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Um Discurso Sobre Oração, por John Gill

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"Então o que? Orarei com o Espírito, e orarei com o entendimento também.” (1 Coríntios 14:15)

O propósito dessa epístola é principalmente reprovar a Igreja em Corinto pelas divisões e contendas que havia lá, quanto a preferências em relação aos seus ministros: uns eram de Paulo, uns de Apolo, e outros de Cefas (Pedro); e erradicar algumas práticas erradas do meio deles, as quais favoreciam ou toleravam abertamente, tais como permitir uma pessoa iníqua em sua comunhão, ir à lei uns contra os outros perante magistrados pagãos, e o comportamento desordenado de muitos à mesa do Senhor. Tendo terminado esta parte de suas instruções, o apóstolo, no capítulo 12, insiste principalmente no assunto dos dons espirituais, onde discorre sobre a diversidade deles, sobre seu doador, e suas várias utilidades na igreja de Cristo, razão pela qual ele exorta os membros desta igreja a desejá-los sinceramente, embora não quisesse que dependessem deles, uma vez que não são necessários para salvação. No capítulo 13, ele prefere que busquem o dom da caridade, ou do amor, e mostra que, sem ele, os dons são inúteis e sem proveito para quem os possui. No capítulo 14, ele os encoraja a seguir o amor, e procurar com zelo os melhores dons espirituais, principalmente, diz ele, o de profetizar. Ele prova por muitos argumentos, especialmente com exemplos extraídos da edificação, que profetizar em um idioma conhecido, na língua compreendida pelas pessoas, é preferível a falar em uma língua desconhecida pelas pessoas, não conseguindo edificá-las. É evidente que, por profetizar, ele quer dizer não apenas pregar, mas orar, como argumenta nas palavras precedentes no texto acima, assim: Porque, se eu orar em uma língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas a minha mente fica infrutífera; isto é, quando eu orar em língua desconhecida, estando sob a inspiração do Espírito de Deus, faço uso desse dom extraordinário que ele concedeu a mim, e meu próprio espírito é realmente edificado: Mas o que eu concebo, entendo e expresso, é inútil e sem proveito para os outros, que não entendem o idioma no qual eu oro; portanto, diz ele: O que, então? O que deve ser feito nesse caso? O que é mais prudente e aconselhável? O que é mais desejável? Eu não devo orar com o Espírito em absoluto? Não farei uso desse dom extraordinário que o Espírito derramou sobre mim? Devo negligenciá-lo inteiramente, e colocá-lo de lado? Não, eu vou orar com o Espírito; vou fazer uso do dom que tenho, mas então será de tal forma que me farei compreendido pelos outros, vou orar também com o entendimento. Nestas palavras podem ser consideradas:

I. A obra e o exercício da oração, a qual o apóstolo se dispôs realizar na força de Cristo e com a assistência de Seu Espírito: vou orar. etc.

II. A maneira pela qual ele está desejoso de realizar esse dever: com o Espírito, e também com o entendimento.

I. Devo considerar a obra e a prática da oração, que o apóstolo resolveu realizar na força de Cristo e com a assistência de Seu Espírito. Não será inoportuno, sob este título, investigar sobre o objeto da oração, suas várias partes, e seus diferentes tipos. Começarei,

1. Com o objeto da oração, que não é uma mera criatura. A oração é uma parte da adoração religiosa, devida somente a Deus. Dirigir-se a um ser criado de forma tão solene é idolatria. Este é um pecado do qual os gentios têm sido notoriamente culpados, pois têm prestado devoção a criaturas animadas e inanimadas. O pagão idólatra é assim descrito pelo profeta (Isaías 45:17): Ele fez de sua imagem de escultura um deus; ele se prostrou, e adorou, e orou, e lhe disse: Livra-me, pois tu és o meu deus. Tal prática é uma amostra de grande ignorância e estupidez; (Isaías 45:20) Eles não têm conhecimento, os que conduzem sua imagem de escultura feita de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar. Não é à toa que suas orações serão em vão, já que os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens: Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem; são insensíveis aos desejos de seus devotos, e incapaz de ajudá-los; (Salmos 115:4-6) eles não têm capacidade para dar-lhes o mínimo de alívio, ou conceder-lhes a mínima misericórdia: Porventura há, entre as vaidades dos gentios, alguém que faça chover? Ou podem os céus dar chuvas? Não és tu, ó Senhor, nosso Deus? Portanto, vamos esperar em ti; pois tu tens feito todas estas coisas. (Jeremias 14:22). Os papistas têm seguido os pagãos em suas orações idólatras aos anjos, à Virgem Maria e outros santos mortos, e até mesmo para muitos que não eram santos; mas pode-se dizer a eles o que Elifaz disse a  (Jó 5:1) em outra ocasião: Chame agora, se há alguém que te responda; e para qual dos santos te voltarás?…
 

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