Informação adicional

Autor

A Paixão de Cristo, por Thomas Adams

REF: 3cdbb2a7536d Categoria:

Descrição

“[Ele] se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” – Efésios 5:2b

Esta última parte do versículo é um claro e vívido crucifixo, talhado pela mão do mais primoroso escultor – não para maravilhar nossas aparências corporais com um pedaço de madeira, cobre, ou pedra, curiosamente gravado para o aumento de uma devoção carnal; mas para apresentar ao olho de nossa consciência a penosa paixão e graciosa compaixão de nosso Salvador Jesus Cristo, que “entregou a si mesmo por nós”. Este crucifixo apresenta ao olho de nossa consciência sete consideráveis circunstâncias. Os pontos encontram-se como prontos para o nosso sermão como o caminho de Betânia para Jerusalém: aquele que entrega, o que entrega, o que é entregue, entregue a quem, para quem, por quem, a maneira da entrega, [e] o efeito da dádiva.

I. QUEM: A pessoa que entrega é Cristo. A qualidade de Sua Pessoa altamente recomenda o Seu superabundante amor por nós.

A. Ascensão: Nós ascenderemos a esta consideração por quatro degraus ou níveis e desceremos por quatro outros. Em ambos, indo acima e indo abaixo, nós perceberemos o admirável amor do doador.

1. Nós O consideraremos um homem: “Eis aqui o homem” (João 19:5), disse Pilatos. Nós podemos permanecer e nos admirar em Seu mais baixo degrau que um homem possa entregar a si mesmo para outro homem. “Porque apenas alguém morrerá por um justo” (Romanos 5:7). Mas este Homem deu a Si mesmo por homens injustos, para morrer não uma comum, mas uma penosa morte, expondo a Si mesmo à Ira de Deus [e] à tirania de homens e demônios. Deveria apiedar os nossos corações por ver um pobre animal mudo tão aterrorizado; quanto mais o Homem, a imagem de Deus!

2. O Segundo degrau de Sua entrega, um homem inocente. Pilatos poderia dizer: “Eis que, examinando-o… nenhuma culpa… acho neste homem”; não, nem mesmo Herodes. Não, nem o Diabo, que poderia ter tido certo contentamento com uma tal vantagem. Assim, a esposa de Pilatos enviou ao seu marido a palavra: “Não entres na questão desse justo” (Mateus 27:19). Assim, a Pessoa não é apenas um homem, mas também um homem justo que entregou a Si mesmo para suportar tais horrores por nós. Se nós nos apiedamos da morte de malfeitores, como deveria ser a nossa compaixão para com um inocente!

3. No terceiro degrau, Ele não é apenas um homem e um bom homem, mas também um grande homem – descente da realeza dos antigos patriarcas e reis de Judá. Pilatos escrevera Seu título, e ele responderia: “O que escrevi, escrevi”, [e] não o alteraria. E qual era aquele? “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus” (João 19:19). Agora, como é a pessoa, assim é a paixão: o mais nobre doador, a mais excelente dádiva. Aquele tão grande Rei sofreria tal desprezo e descrédito a serem lançados sobre Ele, quando a menor parte de Sua desgraça teria sido muito para um homem de condição inferior; aquele homem, um bom homem, um grande homem, sofreu tal calúnia, tal calamidade, por nossa causa – aqui foi um incomparável, um inefável amor.

4. Isto é o suficiente, mas não é tudo. Ainda há um maior degrau a subir. É este: Ele era mais do que um homem – não apenas o maior dos homens, sim, maior do que todos os homens. Ele era mais do que o Filho do homem; [Ele era] o próprio Filho de Deus. Como o centurião reconheceu: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus” (Marcos 15:39). Aqui estão todos os quatro degraus para cima: um homem, um homem inocente, um homem principesco, e ainda mais do que um homem – mesmo o próprio Deus. Salomão foi um grande rei, mas aqui está [Alguém] maior do que Salomão. Salomão foi Christus Domini, mas aqui está Christus Dominus. Aquele era o ungido do Senhor, mas este é o Senhor Ele mesmo ungido. E aqui todas as línguas silenciam, e a admiração sela cada lábio. Este é um profundo som fora do alcance. Você pode, talvez, sonolentamente ouvir isto e ser afetado friamente por isto, mas, deixe-me dizer; principados e potestades, anjos e serafins, ficam maravilhados diante disto.

B. Descida: Nós vemos a ascensão. Deveremos nós trazer à baixo novamente esta consideração por tantos degraus?

1. Considerem-nO, Deus Todo-Poderoso, tomando sobre Si a natureza humana. Este é o primeiro degrau de descida. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1:14). E “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gálatas 4:4). Isto foi feito por revestir-se de nossa natureza, não por retirar a Sua própria. A Humanidade é unida à Divindade, mas a Divindade não é desassociada de si mesma. Ele é tanto Deus quanto homem, ainda assim, apenas um Cristo: um, não por confusão de substância, mas por unidade de Pessoa. Agora, nisto este eterno Deus tornou-se homem, Ele sofreu mais do que um homem pode sofrer, seja vivendo ou morrendo. Que o homem pudesse ter se tornado em um animal, em um verme, em pó, em nada, não é tão grande depreciação quanto que o Deus glorioso pudesse se tornar em homem. Ele que “não teve por usurpação ser igual a Deus… fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2:6-7). Ele que herdou “mais excelente nome do que” os anjos, tornou-se menor do que os anjos (Hebreus 1:4). Mesmo o resplendor da glória de Deus assume nEle a baixeza de nossa natureza; e Ele que estabeleceu as fundações da terra e fez o mundo está agora no mundo feito por Ele mesmo. Este é o primeiro degrau de descida.

2. O Segundo degrau o conduz ainda mais baixo. Ele é feito homem; mas que homem? Deixem-nO ser o monarca universal do mundo e ter a fidelidade e reverência devidas a Ele por todos os reis e imperadores como Seus vice-reis. Deixem-nO andar sobre coroas e cetros, e deixem príncipes comparecem em Sua corte – aqui havia alguma majestade que podia, um pouco, tornar ao Filho de Deus. Não semelhante conteúdo: “[Ele] tomou [sobre Si] a forma de servo” (Filipenses 2:7). Ele nos instrui a humildade por Seu próprio exemplo. “Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mateus 20: 28). [Oh, Israel] “mas me deste trabalho com os teus pecados” (Isaías 43:24). Ele entregou a Si mesmo como um servo, não como um mestre. Ele que é o Filho de Deus é feito servo do homem. Orgulhosamente cego e cegamente miserável homem, que tu possas ter tal servo como o Filho do teu Criador. Este é o segundo degrau de descida.

3. Isto ainda não é baixo o suficiente. “Mas eu sou verme, e não homem” (Salmos 22:6), disse o Salmista sobre Sua Pessoa – sim, a vergonha dos homens e desprezado do povo. Ele é chamado de o Rei da Glória: “levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória” (Salmos 24:7). Mas Isaías diz: “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens… era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Isaías 53:3). Oh, a piedade de Deus que aqueles dois pudessem vir tão próximos conjuntamente: o Rei da glória e o desprezo dos homens – a mais nobre majestade, a mais amorável humildade. Assim diz o apóstolo: “[Ele] esvaziou-se a si mesmo” (Filipenses 2:7). Ele que requer toda a honra como apropriadamente devida a Ele fez a si mesmo não de pouca, mas de nenhuma reputação.

Aqui havia desalento; sim, aqui havia rejeição. Deixem-nO ser colocado em Seu pobre berço, os Belemitas O rejeitaram – a manjedoura deve servir, [não havia] nenhum quarto para Ele na hospedaria. Sim, “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11). Todo o Israel é mui quente para Ele; Ele se apraz em voar para o Egito por proteção. Veio Ele a Jerusalém, a qual Ele honrou com Sua presença, instruiu com Seus sermões, maravilhou com Seus milagres, molhou e orvalhou com Suas lágrimas? Ele O rejeitaram! “quis eu… tu não quiseste” (Mateus 23:37). Veio Ele a Sua parentela? Eles O ridicularizaram e difamaram, como se eles estivessem com vergonha de Sua aliança. Veio Ele aos Seus discípulos? Eles “tornaram para trás, e já não andavam com ele” (João 6: 66). Permanecerão ainda os Seus discípulos com Ele? Então eles dizem: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68). Ainda assim, por fim, um O traiu, outro O negou, todos O abandonaram! E Jesus é deixado sozinho em meio aos Seus inimigos. Pode a malícia ainda adicionar algum agravante a mais a Sua depreciação? Sim, eles O crucificaram com os malfeitores; a qualidade de Sua companhia é feita para aumento de Sua desonra. Em meio aos ladrões, como se fosse o príncipe dos ladrões, disse Lutero, Ele que “não teve por usurpação ser igual ao [santíssimo] Deus”, é feito igual a ladrões e assassinos; sim, como se fosse, um capitão dentre eles. Este é o terceiro degrau.

4. Mas nós devemos ir ainda mais baixo. Contemplem agora o mais baixo degrau e a maior rejeição. “o Senhor me afligiu, no dia do furor da sua ira” (Lamentações 1:12). “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Isaías 53:10). Nenhum fardo parece pesado quando os consolos de Deus ajudam a carregá-lo. Quando Deus da consolo, a vergonha produz apenas ofertas e ataques inúteis. Mas agora, por rejeição de tudo anterior, o [Pai] vira as Suas costas para Ele como um estranho; o [Pai] O fere como a um inimigo. [Jesus] brada: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Salmos 22:1). Como pode o sol e estrelas, céu e terra, permanecerem enquanto o seu Criador assim queixa-se! O degrau anterior era profundo; Ele foi crucificado com iníquos, contado entre os ímpios. Ainda ladrões obtiveram melhor morte do que Ele. Nós não encontramos zombaria, nem insultos, nem provocações, nem ofensas contra eles. Eles não tinham nada sobre ele senão a dor; Ele [teve] tanto a desprezo quanto tormento [também]. Se desprezo e escárnio podem maltratar a Sua boa alma, Ele deverá tê-los em estrondos de artilharia atirados contra Ele. Mesmo o mais vil inimigo dará isto; Judeus, soldados, perseguidores, sim, padecentes malfeitores, não poupam escarnecer dEle. Seu sangue não pode satisfazê-los sem Sua reprovação. Os discípulos são apenas homens fracos, os Judeus apenas cruéis perseguidores, os demônios apenas inimigos maliciosos; todos estes fazem apenas o seu tipo. Mas o mais baixo degrau é [que] Deus O abandonou; e em Seus sentimentos, Ele é esquecido do Altíssimo. Pesem todas estas circunstâncias, e vocês verdadeiramente contemplarão a Pessoa que deu a Si mesmo por nós.

II. O QUE: Nós chegamos à ação. Dar é o argumento de uma disposição livre. “[Eu] dou a minha vida… Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la” (João 10:17-18). Ele que dá a vida para nós desiste de Sua própria vida por nós. Ele não vende, coloca, deixa, ou empresta, mas dá. Ele foi oferecido por que Ele seria oferecido… Ele veio com voluntariedade e celeridade; nenhuma resistência humana poderia impedi-Lo. Nem os cômoros de nossas menores enfermidades, nem as montanhas de nossas mais grosseiras iniquidades, poderiam parar a Sua misericordiosa marcha em nossa direção.

Informação adicional

Autor