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Os Três Pactos de Deus: Pacto de Obras, Pacto da Graça e Pacto da Redenção

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O que é o Pacto de Obras e por que essa questão é importante?

Para compreender bem a Queda do homem, é necessário explicar o quadro teológico no qual ela aconteceu, ou seja, o Pacto das Obras. Essa aliança, mesmo não sendo denominada, é claramente subentendida no primeiro parágrafo do capítulo 6 e em vários outros lugares da Confissão de Fé [1689]:

 

(Parágrafo 1). Deus criou o homem justo e perfeito, e lhe deu uma lei justa, que seria para a vida se ele a tivesse guardado, ou para morte, se a desobedecesse. Porém o homem não manteve por muito tempo a sua honra.

 

É dessa forma que os teólogos Reformados tradicionalmente entenderam o Pacto de Obras feito com o homem no Éden. Adão foi criado com um fim, esse fim era a vida eterna. A árvore da vida no Jardim do Éden representava a recompensa prometida ao homem e a árvore do conhecimento do bem e do mal representava a condição a ser guardada (Gênesis 2:9, 17; Apocalipse 22:2). Ainda que Adão não tivesse pecado, ele não tinha a vida eterna. Esta consiste em estar confirmado na vida em comunhão com Deus (João 17:3). Adão estava em comunhão com Deus, mas ele podia cair desse estado. A vida eterna é uma vida imortal, sem possibilidades de corrupção (1 Coríntios 15:53). Adão, claramente, não tinha chegado ao estado de imortalidade e de incorruptibilidade, uma vez que se corrompeu e morreu.

Como deveria ele alcançar a vida eterna? Guardando perfeitamente a Palavra/Lei do Senhor (Lucas 10:25-28; Mateus 19:16-17). Deus lhe “deu uma lei justa, que seria para a vida se ele a tivesse guardado”. A Lei não está baseada sobre o princípio de gratuidade da graça pela fé (Romanos 4:4; Gálatas 3:12), mas sobre o princípio das obras de obediência (Romanos 10:5): “Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas”. A Escritura chama esse princípio de “a lei das obras” (Romanos 3:27) e ele constitui o fundamento da aliança entre Deus e Adão: o Pacto de Obras.

Nós chamamos esse período de inocência, que deveria levar à vida eterna, de “período de provação”. A ideia é que o homem não deveria viver ad vitam aeternam com a possibilidade de decair de sua perfeição original. Pela obediência, ele deveria selar o mundo na justiça e ser ele mesmo confirmado na vida eterna. Como podemos afirmar todas essas coisas sobre Adão e sobre o Pacto de Obras? Comparando-o ao segundo Adão de quem ele mesmo era uma figura (Romanos 5:14; 1 Coríntios 15:45). O último Adão, Jesus Cristo, tinha uma missão que deveria realizar de “uma vez por todas” (Hebreus 9:12); seu período de provação terminou no final de sua missão (João 19:30). Adão tinha, portanto, uma missão a cumprir, ao final dela, ele teria a vida como recompensa. No entanto, “o homem não manteve por muito tempo a sua honra”.

O Pacto de Obras, embora prove a bondade e a generosidade de Deus (cf. 1689 7.1), é uma aliança inteiramente condicional. Ela traria recompensas em caso de obediência, mas, igualmente, maldições em caso de desobediência. Dessa maneira, a vida e a morte foram colocadas diante do homem (Gênesis 2:17; Deuteronômio 30:15). Aqui está o final do parágrafo 1, que diz como aconteceu a desobediência do homem:

 

(P. 1). Satanás valeu-se da astúcia da serpente para seduzir Eva, em seguida, esta seduziu a Adão, que, sem qualquer compulsão, deliberadamente transgrediram a lei de sua criação, e a ordem dada a eles, de não comer o fruto proibido, do que Deus foi servido permitir este pecado deles, de acordo com Seu conselho sábio e santo, havendo determinado ordená-lo para a Sua própria glória.

A Queda do homem ocorreu sob a influência de Satanás. Ele é astuto e procura todos os meios possíveis para enganar (1 Coríntios 11:3, 14). Ele tinha um interesse particular em seduzir aquele sob cujos pés o Criador havia colocado todas as obras (Salmo 8:6), pois, assim, ele usurparia o poder sobre o mundo criado por Deus (Lucas 4:6; Efésios 2:2; Hebreus 2:5-16). Para chegar ao homem, Satanás enganou a mulher (2 Timóteo 2:14) e quebrou assim a harmonia entre eles e Deus (Gênesis 3:12).

O homem não deve, contudo, ser visto como uma simples vítima da sedução de Satanás. Adão, “sem qualquer compulsão, deliberadamente transgrediu a lei de sua criação, e a ordem dada a eles, de não comer o fruto proibido”. Seguindo a Sagrada Escritura, a Confissão afirma a inteira responsabilidade moral do homem face ao pecado. Tal rebelião do homem contra Deus não é pequena, sobretudo quando consideramos quem é Deus (cf. o capítulo 2 da Confissão) e a distância entre Ele a o ser feito de pó que quis ser Deus (Gênesis 3:5).

Por que o Senhor não interveio para impedir o homem de transgredir a aliança feita entre ele e Deus? “Do que Deus foi servido permitir este pecado deles, de acordo com Seu conselho sábio e santo, havendo determinado ordená-lo para a Sua própria glória”. Os capítulos seguintes da Confissão provarão essa afirmação ao apresentar as doutrinas da salvação e da redenção.

O Pacto de Obras é altamente importante por pelo menos duas razões. Sem ele, é impossível compreender biblicamente a Queda e suas consequências para a humanidade. O Pacto de Obras fornece o quadro legal que nos permite compreender o que é o pecado e em que ele implica para toda a criação. Toda interpretação do mal que não esteja fundamentada em uma compreensão bíblica do Pacto de Obras está equivocada. Em segundo lugar, a doutrina do Pacto de Obras é absolutamente essencial para a compreensão da redenção. Essa aliança demonstra o que deve ser feito pelo homem para alcançar a vida eterna: uma perfeita obediência a Deus sem a menor transgressão. Somente depois da Queda, essa perfeita obediência não poderia evitar a punição de morte, pois o pecado, tendo entrado no mundo, deveria ser punido por Deus. Esse é o motivo pelo qual o segundo Adão se tornou “obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8).

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