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Adoração, por A. W. Pink

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Sem dúvida algum este é um dos melhores textos de A. W. Pink que já traduzimos!

A verdadeira Adoração é uma das coisas que tem sido mais terrivelmente deturpadas em nossa geração, e ter o privilégio de poder traduzir e ter acesso a um texto como este é de fato um motivo de tributar muitos louvores ao Senhor.

Errar neste ponto é errar em tudo, pois o fim principal do homem é a Adoração Verdadeira ao Deus Verdadeiro.

Neste curto mas valiosíssimo texto Pink nos fala sobre:

A Genuína Natureza da Verdadeira Adoração

As pessoas imaginam que se participarem de um culto, comportarem-se com reverência, juntarem-se ao canto dos hinos, ouvir respeitosamente o pregador e contribuir para a oferta, eles realmente adoraram a Deus. Pobres almas iludidas, uma ilusão que se agravara pelo ofício sacerdotal enxertado no pregador moderno. Contra esta ilusão estão as palavras de Cristo em João 4:24, que são surpreendentes em sua simplicidade e pungência: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.

Adoração Vã e Falsa

“Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Marcos 7:6-7). Estas palavras solenes foram ditas pelo Senhor Jesus aos escribas e fariseus. Eles vieram a Ele com a queixa de que seus discípulos não se conformavam com as suas tradições e práticas relacionadas com lavagens cerimoniais e limpezas. Em Sua resposta, Cristo expôs a inutilidade de sua religião…

Estes escribas e fariseus estavam levantando a questão do cerimonial “lavar as mãos”, enquanto seus corações permaneciam sujos perante Deus. Ah, caro leitor, as tradições dos antigos podem ser diligentemente atendidas, suas ordenanças religiosas observadas estritamente, suas doutrinas devotamente mantidas, e ainda a consciência nunca ter sido examinada na presença de Deus por uma razão pecaminosa. O fato é que a religião é um dos maiores obstáculos para que a verdade de Deus abençoe as almas dos homens.

A Exclusividade da Verdadeira Adoração

“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Este “importa” é definitivo; não há alternativa, não há escolha neste assunto. Não é a primeira vez que temos esta palavra muito enfática no Evangelho de João. Existem dois versículos notáveis ??em que ocorre anteriormente. “Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7). “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado” (João 3:14). Cada uma dessas três “necessidades” é igualmente importante e inequívoca. A primeira faz referência a Deus Espírito, pois é Ele quem regenera. O segundo refere-se à obra de Deus, o Filho, pois Ele é quem fez expiação pelo pecado. A terceira faz referência a Deus, o Pai, pois Ele é que busca adoradores (João 4:23). Esta ordem não pode ser alterada, a saber, que somente aqueles que nasceram do Espírito, e que estão descansando sobre a obra expiatória de Cristo são os que podem adorar o Pai.

A Natureza da Verdadeira Adoração

“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Adorar “em espírito” é usado para contrastar com os ritos e cerimônias carnais imponentes do Judaísmo. Adorar “em verdade” se opõe às superstições e ilusões idólatras dos pagãos. Adorar a Deus “em espírito e em verdade” significa de forma adequada à revelação plena e definitiva que Deus já fez de Si mesmo em Cristo. Significa adorar espiritual e verdadeiramente. Significa dar a Ele a homenagem de um entendimento iluminado e o amor de um coração regenerado.

Adorar “em espírito e em verdade” se opõe a uma adoração carnal que é externa e espetacular. Isto impede toda a adoração de Deus por meio dos sentidos. Nós não podemos adorar Quem é “Espírito”, por olhar para a arquitetura ornamentada e vitrais, ouvindo os estrondos de um órgão caro, pelo cheiro bom do incenso ou pelo “contar” de contas. Nós não podemos adorar a Deus com nossos olhos e ouvidos, ou nariz e mãos, pois eles são “carne” e não “espírito”. “O adorem em espírito e em verdade” exclui tudo o que é do homem natural.

Adorar “em espírito e em verdade” lança fora toda a adoração social. A alma é a sede das emoções, e muito do chamado culto da atual Cristandade é apenas social. Histórias tocantes, apelos comoventes, oratória emocionante de caráter religioso, são todos calculados para produzir isso mesmo. Hinos bonitos por um coro bem treinado, entoados de tal forma levar a lágrimas ou a êxtases de alegria que podem comover a alma, mas não vão e nem podem afetar o homem interior.

A verdadeira adoração é a adoração de um povo redimido, ocupados com o próprio Deus. O não-regenerado olha para a “adoração” como uma reverência que Deus exige deles, e algo que não lhes dá nenhuma alegria quando eles a praticam. Muito diferente é com aqueles que foram nascidos de cima e redimido pelo precioso sangue. A primeira vez que a palavra “redimido” ocorre na Escritura é em Êxodo 15, e é lá também, pela primeira vez, vemos um povo “cantando”, louvando, adorando o próprio Deus. Lá, nas margens distantes do Mar Vermelho, a Nação que tinha sido tirada da casa da servidão e liberta de todos os seus inimigos unida em louvor a Jeová.

“Adoração” é a nova natureza no crente posta em atividade, voltando-se para a sua fonte Divina e celeste. É o que é “espírito” (João 3:6) voltando-se para Aquele, que é “Espírito”. É aquela que é a “obra” de Cristo (Efésios 2:10) voltando-se para Ele, que nos recriou. São os filhos de forma espontânea e com gratidão voltando-se em amor em direção a seu pai. É o novo coração gritando: “Graças a Deus pelo Seu dom inefável” (2 Coríntios. 9:15). São pecadores, purificados pelo sangue, exclamando: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). Isso é adoração; a garantia de nossa aceitação no Amado, adorando a Deus por Ele ter nos dado a Cristo, e por Ele nos ter feito para estarmos em Cristo.

É digno de nossa atenção observar que a única vez que o Senhor Jesus falou sobre o assunto da Adoração foi em João 4. Tanto Mateus 4:9 e Marcos 7.6-7 foram citações do Antigo Testamento. Com efeito, devemos aplicar os nossos corações para descobrir que esta única ocasião em que Cristo fez observações diretas e pessoais sobre a adoração foi quando Ele estava falando, e não para um homem religioso como Nicodemos, nem mesmo aos seus apóstolos, mas, para uma mulher, uma adúltera, uma samaritana, uma semi-pagã! Verdadeiramente os caminhos de Deus são diferentes dos nossos.

Obstáculos à Adoração

O que é adoração? Louvor? Sim, mas é mais; a adoração e aquela que flui de um coração que está totalmente certo da excelência dAquele diante de quem ele se curva, expressando a sua mais profunda gratidão pelo Seu dom inefável. Estando ao mesmo tempo evidente que o primeiro obstáculo para a adoração de um filho de Deus é a falta de certeza. Enquanto eu entreter dúvidas quanto à minha aceitação em Cristo, enquanto eu permanecer em um estado de incerteza quanto a saber se os meus pecados foram expiados no Calvário, não posso, realmente, louvar e adorá-lO por Sua morte por mim; eu não posso realmente dizer: “O meu amado é meu, e eu sou dele” [Cânticos 2:16]. É um dos dispositivos favoritos do inimigo para manter os cristãos no “Pântano do Desânimo”, assim sendo seu objetivo é que Cristo não receba deles a homenagem de seus corações…

Que Deus nos ajude a Adorá-lO segundo a Sua prescrição, segundo o que Ele requer de Seu Verdadeiros Adoradores.

Deus! Faz-nos verdadeiros adoradores em o Nome de Teu Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo te pedimos. Amém!
 

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