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Anciãos e Diáconos Bíblicos, por Nehemiah Coxe

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Nehemiah Coxe era o filho do líder pioneiro Batista Particular [1] Benjamin Coxe [2]. Assim como seu pai, Nehemiah Coxe deixou-nos um preciosíssimo legado espiritual e teológico, em especial para os Batistas Confessionais, apesar de ser praticamente desconhecido em nosso meio. A obra, escritos e frutos dos esforços deste grande teólogo Batista Particular do século XVII, para a promoção da glória do Senhor Jesus são fontes de ricas bênçãos para nós hoje. Entendemos que para nosso proveito, edificação, firmeza e alegria na fé, e principalmente para a glória de nosso Senhor, a herança de Coxe, como é o caso deste sermão, não deve continuar sendo negligenciada. “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” (Hebreus 13:7).

Em 1669, Coxe entrou para a igreja de Bedford que ficou famosa por John Bunyan, e em 1673 foi chamado para servir como pastor de uma subcongregação da igreja em Hitchin. Em 1674, ele foi censurado pela igreja de Bedford por determinados “erros”. Pode ser que as palavras e as práticas de Coxe estivessem relacionadas com a questão da adesão aberta ou fechada [3], algo muito debatido na época. Benjamin Coxe defendeu claramente uma posição de membresia fechada em seus escritos publicados, enquanto a igreja de Bedford, e especialmente John Bunyan, resistiam a tal noção com grande vigor. Nehemiah veio a defender esses pontos de vista das pessoas de Bedford, as quais os viam como tendentes a causar rachas e divisões na congregação? Sua aparição na membresia fechada da igreja Petty France, logo após isso poderá nos ajudar a explicar esta situação.

Em 1675, Nehemiah Coxe e William Collins [4], dois homens de imensa importância para a história Batista Particular, foram ordenados como co-pastores da igreja de Petty France no mesmo dia. Esta igreja foi uma das sete igrejas de Londres originais que juntas publicaram a primeira Confissão de Londres de 1644/1646 [5]. Cada um deles foi tido em alta consideração por seus irmãos, sendo solicitados a produzirem obras teológicas significativas, e seriam, assim, bem capacitados para servir como editores [6] da Confissão de Fé. Coxe morreu em 1688, antes da Assembleia Geral [7] de 1689 [8], na qual a Segunda CFBL foi formalmente adotada como a declaração pública da fé de “vários Pastores, Mensageiros e Irmãos Ministros das Igrejas Batistas”, e de “mais de cem congregações da mesma fé que eles mesmos”. Embora seu nome não foi anexado à Confissão em 1689 [9], ele merece ser mencionado e lembrado ao lado de seu co-ancião em associação a este grandioso documento.

Coxe foi um médico qualificado, hábil em Latim, Grego e Hebraico, e um teólogo judicioso. Quando o evangelista de West Country, Thomas Collier, começou a desviar-se da ortodoxia Calvinista das igrejas de Londres, os anciãos em Londres solicitaram a Coxe que o respondesse por meio de um escrito impresso sobre as posições de Collier. Ele fez isso em 1677, em sua obra Vindiciae Veritatis, ou um Confutation of the Heresies and Gross Errors Asserted by Thomas Collier [Verdade Vindicada, ou uma Refutação das Heresias e Erros Grosseiros Afirmados por Thomas Collier]. Em uma breve epístola, no início de sua obra, que aborda a questão da “inferioridade em anos” de Coxe, afirma que ele não escreveu o livro fora de um senso de capacidade pessoal, mas a seu pedido, porque “nós o julgamos como estando capacitado para esta obra”, e porque suas responsabilidades no momento proporcionaram-lhe a oportunidade de responder aos erros de Collier. Eles disseram desta obra: “Nós esperamos, podemos realmente dizer, sem nomeadamente o respeito à sua pessoa, que ele tem se comportado com grande modéstia de espírito, juntamente com tal plenitude e clareza de resposta e poder de argumentação, que confortavelmente concebemos (pela bênção de Deus) de modo que esta obra pode mostrar-se um bom e soberano antídoto contra o veneno”. O livro é uma expressão muito poderosa da doutrina Reformada.

Em 1681, durante um período de perseguição, Coxe publicou a edição original da presente obra, originalmente intitulada A Sermon Preached at the Ordination of an Elder and Deacons in a Baptized Congregation in London [Um Sermão Pregado na Ordenação de um Ancião e de Diáconos em uma Congregação de Crentes Batizados em Londres].

Também em 1681, Coxe publicou A Discourse of the Covenants that God made with Men before the Law [Um Discurso Sobre os Pactos que Deus fez com o Homem Antes da Lei]. Este livro de Coxe — pela graciosa providência de nosso Deus, este discurso foi republica-do recentemente [10] — tornou-se um clássico e uma referência daquilo que hoje conhecemos como a Teologia Pactual dos Batistas Particulares Confessionais de 1689, ou simplesmente o Federalismo de 1689. [11]

A respeito de Coxe, um de seus contemporâneos, C. M. du Veil, em 1685, em seu Commentary on Acts [Comentário sobre Atos], chamou Coxe de “um grande teólogo, eminente em todos os tipos de erudição”, e referiu-se ao seu “excelente” livro Um Discurso Sobre os Pactos como repleto dos “mais poderosos e sólidos argumentos”.

É um fato claro que Nehemiah Coxe foi tido em alta consideração por seus irmãos, e foi claramente um teólogo notável; prova abundante disso pode ser visto neste maravilhoso sermão, puramente bíblico e precisamente fiel ao ensino extraído da fonte da Verdade, as Escrituras Sagradas.

Coxe morreu em 1688, antes da Assembleia Geral de 1689, deixando para trás um filho.

A vida e obra de nosso mui amado e estimado irmão Nehemiah Coxe ergue-se como um marco e exemplo da doutrina que é segundo a piedade; da constância no amor, na fé e na verdade; e da firmeza inabalável na luta pela verdade de Deus, revelada nas Sagradas Escrituras. Faríamos bem em atentar para o seu exemplo, pois certamente ele foi um imitador de Cristo. Amém! (Hebreus 13:7; 1 Coríntios 11:1; Filipenses 3:17).

Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível,
Ao único Deus sábio, Senhor e Salvador nosso,
Seja glória e majestade, louvor e honra, domínio e poder,
Agora, e para todo o sempre. Amém e Amém!

 

William Teixeira e Camila Almeida
EC, 8 de outubro de 2015.

 

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Notas:

[1] Batista Particular: Crentes Batistas que sustentam a visão bíblica da Expiação Particular. Isto é, que Cristo morreu pelos Seus eleitos, os escolhidos para a salvação, e que a Sua morte por eles foi eficaz para realmente remir os seus pecados (Mateus 1:21; João 10:1-30; Hebreus 10:14).

“Cristo não morreu por todos os homens, antes a redenção eterna que Cristo obteve pelo derramamento do Seu sangue (Levítico 17:11; Mateus 1:21; 20:28; João 10:11, 15; Romanos 8:30; Apocalipse 5:9) é especial e particular, isto é, foi projetada intencionalmente apenas para os eleitos de Deus, as ovelhas de Cristo, aqueles que foram dados pelo Pai a Ele antes da fundação do mundo, no Pacto da Graça, pois somente estes compartilham as bênçãos especiais e peculiares da mesma (João 17:6-10)… Sustentamos firmemente que não há falhas ou incertezas na expiação que Cristo consumou (Isaías 46:10; João 10:11, 14-15; 19:30: ‘Está consumado!’). Deus não permitirá que este valiosíssimo e preciosíssimo sacrifício Divino falhe no cumpri-mento daquilo que ele foi projetado para efetuar. Nem uma gota do santo sangue foi derramado em vão; o Senhor Jesus certamente verá o fruto de todo o trabalho da sua alma, e ficará satisfeito (Isaías 53:11). A morte substitutiva, expiatória e propiciatória de Cristo Jesus é tão infinitamente valiosa e perfeitamente eficaz que se Ele houvesse morrido por todos os homens, certamente, todos os homens seriam salvos” (Declaração de Fé EC, Capítulo XI — A EXPIAÇÃO PARTICULAR).

[2] Benjamin Coxe foi educado em Oxford ou Cambridge. Depois que se formou, ele recebeu a ordenação episcopal, e por um período considerável ele foi um seguidor do Arminianismo Romanista do Arcebispo Laud. Pela graça de Deus, seu coração foi mudado e sua mente iluminada, e ele se tornou um Batista firme. Ele era o filho de um lorde, bispo Inglês; e ele era um homem de profunda erudição. Sua influência em favor dos Batistas foi muito grande por todo o país. Ele veio para Coventry para encorajar a igreja Batista; Richard Baxter era, então, capelão da guarnição dessa cidade, e uma “disputa, primeiro de boca, em seguida, por escrito, sobre o batismo infantil”, ocorreu entre eles. O sr. Baxter, evidentemente, não tinha a melhor porção na controvérsia; pois quando o campeão dos Batistas veio novamente para Coventry ele foi preso, e o sr. Baxter foi acusado de ser o responsável por usar este conclusivo argumento para aquietar o sr. Coxe. O bispo de Kidderminster, enquanto negava esta acusação, sentiu que tal acusação era tão grave que tomou medidas para garantir a sua libertação. Ele já era um homem velho em 1644 (época em que foi formulada a Primeira Confissão de Fé Batista de Londres), mas a data de sua morte é desconhecida (William Cathcart's Baptist Encyclopedia, 1881 • Via: ReformedReader.org).

[3] Membresia aberta ou fechada: A posição “aberta” não exigia o Batismo (imersão em água de um crente sob sua profissão de fé) para adesão à membresia da igreja. A filiação “fechada” impedia de filiar-se à igreja aqueles que haviam sido aspergidos quando crianças e que nunca haviam sido imersos como crentes professos.

[4] William Collins recebeu uma educação completa, graduou-se Bachelor of Divinity [Bacharel em Teologia] e viajou pela Europa antes de ser chamado para servir em Petty France. Em um sermão de funeral pregado por John Piggott, quinze dias após a morte de Collins em 30 de outubro de 1702, é feita menção à encorajado-ra “Oferta que ele teve de unir-se à Igreja Nacional, o que ele judiciosamente recusou: pois foi a Consciência, e não o Capricho, que fizera dele um Dissidente”. A estima em que ele era tido por seus irmãos pode ser observada no fato de que ele foi solicitado pela Assembleia Geral para elaborar um Catecismo, e sobre a força disso, Joseph Ivimey afirma que “é provável que o Catecismo Batista tenha sido compilado por Collins, embora tenha sido chamado, por alguns meios, Catecismo de Keach”… Collins, de acordo com Piggott, “era um ancião estudioso e um bom pastor, conhecido por seu espírito pacífico. Os temas em que normalmente insistia no curso de seu ministério, eram as grandiosas e importantes verdades do Evangelho, com as quais ele lidou com grande juízo e clareza. Como ele desvelava as misérias da Queda! E de que forma comovente ele falava sobre a excelência de Cristo, e as virtudes de Seu sangue, e Sua vontade de salvar miseráveis, sobrecarregados pecadores despertados!… Seus sermões eram úteis sob a influência da Divina Graça, para converter e edificar, esclarecer e firmar, sendo extraídos da fonte da verdade, as Sagradas Escrituras, com a qual ele constantemente conversava em suas Línguas Originais, tendo lido os melhores Críticos, antigos e modernos; de modo que os homens de maior discernimento poderiam aprender com os Discursos de seu Púlpito, bem como os de capacidade mais mediana” (Leia mais em OEstandarteDeCristo.com).

[5] Baixe gratuitamente A Confissão de Fé Batista de Londres de 1644.

[6] Segundo James M. Renihan, dos 160 parágrafos que compõem a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, 146 são diretamente derivados da Declaração Savoy, oito são derivadas da Confissão de 1644 e seis do trabalho editorial de Collins e Coxe (Fontes Documentais da Confissão de 1689).

[7] “Após o Ato de Tolerância, que foi aprovado pelo Parlamento em 1688 e promulgado pelo rei em 24 de maio de 1689, os Dissidentes começaram a exercer a sua recém-obtida liberdade para reunirem-se publicamente para grande proveito. Em 1689, os Batistas se reuniram em Londres para sua primeira assembleia nacional. Este grupo de “vários Pastores, Mensageiros e Irmãos Ministros das Igrejas Batistas”, reuniram-se em Londres, de 3 a 12 de setembro de 1689, e afirmaram representar “mais de cem congregações da mesma fé que eles mesmos”. A fé comum que distinguiu este grupo de igrejas é especificada na página de capa como “as Doutrinas da Eleição Pessoal e Perseverança Final”. Este grupo se identificaria ainda mais em sua primeira reunião, adotando o que se tornaria conhecido como a Segunda Confissão de Fé de Londres. Esta confissão foi originalmente composta e publicada em 1677 tendo se originado na congregação Petty France sob a supervisão de William Collins e Nehemiah Coxe. A Confissão foi republicada em 1688 e, posteriormente, adotada pela Assembleia Geral em 1689. Os membros da assembleia declararam que esta Confissão continha “a Doutrina da nossa Fé e Prática” e expressava o seu desejo de que “os próprios membros de nossas igrejas sejam supridos com ela”. Quando a Confissão foi publicada pela terceira vez em 1699, ela incluía as assinaturas de trinta e sete ministros e mensageiros da Assembleia que permitiram que seus nomes fossem afixados “Em nome e em lugar de toda a Assembleia”. Entre os signatários estavam homens como William Collins, Hanserd Knollys, William Kiffin, Benjamin Keach e Hercules Collins” — Para saber mais sobre a Assembleia Geral Dos Batista Particulares de 1689, leia: Primeira Assembleia Geral dos Batistas Particulares (1689).

[8] Em seu livro Quem Foram os Puritanos?… e o que eles ensinaram?, Erroll Hulse, afirma que a Segunda Confissão de Fé Batista de Londres foi emitida de forma anônima em 1677, foi republicada abertamente em 1688, e popularizada em 1689. “Quando as condições melhoraram em 1688 foi possível publicar a Confissão que havia sido formulada anteriormente [i.e., em 1677], mas a perseguição sofrida impediu-a de ter uma grande circulação. A Confissão de 1677 tornou-se conhecida como A Confissão de Fé de 1689 somente pela maior divulgação que recebeu naquela época. Um relato dos acontecimentos que precederam a 1677 London Baptist Confession of Faith (Confissão de Fé Batista de Londres de 1677) é encontrado no livro Nossa Herança Batista (Erroll Hulse, Our Baptist Heritage, Chapel Library, 1993).

HULSE, Erroll. Como os Batistas se relacionam com os Puritanos? (Anexo II). In Quem Foram os Puritanos?… e o que eles ensinaram? 1ª ed. São Paulo: Editora PES, 2004, p. 233.

[9] Para saber mais sobre a Confissão de 1689 leia: A Introdução à Confissão por Gary Marble, em seu Comentário da CFB1689 & As Raízes da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 (ouça este artigo no YouTube, na voz de Rupert Teixeira).

[10] Nehemiah Coxe and John Owen, Covenant Theology From Adam to Christ [Nehemiah Coxe e John Owen, Teologia Pactual de Adão a Cristo], editado por Ronald D. Miller, James M. Renihan e Francisco Orozco (Owensboro, KY: Reformed Baptist Academic Press, 2005). Neste mesmo livro há também uma excelente biografia de Nehemiah Coxe, cf. James M. Renihan, “An Excellent and Judicious Divine: Nehemiah Coxe” [Um Excelente e Judicioso Teólogo: Nehemiah Coxe].

[11] Um entendimento bíblico e correto da Teologia Pactual dos Batistas Particulares Confessionais de 1689 é fundamental para todo aquele que pretende realmente confessar a CFB1689. Para saber mais sobre o Federalismo de 1689, acesse os websites: Federalismo1689.com (Rupert Teixeira) & Batista1689.com (Daniel Pompermayer).
 

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