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Sermão Nº 172, Examinai as Escrituras, por C. H. Spurgeon

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Pregado na manhã de Sabath, 17 de janeiro de 1858. Por C. H. Spurgeon, no Music Hall, Royal Surrey Gardens.

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.” (Isaías 8:20)

 

QUANDO os homens não aprendem de Deus, quão enormemente a sua loucura cresce! Se eles desprezam a sabedoria que vem do alto, quão dolorosamente Deus lhes permite provar a sua própria ignorância! Quando um homem não se curva diante de Deus, o Altíssimo, imediatamente ele constrói para si um ídolo. Ele faz uma imagem de madeira ou de pedra e ele se degrada curvando-se perante a obra das suas próprias mãos. Quando os homens não recebem o testemunho das Escrituras a respeito da criação de Deus, logo eles começam a formular teorias que são mil vezes mais ridículas do que eles já se esforçaram para fazer o relato bíblico da mesma! Deus os deixa, se eles não aceitam Sua solução do problema, a tatear outra, e sua própria solução é tão absurda que todo o mundo, exceto eles mesmos, têm bom senso suficiente para rir! E quando os homens deixam o Livro Sagrado da Revelação ah, meus amigos, aonde eles vão? Nós achamos que, no tempo de Isaías foram para lugares estranhos, pois ele diz no versículo 19 que eles buscavam espíritos familiares aos feiticeiros que chilreavam e murmuravam. Sim, eles procuravam coisas sobre a vida entre os mortos e se tornavam os ludibriados da feitiçaria! É maravilhoso que os homens que mormente queixam-se de todos os trilhos da fé são notáveis ​​pela credulidade. Um dos maiores incrédulos no mundo que chamou a si mesmo um livre-pensador a partir de seu nascimento, encontra-se agora cambaleante diante de seu túmulo, acreditando no mínimo em um absurdo que uma criança pode refutar! Não se importando de ter Deus em seus corações, abandonando a Fonte viva, eles têm cavado para si mesmos cisternas rotas que não retêm as águas. Que possamos, cada um de nós, ser mais sábios! Que não abandonemos o antigo bom caminho, nem deixemos o caminho que Deus tem preparado para nós. Que assombro se nós viajássemos entre os espinhos e abrolhos e rasgássemos a nossa própria carne ou, pior do que isso, caíssemos entre montanhas escuras e nos perdêssemos entre os abismos das mesmas, se nós desprezássemos a orientação de um Pai inerrante! Procure na Palavra de Deus e leia! Examinai as Escrituras, porque nelas cuidais ter a vida eterna e são elas que dão testemunho de Jesus Cristo!

Sinto neste momento a particular crise dos assuntos religiosos que é imperativo sobre o ministro Cristão exortar o seu povo a manter firme as doutrinas da verdade de Deus: as Palavras de Deus. Parece provável que se torne a era da pregação, ao invés da era da oração. Agora vemos em todos os lugares grandes assembleias reunidas em salões e paróquias para ouvir a Palavra pregada. E é um mau sinal dos tempos que esses sermões agora não são somente defendidos pelos ortodoxos, mas, mesmo por aqueles a quem nós consideramos ser pelo menos um tanto heréticos da antiga fé da Igreja Protestante. Torna-se, portanto, uma coisa grave, séria. É mais provável — e não pode cada homem sábio vê-lo? — que todo aquele que pode agora levantar-se, que tenha alguns poderes de oratória e algumas graças da eloquência serão susceptíveis de atrair a multidão, pregando aquilo que ele consegue, embora a palavra que ele irá proferir seja tão falsa como a Palavra de Deus é verdadeira e tão contrária ao Evangelho como o inferno se opõe ao Céu! Não lhes parece provável que nesta época ele atrairia uma multidão de seguidores? E não é também muito provável que, por meio da caridade espúria que agora está crescendo entre nós — o que amordaçaria a boca dos censuradores honestos — iremos achar que é difícil repreender o impostor quando ele surge e difícil de expor as mentiras, mesmo que elas possam ser evidentes para nós?

Estamos agora felizmente tão bem misturados conjuntamente, o dissidente e o clérigo agora se tornaram muito amigáveis ​​uns com os outros, de forma que temos menos a temer os efeitos do dogmatismo do que os efeitos do latitudinarismo! Nós temos agora alguma razão para estar em cima da torre de vigia para que não suceda que alguém surja em nosso meio, a prole espúria desses momentos felizes da aliança evangélica, que reivindicará a nossa caridade, enquanto eles estão pregando aquilo que em nossos corações faz-se totalmente condenável! E qual é o melhor conselho que o ministro pode dar em tempos como estes? Para que livro deve ele recomendar seus ouvintes? Como ele deve mantê-los firmes? Onde está a âncora que ele deve dar-lhes para lançar nas rochas? Ou onde estão as rochas em que ele deve lançar sua âncora? Nosso texto é uma solução para essa questão. Estamos aqui equipados com uma grande resposta para a pergunta: “À lei e ao testemunho. Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles”.

Em primeiro lugar, me esforçarei nesta manhã para exortá-los a levar certas coisas das quais estamos receosos, à que uma importância supersticiosa possa ser vinculada: “À lei e ao testemunho”. Em segundo lugar, tentarei mostrar os bons efeitos que se seguirão, se cada um de vocês rigorosamente trouxer tudo o que vocês ouvem e crerem: “À Lei e ao testemunho”. E, em terceiro lugar, vou dar-lhes algumas razões poderosas pelas quais você deve submeter tudo a essa pedra de toque sagrado. E eu vou encerrar, oferecendo-lhes alguns poucos conselhos sobre como vocês podem fazer isso verdadeira e proveitosamente.

I. Permitam-me exortar-lhes sobre trazer certas coisas “à Lei e ao Testemunho”.

 

1. Em primeiro lugar, eu teria de trazer as ideias engendradas a você pelo seu primeiro treinamento para o teste do Livro de Deus. É muito mais o costume das pessoas dizer: “Não fui eu nascido na Igreja da Inglaterra? Não deveria, por isso, continuar nela?”. Ou, por outro lado “não foi a minha avó uma Imersionista? Porventura não convinha que eu, por isso, continue na denominação Batista?”. Deus não permita que eu diga alguma coisa contra seus parentes veneráveis ​​e piedosos, ou que vocês prestem qualquer desrespeito ao seu ensino! Nós sempre respeitamos os seus conselhos, mesmo quando não podemos recebê-los, para o bem da pessoa que os oferecem a nós, conhecendo a sua formação, eles devem mesmo ter-se enganado, no entanto, foram bem-intencionados. Mas reivindicamos para nós, como homens, que não devemos ser alimentados com doutrinas como fomos alimentados em nossa infância indefesa, com comida escolhida para nós. Afirmamos que devemos ter o direito de julgar se as coisas que temos recebido e ouvido estão de acordo com este Livro Sagrado. E se descobrirmos que em algo a nossa formação tem sido errônea, não consideremos que estamos violando qualquer princípio de afeto se ousarmos vir diante de nossas famílias e participarmos de uma denominação que sustenta princípios muito diferentes daqueles que nossos pais haviam defendido! Lembremos cada um de nós que como Deus deu a cada homem uma cabeça sobre seus ombros, todo o homem é obrigado a usar sua própria cabeça e não a de seu pai. Deus deu juízo ao seu pai. Bem e bom. Ele julgou por si mesmo. Ele deu-lhe um julgamento, julgue por si mesmo, também! Diga a respeito de tudo o que você recebeu em sua infância: “Bem, eu não vou ligeiramente comungar com isso, pois pode ser de ouro esterlino, mas, ao mesmo tempo, eu não vou guardá-lo cegamente, pois pode ser moeda falsa. Vou sentar-me para estudar o Livro Sagrado e eu me esforçarei, tanto quanto eu puder, comigo mesmo para fazê-lo sem preconceitos. Vou ler a Bíblia como se eu nunca tivesse ouvido qualquer pregador falar, ou nunca houvesse sido ensinado por um dos pais. E eu, então, esforçar-me-ei para descobrir o que Deus se diz e o que Deus disser, seja o que for, eu acreditarei e abraçarei, esperando que por Sua graça eu também possa sentir o poder disto em minha própria alma”.

2. Lembre-se, também, de trazer os pregadores do Evangelho a este padrão. Uma grande maioria de vocês conhece apenas muito pouco sobre o que é Evangelho. A noção geral das massas é que somos, cada um de nós, corretos; que, apesar de que hoje eu possa contradizer alguém e outra pessoa possa me contradizer, ainda assim todos nós estamos certos! E embora seja traição ao senso comum acreditar em tal coisa, todavia isso é uma ideia comum! Alguns homens sempre acreditam como o último orador. Se eles ouvem o mais hiper dos hiper-Calvinistas, eles creem com todo seu ser na doutrina da reprovação. Eles irão ouvir, no dia seguinte o menor dos Arminianos, e eles acreditam com ele no mais universal dos resgates e no mais poderoso livre-arbítrio. Eles irão, em seguida, ouvir o verdadeiro Calvinista, que prega que o homem destruiu a si mesmo, mas em Deus sua ajuda é encontrada, talvez, então eles acham que este homem se contradiz e pela primeira vez eles se rebelam contra seus professores! Mas é provável que se eles ouvissem essa pessoa novamente, eles seriam facilmente reconciliados com aparentes contradições; para eles, basta a aparência do homem, basta apenas a maneira como o homem diz a coisa e eles gostam ou não do que ele diz!
 

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