Como Devemos Viver? por Paul David Washer

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INTRODUÇÃO

Antes de eu começar, quero compartilhar algo com vocês. O irmão Leiter e eu estávamos conversando e eu lhe compartilhei sobre minhas fraquezas. E nós conversamos, e eu disse a ele sobre mim mesmo: “Sabe, quando eu digo as pessoas, quão fraco eu sou, elas pensam que eu estou sendo humilde, e não percebem que realmente estou dizendo a verdade”.

Eu gostaria que os jovens presentes aqui soubessem algo muito importante. Algumas vezes, olhamos os homens que pregam e ensinam, e pensamos que Deus os usa porque eles têm crescido em algum grau de nível espiritual. Mas isto não é realmente verdade. Veja, eu espero que eu não seja hipócrita, espero que eu seja sincero, penso que realmente quero seguir a Jesus Cristo com todo meu coração. Mas os homens são fracos. Não existem corajosos, eles não sabem muito. Deus usa as pessoas fracas. Estou dizendo que se você olha para a Bíblia, você vê isso. Olhe para os homens e as mulheres que Ele usou. Não há isso de “grande homem de Deus”. Há apenas, homens fracos, pequenos, de um grande Deus misericordioso. (continue reading…)


Sermão nº 924, Somente Jesus, por Charles Haddon Spurgeon

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Pregado na Manhã do Dia do Senhor, em 3 de Abril de 1870, por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

“Ao erguer os olhos, a ninguém mais viram, senão somente a Jesus” (KJV).

As últimas palavras nos bastarão para um texto, “Somente a Jesus”. Quando Pedro viu o Senhor com Moisés e Elias, ele exclamou: “Mestre, é bom estar aqui”, como se ele desse a entender que era melhor estar com Jesus, Moisés e Elias, do que estar apenas com Jesus. Agora era certamente bom que pela primeira vez em sua vida, ele visse a Cristo transfigurado com os representantes da Lei e dos Profetas; isto seria, para aquela ocasião especial, a melhor visão que ele podia ver, mas como uma coisa normal, um êxtase tão sublime não teria sido bom para os discípulos, e o próprio Pedro logo descobriu isso, pois quando a nuvem luminosa lhe ofuscou, e a Voz foi ouvida do Céu, nós achamos que ele com o restante, tornaram-se mui temerosos. A melhor coisa, depois de tudo, para Pedro não era a tensão excessiva da Transfiguração, nem a companhia deleitosa dos dois grandes espíritos que apareceram com Jesus, mas a igualmente Gloriosa, porém menos empolgante associação com “Jesus somente”. Na dependência disto, Irmãos e Irmãs, experiências extasiantes e emocionantes, e prazeres arrebatadores, embora possam ser úteis como refrigérios ocasionais, não seriam tão bons quanto aquela tranquila comunhão comum, porém deleitosa, com “somente Jesus”; isto é o que deve ser a distintiva marca de toda a vida Cristã! Enquanto os discípulos subiam a montanha ao lado de Jesus somente, e enquanto eles retornaram com a multidão com Jesus somente, eles estiveram em tão boa companhia como quando eles estavam no cume da montanha com Moisés e Elias também. E, embora Jesus Cristo em Sua habitação comum, e em Seu traje comum não pudessem deste modo deslumbrar os seus olhos como quando viram Suas vestes resplandecentes como a luz, e o seu rosto brilhando como o sol – ainda assim Ele realmente era tão glorioso, e Sua Companhia absolutamente benéfica! Quando O viram em Sua veste de todos os dias, Sua Presença era tão útil a eles como quando Ele vestiu a Si mesmo em esplendor! “Somente Jesus” é, afinal, sobre o todo, uma coisa melhor do que Jesus, Moisés e Elias. “Somente Jesus”, como o Jesus comum, o Cristo de todos os dias; o Homem andando entre os homens, falando em segredo com os Seus discípulos, é uma coisa melhor para uma continuidade, enquanto estamos neste corpo, do que até mesmo a visão do próprio Jesus na excelência de Sua Majestade.

Esta manhã, na tentativa de me debruçar sobre a simples visão de “somente Jesus”, vamos segurá-lo como além da medida, importante e deleitoso, e vamos dar o nosso testemunho de que, como foi dito da espada de Golias, “não há nada como ela”, isso pode ser dito da comunhão com “somente Jesus”. Vamos primeiro observar o que poderia ter acontecido com os discípulos depois da Transfiguração; vamos, então, nos debruçar sobre o que aconteceu, e depois, em terceiro lugar, falaremos sobre o que nós desejamos ansiosamente que possa acontecer com aqueles que nos ouvem hoje.

I. Primeiro, então, O QUE PODERIA TER ACONTECIDO aos três discípulos, depois de terem visto a transfiguração?

Havia quatro coisas que podem ter ocorrido. Como uma primeira suposição, poderiam não ter visto ninguém com eles no Santo Monte, pois eles poderiam ter encontrado que todos haviam ido; senão eles mesmos. Quando a nuvem os havia coberto e eles estavam extremamente temerosos, eles poderiam ter levantado os olhos e encontrado toda a visão derretida no ar – sem Moisés, sem Elias, e nem Jesus! Em tal caso, eles estariam em uma triste situação, como aqueles que, tendo começado a provar de um banquete, de repente, encontram que toda a comida levada embora; como homens sedentos que provaram as gotas refrescantes de cristal, e depois vissem que a fonte secou diante de seus olhos. Eles não teriam descido ao lado da montanha naquele dia, fazendo perguntas e recebendo instrução, pois eles não teriam tido o Professor; eles teriam descido para enfrentar uma multidão, e para lidar com um demônio – não para conquistar Satanás, mas para ficarem derrotados por ele diante da multidão, pois não teriam o Campeão para esposar a sua causa, e expulsar o espírito maligno. Eles teriam ido descido dentre os Escribas e os Fariseus, para serem confundidos com suas perguntas espinhosas, e serem derrotados por seus sofismas, pois não teriam o Homem Sábio que falou como nunca nenhum homem falou, para desatar os nós e desembaraçar os rosnados de controvérsia; eles teriam sido como ovelhas sem pastor, como crianças órfãs deixadas sozinhas no mundo; teriam, a partir daquele dia, tê-lo considerado um dia infeliz em que viram a Transfiguração, porque tendo-o visto, tendo sido conduzidos a pensamentos elevados por meio disso, e animados para grandes expectativas, tudo haveria desaparecido como a espuma sobre as águas, e nada sólido havia sido deixado para trás. Ai por aqueles que viram a imagem dos espíritos dos justos aperfeiçoados, e contemplaram o Grande Senhor de todos esses espíritos, e, em seguida, encontraram-se sozinhos, e toda a companhia do alto tendo ido embora para sempre!

Meus queridos Irmãos e Irmãs, há alguns neste mundo, e nós mesmos temos estado entre eles, a quem algo como isto realmente ocorreu; você tem estado sob um sermão, ou em uma ordenança do Evangelho, ou na leitura da Palavra de Deus por um tempo encantado, empolgado, elevado às regiões mais sublimes, e então, depois, quando tudo termina, não houve nada deixado de alegria ou benefício, nada deixado de tudo o que foi pregado, e do momento apreciado, nada, de qualquer forma, para que você pudesse levar consigo para os conflitos da vida cotidiana. O todo tem sido uma visão esplêndida e nada mais; não tem permanecido nem Moisés, nem Elias, nem Jesus. Você se lembra do que viu, mas apenas com pesar, porque nada se manteve com você, e de fato isso que acontece, por vezes, a nós é um hábito geral desta porção deste mundo ímpio que ouve o Evangelho, e não percebe a sua realidade. Ele escuta com respeito as histórias dos Evangelhos como lendas dos tempos antigos, ele ouve com reverência as histórias dos dias de milagres; venera os tempos longínquos e os seus feitos heroicos, mas não acredita que algo permanece de toda a visão, nada para hoje, para a vida comum, e para os homens comuns. Moisés ele conhece, e ele conhece Elias, e Cristo – como sombras que passaram por toda a cena e desapareceram, mas ele não sabe nada de qualquer um deles como habitando em influência permanente sobre a mente e o espírito do presente; tudo veio e tudo se foi – tudo deve ser reverenciado, tudo deve ser respeitado, porém nada mais! Não há nada deixado, na medida em que estão interessados, a influenciar ou abençoar a presente hora; Jesus e Seu Evangelho vieram e se foram, e nós podemos apropriadamente lembrar o fato, mas de acordo com certos sábios não há nada no Novo Testamento para afetar esta idade avançada, este iluminado século 19; nós temos ido além de tudo isso!

Ah, Irmãos e Irmãs, deixem aqueles que podem se contentar em fazer isso, colocarem-se com esta adoração de relíquias morais e fantasmas espirituais; para nós isto seria miséria em si! Nós, por outro lado, dizemos, bendizendo o nome do Senhor, que podemos dizer isso, que ali permanece conosco o nosso Senhor Jesus! Neste dia em que Ele está conosco, e estará conosco até o fim do mundo! A existência de Cristo não é um fato confinado na antiguidade ou em distância remota; pelo Seu Espírito Ele está, na verdade, em Sua Igreja; nós O temos visto, embora não com os olhos; nós O temos ouvido, embora não com os ouvidos, nós O temos agarrado, embora não com as mãos, e nos alimentamos de Sua carne, que é alimento de fato, e de Seu sangue, que é a bebida, em verdade! Temos conosco neste mesmo dia Jesus, nosso amigo, a quem damos a conhecer os nossos segredos, e que carrega todas as nossas tristezas; temos Jesus, nosso Instrutor de interpretação, que ainda revela Seus segredos para nós, e nos conduz para a mente e o nome de Deus; temos Jesus ainda conosco para nos suprir com força, e em Seu poder nós ainda permanecemos fortes; nós confessamos Seu Reinado Soberano na Igreja, e nós recebemos a Sua Ajuda Toda-Suficiente. A Igreja não está decapitada, sua Cabeça permanece em união vital com ela! Jesus não é um mito para nós, embora Ele possa ser para os outros! Ele não é nenhuma sombra passada! Ele não é uma Personificação heroica – deveras, há um Cristo, e embora os outros não O vejam, mesmo que com esses olhos não O vemos; ainda em crer nEle nós nos regozijamos com júbilo inefável e cheio de glória!

Ó, eu confio que nunca será assim conosco, que, enquanto nós prosseguimos em nossa vida de trabalho, a nossa religião deva derreter-se em ficção, e tornar-se nada mais do que um mero sentimento, nada, senão pensamento, e sonho, e visão; mas que nossa religião seja uma MATÉRIA de fato, um caminhar com o Salvador Vivo! Embora Moisés possa ter ido, e Elias possa ter ido embora, porém Jesus Cristo permanece conosco e em nós, e nós nEle, e assim será para sempre!

Agora, houve uma segunda coisa que poderia ter acontecido com os discípulos. Quando eles levantaram os olhos, eles poderiam ter visto somente a Moisés. Isto certamente teria sido uma troca muito triste pelo que eles viram: ter visto apenas Moisés, o rosto de Moisés teria brilhado, sua pessoa teria impressionado-os, e isto não teria sido algo mediano para os homens de origem humilde, como eles mesmos descerem a montanha com aquele poderoso rei em Jesurum que havia falado com Deus face a face, e descansado com Ele no conclave solene pelo espaço de quarenta dias de uma vez! Mas ainda assim, quem poderia trocar o sol pela lua? Quem trocaria os frios raios lunares de Moisés e da Lei pelos raios de sol da Afeição Divina do Salvador? Teria sido uma troca infeliz para eles, perderam o seu Mestre, cujo nome é Amor, e ter encontrado um líder no homem cujo nome é sinônimo de Lei! Moisés, o homem de Deus, não pode ser comparado com Jesus, o Filho de Deus; mas, queridos Irmãos e Irmãs, existem alguns que só veem a Moisés; depois de toda a pregação que tem havido no mundo, e da declaração do precioso Filho de Deus, todos os Domingos; após as claras revelações da Escritura, e a obra do Espírito Santo nos corações dos homens, ainda temos entre nós alguns que persistem em não ver nada, a não ser somente Moisés! Quero dizer isso – há alguns que não verão nada além de sombras, ainda meras sombras.

Enquanto eu leio a minha Bíblia, vejo lá que a idade do simbólico, do típico, do pictórico, passou; eu estou contente pelos símbolos e tipos, e as figuras, pois eles permanecem instrutivos para mim, mas a época em que eles estavam em primeiro plano, deu lugar a uma luz mais clara de Deus, e eles se foram para sempre! Há, no entanto, certas pessoas que professam ler a Bíblia e ver muito diferente; eles montaram um novo sistema de tipos e sombras – um sistema, deixe-me dizer, ridículo para os homens de bom senso, e desagradável para homens de bom gosto espiritual. Há alguns que se deleitam em ordenanças exteriores; eles devem ter rubrica e ritual, vestimentas e cerimônias, e isto superabundantemente, [pela] manhã, tarde e noite! Eles consideram dias e estações, e as formas de palavras e posturas; eles consideram um lugar sagrado acima de outro, pois eles consideram uma certa casta de homens como sendo sacerdotal acima de outros crentes, e seu amor aos símbolos é visto em tempo e fora de tempo! Alguém poderia pensar a partir de seus ensinamentos que a única coisa necessária não era “somente Jesus”, mas personalizar antiguidade, o desempenho exterior e a correta observância! Ai, por aqueles que falam de Jesus, mas praticamente veem Moisés, e somente Moisés! Ah, a mudança infeliz para o coração se pudesse trocar a comunhão espiritual com Jesus por atos exteriores e representações simbólicas; seria uma coisa infeliz para a Igreja Cristã, se ela pudesse alguma vez ser enganada fora quanto aos inestimáveis dons que a Fé obtém de Seu vivo Senhor, em Sua plenitude de Graça e Verdade – para retornar aos elementos desprezíveis de ordenanças carnais. Dia infeliz, de fato, se as falsificações Papistas de sombras legais devem suplantar o fato e substância do Evangelho! Bendito seja Deus, que não aprendemos assim a Cristo; vemos algo melhor do que apenas Moisés. Há muitos que veem somente Moisés, na medida em que não veem nada, senão a Lei, nada mais do que obrigação e preceito na Bíblia. Eu sei que alguns aqui, embora nós tentamos pregar Cristo Crucificado como sua única esperança, no entanto, sempre que leem a Bíblia ou ouvem o Evangelho, não sentem nada, exceto um senso de sua própria pecaminosidade, e resultante deste senso de pecado, um desejo de operar uma justiça de si próprios! Eles estão continuamente medindo-se pela Lei de Deus, pois eles sentem suas deficiências, eles lamentam sobre as suas transgressões, mas eles não vão mais longe. Estou contente que eles veem Moisés – pode ser que a voz severa do Legislador leve-os a Jesus, o Cumpridor da Lei!

Mas, lamento que eles fiquem por tanto tempo em servidão legal, a qual traz apenas tristeza e consternação. O direito do Sinai, que é, senão o desespero? Deus revelado em chama de fogo, e proclamando com trovão, Sua Lei flamejante – o que há ali para salvar a alma? Ver o Senhor, que de nenhuma forma poupará o culpado, mas certamente visitará a transgressão com Eterna Vingança, é uma visão que nunca deveria eclipsar o Calvário – onde o Amor faz recompensa à Justiça! Ó, que você possa ir além da montaria que não pode ser tocada, e chegar ao Calvário, onde Deus em Vingança é claramente visto, mas onde Deus, em misericórdia preenche o Trono! Ó, quão abençoado é fugir da voz de comando e ameaça, e vir ao sangue da aspersão, onde “somente Jesus” fala melhor! Moisés apenas, no entanto, tornou-se uma visão muito comum com alguns de vocês que escrevem coisas amargas contra si mesmos. Vocês nunca leram as Escrituras ou ouviram o Evangelho sem sentirem-se condenados, vocês conhecem o seu dever, e confessam quão pouco vocês observam neles; e, portanto, vocês permanecem sob condenação consciente, e não virão a Ele, que é a Propiciação pelos nossos pecados. Ai de mim, que não haja muitos que com perversidade estranha de incredulidade torcem cada Promessa em uma ameaça, e à parte de toda a Palavra de graça que pinga com mel, conseguem extrair veneno e fel.

Eles veem a sombra escura de Moisés, somente. As tábuas partidas da Lei, a montanha fumegante, e a terrível trombeta estão sempre com eles e, em geral um Deus irado! Eles tinham uma visão melhor uma vez, pois eles às vezes a têm agora, pois agora e, em seguida, sob a pregação do Evangelho, eles têm vislumbres de Esperança e Misericórdia, mas eles recaem na escuridão, eles caem novamente em desespero, porque eles optaram por ver Moisés somente. Eu oro para que a mudança possa vir sobre o espírito de seus sonhos, e que ainda, como os Apóstolos, eles possam ver “somente Jesus”.

Porém, meus Irmãos e Irmãs, havia uma terceira alternativa que poderia ter acontecido com os discípulos. Eles poderiam ter visto apenas Elias. Em vez do gentil Salvador, eles poderiam ter estado parados ao lado de Elias, de vestes ásperas e de espírito-severo. Em vez do Cordeiro de Deus, ali poderia ter permanecido com eles apenas o leão que rugia como a Voz da própria majestade de Deus no meio do Israel pecaminoso! Nesse caso, com tal líder, eles teriam descido do monte, e eu sei que, se João houvesse dito, “Ordene fogo do Céu,” Elias teria consumido seus inimigos! Os Fariseus, como os sacerdotes de Baal, teria encontrado um fim rápido; o sangue de Herodes, como o de Acabe, teria sido lambido por cães, e Herodias, como outra Jezabel, teria sido devorada da mesma forma. Mas todo este imenso poder de vingança teria sido uma pobre troca da Onipotência graciosa do Amigo dos Pecadores! Quem preferiria o matador dos sacerdotes ao Salvador dos homens? O cume do Carmelo foi glorioso quando a sua intercessão trouxe a chuva para Israel – mas quão pobre ele é comparado com o Getsêmani, cujas alegações trazem vida eterna aos milhões! Em companhia de Jesus, estamos no Elim, debaixo da palmeira, mas com Elias estamos no deserto sob o zimbro atrofiado. Quem trocaria a excelência da Oliveira pelos terrores de Horebe? No entanto, temo que há muitos que só veem Elias; profecias do futuro pesaroso os fascinam, em vez de pensamentos de presente Salvação. Elias pode ser considerado de forma representativa como o precursor de Cristo, pois nosso Senhor interpretou a Profecia da vinda de Elias, como se referindo a João Batista. Não são poucos os que permanecem na busca, se arrependendo, e preparando a condição, e não veem para “Jesus somente”, eu mesmo não gostava mesmo de usar o termo “preparar-se para Cristo”, pois parece-me que estão melhor preparados para Cristo, aqueles que mais se sentem despreparados! Mas não há dúvida de um estado do coração, que se prepara para a Fé – um senso de necessidade, uma consciência do pecado, um ódio ao pecado, tudo isso são os preparativos para a paz real e console em Cristo Jesus. E ó, quantos há que continuam ano após ano apenas nessa condição preliminar, escolhendo a vela, e recusando o sol. Eles não se tornam Crentes, mas estão sempre reclamando que eles não se sentem ainda aptos para vir a Cristo; eles precisam de Cristo, eles desejam Cristo, eles de bom grado teriam a Cristo, mas eles permanecem em desejo e anseios, e não vão mais longe.

Eles nunca chegam ao ponto de contemplar “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. A Voz do Céu para que eles, sempre interpretam como clamor, “O machado está posto até a raiz das árvores; produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”. Sua consciência está entusiasmada e emocionada novamente pela voz que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor”. Suas almas são dilaceradas e rasgadas pelo desafio de Elias: “Se o Senhor é Deus, segui-lo, mas se Baal, segui-o”, mas eles ainda permanecem indecisos entre duas opiniões, tremendo diante de Elias, e não regozijando-se perante o Salvador. Homens e mulheres infelizes! Tão perto do Reino, e ainda fora dele! Tão perto da festa, e ainda perecendo por falta do Pão Vivo. A Palavra está perto de todos vocês, (quão perto!), E ainda assim vocês não a recebem. Lembrem-se, peço-vos, que meramente preparar-se para um Salvador não é ser salvo; que ter um senso de pecado não é a mesma coisa que ser perdoado! Seu arrependimento, a menos que vocês também creiam em Jesus, é um arrependimento do qual precisa se arrepender! No cinto de João Batista as chaves do Céu nunca penduram-se; Elias não é a Porta da Salvação. A Preparação para Cristo não é Cristo! Desespero não é Regeneração; dúvida não é arrependimento. Somente pela fé em Jesus vocês podem ser salvos – mas queixar-se de si mesmos não é Fé. “Jesus somente” é o Caminho, a Verdade e a Vida. “Jesus somente” é o Salvador dos pecadores. Ó, que seus olhos estejam abertos, não para que vejam Elias, não para que vejam a Moisés – mas para que vejam a “Jesus somente”.

Vocês veem, então, essas três alternativas, mas ali também havia outra – a quarta coisa que poderia ter acontecido quando os discípulos abriram os seus olhos; eles poderiam ter visto Moisés e Elias com Jesus, assim como na Transfiguração. À primeira vista parece que isto teria sido superior ao que eles fruíram. Descer a montanha com o trio bendito – que grande privilégio! Quão poderoso poderia ter sido para o cumprimento dos Propósitos Divinos! Moisés poderia pregar a Lei, e fazer os homens tremerem, e depois Jesus poderia prosseguir com o Seu Evangelho da Graça e da Verdade; Elias poderia reluzir o raio em seus rostos, e então Cristo poderia ter erguido os espíritos humildes. Não teria sido deleitoso o contraste, e a conexão inspiradora; não teria a reunião de tais tipos diferentes de fatores contribuído para o maior sucesso? Penso que não. É algo vastamente melhor ver “Jesus somente”, como uma questão de perpetuidade, do que ver Moisés e Elias com Jesus. É noite, eu sei disto, pois eu vejo a lua e as estrelas; a manhã chega, eu sei do que se trata, pois não vejo mais muitas estrelas, apenas uma permanece, e esta é a estrela da manhã. Mas, o dia chegou completamente, eu sei que chegou, pois eu não posso ver mesmo a estrela da manhã; todos aqueles guardiões e mantos da noite desapareceram. Eu só vejo o sol. Agora, na medida em que cada um prefere o meio-dia à meia-noite e ao crepúsculo da madrugada, o desaparecimento de Moisés e Elias, indicando o meio-dia cheio de luz, foi a melhor coisa que poderia acontecer. Por que queremos ver Moisés? As cerimônias são todas cumpridas em Jesus, a Lei é honrada e cumprida Nele. Deixem Moisés ir! Sua luz já está em “somente Jesus”. E por que eu desejaria manter Elias? As profecias estão todas cumpridas em Jesus, e a preparação a qual Elias pregou, Jesus traz consigo; deixem, então, Elias ir, a sua luz também está em “somente Jesus”. É melhor ver Moisés e Elias em Cristo, do que ver Moisés e Elias com Cristo! A ausência de algumas coisas prenuncia um estado superior de coisas do que sua presença. Na minha biblioteca eu não sei se eu tenho uma Gramática de inglês Lennie, ou um Livro de Ortografia Mayor, ou os Primeiros Exercícios de Latim de Henry, nem posso lamentar a ausência dessas obras valiosas, porque eu tenho mais do que a necessidade deles. Assim, o cristão precisa não dos símbolos de Moisés, ou dos preparativos de Elias, pois Cristo é Tudo – e nós somos completos nEle! Aquele que está familiarizado com as esferas superiores da literatura sagrada, e lê no Livro dourado do coração de Cristo, pode deixar à distância, com segurança, os livros escolares legais. Estes foram bons o suficiente para a infância da Igreja, mas temos agora que pôr de lado as coisas de menino. “Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” [Gálatas 4:3-6].

Meus Irmãos e Irmãs, o princípio pode ser levado ainda mais longe, pois até as coisas mais preciosas que nós estimamos aqui abaixo desaparecerão quando plenamente concretizadas no céu. Formoso em posição era o Templo no Monte Sião, e embora eu não acredite na santidade de edifícios sob o Evangelho, nós amamos o lugar da reunião solene, onde estamos acostumados a oferecer oração e louvor. Mas quando entrarmos na Perfeição não encontraremos nenhum templo no céu. Nós nos deliciamos em nossos Domingos, e nós não desistiremos deles; ó que a Inglaterra nunca perca seus Domingos! Mas quando chegarmos a Jerusalém do alto, não observaremos o primeiro dia da semana acima do resto, porque haveremos de desfrutar de um Domingo eterno! Nenhum Templo, porque tudo [é] Templo, e nenhum Domingo, porque tudo [é] Domingo no Céu! Assim, vocês veem que a perda em algumas coisas é ganho – isso prova que temos obtido além de sua ajuda; assim como nós vamos além da creche e todos os seus acessórios, e nunca nos arrependemos, porque nós nos tornamos homens, assim Moisés e Elias passaram, mas nós não sentimos a falta deles, pois “somente Jesus” indica a nossa humanidade. É um sinal de maior crescimento quando podemos ver Jesus somente; meus Amados, grande parte desse tipo de coisa acontece com todos os cristãos em sua vida espiritual. Lembrem-se de quando vocês eram antes de tudo, condenados e despertados, que grande negócio você pensava do pregador, e quanto do próprio estilo em que ele falou do Evangelho? Mas agora, embora vocês se deleitem em ouvir a sua voz, e acham que Deus os abençoa através dele, ainda assim, vocês têm afundado o pensamento do pregador na Glória do Mestre!

Vocês não veem nenhum homem, exceto “somente Jesus”. E enquanto vocês crescem na Graça, descobrirão que muitas Doutrinas e pontos de Governo da Igreja, que uma vez pareceram para vocês ser tão importantes – Embora vocês ainda os valorizará, aparecerão apenas de pequena consequência, comparados com o próprio Cristo. Como o viajante subindo os Alpes para chegar ao cume do Mont Blanc, primeiramente ele observa o senhor das colinas como um chifre entre muitos, e muitas vezes na torção do seu caminho para o alto, ele vê outros picos que aparecem mais elevados que a monarca das montanhas. Mas quando, finalmente, ele está perto do cume, ele vê todo o restante das colinas sob seus pés, e como uma poderosa cunha de alabastro, Mont Blanc perfura as próprias nuvens! Assim, à medida que crescemos na Graça, outras coisas afundam, e Jesus sobe; elas devem diminuir, e Cristo deve aumentar – até que Ele, somente, preenche o pleno horizonte de nossa alma, e eleva-se claro e brilhante, e glorioso para cima no próprio Céu de Deus! Ó, que nós possamos, assim, ver “somente Jesus!”

II. O tempo passa tão rapidamente, esta manhã, que eu não sei como eu vou ser capaz de comprimir o restante de meu discurso no espaço alocado. Precisamos, da maneira mais rápida, falar sobre O QUE REALMENTE ACONTECEU.

“A ninguém mais viram, senão somente a Jesus”. Isso era tudo o que eles precisavam ver para o seu consolo, pois eles estavam extremamente receosos – Moisés tinha ido embora, e ele não poderia dar-lhes nenhum conforto; Elias se foi – ele não poderia falar nenhuma palavra consoladora; ainda quando Jesus disse: “Não tenham medo”, os seus temores desapareceram! Todo o consolo, então, que qualquer coração perturbado precisa, ele pode encontrar em Cristo! Não vá a Moisés, nem a Elias, nem para a Antiga Aliança, nem para a Profecia; vá direto para Jesus somente! Ele era todo o Salvador que eles precisavam. Todos aqueles três homens necessitavam de lavagem do pecado; todos precisavam ser mantidos e conservados no seu caminho, mas nem Moisés, nem Elias poderiam tê-los lavado do pecado, nem tê-los guardados de retornar a isto. Somente Jesus poderia purifica-los, e o fez; Cristo poderia conduzi-los, e o fez. Ah, Irmãos e Irmãs, todo o Salvador que precisamos encontramos em Jesus somente! Os padres de Roma, e seus imitadores Anglicanos oficiosamente nos oferecem seus serviços; quão felizes eles seriam se nós dobrássemos o pescoço mais uma vez ao seu jugo! Mas graças a Deus que temos visto a “Jesus somente”, e se Moisés se foi, e se Elias passou, não é provável que deixemos os tolos de Roma entrarem e preencherem a vaga! “Jesus somente”, é o suficiente para o nosso consolo, sem nenhum sacerdócio Anglicano, Mosaico ou Romano. Ele novamente foi para eles, como eles foram depois para o mundo, o suficiente para um Mestre. “Ninguém pode servir a dois senhores”, e ainda que, Moisés e Elias possam afundar-se no segundo posto, ainda assim pode ter havido alguma dificuldade na mente dos seguidores se a liderança fora dividida? Mas, quando eles não tinham líder, senão Jesus – Seu guia, Sua direção e comando foram completamente suficientes. Ele, no dia da batalha, foi o suficiente como o seu Capitão; no dia da dificuldade, o suficiente para a sua direção. Eles não precisavam de ninguém a não ser Jesus! Neste dia, meus Irmãos e Irmãs, não temos nenhum Mestre, senão Cristo; nós não nos submetemos a qualquer vigário de Deus; não nos inclinamos diante de qualquer grande líder de um partido, nem Calvino, nem Armínio, Wesley ou Whitefield. “Um é o nosso Mestre”, e este Único é suficiente, pois aprendemos a ver a sabedoria de Deus, e o Poder de Deus em Jesus somente!

Ele foi o suficiente como o seu poder para a vida futura, bem como o seu Mestre. Eles não precisavam pedir a Moisés para dar-lhes dignidade oficial, nem de pedir a Elias para trazer fogo do céu a eles; Jesus lhes daria o Seu Espírito Santo, e eles seriam fortes o suficiente para cada empreendimento. E, Irmãos, todo o poder que vocês e eu precisamos para pregar o Evangelho, e conquistar almas para a Verdade, podemos encontrar em Jesus somente! Vocês não precisam de Condição de prestígio sagrado, nem fingida sucessão Apostólica, nem unção prelatícia – Jesus os ungirá com o Seu Espírito Santo, e sereis abundantemente dotados de Poder do alto, de modo que vocês devem fazer grandes coisas e prevalecer! “Jesus somente”. Ora, eles não precisavam de nenhum outro motivo para compeli-los a usar o seu poder de forma correta; é um incentivo suficiente para um homem ser autorizado a viver por um Um como Cristo; apenas permitam que o pensamento de Cristo preencha o intelecto iluminado, e isso deve conquistar as afeições santificadas! Deixem que somente Jesus seja bem compreendido como o Deus Eterno, que inclinou-se dos céus, e desceu, e sofreu a vergonha e a ignomínia, para que Ele pudesse nos Redimir da ira vindoura; Tenhamos apenas uma visão da cabeça coroada de espinhos, e daqueles queridos olhos todos vermelhos de tanto chorar, e daquelas doces bochechas machucadas e surradas pelos punhos dos escarnecedores; olhemos apenas olhar para o terno coração que foi quebrado com dores indizíveis por nossa causa – e o Amor de Cristo nos compelirá, e nós faremos, assim: “julgando nós assim: que, se Um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” [2 Coríntios 5: 14-15].

No ponto de motivo, os Crentes não precisam da ajuda de Moisés, para que devam fazer tal coisa, porque senão vocês serão punidos, mas serão somente pouco fortalecidos; nem serão muito ajudados pelo espírito de profecia que os leva a esperança de que, no período milenar serão feitos governantes sobre muitas cidades; será o suficiente para vocês que sirvam a Cristo, o Senhor! Será o suficiente para vocês, se puderem estar habilitados a honrá-Lo, adornarem a Sua coroa, magnificarem o Seu nome; aqui há estímulo suficiente para mártires e confessores – “Somente Jesus”. Irmãos, este é todo o Evangelho que temos que pregar, é todo o Evangelho que precisamos pregar; é a única base de confiança que temos para nós mesmos, é toda a esperança que temos para estabelecer diante de outros. Eu sei que nesta época há um enorme desejo por aquilo que tem o aspecto de ser intelectual, profundo e curioso; e muitas vezes somos informados de que deve haver uma evolução da religião, mesmo como na ciência, e somos desprezados como sendo homens ásperos, certamente homens não pensantes, se pregamos hoje o que foi pregado há 200 anos! Irmãos e Irmãs, pregamos hoje o que foi pregado há 1800 anos, e onde os outros fazem alterações, eles criam deformidades, e não melhorias! Nós não temos vergonha de confessar que somente a Velha Verdade de Cristo é eterna, todo o resto se foi ou deve ir, mas as torres do Evangelho se eleva nos destroços do tempo; para nós “somente Jesus” permanece como o único tópico do nosso ministério, e não precisamos de mais nada, pois “Jesus somente” deve ser a nossa Recompensa; estar com Ele onde Ele está; contemplar a Sua Glória; ser como Ele, quando o veremos como Ele é! Nós não pedimos nenhum outro Céu; nenhuma outra bem-aventurança pode conceber a nossa alma! O Senhor nos conceda que possamos ter uma plenitude deste, e “somente Jesus” será por toda a eternidade o nosso deleite.

Houve aqui espaço para ter dilatado longamente, mas demos-lhe os princípios do pensamento ao invés dos próprios pensamentos. Embora os Apóstolos viram “somente Jesus”, eles viram bastante o suficiente, pois Jesus é suficiente para o tempo e a eternidade, o suficiente para viver e o suficiente para morrer por.

III. Eu devo concluir, embora eu estaria feliz em continuar. Amados, vamos pensar sobre O QUE DESEJAMOS QUE POSSA ACONTECER a todos agora presentes.

Eu desejo para os meus irmãos Cristãos, e para mim mesmo, que cada vez mais o grande objeto de nossos pensamentos, motivações e atos possa ser “Jesus somente”. Acredito que sempre que a nossa religião é mais vital, esta é mais plena de Cristo. Além disso, quando esta é mais prática, francamente, e de acordo com o senso comum, ela sempre fica mais próxima de Jesus. Eu posso testemunhar que sempre que estou em abismos de tristeza, nada funcionará para mim, senão “Jesus somente”. Eu posso descansar em algum grau nas exterioridades da religião, suas encostas exteriores e baluartes, quando estou saudável, mas eu me retiro para a cidadela mais íntima da nossa Santa Fé, ou seja, para o próprio coração de Cristo, quando o meu espírito é assaltado pela tentação, ou sitiado pela tristeza e angústia. Além disso, o meu testemunho é que sempre que eu tenho grandes alegrias espirituais – prazeres ricos, raros, celestes eles estão sempre conectados a Jesus somente. Outras coisas religiosas podem dar algum tipo de alegria, e alegria que é saudável, também, porém a mais sublime, a mais inebriante, a mais Divina de todas as alegrias, deve ser encontrada em Jesus somente! Em verdade, acho que se eu precisar trabalhar muito, tenho que viver com Jesus somente; se eu desejo sofrer pacientemente, eu tenho que alimentar-me de Jesus somente; se eu desejo pelejar com Deus com sucesso, devo declarar somente Jesus; se eu aspiro vencer o pecado, devo usar o sangue de Jesus somente; se eu anelo aprender os mistérios do Céu, tenho que buscar os ensinamentos de Jesus somente! Eu acredito que qualquer coisa que acrescentamos a Cristo rebaixa a nossa posição; eu acredito que quanto mais elevada a nossa alma se torna, quanto mais próxima com o que há de ser quando ela entrar na região do perfeito, mais completamente todo o restante afundará, morrerá – e Jesus, Jesus, Jesus somente, será o Primeiro e Último, e Meio e sem fim, o Alfa e o Ômega de cada pensamento da cabeça e do pulsar do coração! Que seja assim com cada Cristão!

Há outros aqui que ainda não são Crentes em Jesus, e nosso desejo é que isso possa acontecer com eles, para que possam ver “Jesus somente”. “Ó”, diz alguém, “Senhor, eu quero ver os meus pecados! Meu coração é muito duro e muito orgulhoso; Eu quero ver os meus pecados!” Amigo, eu também desejo que você os veja, mas eu desejo que você possa vê-los não em si mesmo, mas em Jesus somente! Nenhuma visão do pecado alguma vez traz tal verdadeira humilhação de espírito como quando a alma vê seus pecados repousando sobre o Salvador! Pecador, eu sei que você pensou de pecados como repousando sobre si mesmo, e você tem tentado sentir o seu peso – mas há uma visão mais feliz e melhor! O pecado foi colocado sobre Jesus, e isto O fez ser coberto com um suor sangrento; isto O pregou na Cruz; isto O fez clamar, “Lamá Sabactâni”; isto O curvou no pó da morte. Ora, Amigo, se você vê o pecado em Jesus, você vai odiar isso, você lamentará por ele, você vai abominá-lo!

Você não precisa olhar mais para o pecado como suportando você mesmo, mas veja Jesus somente, e o melhor tipo de Arrependimento se seguirá. “Ah, mas”, diz outro, “Eu quero sentir mais a minha necessidade de Cristo”. Você verá a sua necessidade tanto melhor se você olhar para Jesus somente; muitas vezes o apetite por uma coisa é criado pela visão disto. Ora, há alguns de nós que quase não podem permanecer em uma loja de livreiro, porque embora possamos estar muito bem em casa, sem um certo volume, nós nem bem o vemos para que tenhamos uma necessidade urgente dele! Assim, com frequência é com alguns de vocês sobre outros assuntos, que isto se torna mais arriscado para que você veja. Agora, porque você precisará, assim que você tiver uma visão de Jesus, saber que Ele é para os pecadores, o que Ele faz com os pecadores, o que Ele é em Si mesmo; isto fará você tender a sentir a sua necessidade Dele mais do que tudo debruçado sobre seu pobre miserável eu! Você não ficará mais ali, olhe para “Jesus somente”. “Sim”, diz outro, “mas eu quero ler meu título claro; eu quero saber que eu tenho um interesse em Jesus”. Você lerá o seu melhor interesse em Cristo, através do olhar para Ele. Se eu quiser saber se uma determinada propriedade é minha, olho eu para o meu próprio coração, para ver se eu tenho direito a isso? Ou eu olho para os documentos da propriedade? Eu investigo os testamentos e convênios.

Agora, Jesus Cristo é a Aliança de Deus com o Seu povo, um Guia e Comandante do povo. Hoje eu pessoalmente posso ler meu título claro para o Céu, e eu lhes direi como eu o leio? Não é porque eu sinto tudo o que eu gostaria de sentir, nem porque eu sou o que eu espero que eu ainda devo ser – mas eu leio na Palavra de Deus que “Jesus veio ao mundo para salvar pecadores”. Eu sou um pecador, mesmo que o Diabo me diga que não! Ó precioso Salvador, então Você veio para salvar tais como eu sou! Então, eu vejo isso escrito de novo: “Quem crer e for batizado, será salvo”. Eu tenho crido, eu fui batizado; eu sei que eu confio apenas em Jesus, e isto é crer! Tão certamente, então, como há um Deus no Céu, estarei no Céu um dia! Isto tem que ser assim, porque, a menos que Deus seja um mentiroso, aquele que crê deve ser salvo! Veja você, não é por olhar para dentro, é ao olhar para Jesus somente que você percebe, finalmente, o seu nome gravado em Suas mãos! Eu gostaria de ter o nome de Cristo escrito em meu coração, mas se eu quiser segurança, eu tenho que olhar para o Seu coração até eu veja o meu nome escrito ali! Ó, vire os seus olhos para longe de seu pecado, e de seu vazio para Sua Justiça, e Sua Plenitude! Veja as gotas do suor sangrento enquanto caem no Getsêmani; veja o Seu coração traspassado e derramando sangue e água pelos pecados dos homens sobre o Calvário; há vida em um olhar para Ele! Ó, olhe para Ele, e embora seja Jesus somente, embora Moisés deva condená-lo, e Elias deva alarma-lo, ainda assim “Jesus somente” deve ser suficiente para consolo, e suficiente para salvar você!

Que Deus nos conceda Graça, a cada um de nós, para tomar como o nosso lema na vida, para nossa esperança na morte, e para a nossa alegria na Eternidade, “somente Jesus”. Que Deus vos abençoe por causa de “Jesus somente”. Amém.

Porção da Escritura lida antes do Sermão – Mateus 17.

[Adaptado de The C. H. Spurgeon Collection, Version 1.0, Ages Software. Veja todos os 63 volumes de sermões CH Spurgeon em Inglês Moderno, e mais de 525 traduções em espanhol, acesse: www.spurgeongems.org]

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♦ Fonte: SpurgeonGems.Org │ Título Original: “Jesus Only”

♦ As citações bíblicas desta tradução foram retiradas da versão ACF (Almeida Corrigida Fiel)
♦ Tradução: Camila Rebeca Almeida
♦ Revisão: William Teixeira


A Depravação Total do Homem e a Sua Necessidade de Um Salvador, por Paul David Washer

[Baixe o e-book desse sermão, em formato PDF, clicando AQUI]

É um grande privilégio para mim estar com vocês nesta noite de hoje. E vou ficar aqui sob uma condição, e a condição é esta: que vocês não quebrem o meu coração. Como é que vocês vão quebrar o meu coração? Ao atribuir a homens a glória que só pertence a Deus!

[Ouvintes aplaudem]

Outra coisa: Nós já tivemos palmas o suficiente hoje à noite. Por favor, não batam palmas.

Às vezes eu gostaria de te pegar pela mão e conduzir você na história da igreja, eu gostaria de introduzir você a homens e a igrejas na história, que estimavam a Deus a tal ponto, que honravam a Deus a tal ponto, que eles nunca fariam o que vocês fizeram aqui hoje à noite. Homens são pó, e à parte da graça de Deus eles não são nada mais do que pessoas que odeiam a Deus. Isso inclui até aqueles de nós que pregamos. Se nós verdadeiramente conhecemos a Deus. Se nós realmente estamos na Sua Presença, se um homem é verdadeiramente homem de Deus, ele não pode suportar as palmas, ele não pode suportar as honras dadas a homens. A Deus somente pertence a glória! Você conhece a Deus? De tal forma que você O teme, eu conheço um Deus, o Deus das Escrituras, que quando a glória é dada aos homens, Ele mata aqueles homens. Eu quero viver. Eu quero honrar a Deus. E eu quero que você aprenda a honrar a Deus, ao não estimar homens. Homens são homens.

O que nós vamos fazer hoje à noite? Nesta manhã, nós falamos sobre a preeminência do Evangelho. Hoje à noite nós vamos falar sobre a necessidade do Evangelho. Eu tenho que fazer algo hoje à noite que não vai ser agradável, eu preciso falar do pecado do ser humano, e eu preciso falar da ira de Deus, só então você consegue entender o Evangelho de Cristo Jesus. Alguns de vocês vão dizer o seguinte: “Por que ele veio este caminho todo até aqui para nos ensinar sobre pecado?”, e eu vou te dar uma razão: Porque muitos pregadores hoje em dia não estão falando sobre pecado, e por causa disso você não consegue apreciar a graça, e por causa disso você não consegue entender o temor do Senhor. A fim de viver uma vida cristã, nós temos que entender e saber quem nós éramos antes de Jesus Cristo intervir em nossa vida. Eu ouvi muitos pregadores dizerem o seguinte: “Nós não falamos muito de pecado em nossa igreja, porque nós queremos falar do amor de Deus. Então, nós não vamos falar de pecado”. Eu quero dizer das Escrituras, O Espírito Santo não está naquela igreja. E o Espírito Santo não está no ministério daquele homem. Por que que eu sei disso? Por causa daquilo que Jesus disse: Quando o Espírito vier, um dos seus ministérios prioritários será de convencer o mundo do pecado [João 16:8] . Se a nossa pregação não está levando as pessoas à convicção de pecado. Então o Espírito Santo não está no nosso ministério, palavras de Jesus.

Então, agora vamos para umas das passagens mais importantes em toda a Bíblia, Romanos capítulo 3. Vamos começar no verso 23:

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.

Verso 23, “Pois todos pecaram”, isso atemoriza você? Isso faz você tremer? Quando você foi convertido, alguém falou para você do pecado? Eles explicaram para você a Doutrina do Pecado? Eles explicaram para você quem é Deus, de tal forma que você tremesse diante do seu pecado? Muitas pessoas hoje em dia não sabem nada sobre o pecado. Os pregadores não lhes explicam sobre o pecado. Eles não ensinam os atributos de Deus. Então, algumas pessoas olham para Deus como se fosse um vovô tolo ou um Papai Noel, e eles veem o seu pecado como se fosse uma coisa pequena. Não existe forma de eu explicar para você quão terrível é o pecado diante de um Deus Santo. Deixe-me dar uma ilustração, no dia da criação Deus ordenou às estrelas a serem colocadas em lugares diferentes do espaço, e todas elas se curvaram em adoração diante de Deus. Deus falou para os planetas se moverem em esferas, em círculos, e eles disseram: “Amém”, e obedeceram ao Criador. Deus falou para as montanhas: “Se levantem”. E Ele falou para os vales: “Abaixem-se”, e eles se submeteram à Sua voz. Deus falou para o mar: “Você vai vir até aqui, mas não passarás daqui”, e o mar O adorou e O obedeceu. Então, Deus olhou para você, e disse: “Venha”. E você disse: “Não!”. E por esta razão, se você não está em Cristo no dia do Juízo toda a criação vai se levantar e vai acusar você diante de Deus. E eles vão dizer: “Amém!”, quando Deus condenar a sua alma ao Inferno.

É assim que é o pecado, horrível desse jeito. Mas é tão difícil as pessoas entenderem isto hoje. Por quê? Porque eles entendem tão pouco sobre Deus… Por que o pecado é horrível? Será que é por que resulta em morte? Não! Será que é por que atrapalha a sociedade? Não! Então, por que é tão horrível? É porque ele é cometido contra um Deus que é absolutamente Digno, que é Digno de toda adoração, louvor e obediência.

Agora, eu gostaria de por alguns instantes aqui olhar para o pecado em uma perspectiva bíblica. Eu quero que você observe duas coisas acerca do pecado: Eu quero que você entenda primeiramente que é mais do que uma coisa que você faz, é uma parte de nós. Os teólogos falam de uma depravação radical. Significa que a corrupção moral permeia todos os aspectos do nosso ser. E antes de uma pessoa vir a Cristo, é isso que é o homem. Volte para o livro de Gênesis comigo, por favor. Capítulo 6, verso 5:

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”.

Olha para a última frase: “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má”, isto aqui está falando do homem, antes do Dilúvio, mas entenda uma coisa: o Dilúvio lavou a terra dos homens, mas o Dilúvio não poderia lavar o coração dos homens. Assim que Noé e a sua família saíram da arca o pecado começou de novo. Enquanto estavam na arca havia pecado. E ele, cresceu, cresceu e cresceu na terra. Agora, veja o que diz, olhe para sua Bíblia: É isso que é dito de você e de mim antes de nós nos achegarmos a Cristo. E se você está aqui hoje à noite sem Cristo, este verso descreve você agora! Diz que “todo desígnio do seu coração era continuamente mal”.

Um dia depois de pregar em certo lugar, um repórter se aproximou de mim, ele estava muito irado. Ele disse: “Eu não acredito no que você está dizendo, eu não acredito no que você prega sobre o mal estar continuamente presente no coração do homem”. Então, eu olhei para ele e disse o seguinte: “Senhor, eu não preguei isto, eu li da Bíblia, está na Bíblia, é a verdade. A Bíblia testifica disto, a História dá testemunho disso e até a sua consciência, se você tem uma, ela dá testemunho disso”. Deixe-me dar um exemplo: Se eu pudesse chegar até o seu coração agora, e eu conseguisse tirá-lo, e tirasse todos os pensamentos que você já pensou, e os colocasse em um DVD. E eu dissesse a você o seguinte: Hoje à noite, ao invés de pregar, eu vou mostrar o seu DVD. Todo o pensamento que você já teve, todo o mal que você cometeu na escuridão, toda obra. Eu vou mostrar hoje à noite. O que você faria? Você cairia de joelhos e imploraria para eu não fazer isso, porque você já pensou coisas tão perversas que você não poderia compartilhar nem com o seu melhor amigo. Se os seus melhores amigos soubessem o que você já pensou deles em algum momento da sua vida, eles não seriam amigos seus.

Então, o que a Bíblia testemunha, o que ela diz, é verdadeiro. E eu não estou dizendo isto porque eu sou mau, eu estou dizendo isto porque eu amo você! E a única maneira de ser curado é saber que você tem esse câncer, você tem que saber disso. O que você pensaria de mim se eu fosse um médico, e soubesse que você tem câncer, mas não tinha vontade de dizer isto para você, porque eu não queria magoar você. Imagina se eu faço isto. Eu sou considerado imoral, eu poderia perder a minha licença, quanto mais um pregador! Se eu sei que a Bíblia diz isso de nós, se eu não proclamo isto, eu sou imoral. Se eu não proclamo isso, não é porque eu amo você, é porque eu me amo. E eu quero que você goste de mim, e isso é mais importante para mim do que a sua alma. E é assim que muitos pregadores são hoje, por causa do temor dos homens, para preservarem a si mesmos, eles vão fazer “coceirinhas” nos seus ouvidos para você gostar deles. Mas, aí você vai se encontrar com eles nos Inferno, porque não pode ser assim. Você precisa saber a verdade, é isso que é o homem. É por isso que um pouquinho de religiosidade não conserta você. É por isso que a igreja católica e nem a igreja evangélica pode consertar você. Só uma obra sobrenatural de Deus pode consertar você através da Cruz de Jesus Cristo. É assim que nós somos!

Agora, dê uma olhada em Gênesis capítulo 8, verso 21:

“E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz”.

O seu coração é mal desde a sua mocidade, diz o texto. O termo hebraico é até mais amplo, e não se refere somente à mocidade, mas se refere inclusive à infância. E o quê que isso significa? A corrupção moral do nosso coração, não é algo aprendido, é algo com o qual nós nascemos é algo que nós somos desde o nosso nascimento. É o resultado da Queda de Adão. E uma parte disso permanece um mistério, mas a Escritura é clara todos os homens nasceram em pecado e todos os homens nascem moralmente corruptos [Salmos 51:5]. Eu já ouvi músicas que eram tão heréticas… Uma delas, em particular, tinha a seguinte frase: “se crianças nos guiassem o mundo estaria em paz”. Quem escreveu esta música nunca teve criança, quem escreveu esta música não sabe nada da humanidade e não sabe nada da Bíblia também. Deixe-me provar isto para você: Eu tenho uma criança de três anos, e eu a coloco em uma sala, e lhe dou todos os brinquedos do mundo, um a um os coloco em sua mão; até que eu encontro um brinquedo que ele não quer, então eu o coloco em sua mão de novo e ele joga fora, eu coloco em sua mão novamente, ele grita e chora e joga o brinquedo fora de novo. Mas, eu sei de algo que pode fazer a criança desejar aquele brinquedo mais do que todos os demais. Sabe o que eu tenho que fazer? Trazer outra criança, colocar esta criança em frente dela e dar o brinquedo que ela não gosta na mão da outra criança. E o que acontece? Terceira Guerra Mundial! É assim que nós somos, o que nós vemos naquelas crianças é a razão de toda a guerra, a razão de todo assassinato, de todo estupro. Está lá! E, à parte da Graça “restringidora” de Deus, isto permearia o mundo e nós seríamos destruídos!

Deixe-me dar um exemplo: Hitler. Você acha que ele era uma anomalia? Você acha que ele era um fenômeno? Uma pessoa rara, diferente da sociedade? Tem algo que você precisa aprender sobre Teologia: Tem uma Graça comum que restringe todo o mundo, e se você não é como Hitler, é só por causa da Graça de Deus que restringe você, e se Deus puxasse esse “freio” de você, você ia fazer com que Hitler parecesse um mocinho de coral. Você está entendendo o que eu estou dizendo? Ele não era uma anomalia, ele era um reflexo do que todos nós somos, a não ser que Deus restrinja a maldade do homem. Essas são verdades que ninguém quer ouvir, e são verdades que pregadores não querem pregar, mas são necessárias. Elas são as Escrituras! E elas foram ensinadas em toda a História da Igreja até o presente. Agora os profetas, ao invés de irem até Deus para obterem uma Palavra de Deus para o povo, eles vão até o povo para descobrir o que é que o povo quer ouvir. Você tem que saber disso para que você seja salvo.

Agora vamos para Isaías 64, verso 6:

“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam”.

Deus é perfeitamente Justo, perfeitamente Reto. E ele não pode tolerar injustiça. Deixe-me provar isto a você: Quantas vezes Adão e Eva pecaram, antes de serem expulsos do Jardim? Só uma vez. Eles pecaram uma única vez. Eles pecaram uma vez e o universo inteiro foi lançado no caos. Toda a criação foi trazida para debaixo do Juízo de Deus… Um pecado. Pergunta: quantas vezes você pecou? Agora multiplique um pouco, e pense naquilo que está acontecendo. Nós não pensamos muito em pecado, mas nós temos que pensar! Olhe o que diz aqui “todos nós somos como o imundo”, diz o verso 6. A palavra no hebraico pode significar diferentes coisas e você tem sempre que considerar o contexto. Refere-se a coisas tão feias, que não quero nem compartilhar diante de todos que estão aqui. Mas, uma das coisas que pode se referir aqui nesse texto, é a lepra. Você já viu um leproso? Eu sei que têm diferentes estágios e fases da lepra. Existe um tipo que é pior e é horrível. Se eu trouxesse um leproso aqui para este lugar, você ia cheirá-lo. Se eu o trouxesse para o palco, você não poderia olhar para ele. Mas, supomos que façamos o seguinte: olhamos para o leproso e temos compaixão. Então, vamos para o Rio de Janeiro e compramos o melhor linho, a melhor seda que encontramos. Com essa seda linda que achamos, cobrimos o leproso de cima em baixo, fazendo-o se tornar “apresentável”, mas só por alguns segundos. Mas, o que acontece? A corrupção dentro do leproso vai começar a sangrar e a sujar aquela seda, e vai contaminar tudo. É por isso que você não pode ser salvo pelas suas boas obras. É por isso que as suas boas obras são como trapos de imundícia. Antes de ser um cristão, você não tem boas obras, porque todas elas são permeadas pela corrupção moral do seu coração.

Agora vamos voltar par ao nosso texto [inicial], Romanos, capítulo 3:

“Pois todos pecaram”.

Agora eu quero que você pense em uma coisa. A primeira coisa que eu quero dizer é a seguinte: A Bíblia não é um livro de teologia sistemática. A coisa mais próxima de uma teologia sistemática na Bíblia é o livro de Romanos, onde Paulo está explicando à igreja de Roma aquilo que ele crê. O livro tem 16 capítulos. Os primeiros 11 capítulos lidam com teologia, com doutrina. E os capítulos 12 a 16 lidam com a prática. Então, nós temos 11 capítulos de teologia. Não é incrível que Paulo dedica os três primeiros capítulos à Doutrina do Pecado? Um quarto da sistemática dele, ele dedica à Doutrina do Pecado. Eu acredito que para o apóstolo Paulo ensinar sobre o pecado era muito importante. Olhe o que ele faz em Romanos, capítulo 3, verso 10:

“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” .

Paulo é um apóstolo e escreve sobre a inspiração do Espírito Santo. Mas, ele quer provar o ponto dele com tanto poder, que ele traz, então, uma longa sequência de textos do Antigo Testamento, “não há um justo”. O que significa justo? Significa um padrão, significa estar de acordo com aquele padrão. Qual é o padrão? O Caráter de Deus e a Vontade de Deus. E, a fim de que você esteja na Presença de Deus, você tem que estar perfeitamente conformado à sua Retidão, à Sua Justiça. Sem um pecado sequer.

Às vezes eu estou no avião e eu quero testemunhar para as pessoas. Abro o Novo Testamento grego, porque eles começam a olhar e dizer: “O que é isso? Que língua é essa?”. Aí me dá uma oportunidade para testemunhar. E, às vezes, alguém vai fazer a seguinte pergunta: “O que eu tenho que fazer para ir para o céu?”. Aí, eu olho para a pessoa e falo: “É fácil… Você tem que ser absolutamente perfeito na sua moral, desde o momento que você nasce até o momento que você morre”. E, então, eu volto a ler, e eu consigo olhar para eles, pelos cantos dos meus olhos, e eles estão assim [aparentando perplexidade], e eles me perguntam: “Como é que eu vou para o céu mesmo?”. Aí eu digo: “Desculpe-me, deixe-me explicar de novo… Você deve ser moralmente perfeito do momento que você nasce até a sua morte”, e eu volto a ler. E eles me olham, eles me cutucam no ombro e falam: “Isso é impossível”, e eu olho para eles e respondo: “É… Realmente é impossível. Então, você tem um grande problema, não é?”. Então, está vendo? É isso que você deve enxergar: não é simplesmente ser bom comparado com outras pessoas, você tem que ser perfeitamente justo em comparação com Deus, sem um desvio sequer da Sua Lei. Paulo diz que não há justo, nem um sequer. Aí, ele diz no verso 11, que “não há quem entenda, não há quem busque a Deus”.

Ouça o que eu vou dizer com muita atenção, porque ao redor do mundo eu tenho ouvido o seguinte, e nos Estados Unidos também, e aqui no Brasil: que há grandes avivamentos acontecendo. Não, não está acontecendo, e eu vou [lhes] dizer o porquê não está acontecendo: porque a maioria das igrejas que estão repletas, com 10, 15, 20 mil pessoas, eu escuto a pregação, eles não estão buscando a Deus; o pregador não está pregando a Deus, ele prega a Deus como se Deus fosse uma máquina, onde você coloca uma moedinha e consegue alguma coisa. E as pessoas se aproximam de Deus, não por causa de Deus, mas por aquilo que eles podem conseguir de Deus! Isto não é avivamento! Avivamento é quando você deseja a Cristo somente! É assim que o Espírito de Deus verdadeiramente se move em você. O que a Bíblia diz sobre o pecador? Ele não busca a Deus. Uma das características do homem carnal: Ele não busca a Deus. Ele pode buscar coisas religiosas, ele pode desejar a prosperidade que supostamente vem de Deus, mas ele não quer Deus somente porque ele ama a Deus. Tem algo que você precisa entender aqui: Todo mundo quer ir para Céu, mas tem um problema: A maioria das pessoas não quer que Deus esteja lá quando eles chegarem, mas o cristão preferiria ir para o Inferno com Cristo, do que estar no Céu sem Ele. Um cristão não tem medo de Inferno, ele tem medo de ser separado de seu Amado! Um cristão considera tudo como refugo para ter o conhecimento de Deus.

A Bíblia fala que não há quem entenda, não há quem busque a Deus, verso 12 [de Romanos 3]:

“Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só”.

Ouça o que eu vou dizer. Se nós terminássemos agora e você saísse, mesmo se eu chagasse até alguns de vocês hoje, se eu perguntasse a alguns de vocês: “se você morrer você vai para o Céu? Muitos diriam: “Sim”. “Por quê?”. “Eu sou uma pessoa boa, eu nunca matei ninguém, eu sei que eu já cometi muitos erros moralmente falando, mas eu sou basicamente bom”. Você percebe a grande heresia do homem? É que ele pensa que ele é bom. E a única forma do Cristianismo entrar na vida dele, é realmente conhecer que não é bom. Você não pode salvar a si mesmo. Você não chega neste tipo de justiça. Não existem um sequer que seja bom, nenhum sequer.

Vamos agora para o verso 19:

“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus”.

Muitas pessoas têm a ideia de que para ir para o céu, tem que guardar os dez mandamentos, que através de guardar os dez mandamentos você pode ser salvo. Você não entende o propósito da lei. A lei nunca foi dada para salvar ninguém. Ela está repleta de coisas lindas, de verdades maravilhosas, é um guia excelente para a vida, é muito benéfica para a vida cristã, quando usada apropriadamente. Mas veja o problema com a Lei: você não consegue guardá-la! Lembra-se do que Moisés disse? Aquele que vive pela Lei, por ela viverá; aquele que não faz isso, morrerá. Não existe uma pessoa sequer nesse recinto que viveu de acordo com a Lei. Mas, esse é o propósito da Lei. O propósito da Lei é condenar você! Você olha para a Lei “não terás outros deuses diante de mim” e se você é uma pessoa egocêntrica, mas você honestamente olha para a Lei, você percebe, “eu tenho outros deuses, toda a minha vida eu já tive outros deuses. Eu tenho sido o outro deus. Eu penso mais sobre carros e roupas, do que eu penso sobre Deus. Eu tenho outros deuses”. Você não deve fazer uma imagem, diz o mandamento. “Eu já fiz várias imagens, eu adoro uma série de coisas que fiz com minhas mãos”. Você não pode tomar o nome de Deus em vão. Você sabe que você pode tomar o nome de Deus em vão, inclusive falando “aleluia”? Você sabia disso? Porque você fala “aleluia”, de forma que você não pensa na profundidade disto, simplesmente falando-a, porque é uma resposta natural. Você percebe que o Nome de Deus tem que ser dito com muita reverência? Muitas pessoas usam o nome de Deus em vão. Desobedecendo aos pais? Deus detesta isso! Ele ordenava morte aqueles que faziam isto. No Antigo Testamento, os jovens morriam por isso. Isso era comum. Adultério – Jesus deixou isso muito claro: só o olhar para uma mulher com lascívia no seu coração, e você cometeu adultério [Mateus 5: 28].

Então, qual é o propósito da Lei? Deixar-nos, em todos os sentidos, sujeitos a ela. É como se nos bloqueasse todos os caminhos, se você fosse por este caminho tentar se salvar a Lei diz: Não! “Ah, eu vou me salvar por aqui”, a Lei diz: “Não!”. “Ah, eu vou me salvar aqui ou por este caminho aqui”, a Lei diz: “Não!”. Então, nós tentamos passar por baixo e a Lei é como um chão de cimento. E ela faz isso com um propósito: para que nós olhemos para cima, para que nós olhemos para o Deus que fez por nós aquilo que nós não podemos fazer por nós mesmos. Nós dizemos: “Eu sou um pecador, eu mereço morte! Eu mereço separação de Deus lá no Inferno! Eu não tenho argumentos, eu não tenho boas obras para tentar me defender! Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador!” Este é o propósito da Lei, é por isso que você precisar ensinar sobre pecado. Nós temos que amar as pes-soas, nós temos que ser repletos de Graça, mas nós precisamos ensinar sobre pecado.

Há mais um razão antes de nós prosseguirmos: O conhecimento do nosso pecado, nos torna aptos a apreciar a Graça. Se eu chegasse para o Bill Gates: “Bill Gates, está aqui um sanduíche para você”, ele diria para mim: “Eu não preciso de um sanduiche, eu posso comprar um restaurante a cada hora. Eu não preciso de um sanduiche”. Mas, se eu pegar aquele mesmo sanduíche e eu chegar na Índia, a uma das vizinhanças mais pobres, e eu chegar para eles e disser assim: “está aqui um sanduíche para você”, aquele homem vai beijar as minhas mãos, ele vai chorar, ele vai contar para os seus vizinhos, e ele vai levar aquele sanduíche inteiro para a sua esposa. E ele vai dizer para a esposa sobre mim, que fez esta coisa maravilhosa por ele. À medida que um homem cresce em Cristo Jesus. Quanto mais ele vê a Justiça e a Santidade de Deus, mais ele enxerga sua falha moral, e mais cresce o seu apreço pelo Senhor Jesus e à Sua morte sanguinolenta no Calvário, e é por isso que eu disse o que eu disse hoje de manhã… Não fale comigo sobre coisas to-las, se eu chegar na sua igreja não fale para mim sobre prosperidade, não fale para mim sobre a sua fé, não fale para mim sobre as suas experiências, não compartilhe do seu coração, eu não quero ouvir! Fale para mim sobre Jesus, fale para mim sobre o que Ele fez por mim na cruz, fale para mim sobre Deus em toda Sua glória, fale para mim sobre o pecado do homem em toda a sua depravação, para que quando eu olhe para Jesus de novo Ele fique mais precioso aos meus olhos. Deixe-me dar um exemplo: Nesta tarde, onde foram as estrelas? Será que um gigante pegou uma cesta, colocou as estrelas dentro e as levou embora, onde é que eles foram? Elas não foram há lugar nenhum, mas porque nós não as conseguíamos ver? Por causa da luz do Sol. O que é que isso nos ensina? Nós só conseguimos ver a beleza das estrelas quando existe um céu totalmente escuro por detrás delas. E você só consegue entender a Graça de Deus e ver Sua real beleza, quando você contrasta com o lado negro da nossa depravação. E, então, você não precisa dessas coisas triviais para você crer, você não precisa dessas coisas triviais para você amar a Deus, você O ama porque O Seu Filho Morreu por você, e isso basta.

Já falamos um pouco sobre o homem. Agora vamos falar um pouco sobre Deus.

Lá em Oséias 4:6 fala que “O meu povo é destruído por falta de conhecimento”. Ouça-me, a palavra “destruído”, meu povo é arruinado, eles não sabem como viver, porque eles não tem o conhecimento de Deus. Agora, dê uma olhada em Provérbios 29:18:

“Não havendo profecia, o povo perece; porém o que guarda a lei, esse é bem-aventurado”.

Onde não há visão ou profecia… No contexto aqui, o que ele está falando? Ele está falando o seguinte: Onde não há revelação do Caráter e da Lei de Deus, o quê que acontece com o povo? Eles correm sem restrições, eles saem fazendo loucura, eles continuam em corrupção. Então, se não há um conhecimento de Deus a imoralidade entre o povo de Deus cresce cada vez mais.

Você sabe o que torna a igreja dos Estados Unidos famosa, conhecida? Imoralidade. Sobe o que faz você famoso? Sua Igreja famosa? Você quer saber? A Igreja no Brasil é conhecida pela sua imoralidade. Você pode ficar com raiva, observe que eu me incluí nisto, o meu povo também. Você tem que encarar isso. Têm muitas pessoas professando fé em Cristo, que vivem em carnalidade, imoralidade e sensualidade! Isso acontece o tempo todo, em todo o Evangelicalismo. Por quê? Qual a razão disso? “Meu povo é destruído porque lhe falta conhecimento”. Porque não há profecia sobre o caráter de Deus e a Sua Lei. Todos estes profetas tolos, profetizando coisas tolas. Em todos os Estados Unidos, em todo o Brasil. Eles não são nada mais do que meninos, que veem rostos em nuvens que não existem. Eles falam: “Paz! Paz!”, quando não há paz. E se você cair no ensino deles, a sua queda vai ser terrível. O Povo de Deus é destruído por causa de uma falta de conhecimento de Deus.

Vamos dar uma olha em no Salmo 50, verso 17:

“Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti”.

Eles não querem o ensino de Deus.

“Quando vês o ladrão, consentes com ele, e tens a tua parte com adúlteros” (verso 18).
“Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano” (verso 19).
“Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe” (verso 20).

Veja um verso importante agora, verso 21:

“Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu…”.

Escute-me, eles pensavam que Deus era como eles. Por que eles pensavam que Deus era igual a eles? Porque ninguém estava pregando sobre Deus, e quando ninguém está ensinando sobre Deus, o que acontece? As pessoas começam a fazer Deus à sua própria imagem. Domingo de manhã é um dos momentos de maior idolatria em toda a semana; porque eu digo isso? Porque as pessoas estão adorando um Deus que elas fizeram com a sua própria mente. Eles criam um deus e então adoram o deus que criam. E você diz: “Irmão Paul, por que você está falando isto?”. Eu quero que você escute o que eu vou falar, o que nós estamos falando? O conhecimento de quem é Deus… Escute bem atentamente: Se você não conhece o que a Bíblia fala sobre quem é Deus e os seus atributos, então você vai ter a tendência de criar o seu próprio Deus e adorar ao Deus que você construiu em sua mente. Agora vem uma pergunta. Perguntas para vocês. Perguntas para pastores. Perguntas para alunos de seminário:

Cristão, quantos anos de sua vida você gastou estudando os atributos de Deus? A maioria de vocês vai dizer: “nunca”.

Cristão, quantos anos você já esteve sob a pregação de um pregador, onde ele gastou a maior parte do tempo falando sobre os atributos de Deus, quem é Deus? A maioria de vocês vai dizer: “Nunca, pastor”.

Agora, para os alunos de Institutos bíblicos… Quando você estuda lá no seminário, no instituto, quatro anos, quantos foram gastos estudando os atributos de Deus? A maioria de vocês vai dizer: “Um semestre, pastor”.

Quando você vai para o seminário, para obter o seu grau de pastor, quanto tempo você gasta nos atributos de Deus? Quando você começou a pregar lá no púlpito depois que você se formou, quanto tempo você gastou e dedicou estudando os atributos de Deus? Quanto esforço você empreendeu para ensinar o seu povo sobre os atributos de Deus?

Você pode ouvir milhares de sermões amanhã, infelizmente é raro encontrar um sobre os atributos de Deus. Você diz que Deus é Santo, mas você já estudou isto? Você consegue entender o que isto significa? Você diz: “Ele é Justo”. Você entende o que isto significa? Você sabe como é que Deus olha para o pecado? Você sabe como é que Ele responde a isto? Você está entendendo o que eu estou dizendo? Eu provei, não provei? O Povo de Deus é ignorante a respeito de Deus.

A razão pela qual há tantos programas e eventos nas igrejas, têm tantas estratégias sobre discipulado, é porque nestas atividades estamos tentado trocar o conhecimento de Deus por outra coisa. Se as pessoas são realmente convertidas sob um Evangelho verdadeiro e são ensinadas nas verdades mais importantes, “Quem é Deus?”, eles vão andar com Ele. Eles serão um povo santo. Deixe-me dar um exemplo: Se nós fizéssemos uma conferência aqui no Brasil e nos Estados Unidos e esta conferência fosse sobre prosperidade, se fosse sobre cura, nós poderíamos encher o maior auditório neste país, mas se nós tivéssemos uma conferência sobre os atributos de Deus, não iríamos encher nem a metade deste auditório, por quê? Porque eles querem prosperidade, eles não querem Deus. Se nós fizéssemos uma conferência sobre a Cruz de Cristo, e falássemos sobre o Filho de Deus sendo moído debaixo da ira de Deus, quantas pessoas viriam? Você percebe quão errado tudo isso é? Avivamento Genuíno é quando as pessoas se voltam para Deus em obediência, em amor…

Eu quero ir com vocês bem rapidamente em Jeremias 9, versos 23 e 24:

“Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor”.

Este texto tinha que estar em seu coração, tinha que estar em seu coração. Por que os homens não poderiam se vangloriar na sua sabedoria? Por que os fortes não poderiam se vangloriar na sua força, e os ricos na sua riqueza, mas o que se gloria deveria se gloriar nisto, que você conhece a Deus, que Ele é Santo, que Ele é Justo.

Alguns de vocês estão muito desapontados… Você veio hoje à noite esperando outra coisa. Mas, escute uma coisa, antes de eu lhes dizer as boas notícias, eu preciso lhes dizer as más notícias, para que, quando eu chegar nas boas notícias, ela seja realmente boa, a melhor notícia! E ela eclipsa todas as outras coisas! E, é isso que eu desejo para vocês. Como eu lhes disse hoje de manhã: eu quero que vocês aprendam a discernir as coisas mais excelentes daquelas que são vis, as coisas santas das coisas comuns.

Amanhã, quando eu pregar, se Deus quiser, eu vou falar sobre duas coisas – vão ser difíceis –, eu vou falar sobre o que Deus fala acerca do Juízo dEle sobre o pecador, e eu vou concluir com ilustrações diferentes do Antigo Testamento, mostrando a você o que Deus fez por nós em Cristo Jesus. E, então, no próximo dia, gastaremos tempo em Romanos 3 e vamos falar sobre o que significa: “Jesus Cristo morreu”. Eu imploro a você: venha, por favor. Nós vamos trabalhar estas verdades e você vai sair dessa conferência, conhecendo mais do Evangelho, do que você já sabia antes. E você vai aprender a apreciá-lo: Jesus Cristo! E o que Ele fez por você. Que Ele sofreu a ira de Deus, e tendo pago o preço pelo seu pecado, você agora pode ser justificado diante de Deus.

Vamos orar:

Pai, Obrigado por esta oportunidade. Por favor, Senhor, trabalhe no coração das pessoas para que elas percebam a necessidade de Te conhecer, em todos os Teus atributos, Senhor, em toda a Tua glória. Que eles escolham a Ti sobre todas as coisas. Que eles vivam para o Teu Filho, Senhor. Amém.

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♦ O texto deste e-book é uma transcrição da pregação proferida na 16ª Consciência Cristã – VINACC. Noite do dia 1º de março de 2014. Campina Grande–PB, Brasil: http://youtu.be/ymQwV5zkwrs

♦ As citações bíblicas desta transcrição foram retiradas da versão ACF (Almeida Corrigida Fiel)
♦ Transcrição: William Teixeira
♦ Revisão: Ilanna Praseres


Gloriando-se na Cruz de Cristo, por Robert Murray M’Cheyne

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“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).

Doutrina: Gloriando-se na Cruz

I. O assunto aqui falado por Paulo. A CRUZ DE CRISTO. Essa palavra é usada em três sentidos diferentes na Bíblia. É importante distingui-los.

1. Ela é usada para significar a cruz de madeira, o madeiro sobre o qual o Senhor Jesus foi crucificado. A punição da cruz foi uma invenção Romana. Era usada apenas no caso de escravos, ou malfeitores mui notórios. A cruz era feita de duas vigas de madeira que se cruzavam. Ela era colocada no chão e o criminoso, estendido sobre ela. Um cravo era introduzido através de cada mão, e um cravo através de ambos os pés. Em seguida, era levantada na posição vertical, e deixada cair em um buraco, em que era presa. O homem crucificado era então deixado para morrer, pendurado por suas mãos e pés. Esta foi a morte a que Jesus se rebaixou. “Ele suportou a cruz, desprezando sua ignomínia”. “Tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Mateus 27: 40,42; Marcos 15:30,32; Lucas 23:26; João 19: 17, 19, 25, 31; Efésios 2:16).

2. Ela é usada para significar o caminho da salvação por Jesus Cristo crucificado. Assim, em 1 Coríntios 1:18: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”, em comparação com o versículo 23: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado…” Aqui é evidente que a pregação da Cruz e a pregação de Cristo crucificado são a mesma coisa. Este é o significado da passagem diante de nós: “Mas longe esteja de mim gloriar-me…” Este é o nome dado a todo o plano de salvação por um Redentor crucificado. Essa pequena palavra implica toda a obra gloriosa de Cristo por nós.

Isso implica o amor de Deus em dar o Seu Filho (João 3:16); o amor de Cristo em entregar a Si mesmo (Efésios 5:25); a encarnação do Filho de Deus; Sua Substituição, um por muitos; seus sofrimentos expiatórios e morte. Toda a obra de Cristo está incluída nessa pequena expressão: a Cruz de Cristo. E a razão é simples; Sua morte na cruz foi o ponto mais baixo de Sua humilhação. Foi ali que ele clamou: Está consumado, o trabalho da minha obediência está consumado! Meus sofrimentos terminaram, a obra da Redenção está completa; a ira do meu povo está extinta; e Ele reclinou a cabeça, entregou o espírito. Daí toda a sua obra consumada é chamada de a Cruz de Cristo.

3. Ela é usada para significar os sofrimentos suportados em seguir a de Cristo.

“Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24). Quando um homem determina-se a seguir a Cristo, ele deve abandonar seus prazeres pecaminosos, suas companhias pecaminosas; ele se encontra com o escárnio, zombaria, desprezo, ódio, a perseguição dos antigos amigos; o seu nome é lançado fora, como o mal. “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”. Agora, encontrar-se com tudo isso é “tomar a cruz”. “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” [Mateus 10:38].

Na passagem diante de nós as palavras são usadas no segundo sentido, o plano de salvação por meio de um Salvador crucificado.

Queridos amigos, é isso que está diante de vocês no pão partido e vinho derramado; toda a Obra de Cristo para a Salvação dos pecadores. O Amor e a Graça do Senhor Jesus estão todos reunidos em um foco ali. O amor do Pai, a Aliança com o Filho, o amor de Jesus, Sua encarnação, obediência, morte, todos estão postas diante de vocês nestes pão e vinho partidos. É um sermão doce, silencioso. Muitos sermões não contêm Cristo do começo ao fim. Muitos O mostram com ar de dúvida e imperfeitamente. Mas aqui não há outra coisa senão Cristo e este crucificado. A mais rica e eloquente ordenança! Orem para que a própria visão deste pão partido possa quebrantar seus corações, e faça-os fluir para o Cordeiro de Deus. Orem por conversões a partir da visão do pão partido e vinho derramado. Olhem com atenção, queridas almas e crianças pequenas, quando o pão é partido e o vinho vertido. É uma visão que afeta o coração. Que o Espírito Santo abençoe isso. Caros Crentes, olhem vocês com atenção, para que obtenham visões mais profundas, mais plenas do caminho do perdão e da santidade.

Um olhar a partir do olho de Cristo quebrou e derreteu o coração orgulhoso de Pedro; ele saiu e chorou amargamente. Orem para que um único olhar deste pão partido possa fazer o mesmo por vocês. Quando o centurião Romano, que assistia ao lado da cruz de Jesus, O viu morrer, rochas áridas fenderam, ele bradou: “Verdadeiramente este era Filho de Deus!” [Mateus 27:54]. Olhe para este pão partido, e você verá a mesma coisa, e que seu coração sejam levado a chorar após o Senhor Jesus. Quando o ladrão moribundo olhou o rosto pálido de Emanuel, e viu a majestade santa que sorriu a partir de seu olho morrendo, clamou: “Senhor, lembra-te de mim!” [Lucas 23:42]. Este pão partido revela a mesma coisa. Que a mesma Graça seja dada a você, e que possa aspirar o brado: “Senhor, lembra-te de mim!”.

Ó, obter visões maduras de Cristo, queridos crentes. O milho da safra, às vezes, amadurece mais em um dia do que em semanas anteriores. Assim, alguns cristãos ganham mais Graça em um dia do que durante os meses anteriores. Orem para que este possa ser um dia de colheita de amadurecimento em suas almas.

II. Os SENTIMENTOS DE PAULO EM DIREÇÃO À CRUZ DE CRISTO: “Longe de mim […]”.

1. Está implícito que ele havia deixado absolutamente o caminho da justiça pelas obras da lei. Todo homem natural busca a salvação através de tornar a si mesmo melhor aos olhos de Deus. Ele tenta consertar sua vida, ele coloca um freio na língua, ele tenta comandar seus sentimentos e pensamentos, tudo para tornar-se melhor aos olhos de Deus. Ou ele vai mais longe: tenta cobrir pecados passados por meio de observâncias religiosas; ele se torna um homem religioso; ora, chora, lê, atende aos sacramentos, fica profundamente ocupado na religião, e tenta colocá-la em seu coração, tudo para tornar a sim mesmo, na aparência, bom nos olhos de Deus, para que ele possa colocar Deus sob dívida para perdoá-lo e amá-lo. Paulo tentou este plano por muito tempo. Ele era um Fariseu, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível; ele viveu uma vida exteriormente sem culpa, e foi altamente considerado como um homem dos mais religiosos. “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo” [Filipenses 3:7]. Quando aprouve a Deus abrir os seus olhos, ele abandonou esta forma de justiça própria para todo o sempre; ele não tinha mais qualquer paz em olhar para dentro: “e não confiamos na carne” [Filipenses 3:3]; ele se despediu para sempre dessa forma de buscar a paz. Não, ele pisoteou-a debaixo de seus pés. “E as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” [Filipenses 3:8]. Ó, é uma coisa gloriosa, quando um homem é levado a pisotear sob os pés a sua justiça própria; esta é a coisa mais difícil do mundo.

2. Ele dirigiu-se ao Senhor Jesus Cristo. Paulo teve tal visão da glória, brilho e excelência do caminho da Salvação por meio de Jesus, que isso preenchia todo o seu coração. Todas as outras coisas afundavam em pequenez. Todo monte e outeiro foi abatido, o torto foi endireitado, os lugares ásperos aplainados, e a glória do Senhor foi revelada. Como o nascer do sol faz com que todas as estrelas desapareçam, assim a ascensão de Cristo sobre a sua alma fez todo o restante desaparecer. Os sofrimentos de Jesus por nós encherem os seus olhos; preencheram o seu coração. Ele viu, creu, e estava feliz. Cristo por nós, correspondeu a toda a sua necessidade. Da cruz de Cristo um raio de luz celestial inflamou a sua alma, enchendo-o de luz e alegria indizíveis. Ele sentiu que Deus foi glorificado, e ele foi salvo; ele abriu caminho para o Senhor com todo o propósito do coração. Como Edwards diz: “eu estava inefavelmente satisfeito”.

3. Ele se gloriava na Cruz. Ele confessou a Cristo diante dos homens, ele não tinha vergonha de Cristo diante daquela geração adúltera; se vangloriou de que este era o caminho do perdão, paz e santidade Ah! que mudança! uma vez ele blasfemara contra o nome de Jesus, e perseguia até a morte aqueles que invocavam o Seu nome; agora esta é toda a sua jactância, “E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus” [Atos dos Apóstolos 9:20]. Uma vez ele se vangloriara de sua vida inculpável, quando ele estava entre os Fariseus; agora ele se gloria no fato de que ele é o principal dos pecadores, mas que Cristo morreu por tais como ele. Uma vez ele se vangloriara de sua aprendizagem, quando ele se sentou aos pés de Gamaliel; agora ele se gloria em ser considerado como louco por amor de Cristo, em ser uma criancinha conduzida pela mão de Jesus. À mesa do Senhor, entre seus amigos, nas cidades pagãs, em Atenas, em Roma, entre os sábios ou insensatos, diante de reis e príncipes, ele se gloria nisto como a única coisa digna de ser conhecida; o caminho da salvação por Jesus Cristo e este crucificado.

QUERIDOS AMIGOS, VOCÊS FORAM TRAZIDOS A GLORIAREM-SE SOMENTE NA CRUZ DE CRISTO?

1. Você se desprendeu do antigo caminho da salvação pelas obras da lei? Seu coração natural está estabelecido sobre este caminho. Você está sempre como que fazendo-se melhor e melhor até que você possa colocar Deus sob a obrigação de perdoá-lo. Você está sempre olhando para dentro por justiça. Você está olhando para a suas convicções, e tristeza pelos pecados passados, suas lágrimas e orações ansiosas, ou você está procurando no interior, na sua correção, abandono de conselhos ímpios, e as lutas por uma nova vida, ou você está olhando para os seus próprios exercícios religiosos, o seu fervor, e coração aumentado em oração ou na casa de Deus; ou você está olhando para a obra do Espírito Santo em você, para as Graças do Espírito. Ai de mim! ai de mim! A cama é mais curta do que você possa esticar-se sobre ela, a cobertura é mais estreita do que você possa envolver-se nela. Desespere-se por perdão neste caminho. Desista para sempre. Seu coração é desesperadamente corrupto. Cada justiça que há em seu coração tem algo de vil e contaminada, e não pode aparecer diante de sua vista. Considere tudo como perda, trapos de imundícia, refugo, para que você possa ganhar a Cristo.

2. Dirija-se ao Senhor Jesus Cristo. Acredite no amor do Senhor Jesus Cristo. Ele se deleita na misericórdia; Ele está pronto a perdoar, nele as misericórdias fluem; Ele justifica o ímpio. Você já viu a glória da Cruz de Jesus? Isto atraiu o seu coração? Você se sente inexplicavelmente satisfeito com essa forma de Salvação? Você vê que Deus é glorificado quando você é salvo? que Deus é um Deus de majestade, verdade, santidade imaculada, e justiça inflexível, e ainda assim você é justificado? Será que a cruz de Cristo preenche o seu coração? Isto produz uma grande calma em sua alma, um descanso celestial? Você ama essa palavra, “a justiça de Deus”; “a justiça que é pela fé,” a justiça sem as obras? Você senta-se no interior, à vista da cruz? Será que a sua alma descanse ali?

3. Glorie-se apenas na Cruz de Cristo. Observe, não pode haver um cristão secreto. A Graça é como unguento escondido na mão, ela denuncia a si mesmo. Um Cristão vivificado não pode manter o silêncio. Se você realmente sente a doçura da Cruz de Cristo, você será constrangido a confessar a Cristo diante dos homens. É como “o bom vinho [...] que se bebe suavemente, e faz com que falem” [Cântico dos cânticos de Salomão 7:9]. Você O confessa em sua família? Faz conhecido ali que você é de Cristo? Lembre-se, você deve ser decidido em sua própria casa. É a marca de um hipócrita o ser um cristão em toda parte exceto em casa. Entre os seus companheiros, você tem a Ele por um amigo a quem você encontrou? Na loja e no mercado, você está disposto a ser conhecido como um homem lavado no sangue do Cordeiro? Você almeja que todas os seus negócios estejam sob as doces regras do Evangelho? Venha, então, à mesa do Senhor e confesse Ele, que salvou a sua alma. Ó! Permita que esta possa ser uma verdadeira, livre e plena confissão. Este é o meu doce alimento, meu cordeiro, minha justiça, meu Senhor e meu Deus, meu tudo em todos. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz”. Uma vez você se vangloriou nas riquezas, amigos, fama, pecado; agora em um Jesus crucificado.

III. Os EFEITOS. “O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. “Se alguém está em Cristo Jesus, nova criatura é,” [2 Coríntios 5:17], etc. Quando o mendigo cego de Jericó teve seus olhos abertos pelo Senhor, este mundo estava todo modificado para ele, e ele para o mundo. Assim foi com Paulo, não mais depressa ele elevou-se de seus joelhos, com a paz de Jesus em seu coração, que o mundo teve o seu golpe mortal aos seus olhos. Enquanto ele corria sobre as pedras lisas nas ruas de Damasco, ou olhava para baixo do telhado plano de sua casa sobre os belos jardins nas margens de Abana, o mundo e todo o seu deslumbrante espetáculo pareciam ao seu olho, uma coisa pobre, murcha, crucificada. Uma vez isto foi o seu tudo. Uma vez suas lisonjas macias e escorregadias eram agradáveis como música ao seu ouvido. Riquezas, beleza, prazer, tudo o que o olho natural admira, seu coração foi uma vez posto; mas no momento em que ele acreditou em Jesus, tudo isto começara a morrer. É verdade que eles não foram mortos, mas eles estavam pregados em uma cruz. Eles não tinham mais aquela atração viva para eles, a qual que tiveram uma vez; e agora todos os dias eles começavam a perder o seu poder. Como um homem morrendo na cruz enfraquece a cada momento, enquanto o sangue do seu coração escorre a partir das feridas profundas em suas mãos e pés, aquilo que uma vez foi o seu tudo, começou a perder a cada momento seu poder de atração. Ele provou tanta doçura em Cristo, no perdão, o acesso a Deus, o sorriso de Deus, o Espírito habitante, que o mundo tornou-se, a cada dia, um mundo mais insípido para ele.

Outro efeito foi: “Eu para o mundo”. Enquanto Paulo colocava a mão sobre o seu próprio seio, ele sentia que esse também fora transformado. Uma vez foi um corajoso cavalo de corrida que marcha no chão e não pode ser freado; uma vez foi uma raposa caçadora ao aroma impaciente da cólera; seu coração, desta forma, corria atrás de fama, honra, louvor mundanos; mas agora era pregado na cruz, um coração quebrantado e contrito. É verdade, não estava morto. Muitas vacilos despertaram sua velha natureza, fato que o levou aos seus joelhos e o fez clamar por Graça para auxílio; porém ainda, quanto mais ele olhou para a Cruz de Jesus, mais o seu velho coração começou a morrer. A cada dia ele sentia menos desejo de pecar; mais desejo por Cristo, e Deus, e perfeita santidade.

Alguns podem descobrir que eles nunca vieram a Cristo. Será que o mundo está crucificado para você? Uma vez que este era o seu tudo: o seu louvor, suas riquezas, suas canções, e felizes-inclinações? Isso já foi pregado na cruz em sua visão? Ó! Coloque a mão em seu coração. Perdeu-se o seu desejo ardente por coisas terrenas? Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Você sente que Jesus colocou os cravos em suas paixões? Você deseja que elas fossem mortas? Que resposta vocês podem dar, filhos e filhas do prazer, para quem a dança e música, e o espelho, e respostas chistosas são a soma da felicidade? Vós não sois nada de Cristo. Que resposta vocês podem dar, amantes do dinheiro, sórdidos fazedores de dinheiro, que preferem ser um pouco mais soberanos do que ter a Graça de Deus em seu coração? Que resposta vocês podem dar, gratificadores da carne, caminhantes da noite, amantes da escuridão? Vós não sois de Cristo. Vós não viestes a Cristo. O mundo está todo vivo para vocês, e vocês estão vivos para o mundo. Vocês não podem se gloriar na cruz, e amar o mundo. Ah! pobres almas iludidas, vocês nunca viram a glória do caminho do perdão por Jesus. Vão em frente; amem o mundo; agarrem cada prazer; reúnam montes de dinheiro; alimentem e engordem as suas concupiscências; saciem-se. Do que isso adiantará a vocês quando perderem sua própria alma?

Alguns estão dizendo: Ó, que mundo fosse crucificado para mim e eu para o mundo! Ó, que o meu coração fosse tão morto quanto uma pedra para o mundo, e vivo para Jesus! Você realmente deseja isso? Olhe, então, para a cruz. Contemplem o maravilhoso dom do amor. A salvação é prometida a um olhar. Sente-se como Maria, e contemple a Jesus crucificado. Assim o mundo se tornará uma coisa ofuscada e moribunda. Quando você olha o sol, isso torna todo o mais escuro; quando você prova o gosto de mel, isso torna todo o mais insípido; assim, quando a sua alma se alimenta de Jesus, isso retira a doçura de todas as coisas terrenas; louvor, prazer, desejos carnais, todos perdem a sua doçura. Mantenha um olhar contínuo. Corra, olhando para Jesus. Olhe, até que o caminho da salvação por Jesus preencha todo o horizonte, tão glorioso e em linguagem de paz. Então, o mundo estará crucificado para você, e você para o mundo.

25 de Outubro de 1840.

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♦ Fonte: Archive.Org

♦ As citações bíblicas desta tradução são da versão Almeida Corrigida e Revista Atualizada
♦ Tradução: Camila Rebeca Almeida
♦ Revisão: William Teixeira


Sermões nºs 141-142, Substituição, por Charles Haddon Spurgeon

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Pregado na Manhã de Domingo, 19 de Julho de 1857, no Music Hall Surrey Gardens.

“Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).

UM LIVRO é a expressão dos pensamentos do escritor. O livro da natureza é uma expressão dos pensamentos de Deus. Temos pensamentos terríveis de Deus nos trovões e relâmpagos, pensamentos do amor de Deus na luz do sol e na brisa amena. Temos abundantes, prudentes, cuidadosos pensamentos de Deus na colheita acenando e no pasto amadurecido. Temos pensamentos brilhantes de Deus nas cenas maravilhosas que são contempladas de montanha e vale. E nós temos os mais doces e agradáveis pensamentos de Deus sobre beleza nas pequenas flores que florescem aos nossos pés. Mas você irá notar que Deus tem nos dado mais proeminência na Natureza para aqueles pensamentos que precisavam ter a preeminência. Ele não nos deu acres amplos repletos com flores, pois elas não eram necessárias em tal abundância. Ele encheu os campos com milho, pois assim as necessidades fundamentais da vida podem ser supridas. Precisávamos mais dos pensamentos de Sua Providência. E Ele tem vivificado nossa indústria, de modo que o cuidado providencial de Deus pode ser lido quando cavalgamos ao longo das estradas por todos os lados.

Agora o livro da Graça de Deus é como Seu livro da Natureza. São seus pensamentos escritos. Este grande livro, a Bíblia, este volume mais precioso, é o coração de Deus feito legível! É o ouro do amor de Deus impresso em folhas de ouro, de modo que com isso os nossos pensamentos podem ser banhados e também poderemos ter pensamentos de ouro, bons e santos a respeito dEle. E você irá observar que, como na natureza, assim é na Graça – o mais necessário é o mais proeminente! Eu vejo na Palavra de Deus uma rica abundância de flores de gloriosa eloquência. Muitas vezes eu acho um Profeta mobilizando suas palavras como Exércitos por poder e, como reis, por majestade. Mas muito mais frequentemente que eu li declarações simples das verdades de Deus. Vejo aqui e ali um pensamento brilhante de beleza, mas eu acho campos inteiros de simples Doutrina instrutiva que é alimento para a alma. E eu acho capítulos inteiros cheios de Cristo, que é Maná Divino do qual a alma se alimenta. Vejo palavras estreladas para fazer as Escrituras brilhantes, pensamentos doces para torná-las justas, grandes pensamentos para torná-las impressionantes, pensamentos terríveis para torná-la temíveis. Mas pensamentos necessários, pensamentos instrutivos, pensamentos sobre salvação – são muito mais frequentes – porque são muito mais necessários. Aqui e ali uma gama de flores, mas largos hectares de milho do Evangelho da Graça do Deus vivo!

Você deve desculpar-me, então, se eu muito frequentemente me debruço sobre todo o tema da salvação. Mas no último Sabbath [# 140 – Um sermão simples para Almas Buscadoras] Eu te trouxe um impacto deste trigo na forma da promessa de Cristo, que diz: “Aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”. E então eu procurei mostrar como os homens podem ser salvos. Vos trago agora outro impacto no mesmo campo e lhes ensinarei a grande filosofia da salvação, o mistério escondido, o grande segredo, a maravilhosa descoberta que é trazido à luz pelo Evangelho – como Deus é justo e justificador de ímpios. Vamos ler o texto novamente e, em seguida, prosseguir de uma vez para discutir o assunto. Eu pretendo fazer hoje, como eu fiz no último Domingo. Vou ser tão simples como sempre que posso. E eu não tentarei um voo simples da eloquência ou oratória, mesmo que eu seja capaz disso. Mas vamos apenas ir ao longo do chão, para que todas as almas simples sejam capacitadas a entender – “Porque Ele o fez pecado por nós, que não conheceu pecado. Para que pudéssemos ser feitos justiça de Deus nele“. Observe a Doutrina. O uso dela. O deleite da mesma.

I. Em primeiro lugar, A DOUTRINA. Há três pessoas mencionadas aqui. “Àquele que não conheceu pecado, (Deus) o fez (Cristo) pecado por nós (pecadores); para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Antes de podermos entender o plano de salvação, é necessário que nós possamos saber algo sobre as três pessoas e, certamente, a menos que as compreendemos, em alguma medida, a salvação é impossível para nós!

1. Está aqui primeiramente, DEUS. Deixe cada homem conhecer quem é Deus. Deus é um Ser muito diferente do que alguns de vocês supõem. O Deus do céu e da terra – o Jeová de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Criador e Preservador, o Deus da Sagrada Escritura e o Deus de toda a Graça, não é o Deus que alguns homens fazem para si mesmos e adoram. Há homens nesta chamada terra cristã que adoram um deus que não é mais Deus do que Vênus ou Baco! Um deus feito após seus próprios corações. Um deus não formado de pedra ou madeira, mas formado a partir de seus próprios pensamentos – de coisas mais vis do que as nações tentaram fazer um deus!

O Deus da Bíblia tem três grandes atributos e todos estes três estão implícitos no texto. O Deus da Bíblia é um Deus Soberano. Isto é, Ele é um Deus que tem absoluta autoridade e poder absoluto para fazer exatamente o que Lhe agrada. Sobre a cabeça de Deus não há nenhuma lei. Sobre Seus braços não há nenhuma necessidade. Ele não conhece nenhuma regra, senão a Sua própria livre e poderosa vontade. E embora Ele não possa ser injusto e não possa fazer nada, senão o bem, ainda assim Sua natureza é absolutamente livre. A Bondade é a liberdade da natureza de Deus. Deus não deve ser controlado pela vontade do homem, nem pelos desejos de homem, nem pelo destino em que os supersticiosos acreditam. Ele é um Deus fazendo o que Lhe apraz nos exércitos do Céu e no mundo inferior. Ele é um Deus, também, que não dá conta dos seus assuntos. Ele faz com as Suas criaturas o que Ele escolhe fazer, e faz com eles assim como Ele quer. E se algumas delas se ressentem com os Seus atos, Ele diz-lhes: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” [Romanos 9:20-21]. Deus é bom. Mas Deus é Soberano, absoluto, conhecedor. Não há nada ou ninguém que possa controlá-Lo. A monarquia deste mundo não é um monarca constitucional e limitado – não é tirânico, mas está absolutamente nas mãos de um Deus todo-sábio. Mas observe, não está em nenhuma outra mão senão na Sua – nenhum querubim, nenhum serafim pode auxiliar Deus na dispensação de Seu governo -

“Ele não se assenta em um Trono precário,
Nem o deixa ser emprestado”.

Ele é o Deus da Predestinação. O Deus em cuja absoluta vontade é a dobradiça que gira o destino –

“Acorrentado a seu trono, um volume jaz,
Com todos os destinos dos homens,
Com forma e tamanho de cada anjo,
Desenhado pela caneta eterna.
Sua Providência desenrola o livro,
E faz os seus conselhos brilharem,
A abertura de cada folha e cada traço,
Cumpre algum profundo desígnio”.

Este é o Deus da Bíblia. Este é o Deus que adoramos – Não um fraco, covarde Deus covarde que é controlado pela vontade dos homens, que não pode dirigir o barco da Providência, mas um Deus imutável, infinito, infalível. Este é o Deus que adoramos. Um Deus tão infinitamente acima de Suas criaturas como o mais alto pensamento pode voar. E ainda mais alto do que isso!

Mas, mais uma vez, o Deus que está aqui mencionado é um Deus de Infinita Justiça. Ele é um Deus Soberano, eu provo a partir das palavras que Ele fez Cristo se tornar pecado. Ele não poderia ter feito isso se não tivesse sido Soberano. Ele é um Deus Justo, deduzo do meu texto – vendo que o caminho da salvação é um grande plano da justiça satisfatória. E nós agora declaramos que o Deus da Sagrada Escritura é um Deus de justiça inflexível. Ele não é o Deus que alguns de vocês adoram. Você adora um deus que pisca o olho para grandes pecados. Você acredita em um Deus que chama os seus crimes de pecadinhos e pequenas faltas. Alguns de vocês adoram um deus que não pune o pecado. Ele é tão fracamente misericordioso e tão impiedosamente fraco que passa pela transgressão e a iniquidade e nunca decreta uma punição. Você acredita em um deus, que, se o homem peca, não exige punição por sua ofensa. Você acha que algumas de suas próprias boas obras irão pacificá-Lo. Você pensa que Ele é um tão fraco governante que algumas boas palavras proferidas diante dEle em oração irão ganhar mérito suficiente para reverter a sentença. O seu deus não é Deus! Ele é um tão falso deus como o deus dos gregos, ou da antiga Nínive! O Deus da Bíblia é Aquele que é inflexivelmente severo na justiça e não tem por inocente o culpado! “O Senhor é tardio em irar-se e grande em poder. E não inocentará o culpado” [cf. Êxodo 34:6-7]. O Deus da Bíblia é um Legislador, que, em seus súditos rebeldes, observa o seu crime e nunca perdoa até que Ele o puna, ou sobre eles, ou sobre o seu Substituto. Ele não é como o deus de alguns dissidentes que acreditam em um deus sem uma Expiação, com apenas algum showzinho em cima de uma cruz, o que não era, como se diz, um sofrimento real do pecado. O seu Deus, o Deus dos Socinianos, apenas apaga o pecado sem exigir qualquer punição. Ele não é o Deus das Escrituras! O Deus da Bíblia é tão severo como se Ele fosse impiedoso e como se Ele não fosse Gracioso! E ainda assim Ele é tão Gracioso e Misericordioso como se Ele não fosse Justo – sim, ainda assim!

E mais um pensamento aqui a respeito de Deus, ou então não podemos estabelecer o nosso discurso sobre uma base segura. O Deus da Bíblia é um Deus de Graça – penso que não estou agora me contradizendo. O Deus que é inflexivelmente severo e nunca perdoa o pecado sem punição é ainda um Deus de Amor Infinito! Embora como Soberano Ele irá castigar, ainda, como o Deus-Pai, Ele ama para concede Sua bênção. “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” [Ezequiel 33:11]. Deus é Amor, em seu mais alto grau. Ele é o amor torna-se mais do que o amor. O amor não é Deus, mas Deus é Amor! Ele é cheio de Graça, Ele é a plenitude da misericórdia – Ele se deleita na Misericórdia! Tão alto quanto os céus estão acima da terra, assim são os seus pensamentos de amor acima de nossos pensamentos de desespero – e Seus caminhos da Graça acima de nossas formas de medo. Este Deus, em quem estes três grandes atributos harmonizados – Soberania Ilimitada, Justiça inflexível e insondável Graça – esses três compõem os principais atributos do único Deus do Céu e da terra a Quem os Cristãos adoram! É este Deus diante do qual devemos comparecer. É Ele quem fez de Cristo pecado por nós, embora Ele não conheceu o pecado.

2. Assim, trouxemos a primeira Pessoa à sua frente. A segunda Pessoa do nosso texto é o Filho de Deus – Cristo, que não conheceu pecado. Ele é o Filho de Deus, nascido do Pai antes de todos os mundos – gerado, não criado. Sendo da mesma substância com o Pai, co-igual, co-eterno e co-existente. É o Pai Todo-Poderoso? Então, é o Filho Todo-Poderoso. É o Pai Infinito? Então, é o Filho Infinito. Ele é Deus verdadeiro de verdadeiro Deus – Tendo uma dignidade não inferior ao Pai, mas sendo igual a Ele em todos os aspectos – Deus sobre todos, bendito para sempre. Também Jesus Cristo é o filho de Maria, um Homem como para nós mesmos. Um homem sujeito a todas as fraquezas da natureza humana, a não ser as fraquezas do pecado. Um homem de sofrimento e de angústia, de dor e de dificuldades, de ansiedade e medo. Um homem de problemas e dúvidas, de tentação e de julgamento, de fraqueza e morte. Ele é um homem como nós somos, osso dos nossos ossos e carne da nossa carne. Agora, a pessoa que queremos apresentar a você é este ser complexo, Deus e Homem. Não Deus humanizado, não o homem Deificado, mas Deus, puramente, essencialmente Deus. O homem, puramente Homem. Homem não mais do que homem. Deus, e não menos do que Deus – os dois permanecendo juntos em uma união sagrada, o Homem-Deus. Desse Deus em Cristo, o nosso texto diz que Ele não conheceu o pecado. Não diz que Ele não pecou. Isso nós sabemos – mas ele diz mais do que isso: Ele não conheceu o pecado. Ele não soube o que era pecado! Ele viu nos outros, mas ele não sabia disso por experiência. Ele era um perfeito desconhecido para isto. Não se limitou a dizer que Ele não levou o pecado em seu coração, mas que Ele não o conheceu. Não era conhecido Seu. Ele era familiarizado à tristeza. Mas Ele não chegou ao conhecimento do pecado. Ele não conheceu o pecado de qualquer tipo – nenhum pecado de pensamento, nenhum pecado de nascimento, nenhum pecado original, nenhuma transgressão real: Nenhum pecado de lábios ou de mão jamais Cristo cometeu. Ele era puro, perfeito, impecável! Como Sua própria Divindade, sem mancha nem mácula, nem qualquer coisa semelhante, essa pessoa Graciosa é Aquele que é falado no texto! Ele era uma pessoa totalmente incapaz de cometer qualquer coisa que fosse errada.

Ultimamente tem sido afirmado por alguns maus juízes, que Cristo era capaz de pecar: Acho que foi Irving que começou alguma tal ideia de que se Cristo não foi capaz de pecar, Ele não poderia ter sido capaz de virtude, “pois”, dizem eles, “se um homem tem de ser necessariamente bom, não há virtude em sua bondade”. Fora com o seu absurdo ridículo! Deus não é necessariamente bom? E quem se atreve a negar que Deus é virtuoso? Não são os espíritos glorificados no Céu necessariamente puros? E ainda não são santos por causa dessa verdadeira necessidade? Não são os anjos, agora que eles estão confirmados, necessariamente irrepreensíveis? E deverá alguém ousar negar virtude angélica!? Isto não é verdade! Ela não precisa de liberdade, a fim de criar virtude. Liberdade e virtude geralmente andam juntas. Mas a necessidade e a virtude são tanto irmão e irmã como a liberdade e a virtude. Jesus Cristo não era capaz de pecar. Era tão totalmente impossível que Cristo pecasse, como para o fogo afogar ou para a água queimar. Eu suponho que essas duas coisas podem ser possíveis em algumas circunstâncias peculiares, mas nunca teria sido possível para Cristo ter cometido ou ter sofrido à sombra do cometimento de um pecado! Ele não conheceu isto. Ele não conheceu o pecado.

3. Agora eu tenho que introduzir a terceira pessoa. Nós não vamos longe para ele. A terceira pessoa é o pecador. E onde está ele? Irão voltar seus olhos para dentro de vocês mesmos e olhar para ele, cada um de vocês? Ele não está muito longe de você. Ele tem sido um bêbado – ele cometeu embriaguez e glutonarias e coisas semelhantes a estas, e sabemos que o homem ou mulher que comete essas coisas não tem herança no Reino de Deus. Há um outro, ele tomou o nome de Deus em vão. Ele tem, por vezes, em sua paixão ardente, pedido a Deus para fazer as coisas mais terríveis contra os seus membros e contra a sua alma. Ah, ali está o pecador. Onde ele está? Ouço que o homem, com os olhos cheios de lágrimas e com a voz soluçante exclamar: “Senhor, ele está aqui!” Eu acho que eu vejo alguma mulher aqui, no meio de nós, alguns de nós a tem acusado, talvez, e ela permanece sozinha tremendo e não diz uma palavra por si mesma. Oh, que o Mestre possa dizer: “Nem eu te condeno. Vai e não peques mais”. Eu acredito, eu devo crer que em algum lugar entre esses muitos milhares, ouço algum coração palpitante e que este coração, conforme ele bate tão apressadamente, clama: “Pecado, pecado, pecado, ira, ira, ira – como posso obter livramento?” Ah, você é o homem, um nascido rebelde! Nascido no mundo, um pecador, você adicionou à sua culpa natural suas próprias transgressões. Você quebrou os mandamentos de Deus, de têm desprezado o Amor de Deus, você tem pisado em Sua Graça, você foi até agora a seta do Senhor está bebendo o seu espírito! Deus tem lhe feito tremer. Ele fez você confessar sua culpa e sua transgressão. Ouça-me, então – se as suas convicções são obra do Espírito de Deus – você é a pessoa a quem o texto se destina! Quando se diz: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós” – que é você – “para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

Eu apresentei as pessoas e agora eu tenho que apresentar-lhe uma cena de uma grande troca que é feita de acordo com o texto. A terceira pessoa a quem nós apresentamos é o prisioneiro no tribunal. Como um pecador, Deus o chamou diante dele – ele está prestes a ser julgado por toda a vida ou a morte. Deus é misericordioso e Ele deseja salvá-lo. Deus é justo e Ele deve puni-lo. O pecador está a ser julgado. Se houver um veredito de culpado trazido contra ele, como é que os dois atributos conflitantes trabalham na mente de Deus? Ele é amoroso, Ele quer salvá-lo. Ele é justo, Ele deve destruí-lo! Como deve ser resolvido este mistério e o enigma pode ser dissolvido? Prisioneiro no tribunal, você pode implorar: “Não culpado?” Ele fica sem palavras. Ou, se ele fala, ele grita: “Eu sou culpado!” –

“Você deve banir a minha alma para o inferno,
Sua justa Lei bem aprova isto”.

Então, você vê, se ele se declarou culpado, não há esperança de que seja de qualquer falha na prova. E mesmo se ele tivesse declarado “não sou culpado”, ainda assim a evidência é mais clara, pois Deus, o Juiz, tem visto o seu pecado e gravou todas as suas iniquidades – de modo que não haveria nenhuma esperança de seu escape. O prisioneiro está certo de ser considerado culpado! Como é que ele pode escapar? Existe uma falha na acusação? Não! É elaborada pela Sabedoria infinita e ditada pela Justiça Eterna. E não há nenhuma esperança ali. Conseguirá ele mudar as evidências do rei? Ah, se pudéssemos ser salvos, mudando as evidências do rei, poderíamos, todos nós, nos salvar! Há uma anomalia na nossa lei, que muitas vezes permite que o maior criminoso escape, enquanto o menor criminoso é punido. Se um é covarde é covarde o suficiente por trair seu companheiro, ele pode salvar a si mesmo. Se você olhar para o calendário de Newgate – se algum de vocês tiver paciência suficiente para ler tão vil peça de literatura – você vai ver que mais de dois assassinos escaparam porque ele mudou a evidência do rei, enquanto o outro foi enforcado.

Você tem se mantido em seus companheiros. Você disse: “Senhor, eu te agradeço porque não sou como os outros homens. Eu não sou como o adúltero, ou mesmo como que publicano. Bendigo-te que eu não sou como o meu vizinho que é um roubador, um ladrão e assim por diante”. Você está dizendo contra o teu próximo. Vocês são pecadores conjuntos e você está dizendo um conto contra ele! Não há esperança para você. A lei de Deus não conhece tal injustiça como um homem fugindo por tornar-se informante sobre os outros! Como então o prisioneiro no tribunal escapa? Existe alguma possibilidade? Ó, como o Céu tem se maravilhado! Como é que as estrelas estão ainda com espanto! E como os anjos param as suas canções por um momento, quando, pela primeira vez, Deus mostrou como ele mesmo ser Justo e ainda ser Gracioso! Ah, eu acho que eu vejo o céu atônito e silêncio nos tribunais de Deus pelo espaço de uma hora, quando o Todo-Poderoso disse: “Pecador, Eu devo e vou castigá-lo por causa do pecado! Mas eu te amo. O coração do Meu amor anseia por você. Como posso fazê-lo como Admá? Como devo colocá-lo como Zeboim? Minha Justiça diz: ‘Puna’, mas meu amor permanece em minha mão e diz: ‘Poupe, poupe o pecador!’ Ó, pecador, Meu coração concebeu isto: Meu Filho, o Puro e Perfeito, ficará no seu lugar e será o Representante do culpado, e você, o culpado, irá ficar no lugar do meu Filho e será considerado justo!” Isto nos faria saltar sobre nossos pés com espanto se nos fizesse entender completamente isto – o maravilhoso mistério da transposição entre Cristo e o pecador! Deixe-me colocar tão claramente que todos possam entender – Cristo era impecável – os pecadores eram vis. Cristo diz: “Meu Pai, trate-me como se eu fosse um pecador. Trate o pecador como se ele fosse Eu. Fere como severidade como quiser, pois eu vou suportar isso e, assim o coração do Seu Amor pode transbordar com Graça e ainda Sua Justiça ser imaculada, pois o pecador não é pecador agora”. Ele fica no lugar de Cristo e com as vestes do Salvador, ele é aceito!

Você diz que essa troca é injusta? Você vai dizer que Deus não deveria ter feito o seu Filho um Substituto para nós e nos deixar ir? Deixe-me lembrá-lo de que isso foi puramente voluntário por parte de Cristo. Cristo estava disposto a ficar no nosso lugar. Ele teve que beber o cálice do nosso castigo, mas Ele estava disposto a fazê-lo. E deixe-me dizer-lhe uma coisa ainda mais incontestável – a Substituição de Cristo não era uma coisa ilegal, porque o Deus Soberano O fez um Substituto! Nós lemos na história de uma certa mulher, cuja ligação com o seu marido era tão grande que a esposa tinha ido para a prisão e trocado as roupas com ele. E enquanto o prisioneiro estava escapando, a mulher permaneceu na prisão. E assim o prisioneiro escapou por uma espécie de substituição ilegal. Nesse caso houve uma clara violação da lei e o prisioneiro fugitivo poderia ter sido perseguido e preso novamente. Mas neste caso, a substituição foi feita pela Autoridade Máxima. O texto diz: Deus “o fez pecado por nós”. E, portanto, Cristo ficou no meu lugar e Ele fez a troca legalmente. Isto aconteceu com a plena determinação e conselho do Deus Todo-poderoso, bem como com o Seu próprio consentimento, que Cristo estivesse no lugar do pecador, como o pecador agora está no lugar de Cristo. O velho Martinho Lutero era um homem que falava uma coisa muito clara e, por vezes, ele falou a verdade de Deus tão claramente que ele a fez parecer muito com uma mentira. Em um de seus sermões, ele disse: “Cristo foi o maior pecador que já viveu”. Agora Cristo nunca foi um pecador, mas ainda assim Martinho estava certo. Ele quis dizer que todos os pecados do povo de Cristo foram retirados deles e colocados sobre a cabeça de Cristo e assim é como se Cristo aos olhos de Deus tivesse sido o maior pecador de todos os tempos! Ele nunca foi um pecador. Ele nunca conheceu o pecado – mas o bom Martinho, em seu zelo para fazer os homens entenderem o que era, disse: “Pecador, você se tornou Cristo. Cristo, Tu te tornastes um Pecador!” Não é bem esta a verdade. O pecador é tratado como se fosse Cristo, e Cristo é tratado como se fosse o pecador. Isso é o que se quer dizer com o texto, Deus “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

Deixe-me apenas dar-lhe dois exemplos disso. O primeiro deve ser tomado a partir do Antigo Testamento. Quando nos tempos antigos, os homens vieram diante de Deus com o pecado, Deus providenciou um sacrifício que seria o representante de Cristo, na medida em que o sacrifício morria em vez do pecador. A Lei ordena: “Aquele que pecar, esse morrerá”. Quando os homens haviam cometido pecado, eles traziam um boi ou uma ovelha diante do altar. Eles colocavam a mão sobre a cabeça do novilho e reconheciam a sua culpa. E por esse ato a sua culpa era tipicamente removida deles mesmos e transferida ao boi. Então, o pobre boi, que nada tinha feito de errado, era abatido e lançado fora, como oferta pelo pecado. Isso é o que todo pecador deve fazer com Cristo, se ele será salvo. Um pecador, pela fé, vem e coloca a mão na cabeça de Cristo e confessando todos os seus pecados – o seu pecado não é mais seu – ele é colocado em Cristo. Cristo está pendurado no madeiro. Ele carrega a cruz e suporta a vergonha. E assim o pecado é todo lançado nas profundezas do mar. Tome outra ilustração. Nós lemos no Novo Testamento, que “a Igreja (isto é, o povo de Deus) é a noiva de Cristo”. Todos nós sabemos que, de acordo com a lei, a mulher pode ter muitas dívidas. Mas tão logo ela é casada, as suas dívidas deixam de ser dela e tornam-se de seu marido ao mesmo tempo. Portanto, se uma mulher está sobrecarregada com a dívida, de modo que ela está diariamente com medo da prisão, deixe-a apenas uma vez levantar e dar a mão a um homem e tornar-se sua esposa e não há ninguém no mundo que possa tocá-la. O marido é responsável por tudo e ela diz ao seu credor: “Senhor, eu não te devo nada. Meu marido não te deve nada. Eu incorri na dívida. Mas, na medida em que eu me tornei sua esposa, minhas dívidas são tiradas de mim e tornaram-se dele”. É assim mesmo com o pecador e Cristo. Cristo se casa com o pecador e toma a sua mão e leva a Igreja para ser dEle. Ela está em dívida imensurável à justiça de Deus. Ela deve à Vingança de Deus um peso intolerável de Ira e de Punição. Cristo diz: “Você é minha mulher – eu vos escolhi você e eu vou pagar as suas dívidas”. E Ele lhes pagou e obteve sua libertação completa. Agora, quem crê em Cristo Jesus tem paz com Deus, porque: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

E agora, terei terminado a explicação do texto, quando eu somente ordenar que você se lembre das consequências desta grande Substituição. Cristo foi feito pecado. Nós somos feitos justiça de Deus. Foi no passado, muito mais para trás do que a memória dos anjos pode chegar – foi no passado escuro, antes de querubins ou serafins tivessem ondulado o éter não trafegado – quando ainda não havia mundos e a criação não tinha um nome – Deus previu o pecado do homem e planejou sua Redenção. Uma aliança eterna foi formada entre o Pai e o Filho, em que o Filho foi estipulado a sofrer pelos Seus eleitos. E o Pai de Sua parte, pactuou em justificá-los por meio do Filho. Oh, Pacto maravilhoso, você é a fonte de todos os fluxos da amorosa expiação!

A Eternidade passou, o tempo chegou e com ele logo veio a Queda – e depois, quando muitos anos tinha apressado Sua volta – a plenitude dos tempos chegou e Jesus preparou-se para cumprir o seu compromisso solene. Ele veio ao mundo e se fez homem. A partir desse momento, quando se tornou homem – note a mudança que foi trabalhada nEle. Antes, ele havia sido inteiramente feliz. Ele nunca tinha sido miserável, nunca triste. Mas agora, como os efeitos dessa terrível Aliança que Ele tinha feito com Deus, Seu Pai, começa a derramar Ira sobre Ele. O quê? Você diz que Deus, na verdade, contou o Seu Filho como sendo ser um pecador? Sim, Ele fez isso. Seu Filho concordou em ser o Substituto, para ficar no lugar dos pecadores. Deus começa com Ele em Seu nascimento. Ele coloca-o numa manjedoura. Se Ele houvesse considerado Ele como um homem perfeito, Ele teria fornecido a Ele um trono, mas considerando-o como um pecador, Ele O submete à desgraça e pobreza do começo ao fim! E agora veja-o crescido a maturidade. Olhe para ele – dores o perseguiram, tristezas o seguiram. Pare! Dores, por que seguem o perfeito? Por que perseguem o Imaculado? Justiça, por que você não leva essas dores embora? – “O puro deverá ser pacífico e o imaculado deve ser feliz”. A resposta vem – “Este homem é puro em si mesmo, mas Ele se fez impuro, tendo tomado sobre Si Mesmo o pecado do Seu povo”. A culpa é imputada a ele e a própria imputação de culpa é dor em toda a sua realidade! Finalmente vejo a Morte vindo com mais do que seus horrores habituais. Eu vejo o lúgubre esqueleto com o seu dardo bem afiado. Eu vejo o Inferno atrás dele. Eu observo o príncipe sombrio das Trevas e todos os vingadores subindo de seu lugar de tormento. Eu os vejo todos que a assediarem o Salvador! Percebo sua guerra terrível contra ele no Jardim. Eu vejo como Ele está lá chafurdando no Seu sangue na temerosa alma-da-morte. Eu o vejo como em dor e tristeza, Ele caminha para o tribunal de Pilatos. O vejo escarnecido e cuspido. Eu O contemplo atormentado, maltratado e blasfemado como Substituto. Eu o vejo pregado na Cruz. Vejo a zombaria contínua e a vergonha inabalável. Eu O observo gritando por água e eu O ouço reclamar do abandono de Deus! Estou atônito! Isso pode ser justo que um Ser Perfeito deva sofrer assim? – Ó, Deus, onde estás que Tu podes assim permitir a opressão do Inocente? Tu tens deixado de ser o Rei da Justiça, se não, por que Tu não proteges o Perfeito? A resposta vem – “Aquietai-vos. Ele é perfeito em Si mesmo, mas Ele é o Pecador agora – Ele permanece no lugar do pecador. A Culpa do pecador está nEle e, por isso, é certo, é justo, é o que Ele próprio concordou, que Ele deveria ser punido como se Ele fosse um pecador, que Ele deveria ser desaprovado, que Ele deveria morrer e que ele deveria descer ao Hades amaldiçoado, sem consolo, sem ajuda, sem honra e sem reconhecimento”. Este foi um dos efeitos da grande mudança que Cristo sofreu.

E agora, abordemos o outro lado da questão e eu tenho feito com a explicação. Qual foi o efeito sobre nós? Você vê o pecador ali chafurdando suas mãos na luxúria, contaminando suas roupas com todo o pecado da carne que sempre tem praticado? Você o ouve amaldiçoando a Deus? Você o observa quebrando toda autoridade que Deus tornou sagrada? Mas você o vê, por em um curto momento, buscando seu caminho para o Céu? Ele renunciou a esses pecados! Ele foi convertido e os abandonou! Ele vai a caminho do céu. Justiça, você está dormindo? Esse homem quebrou seu Direito. Ele deve ir para o Céu? Ouça como os demônios vêm subindo do poço e gritam – “Esse homem merece ser perdido. Ele pode não ser agora o que ele costumava ser, mas seus pecados passados deve ter vingança”. E ainda lá vai ele com segurança em seu caminho para o céu e vejo-o olhar para trás para todos os demônios que o acusam. Ele clama: “Eis, quem pode colocar qualquer acusação contra os escolhidos de Deus?” E quando alguém pensaria que todo o inferno estaria em pé de guerra e acusando, o severo tirano fica parado e os demônios não têm nada a dizer! E eu o vejo virando o rosto para dentro do Céu ao Trono de Deus e O ouve clamar, “Quem é que te condena?” Como que com semblante descarado ele desafia o Juiz! Oh, Justiça, onde você está? Este homem tem sido um pecador, um rebelde – por que não feriste ao pó por sua presunção impertinente em desafiar, assim, a Justiça de Deus? “Não”, diz a Justiça, “ele tem sido um pecador, mas eu não olho para ele, em sob esta luz agora. Castiguei a Cristo no lugar dEle – este pecador não é pecador agora – ele é perfeito!” O quê? Perfeito? “Perfeito, porque Cristo foi perfeito e eu olho para ele como se fosse Cristo. Embora em si mesmo, ele é completamente negro como os portões de Quedar, eu o considero como sendo claro como as cortinas de Salomão! Fiz Cristo pecador e eu puni a Cristo. Eu fiz o pecador de Cristo e o magnifiquei e o exaltei. E eu vou colocar uma coroa de ouro puro sobre a sua cabeça e, tal-e-tal, vou dar-lhe um lugar entre os que são santificados, onde ele deverá, de harpa na mão, para sempre louvar o nome do Senhor!” Este é o grande resultado para os pecadores da grande troca. “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).

II. Agora, eu tenho que vir para o fechamento, ao meu segundo ponto, sobre o qual eu vou ser breve, mas laborioso. QUAL É A UTILIDADE DESSA DOUTRINA? Vire-se para as Escrituras e você verá. “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus…” pois – aqui está o nosso grande argumento – “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” [2 Coríntios 5:20-21]. Irmãos e Irmãs, estou prestes a falar para vocês. Estou prestes a suplicar e exortar-vos – que o Espírito de Deus me ajude a fazê-lo com toda a sinceridade que me acode. Você e eu iremos nos encontrar face a face diante do tribunal do Grande juiz e eu serei responsável neste dia de prestar por tudo o que eu lhes prego. Não pelo meu estilo ou talento, ou falta de talento – só serei responsável por minha seriedade e zelo nesta matéria.

E agora, diante de Deus, peço-lhes fervorosamente para reconciliarem-se com Ele! Você está, por natureza, em inimizade com Deus. Você odeia Ele, você O negligencia, sua inimizade se manifesta de várias maneiras. Rogo-vos, agora que se reconciliem com Deus. Eu poderia suplicar-lhe que se reconciliem, porque seria uma coisa terrível morrer tendo Deus como seu inimigo. Quem dentre nós pode habitar com o fogo consumidor? Quem pode habitar com as labaredas eternas? É uma coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo, porque o nosso Deus é um fogo consumidor. Cuidado, vocês que se esquecem de Deus, para que Ele não vos faça em pedaços e não haja quem vos livre. Rogo-vos, portanto, se reconciliarem com Deus!

Eu poderia, por outro lado usar outro argumento e lembrá-lo de que aqueles que estão reconciliados com Deus são assim aprovados para serem os herdeiros do Reino dos Céus. Há coroas para os amigos de Deus. Há harpas para os que O amam. Há uma mansão preparada para todos os que buscam Deus. Portanto, se vocês desejam ser abençoado por toda a eternidade, se reconciliem com Deus! Mas não vou pedir isso. Vou pedir a razão do meu texto. Rogo a você, meu ouvinte, se reconcilie com Deus, porque se você se arrepender, é uma prova de que Cristo estava no seu lugar! Ah, se este argumento não derreter você, não há nada no Céu ou na terra que possa! Se o seu coração não derrete com tal argumento como este, então é mais duro do que a mó inferior – certamente você tem uma alma de pedra e um coração de bronze, se você não irá se reconciliar com Deus que escreveu isso para o seu encorajamento!

Rogo-te que se reconcilie com Deus, porque nisto há prova de que Deus está amando você! Você acha que Deus é um Deus de Ira? Teria Ele dado Seu próprio Filho para ser punido se Ele odiasse você? Pecador, se Deus tivesse alguma coisa, senão os pensamentos de amor por você, eu pergunto, será que Ele daria Seu Filho para ser pendurado na Cruz? Não pense que meu Deus é um tirano! Pense nEle não como um Deus irado, destituído de misericórdia. Seu Filho, foi arrancado de Seu peito e dado para a morrer, é a melhor prova do Seu amor! Ó, pecador, eu preciso te culpar se você deia seu inimigo, mas devo te culpar, chamá-lo de louco, se você odeia o seu Amigo! Ó, eu não preciso me maravilho se você não se reconciliará com alguém que não se reconcilia com você. Mas na medida em que você não vai, por natureza, reconciliar-se com o Deus que deu o Seu próprio Filho para morrer, eu devo me maravilhar com a estupidez em que a sua natureza maligna se precipita sobre você! 

Deus é amor – você não vai se reconciliar com o Amor? Deus é Graça – você não vai se reconciliar com a Graça? Ó, você é um rebelde de mancha mais profunda se você não irá ainda se reconciliar. Lembre-se, também, ó pecador, que o caminho está aberto para a sua reconciliação. Você não precisa ser punido. Não, você não deve ser! Se você conhece a si mesmo como sendo um pecador, pelo ensino do Espírito, Deus não te punirá para manter a Sua Justiça – esta Justiça é suficientemente mantida pela punição de Cristo! Ele diz: “Reconciliai-nos”. A criança foge de seu pai quando ela peca porque teme que seu pai irá puni-lo. Mas quando seu pai queima a vara e, com um sorriso no rosto diz: “Filho, venha aqui”, com certeza deve ser uma criança sem amor, aquela que não iria correr para os braços de tal pai! Pecador, você merece a espada – Deus quebrou a espada sobre o joelho da Expiação de Cristo e agora Ele diz: “Vinde a Mim”. Você merece infinita, eterna ira e o descontentamento de Deus – Deus tem apagado a ira de todos os crentes e agora Ele diz: “Vinde a mim e sede reconciliados”.

Você me diz que você não é um pecador? Eu não estou pregando para você! Você me diz que você nunca se rebelou contra Deus? Eu te advirto que se você não consegue encontrar os seus próprios pecados, Deus vai encontrá-los! Você diz: “Eu não preciso de reconciliação, exceto a que eu posso fazer eu mesmo?” Fique avisado que se você rejeita Cristo, rejeita a sua única esperança, pois tudo o que você pode fazer é menos do que nada e vaidade! Eu não estou pregando para você, quando eu disse: “Reconciliai-vos”. Eu estou pregando para você, pobre Consciência aflita. Eu estou pregando para você – você, que têm sido um grande pecador e transgressor, você que sente que sua culpa. Para você, adúltero, tremendo agora sob o chicote da convicção. Para você, blasfemo, tremendo agora da cabeça aos pés. Eu prego a você, você ladrão, cujos olhos estão agora cheios de lágrimas de penitência. Você que sente que o Inferno deve ser a sua parte, a menos que você seja salvo através de Cristo. Eu prego a você, você que conhece a sua culpa! Eu prego para você e para cada um desses e peço-vos que se reconciliem com Deus, pois Deus está reconciliado com você! Ó, não deixe o seu coração permanecer contra isso.

Eu não posso defender como eu desejo. Ah, se eu pudesse, eu iria pleitear com meu coração, com os meus olhos e os meus lábios para que eu pudesse levá-lo para o Salvador! Você não precisa ralhar comigo e chamar isso de um estilo de pregação arminiana. Eu não me importo com a sua opinião – este estilo é bíblico. “como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” [2 Coríntios 5:20]. Pobres pecadores contritos de coração, Deus é assim anunciado para vocês esta manhã e oferecido a vocês, ordena que sejam reconciliados como se Ele estivesse aqui, Ele mesmo, em Sua Própria Pessoa. E embora eu seja um mau e fraco por quem Ele fala, Ele fala agora, tanto quanto se fosse pela voz de anjos, “Reconciliai-vos com Deus!” Venha, amigo, não vire os olhos e a cabeça para longe de mim. Mas dê-me sua mão e empresta-me seu coração, enquanto eu choro sobre sua mão e choro sobre o seu coração e te suplico a não desprezar a sua própria misericórdia, para não ser um suicida para sua própria alma, para não condenara si mesmo! Agora que Deus tem lhe despertado para sentir que você é um inimigo, peço-te, agora para ser Seu amigo! Lembre-se, se você está agora convicto do pecado, não há punição para você. Meu Mestre, Jesus Cristo, foi castigado em seu lugar! Você crê nisso? Você vai confia nisto e assim estar em paz com Deus? Se você diz: “Não!”, Então eu gostaria que você soubesse que você lança fora a sua própria misericórdia! Se você disser: “Eu não preciso de reconciliação”, você tem lançado fora a única esperança que você pode ter! Faça isto por sua conta e risco. Eu lavo minhas mãos de seu sangue. Mas, mas, mas, se você conhece a si mesmo como necessitando de um Salvador! Se você quer escapar do poço infernal! Se você quer caminhar entre os que são santificados – Eu novamente, em nome daquele que irá condená-Lo no último dia se você rejeitar este convite, imploro e te suplico que se reconcilie com Deus! Eu sou seu embaixador. Quando eu tiver terminado este sermão, eu voltarei à coorte.

Pecador, o que você dirá? Devo voltar e dizer ao meu mestre que você pretende ser Seu inimigo para sempre? Devo voltar e dizer-Lhe: “Eles me ouviram, mas não consideraram”? Eles disseram em seus corações, “Nós iremos lançar fora nossos pecados e nossas loucuras e não serviremos ao seu Deus, nem o temeremos!”? Irei dizer-Lhe tal mensagem como essa? Devo ser conduzido de volta para o Seu palácio, com uma história tão terrível? Rogo-vos, não me enviem de volta, para que não se acenda o furor da ira do meu Mestre e Ele diga –

“Estes que desprezaram Meu descanso prometido,
Não terão parte nele”.

Mas ó, eu não posso voltar à coorte hoje e, de joelhos, dizer ao Monarca: “Há alguns, meu Senhor, que têm sido grandes rebeldes, mas quando eles se viram rebeldes, eles atiraram-se ao pé da cruz e pediram perdão! Eles haviam estranhamente se revoltado, mas os ouvi dizer: “Se Ele irá me perdoar, eu vou me converter dos meus maus caminhos, se Ele me capacitar!” Eram transgressores grosseiros e eles confessaram isto. Mas eu os ouvi dizer: ‘Jesus, Seu sangue e Justiça são a minha única confiança’.” Embaixador feliz! Vou voltar para o meu Mestre com um semblante alegre e dizer-lhe que a paz é feita entre muitas almas e o Grande Deus! Mas miserável embaixador, aquele que deve voltar e dizer: “A paz não foi feita”. Como deverá ser? O Senhor decide isso! Que muitos corações deem lugar à Onipotente Graça e possam os inimigos da Graça serem transformado em amigos, que os eleitos de Deus possam ser reunidos e Seu propósito eterno cumprido!

III. E agora, eu encerro observando o DOCE DELEITE que esta Doutrina traz para um crente. Cristão pesaroso! Enxugue suas lágrimas! Você está chorando por causa do pecado? Por que você chora? Chore por causa de seu pecado, mas não choreis por qualquer medo de punição! Tem o Maligno dito que você será condenado? Diga-lhe na cara que ele mente! Ah, pobre crente angustiado, você está lamentando sobre suas próprias corrupções? Olhe para o seu Senhor perfeito e lembre-se – você é completo nEle – você está na Presença de Deus tão perfeito como se você nunca tivesse pecado! Não, mais do que isso – o Senhor nossa Justiça colocou uma Veste Divina sobre você, para que você tenha mais do que a justiça do homem – você tem a Justiça de Deus! Ó, vocês que estão pesarosos em razão do pecado natural e depravação – lembrem-se, nenhum dos seus pecados pode condená-los!

Você aprendeu a odiar o pecado. Mas você aprendeu a saber que o pecado não é seu – ele é colocado sobre a cabeça de Cristo. Venha, tende bom ânimo – você não está em si mesmo – está em Cristo! Sua aceitação não é, em si mesmo, mas no Seu Senhor. Com todo o seu pecado, você é tão aceito hoje como na sua santificação! Está tão aceito por Deus, hoje, com todas as suas iniquidades, como você vai ser quando você estiver diante de Seu Trono, estando livre de toda corrupção.

Ó, eu te suplico, lance mão desse pensamento precioso – perfeição em Cristo – pois você é perfeito em Cristo Jesus! Vestido das roupas do Salvador, você é santo como os santos. Você agora está justificado pela fé. Agora você tem paz com Deus. Tende bom ânimo. Não tenha medo de morrer! Não há nada de terrível nela para você. Cristo tem extraído todo o fel do aguilhão da morte. Não trema por causa do julgamento – o julgamento não vai trazer-lhe outra absolvição para adicionar à absolvição já dada em sua causa -

“Corajoso você permanecerá no Grande Dia,
Pois quem pode colocar alguma coisa sobre você?
Totalmente absolvido por Cristo você é,
Da tremenda culpa do pecado”.

Ah, quando você vir a morrer, você deverá desafiar a Deus, por que você deve dizer: “Meu Deus, Tu não podes me condenar por Tu condenaste Cristo por mim. Tu puniste a Cristo em meu lugar!” “Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” [Romanos 8:34]. Cristão, se alegre! Não deixe sua cabeça sem óleo e seu rosto sem unguento. “Siga o seu caminho. Coma seu pão com alegria e bebe o teu vinho com coração contente, porque Deus aceitou as suas obras”. Faça como Salomão nos convida a fazer – viva feliz todos os dias de sua vida. Pois você foi aceito no Amado – você está perdoado através do sangue e justificado pela Justiça de Cristo! O que você tem a temer? Deixe sempre estar um sorriso em seu rosto. Deixe seus olhos brilharem de alegria. Viva perto de seu Mestre. Viva nos subúrbios da Cidade Celestial como, aos poucos, quando sua hora chegar você deve obter melhores asas do que os anjos jamais usaram e estar em um lugar maior do que o dos querubins e elevar-se para onde o seu Jesus senta-se – sentar-se-á à Sua direita, assim como ele venceu e está assentado à direita de Seu Pai! E tudo isso porque o Senhor Divino “que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”.

[Adaptado de The C. H. Spurgeon Collection, Version 1.0, Ages Software. Veja todos os 63 volumes de sermões CH Spurgeon em Inglês Moderno, e mais de 525 traduções em espanhol, acesse: www.spurgeongems.org]

 

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♦ Fonte: SpurgeonGems.Org  │ Título Original: “Substitution”
♦ As citações bíblicas desta tradução foram retiradas da versão ACF (Almeida Corrigida Fiel)
♦ Tradução: William Teixeira
♦ Revisão: Camila Rebeca Almeida


Sermão nº 3544, O Único Caminho, por Charles Haddon Spurgeon

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Publicado em 28 de Dezembro de 1916, quinta-feira.
Pregado por C.H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano de Newinton, na Tarde do Dia do Senhor, 31 de Março de 1872.

“Disse-lhes Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por Mim” (João 14:6).

JESUS estava falando sobre o Pai, sobre Sua ida para o Pai, sobre a casa do Pai e sobre ir para lá. E Ele foi questionado por Tomé com esta pergunta: “Nós não sabemos para onde vais, e como podemos saber o caminho?” Devemos entender este versículo como sendo uma resposta para essa pergunta. Ele diz-lhe para onde estava indo, ou seja, para o Pai, e também o caminho para o Pai, ou seja, por Si mesmo.

Agora, este versículo tem sido lido e lido, também, com uma grande quantidade de proveito, sem sempre ser lido corretamente. Por exemplo, suponha que eu tivesse que dividir meu sermão em três partes, esta noite, e mostrar que, em primeiro lugar, Cristo é o caminho? Em segundo lugar, que Ele é a verdade? E em terceiro lugar, que Ele é a vida? Eu não acho que eu deveria ser capaz de dar-lhe o significado do texto, por que você vai observar que ele não está falando sobre três coisas – Ele não diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” – Ele está falando sobre uma coisa só, ou seja, que Ele é o caminho, e então as duas palavras, a verdade e a vida, são colocadas para explicar o que Ele quer dizer com o caminho. Assim eu o penso.

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Sermão nº 786, O Grande Mistério da Piedade, por Charles Haddon Spurgeon

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Pregado na Manhã do Dia do Senhor, 22 de Dezembro de 1867,
por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória” (1 Timóteo 3:16).

O APÓSTOLO havia acabado de lembrar a Timóteo que a Igreja do Deus Vivo é a coluna e firmeza da Verdade de Deus, e instou isso sobre ele para comportar-se corretamente no meio daqueles homens fiéis a quem o Senhor havia concedido o Evangelho; e, para que de modo algum o jovem ministro pensasse que o tesouro confiado à Igreja era de pouco valor, ele declara que acima de toda controvérsia, isso era grandioso e precioso. Toda religião pagã teve o seu mistério, a sua doutrina secreta revelada apenas aos iniciados, o que foi considerado a essência da fé. (continue reading…)


Jesus Cristo, Justo e Justificador, por Paul David Washer

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Introdução

Como sempre é um privilégio tremendo estar aqui e esta manhã tenho muita, muita alegria no meu coração. Parece que vou explodir, não pelo que possam imaginar. Esta manhã, por volta das 4h30, o Senhor, acredito, o Senhor despertou-me e lidou comigo e falou sobre pequenas raposas que estavam a arruinar a vinha do Senhor, sobre pequenos pecados (que não são pequenos, de todo). E deu-me um tempo maravilhoso para que eu visse a minha necessidade de Graça, e pedir perdão, e deleitar-me no perdão. E o que é maravilhoso é que tenho caminhado com o Senhor há 26 anos e depois do tempo de oração, depois de me levantar e estar a estudar, e tudo isso… Eu estava inundado com o gozo que estava no meu coração. Depois de 26 anos já devia ter percebido: as coisas correm bem porque estão bem.

Eu louvo a Deus por Quem Ele é… é tão gentil, está sempre a trabalhar em nós, para nos santificar, mudar-nos, moldar-nos. Não há grandes homens de Deus. Só há homens pobres, fracos, pecadores que têm um Grande e Misericordioso Deus. Devemos sempre 

(continue reading…)


Sermão nº 250, Guerra! Guerra! Guerra!, por Charles Haddon Spurgeon

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Pregado na Manhã de Domingo, 1º de Maio de 1859,
por Rev. C. H. Spurgeon No Music Hall, Royal Surrey Gardens.

“Guerreia as guerras do Senhor” (1 Samuel 18:17).

Não devemos tomar estas palavras em sua aplicação literal, como vindo dos lábios de Saul, quando ele deu a Davi sua filha mais velha, Merabe, por esposa, mas deveremos acomoda-la à passagem e usá-la como uma exortação dada à Igreja de Cristo e a cada soldado de Jesus – “Guerreia as guerras do Senhor”. Se esta exortação não é encontrada com as mesmas palavras, vindas dos lábios de Jesus, no entanto, todo o teor da Palavra de Deus é de um mesmo efeito “Guerreia as guerras do Senhor”. Na atual crise, as mentes dos homens estão extremamente agitadas com as perspectivas assombrosas de uma luta terrível. Nós não sabemos até onde este assunto pode crescer. Os sinais dos tempos são escuros e terríveis. Tememos que as taças da ira de Deus estejam prestes a serem derramadas, e que a Terra será inundada com sangue. Enquanto ainda há uma esperança, vamos orar pela paz, não, mesmo no tempo de guerra, vamos ainda suplicar ao Trono de Deus, clamando que Ele “envie-nos a paz em nossos dias”. (continue reading…)


Sermão nº 3488, Justificação, Propiciação e Declaração, por Charles Haddon Spurgeon

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Um Sermão Publicado numa quinta-feira, 02 de dezembro de 1915.
Pregado por C. H. Spurgeon. No Tabernáculo Metropolitano, Newington, na tarde do Dia do Senhor, 9 de outubro de 1870.

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:24-26).

Eu penso, queridos Amigos, que alguns de vocês dizem: “Não é mais uma vez a mesma velha Doutrina que estamos ouvindo tão continuamente”, e eu tenho certeza que se você disser isso não serei surpreendido. Nem, por outro lado, posso criar qualquer tipo de desculpa. A Doutrina da Justificação pela Fé através do sacrifício vicário de Cristo é muito mais para o meu ministério do que pão e sal são para a mesa. Tão frequentemente como alguma vez a mesa está posta, existem aquelas coisas necessárias. Considero esta Doutrina como sendo aquela que deve ser pregada continuamente, e ser misturada com todos os nossos sermões, até mesmo como, de acordo com a Lei de Deus foi dito, “com todas as tuas ofertas oferecerás sal”. Este é o próprio sal do Evangelho! Na verdade, é impossível para trazê-la adiante muitas vezes. É a Doutrina da salvação de salvadora de almas – ela é o fundamento da Doutrina do Evangelho de Jesus Cristo! Ela é aquela pela qual Deus tem o prazer de trazer muitos para a reconciliação consigo mesmo. Como o professor tem o cuidado de fundamentar bem os seus estudiosos em gramática, para que possam se apossar das próprias raízes da linguagem, do mesmo modo devemos ser arraigados e alicerçados nesta fundamental e cardeal Verdade de Deus – justificação através da justiça de Jesus Cristo! Martinho Lutero era quem costumava pregar essa Doutrina muito veemente e formidavelmente, mas declarou que se sentia que bateria a Bíblia nas cabeças das pessoas, se pudesse, por qualquer meio fixar esta Doutrina nelas – pois, logo depois de a terem aprendido, eles a esqueciam! Mais e mais, e mais uma vez o ministro Cristão tem continuado a insistir sobre esta Verdade – que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, para Si mesmo, não imputando aos homens as suas transgressões. E para todo o sempre, enquanto o mundo permanecer, ele deve continuar a repetir a Verdade de Deus, que somos justificados pela justiça de nosso Redentor e não por qualquer justiça própria!

Não pretendo neste momento tentar pregar um sermão, mas sim dar novamente um “esboço de exposição” desta Doutrina. E se você voltar para o texto, eu penso que nós podemos muito bem dividi-lo, e muito corretamente, também, em três partes, e pontuá-lo com três palavras: Justificação, Propiciação e Declaração. Justificação – “Sendo justifica-dos gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Propiciação – “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados”. E então chegamos ao terceiro – Declaração – “para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus!” Primeiro, então, aqui está algo sobre -

I. JUSTIFICAÇÃO.

O sentido deste termo é, neste lugar, e na maioria dos outros, para declarar que uma pessoa seja justa. Uma pessoa é levada a julgamento, ela é levada perante o juiz. Uma das duas coisas vai acontecer – ela será absolvida ou justificada, ou então ela será condenada. Você e eu estamos todos virtualmente perante o juiz e estamos, neste momento, ou absolvidos ou condenados, justificados ou sob condenação! Não é possível que qualquer um de nós deverá ser absolvido em razão da não sermos culpados, pois todos devemos confessar que temos quebrado a Lei de Deus, milhares de vezes! Não é possível para qualquer um de nós que sejamos declarados justos com base na nossa própria obediência pessoal à Lei de Deus, pois, para sermos justos através de nossa própria obediência esta deve ter sido perfeita – mas não temos sido perfeitos! Nós quebramos a Lei, continuamos a quebrá-la e, pelas obras da lei, fica claro que não podemos ser justos – não podemos ser justificados. O Senhor, o Deus do Céu e da terra, tem planejado e promulgado uma maneira pela qual Ele pode ser justo e ainda pode declarar o culpado como sendo justo – uma maneira pela qual, usa as palavras de nosso texto, Ele pode ser justo e ainda o justificador daquele que crê. Dessa forma, é simplesmente isso: uma forma de substituição e imputação. Nossos pecados são tirados de nós e colocados em Cristo Jesus, o substituto inocente, “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós” [2 Coríntios 5:21a]. Então, quando esta é realizada, a justiça que foi operada por Jesus Cristo é tirada dEle e imputada – contada – a nós, para que o resto do texto se torna realidade: “para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” [2 Coríntios 5:21b]. Nós somos encontrados Nele não como tendo a nossa própria justiça que é da Lei, mas a justiça que vem de Deus pela fé. Vejam vocês, nós não guardamos a Lei de Deus, mas a quebramos. Estávamos, portanto, condenados! Jesus veio e pôs-se em nosso lugar, como cabeça toda a raça que Ele havia escolhido, tornou-se seu Representante, obedeceu completamente toda a Lei por eles, também sofreu a punição devida por todas as suas violações da Lei, tornando-se um substituto, ativa e passivamente obedecendo à Lei e sofrendo sua pena! E agora o que Ele fez é imputado a nós, enquanto que o que fizemos pelo caminho do pecado foi no passado imputado a Ele e Ele foi feito maldição por nós – como está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” [Gálatas 3:13]. Se você me perguntar como isso pode ser uma coisa justa a se fazer, eu respondo, Deus a determinou e não é possível que Ele devesse ter determinado qualquer coisa que não fosse justa!

Mas, além disso, havia uma razão original para isto, pois a nossa primeira ruína veio sobre nós através de nosso primeiro pai, Adão. Nossa primeira Queda não foi o nosso fazer, mas o fazer do homem que ficou como nosso representante! Talvez se tivéssemos, cada um de nós, desde o princípio separada e distintamente pecado, sem qualquer conexão com ele, a redenção poderia ter sido tão impossível para nós, como nós temos razão para acreditar que é para os anjos caídos! Mas na medida em que o primeiro pecado foi em conexão com a representante federal do primeiro Adão, tornou-se possível e certo que deve haver uma salvação através de um segundo representante federal, Jesus Cristo, o segundo Adão. “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem” [1 Coríntios 15:21]. Como por um homem entrou o pecado no mundo e a raça pereceu, assim, pelo segundo Homem glorioso, Cristo Jesus, a Graça Divina reina pela justiça para a vida eterna! Mas você não precisa questionar a justiça do plano. O Soberano contra quem você ofendeu se digna a aceitá-la – e o que Deus aceita não precisamos hesitar em confiar! Se o ofendido está satisfeito e nós proclamados justos, nós podemos estar perfeitamente satisfeitos com o que Ele deverá fazer em relação a nós, pois se Ele justifica, quem pode condenar? Se Ele absolve, que ousa acusar? Temos plena confiança, digamos, se, uma vez fomos absolvidos, “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?” [Romanos 8:33].

Agora, observe o que diz o texto do plano de Justificação. Ele nos diz que, na medida em que nos concerne, nos é dado gratuitamente! Sendo justificados gratuitamente, Deus perdoa os pecados do pecador grátis, gratuitamente – não por conta de qualquer arrependimento dele, meritoriamente considerado – não no terreno de qualquer resolução sua que possa subornar a Mente Eterna – não por conta da penitência ou sofrimento suportado ou a ser infligido, mas Ele remove pecados gratuitamente porque Ele escolhe fazê-lo – por nada! Sem dinheiro, sem mérito, sem nada que pudesse movê-lO, senão a Sua própria natureza grandiosa, porque Ele se deleita na misericórdia – “Sendo justificados gratuitamente”.

E, em seguida, para torná-lo ainda mais claro, é adicionado, por Sua Graça, que não é uma tautologia, embora seja uma repetição. Nós somos justificados, não por qualquer dívida para conosco, não porque Deus foi obrigado a justificar, mas por causa de Seu abundante amor abundante e riqueza de Sua compaixão Ele gratuitamente faz com que o culpado seja perdoado e os injustos sejam justificados pela Justiça de Cristo! Eu sei que tem sido dito por alguns que nós fazemos que não há tal coisa como perdão e justificação gratuitos porque nós colocamos a Justiça de Cristo como a causa aquisitora de ambos. Eu garanto que nós fazemos! Mas nós igual e vigorosamente mantemos que o perdão seja gratuito e a Justificação também, ainda que seja por meio da redenção que há em Cristo Jesus – gratuita para nós, gratuita na medida em que o coração e a misericórdia de Deus concernente a nós – e somente através da Redenção – porque Deus precisa ser justo, Ele deve ser justo, Ele não pode pecar separado da penalidade! Ele é Soberano, mas Ele nunca, em Sua Soberania, viola a justiça! E seria um ato Soberano de injustiça se Ele passasse pelo pecado sem entregar a ele o castigo que Ele ameaçou que deve segui-lo – um ato que não é possível para Deus fazer, pois Ele deve ser justo e Ele tem, Ele mesmo, declarado que Ele não tem por inocente o culpado! Ainda assim, a Justificação é gratuita para você, gratuita para todas as almas que a terão, gratuita para todo o homem que crê em Jesus!

Agora observem que essa justificação é colocada diante de vocês como sendo através da Redenção, que está em Cristo Jesus. Há um preço a pagar – é através da Redenção. Há um sofrimento e uma obediência intervindo. Nós não somos justificados livremente sem Redenção, nem justificados pela Sua Graça, sem a intervenção do Sacrifício expiatório. Ó, como os homens laboram para se livrarem disso! Há certas pessoas que se julgam filosóficas, que farão todo o possível para jogar terra na face desta Doutrina da Substituição, mas é a própria alma, cabeça, fundação, cantos, e pedra angular de todo o Evangelho! Se ela é deixada de fora, eu não hesito em dizer que o Evangelho pregado é outro evangelho, o qual não é outro, mas há alguns que vos perturbam –

“Em vão a consciência culpada procura
Algum terreno sólido sobre o qual descansar.
Com desejo vão os espíritos são quebrantados,
Até que se aplicam a Cristo!
Até que Deus em carne humana eu veja,
Meus pensamentos não encontram conforto.
O santo, justo e Três-Vezes-Santo
São terrores em minha mente!
Mas se a face de Emanuel surge,
A minha esperança, a minha alegria, começa!
Sua Graça proíbe o meu medo servil,
Seu amor remove os meus pecados”.

Não podemos abrir mão da Doutrina da Redenção, a Redenção que há em Cristo Jesus! É isso, Alma – ouça isto – você é justificada gratuitamente, mas custou muito caro, ao Salvador! Custou-lhe uma vida de obediência! Custou-lhe a morte vergonhosa, de agonia, de sofrimentos – todos imensuráveis! Houve o cálice da ira que você devia beber para sempre, e que você nunca poderia beber até o fundo! Ele devia ser bebido por alguém! Jesus o bebeu, levou o copo aos lábios e logo a primeira gota O fez suar grandes gotas de sangue a cair no chão! Mas Ele bebe corretamente, embora a cabeça, as mãos e os pés estejam todos sofrendo – bebe corretamente, embora Ele clame: “Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparaste?” Bebe corretamente, eu digo, até que nem uma gota sombria ou borra pudesse ser encontrada dentro desse copo e, virando-o de cabeça para baixo, ele grita: “Está consumado! Está consumado!”, Assim Ele entrega o espírito. Em um enorme projeto de amor, o Senhor bebeu condenação a seco para cada um de Seu povo por quem Ele derramou o Seu sangue! “Justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Houve uma Redenção por um sofrimento substitutivo, uma Redenção pela obediência vicária, uma Redenção pela interposição de Cristo em nosso favor –

“Para suportar, o que nunca poderíamos suportar
A justa Ira de Seu Pai”.

Você entende isso, Pecador? Você entende isso? Se você não entende, então Deus vai ajudá-lo a compreender agora, porque é uma coisa do presente – não está aqui um particípio no presente? – Sendo justificados gratuitamente, ou seja, agora, justificados agora! Ó, pecador, agora você está condenado, mas se você agora olhar para Jesus permanecendo como a Vítima em seu lugar. Se agora você vai confiar em Jesus morrendo em seu lugar – você deve ser agora justo, os seus pecados serão agora perdoados – a justiça deverá agora ser sua e você conhecerá o significado desse texto: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” [Romanos 8:1]. Você vê, então, o que significa Justificação? Ó, você pode apreciar isto! Isso fará você pular de alegria, se você o apreciar! E agora a segunda palavra é –

II. PROPICIAÇÃO

Aqui há uma referência ao Propiciatório, à cobertura nele – em nossas próprias palavras, é uma reconciliação, uma coisa pela qual Deus é propiciado – uma expiação pelo qual Deus e o homem são feitos um, uma propiciação – um algo que justifica a honra injuriada de Deus, que vem para fazer as pazes com a Lei Divina por crimes humanos. Ora, quanto a esta propiciação, vamos falar, e que o Espírito Santo nos dê expressão vocal. Você diz, ó pecador: “Como me apresentarei diante de Deus? Como hei de aproximar-me do Deus Altíssimo?” O que você daria para ser salvo? Tudo o que você tem, você iria livremente apresentar – se você tivesse bois e ovelhas sobre milhares de montanhas e seu sangue pudesse purificá-lo – você o derramaria em rios! Você pergunta novamente: “Qual é a propiciação que eu posso trazer?” Deus te diz. Aqui Ele diz que Ele providenciou um propiciação na Pessoa do Seu Filho amado. E eu desejo que você observe, antes de tudo quem foi que providenciou isto – a quem Deus havia estabelecido. Admire o amor deste – o Deus que ficou irado, é o Deus que encontra a propiciação! Contra Deus, o pecado foi nivelado! Deus encontra a maneira de ser gracioso para com os pecadores. Quão seguro deve ser aceitar uma propiciação que Deus, o ofendido, Ele mesmo propõe! Observem o que em seguida é dito, que Deus a propôs. À margem tem isso “predestinou”. A Expiação de Cristo não é uma ideia nova – é uma determinação antiga do Altíssimo e não é um segredo velado! Deus o tem anunciado – Pelos seus profetas em Sua Palavra – por seus pregadores em todas as suas ruas – Deus propôs Cristo como propiciação pelo pecado humano! É o Seu próprio arranjo, Seu próprio – e a publicação para você hoje à noite é por Sua própria autoridade! Ó, considerem isso e vocês que busca a Sua misericórdia saltem por pensar que isso vem até você certificado de tal maneira!

Mas, em seguida, percebam que o ponto principal nesta Propiciação é o sangue. “Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue”. Alguns não suportam ouvir sobre o sangue de Jesus e ainda, sob a Antiga Lei foi escrito, “É o sangue que fará expiação pelo pecado” [Levítico 5:9]. E ainda: “Sem derramamento de sangue não há remissão” [Hebreus 9:22], e novamente, “O sangue é a vida dele” [Deuteronômio 12:23], e novamente, “vendo eu sangue, passarei por cima de vós” [Êxodo 12:13], ou seja, aquilo que faz expiação do pecado humano não é a vida de Cristo como um exemplo, nem as ações de Cristo como uma demonstração da justiça, mas o sofrimento de Cristo, a morte de Cristo. Todo mundo sabe que isso é o que se entende por sangue. No derramamento de sangue, Jesus sofreu! Seu corpo sofreu – interiormente Sua alma sangrou, Seu espírito sofreu – Os sofrimentos de Sua alma foram a alma dos seus sofrimentos! Em seguida, vem a morte. A morte era a penalidade do pecado. Jesus morreu, literalmente morreu – e do sangue do Seu coração jorrou misturado com a água, do Seu lado perfurado. Deus tem o prazer de nos perdoar, porque Jesus sofreu – e o principal ponto de conforto é a Cruz – a Cruz do Crucificado, o Salvador morrendo! Não deixem que suas mentes vagueiem para longe disso, vocês que estão buscando a paz com Deus. Sua esperança não está tanto em Belém como no Calvário. Seu consolo não é para ser encontrado no Segundo Advento, mas no Primeiro Advento – e a morte que encerra isto. Vocês não devem olhar para Cristo em Sua Glória para o seu conforto, mas para Cristo em Sua humilhação! Cristo em Seus sofrimentos expiatórios como sua única esperança! O sangue, o sangue, o sangue – nisto é onde a propiciação reside – e para ele que a nossa fé deve voltar seus olhos. Isto é assim. Sim, é assim –

“Meus pecados merecem Sua ira, meu Deus!
[Mas] Sua ira caiu sobre o Teu Filho!”.

Meus pecados viraram Sua Face – tu tens escondido a Face deles. Meus pecados mereciam a morte – Ele morreu.

Meus pecados mereciam ser cuspidos – ser ridicularizados – ser repudiados como criminosos. Tudo isso Ele suportou como se Ele fosse o meu pecado, e não é assim? “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” [2 Coríntios 5:21]. Irmãos e Irmãs, eu declaro que a minha consciência nunca conheceu qualquer paz até que eu entendi essa verdade de Deus, mas desde então não tenho nenhuma Rocha para me firmar, senão esta – Cristo em meu lugar, e eu no lugar de Cristo! Estou seguro nEle e Ele foi castigado, ferido, moído, morto, ao invés de mim! Ele assim é. Propiciação através do sangue. Mas o texto diz: “Pela fé em Seu sangue”. Assim, então, isso mostra que nenhuma propiciação teve qualquer efeito no que diz respeito a nós, até que tenhamos fé no sangue! Eu nunca posso saber que Deus apagou meus pecados até que eu tenha fé! E o que é a fé, senão a confiança? E então, quando eu confio no sangue de Jesus, meus pecados são todos perdoados em um momento. Quando eu humildemente dependo da obra consumada de meu Salvador: “Ainda que os pecados sejam como a escarlata, eles se tornam como a lã; se fossem vermelhos como o carmesim, eles são mais brancos do que a neve”. Você sabe – nem sei como falar sobre esta Verdade da Propiciação. Isso faz meu coração, pular de alegria que não consigo encontrar palavras para dizer-lhe! Sei que eu, e que você, e que cada Crente debaixo do Céu é tão purificado diante de Deus de todo o pecado, como se ele ou ela nunca tivesse pecado! E é aceito diante de Deus, como se toda a sua vida tivesse sido em perfeita obediência – e tudo por causa da Propiciação desse sangue e dos queridos méritos de nosso uma vez Crucificado, mas agora Glorificado Redentor que esteve em nosso lugar! Se eu pudesse ter uma perfeita justiça propriamente minha, eu não a desejaria – Eu preferia ter a do meu Senhor, pois minha justiça, se fosse perfeita não era senão a justiça de um homem – porém Ele é a justiça de Deus e do homem, Deus-Homem! Ó, não é simplesmente impecável e completa – ela transborda com méritos! Em verdade vos digo outra vez, nós pudéssemos ter uma justiça própria, seria prudente deixá-la e obter a justiça de Jesus Cristo envolta sobre nós por um ato de fé, para que possamos sempre estar não apenas aceitos, mas, “aceitos no Amado”. Ora, é a própria glória desta aceitação que esta aceitação vem a nós em Cristo!

Assim tenho eu me demorado, conforme o nosso pouco tempo permite sobre a Propiciação. E agora uma palavra sobre -

III. A DECLARAÇÃO.

O grande objetivo, ao que parece, da Redenção, e do Evangelho, é mostrar como Deus é justo e justificador dos que creem. E Paulo divide muito bem o efeito da morte de Cristo em duas partes. Primeiro, ele diz que a morte declarou a justiça de Deus, em relação aos pecados que foram cometidos, sob a paciência de Deus.

Antes de nosso Salvador vir ao mundo, havia passado por todo o mundo alguns milhares de anos. Nossa cronologia fala de cerca de quatro mil anos. Eu não sei isso. Eu nunca acreditei na cronologia que é anexada pelo julgamento humano às nossas Bíblias. Pode ser, ou pode não estar correto. No entanto, ele pode ser de quatro mil anos. Durante esse tempo, um grande número de pecadores viveu e um grande número de pecadores foram salvos. As transgressões dos Patriarcas, as transgressões de Israel sob a Lei, foram remetidas e essas pessoas foram justificadas pela fé, e aceitas – mas como? Não tinha havido nenhuma oferta de sangue. É verdade, foram oferecidos os bois e as ovelhas, mas estes nunca poderiam aniquilar o pecado. Estes foram trazidos muitas vezes, como que para mostrar que o trabalho não foi feito. O texto diz-nos que isso foi sob a paciência de Deus. Tendo em vista a Expiação a ser oferecida, Deus remeteu – passou, como a palavra significa – os pecados daqueles de Seus filhos que viveram antes que Cristo fosse enviado – antes da penalidade ter sido sofrida pelo Substituto! É um pensamento glorioso, este da Expiação de Cristo agindo à frente, antes que fosse concluída, antes de ser apresentada – e multidões entrando no céu e desfrutando a felicidade como Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os santos fizeram, quando, no entanto, como ainda nem uma gota de sangue que os salvou havia sido derramada, nenhuma pontada de agonia da Expiação havia sido sofrida! Agora tivesse Deus passado todos esses pecados, e nenhuma expiação fosse, afinal, apresentada, a Sua Justiça não teria sido declarada. Mas em última análise, o nosso Salvador vindo e sofrendo, tudo foi uma declaração da justiça de Deus sobre os pecados que foram no passado. Foi provado que Ele tinha em Sua mente este grande sacrifício quando Ele passou pelo pecado – que Ele não tinha injustamente os remetido sem exigir a penalidade.

Mas, então, o apóstolo nos dá a outra parte da grande resultado da morte de Cristo! Ele diz: “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente”. Ou seja, hoje – enquanto lemos esta passagem. “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, isso ainda é como para nós que vivemos depois da Paixão, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”. O sacrifício expiatório de Cristo olha para a frente, e vai olhar tudo ao longo dos séculos até que Ele venha! –

“Seu sangue precioso nunca perderá o seu poder
Até que toda a Igreja resgatada de Deus
Esteja salva para não mais pecar”.

Todos os pecados de Seu povo, tanto do passado como do presente e por vir, foram colocados em Cristo – toda a poderosa massa de todos os pecados de todo o Seu povo que já creram, ou hão de crer nEle – todos foram transferidos para Sua cabeça e caíram sobre Ele! E Ele sofreu por todos eles. E Ele acabou com todas as suas transgressões e trouxe a justiça eterna para todos eles! Aqui está a grande Verdade de Deus, a maior Verdade da Inspiração!

Agora vou passar os últimos minutos do nosso tempo rememorando que eu não tenho, Amados, feito rodeios, nem lhes preguei uma Doutrina que pode ou não ser Verdade! Eu não fui segurando vocês até algum ângulo de um credo excêntrico. Eis que, diante de vocês aquilo que será um cheiro de vida para vida, ou de morte para a morte! Não com palavras de sabedoria humana, mas na simplicidade que eu tentei dizer-lhes a maneira de Deus de perdoar e justificar os homens. Por sua conta e risco rejeitem isso! Como vocês responderão por isso diante do tribunal do meu Mestre, naquele dia quando Ele chamar vocês para prestarem uma conta, ó, eu vos suplico pelo Deus vivo – aceitem a Propiciação que Deus apresenta! Aqui há termos duros! Aqui há condições rigorosas! Lá estão as palavras “creia e viva!”, Como está escrito: “Aquele que crer e for batizado será salvo, aquele que não crê será condenado”. Eu disse-lhes o que é crer nisto. É um ato sincero de confiança de que o Deus Encarnado sofreu em seu lugar. Se vocês acreditam nEle ou confiam nEle, esta é a prova indiscutível de que Ele era um Substituto para vocês – que a carga de sua culpa se foi – que a pedra que estava à porta é removida e vocês estão salvo! Não vão, peço-vos, à procura de outra justiça. Toda a justiça que você precisa, Cristo apresenta-lhe livremente! Não diga que você é culpado – é verdade que você é – mas este modo de salvação era para os culpados! Não objete porque você se sente incapaz. Toda a aptidão que é necessária é que você nada faça, senão confessar que você é incapaz de obter livremente o que Deus lhe apresenta! Nenhum pecado de vocês lhes arruinará se vocês crerem, mas nenhuma justiça de vocês os salvará se vocês não crerem!

Esta é a maneira de Deus para salvar os homens. Você vai criar uma outra? Você vai ousar reproduzir o Anticristo para com Cristo? Ele declarou a Sua justiça na substituição do Salvador. Você não consegue ver esta justiça, ou vendo-a, você não vai admirá-la? Você não vai adotar o plano que se manifesta nela? Aceite isso, Pecador! Isto é tudo que o coração e a voz de um Irmão pode dizer, aceite-a! Ó, se você soubesse a alegria que lhe traria, você aceitaria isso agora! Presto meu testemunho pessoal. Sobrecarregado com o pecado, completamente perdido, tanto quanto você, eu ouvi esta notícia alegre! Ouvi a mensagem que dizia: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” [Isaías 45:22]. Eu olhei. Eu era tão incapaz quanto você – tão indigno quanto você -, mas no momento em que meus olhos avistaram o grande Fiador no chão do Getsêmani, sangrando por mim, e na Cruz morrendo por mim – eu vi que se Deus tivesse castigado a Ele por mim, Ele poderia ser justo, e ainda assim nunca me punir! Não, se Cristo foi punido em meu lugar, me punir depois que Cristo havia morrido por mim seria injustiça completa! E hoje eu me escondo debaixo nas asas de Jesus, o grande Fiador, e meu único abrigo na tempestade –

“Rocha das eras fendida por mim
Deixe-me refugiar-se em Ti”.

Em Seu lado traspassado minha alma encontra um abrigo da explosão da Ira Divina. Está em paz agora! Esta é a alegria agora! Esta é a salvação agora comigo! Por que não deveria ser assim com você? Você não veio aqui para encontrá-Lo. Não, mas Deus te trouxe aqui para encontrar você! Não está escrito: “Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era amada” [Romanos 9:25]. “Fui achado”, diz Ele, “pelos que não me buscavam” [Romanos 10:20]. Ó, que Ele possa ser encontrado por você hoje à noite! Você não conhecia o caminho para ser salvo – você sabe disso agora. Não acrescente à sua culpa sabendo o que você não pratica, mas agora, agora confie nEle! Ó, que o Espírito Santo opere a fé em você. “Até mesmo apenas um pouco de fé”, diz alguém. Pouca fé vai te salvar, mas Cristo merece grande fé! Ó, Ele é um verdadeiro Cristo – Ele não pode mentir. Ó, você não pode depender dEle? Você não vê senão a orla de Suas vestes? É um fio desfiado que sai? Toque-a, toque nela com o dedo e você será curado! Você não pode acreditar como você deveria? Acredite como você pode! Diga como aquele no passado: “Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade” [Marcos 9:24]. Erga o grito do publicano: “Deus, tem misericórdia – sê propício a mim, pecador! Jesus, eu terei a Ti! Tenha a mim!”

O Senhor lhe conceda isto, podendo muitos neste lugar serem salvos esta noite, para louvor e glória da Sua Graça, na qual Ele nos fez aceitos no Amado. Amém e amém!

 

***

 

EXPOSIÇÃO POR C. H. Spurgeon:

JOÃO 15:1-17.

Assim diz o Senhor Jesus – Verso 1. Eu sou a videira verdadeira: Muitas perguntas têm sido levantadas sobre o que é a verdadeira Igreja. O Salvador lhes responde: “Eu sou a videira verdadeira”. Todos os que estão unidos, realmente unidos, ao Salvador eternamente vivo são membros da verdadeira Igreja. Você pode encontrá-los, se eles são um com Cristo, são Seus – eles são partes da Videira Divina – eles pertencem à Sua Igreja.

1b. E Meu Pai é o lavrador: Esta é província do Pai, pelo Espírito Santo, e pelas obras da Providência, veja a prosperidade da Igreja. “Meu Pai é o lavrador.” Todos os pregadores, todos os professores são, mas, por assim dizer, a ferramenta de poda está na mão do grande Lavrador. “Meu Pai é o lavador.”

2a. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira: É uma parte necessária da vinha remover os brotos supérfluos. Demasiada produção de madeira que não leva à produção de frutos, nada é senão uma perda de força. E assim é na Igreja, há aqueles que não produzem frutos e, por um tempo, eles parecem ser frescos e verdes – e eles estão sob os lavradores que não ousam lança-los fora. Mas o Pai faz isso – às vezes, removendo-os pela morte, em outras vezes, permitindo-lhes abertamente expor seu próprio caráter, até que são passíveis de disciplina da Igreja e são removidos.

2b. e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto: Que significa isso? “Ele as limpa (poda-as) para que produza mais fruto”. “Eu não consigo entender”, disse alguém a mim no outro dia: “Por que eu estou muito atormentado. Fui examinar a mim mesmo para descobrir que pecado pode ter sido a causa disso”. Ora, amados, se essa for sua pergunta, esta noite, pode haver um pecado sendo posto de lado e, em caso afirmativo, Deus me livre que eu deveria evitar seu exame! Mas lembre-se, por outro lado, aflição não é evidência de pecado, mas muitas vezes do próprio contrário! É o ramo frutífero que recebe a poda. Você é um tão bom ramo que Deus quer que você melhore. Você tem tais capacidades para dar frutos que Ele quer ver essas capacidades desenvolvidas. O lapidador não coloca em cima da roda a pedra que não é preciosa, mas a que é, e assim a sua aflição não é nenhuma marca, portanto, de sua falta de Graça, mas de tê-la! “toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto”.

3a. Vós já estais limpos: Porque é assim que deve estar.

3b. Pela palavra que vos tenho falado: Enquanto Cristo estava com Seus discípulos, Ele manteve a Sua vinha continuamente podada pela Palavra que Ele falou. Essa palavra cortou os ramos infrutíferos, pois lemos que depois Ele diz que havia alguns que voltaram para trás e já não andavam com Ele, pois disse: “duro é este discurso. Quem pode suportar?” Essa foi a palavra de Deus a poda dos ramos inúteis! E havia outros que estavam aflitos por suas palavras. Eram pessoas boas, e ele fez-lhes bem. Foi uma tristeza segundo Deus que trouxe os frutos dignos de arrependimento.

4. Estai em mim, e eu em vós: Aqui está o grande cânone da vida cristã! Apegar-se a Cristo. Não só viver com Ele, mas viver nEle. “Estai em Mim”. E ó, deixe Jesus não ser apenas seu companheiro de vez em quando, em ocasiões sagradas, mas deixe que Ele permaneça em vós! Faça de seu coração um templo – deixe que Ele encontre seu descanso mais doce, Sua casa, em você!

4a. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, a não ser vós permanecerdes em Mim. Isto é manter-se em Cristo, então, isto é a questão vital! Aqui está a raiz de todo o negócio, ser um com Jesus pela união vital, derivando a seiva da nossa vida inteiramente dEle!

5. Eu sou a videira, vós sois os ramos: Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto. Esta dupla permanência dá uma colheita dupla! Cristo em Mim, e Eu em Cristo – Eu devo ser frutífero. Ó, Amados, olhem bem para isso. Tenho medo de ficarmos a uma distância de Cristo. Há mais perigo disto em velhos professores do que há em jovens iniciantes. O jovem iniciante muitas vezes é fervoroso de coração. A verdadeira novidade da coisa o mantém perto de seu Mestre, mas, ó, cuide do afrouxamento! Vocês que têm sido peregrinos por um longo tempo, cuidem do enfraquecimento! É tão fácil crescer frio neste mundo frio – e é tão difícil manter o santo fervor espiritual, sem o qual não há saúde espiritual.

5b. Quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer: Não “você vai fazer menos”, ou, “você vai fazer o mínimo”, mas você não pode fazer nada – nada de bom, nada espiritual, nada aceitável, se separado de Jesus!

6. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem: E ó, como muitos vêm para este fim! Eles pareciam ser tudo o que os ramos frutíferos são, mas eles nunca foram almas salvas, pois almas salvas sempre produzem frutos de justiça! Sua salvação é provada por sua frutificação. Mas embora estes pareciam ser tudo o que os outros foram, depois de um tempo eles foram descobertos e lançados ao fogo e queimados.

7. Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito: Minhas próprias palavras. Você deve entesourar os ensinamentos de Cristo. Você deve obedecer seus preceitos. Se você fizer isso: “pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. Neste capítulo são ministradas uma ou duas vezes que o poder da oração depende muito da proximidade da nossa comunhão com Cristo – e a integridade de nossa obediência a ele. Somos salvos pela fé no Redentor, mas a alegria da salvação, a própria dignidade e glória, só virá para aqueles homens e mulheres que zelosamente cuidam-se, e com zelo obedecem ao seu Senhor e Mestre.

8-9. Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor: Que palavra gloriosa! Eu mal conheço um texto mais profundo, mais completo do que esse. Da mesma maneira como Deus o Pai ama o Filho – dessa mesma sorte o Filho nos ama! Ouça as palavras de novo, “Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor”. Ele nos confirma isto e nos ordena a viver no gozo do mesmo!

10a. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor: Você deverá conhecer isto. Você deve viver nisto – deve ser o ar que você respira.

10b-11a. Do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo: Cristo deseja que Seu povo seja feliz – feliz, no entanto, com uma santa alegria, que não é, portanto, uma alegria sombria e de segunda categoria. É a própria alegria do povo do Cristo de Deus que devem desfrutar!

11a-16. Para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai Ele vo-lo conceda: A segunda vez que ele coloca esta notável prevalência de oração lado a lado andando com os mandamentos do Senhor! Ó, você tem falta deste êxito em sua vida e obras, você não pode rastrear o seu fracasso em seu esquecimento de Deus? Será que Deus fará a tua vontade, se você não fizer a Sua? Irá Ele esperar por você, se você não esperará nEle? Será que Ele não (não deve você esperar que Ele vá) andará contrário a você se você andar contrário a Ele? Que Seu Espírito lhe faça puro na vida, para que, em seguida, você deva ser bem sucedido diante do Trono de Misericórdia!

17. Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros: Jesus, envie-nos este espírito de amor, nós te suplicamos! 

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♦ Fonte: SpurgeonGems.Org  │ Título Original: “Justification, Propiation, Declaration”
♦ As citações bíblicas desta tradução foram retiradas da versão ACF (Almeida Corrigida Fiel)
♦ Tradução: William Teixeira
♦ Revisão: Camila Rebeca Almeida


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