavelmente uma familiaridade experiencial também está incluída. Marcos 4 menciona “recebe-a” (cf. Tiago 1:21), enquanto Lucas 8 descreve esse ouvinte como recebendo a Palavra “em um coração honesto e bom”, que é aquele que se opõe a toda a presunção carnal e ama a verdade pelo que ela é, aplicando a Palavra ao seu próprio caso e julgando-se por ela; “a guarda”, preza e medita sobre ela, atende e obedece-a; e “produz fruto com perseverança”.

Em um capítulo anterior chamamos a atenção para Mateus 7:24-27, como um exemplo da importância de determinar o alcance de uma passagem. Vamos agora apontar para a necessidade de compará-la com a passagem paralela em Lucas 6:47-49. Nela os ouvintes da Palavra são comparados aos construtores sábios e aos tolos. Os primeiros constroem a sua casa sobre o fundamento da Palavra de Deus. O edifício é construído, e a esperança é cultivada. A tempestade que veio sobre a casa é a tribulação ou prova a que é submetida. Apenas Lucas começa seu relato dizendo que o homem sábio veio a Cristo, para aprender dEle. Sua sabedoria apareceu no problema que ele teve e as dores que sofreu a fim de encontrar uma base segura sobre a rocha. O relato de Lucas acrescenta que ele “cavou profundo”, o que se refere à sua seriedade e cuidado, e significa que ele buscou espiritualmente aproximar-se das Escrituras e de forma diligente examinou seu coração e profissão; esse cavar fundo está em proposital contraste com “porque não tinha terra profunda” (Marcos 4:5) do ouvinte “solo rochoso”. Apenas Lucas usa a expressão “com ímpeto” para descrever a violência da tempestade pela qual a casa foi provada: a sua profissão sobreviveu aos ataques do mundo, da carne e do Diabo, e ao escrutínio de Deus no momento da morte; o que prova que ele era um cumpridor da Palavra e não apenas um ouvinte (Tiago 1:22). Inútil é a confissão dos lábios a menos que seja confirmada pela vida.

A comparação de Escritura com Escritura é valiosa para fins de harmonização ou para a preservação do equilíbrio da Verdade, evitando assim que nos tornemos desequilibrados. Uma ilustração disso é encontrada em conexão com o que é chamado de “a grande comissão”, um registro tríplice desta, com variações notáveis, é dado no último capítulo de cada um dos Evangelhos Sinópticos. A fim de revelar um conhecimento correto ou total da completude da ordem que Cristo deu aos Seus servos, em vez de limitar a nossa atenção para apenas um ou dois destes relatos — como é agora tão frequentemente o caso — os três relatos precisam ser reunidos. Lucas 24:47, mostra que o dever do ministro é tanto “que o arrependimento e a remissão dos pecados sejam pregados em seu nome”, quanto a ordem que os pecadores “creiam nEle”; e Mateus 28:19-20, deixa claro que é dever do ministro tanto batizar aqueles que creem quanto depois ensiná-los a guardar todas as coisas que Ele ordenou, como também “pregar o evangelho a toda criatura”. A qualidade é ainda mais importante do que a quantidade! Uma das principais razões por que tão poucas das igrejas Cristãs em terras pagãs são autossuficientes é que os missionários deixaram muitas vezes de doutrinar e edificar seus convertidos exaustivamente, deixando-os em um estado infantil, enquanto partem para outros lugares buscando outras pessoas para evangelizarem.

O não cumprimento desse importante princípio está na base de grande parte da evangelização defeituosa de nossos dias, em que os perdidos são informados de que a única coisa necessária para a sua salvação é “crer no Senhor Jesus Cristo”. Outras passagens mostram que o arrependimento é igualmente essencial: “Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Marcos 1:15), “a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (Atos 20:21). É importante notar que, sempre que os dois são mencionados, o arrependimento sempre vem em primeiro lugar, pois em relação à própria natureza do caso, é impossível que um coração impenitente creia salvificamente (Mateus 21:32). O arrependimento é uma compreensão de minha culpabilidade por ser um rebelde contra Deus, e me desviar dEle e condenar-me. O arrependimento se expressa na tristeza amarga pelo e ódio ao pecado. Isso resulta em um reconhecimento de minhas ofensas e no abandono de coração dos meus ídolos (Provérbios 28:13), em um abaixar as armas da minha guerra e em um abandono sincero de meus maus caminhos (Isaías 55:7). Em algumas passagens, como Lucas 13:3 e Atos 2:38; 3:19, somente o arrependimento é mencionado. Em João 3:15 e Romanos 1:16; 10:4, apenas o “crer” é especificado. Por que é assim? Porque as Escrituras não são escritas como documentos de legisladores, em que os termos são exaustivamente repetidos e multiplicados. Cada verso deve ser interpretado à luz das Escrituras como um todo; assim onde somente o “arrependimento” é mencionado, o “crer” está implícito; e onde somente o “crer” é encontrado, o “arrependimento” é pressuposto.

7. Declarações breves devem ser interpretadas por outras mais completas. É uma regra invariável da exegese que, quando algo está mais clara ou completamente definido por um escritor do que por outro, o último sempre deve ser entendido à luz do primeiro, e o mesmo se aplica a duas declarações do mesmo pregador ou escritor. Particularmente esse é o caso com os três primeiros Evangelhos; as passagens paralelas devem ser consultadas, e a mais curta deve ser interpretada à luz da mais completa. Assim, quando Pedro perguntou a Cristo: “Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?”, isto não deve ser considerado como significando que um Cristão deve tolerar erros e exercer graça à custa da justiça; pois Ele antes havia acabado de dizer: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” [v. 15]. Não, antes a linguagem de Cristo em Mateus 18:22 deve ser explicada por Sua declaração mais completa em Lucas 17:3-4: “Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe”. O próprio Deus não nos perdoa antes que nos arrependamos (Atos 2:38, 3:19)! Se um irmão não se arrepende, nenhuma malícia deve ser nutrida contra ele; no entanto, ele não deve ser tratado como se nenhuma ofensa houvesse sido cometida.

Muito dano já foi feito por alguns que, sem qualificação, interpretaram as palavras de nosso Senhor em Marcos 10:11: “Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra, comete adultério contra ela”, sujeitando assim a parte inocente à mesma penalidade da parte culpada. Mas essa afirmação deve ser interpretada à luz de uma mais completa em Mateus 5:32: “Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério”, repetido por Cristo em Mateus 19:9. Nessas palavras, o único Legislador de Seu povo propôs uma regra geral: “Todo aquele que repudia sua mulher faz com que ela cometa adultério”, e então ele colocou uma exceção, ou seja, que onde o adultério aconteceu ele pode repudiar, e ele pode se casar novamente. Como Cristo ensina a legalidade do divórcio em razão de infidelidade conjugal, assim Ele ensina que é lícito o inocente se casar novamente depois de um tal divórcio, sem contrair culpa. A violação dos votos de casamento rompe o vínculo do casamento, e aquele que manteve os votos fielmente é, após o divórcio ser obtido, livre para se casar novamente.
 

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