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Uma Defesa do Calvinismo, por C. H. Spurgeon

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“O SENHOR reina; tremam os povos.” (Salmos 99:1)

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Este texto foi um dos que marcaram minha conversão ao Evangelho de Jesus e Às Doutrinas da Graça por isso tenho-o em grande estima e trago comigo doces lembranças destas frases…

Portanto, é um grande prazer par anos fazermos esta publicação e recomendamos muitíssimo a leitura deste precioso escrito. Que Deus abençoe o que dEle houver neste escrito, e ilumine aqueles a quem Ele se agradar, por Cristo. Amém!

Eis um trecho:

Eu suponho que haja algumas pessoas cujas mentes naturalmente se inclinam em direção à doutrina do livre-arbítrio. Eu apenas posso dizer que a minha se inclina mui naturalmente para as Doutrinas da Graça Soberana. Às vezes, quando vejo na rua algumas das piores pessoas, eu sinto como se meu coração devesse irromper em lágrimas de gratidão por Deus nunca ter me deixado agir como aquelas pessoas! Eu tenho pensado que se Deus tivesse me deixado sozinho e não tivesse me tocado por Sua graça, que grande pecador eu teria sido! Eu teria ido o mais longe possível no pecado, mergulhado nas profundezas do mal, nem eu teria parado qualquer vício ou loucura se Deus não me tivesse impedido. Eu sinto que eu teria sido um rei dos pecadores, se Deus me tivesse deixado sozinho. Eu não consigo entender a razão pela qual sou salvo, exceto sobre o fundamento que Deus quis que fosse assim. Eu não posso, mesmo se eu buscar mui sinceramente, descobrir qualquer tipo de razão em mim mesmo pela qual eu deveria ser um participante da Divina graça. Se não estou neste momento sem Cristo, é somente porque Cristo Jesus cumpre a Sua vontade em mim, e esta vontade foi que eu estivesse com Ele onde Ele está, e devesse compartilhar de Sua glória. Eu não posso colocar a coroa em nenhum outro lugar, senão sobre a cabeça dAquele cuja graça poderosa me salvou de ir para dentro do abismo.

Olhando para o meu passado, eu posso ver que o alvorecer de tudo foi a partir de Deus e de Deus eficazmente. Eu não tomei nenhuma tocha para acender o sol, foi o sol que me iluminou. Eu não comecei a minha vida espiritual, não, antes, eu preferia recalcitrar e lutar contra as coisas do Espírito, quando Ele me chamou, em um tempo que eu não corria após Ele; havia um ódio natural em minha alma em relação a tudo que é santo e bom. Advertências eram ineficazes quanto a mim, alertas eram lançados ao vento, trovões eram desprezados; e quanto aos sussurros de Seu amor, eles foram rejeitados como sendo menos do que nada e vaidade. Mas, seguro estou, eu posso dizer agora, falando em nome de mim mesmo, “Ele somente é a minha salvação”. Foi Ele Quem transformou meu coração, e me trouxe de joelhos diante dEle. Eu posso, verdadeiramente, dizer com Doddridge e Toplady:

“A graça ensinou minha alma a orar,
E fez meus olhos transbordarem,”

E, chegando a este ponto, posso acrescentar:

“Esta graça tem me preservado até hoje,
E não me abandonará.”

Bem posso lembrar-me da maneira pela qual eu aprendi as Doutrinas da Graça em um único instante. Como todo homem, por natureza, eu nasci Arminiano, eu ainda acreditava nas velhas coisas que eu ouvira continuamente a partir do púlpito, e não via a graça de Deus. Quando eu estava vindo para Cristo, eu pensei que estava fazendo tudo sozinho, e embora eu buscasse ao Senhor sinceramente, eu não tinha ideia de que o Senhor estava me buscando. Eu não acho que o jovem convertido é a princípio consciente disso. Lembro-me de no mesmo dia e hora em que eu primeiramente recebi aquelas verdades em minha própria alma, quando elas foram, como diz John Bunyan, queimadas em meu coração como com um ferro quente, e lembro-me como eu senti que eu havia crescido, de repente, de um bebê a um homem; que eu havia feito progressos no conhecimento das Escrituras, por ter encontrado, de uma vez por todas, a chave para a verdade de Deus.

Em uma noite, durante a semana, quando eu estava sentado na casa de Deus, eu não estava pensando muito sobre o sermão do pregador, porque eu não cria naquilo. O pensamento me ocorreu: “Como você veio a ser um Cristão?”, “Busquei ao Senhor”, respondi eu. “Mas como você veio a buscar o Senhor?”. A verdade passou pela minha mente em um momento, eu não teria procurado por Ele, a menos que tivesse havido alguma influência prévia em minha mente para me fazer buscá-lO. “Eu orei”, pensei eu, mas então eu me perguntei: “Como cheguei a orar?”, “Fui induzido a orar pela leitura das Escrituras”, repliquei comigo mesmo. “Como vim a ler as Escrituras? Eu li, mas o que me levou a fazer isso?”. Então, em um momento, eu vi que Deus estava no princípio de tudo isso, e que Deus era o Autor da minha fé, e assim toda a Doutrina da Graça se abriu para mim, e desta Doutrina eu não me afastei até o presente, e desejo fazer desta a minha confissão constante: “Eu atribuo a minha conversão inteiramente a Deus”.

Qual é a heresia de Roma, senão a adição de algo aos perfeitos méritos de Jesus Cristo, a propositura de que as obras da carne auxiliam em nossa justificação? E qual é a heresia do Arminianismo, senão a adição de algo à obra do Redentor? Cada heresia, se trazida à pedra de toque, se desvelará aqui.

Eu tenho minha própria opinião particular de que não há tal coisa como pregar Cristo e Ele crucificado, a menos que nós preguemos o que hoje é chamado Calvinismo.

Calvinismo é um apelido;

Calvinismo é o Evangelho, e nada mais.

Eu não acredito que nós podemos pregar o Evangelho, se não pregarmos a justificação pela fé, sem obras; nem a menos que nós preguemos a soberania de Deus em Sua dispensação da graça; nem a menos que exaltemos o eletivo, imutável, eterno, inabalável, conquistador amor de Jeová; nem penso que podemos pregar o Evangelho, a menos que nos baseemos no resgate especial e particular do Seu povo eleito e escolhido, o que Cristo operou na cruz; nem posso eu compreender um Evangelho que permite que os santos venham a cair depois de serem chamados, e consente que os filhos de Deus sejam queimados no fogo da condenação após terem uma vez crido em Jesus. Tal evangelho eu abomino.

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“A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção. (Selá.)” (Salmos 3:8)

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Aqueles que estão em um estado de salvação atribuem à graça soberana somente, e dão todo o louvor Ele, que os faz diferente dos outros. Piedade não é motivo para se gloriar, a não ser em Deus: “Para que nenhuma carne se glorie perante ele. Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor” (1 Coríntios 1:29-31). Tal não é, por qualquer meio, em qualquer grau atribuído à sua piedade, seu estado e condições seguras e felizes, a qualquer diferença natural entre eles e os outros homens, ou a qualquer força ou justiça própria. Eles não têm nenhum motivo para exaltar-se, no mínimo grau; mas Deus é o Ser a quem eles devem exaltar. Eles devem exaltar a Deus, o Pai, que os escolheu em Cristo, que pôs o Seu amor sobre eles, e deu-lhes a salvação, antes deles nascerem e mesmo antes que o mundo existisse. Se perguntarem, por que Deus colocou Seu amor sobre eles, e os escolheu, em vez de outros, se eles pensam que podem ver qualquer causa fora de Deus estão muito enganados. Eles devem exaltar a Deus o Filho, que levou seus nomes em Seu coração, quando Ele veio ao mundo, e foi pendurado na Cruz, e no Qual somente eles possuem justiça e força. Eles devem exaltar a Deus, o Espírito Santo, que por Graça soberana os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz; que por Sua própria operação imediata e livre, levou-os a uma compreensão do mal e do perigo do pecado, e os resgatou de sua justiça própria, e abriu-lhes os olhos para contemplarem a Glória de Deus, e as maravilhosas riquezas de Deus em Jesus Cristo, e os santificou, e os fez novas criaturas.

Vamos, portanto, laborar para nos submetermos à soberania de Deus. Deus insiste, que a Sua soberania seja reconhecida por nós mesmo neste grande assunto, um assunto que tão de perto e infinitamente nos interessa, como a nossa própria salvação eterna. Esta é a pedra de tropeço na qual milhares caem e perecem; e se continuarmos discutindo com Deus sobre a Sua soberania, isto será nossa ruína eterna. É absolutamente necessário que nós venhamos a nos submeter a Deus, como nosso soberano absoluto, e o soberano sobre as nossas almas; como alguém que pode ter misericórdia de quem quer ter misericórdia, e endurecer a quem Ele quiser.

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Trecho do Sermão, “A Soberania da Deus na Salvação dos Homens”, por Jonathan Edwards.
 

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