Informação adicional

Autor

Tribulação, por Anne Dutton

REF: 02a9bd9a16df Categoria:

Descrição

Uma das mais lindas Cartas da Sra. Dutton que já lemos até aqui. Graças a Deus por Sua bondade sem fim!

***

Querida Irmã,

Graça e paz te sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor.

É o prazer de nosso querido Pai exercitar você de uma forma muito particular, e mantê-la assim por muito tempo. Mas, não fique abatida por isso, como se algo estranho tivesse ocorrido, pois o Senhor repreende e castiga a todos quantos ama. Mas pode ser que você diga: “Minha aflição é muito incomum, já dura por muito tempo, e é provável que dure por todo o tempo em que eu estiver neste mundo”.

Bem, pode ser assim. No entanto, lembre-se que o amor especial de Deus por você ordenou essa aflição em particular, e a Sua bondade eterna ainda a mantém sobre você. Este foi o meio da sabedoria infinita desvelar a demonstração do amor sem limites por você. Por meio disso você deve ser feita conforme a Cristo em sofrimentos e capacitada a uma conformidade com Ele em glória. Desde que a livre graça te salvou, permita-lhe operar a sua salvação em sua própria maneira. Embora você passe por muita tribulação, o Reino está no fim da jornada. Eu não duvido que o Senhor, às vezes, tenha demonstrado muito de Seu amor por sua alma nas presentes aflições, todavia as descobertas mais brilhantes estão no porvir. A grande abertura do coração de Deus, no dom de toda aflição, está reservada para nós até que atravessemos o Jordão, no outro lado da morte, na terra prometida. Então, nós lembraremos de todo caminho em que o Senhor nos guiou em meio ao deserto, e veremos que era o caminho reto para a cidade de Deus.

Então, os mistérios da Divina Providência serão desvelados, a nuvem será retirada de cada dispensação sombria, e o véu de nossos entendimentos. Ali as fontes secretas de amor sem limites, infinita sabedoria e onipotência que ordenaram, governaram e regularam todos os momentos da providência, para a glória de Deus e nosso benefício, serão abertas, pois O veremos como somos vistos. Quando chegarmos ao Céu, nós bendiremos a Deus por todas as tribulações, até mesmo a mais amarga, mais dolorosa, mais longa aflição que ocorreu em nossa vida mortal; porque veremos como o Senhor ininterruptamente realizou os decretos de Sua própria glória e nossa salvação por cada mudança que ocorreu conosco.

Enquanto isso, devemos viver pela fé, e nos esforçar por uma crescente submissão à vontade Divina sob as repreensões mais dolorosas; e bendigamos a Deus por cada golpe, até que a graça seja tragada em glória, quando a nossa vontade, com a maior complacência, para sempre fluirá para a vontade de Deus. E mesmo agora nós temos razão não somente para sermos pacientes, mas também para nos alegrarmos e nos gloriamos na tribulação. E se os olhos da nossa fé fossem fortes o suficiente para ultrapassarem a nuvem das providências aflitivas e discernirem o amor do coração de nosso Pai, que como uma infinita profundidade, oculta-se abaixo, e é a fonte de todas as dispensações, nós cantaríamos na tristeza, teríamos deleite em meio as angústias e glorificaríamos a Deus na fornalha!

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17). Há três coisas que compõem estas palavras, nas quais eu desejo que você seja capacita a meditar frequentemente:

Em primeiro lugar, a leveza da tribulação dos santos.
Em segundo lugar, a brevidade dela.
Em terceiro lugar, o benefício de todas as suas tribulações presentes.

Em primeiro lugar, a leveza da tribulação dos santos. “Nossa leve tribulação”. Não é dito que as aflições do mundo são leves; mas a NOSSA aflição é leve. E é assim, se comparada com o que nós merecíamos, e ao que os condenados no Inferno suportam. Leve, se comparada com o que Cristo, uma vez suportou, quando, por nós, Ele foi o Homem de dores, e experimentado em sofrimentos. Leve, porque pela virtude do sofrimento de Cristo por nós em nosso lugar e posição, a maldição é removida de todas as nossas aflições. Novamente, elas são leves, porque a onipotência está engajada em nos apoiar debaixo delas; por debaixo estão os braços eternos.

Nós não temos que ser, não somos, nem seremos deixadas sozinhas ao passarmos por qualquer tribulação. O Deus de Jacó é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. O Senhor Jesus é o nosso doce Companheiro na tribulação. Ele está conosco, simpatiza conosco em nossos sofrimentos, de modo a nos sustentar sob nossos fardos, perdoar toda a nossa incredulidade e impaciência quando na fornalha, e finalmente completamente e gloriosamente nos libertar e purificar-nos como o ouro, sete vezes refinado.

Nenhuma aflição, de fato, no presente é alegre, mas triste para a nossa carne frágil. É assim em si mesma, todavia muito mais para nós, porque vivemos tanto pelo sentido, e tão pouco pela fé. Cada tribulação que ocorre conosco tem uma luz, bem como um lado escuro. E nós devemos olhar para todas as aflições com visão dupla; como oprimindo e entristecendo a fraca natureza, é, em si, má; e convoca à submissão à vontade Divina. Mas então, enquanto a mesma aflição é vista como fluindo a partir do amor de Deus, e efetivamente direcionada para a Sua glória e nosso benefício, assim é boa, e deve ser um motivo de nossa alegria e ação de graças.

Deixemos, então, isso para aqueles que não têm nenhuma participação no Deus de toda a graça, a saber, pensar que as tribulações são pesadas; pois, ai daqueles que estão sozinhos. Mas, quanto a nós, que temos uma participação salvificamente em Deus (em todas as Suas Pessoas e em todas as Suas perfeições, como envolvidos no Pacto para o nosso bem), prossigamos nos regozijando na tribulação, considerando todas as nossas aflições, como de fato elas são, leves.

Em segundo lugar, a brevidade da tribulação dos santos é motivo de grande consolo; ela é apenas por um momento. Um momento é apenas um curto tempo — a menor porção de tempo; e a este momento as nossas aflições mais longas são comparadas. Suponha que elas durassem enquanto estivermos neste mundo; ainda assim, mesmo toda a nossa vida, se comparada com uma vasta eternidade é senão como um momento; e como o Sr. Dod bem diz: “O que pode ser grande para Ele que considera o mundo como nada? Ou longo prazo, para Ele que considera a sua vida, apenas como um vapor?”.

Oh! Se nós estivéssemos mais frequentemente em intimidade com a eternidade, isso faria com que as tribulações deste tempo presente parecessem momentâneas. Se nós vivêssemos mais com as perspectivas da glória vindoura, nós nos lembraríamos das tribulações como águas que já passaram; que estão aqui em um momento e passaram no próximo. Mas, infelizmente! tal é a nossa insensatez, que estamos tomando o pensamento de um grande tempo por vir, e assim fazemos das “tribulações do futuro imaginado”, presentes angústias; considerando que, se estivéssemos sob os mais pesados fardos, e pensássemos em não mais do que um dia (e bastando a este o seu próprio mal), vivendo pela fé nas fronteiras da glória, como quase entrando nas mansões de descanso, isso aliviaria as nossas dores, e faria com que a tribulação mais longa, parecesse breve.

Se pudéssemos, assim, argumentar conosco mesmas, a cada dia: “Bem, eu estou mais um dia perto de casa; pelas aflições do dia anterior, eu nunca mais passarei, e talvez, antes que eu veja um novo dia neste mundo, eu possa ver o dia da glória, uma manhã que não terá nuvens, nem noite para sucedê-la, não haverá tristezas, pecado, nem a morte para obscurecer o seu brilho!”. Oh, que meio este seria para aumentar a nossa paciência, e fazer-nos de um espírito resiliente! E que questão de consolo é que enquanto as nossas aflições de nossa breve vida ocorrerem, Cristo estará conosco nelas! Quando nós passarmos pelas águas Ele estará conosco, e quando pelos rios, eles não nos submergirão; quando passarmos pelas ondas da aflição, elas não nos afogarão; e quando andarmos pelo fogo, este não nos queimará, nem as tribulações ardentes nos consumirão. Os pés dos sacerdotes pararam firmes, em seco, no meio do Jordão, até que todo o Israel acabou de passar [Josué 3:17]. Assim, o nosso querido Senhor Jesus permanecerá em meio às angústias, dividindo as águas diante de nós, até que todos os Seus filhos as tenham passado completamente. Sua presença conosco na tribulação a tornará leve; e Sua bondade que liberta dela, a tornará momentânea.

Em terceiro lugar, o proveito dos santos na tribulação é também um encorajamento para a fé e paciência; isso opera para nós. Mas o que ela opera? Ora, nada menos do que a glória! E ela opera glória para nós, pois nos prepara para a glória. A glória foi preparada para nós, e estabelecida sobre nós, no Pacto eterno de Deus com o Seu Filho, antes que o mundo existisse. E a tribulação é um meio utilizado pela infinita sabedoria, poder e graça para preparar-nos para a glória; glória que foi preparada para nós antes do tempo, e durará por um espaço eterno além dele. E quem poderia pensar que é muito suportar a tribulação, quem a vê ser apenas para o aperfeiçoamento de suas graças, e que o exercício de cada graça deve ser achado em louvor, honra e glória no aparecimento de Cristo.

Agora, então, tragamos as coisas para a balança do Santuário, e aprendamos a julgá-las corretamente. Reunamos todas as tribulações da vida de um crente, e as coloquemos em uma balança, e a glória na outra, e vejamos se ela não as supera infinitamente, especialmente, se lançarmos os pesos adicionais que estão do lado da glória! Aqui está a tribulação de um lado, mas a glória do outro; leve tribulação, momentânea, mas um peso de glória, sim, um excedente, um mui excedente e eterno peso de glória! Bem pode o apóstolo dizer: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18).
 

Informação adicional

Autor