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Autor

Formato

PDF

Páginas

21

Título Original

Justification By Faith (Sermon 3392)

Ano

2020

Justificação pela Fé

Descrição

Justificação pela Fé
(Sermão Nº 3392)

Um sermão publicado na terça-feira, 05 de fevereiro de 1914
Por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.
Na noite da noite do dia do Senhor, 28 de abril de 1867.

“Tendo sido, pois, justificados pela fé,
temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 5:1)

 

Nesta noite desejamos pregar sobre esse texto não meramente como uma questão doutrinária. Todos vocês creem e entendem o Evangelho da justificação pela fé, mas queremos pregá-lo como uma questão de experiência, como algo percebido, sentido, apreciado e compreendido na alma. Creio que existem muitos aqui que não apenas sabem que homens podem ser salvos e justificados pela fé, mas que também podem dizer através de suas próprias experiências: “Justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”, e que estão, neste exato momento, andando e vivendo no verdadeiro desfrute dessa paz.

Visto que desejo falar do texto nesse sentido, peço que vocês me acompanhem, não somente com os ouvidos e com a atenção que tão generosamente costumam dedicar, mas também com os olhos de seu autoexame, perguntando a si mesmo a cada instante: “Eu conheço isso? Eu recebi isso? Fui ensinado por Deus nessa questão? Fui levado a entender essa verdade?”. A nossa esperança é que alguma pessoa para quem essas coisas até agora tenham sido meramente coisas alheias, e portanto sem valor, seja guiada por Deus para se apossar delas, para que elas sejam valorizadas pela alma, pelo coração e pela consciência, e assim possa desfrutá-las e encontrar-se naquele estado que temiam nunca alcançar, a saber, em um estado de reconciliação com Deus, no qual alegremente desfrutam de paz com o Altíssimo.

Nosso primeiro pensamento será algo simples, uma conversa séria a respeito de:

I. ALGUMAS DESCOBERTAS PRELIMINARES QUE O HOMEM FAZ ANTES DE OBTER PAZ COM DEUS.

Penso que essas descobertas de forma alguma são estranhas ao texto, ou meramente impostas a ele, mas que lhe pertencem apropriadamente. Veja que Paulo antes falar sobre a justificação pela fé, estava falando sobre pecado. Não seria possível dar uma definição compreensível sobre a justificação sem mencionar que os homens são pecadores, sem informá-los que eles quebraram a santa lei de Deus, e que a lei, por e de si mesma, nunca poderia restaurá-los ao favor de Deus.

Algumas coisas que irei falar agora são absolutamente necessárias, se não para o meu sermão, o serão certamente para o seu entendimento espiritual, mes-mo que seja apenas um jota ou um til, acerca do que é ser justificado pela fé!

Então, quais são essas coisas? A primeira descoberta que, pelo Espírito de Deus, o homem é levado a fazer antes de ser justificado é que é importante ser justificado aos olhos de Deus. Muitas pessoas não sabem disso. Você pode entrar em uma loja nesta noite e encontrar um homem no balcão, e perguntar a ele:

— “Você nunca vai a um lugar de culto?”,
— “Não”, ele diria, “mas eu sou tão bom quanto aqueles que fazem isso”,
— “Como assim?”,
— “Bem, eu sou muito melhor do que alguns deles”,
— “Como é isso?”,
— “Eu nunca fracassei nos negócios, nunca enganei as pessoas com quem entrei em sociedade, nunca contei mentiras, não sou ladrão, não sou um bêbado, sou tão honesto quanto outros poderiam ser, e isso é bem mais do que você pode dizer sobre algumas pessoas religiosas”.

Ora, em parte, tal homem possui um bom caráter. Contudo, existe duas partes, ele só consegue enxergar uma: Que ele deve ser justo para com o seu próximo. Ele vê isso, mas não consegue ver que o homem também deve ser justo para com Deus. E se esse homem realmente pensasse um pouco, veria que as maiores obrigações de uma criatura devem ser, não para com seus semelhantes, mas para com seu Criador, e mesmo que um homem seja justo para com outro homem, ainda assim, ele pode ser completamente injusto para com Deus, e por isso, ele não pode escapar da mais severa penalidade. Mas, oh!, a maioria dos homens pensa que, desde que cumpra as leis da terra, desde que dê a seus semelhantes o que lhes é devido, não importa se o dia do Senhor é objeto de desprezo, se a vontade de Deus torna-se apenas pretexto para a realização da vontade dos homens e se a lei de Deus é lançada ao chão e pisoteada.

Penso que todos aqui irão colocar a mão na testa por um momento e pensar, que embora um homem possa ir diante do tribunal de seu país e dizer perante qualquer juiz ou júri, e dizer: “Em nada tenho prejudicado meu próximo, sou justo diante dos homens”, ainda assim, isso não torna o seu caráter perfeito. A menos que ele também seja capaz de dizer: “E eu também sou justo diante da presença do Deus que me criou, e de quem sou servo”, ele irá terá feito apenas uma parte, a parte menos importante, da lei de Deus para ele.

Nada pode ser mais importante para nós do que estarmos bem diante do grande Deus a quem tão logo retornaremos no grande dia, quando ele disser: “Voltem filhos dos homens”. Devemos então dedicar nossas almas àquele que nos criou. Bem, você certamente pode ir comigo até aqui — o que é necessário. Você sente, ou não, em seu coração um desejo de ser justo diante de seu Criador? Sou grato por você pode responder afirmativamente.

A próxima coisa é essa: Quando o Espírito de Deus leva um homem a Cristo, ele descobre que sua vida passada foi seriamente arruinada pelas graves ofensas à lei de Deus que cometeu. Antes de o Espírito de Deus entrar em nossa alma, nós estamos como que em um quarto no escuro, não podemos ver nada. Não podemos ver as teias de aranha, ou as próprias aranhas, as coisas sujas e repugnantes que podem estar escondidas ali.

Mas quando o Espírito de Deus penetra na alma, o homem fica surpreso ao descobrir que ele é o que é — e especialmente se ele abrir o livro da lei, e for iluminado pela luz do Espírito divino, à medida que lê que a lei é perfeita e então compará-la com seu próprio coração e vida imperfeitos. Ele se sentirá mal quanto a si mesmo, com repugnância e, às vezes, desespero.

Consideremos apenas um mandamento. Talvez haja alguns aqui que dirão:

— “Eu sei que fui muito casto durante toda a minha vida, pois o mandamento diz: ‘Não cometerás adultério’, e nunca o quebrei, sou puro nisso”.

Sim, mas agora ouça Cristo explicar esse mandamento: “Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mateus 5:28). Agora, então, quem dentre nós pode dizer que nunca fez isso? Se esse é o significado do mandamento, quem na terra pode dizer: “Eu sou inocente”?

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Título Original

Justification By Faith (Sermon 3392)

Ano

2020