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Charles Spurgeon e a Coragem no Púlpito, por Tom Ascol

 

Um dos grandes desafios que cada pastor enfrenta é a coragem para se manter fiel às suas convicções. Isso é ainda mais verdadeiro quando essas convicções, mesmo estando profunda e claramente embasadas na Escritura, são contrárias à opinião popular ou dos desejos de membros influentes das igrejas. Estou certo que não sou o único pastor que já foi ameaçado por líderes de igreja de ser “demitido” se eu insistisse no ensino e na pregação do verdadeiro significado de certas passagens da Escritura. Ainda mais comum é a pressão sutil que pastores frequentemente sentem de comprometer suas convicções para manter a paz. Há muito tempo perdi as contas do número de pastores que eu conheço que já sofreram sérias consequências por apenas pregar expositivamente sermões e clamar à congregação por uma santidade que seja proporcional ao Evangelho.

A coragem pastoral tende a ser contagiosa e exemplos de pastores fieis que se recusaram a comprometer a Palavra de Deus mesmo em face de grandes pressões são dignos de estudo por qualquer homem que deseja permanecer humildemente corajoso no cumprimento de sua responsabilidade pastoral. Um dos mais notáveis exemplos de tamanha coragem é Charles Spurgeon. Embora ele seja justamente lembrado por muitos feitos maravilhosos e por traços pessoais, é seguro dizer que se ele não tivesse sido corajoso em sua pregação, muito provavelmente seus sucessos teriam sido grandemente diminuídos.

Spurgeon nunca limitou a mensagem da Palavra de Deus apesar da oposição, da ridicularização ou do escárnio — tudo isso ele experimentou em excesso. Nem permitiu que a controvérsia, ou o medo dela, o silenciassem em qualquer assunto abordado pela Palavra de Deus. Como tal, ele continua sendo um maravilhoso exemplo de pregação corajosa para pastores modernos.

Quando ainda era uma criancinha. Seu avô lhe ensinou a nunca temer defender aquilo que ele acreditava que era certo, independente das consequências. Na capela de Stambourne, onde Spurgeon cultuou com seus avós pelos primeiros anos de sua vida, era comum cantar a última linha de um hino duas vezes. Quando ele completou seis anos, ele estava convencido que esse era o jeito certo de cantar. Consequentemente, quando ele retornou à casa de seus pais e começou a adorar na igreja deles, ele repetiu a última linha do hino, mesmo que a congregação fizesse isso ou não. Somente após o que ele mesmo mais tarde descreveu como o “grande castigo” é que foi convencido de outra maneira.

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A Importância Prática da Expiação Limitada, por John Divito

 

Muitas vezes, quando a doutrina da expiação limitada é considerada, as pessoas a veem apenas como um debate teológico sobre a extensão da expiação de Cristo. Raramente há é considerada uma conexão direta entre essa doutrina e suas implicações para a vida Cristã. Claro que um estudo bíblico da expiação é fundamental para nossa fé, mas também temos que lembrar que o que cremos impacta a maneira como vivemos. Nossa teologia conduz à nossa prática. Em outras palavras, o viver Cristão flui das verdades doutrinárias em que acreditamos. É por isso que não devemos ser conformados com esse mundo, mas transformados pela renovação das nossas mentes. Quando nossas mentes são renovadas pela Palavra de Deus, somos transformados a viver uma vida de acordo com a vontade de Deus. Então, qual diferença a expiação limitada faz em nossas vidas?

Minha Salvação é Consumada por Cristo

Cristo realizou plenamente minha salvação na cruz. Como um escolhido por Deus, Ele enviou Seu Filho para me salvar dos meus pecados. Em amor, Ele enviou Seu Filho para viver uma vida de justiça por mim. Em amor, Ele enviou Seu Filho para receber minha condenação em meu lugar, através de Sua morte na cruz. Em amor, Ele enviou Seu Filho para trocar meu pecado e injustiça pela obediência e justiça de Cristo. Eu fui salvo pelo sacrifício de Cristo!

Agora vamos considerar o que acontece quando negamos a expiação limitada. Se a expiação de Cristo é ilimitada, Ele morreu universalmente para salvar cada ser humano. Minha salvação é realizada por Cristo? Não totalmente, uma vez que eu posso sofrer o julgamento de condenação pelos meus pecados em incredulidade. A oferta de salvação dada por Cristo se torna provisória, dependendo da minha resposta. Como um bem-conhecido teólogo contemporâneo escreveu “Todos podem ser salvos, mas só os que creem serão salvos”, “todos são potencialmente justificáveis, não realmente justificados”, a “reconciliação de todos (‘o mundo’) não garante a salvação, mas a possibilidade de salvação de todos” e a “reconciliação por Cristo torna a salvação possível”.

Negando a expiação limitada, Cristo, na verdade, não me salva — Ele torna a salvação possível. Mas eu preciso de Cristo como meu real salvador, não como um possível salvador! Minha esperança de vida eterna depende completamente dEle. Longe de Cristo, não tenho esperança de salvação. Sua expiação limitada garante minha salvação, que me dá a vida eterna.

Minha Salvação Não Depende de Mim

Uma vez que Cristo realizou minha salvação, Ela não depende de mim. Essa verdade é o outro lado da moeda da expiação que garante a vida eterna. E que gloriosa verdade é essa! Se de algum modo minha salvação depende de mim, então estou condenado. Longe de Cristo, estou morto em transgressões e pecados. Eu sou escravo do pecado. Eu não irei buscar a Deus porque eu tenho paixão pelo pecado. É por isso que a expiação de Cristo é tão gloriosa. Ele fez tudo por mim.

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O Caráter da Segurança Bíblica: Esboço do Capítulo 18 da Confissão de 1689, por Tom Nettles

 

— The Founders Journal • Outono de 2014 | Nº 98 —


Este capítulo sugere quatro pontos principais a serem considerados na questão da segurança da salvação. Há material suficiente em cada ponto para uma série de quatro sermões sobre a questão. Cada parágrafo será citado seguido de um esboço expositivo sugerido. Eu também recomendaria para esboços de exposições o sermão de Spurgeon, pregado em 13 de maio de 1888, sobre A Bênção da Plena Segurança (1 João 5:13).

 

18:1. Embora os que creem temporariamente, e outros homens não-regenerados, possam em vão iludir-se com falsas esperanças e presunções carnais de se acharem no favor de Deus e em estado de salvação; esta esperança deles perecerá,1 mas quanto aos que verdadeiramente creem no Senhor Jesus, e O amam com sinceridade, procurando andar em toda a boa consciência diante dEle, estes podem, nesta vida, certificar-se de que eles estão em um estado de graça, e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus,2 esta esperança jamais os envergonhará.3

1 Jó 8:13-14; Mateus 7:22-23 • 2 1João 2:3, 3:14,18,19,21,24, 5:13 • 3 Romanos 5:2,5

 

 

I. Uma segurança bem fundamentada da salvação é possível

A. Alguns podem professar com grande certeza que são salvos, mas não têm o fundamento do assunto neles. Jesus advertiu que alguns dirão Senhor, Senhor, mas nunca tiveram o coração para amar e obedecer a Cristo (Mateus 7:21-23). Hebreus tem um alerta para aqueles que parecem estar entre o povo de Deus, mas ainda têm um coração perverso de incredulidade (3:12).

B. Verdadeiros crentes podem descobrir nesta vida uma garantia bem fundamentada de que eles realmente foram redimidos por Cristo. João escreveu sua primeira carta em grande parte para dar o verdadeiro conhecimento espiritual da posse da vida eterna. “Estas coisas vos escrevi a vós que creais no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna” (1 João 5:13).

C. Jonathan Edwards escreveu: “Não há dúvida nenhuma que é da maior importância para a humanidade, e que nada mais referente a cada indivíduo deve ser bem resolvido do que as qualificações distintivas daqueles que estão no favor de Deus e têm direito ao seu eterno galardão” (Afeições Religiosas, prefácio).

 

18:2. Esta certeza não é algo meramente conjectural e provável, baseada em uma esperança falível; mas uma infalível segurança de fé,4 fundada no sangue e justiça de Cristo revelados no Evangelho,5 bem como na evidência interna daquelas graças do Espírito em que as promessas são feitas,6 e no testemunho do Espírito de adoção que testifica com os nossos espíritos que somos filhos de Deus,7 e, como fruto disso, mantendo o nosso coração humilde e santo.8

4 Hebreus 6:11,19 • 5 Hebreus 6:17-18 • 6 2Pedro 1:4,5,10,11 • 7 Romanos 8:15-16 • 8 1João 3:1-3

 

 

II. A segurança é baseada em uma rede de evidências identificáveis, tanto objetivas quanto subjetivas.

A. Segurança genuína tem uma base objetiva

 

1. O sangue e a justiça de Cristo são as duas coisas imutáveis ​​pelas quais é impossível que Deus minta. A obra consumada de Cristo garante que Deus salvará os pecadores. Considere a possibilidade de que as “duas coisas imutáveis” de Hebreus 6:18 são definidas para nós em 7:26-28, de onde a confissão provavelmente derivou a frase “o sangue e a justiça de Cristo”.

2. Por causa da natureza da substituição, do resgate, da propiciação e da redenção, o preço que Cristo pagou certamente alcançará o seu propósito gracioso de uma maneira consistente com a justiça. Um pecador pode encontrar a verdadeira segurança apenas porque é certo que Deus através de Seu Filho salvará aqueles dados a Ele.

3. Ele salvará os pecadores que ouvem e creem no Evangelho.

 

B. A segurança genuína tem uma realidade subjetiva

 
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Nós Deveríamos Pregar a Cristo em Cada Sermão?, por Fred Malone

 

A pregação fiel é expositiva, o que significa que ela explica um texto bíblico em seu contexto e aplica o texto aos ouvintes. Houve vezes, entretanto, quando eu ouvi pregações expositivas que faziam pouca ou nenhuma menção do Senhor Jesus Cristo (infelizmente, eu mesmo já fiz isso). Se um incrédulo estivesse sentado entre os ouvintes, ele não teria ouvido o suficiente do Evangelho para ser salvo. Além disso, os santos não teriam ouvido o suficiente de Cristo para movê-los a viver e obedecer por amor a Ele. As Escrituras ensinam que todo sermão expositivo deve ser centrado em Cristo.

A verdadeira pregação não é:
 

1. Um sermão expositivo, mesmo extraído de um texto do Novo Testamento, mas que não menciona Cristo, exceto em um apelo evangelístico no final.

2. Um sermão cheio de ilustrações e humor, enquanto apenas nominal e ocasionalmente menciona um texto ou o próprio Jesus Cristo.

3. Uma “série prática” sobre o casamento, sobre a alegria, etc., sem explicar como a pessoa e a obra de Jesus Cristo se aplicam ao casamento, à alegria, etc.

4. Um comentário corriqueiro sobre uma passagem da Escritura sem a pregação de Cristo, porque Ele não foi mencionado explicitamente no texto.

 

Nenhuma das medidas acima correspondem à exigência da pregação Bíblica. As Escrituras nos dão instruções claras sobre como pregar. Considere o seguinte:

1. Nosso Senhor Jesus Cristo e Seus Apóstolos, praticaram a pregação centrada em Cristo.

Cada palavra que nosso senhor proferiu em última análise foi sobre sua própria pessoa e trabalho como nosso Profeta, Sacerdote e Rei, mesmo quando Ele expôs textos do Antigo Testamento, os quais, nem sempre O mencionavam explicitamente. Os apóstolos de Cristo seguiam Seu exemplo em suas pregações. Todo sermão evangelístico em Atos e em cada epístola estava centrado em Jesus Cristo. As epístolas foram lidas às igrejas em sua totalidade, incluindo as partes sobre Cristo e o Evangelho. Em cada aplicação das epístolas, há sempre uma referência a Cristo, Sua pessoa e Sua obra. Não estou dizendo que o nome de Jesus Cristo foi mencionado em cada texto ensinado pelos apóstolos. O que estou dizendo é que Cristo foi o fundamento e o alvo na proclamação de cada palavra de Deus.

2. A Bíblia mandava pregar a Cristo aos incrédulos e aos crentes.

Primeiro, está claro que os apóstolos pregaram Jesus Cristo como Senhor e Salvador aos incrédulos (Atos 5:42, 8:35, 11:20). Jesus era o centro de sua mensagem. A primeira vez que Paulo foi a Corinto para pregar o Evangelho aos não convertidos, ele disse: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Coríntios 2:2). Jesus Cristo era a substância da pregação evangelística de Paulo em Corinto. Pedro também pregou Cristo no dia de Pentecostes, bem como nas outras mensagens evangelísticas de Atos (Atos 2:10, 17).

Segundo, os Apóstolos pregavam Cristo aos crentes. Os Apóstolos constantemente ataram suas repreensões, exortações e instruções doutrinais à pessoa e obra de Cristo, passado, presente e futuro. É impossível ler as epístolas sem ver que a pessoa e a obra de Jesus Cristo são o ponto central da salvação e da santificação. Para os Colossenses, Paulo descreveu sua pregação e ensinamento aos Cristãos assim: “A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” (Colossenses 1:28). É preciso pouca pesquisa para ver como Paulo conectou suas exortações aos Cristãos coríntios à pessoa e à obra de Cristo por eles. Por exemplo, quando advertiu contra o adultério, Paulo disse: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6:19-20). Paulo baseou sua advertência contra o adultério na obra de Cristo. O próprio Cristo era a substância da pregação apostólica, tanto para os não convertidos como para os convertidos. A Bíblia ordena a pregação centrada em Cristo tanto para incrédulos como para crentes.

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A Diferença Entre o Verdadeiro Cristão e o Hipócrita, por Tom Hicks

 

Como você pode dizer que você é um crente genuíno ou um falso professo?

Um dos melhores livros que descrevem a verdadeira natureza da conversão é o The Christian’s Great Interest [O Grande Interesse do Cristão], por William Guthrie. Um grande teólogo puritano, John Owen, não só recomendou, mas disse o seguinte sobre o livro, “Penso que o autor [de The Christian’s Great Interest] é um dos maiores teólogos que já escreveu; esse livro é meu Vade-mecum (ou seja, “manual”), e eu o carrego junto ao meu Novo Testamento em Grego, eles estão sempre comigo. Eu já escrevi muitos livros, mas existe mais teologia nesse do que em todos os outros”.

William Guthrie fala sobre a diferença entre o verdadeiro Cristão e o hipócrita. Aqui estão alguns pontos onde o hipócrita pode agir como um Cristão:

1. Um hipócrita pode ser influenciado pelo Evangelho em cada parte de seu ser. Ele pode vir a ter um grande conhecimento da verdade de Deus (Hebreus 6:4). Suas emoções em relação a Cristo podem ser fortes (Mateus 13:20). Ele pode até viver mudanças drásticas em seu homem interior, como o fariseu que orou: “ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, etc.” (Lucas 18:11-12).

2. Um hipócrita pode aparentar-se como um verdadeiro Cristão. Ele pode falar sobre a Lei e o Evangelho (Salmo 50:16), pode abertamente confessar o seu pecado, para sua própria vergonha (1 Samuel 26:21), e pode se humilhar vestindo-se de saco (1 Reis 21:27). Pode considerar seus deveres com cuidado e buscar segui-los com prazer (Isaías 58:2), perseverar em temos difíceis, dar tudo que tem à Deus e aos santos, ou entregar seu corpo para ser queimado (1 Coríntios 13:3).

3. Um hipócrita pode experimentar muito da graça de Deus. Ele pode ter grandes convicções de pecado, como Judas tinha (Mateus 27:3-5). Ele pode temer a Palavra de Deus, como aconteceu com Félix (Atos 24:25), se regozijar em receber a verdade (Mateus 13:20) e ter várias experiências e provar as dádivas pela graça de Deus (Hebreus 6:4).

4. Um hipócrita pode ter características muito similares à graça salvífica do Espírito Santo. Ele pode ter um tipo de fé, como Simão que também “creu” (Atos 8:13), mas provou ser um falso cristão. Ele pode ter um aspecto de arrependimento exterior muito parecido com o arrependimento genuíno (Malaquias 3:14). Ele pode ter um grande e poderoso temor de Deus, como Balaão teve (Números 22:18). Ele pode ter tido algum tipo de esperança (Jó 8:13). O hipócrita pode até ter um pouco de amor, como Herodes teve por João (Marcos 6:26).

5. Um hipócrita pode até ter uma grande e poderosa experiência com Deus. Ele pode ter “provado o dom celestial” e se tornar um “participante do Espírito Santo” e experimentado “as virtudes do século futuro” e ainda assim, não ter uma conversão genuína [Cf. Hebreus 6:4-5].

Então, quais são as marcas de um verdadeiro Cristão? Como é discernida uma conversão genuína de uma falsa conversão? Guthrie nos dá cinco marcas de um verdadeiro Cristão que não é tomado pelo hipócrita.

1. O coração de um verdadeiro Cristão é transformado para sempre. No livro de Jeremias 32:39 o Senhor diz: “E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho, para que me temam todos os dias”. Hipócritas nunca tem a sua natureza transformada. Hipócritas querem Cristo pelos bens que Ele pode lhes dar nesse mundo. Mas o coração de um verdadeiro Cristão tem a satisfação total em Cristo como seu único tesouro nessa vida e na que há de vir.

2. A mudança do verdadeiro Cristão vem de um verdadeiro amor à Cristo. Hipócritas podem ter um exterior limpo para serem vistos por homens, que os confundem facilmente, ou para afastá-los das consequências de seus próprios pecados. Mas o Cristão verdadeiro ama a Cristo e guarda Seus mandamentos por amor ao Seu nome, para servi-lO, para conhecê-lO e para dar glória ao Seu nome (Salmo 119:6).

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Três Pactos de Deus: Pacto de Obras, Pacto da Graça e Pacto da Redenção, por Pascal Denault

 

O que é o Pacto de Obras e por que essa questão é importante?


Para compreender bem a Queda do homem, é necessário explicar o quadro teológico no qual ela aconteceu, ou seja, o Pacto das Obras. Essa aliança, mesmo não sendo denominada, é claramente subentendida no primeiro parágrafo do capítulo 6 e em vários outros lugares da Confissão de Fé [1689]:
 

(Parágrafo 1). Deus criou o homem justo e perfeito, e lhe deu uma lei justa, que seria para a vida se ele a tivesse guardado, ou para morte, se a desobedecesse. Porém o homem não manteve por muito tempo a sua honra.


É dessa forma que os teólogos Reformados tradicionalmente entenderam o Pacto de Obras feito com o homem no Éden. Adão foi criado com um fim, esse fim era a vida eterna. A árvore da vida no Jardim do Éden representava a recompensa prometida ao homem e a árvore do conhecimento do bem e do mal representava a condição a ser guardada (Gênesis 2:9, 17; Apocalipse 22:2). Ainda que Adão não tivesse pecado, ele não tinha a vida eterna. Esta consiste em estar confirmado na vida em comunhão com Deus (João 17:3). Adão estava em comunhão com Deus, mas ele podia cair desse estado. A vida eterna é uma vida imortal, sem possibilidades de corrupção (1 Coríntios 15:53). Adão, claramente, não tinha chegado ao estado de imortalidade e de incorruptibilidade, uma vez que se corrompeu e morreu.

Como deveria ele alcançar a vida eterna? Guardando perfeitamente a Palavra/Lei do Senhor (Lucas 10:25-28; Mateus 19:16-17). Deus lhe “deu uma lei justa, que seria para a vida se ele a tivesse guardado”. A Lei não está baseada sobre o princípio de gratuidade da graça pela fé (Romanos 4:4; Gálatas 3:12), mas sobre o princípio das obras de obediência (Romanos 10:5): “Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas”. A Escritura chama esse princípio de “a lei das obras” (Romanos 3:27) e ele constitui o fundamento da aliança entre Deus e Adão: o Pacto de Obras.

Nós chamamos esse período de inocência, que deveria levar à vida eterna, de “período de provação”. A ideia é que o homem não deveria viver ad vitam aeternam com a possibilidade de decair de sua perfeição original. Pela obediência, ele deveria selar o mundo na justiça e ser ele mesmo confirmado na vida eterna. Como podemos afirmar todas essas coisas sobre Adão e sobre o Pacto de Obras? Comparando-o ao segundo Adão de quem ele mesmo era uma figura (Romanos 5:14; 1 Coríntios 15:45). O último Adão, Jesus Cristo, tinha uma missão que deveria realizar de “uma vez por todas” (Hebreus 9:12); seu período de provação terminou no final de sua missão (João 19:30). Adão tinha, portanto, uma missão a cumprir, ao final dela, ele teria a vida como recompensa. No entanto, “o homem não manteve por muito tempo a sua honra”.

O Pacto de Obras, embora prove a bondade e a generosidade de Deus (cf. 1689 7.1), é uma aliança inteiramente condicional. Ela traria recompensas em caso de obediência, mas, igualmente, maldições em caso de desobediência. Dessa maneira, a vida e a morte foram colocadas diante do homem (Gênesis 2:17; Deuteronômio 30:15). Aqui está o final do parágrafo 1, que diz como aconteceu a desobediência do homem:
 

(P. 1). Satanás valeu-se da astúcia da serpente para seduzir Eva, em seguida, esta seduziu a Adão, que, sem qualquer compulsão, deliberadamente transgrediram a lei de sua criação, e a ordem dada a eles, de não comer o fruto proibido, do que Deus foi servido permitir este pecado deles, de acordo com Seu conselho sábio e santo, havendo determinado ordená-lo para a Sua própria glória.


A Queda do homem ocorreu sob a influência de Satanás. Ele é astuto e procura todos os meios possíveis para enganar (1 Coríntios 11:3, 14). Ele tinha um interesse particular em seduzir aquele sob cujos pés o Criador havia colocado todas as obras (Salmo 8:6), pois, assim, ele usurparia o poder sobre o mundo criado por Deus (Lucas 4:6; Efésios 2:2; Hebreus 2:5-16). Para chegar ao homem, Satanás enganou a mulher (2 Timóteo 2:14) e quebrou assim a harmonia entre eles e Deus (Gênesis 3:12).

O homem não deve, contudo, ser visto como uma simples vítima da sedução de Satanás. Adão, “sem qualquer compulsão, deliberadamente transgrediu a lei de sua criação, e a ordem dada a eles, de não comer o fruto proibido”. Seguindo a Sagrada Escritura, a Confissão afirma a inteira responsabilidade moral do homem face ao pecado. Tal rebelião do homem contra Deus não é pequena, sobretudo quando consideramos quem é Deus (cf. o capítulo 2 da Confissão) e a distância entre Ele a o ser feito de pó que quis ser Deus (Gênesis 3:5).

Por que o Senhor não interveio para impedir o homem de transgredir a aliança feita entre ele e Deus? “Do que Deus foi servido permitir este pecado deles, de acordo com Seu conselho sábio e santo, havendo determinado ordená-lo para a Sua própria glória”. Os capítulos seguintes da Confissão provarão essa afirmação ao apresentar as doutrinas da salvação e da redenção.

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II Coríntios 4

  • Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus... Veja mais

Reflexões

"Então respondeu Jó ao SENHOR, dizendo: Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido... Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza."    
(Jó 42:1-6)
Sola Scriptura!
"Porque tu acenderás a minha candeia; o SENHOR meu Deus iluminará as minhas trevas. Porque contigo entrei pelo meio duma tropa, com o meu Deus saltei uma muralha. O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam."
(Salmo 18:28-30)
Sola Scriptura!
"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."
(Mateus 28:19-20)
Sola Scriptura!

A Confissão De Fé Batista de 1689

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    Uma Palavra dos Editores A fé é a base da alegria verdadeira. O Objeto da Verdadeira Fé Evangélica é o Senhor Jesus Cristo, segundo as Escrituras test... Download

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