Informação adicional

Autor

Seu Amor Soberano!, por Anne Dutton

REF: 33d147678454 Categoria:

Descrição

“Assim diz o Senhor… Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3).

Assim diz a Igreja de Cristo: “em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam”. (Cânticos 1:4).

***

Anne Dutton (1692-1765) foi uma Cristã Batista Calvinista Inglesa, poeta e escritora. Suas cartas sobre temas espirituais são assim descritas: “Aqui há um banquete para as almas que desejam alimentar-se de Cristo; ter as Suas glórias desveladas diante deles, e as riquezas da graça Divina estabelecidas em toda a sua plenitude e franqueza. Aqui, também, há alimento para os 'cordeiros do rebanho’, conforto para os aflitos, e incentivo para os queridos fracos e trêmulos. Há nessas cartas uma união de ensino doutrinário, experimental, e prático, raramente encontrados reunidos”.

Com a sua pena mui firme e doce, Anne foi capacitada por Deus a escrever meditações mui belas e gloriosas, pois verdadeiras, sobre este oceano infinito, sem fundo nem litoral, no qual todos do povo amado do Senhor são como que imersos, “um oceano infinito de alegria e glória, onde eles devem viver, e banhar-se, e mergulhar para o louvor da glória do amor infinito pelos séculos sem fim de uma eternidade feliz!”: O eterno, livre, soberano, distintivo, grande, e imutável amor de Deus!

Oh riqueza inestimável! Coma da gordura, e beba da doçura:

***

Alegro-me que o Senhor muitas vezes refrigerou a sua alma com a grandiosa palavra (Jeremias 31:3), “Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí”.

Estas palavras que foram ditas pelo Senhor à Sua Igreja e povo no passado, são faladas por Ele ao Seu povo agora, e para todos os que serão chamados pela graça até o fim dos tempos. E sobre todos eles, mesmo todos os Seus escolhidos, que foram, são ou serão reunidos em Cristo desde o princípio do mundo até o fim de tudo, como um corpo coletivo, e para cada um deles individualmente, o Senhor diz: “Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí”. Quando o Senhor (versículo 2) havia dado ao Seu povo a compreensão da graça que eles encontraram no deserto, quando, embora castigados eles não foram completamente destruídos, como os seus pecados mereciam — a Igreja, tomada com essa maravilhosa graça, que foi exibida no deserto em poupar e preservar um povo tão provocador a Deus, que merecia ter sido cortado totalmente, e não ter tido a promessa cumprida gloriosamente na terra de Canaã, ela vem e diz (versículo 3): “Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo”, ou seja, no deserto. “Oh”, como se ela dissesse: “que milagres da graça o Senhor efetuou para mim no deserto!”.

Sobre o que o Senhor fala, e leva-a à origem, nascente e fonte da graça em Seu próprio coração, de onde esse fluxo glorioso surgiu através de Sua mão que tão grandemente tocou a sua mente — “Sim”, diz o Senhor, “você disse verdadeiramente, Eu apareci a você gloriosamente no passado — mas eis que o Meu amor por você era mais antigo do que essa data! Com amor eterno te amei — com um amor de eternidade, que tem estado em Meu coração por você antes que o tempo começasse — e, portanto, Eu te atraí, assim, com bondade no deserto, e tenho atraído você da mesma forma para a terra de descanso”.

“Sim”, diz o Senhor, “olhe para frente também para toda felicidade futura que Eu farei com que você possua — não por um dia ou apenas uma vez, mas através de todos os tempos — e por toda a eternidade. E eis sustento seguramente tudo isso para você, para derramar sobre você o Meu amor do coração — Pois, Eu te amei com um amor eterno — com um amor por você que durará por todas as sucessivas eras de tempo, por uma eternidade sem fim. Eu te amei, e, portanto, com benignidade te atraí — Eu te amo, e Eu te amarei, e com bondade Eu te atraí. A fonte infinita, o imenso oceano do Meu amor, ainda fluirão sobre você em ribeiros abundantes de bondade, por que Eu ainda vou atrair e chamar você, até que Eu tenha te atraído para e em Mim mesmo, para um completo gozo do amor infinito à felicidade desconhecida e eternidade sem fim — até as alturas da glória — em e para uma vasta eternidade!”.

Se o amor de Deus para com o Seu povo é um amor eterno, uma vez que diz respeito à eternidade passada, é necessário que seja um amor livre, na medida em que foi estabelecido em Seus escolhidos em Cristo antes de terem feito o bem ou o mal — sim, mesmo antes, na mente eterna de Deus, que eles fossem vistos como tendo qualquer bondade neles, pois não pode haver bondade em qualquer criatura, além do que Deus resolveu dar-lhe a partir de Si mesmo — o oceano infinito da bondade. E o Seu decreto de conceder bondade, bondade especial, ou graça especial, a uma criatura e não a outra, vem de Seu amor soberano por uma criatura — quando Ele passou, ou não amou assim a outro, segundo o beneplácito de Sua vontade; não porque o povo de Deus era melhor que outros, o Senhor estabeleceu o Seu amor sobre eles e os escolheu, mas porque o Senhor os amou. Ele os amou porque Ele quis amá-los, porque Ele quis ter compaixão de quem Ele teve compaixão, e mostrou misericórdia a quem Ele quis mostrar misericórdia.

Ah, quão silenciosa deveria estar toda a carne diante da infinita soberania, e como deveriam adorar o soberano livre amor aqueles que são os felizes objetos do mesmo! E como o amor de Deus para com o Seu povo é livre, também é distintivo — Eu te amei, diz o Senhor — e não a outros — “Amei Jacó, mas odiei a Esaú”, embora Esaú fosse o irmão de Jacó. Oh, a natureza distintiva do amor eterno de Deus quando Ele escolheu um remanescente em Seu Filho amado para a vida eterna e glória com Ele, e deixou o restante em um estado de criaturas caídas, para desfrutar de uma perfeição da vida natural por um curto período de tempo apenas em felicidade do Éden, em seu primeiro pai Adão; quando Ele designou Seu eleito para alcançarmos a salvação por Jesus Cristo como futuros pecadores, e nomeou justamente o restante à ira por seus pecados.

Oh, quem deve responder contra o Senhor soberano de todos? “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?”. E que tipo de amor é este, que resolveu mostrar as riquezas de Sua glória a milhares de pessoas, um grupo incontável embora um número determinado, em criá-los para a glória eterna, quando todos estavam igualmente afundados na Queda de Adão, e por seus próprios pecados para o deserto da morte, em miséria eterna? Amor soberano, de fato! E tão grande quanto era soberano — foi com grande amor que Deus amou Seus eleitos, mesmo quando mortos em pecados. E como esta grandeza foi demonstrada na grande dádiva da morte de Seu Filho por suas vidas, e o dom do Espírito para eles por sua vivificação!

Mais uma vez, como o amor de Deus é um amor eterno com relação à eternidade por vir, ele parece nisso ser um amor imutável. O que é eterno deve, em relação a essa duração infinita, ser imutável. E através de todo o espaço sem limites, de eternidade através do tempo e à eternidade — o amor de Deus pelo Seu povo é imutável de acordo com a Sua própria glória infinita, a partir da imutabilidade de Sua natureza cujo nome é, EU SOU O QUE EU SOU! Aquele é o Senhor que não muda.

Oh, meu caro senhor, o amor eterno de Deus é um amor livre, soberano, distintivo, grande, e imutável!

É um amor inseparável. Os objetos felizes dele nunca, nunca podem ser separados dele! Nem a morte, nem a vida, nem alturas ou profundidades, as coisas presentes nem coisas por vir, jamais serão capazes de separá-los do amor de Deus! O amor de Deus pelo Seu povo é um oceano sem fim, sem limites, sem fundo que engole seus pecados inumeráveis e montanhosos em suas profundezas infinitas, que transborda todas as suas grandes provocações, a sua mais vil ingratidão, sua maior indignidade, e que sempre flui em sua força triunfante, e de acordo com Suas riquezas infinitas, para o suprimento completo de todas as suas necessidades, até que tenha amado os Seus amados objetos em Sua própria imagem de acordo com sua medida de criatura; até que tenha amado, de modo a remover todo o pecado deles, e colocar toda a graça neles; até que tenha libertado de toda a morte e miséria, e os erguido nesse amor como o elemento de suas vidas; e, em seguida, será para eles, como vasos de misericórdia, um oceano infinito de alegria e glória, onde eles devem viver, e banhar-se, e mergulhar para o louvor da glória do amor infinito pelos séculos sem fim de uma eternidade feliz!

Mas oh, nem as línguas dos homens nem dos anjos podem expressar, muito menos o manifestar do balbuciar de um bebê, a metade — a milésima parte — das glórias infinitas do amor eterno de Deus! Feliz, três vezes feliz, para o tempo e para a eternidade, são aquelas almas abençoadas que salvificamente participam deste amor eterno de Deus; que fruem e devem aproveitá-lo para sua felicidade inefável e infinita, embora a milésima parte das glórias do amor infinito nunca possam ser expressas.

Mas quem, oh! quem são aqueles que são os objetos do amor de Deus, os queridos do coração de Deus, a quem Ele amou e Se deleitará em amar, e amar como Deus, desde agora e para sempre? Eles são todos aqueles que são capacitados a crer em Jesus, que procuram, que vêm, que se curvam a Cristo como o Salvador ungido para sua própria salvação; que desejam Cristo acima de todas as coisas com a sua porção, e dão-se a si mesmos ao Senhor, para serem salvos nEle com uma salvação eterna, para o louvor da glória de Sua graça para sempre. Pois este amor eterno de Deus, este amor livre, distintivo, grande, imutável e inseparável de Deus está em Cristo Jesus nosso Senhor. NEle o amor foi fixado sobre os felizes objetos do mesmo, e nEle ele é e será apreciado por eles. Nem um único, que está em Cristo pela fé, se dirige à Ele, a Cidade de Refúgio, para a sua libertação da ira vindoura — é senão, um objeto do amor de Deus, tem um completo e eterno interesse salvífico no amor eterno de Deus, e terá o prazer presente e eterno do mesmo, em sua atual vida espiritual na graça, e para a sua vida eterna na glória.

E é você, irmão, um dos que creem em Jesus? Você é um daqueles que desejam-nO acima de todas as coisas com a Sua porção? Você corre para Cristo para Refúgio da ira vindoura? E você deseja ser salvo no Senhor para o Seu louvor presente e eterno? É você, você, individualmente, aquele que é um objeto do amor de Deus. É você tão realmente como se Ele tivesse amado ninguém além de você! É você aquele que tem um interesse inteiro e eterno no amor eterno de Deus! Você daria milhares de mundos se você os tivesse, para ter certeza de seu interesse no amor imutável de Deus? Você está assim sedento por esse rio, essa fonte, esse oceano de água da vida? Embora você não tenha mil mundos, não, nem um ácaro de merecimento para dar para a manifestação do amor de Deus, Cristo Jesus, o Senhor lhe dará desta fonte da água da vida livremente. Oh, livremente! Que você possa ver-se ser o mais indigno, embora seus pecados e medos sejam inumeráveis, que você tenha feito tantas coisas más, quanto você poderia contra o Senhor, e apesar de ter agido aleivosamente, e seja inclinado a desviar-se dEle diariamente — o Senhor, seu amante infinito, vai lhe dar o Seu amor livremente! Ele satisfará a sua alma abundantemente nesta vida com alegria, e depois, a glória eterna! Você que está sedento pelo amor de Deus, você não morrerá por falta dele. Não, irmão, sua alma é formada para o amor, e feita ter sede, a fim de ser preenchida, e com toda a plenitude de Deus, no amor, você será feliz e eternamente satisfeito!

Em amor, então, ao Deus de amor, não duvide mais de Seu amor. Acredite no Seu amor, e dê a si mesmo à Ele em amor, o Deus do amor e da paz será com você.
 

Informação adicional

Autor